quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Apenas no último round

Muitas pessoas deixam o tempo passar e se voltam para Deus apenas nos momentos de crise ou mesmo no leito de morte. Talvez pensam que é melhor aproveitar ao máximo tudo o que podem, e só no fim da vida vão pensar em Deus. Mas será que este pensamento encontra apoio na Bíblia? É possível alguém se arrepender no momento da morte e ainda desfrutar a mesma salvação de alguém que foi cristão durante muitos anos? Vamos analisar brevemente a ideia de conversões que acontecem apenas no "último round".

Certamente é possível que uma pessoa, no último momento de sua vida, se arrependa verdadeiramente, creia e seja justificada, recebendo o benefício da preciosa salvação. A Bíblia nos mostra um claro exemplo deste fato. Quando Jesus estava sendo crucificado no Calvário, um dos ladrões que estava ao seu lado implorou por perdão quando disse as palavras: “Senhor, lembra-te de mim, quando vieres no Teu reino.” Aquele ladrão se mostrou completamente indigno do favor de Deus, mas clamou por misericórdia. A resposta de Jesus foi imediata: “Ainda hoje estarás comigo no paraíso.” Aquele homem foi salvo nos últimos momentos da sua vida. O presente da salvação foi dado e não lhe será tirado, porque ele recebeu esta promessa do próprio Senhor Jesus.

Mas precisamos entender que esta não é a regra geral, é uma exceção. A maioria das conversões registradas na Bíblia, principalmente no livro de Atos, revela a história de pessoas que tiveram tempo para servir a Deus através de testemunho e pregação do Evangelho. O apóstolo Paulo foi um exemplo notável de uma vida inteira dedicada ao serviço, após a sua conversão no caminho para Damasco. A partir daquele momento, Paulo passou a ser um perseguido por causa do Evangelho, mas levou a mensagem de salvação a muitas pessoas. Ele usou toda a sua vida para proclamar as boas novas aos pecadores e exortar as igrejas que ajudou a plantar.

Nas suas cartas, Paulo enfatizou que o homem precisa somente crer na obra de Cristo, pela fé. Isto é suficiente para salvação. Mas Jesus falou que devemos trabalhar e acumular tesouros no céu. Ele prometeu que haverá recompensas entregues ao seu povo, de acordo com o serviço desempenhado por cada um. É claro que você não chega ao céu por meio de suas obras, mas sua recompensa no céu será de acordo com o seu trabalho no reino de Deus. A Bíblia chama estas recompensas de galardões. Embora as pessoas podem se arrepender dos seus pecados e receber a salvação no leito de morte, se isto estiver nos propósitos de Deus, não há nada mais gratificante do que servir a Cristo fielmente por muitos e muitos anos.

Para finalizar, é muito importante lembrar que a obra de salvação é realizada pelo Espírito Santo de Deus na vida de uma pessoa. Não sou eu ou você que determinamos hora e lugar para aceitar o perdão de Deus. A salvação é um presente de Deus para o homem, mas não é o homem que determina o momento certo para receber este presente, ou ainda, se irá recebê-lo ou não. Então, não é aconselhável ficar confiando que irá receber este presente apenas no último suspiro. Pode ser que não haja nenhum presente para você. O melhor é viver com Cristo em todo o tempo que você estiver neste mundo, servindo ao Senhor e sendo usado no reino de Deus. É um enorme privilégio desfrutar da salvação e crescer no pleno conhecimento da graça, utilizando os dons de serviço que Deus outorga aos crentes.

Marcos Aurélio de Melo
Mensagem para Programa de Rádio

sábado, 21 de agosto de 2010

A carne precisa morrer

“Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis.” Romanos 8:13

Dos três inimigos do cristão apontados por Lutero (o mundo, a carne e o diabo), qual deles é o mais perigoso? Todos são inimigos ferozes, mas há um deles que está sempre por perto. Aliás, a carne é a velha natureza de Adão que ainda permanece no crente mesmo após a conversão. Ela está conosco 24 horas por dia, 7 dias por semana e 4 semanas no mês, 12 meses por ano, até o fim de nossa vida nesta terra. O mundo com todas as suas artimanhas só terá espaço em nosso viver se permitirmos que a carne ganhe espaço. E o diabo apenas abana o fogo, pois a lenha e o combustível já existem no nosso coração. Alguém disse que “sobre os ombros do diabo têm sido colocadas muitas culpas que são nossas, pecados voluntários, erros que tiveram nossa dedicação.” A carne que nos assedia diariamente é o mal que habita em cada um de nós.

Paulo escreveu a epístola aos Romanos e foi bem enfático ao afirmar o seguinte: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim” (Romanos 7:18-20). Este mal a que Paulo se refere é toda a natureza corrompida de Adão que ainda permanece no cristão. Sugiro que você leia atentamente os capítulos 6, 7 e 8 de Romanos. Todos já nascem com a propensão de satisfazer os desejos da carne (Ef. 2:3), mas o cristão não deve ceder aos desejos carnais se tem o propósito firme de agradar a Deus. Quando o homem é salvo e passa a se relacionar com Deus, ele começa a perceber a pecaminosidade que há dentro dele.

Duas palavras são usadas na Bíblia para se referir à carne: “soma” e “sarx”. A palavra “soma” é normalmente utilizada para se referir a corpo físico, enquanto “sarx” possui uma abrangência maior e pode significar também a natureza caída do homem. O pecado infectou cada aspecto da nossa existência, por isso a carne é apontada como inimizade contra Deus. As obras da carne descritas em Gálatas 5: 16-21 são manifestações diretas desta inimizade contra o Espírito de Deus. Neste texto bíblico observamos nos versículos 22 e 23 o estilo de vida diferente que é percebido mediante os frutos do Espírito. Este conflito dentro do crente é travado diariamente, por isso é que o cristão precisa aprender a mortificar o poder maléfico de sua carne dia após dia.

Para que haja uma mortificação eficaz do poder que a carne possui, devemos aplicar algumas estratégias muito importantes. Um dos passos é vigiar atentamente tudo o que chega a nossa mente e filtrar todas as coisas segundo uma cosmovisão bíblica. A mente é a porta de entrada e só podemos permitir que entre em nossa vida o que seja útil para o nosso crescimento e edificação espiritual. Por isso é que somos advertidos constantemente sobre uma transformação que envolve a renovação da nossa mente. Outra estratégia é diagnosticar logo no início as “iscas” que são colocadas diante de nós. Para isso devemos ter um coração submisso à verdade da Palavra de Deus, que não deve sofrer alterações para se adaptar aos nossos anseios pecaminosos. Além disso, precisamos exercitar a negação do “eu”, dizendo não aos desejos da carne (Lc. 9:23) e nos despojando constantemente das obras do velho homem (Cl. 3:9), que se corrompe segundo as concupiscências do engano.

Para viver de modo agradável a Deus o crente necessita mortificar a carne, fechando as brechas a fim de que não haja suprimento para ela. A carne precisa morrer e nós somos totalmente responsáveis por isto. Como filhos amados do nosso Pai, devemos prosseguir crescendo até a estatura de varão perfeito conformando-nos dia após dia à imagem do Senhor Jesus Cristo.


Textos úteis:
“Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna.” (Gálatas 6:8)
“Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.” (Romanos 8:8)
“Porquanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem?” (1 Coríntios 3:3)
"Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz." (Tg. 1:14)


ESTUDO BÍBLICO UNIÃO DE JOVENS
MARCOS AURÉLIO DE MELO

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A Santidade de Deus

A primeira oração que aprendi quando criança foi uma simples ação de graças à mesa de refeições: "Deus é grande; Deus é bom; e nós lhe agradecemos este alimento". As duas virtudes atribuídas a Deus nesta oração, grandeza e bondade, podem ser definidas por uma única palavra bíblica — santo. Quando falamos da santidade de Deus, costumamos associá-la quase que exclusivamente com sua pureza e justiça. Certamente a idéia de santidade contém essas virtudes, mas elas não são o significado primário de santidade.

A palavra bíblica santo tem dois significados distintos. O significado primário é "separação" ou "distinção". Quando dizemos que Deus é santo, chamamos a atenção para a profunda diferença que existe entre ele e todas as criaturas. Referimo-nos à majestade transcendente de Deus, sua augusta superioridade, em virtude do quê ele é digno de toda honra, reverência, adoração e louvor. Ele é "distinto" ou diferente de nós em sua glória. Quando a Bíblia fala de objetos santos, de pessoas santas ou de tempo santo, ela se refere a coisas que foram postas à parte, consagradas ou diferenciadas pelo toque de Deus sobre elas. O solo onde Moisés estava em pé, perto da sarça ardente, era um solo santo, porque Deus estava presente ali de uma maneira especial. E a proximidade do divino que torna o ordinário subitamente extraordinário, e torna aquilo que é comum em algo incomum.

O significado secundário de santo se refere às ações puras e justas de Deus. Deus faz o que é certo. Ele nunca faz o que é errado. Deus sempre age de maneira certa porque sua natureza é santa. Assim, podemos distinguir entre a justiça interna de Deus (sua natureza santa) e a justiça externa de Deus (suas ações).

Porque Deus é santo, ele é grandioso e bom. Não há nenhum mal misturado à sua bondade. Quando somos chamados para ser santos, isso não significa que participamos da majestade divina de Deus, mas que devemos ser diferentes da nossa natureza pecaminosa normal como criaturas caídas. Somos chamados para espelhar e refletir o caráter e a atividade moral de Deus. Temos que imitar sua bondade.

Texto de R. C. Sproul
Extraído do Caderno 1 - Verdades Essenciais da Fé Cristã

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Os falsos pregadores

Diante de tantos pregadores hoje em dia, como podemos identificar os falsos líderes que existem? Muitas pessoas estão confusas a respeito de tantos pregadores na televisão, no rádio ou nas igrejas que afirmam ter a resposta certa. Mas Jesus nos advertiu que “falsos mestres e falsos profetas” virão e tentarão enganar até mesmo os eleitos de Deus (Mateus 24:23-27). Então, como podemos identificar os falsos mestres que dizem estar ensinando a Palavra de Deus?

Para melhor se prevenir contra a falsidade e contra falsos mestres você deve conhecer bem a verdade. As pessoas que desejam identificar uma cédula falsa precisam treinar bastante e perceber como é a cédula verdadeira. Assim também o crente precisa buscar conhecer melhor a verdade bíblica. A Bíblia diz que crente deve “manejar bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15). Portanto é fundamental estudar a Bíblia e julgar todo ensino de acordo com o que diz a Escritura.

Uma dica para identificar um falso pregador ou mestre é reconhecer se ele apresenta o Evangelho segundo as Escrituras. O Evangelho é a boa nova de Deus aos homens pecadores, que precisam ouvir a verdade sobre a sua situação diante de Deus e o que Jesus realizou ao morrer na cruz do calvário. Muitos falsos pregadores não se importam com a essência do Evangelho e apresentam outros meios para o homem obter comunhão com Deus. O problema é que Deus não permitiu a ninguém que alterasse o conteúdo do Evangelho e qualquer um que apresente outro ensino pode ser considerado um falso pregador.

Outra dica é observar se o pregador ou líder é cheio de cobiça e sempre busca conquistar vantagens financeiras. A Bíblia diz que muitas pessoas desviaram-se da fé porque amaram o dinheiro e se tornaram iludidos pela cobiça. O verdadeiro pregador e líder cristão reconhece que a sua suficiência vem somente de Deus e não dos bens que conquista neste mundo. Deus mostra na sua Palavra que o amor ao dinheiro é raiz de todos os males, e que as riquezas são passageiras. O líder cristão genuíno não pode usar o seu ministério como uma fonte de lucro porque isto não é aprovado por Deus. Porém, muitos líderes estão negociando a Palavra de Deus e atraindo multidões que desejam uma vida diferente, com promessas ilusórias e mentiras sobre prosperidade material. Na verdade, os bolsos deles é que estão cheios!

E por último observe se o pregador ou líder apresenta uma vida realmente transformada pelo Evangelho. Como é o testemunho deste pregador, ele é visto como alguém que de fato vive as mudanças na sua vida diária? Como é a sua vida em família, com sua esposa e seus filhos? A Bíblia diz que um líder na igreja de Deus deve ter um testemunho exemplar, que sabe governar bem sua família e que não é uma pessoa de contendas. Então observando estas dicas você poderá identificar se os pregadores com quem você tem algum tipo de contato são verdadeiros ou falsos mestres.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A verdadeira adoração

A adoração verdadeira é manter sempre o foco em Deus. Partindo deste pressuposto, podemos discernir se de fato estamos adorando a Deus verdadeiramente em nossas reuniões de adoração ou na vida particular. Quando nossas motivações reais para adorar ao Senhor se apresentam distantes do ideal de focalizar Deus em todas as coisas – isto é, glorificá-Lo acima de tudo e todos – não podemos afirmar que estamos adorando a Deus. Assim, será que o que nós convencionamos chamar de adoração a Deus não é uma grande farsa? Para responder acertadamente a esta pergunta precisamos definir com exatidão em quem está o foco na adoração.

O homem pós-moderno aprendeu desde cedo que é importante ser aclamado e ovacionado. Esta tendência vem do berço, pois todos nós nascemos pecadores com a natureza de Adão. Sendo assim, o homem quer ter a primazia em tudo. E não é mera coincidência porque muitas das letras de músicas que são conhecidas como “músicas de adoração”, na verdade centralizam o homem e colocam Deus como apenas um supridor de necessidades. Se o foco está no homem e se Deus é apenas acessório, definitivamente isto não é adoração verdadeira. Podemos observar ajuntamentos de pessoas cantando euforicamente, mas são cânticos lançados ao vento que não chegam ao trono de Deus, pois somente Ele é digno de ser adorado e reconhecido como o Altíssimo.

Para adorar a Deus o homem precisa se esvaziar de suas vontades carnais. O homem tem que descer do trono e sair do pedestal de orgulho. Somente ao negar-se a si mesmo, o homem terá condições de adorar verdadeiramente a Deus. Somente ao rejeitar sua própria glória, o homem poderá achegar-se a Deus com o propósito sublime de glorificar somente o Seu Excelso Nome.

Esta é grande necessidade dos nossos dias. O Pai ainda procura os adoradores que O adorem em espírito e em verdade, mas somente os filhos redimidos do ego e convertidos pela graça estão prontos para oferecer-Lhe uma adoração não fingida. Quem já foi convertido pela graça entende perfeitamente que o foco da adoração deve estar direcionado somente para o Senhor Deus, que é o Único merecedor de honras, glória e louvor pelos séculos dos séculos.


BREVE MEDITAÇÃO TEMÁTICA
MARCOS AURÉLIO DE MELO

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Uma excelente recordação

Texto Bíblico: II Samuel 9

Um álbum de fotografias nos faz voltar ao passado por alguns instantes. Quando folheamos as páginas de um álbum, somos levados a pensar em vários fatos marcantes de nossa vida e de outras pessoas também. Os retratos que nos fazem relembrar a nossa história são recordações guardadas a sete chaves – relíquias pessoais de valor inestimável. Em alguns álbuns é comum encontrar na capa a seguinte frase: “Recordar é viver”. E de fato, Deus nos deu a capacidade de recordar para que possamos ter um coração sempre grato por seu maravilhoso cuidado sobre nossas vidas. Mas como somos tendenciosos a esquecer facilmente, Deus ordenou várias vezes que memoriais fossem construídos para que as gerações futuras soubessem dos milagres realizados (Js. 4:1-7).
Ao ler este texto bíblico, comecei a pensar como se estivesse diante de um álbum de retratos. O versículo 3 nos fala sobre a “bondade” de Deus, que no original é uma palavra muito ampla que não cabe no apenas no conceito de bondade que nós conhecemos. A palavra “chesed” é traduzida em outros textos das Escrituras de várias maneiras: amor leal, fidelidade, bondade, benignidade, misericórdia, compaixão, benevolência, favor, e também graça. No Salmo 63:3, Davi escreveu: “Porque a tua graça (chesed) é melhor do que a vida”, expressando o valor inestimável da graça divina. Comecei a pensar na graça de Deus e como nós somos tendenciosos a esquecer desta maravilhosa graça. Ao longo dos anos, deixamos de recordar que a graça divina é o fundamento da nossa existência e da nossa salvação. O profeta Jeremias expressou isso da seguinte forma: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias (chesed) do Senhor são a causa de não sermos consumidos porque as suas misericórdias (chesed) não têm fim” (Lm. 3:21,22).
Diante de todo o contexto desta passagem bíblica e tomando como base as ideias apresentadas até aqui, eu gostaria de afirmar o seguinte:

“Temos neste texto uma excelente recordação da graça maravilhosa que nos alcançou”

Assim como a frase na capa dos álbuns de fotografia (Recordar é viver), precisamos recordar sobre a graça maravilhosa de Deus a cada instante, para vivermos de modo que glorifique ao Senhor. Mas quais são as evidências neste texto que nos indicam uma excelente recordação da graça maravilhosa que nos alcançou?


I – A AUSÊNCIA DE QUALQUER MÉRITO HUMANO (vs. 3, 6, 8)
Mefibosete não tinha nada a oferecer e não merecia nada. Nele mesmo não havia mérito algum. No episódio que lemos, a ênfase recai totalmente sobre Jônatas (o pai de Mefibosete), por conta de uma promessa feita por Davi no passado. Mas Mefibosete por si próprio não era digno de nada a não ser a morte, pois o extermínio de toda a família do rei anterior era um costume comum naquela época. Mefibosete se intitula “um cão morto” (v. 8), reconhecendo que não tinha nenhum valor. O seu nome significava “coisa vergonhosa”. Quando seu pai e avô morreram, ele teve que fugir nos braços de uma criada e, por um descuido, caiu e ficou coxo (2 Sm. 4:4), o que lhe conferiu uma deficiência para o resto de sua vida. Mérito algum era observável neste homem – ele se prostrou diante do rei Davi reconhecendo a sua completa insignificância (vs. 6).
Um hineto bastante conhecido faz algumas perguntas desconcertantes logo na primeira estrofe: “Pode um morto se levantar? / Pode um escravo se libertar? / Pode um cego se dar visão? / Ou se escolhe a salvação?” A intenção do autor desta letra é enfatizar a total depravação humana e destacar a insuficiência dos méritos na salvação. Esta depravação não se refere aos atos do homem – ela se refere à própria natureza corrompida do homem. A Queda deixou o homem cego e ignorante nos assuntos espirituais. E esta verdade se mostra clara em toda a Palavra de Deus (Rm.3: 10, 11, 12, 23; Rm. 5:12)
O homem é espiritualmente inválido (um tetraplégico), e não há nenhum mérito inerente no homem que o faça chegar até Deus por si próprio. A condição pecaminosa que herdamos de Adão nos torna mancos espiritualmente – não há como agradar a Deus desta forma. Somos rebeldes deste o ventre de nossa mãe, o que impossibilita qualquer mérito diante de Deus. Por causa do nosso pecado, a vontade do coração é viver sempre escondido e longe da presença de Deus. A Bíblia nos afirma que a ferida do coração humano é uma “chaga incurável” – um câncer que se alastrou (Jr. 17:9). Também sabemos que as obras de justiça em busca de mérito são consideradas por Deus como trapo de sujeira e imundícia (Is. 64:6), porque não satisfazem a santidade de Deus. Por isso as melhores obras que fazemos tentando alcançar algum mérito diante de Deus na verdade bloqueiam a visão da graça maravilhosa do Senhor.

II – A LIVRE INICIATIVA DIVINA EM NOSSO FAVOR (vs 1, 2, 3, 4, 5, 7)
Mefibosete vivia escondido na distante localidade chamada Lo-Debar, que literalmente significa “não-pasto”, o que pode indicar um lugar árido e muito inóspito. Ele estava totalmente distante da “realeza”, e não havia a menor possibilidade de se apresentar ao novo rei Davi. Com certeza, ele sabia das histórias de conflitos no reino de Israel, e nunca teria condições de ter algum acesso ao rei, se não fosse pela livre iniciativa de Davi.
Neste texto bíblico, é sempre Davi quem toma a iniciativa: ele questiona por duas vezes (vs. 1 e 3); ele manda chamar o servo Ziba (vs. 2); ele pergunta onde está este filho de Jônatas (vs. 4); ele mandou trazer Mefibosete de Lo-Debar (vs. 5); ele afirma que usará de bondade e garante benefícios a Mefibosete (vs. 7); e ele dá ordens para que o servo Ziba cultive a terra em prol de Mefibosete (vs. 9-10). É marcante perceber que o agente da história é sempre o rei Davi, proporcionando tudo o que é necessário para o filho de Jônatas.
Na história do povo de Deus é sempre Ele quem toma a iniciativa. Desde os primórdios temos vários exemplos nas Escrituras: foi Deus quem tomou a iniciativa de convocar Noé para construir uma arca (a ideia não partiu de Noé); foi Deus quem tomou a iniciativa na chamada de Abraão (a ideia de sair de Ur não partiu de Abraão); foi Deus quem tomou a iniciativa de chamar Moisés no meio da sarça no deserto para liderar a libertação do povo do Egito; foi Deus quem tomou a iniciativa de preservar o seu povo durante a peregrinação no deserto (Israel não estava entregue à própria sorte); foi Deus quem tomou a iniciativa de levantar um novo líder (Josué) para adentrar a terra prometida. Deus age por meio do seu poder salvador – e não há ninguém que possa impedi-Lo (Is 43:13).
A iniciativa divina é indispensável para que a graça nos alcance. É Deus quem age em favor dos que são seus e os salva graciosamente. É Deus quem nos ama antes de nós sabermos que somos alvos deste amor tão grande. Precisamos compreender que tudo parte de Deus em benefício dos seus filhos amados e se Deus não agir inicialmente, nós nunca teremos condições de buscá-lo da forma que O agrada. Jesus lembrou aos seus discípulos que a iniciativa para um relacionamento foi d’Ele: “Não fostes vós que me escolhestes a mim, pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros, e vos designei para que vades e deis fruto” (João 15:16). Em I João 4:19 lemos: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro”, uma clara evidência de que a iniciativa é toda de Deus. Um morto não pode levantar-se por si só, portanto é necessário que Deus nos vivifique através da ação de Seu Santo Espírito. Devemos recordar sempre: foi Deus quem tomou a iniciativa de se relacionar conosco.

III – A BÊNÇÃO DA COMUNHÃO RESTAURADA (vs. 9-13)
Os versículos finais do capítulo 9 nos mostram que Davi fez questão que Mefibosete estivesse sempre presente à mesa do rei: “comerá pão sempre à minha mesa” (vs. 10). E o versículo 11 ainda amplia: “Comeu Mefibosete à mesa de Davi como um dos filhos do rei.” Também no versículo 13 há mais uma referência: “comia sempre à mesa do rei”. Esta ênfase não é em vão. O escritor quer nos mostrar que para o rei Davi era importante que Mefibosete estivesse sempre presente no palácio – fazendo parte daquela família. O versículo 13 termina de forma curiosa, ao relembrar um fato que foi mencionado no versículo 3: “ele era coxo de ambos os pés”. Davi também tratou Mefibosete pelo nome (vs. 6) e quis dissipar qualquer medo do coração dele no versículo 7. Além disso, mesmo com sua deficiência física, Mefibosete era aceito no palácio real com honras de filho, por causa da bondade graciosa do rei Davi. Sobre este episódio, o escritor Swindoll escreveu: “A toalha da graça cobria os seus pés.”
A Bíblia nos diz que Deus nos tirou do reino das trevas e nos transportou para o reino do filho do Seu amor (Cl. 1:13). Somos abençoados com esta comunhão restaurada, e diante do nosso Deus podemos apresentar nossos pecados para obtermos o perdão. Somos filhos porque fomos adotados por Deus, e por isso mesmo podemos desfrutar desta comunhão com o nosso Pai. Mesmo quando cometemos pecados, temos livre acesso a Deus por meio da Sua graça e sabemos que “Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (I Jo. 1:9). A graça maravilhosa de Deus está disponível para suprir nossas deficiências, quando confessamos nossos pecados de coração contrito.
Não há nada neste mundo mais valioso do que saber que temos paz com Deus (Rm. 5:1-2) e podemos gozar de plena comunhão com Ele. Este fato deve nos impulsionar a ter uma vida que agrada ao Senhor em todos os aspectos. Devemos direcionar todos os esforços para que esta comunhão com o Senhor não seja esporádica (fins de semana, retiros), mas uma realidade no nosso dia a dia. Você tem desfrutado da intimidade com Deus mesmo passando por vales sombrios? Como cristão, você reconhece que está distante de uma verdadeira comunhão com o Senhor? Para um cristão legítimo, esta ausência de comunhão o afeta profundamente. O crente deve almejar sempre viver em constante comunhão com Deus, como escreveu Davi no Salmo 63:1: “a minha alma tem sede de Ti, numa terra árida, exausta, sem água.” Precisamos depositar total confiança nesta graça maravilhosa, que nos proporciona a intimidade com o nosso Deus (Salmo 13: 5,6).

MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS EM II SAMUEL

sábado, 26 de junho de 2010

O crente X o pecado

Por que Deus não torna o crente perfeito e incapaz de cometer pecados, a partir do momento de sua conversão a Cristo? Talvez você já tenha se perguntado por que ainda luta com pecados em sua vida, mesmo já sendo um salvo por meio da graça de Deus. Por que será que Deus não livra o crente de qualquer inclinação para o pecado depois de sua conversão?

Para responder a esta pergunta, precisamos entender que todos nós chegamos a este mundo com o coração pecaminoso, a natureza humana que sempre deseja se afastar de Deus em busca do pecado. Esta natureza humana, que também é chamada na Bíblia de “o velho homem”, continua existindo mesmo após a conversão. O crente possui também a natureza redimida, ou "o novo homem", que foi fruto da operação do Espírito na regeneração.

Todo pai espera que seu filho cresça e se desenvolva – é um motivo de grande alegria para o pai ver seu filho se desenvolvendo. Assim também, Deus tem o objetivo de amadurecer cada um dos crentes em retidão e em santidade. Ele nos oferece todos os recursos necessários para que possamos vencer a influência do “velho homem” sobre nós. Por exemplo, Deus nos oferece a Sua Palavra que nos mostra vários princípios úteis para uma vida de santificação. Ele também nos auxilia por meio do Espírito Santo, que nos convence de todo e qualquer pecado. Em Romanos 8:29, está escrito que Deus tem o propósito de nos conformar à imagem do Seu Filho Jesus Cristo. Então, o seu plano é que todos os crentes continuem em busca de maior aperfeiçoamento, sempre lutando contra o pecado em suas vidas para alcançar à maturidade espiritual. Para isso, o crente precisa depender de Deus constantemente.

Os pecados do crente foram pagos de uma vez por todas quando Cristo morreu na cruz. E a ressurreição de Cristo ilustra que o crente deve andar também em novidade de vida, uma vez que já foi salvo da penalidade do pecado. Agora o crente deve viver em santidade para se conformar à imagem de Jesus Cristo, livrando-se dia após dia da influência que o pecado ainda tem sobre sua vida. Paulo descreveu esta intensa batalha que ocorria dentro dele, entre o “novo homem” redimido por Cristo e o “velho homem” que ainda permanecia em seu coração. Mas ele encorajou os crentes de Roma com estas palavras: “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.” (Romanos 6: 12 e 14).

Fazendo uma comparação, do nosso ponto de vista seria ótimo se nunca ficássemos doentes, mas a realidade é outra, pois vivemos num corpo atingido por muitas bactérias e isso nos leva mais cedo ou mais tarde ao médico. Graças ao nosso Pai, temos um Médico que cura nossas feridas quando confessamos nossos pecados, de acordo com I João 1:9. Por isso, é muito importante que o crente confesse seus pecados e os abandone – isto é uma prova de que existe um verdadeiro crescimento!

Mas também eu quero deixar aqui um alerta a todos que tiverem acesso a este breve artigo. Já sabemos que Deus tem o propósito de ver os seus filhos crescendo em maturidade. Ele não nos torna perfeitos e livres de cometer pecados depois da conversão, porque seu plano envolve o crescimento de cada crente, que precisa depender sempre do Senhor. Mas aqui fica uma pergunta: se você não está crescendo e nem lutando contra o pecado em sua vida, será que de fato você é um cristão verdadeiro? Se não existe nenhuma evidência de seu crescimento espiritual e se você está totalmente dominado pelo pecado, será que você é realmente um filho legítimo de Deus?


MARCOS AURÉLIO DE MELO
MEDITAÇÃO BÍBLICA

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O Médico dos médicos

O que a Bíblia nos diz sobre alguém que afirma que só vai ser crente (ou evangélico) se antes parar de beber, parar de fumar ou de ir a algumas festas? Será que encontramos apoio nas Escrituras para este tipo de pensamento? Muitas pessoas pensam que só podem tornar-se crentes se primeiro consertarem suas vidas, deixando de praticar certos hábitos ou de freqüentar alguns locais.

“Eu só vou me tornar crente se antes eu parar de beber, fumar, e praticar certos hábitos.” Mas será que esta ideia que muitos defendem é bíblica? Vamos começar pensando numa pessoa que está bastante doente – com uma enfermidade mortal como um câncer. Ela sabe da gravidade do seu problema e que precisa procurar urgentemente um médico. Mas digamos que esta pessoa resolve agir desta forma: “eu só vou procurar um médico, quando eu estiver completamente curada.” Então, ela procura por seus próprios esforços se livrar de desta doença perigosa, tentando se livrar de alguns sintomas da doença, sem se importar em procurar um médico competente. Com certeza você concorda comigo que esta atitude é totalmente sem fundamento. Esta pessoa está se esforçando em vão, porque somente um médico capacitado pode oferecer o tratamento certo para a doença desta pessoa.

A pessoa que pensa que só vai seguir a Cristo quando deixar de fumar, beber ou deixar de praticar uma lista de pecados, está mostrando que seus esforços valem muito mais do que a orientação de Cristo por meio de Sua Palavra. Este tipo de atitude revela o orgulho que há no coração do homem, que pensa em mudar a sua própria vida antes de se render aos pés de Cristo. Mas eu quero afirmar a você que isto é totalmente impossível. Não há como amadurecer em santidade sem o auxílio do Espírito Santo, que só habita em alguém que é verdadeiramente convertido por Deus.

A Bíblia nos diz em Isaías 64:6 que as obras de justiça praticadas pelo homem sem Cristo são consideradas trapos de imundícia – ou seja, não tem valor nenhum diante de Deus. Em Romanos 3:23 diz que todos são pecadores diante de Deus e estão longe de agradar a Deus do seu próprio jeito, melhorando isto ou aquilo nas suas vidas. O homem precisa descer do seu trono e se humilhar diante de Deus, reconhecendo que o sangue derramado por Jesus Cristo é o único pagamento aceitável pelo nosso pecado. Ele veio para nos resgatar e nos oferecer vida em abundância. Ao depender de Cristo e confiar n’Ele, você vai começar a agir de acordo com a Palavra de Deus, e muitas mudanças será observadas em sua vida porque agora você tem o auxílio de Jesus Cristo.

Então, é um erro fatal pensar que somente depois de ficar curado de sua doença deverá procurar um médico. Da mesma maneira, é um erro fatal procurar seguir a Cristo só depois que ficar livre de seus pecados. Eu garanto a você que é impossível se livrar do pecado totalmente, sem se submeter ao senhorio de Cristo sobre a sua vida. Reflita seriamente sobre esta verdade e procure urgentemente o Médico dos médicos.



MARCOS AURÉLIO DE MELO
MEDITAÇÃO BÍBLICA
PROGRAMA VIVA COM CRISTO

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Um coração em caos

Leitura Bíblica: I Samuel 25


No mês de abril deste ano a erupção de um vulcão na Islândia (não me arrisco a citar o nome do vulcão) provocou um enorme caos aéreo na Europa e, consequentemente, no mundo. Este caos aéreo foi considerado o mais grave desde a interrupção dos voos no 11 de setembro, e está custando mais de US$ 200 milhões ao dia às companhias aéreas. Só no dia 17 de abril, 17.000 voos foram cancelados. Milhares de pessoas perderam seus compromissos em outros países, muitas cargas não chegaram ao seu destino e enormes prejuízos foram acumulados nos sete dias em que o vulcão não permitiu viagens de avião. Realmente, foi uma situação extremamente caótica.

A palavra caos transmite a ideia de desordem generalizada, uma bagunça ou confusão de grandes proporções. Neste texto que acabamos de ler, observamos Davi irado contra Nabal. Davi convocou 400 homens para cometer uma chacina, porque Nabal tinha se comportado de maneira arrogante e prepotente. O caos neste contexto não está somente na situação que se desenhava, mas encontra-se principalmente dentro do coração de Davi. A situação caótica do coração de Davi o levaram a ter esta explosão de ira. A Bíblia nos mostra que do coração procedem todas as coisas más – e por isso todo problema deve ser entendido no nível do coração para ser devidamente tratado com os princípios bíblicos. Se ficarmos apenas na superfície do problema sem buscar resolvê-lo na origem, em algum momento ele ressurgirá com mais força. A ira demonstrada por palavras e ações realmente nasce no coração.

PROPOSIÇÃO: "As manifestações de ira refletem a situação caótica do nosso coração"

Podemos afirmar que as explosões de ira refletem a situação caótica do coração percebendo alguns INDÍCIOS neste texto. Quais indícios neste texto nos mostram a situação caótica do coração de Davi?

1) As manifestações de ira refletem um coração auto-centralizado (vs. 5, 10)

Davi já estava bastante conhecido em toda a região. Ele já tinha vencido algumas batalhas contra povos inimigos, por isso sua fama se espalhara em todo o Israel. Quando ele enviou os dez homens para falar com Nabal, Davi fez questão que o seu nome fosse referido. Desta forma, ele quis mostrar a Nabal que não era “qualquer um”, ele era o guerreiro “mais famoso do momento.” O problema é que o nome de Davi não causou nenhuma reverência da parte de Nabal, pelo contrário, foi motivo de piada (Davi era mais um bandoleiro, na opinião de Nabal). Isso não agradou de forma nenhuma a Davi porque ele estava com o foco muito voltado para si mesmo – seu interesse era despertar honra e respeito por seu nome.
Certa vez, perguntaram a um filósofo cristão: Qual o maior problema do mundo? Ele respondeu prontamente: “Eu”! Esta resposta mostra que enquanto não crucificarmos o velho homem corrompido, ele continuará mostrando sua face – sempre buscando maior glória.
Paulo foi duramente ofendido pela igreja de Corinto. Muitos naquela igreja o consideravam um homem fraco – um pregador sem qualidade e cheio de defeitos. Ele estava sendo criticado de várias maneiras então ele escreveu a segunda carta para defender o seu ministério apostólico. Note este versículo: “Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus” (II Co. 4:5). Seu coração não estava centralizado em si mesmo – ele sabia perfeitamente que o seu ministério era uma dádiva do Senhor. Saber disto o confortava e o levou a dizer: “Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor. Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim aquele a quem o Senhor louva” (II Co. 10: 17-18). Paulo não usou de arrogância e nem derramou ira na sua defesa, porque ele não se considerava o “centro do universo”.
Se estivermos muito preocupados em garantir a nossa reputação, poderemos explodir em ira rapidamente quando esta reputação for de alguma forma maculada. Às vezes enfatizamos muito o cuidado com o markentig pessoal, promovendo nossos interesses acima dos interesses do Senhor. Esta ênfase exagerada no que os homens pensam a nosso respeito é pecado – estamos idolatrando nós mesmos. A nossa reputação precisa estar alinhada com os princípios bíblicos e ponto final. Nada que traga méritos para nós pode ser cultivado em nossos corações, porque isto vai nos levar a enfrentar problemas graves. O crente não deve se colocar no “centro das atenções” e esperar que todos em redor se prostrem diante dele. Nós não somos o fim em nós mesmos, precisamos viver para glorificar unicamente ao Senhor (I Co. 10:31).
Como você lida com as injúrias que afetam a sua reputação? Será que a primeira alternativa é sempre explodir em ódio e ira? Ou temos um coração que não busca glórias pessoais, a ponto de tratar biblicamente com as pessoas que não reconhecem o nosso valor? Não quero ser mal interpretado. A calúnia e a fofoca devem ser tratadas como a Bíblia nos mostra: são pecados que precisam ser abominados. É óbvio que geralmente não são tratadas com a devida seriedade. “Mais importante do que os outros pensam de nós, é o que os outros pensam de nós como representantes de Cristo.” Piper Será que a excelência de Cristo está sendo demonstrada em nossa vida? É isso que deve nos interessar, e não se nós mesmos estamos sendo aplaudidos.

2) As manifestações de ira refletem um coração amargurado (vs. 21)

“Ele me pagou mal por bem” – é a conclusão de Davi no verso 21. A amargura tomou conta do seu coração porque ele tinha sido benévolo para com Nabal oferecendo proteção aos pastores de rebanhos durante o tempo que estiveram no Carmelo (vs. 7). Os homens que Davi enviou a Nabal foram recebidos com arrogância: “Tomaria eu, pois, o meu pão, e a minha água, e a carne das minhas reses que degolei para os meus tosquiadores e o daria a homens que eu não sei donde vêm?” (vs. 11). Tudo isso machucou Davi, que se amargurou profundamente porque sua ajuda a Nabal não foi compensada de alguma forma. O fato é que a reação egoísta de Nabal provocou um turbilhão de amargura no coração de Davi.
Uma pessoa que tinha motivos de sobra para carregar um coração amargurado para o resto da vida era José. Ele foi vendido como escravo pelos próprios irmãos, acusado falsamente pela mulher de Potifar e esquecido na prisão. Os anos se passaram e ele ocupou uma posição de grande destaque no império egípcio. José teve a oportunidade de encontrar-se novamente com seus irmãos – com o poder nas mãos para derramar ira e ódio se estivesse carregando ainda a amargura no coração. No entanto, José reconheceu que o mal causado por seus irmãos foi convertido em bem nos planos de Deus. Esta perspectiva o livro de ter um coração amargurado – que na verdade é uma bomba-relógio que pode explodir a qualquer momento.
A amargura no coração pode nascer quando nossos melhores esforços em prol de alguém não são compensados. Geralmente, a amargura está relacionada com expectativas frustradas. Pessoas amargas carregam grandes fardos porque criaram enormes expectativas que não foram devidamente satisfeitas. “Quando um desejo não realizado me tenta a ficar amargurado, eu demonstro que estou confiando na realização daquele desejo para suprir minhas necessidades, ao invés de confiar em Deus” (C. J. Mahaney). É comum observar a amargura em casamentos quando o casal não consegue estabelecer expectativas realistas. Esta amargura pode ir se acumulando até chegar o ponto de estourar numa explosão de raiva e ódio dentro do lar. O ressentimento causado por dificuldades de relacionamento precisa ser jogado para longe, antes que cause graves estragos. Alguém disse que “a mágoa é a ira congelada.”
Como você tem reagido às raízes de amargura que querem brotar em seu coração? Com o auxílio do Espírito Santo, você tem arrancado as raízes que teimam em brotar? Não devemos permitir que estas raízes contaminem muitos ao nosso redor, como está escrito em Hebreus 12:15: “nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados.” Quem se alimenta da mágoa não tem paz. Não tem liberdade. Não tem alegria. Não conhece o amor. Não tem comunhão com Deus e não pode adorar a Deus em espírito e em verdade. Precisamos nos despojar de toda amargura e de suas filhas: “Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia” (Ef. 4:31).

3) As manifestações de ira refletem um coração não-perdoador (vs. 13)

Davi estava determinado a cometer a matança. Ele iria acabar de vez com Nabal e todos os seus homens, sem dúvida seu plano inicial foi esse. Observe que Ele não parou em nenhum momento para refletir – sua visão estava totalmente embaçada pelo ódio. O verso 13 relata a resposta imediata de Davi aos seus companheiros, sem nenhuma séria avaliação do problema. Ele mandou que 400 homens cingissem suas espadas para colocar fim à insolência de Nabal. Davi em nenhum momento considerou o perdão como alternativa legítima nesta situação em que foi afrontado. Ele só desistiu do seu plano assassino ao encontrar-se com Abigail que o convenceu a desistir. Até o momento deste encontro, Davi estava resistente à ideia de perdoar a grave ofensa sofrida.
Na parábola do credor incompassivo, registrada em Mateus 18: 23-35, observamos que o homem que foi grandemente perdoado de sua dívida, mas que não perdoou uma dívida muito menor de outra pessoa, explodiu em ira e ódio. Diz o texto bíblico: “Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves.” A palavra sufocar tem a ideia de estrangular com muita força e violentamente. Aquele homem explodiu em ira porque não tinha um coração perdoador, mesmo tendo sido perdoado há pouco tempo atrás.
O perdão é um imperativo divino – seja qual for a ofensa recebida. Como cristãos, devemos ter um coração perdoador, tendo em vista que nós também somos alvo do amor e do perdão maravilhoso de Deus. A Bíblia nos adverte que o perdão não deve ser opcional – ele deve ser tratado como o ingrediente fundamental nos relacionamentos. Sem perdão efetivo e bíblico não há possibilidade de existir relacionamentos saudáveis. Por isso tantas vezes somos advertidos sobre a importância de termos um coração perdoador. O perdão mostra que de fato entendemos a mensagem central do Evangelho, pois Deus, em Cristo, nos perdoou. A maneira como nos comportamos diante de alguém que nos causou algum mal, determina se de fato somos cristãos na essência da palavra. Se o rancor e o ódio já se tornaram prática comum na solução de conflitos, precisamos retornar aos princípios bíblicos urgentemente. Cristo não nos ensinou a revidar ou dar o troco na mesma moeda, quando somos ofendidos de alguma forma. Ele nos mostrou que é totalmente possível oferecer a outra face, andar mais uma milha, e perdoar muito mais do que 70 vezes 7. Jesus perdoou Judas naquela noite da última ceia com os discípulos, mesmo sabendo que seria entregue aos soldados romanos por meio de um beijo traiçoeiro.
Você tem explodido em ira por causa da falta de perdão? Você está arrastando fardos insuportáveis porque não consegue perdoar alguém que o feriu? Você tem algum Nabal em sua vida? Como você o tem tratado? Será que as explosões de ira estão superando a prática do perdão bíblico em seu cotidiano como cristão? Que possamos refletir seriamente sobre a necessidade de sempre cultivarmos um coração perdoador, mesmo que alguém nos pague o bem com o mal.

MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS NO LIVRO DE I SAMUEL

segunda-feira, 14 de junho de 2010

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terça-feira, 8 de junho de 2010

A relação do cristão com o mundo

Texto-Bíblico: I João 2: 15-17

PROPOSIÇÃO:
“Para ter uma correta relação com o mundo o cristão tem que abandonar algumas falsas pressuposições”

Que falsas pressuposições o cristão tem que abandonar para ter uma correta relação com o mundo? O cristão tem que abandonar algumas falsas pressuposições para ter uma correta relação com o mundo que são as seguintes:


1 - OS ATRATIVOS DO MUNDO POSSUEM UMA ADMIRÁVEL SUPERIORIDADE (Vs. 15)
Os verbos estão no imperativo, o que indica uma ordem do Senhor aos leitores da carta de João. Os crentes estavam amando o mundo, considerando-o admiravelmente superior em detrimento do amor que deveriam direcionar a Deus. Para aqueles cristãos o amor ao mundo era muito precioso e por isso surgiu a necessidade desta dura reprimenda. O apóstolo é contundente em afirmar que o amor de Deus não é derramado no coração de alguém que considera o mundo como o seu maior valor.
O primeiro lugar no pódio é sempre mais alto. O atleta que consegue a façanha de chegar ao topo do pódio superou todos os concorrentes e receberá os aplausos da vitória. Quem ocupa o primeiro lugar será o atleta mais prestigiado e honrado. A torcida que apoiou o atleta durante toda a competição sobe no pódio junto com ele e comemora em grande festa. Mas será se o mundo deve ocupar o primeiro lugar no pódio do coração de um cristão redimido pelo sangue de Cristo? De forma nenhuma! Isto é uma completa incoerência.
A triste constatação é que o amor que muitos cristãos reservam para este mundo parece não ter limites. Em inúmeras situações podemos constatar que o mundo tem sido o grande usurpador na vida de crentes professos. Os atrativos deste mundo ganham cada vez mais a proeminência – e se constituem em brinquedos preciosos para os cristãos da atualidade. O Senhor Jesus nos alertou em Mateus 6:33 que a prioridade do discípulo deve estar muito além das coisas deste mundo. A prioridade deve ser viver como cidadão do reino de Deus, em justiça e santidade. O problema é que ouvimos o “canto da sereia” deste mundo e não queremos acordar da ilusão que isto traz.
O amor derramado no coração do crente pela obra do Espírito Santo (Rm. 5:5) deve ser direcionado verticalmente (amar a Deus) e horizontalmente (amar ao próximo), de acordo com Mateus 22: 37-39. Não deve sobrar espaço em nosso viver para amar os atrativos deste mundo em trevas. A graça de Deus é suficiente e superior, para que possamos caminhar de modo agradável ao Senhor enquanto estivermos neste mundo.

2 - OS ATRATIVOS DO MUNDO POSSUEM UMA ADMIRÁVEL LEGITIMIDADE (Vs. 16)
É uma ilusão pensarmos que os atrativos do mundo possuem uma origem legítima. Todos os aspectos enganosos destes atrativos (concupiscência dos olhos e da carne; soberba da vida) são de origem mundana. Deus criou o mundo natural com todas as perfeições, mas não este século pervertido é fruto do pecado que arruinou todas as coisas. Deus não é o autor do pecado e de nenhum atrativo que escravize ainda mais o homem. A ideia de que as coisas deste mundo existem para ser usufruídas porque possuem uma procedência legítima, é totalmente inaceitável do ponto de vista bíblico.
Mercadorias contrabandeadas não podem ser comercializadas livremente porque não pagaram os impostos para entrar no Brasil. Muitos consumidores são diariamente enganados ao comprar “gato por lebre”. Muitos compram mercadoria supostamente original de fábrica, mas na verdade são produtos de contrabando – de origem ilícita. Há uns anos atrás alguns edifícios vieram abaixo porque foram construídos com areia de praia – material ilegítimo para a construção civil.
O cristão precisa estar atento aos apelos incansáveis deste mundo que tenta vender uma imagem legítima. As ofertas são muitas e a propaganda enganosa sempre enfatiza que Deus planejou que o homem usufruísse (sem “tabus”) o que este mundo tem a oferecer. O problema é que o pecado se disfarça com tonalidades agradáveis aos olhos. Por causa disso, muitos cristãos estão aderindo às tendências mundanas e ainda tentam encontrar apoio nas Escrituras para tais práticas pecaminosas. Em nome da supervalorização do amor mútuo em prejuízo da verdade bíblica, muitos pecados já se tornaram aceitáveis nos círculos evangélicos. Desta forma, alguns versículos fora do contexto são utilizados para apresentar uma origem legítima de pontos de vista equivocados. Nas vitrines da pós-modernidade tudo pode ser negociado com o cartão de crédito chamado cristianismo. A psicologia há muito tempo vem tentando usar uma roupagem bíblica para atrair a atenção – e tem conseguido iludir muitos cristãos com suas afirmações baseadas na auto-estima e na ausência de culpabilidade do homem. A origem ilegítima da psicologia e suas co-irmãs atestam a futilidade de tais pensamentos.
Que possamos cultivar em nossas mentes a sensibilidade necessária para evitar qualquer suposta legitimidade dos atrativos fúteis deste século em trevas. Somente a Palavra de Deus nos oferece os recursos para julgar sabiamente o que procede de Deus e o que procede deste mundo.

3 - OS ATRATIVOS DO MUNDO POSSUEM UMA ADMIRÁVEL DURABILIDADE (Vs. 17)
O mundo e seus atrativos passam rapidamente. Nada neste mundo pecaminoso ultrapassará os portões da eternidade. Os leitores do apóstolo João precisavam ser alertados sobre este fato para que não ficassem iludidos até o fim de suas vidas. Há neste versículo um lembrete solene sobre a pouca durabilidade das coisas deste mundo. João exorta-nos a não depositar nossas esperanças em falsidades passageiras. Quem permanece eternamente é aquele que faz a vontade de Deus – priorizando o querer de Deus em todos os aspectos da vida.
Os remédios possuem um prazo de validade – e quem se aventura a tomar após o prazo sofre terríveis consequências. Muitos remédios são jogados fora anualmente porque expiraram a validade. O cristão precisa entender que os atrativos deste mundo também possuem um prazo de validade. E não adianta teimar que é possível esticar este prazo de validade, porque os prejuízos serão incalculáveis. Nenhum remédio servirá ao seu propósito medicinal estando com prazo de validade vencido.
Será que nós já conseguimos detectar o quão passageiro este mundo é? Será que já estamos plenamente conscientes da pouca durabilidade das coisas deste mundo? O cristão precisa viver com os olhos espirituais bem abertos para enxergar que o mundo passa rapidamente e por isso mesmo não é merecedor da glória que tanto recebe.
O cristão não deve estar conformado (no mesmo molde) com este mundo, mas deve investir suas maiores energias em renovar a mente para experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Romanos 12:2). Um dos sinais de conformidade é pensar que os atrativos deste mundo possuem um grau de durabilidade elevado.
É comum ver pessoas planejando com enorme expectativa a sua aposentadoria, para aproveitar ao máximo a “melhor idade” viajando e conhecendo lugares maravilhosos. Mas ninguém quer viver os últimos dias de sua vida acumulando tesouros eternos onde a traça não corrói e nem o ladrão escava ou rouba. É um sinal de que o foco do viver não é de forma nenhuma a glória de Deus.
Como você espera viver os seus últimos dias? Desejará sombra e água fresca ou terá planos de se dedicar incansavelmente na obra do Senhor, na qual nenhum trabalho será em vão? Que possamos encarar com honestidade os atrativos deste mundo em pecado, que são totalmente passageiros e fúteis. Vamos valorizar o que é eterno e buscar agradar a Deus com nossas atitudes de servos, acumulando tesouros nos céus.

MARCOS AURÉLIO DE MELO
AULA DE HOMILÉTICA

sexta-feira, 4 de junho de 2010

UM SERVO LEGÍTIMO

TEXTO-BÍBLICO: I SAMUEL 17: 31-40

A pirataria é um dos graves problemas que o Governo tenta resolver em nosso país. Vários produtos são pirateados e comercializados, tais como: programas de computador, brinquedos, DVD's, relógios, perfumes, CD's, celulares, camisas, tênis, etc (a lista seria enorme). Em muitos casos não se distingue facilmente um produto pirata do produto autêntico. E por conta disso, a pirataria se alastra mais ainda.

Desde a sua juventude Davi demonstrou ter um coração de servo. Esta característica de Davi o levou a depender de Deus em cada circunstância da sua vida. Mas como podemos saber que alguém que diz servir a Deus é um servo legítimo? Diante de tanta "pirataria" no meio do povo de Deus, como podemos assegurar que uma pessoa é um servo verdadeiro? Jesus afirmou que muitos um dia erguerão suas vozes dizendo: "Senhor, em teu nome não fizemos isto ou aquilo?", mas serão rejeitados porque não eram servos legítimos.

O servo legítimo depende exclusivamente e constantemente do Senhor

O servo legítimo entende a profundidade das palavras de Jesus em João 15: "Sem mim, nada podeis fazer." A dependência é essencial na vida de um autêntico servo de Deus. Coisa nenhuma será efetuada para a glória de Deus, se o servo não estiver em humilde dependência do Senhor. “A maior prova de legitimidade de um servo de Deus é a profundidade de sua dependência.”

POR QUE O SERVO LEGÍTIMO DEPENDE DO SENHOR, EXCLUSIVAMENTE E CONSTANTEMENTE? O servo legítimo depende exclusivamente e constantemente do Senhor por algumas razões:

1 - Porque o cuidado de Deus é claramente perceptível (Vs. 34-36)
Davi já tinha experimentado situações de perigo em várias situações de sua vida. Como pastor de ovelhas ele tinha que defender os rebanhos dos ataques de animais selvagens. O cuidado de Deus foi evidenciado em vários episódios que ele narrou nestes versículos ao rei Saul. O jovem Davi sabia na prática que o cuidado de Deus era real, porque nenhum mal tinha sucedido a ele. Em cada um dos fatos narrados, observamos um jovem que deposita toda a sua confiança em Deus, porque ele provou a intervenção cuidadosa em seu favor.
Em outros textos das Escrituras, observamos que Davi dependia do Senhor porque percebia o cuidado amoroso: “Eu sou pobre e necessitado, porém o Senhor cuida de mim; tu és o meu amparo e o meu libertador; não te detenhas, ó Deus meu!” (Salmo 40:17). No Sermão da Montanha, Jesus Cristo esclareceu o quanto Deus cuida de seus filhos, providenciando-lhes o sustento necessário (veja Mt. 6:25-34). Ele nos deu a receita contra a ansiedade: pare de duvidar do cuidado amoroso de Deus sobre a sua vida!
Poderíamos pensar em várias situações de nossas vidas nas quais percebemos com clareza o cuidado gracioso de Deus. Se você é de fato um servo legítimo do Senhor, com certeza já experimentou o Seu cuidado especial – em todos os aspectos do seu viver. Mesmo enfrentando as mais horríveis tribulações, o servo legítimo consegue perceber o cuidado do Senhor, e esta percepção o leva a depender cada vez mais somente de Deus.
Você tem percebido claramente o cuidado de Deus sobre a sua vida? Todo servo autêntico sabe que depender do cuidado do Senhor é essencial para uma vida cristã abundante que glorifica a Deus. Então, precisamos parar de reclamar tanto (murmurações e ais), e relembrar o quanto Deus tem cuidado de nós. Devemos trazer à memória o que nos pode dar esperança, como fez o profeta Jeremias (Jr. 3: 21, 22). Esta deve ser a tônica do nosso viver. Se Deus retirasse o Seu cuidado de nós apenas por um breve momento, nós seríamos imediatamente consumidos.

2 - Porque a grandeza de Deus é claramente perceptível (Vs. 36 e vs. 45)
A visão de Davi a respeito de Deus não é mesquinha. Davi exalta a grandeza absoluta do seu Deus: Ele era o Deus Vivo e Senhor dos Exércitos. Para o jovem Davi Deus era grande, poderoso e temível - Ele estava acima de qualquer comparação. Davi enxergou o que todo o exército de Israel e o rei Saul não conseguiram enxergar. Todos estavam com medo diante do gigante Golias, mas Davi olhou para o alto e resolveu depender de Deus porque Ele era absolutamente grandioso. O único gigante na vida de Davi era Deus.
Davi sempre buscou exaltar o Senhor em suas músicas. O Saltério está repleto de louvores a Deus, como o Senhor absoluto e majestoso. Em I Crônicas 29: 10-12, observamos mais uma vez a percepção de Davi já no fim da sua vida: Deus não deixou de ser grandioso para ele. Os anos se passaram, porém a visão correta sobre a onipotência de Deus não foi reduzida com o passar do tempo. Para Davi, Deus era singular.
Paulo poderia viver se lamentando pelo espinho na carne, mas resolveu depender da graça de Deus. Ele afirmou: “De boa vontade, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (2 Cor. 12:9).
Muitas vezes nós amargamos derrotas em nossas vidas porque não valorizamos a grandeza do nosso Deus em todo o seu esplendor. Quando reconhecemos a singularidade e a majestade do nosso Deus, teremos condições de encarar os revezes da vida com maior destemor. Você tem percebido claramente a grandeza de Deus em seu viver? A nossa visão sobre quem Deus é e sobre o Seu infinito poder determina muitas de nossas atitudes no dia-a-dia.

3 – Porque a suficiência de Deus é claramente perceptível (Vs. 33, 39, 40)
Esta última razão está implícita no texto. Não são as palavras de Davi que apontam sua percepção neste caso. As atitudes de Davi nos mostram o quanto ele confiava na suficiência do Senhor. Davi não desiste de lutar com Golias quando Saul o aconselha a não ir porque o gigante era um guerreiro muito preparado e Davi um jovem pastor de ovelhas (33); Davi também não desiste depois de tentar usar a armadura própria para o combate (39) e partiu para a luta com uma funda e cinco pedras lisas (40). Isto não é tentativa de suicídio – é uma prova inequívoca de que Davi confiava plenamente na suficiência do Senhor.
O salmo mais conhecido escrito por Davi começa com palavras que expressam a suficiência de Deus: “O Senhor é o meu pastor, de nada terei falta.” Mesmo que a situação estivesse precária, Davi descansava na suficiência do bom Pastor. O que J. I. PACKER escreveu nos faz pensar: “Você nunca precisará mais do que Deus pode suprir.”
Muitas vezes queremos resolver as situações difíceis da vida utilizando os recursos errados. Os recursos que Deus providencia são suficientes. O servo legítimo depende exclusivamente e constantemente do Senhor porque entende que a suficiência vem de Deus. Para lidar com as batalhas da vida é necessário um profundo deleite na suficiência do Senhor. Se Ele não for suficiente para nós, sempre estaremos lutando com nossas próprias forças, sem nenhum progresso. Quando agimos baseados na auto-suficiência demonstramos que de fato não somos servos legítimos, pelo contrário, agimos como senhores de nós mesmos. Você tem vivido confiando na suficiência que vem de Deus? Ou você tem relutado várias vezes em descansar nos recursos que Deus supre? Será que existe espaço em seu dia-a-dia para confiar na suficiência do Senhor?

Em meio a tanta falsa piedade no meio da igreja, será que existe legitimidade em sua vida de servo? Um bom teste é avaliar o quanto você depende de Deus. Não tente se esquivar desta auto-avaliação. Saiba que o servo legítimo depende exclusivamente e constantemente de Deus, porque o cuidado, a grandeza e a suficiência de Deus são claramente perceptíveis. Que possamos aplicar estas verdades em nossos corações para vivermos como servos que honram e glorificam a Deus.

MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS NO LIVRO DE I SAMUEL

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Não está tudo bem

Por que será que o homem sem Cristo insiste em afirmar que está tudo bem com sua vida?

Antes de começar a responder esta pergunta eu gostaria de explicar que o homem sem Cristo é todo aquele que rejeita Jesus como Senhor e Salvador de sua vida. O homem sem Cristo é aquele que prefere viver sem se submeter às Suas ordens e não se preocupa em seguir os princípios estabelecidos na Palavra de Deus.

A Bíblia afirma que a situação do homem sem Cristo não é nada boa. Muito pelo contrário. Em Efésios 2:1, Paulo escreve que todo aquele que está sem Cristo na sua vida, na verdade está morto em seus delitos e pecados. Ou seja, enquanto as pessoas afirmam que está tudo bem com sua vida, a Bíblia afirma que o homem está morto espiritualmente. O homem sem Cristo pode achar que está numa situação muito boa, mas não está. A morte espiritual afetou a todos os homens desde quando o pecado entrou no mundo por meio de Adão. Quem está morto espiritualmente busca satisfazer os seus desejos pecaminosos, e não se importa em viver mergulhado em práticas que desagradam a Deus.

Além disso, em Efésios 2:12, nós lemos que o homem sem Cristo também está completamente sem esperança. Isto significa que a vida de uma pessoa sem Cristo se concentra apenas no dia de hoje e não tem como enxergar além deste mundo. Suas esperanças são totalmente inúteis porque se baseiam em coisas passageiras. Então, nenhuma pessoa pode se orgulhar de que está tudo bem, se esta pessoa está sem Cristo. Na verdade quem está sem Cristo está morto espiritualmente e sem nenhuma esperança real.

Mas o homem sem Cristo insiste em afirmar que está tudo bem com sua vida por causa da rebeldia e o orgulho em seu próprio coração. A Bíblia nos mostra que a rebeldia já nasce no coração do homem, como conseqüência do pecado. O orgulho é uma grave afronta a Deus porque coloca o homem na posição de dono da verdade, quando está totalmente enganado. A rebeldia e o orgulho estão muito relacionados entre si. As pessoas pensam que podem viver muito bem sem ter que estar em submissão à autoridade de Cristo e sua Palavra.

Então, eu gostaria de concluir com mais um questionamento: você acha que sua vida vai muito bem, obrigado? Se acha que está tudo bem, você está sendo dominado pela rebeldia e orgulho do coração. Busque ainda hoje se humilhar diante do Senhor, para que você não viva sem Cristo. Triste coisa é viver sem Cristo e morrer sem Ele.


MARCOS AURELIO DE MELO
BREVE MEDITAÇÃO PARA O PROGRAMA DE RÁDIO

domingo, 16 de maio de 2010

Orações não respondidas

Todos aqueles que confiam em Deus sabem que devem investir tempo em oração. Mas podem surgir situações conflitantes que nos angustiam. Então, por que será que algumas orações de um crente ficam sem resposta, se Deus nos ama verdadeiramente? Como podemos explicar o fato de que muitas orações não são respondidas, sabendo que Deus tem um cuidado especial por nós?

A própria pergunta nos ajuda na explicação. Verdadeiramente, Deus nos ama com amor tão grande que O levou a entregar o Seu próprio Filho para morrer na cruz do Calvário. Sabemos que este amor de Deus é imenso e não pode ser comparado. E justamente por causa deste amor tão grande, Ele também não responde muitas de nossas orações como nós queremos. O amor de Deus por nós é pessoal. Ele sabe cada uma de nossas reais necessidades, e por isso muitas vezes Ele não nos responde orações conforme nós achamos melhor. A Bíblia nos diz que devemos orar conforme a Vontade de Deus, suplicando ao Senhor sem motivos arrogantes ou pecaminosos. Nós somos servos que dependemos a cada dia da Sua mão poderosa, e por isso não temos o direito de exigir nada. Nós devemos reconhecer que nossas orações muitas vezes são motivadas por sentimentos ou por falsas conclusões. Então, Deus não nos responde estas orações porque Ele sabe realmente o que é o melhor para cada um dos seus filhos. Em Tiago 4:3, lemos o seguinte: “pedi, e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres.” Deus não vai nos conceder algo que traga conseqüências pecaminosas para as nossas vidas.

Precisamos aprender a orar como convém, isto é, na dependência do Espírito Santo, que nos ensina qual a real vontade de Deus e o que agrada ao Senhor, como Paulo escreveu em Romanos capítulo 8. Se você é verdadeiramente um filho de Deus, não fique angustiado com orações muitas vezes não respondidas. Saiba que o amor de Deus por Seus filhos é muito grande, mas o amor de Deus não é um amor irresponsável. Pelo contrário, o amor de Deus é justo, santo e bom.

E para você que não é crente, salvo e resgatado pelo sangue de Cristo, eu gostaria de dizer algo muito importante. O amor de Deus derramado sobre os Seus filhos é um fato que a Bíblia garante. A pergunta que eu faço a você é a seguinte: você é verdadeiramente um filho de Deus? Se ainda rejeita o Senhor Jesus Cristo, você está comprovando que não pertence à família do Pai. Em João 1:12, está escrito: “Mas a todos quantos O receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus.” Então para ter um relacionamento com Deus, você precisa receber e não rejeitar o Senhor Jesus como Salvador e Senhor. Somente assim, você poderá entregar suas orações diante de Deus, que sabe a melhor resposta para os Seus filhos verdadeiros. Pense nisso nesta tarde.


Marcos Aurélio de Melo
Breve meditação

quinta-feira, 13 de maio de 2010

ATITUDES MESQUINHAS

TEXTO-BASE: I SAMUEL 30: 9-20 E 21-25 (Leitura indispensável!)

TEMA: ATITUDES MESQUINHAS

A Bíblia nos mostra que o nosso Deus é muito generoso. Em vários momentos da história, Deus mostrou o quanto é generoso no cuidado para com o Seu povo. No deserto Ele providenciou tudo para conduzir o seu povo em total segurança até Canaã. Ele é o Deus da excelsa Graça (generosidade plena) que não poupou o próprio Filho para resgatar pecadores. No Salmo 116:7, o salmista escreveu: “Volta, minha alma, ao teu sossego, pois o Senhor tem sido generoso para contigo.” A parábola dos trabalhadores na vinha que foram contratados em horas diferentes do dia e receberam o mesmo pagamento, é uma narrativa que esbanja generosidade (Mateus 20: 1-16), e humilha o homem natural.
No texto em destaque, particularmente no versículo 22, observamos o inverso da generosidade prevalecendo. Os homens que voltaram da batalha contra os amalequitas chegaram à conclusão que os homens que ficaram no ribeiro de Besor (‘refrescante’) não receberiam os despojos. Este comportamento expôs claramente a mesquinharia que estava no coração deles. E a mesquinhez é uma atitude que está diretamente relacionada com o egoísmo – o “eu” reinando absoluto no trono do viver. É óbvio que as atitudes mesquinhas não se resumem somente em relação a coisas materiais, recursos, bens ou dinheiro. As atitudes mesquinhas podem estar disfarçadas com inúmeras máscaras bem sutis, seja em pensamentos, palavras ou ações. Sendo assim, eu gostaria de afirmar que:

"O FIEL SERVO DE DEUS PRECISA ABANDONAR POR COMPLETO AS ATITUDES MESQUINHAS."

A nossa vida como servos de Deus não pode ser preenchida com atitudes mesquinhas.
Mas como o fiel servo de Deus conseguirá abandonar por completo as atitudes mesquinhas?
Podemos ver neste texto que o fiel servo de Deus conseguirá abandonar por completo as atitudes mesquinhas pelo menos de três maneiras que estão muito interligadas:

1) RECONHECENDO A PROVIDÊNCIA DIVINA NO FORTALECIMENTO RECEBIDO (vv. 6, 9-10)
A nossa força vem do Senhor. Este é um fato bíblico que esquecemos com facilidade. Davi reconhecia que o fortalecimento necessário vinha exclusivamente de Deus. Ele exalta esta verdade no Salmo 18: 2, 31, 32 e em vários outros textos bíblicos. Deus era o refúgio verdadeiro
para Davi nas circunstâncias mais adversas possíveis. A coragem para enfrentar Golias veio de sua confiança em Deus.
No texto em Ef. 6:10-17, no qual Paulo descreve a armadura de Deus para o crente, ele inicia seu texto assim: “quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do Seu poder.” Ou seja, as batalhas travadas na luta diária só poderão ser vencidas na força que Deus supre.
Nós também devemos entender que a força para conquistar os objetivos e ir sempre adiante não é mérito nosso. Reconhecer a providência de Deus em nosso favor, nos dando forças necessárias para as lutas diárias, é imprescindível para abandonarmos as atitudes mesquinhas. Quando agimos de forma mesquinha demonstramos nossa arrogância em não reconhecer o fortalecimento necessário que procede do Senhor. Deus nos tem fortalecido nas lutas diárias para que produzamos frutos de graça e generosidade onde quer que estejamos. O ânimo para prosseguir é uma bênção graciosa de Deus operando em nós.


2) RECONHECENDO A PROVIDÊNCIA DIVINA NA ORIENTAÇÃO RECEBIDA (vv. 8, 11-16)
O egípcio que estava semimorto no caminho não se encontrava ali por acaso. Tudo tem um propósito definido nos planos soberanos de Deus, e Davi sabia disso muito bem. Aquele egípcio serviu de guia para levar Davi e seus homens até o bando dos amalequitas, mas quem traçou toda a estratégia foi o Senhor. Davi reconheceu que toda a orientação foi dádiva de Deus (Sl. 32:8), e por isso seu coração não se tornou mesquinho quando regressou para repartir os despojos. Ele enxergou além e percebeu que Deus os guiou.
Paulo reconheceu a orientação de Deus para ir até a Macedônia (At.16:9-10), e por isso mesmo não foi mesquinho na apresentação do Evangelho na cidade de Filipos, onde Lídia foi convertida a Cristo. Quando Deus nos dá clara orientação não podemos ser mesquinhos na obediência pessoal e na transmissão a outros.
Se nós entendermos que é Deus quem nos dá a orientação necessária por meio da Sua Palavra e que somente a Sua orientação é confiável, com certeza não sobraria espaço para atitudes mesquinhas em nosso viver. Quem vive na dependência de Deus, recebendo d’Ele todas as instruções para viver, não será mesquinho quando tiver oportunidade de ajudar alguém que também necessita de orientação bíblica.


3) RECONHECENDO A PROVIDÊNCIA DIVINA NA PROTEÇÃO RECEBIDA (vv. 17-20, 23)
Deus preservou e protegeu não apenas os homens que estavam com Davi naquele resgate arriscado, mas também preservou tudo o que os amalequitas tinha levado de Ziclague. “Não lhes faltou cousa alguma, nem pequena nem grande...” (vv. 19). Davi entendeu que a mão poderosa de Deus estava por trás de todas as coisas e que o resgate bem sucedido era uma prova da proteção constante do Senhor.
Jesus orou por nossa proteção contra o mal (Jo. 17:15) neste mundo. Precisamos reconhecer que a providência divina em nosso favor é a causa de sermos protegidos diante de tantas aflições e perigos. Deus nos oferece o seu livramento em tempo oportuno, para que possamos suportar qualquer provação no dia-a-dia. Então a glória deve ser dirigida unicamente a Deus, que proporciona o cuidado sobre as nossas vidas.
Nosso coração será menos mesquinho se enxergarmos a boa mão do Senhor agindo em nosso favor. Seremos crentes mais generosos no cuidado de uns para com os outros se reconhecermos que somos alvo do terno cuidado de Deus. Deus é o nosso auxílio sempre presente (Sl. 33:20).

MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS NO LIVRO DE I SAMUEL