segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

FÉ NO PRETÉRITO


São muitos os cristãos que se gloriam dos feitos realizados no serviço para o reino de Deus. Os testemunhos de alguns irmãos são marcados por nostalgia e por certo ar de petulância diante das lembranças do trabalho em prol da sua igreja local. Nas conversas com as pessoas recém-chegadas na igreja passam a discorrer sobre o efetivo labor que prestaram ao longo dos anos. A fé destes irmãos encontra-se no pretérito.

Este tipo de nostalgia vazia que permeia o coração de muitos cristãos os torna improdutivos no presente. A fé operante, que no passado marcou suas vidas, em muitos casos encontra-se engavetada hoje em dia. O labor dedicado e o suor derramado em prol do reino de Deus na época de juventude diluíram com o passar do tempo. Não vamos encontrar justificativas para este desleixo com a obra do Senhor, pois a Palavra de Deus nos deixa sem qualquer argumento plausível.

A fé que foi outorgada aos santos para uma vida abundante na seara divina não deveria murchar. Pelo contrário, a fé operante deveria florescer ainda mais nos anos de maturidade, pois as lições aprendidas aos pés de Cristo são os nutrientes para torná-la mais forte a cada dia. Jesus nos ensinou que sem a comunhão com Ele nós, os discípulos dele, nada de efetivo podemos fazer. A fé bem nutrida e fortalecida por meio da comunhão com Cristo é o ingrediente fundamental para a nossa disposição em servi-Lo.

O cristão precisa urgentemente conjugar a sua fé no presente. É claro que o passado tem a sua importância, mas não podemos ficar acomodados alimentando os nossos corações com as lembranças de outrora, enquanto há muito serviço a fazer. Cristo nos alistou no seu exército e não devemos ficar inertes, pois temos todos os recursos necessários para agir em prol dos propósitos do nosso General.

Marcos Aurélio de Melo
Meditação breve

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Resumo do Sermão do Monte

Na Escola Bíblica de Jovens de nossa igreja estamos estudando o Sermão do Monte, com base no livro escrito por Martin Lloyd-Jones. Trata-se de um estudo desafiador para todos os verdadeiros discípulos de Cristo. Abaixo um resumo dos principais pontos vistos até agora.
MARCOS AURÉLIO DE MELO

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Os enganos do coração

O abandono da comunhão com Deus nos deixa bastante vulneráveis, porque sem a comunhão com Deus somos facilmente governados pelo nosso próprio coração 

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas e desesperadamente corrupto”
(Jr. 17:9)

A palavra que foi traduzida como enganoso traz a ideia de “astucioso, traiçoeiro, tortuoso”. Uma paráfrase deste versículo explica bem como é o coração do homem: "O coração é a coisa mais mentirosa e traiçoeira que existe do mundo; o coração do homem é terrivelmente cheio de maldade. Não há ninguém capaz de saber até que ponto é mau e pecador o coração humano!" (Bíblia Viva). O profeta Jeremias faz um alerta contra aqueles que abandonaram a comunhão com o Senhor e passaram a confiar em seu próprio coração insensato. Somente Deus pode esquadrinhar o nosso coração e diagnosticar as reais intenções que nele estão. Por isso, quando desfrutamos da comunhão com o Senhor tornamo-nos mais alertas aos apelos pecaminosos do coração. Mas quando negligenciamos a proximidade com Deus, ficamos vendidos às ilusões do nosso coração egoísta. Sem a comunhão genuína com o Senhor fica muito mais fácil seguir o caminho do homem proposto pelo coração enganoso e desprezar o caminho que glorifica a Deus.
Na Bíblia, o coração é apresentado como o “eu real”. Por causa do pecado, o coração humano é propenso aos prazeres carnais. A Bíblia nos orienta a dar atenção primordial ao coração, porque dele procedem as fontes da vida (Pv. 4:23). É no coração do homem onde se alojam os desígnios mais profundos, e por isso, o coração deve estar bem vigiado. Sendo assim, o melhor caminho para não sermos iludidos pelo engano do nosso coração é a comunhão constante com Deus.
Davi afastou-se da comunhão com Deus e foi facilmente enganado pela cobiça do seu coração, ao enxergar Bate-seba (II Sm. 11) e deitar-se com ela. A ausência de comunhão com o Senhor levou Davi às últimas conseqüências no seu pecado, que foi gerado no seu coração enganoso. Davi se tornou insensível ao engano do seu coração porque não estava nutrindo a verdadeira comunhão com o Senhor. Quando Davi orou pedindo: “restitui-me a alegria da tua salvação”, é porque já não estava experimentando o prazer da intimidade com Deus. Mas depois que Davi reconheceu o seu pecado, ele percebeu a sua terrível situação diante de Deus, e orou pedindo ao Senhor um coração purificado (Sl. 51:10). A lição é bem clara: quando negligenciamos a comunhão com o Senhor tornamo-nos mais vulneráveis aos apelos pecaminosos do nosso coração (o velho homem).
O famoso pregador C. H. Spurgeon, disse que “o nosso coração é nosso maior inimigo”, tendo em mente a pecaminosidade inerente de todo ser humano. Este é o verdadeiro retrato do coração do homem. Sendo assim, todo cuidado é pouco quando estamos lidando com o nosso coração egocêntrico distante de Deus. O velho homem é rebelde por natureza e não deseja agradar a Deus. Por isso travamos uma luta diária com o nosso velho homem, o coração pecaminoso dentro de nós. Paulo nos advertiu sobre a necessidade do despojar diário, “quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano” (Ef. 4:22).
Em Jeremias 17:1 lemos: “o pecado está gravado na tábua do seu coração.” Isto significa que o coração se cauteriza facilmente quando é deixado entregue a si mesmo. O crente não deve seguir o que o seu coração mandar, como o mundo tenta nos sugerir. Na verdade, é um grande erro entregar a vida para ser governada pelos ditames do coração. Muitas tragédias pessoais são experimentadas quando alguém se rende ao que o seu coração manda. O crente que abandona a comunhão com o Senhor entrega facilmente as rédeas do seu viver ao coração enganoso e comete graves pecados contra Deus.
Você já percebeu que é muito fácil seguir o nosso coração pecaminoso quando não desfrutamos da comunhão genuína com o nosso Deus? As opiniões de pessoas ímpias passam a ter mais valor que a Palavra de Deus, os sentimentos mesquinhos começam a manobrar nosso viver e passamos a agir com base em “achismos”. Por outro lado, a comunhão com Deus nos proporciona plena confiança no que Ele diz, e assim encontramos perfeita paz quando agimos com base em Sua Palavra, mesmo que sejamos criticados por isto. “Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti” (Isaías 26:3).
Não há alternativa para o servo de Deus. Devemos cultivar o nosso relacionamento com o Senhor, para que não sejamos enganados por nosso coração pecaminoso. Triste coisa é cair nos laços do coração! Então, vamos nos refugiar junto a Deus, e buscar na intimidade com Ele a força necessária para não cedermos às armadilhas do coração.


MARCOS AURÉLIO DE MELO
SERMÃO EM JEREMIAS 17


Apatia e improdutividade

O abandono da comunhão com Deus nos deixa bastante vulnerávei, porque sem a comunhão com Deus somos facilmente dominados pela apatia e improdutividade


“no ano de sequidão, não se esmorece, nem deixa de dar fruto”
(Jr. 17:8c)

A descrição feita no versículo 8 é de uma árvore que continua produzindo frutos mesmo no ano de sequidão. Mesmo faltando chuva, a água foi absorvida pelas raízes, e isto possibilitava a produção de frutos. O suprimento abundante de água foi utilizado por esta árvore, por isso não deixou de ser produtiva. É muito semelhante à descrição feita no Salmo 1:3: “Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido.” Árvores sem alimento murcham e secam!
A apatia está diretamente relacionada com a improdutividade. É impressionante como o reino de Deus está cheio de crentes apáticos, e isto é uma afronta ao chamado de Deus em nossas vidas. A vida cristã improdutiva depõe contra a maravilhosa obra de salvação efetuada no crente, através do Senhor Jesus Cristo. Não podemos carregar os famosos dizeres: “fora de serviço”, ou “serviço temporariamente indisponível”, e ainda assim pensar que está tudo bem. Portanto, esta é uma questão de importância fundamental para todos os salvos pela graça de Deus. Tiago afirma que a fé sem obras, é morta em si mesma. É uma grande incoerência sermos chamados cristãos e não produzirmos frutos dignos deste chamado bendito.
Para produzir frutos, o crente deve estar unido em comunhão com Deus. Sem esta união vital, não há nenhuma possibilidade de produção dos frutos dignos de arrependimento. A comunhão com Cristo (permanecer n’Ele) nutre o crente para que ele seja um ramo frutífero e cheio de vigor. Em João 15, Jesus adverte os seus discípulos: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo. 15:5) Ou seja, é impossível para o crente dar frutos, se não permanecer em comunhão com Cristo, a Videira verdadeira. Além disso, glorificamos a Deus com nossas vidas quando produzimos frutos (“Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto”, Jo. 15:8) e fomos chamados com este propósito (“eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça”, Jo. 15:16). Na parábola do semeador, a semente que caiu em boa terra logo produziu frutos, com perseverança (Lc. 8:15). Estes textos bíblicos comprovam que é imprescindível a necessidade de frutos em nossas vidas.
Que frutos o crente que desfruta da comunhão com o Senhor produz em seu viver? Primeiramente podemos lembrar os frutos do Espírito relacionados em Gálatas 5:22-23: “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.” Estes frutos são essenciais para todo crente genuíno, em quem habita o Espírito de Deus. Como filhos da luz, também devemos produzir os frutos da luz: “Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz, porque o fruto da luz consiste em toda bondade, e justiça, e verdade” (Ef. 5: 8,9). Outro ponto a considerar está relacionado com os dons espirituais. Deus concedeu dons diversos para serem exercidos, “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço” (Ef. 4:12). Assim, como um corpo precisa da cooperação de cada membro, a igreja deve funcionar com base no exercício dos dons espirituais. Quando abandonamos a comunhão com o Senhor não consideramos a importância de dar frutos para o reino de Cristo. O testemunho pessoal também deve estar carregado de frutos que testifiquem o arrependimento e mudança de vida operada por Cristo Jesus.
Abandonar a comunhão com Deus sempre traz prejuízos para o cristão. O cristão que não desfruta da comunhão genuína com o Senhor fica acomodado num cristianismo estático. E quem está parado, na verdade regride em sua vida cristã. Se desfrutasse desta comunhão sua atitude seria pró-ativa, não acomodação e apatia. Dependemos inteiramente do Senhor para não cairmos na apatia espiritual que caracteriza grande parte dos cristãos atuais. A. W. Tozer escreveu um alerta: “A apatia é inimiga mortal do progresso espiritual."Devemos ser produtivos e desempenhar bem nossas atribuições visando exclusivamente a glória do Senhor, que nos resgatou da nossa vã maneira de viver. Não existe aposentadoria na vida cristã. Fomos salvos para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas (Ef. 2:10). “Quanto mais íntimos formos do Senhor, maior será a nossa produtividade no Reino.”


MARCOS AURÉLIO DE MELO
SERMÃO EM JEREMIAS 17


As adversidades da vida

O abandono da comunhão com Deus nos deixa bastante vulneráveis, porque sem a comunhão com Deus somos facilmente derrotados pelas adversidades da vida

“estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor”
(Jr. 17:8b)

O calor em uma terra seca é extremo. Na região de Israel, as temperaturas são muito elevadas durante boa parte do ano. Temperaturas em torno de 45 graus são comuns nesta região.  Os tempos de seca e calor intenso são marcados por situações de dificuldades enormes. A metáfora do calor pode ser associada com as adversidades e provações da vida. As adversidades da vida nos derrotam facilmente/rapidamente quando estamos longe de uma comunhão genuína com o Senhor. É impressionante como muitos cristãos se deixam vencer pelas dificuldades que enfrentam, e isto está relacionado ao abandono da comunhão com Deus.
Várias vezes o salmista se refere a Deus utilizando a metáfora de uma sombra que oferece abrigo contra o calor escaldante: Sl. 36:7; Sl. 63:7; Sl. 91:1. No Salmo 121: 5-7, os peregrinos louvam a Deus pela proteção recebida na jornada até Jerusalém: “O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita. De dia não te molestará o sol, nem de noite, a lua. O Senhor te guardará de todo mal.” Os profetas também sugerem a idéia de proteção divina em tempos adversos. Em Isaías 25:4, lemos: “Porque foste a fortaleza do pobre e a fortaleza do necessitado na sua angústia; refúgio contra  a tempestade e sombra contra o calor.”  Todos estes textos nos ensinam que em meio às aflições podemos contar com a graça de Deus em nosso favor.
Os soldados comunistas tomaram a Romênia em 1945. Richard Wurmbrand iniciou um ministério de pregação do Evangelho ao povo romeno escravizado pelos soldados russos invasores. Foi preso em 1948 e passou quatorze anos como prisioneiro dos comunistas (3 anos na solitária), torturado em sua própria terra natal, a Romênia. Mesmo na prisão planejou um trabalho de evangelismo dos comunistas. Este ministério ficou conhecido como Igreja Subterrânea. Mas a pergunta é: o que sustenta a fé de um homem que enfrentou várias torturas? Qual seria a verdadeira razão de sua perseverança em meio aos horrores de uma prisão comunista? Certamente não era masoquismo ou desejo de se tornar um herói. Seu coração estava sendo alimentado pela Videira verdadeira e desfrutava de plena comunhão com Cristo. “A fé que pode ser destruída pelo sofrimento não é uma fé genuína.” (Richard Wurmbrand, em Torturado por amor à Cristo).
C. H. Spurgeon disse o seguinte em uma de suas pregações: “Se somos débeis em nossa comunhão com Deus, nos tornamos fracos em tudo.” A base para não sucumbirmos diante das aflições é uma sólida comunhão com Deus. Todos nós estamos expostos às adversidades e aflições. Habitamos num mundo contaminado pelo pecado, e por isso ninguém está isento de padecer sofrimentos. A questão não é se iremos enfrentar adversidades ou não. No mundo teremos aflições, isto é a garantia bíblica. A questão é como iremos superar os momentos adversos. Se estivermos nutrindo a nossa fé na comunhão com Deus, teremos forças para atravessar vales e desertos confiando no poder gracioso do Senhor. Mas se abandonarmos a comunhão com Deus, as provações da vida se tornam insuportáveis.
Nada deve substituir a comunhão com Deus. Quando abandonamos esta comunhão, é fácil levantar a bandeira branca em meio às lutas diárias. Entregamos os pontos e assumimos o lugar de vítimas. Muitos crentes que outrora foram vigorosos, atualmente estão ressequidos e sem alento para lidar com as circunstâncias difíceis da vida. Eles abandonaram o manancial de águas vivas (Jr. 2:13). Em meio às adversidades o crente deve buscar refúgio no Senhor. Em situações de extremo calor e sequidão, o crente deve estar abrigado no refúgio que a comunhão com Deus oferece.
Você já se declarou vencido por alguma situação adversa que tem enfrentado? Uma dificuldade familiar, uma provação relacionada à saúde física ou uma angústia profunda de alma levaram você a desistir? Concordo plenamente com a frase que um autor anônimo escreveu: “Se nossas circunstâncias nos encontrarem em Deus, encontraremos Deus em todas as nossas circunstâncias.” A comunhão com Deus nos dá a força necessária para que as circunstâncias ruins não nos sufoquem.
O apóstolo Paulo enfrentou as mais terríveis situações e adversidades em prol do Evangelho. Só alguém que desfruta de comunhão genuína com o Senhor e deposita toda sua confiança em Deus pode afirmar o que ele escreveu: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos” (2 Cor. 4: 7-9).
MARCOS AURÉLIO DE MELO
SERMÃO EM JEREMIAS 17

Comunhão com Deus

Texto-Base: Jeremias 17: 1-11

Ter comunhão com Deus é o maior privilégio que o homem pode ter. Estar perto de Deus, desfrutando de sua maravilhosa presença dever ser a prioridade para o cristão. Você conhece a história de Fanny Crosby? Fanny Jane Crosby (1820-1915), ficou cega com seis semanas de vida por causa de um erro médico. Seu pai faleceu quando ela tinha dois anos de idade; então sua mãe precisou deixá-la com uma amiga cristã, enquanto procurava ganhar o sustento da sua família. Estas duas senhoras amavam muito a pequena Fanny e se empenharam em ensiná-la tudo sobre Cristo e sobre comunhão com Deus. Como não podia ler, ela decorou longos textos da Bíblia com o auxílio de sua mãe. Certa vez perguntaram a ela se a cegueira não lhe causava muito sofrimento, ela respondeu: “De maneira alguma, pois sei que o primeiro rosto que verei será o de meu Senhor". A comunhão com Deus sempre foi a base da alegria de Fanny Crosby, que escreveu belos hinos expressando seu anelo pelo Senhor, como o Hino C.C. 286 (Junto a Ti) e o Hino C.C. 288 (Perto do Senhor).

O texto lido nos relata a triste situação do povo de Israel. A descrição feita nos versos 1 a 4 aponta para a situação precária de uma nação prestes a ser exilada. O povo estava rendido à idolatria, os bens seriam despojados pelo inimigo e o cativeiro se aproximava “numa terra desconhecida”, a Babilônia. O estado deplorável em que o povo se encontrava era consequência do abandono da comunhão com o Senhor (vs. 5): “Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do Senhor”. O Senhor várias vezes advertiu o seu povo a respeito disso. Abandonar a comunhão com Deus foi uma atitude de rebelião contra aquele que guiou e sustentou o povo ao longo dos anos. É claro que a glória de Deus não diminui nem um pouco quando abandonamos a comunhão com Ele, mas fica evidente que a nossa vida não terá qualidade (João 10:10 – vida em abundância). Quando abandonamos a comunhão com o Senhor, o prejuízo é todo nosso! Não é Deus que precisa de nós, somos nós que precisamos de Deus. Vejamos o que o profeta afirma em Jr. 17:13: “Ó Senhor, Esperança de Israel! Todos aqueles que te deixam serão envergonhados; o nome dos que se apartam de mim será escrito no chão; porque abandonam o Senhor, a fonte das águas vivas.”

Um dos versículos mais fortes do livro de Jeremias traz à tona os reais pecados dos filhos de Israel: “Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas” (Jr. 2:13). Foram muitos os pecados cometidos contra o Senhor, mas a essência estava em abandonar o manancial de águas vivas. O profeta ainda faz outro alerta: “Compreenda e veja como é mau e amargo abandonar o Senhor, o seu Deus, e não ter temor de mim” (Jr. 2:19).

A comunhão com o Senhor nasce e cresce por meio da confiança que depositamos n’Ele. Em contraste com aqueles que abandonam a Deus, Jeremias afirma: “Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor” (Jr. 17:7). A essência da comunhão com o Senhor está na verdade expressa neste versículo. Se nossa confiança e esperança estiverem firmadas em outra coisa, é certo que não estamos em plena comunhão com o Senhor. Não há maior valor, não há maior tesouro do que confiar e depender de Deus como a única esperança de nossas vidas. Ninguém discorda que a comunhão com Deus é a base para uma vida completa e feliz. Foi nos outorgado o grande privilégio de termos comunhão com o Pai, mediante o sacrifício redentor de Cristo Jesus, por isso o escritor aos Hebreus afirmou: “aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé”. A segurança que a comunhão com Deus nos fornece nenhum ídolo pode oferecer. Por isso é tão perigoso abandonar o Senhor e cavar cisternas que não retêm água.

Tendo como base o texto bíblico acima e a explicação inicial, podemos afirmar que o abandono da comunhão com Deus nos deixa bastante vulneráveis. Não é nada agradável experimentar a vulnerabilidade quando nos falta o principal que é a comunhão com o Senhor. A verdade é que nossas almas sofrem de inanição quando a comunhão com o Senhor é abandonada. Se falharmos em manter comunhão com o Senhor, tropeçaremos em muitas pedras.


MARCOS AURÉLIO DE MELO
SERMÃO EM JEREMIAS 17

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Diligência na aplicação das Escrituras

O CRISTÃO SÁBIO SUBMETE SEUS PROPÓSITOS À AUTORIDADE DA PALAVRA DE DEUS APLICANDO COM DILIGÊNCIA AS INSTRUÇÕES RECEBIDAS

“Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando” (TIAGO 4:17)

Tiago nos ensina que a essência da sabedoria é a prática, não o mero conhecimento sobre o que fazer. John Gill no seu comentário sobre este versículo, afirma que esta exortação refere-se à totalidade das instruções que Tiago abordou em sua epístola, e não apenas com relação ao fato de considerar a vontade de Deus nos planos que fazemos. É por isso que ele enfatizou em sua carta que a fé verdadeira é acompanhada de obras. Ou seja, a fé que justifica o homem traz como resultado uma vida diferente. O mero entendimento intelectual das verdades espirituais é inútil se não evidenciarmos na prática atitudes que glorifiquem a Deus. Isto se torna bem claro em Tiago 1: 22-25: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência. Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar”.

A Palavra de Deus é como um espelho. Ela mostra a verdade nua e crua a nosso respeito, sem fazer nada para diminuir-lhe o impacto. Também explica quais atitudes devemos tomar a partir daquilo que vemos. Por outro lado, nos iludimos quando nos afastamos da Palavra e nos recusamos a agir com base no que lemos.

John Stott escreveu: "O conhecimento carrega consigo a solene responsabilidade de se agir com base nele, traduzindo-o no comportamento apropriado" e também "Deus nunca pretende que o conhecimento seja um fim em si mesmo, mas sempre o meio para se chegar a um fim". A Bíblia não é apenas uma coletânea de informações. Em termos espirituais, o que nós somos hoje é o resultado direto dos princípios bíblicos que aplicamos ou deixamos de aplicar em nossas vidas.

As instruções dadas por Cristo no Sermão do Monte e em todo o seu ministério deviam ser empreendidas. Os discípulos eram individualmente responsáveis para aplicar em suas vidas o que tinham aprendido do Mestre. No final do Sermão, Jesus alerta-os:

 Mateus 7: 26-27: “E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato (tolo, néscio, estulto) que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína.” Jesus nos diz com toda clareza que tipo de fundação resiste às dificuldades da vida. Um dia virá a tempestade. A grande tempestade, que testará nossas vidas. Quem ouviu e obedeceu ficará firme, quem apenas ouviu será arruinado.

O conhecimento sobre o que devemos fazer aumenta a nossa responsabilidade diante de Deus. Tornamo-nos mais responsáveis sempre que ouvimos um sermão ou somos confrontados com a Palavra de Deus. Cada estudo bíblico, cada pregação, cada desafio que ouvimos precisa de uma resposta. E muitas vezes o nosso silêncio e letargia é a resposta. A pergunta é: o que colocamos em prática de tudo o que ouvimos neste ano que passou? E os propósitos que temos para os anos vindouros incluem a importante necessidade de praticar o que já sabemos? Ou será que estamos construindo nossa casa sobre a areia, acumulando conhecimento sem colocá-lo em ação? “Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes” (Jo. 13:17). A sabedoria do ponto vista bíblico não é o mero conhecimento de fatos. A sabedoria “é a percepção da vontade de Deus e do modo pelo qual ela deve ser aplicada na vida”. Já aprendemos sobre a criação de filhos, relacionamento marido-mulher, serviço, dons, a necessidade de perdoar, compromisso.

As palavras do Hino C.C. 301 nos mostram que o crer (a fé) está ligado ao observar (práticas corretas): Crer e observar / Tudo quanto ordenar / O fiel obedece ao que Cristo mandar. Lembre-se que a evidência do conhecimento de Deus é a obediência a Ele: “Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda (obedecer, praticar) os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade” (1 Jo. 2:4).

 
MARCOS AURÉLIO DE MELO
SERMÃO NA EPÍSTOLA DE TIAGO

A presunção humana

O CRISTÃO SÁBIO SUBMETE SEUS PROPÓSITOS À AUTORIDADE DA PALAVRA DE DEUS CONSIDERANDO A FUTILIDADE DA PRESUNÇÃO HUMANA

TEXTO BÍBLICO: TIAGO 4: 14-16


Tiago faz uma grave denúncia: os planos traçados no verso 13 foram feitos sem levar em conta a vontade de Deus. Tudo foi arquitetado por pessoas presunçosas que desprezavam o governo divino. A própria pergunta “que é a vossa vida?” é uma reprimenda, porém a resposta é dura e inflexível. A vida, na melhor das hipóteses, vista à luz da eternidade, é apenas como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. É como o vapor que sai de nossas bocas num dia frio. A vida é breve e imprevisível, mas as pessoas cheias de presunção não refletem sobre isto. A palavra pretensão no versículo 6 contém a ideia de “uma certeza insolente e vazia, arrogância, que confia em seu próprio poder e recursos, que despreza o governo divino”. É a soberba da vida em 1 Jo. 2:16.

O salmista disse “acabam-se os nossos anos como um breve pensamento” (Sl. 90:9). Já o cristão sábio considera atentamente a futilidade de toda e qualquer presunção humana, e por isso mesmo submete seus desejos e planos ao Senhor.

O humanismo é uma filosofia de vida que coloca o homem no centro do palco: o homem torna-se o senhor da própria história. Em resumo, é a fé no homem com todo o seu potencial interior, pois a interferência de Deus não existe. O humanismo exclui Deus porque crê que os seres humanos são suficientes em si mesmos. Esta filosofia está muito ligada com a ideia em moda atualmente: “eu quero, eu posso, eu consigo”. As propagandas na televisão incentivam a independência e a autonomia humana, para realizar tudo sem depender de ninguém. O humanista faz seus planos numa redoma de auto-suficiência. O humanista é alguém dominado pela arrogância e por isso desconsidera a brevidade da vida. Apesar de não saber o que vai acontecer amanhã, ele vive como se soubesse. Ou seja, as pretensões humanas são carregadas de presunção.

Muitos crentes traçam seus planos sem levar em conta a vontade de Deus. Ser um cristão-humanista é uma contradição, POIS quem segue a Cristo não ignora a poderosa mão de Deus em ação na história da sua vida. Tudo o que somos e o que fazemos é fruto da graça de Deus sobre nós. A Bíblia diz quem sem Cristo nada podemos fazer (Jo. 15:5), ou seja, nossa ligação com a videira é essencial para tudo que intentamos realizar. Nenhum fruto de valor eterno será produzido se não estivermos desfrutando de comunhão com Cristo, a Videira que nos supre.

Não sejas sábio aos teus próprios olhos (não presuma que tem todas as respostas); teme ao Senhor e aparta-te do mal. (Pv. 3:7). É pura tolice pensar e agir como se soubéssemos mais que Deus. "É duas vezes tolo aquele que é sábio a seus próprios olhos" (John Trapp). Abominável é ao Senhor todo arrogante de coração (Pv. 16:5).

Obviamente Tiago não está combatendo a questão do planejamento, mas combatendo o planejamento sem levar Deus em conta. Precisamos ter alvos e planos, mas sem presunção. A Bíblia não nos proíbe de fazer planos, pelo contrário somos encorajados a isso. Mas enquanto planejamos, nunca podemos esquecer quem somos: seres frágeis, limitados e dependentes. Os nossos planos devem ser submetidos sempre à aprovação de Deus. É necessário termos a visão correta sobre Deus enquanto planejamos: é Ele quem nos supre do fôlego da vida e nos capacita para realizarmos algo. Em Provérbios 16:1 lemos que "o coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor” e em Provérbios 19:21 lemos o seguinte: "Muitos propósitos há no coração do homem, mas o desígnio do Senhor permanecerá". Planejar é necessário, mas depender de Deus é fundamental.

Tudo o que pensamos e tudo o que façamos deve estar em contínua submissão a Deus, pois Ele tem tudo sob Seu controle. Ignorar esta verdade revela um coração humanista e arrogante. A Bíblia nos apresenta um paradoxo: “O homem que vive mais seguro é o que menos confiança tem em si mesmo.”

Será que em nossas vidas não há algum vestígio de humanismo? Quantas vezes consideramos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus quando vamos tomar alguma decisão? Quantas vezes recorremos a Deus em oração para que Ele nos oriente em nossas vidas? Quantas vezes buscamos o ensino de Sua Palavra a fim de sermos instruídos sobre como proceder? Se você já agiu com presunção e colheu amargas decepções, é momento de reconsiderar a importância de depender de Deus nas decisões que deverá tomar a partir de agora. 


MARCOS AURÉLIO DE MELO
SERMÃO NA EPÍSTOLA DE TIAGO

A escravidão ao materialismo

O CRISTÃO SÁBIO SUBMETE SEUS PROPÓSITOS À AUTORIDADE DA PALAVRA DE DEUS REJEITANDO A ESCRAVIDÃO AO MATERIALISMO

TEXTO BÍBLICO: TIAGO 4:13

O versículo 13 nos ensina que o objetivo final era o lucro. Ir para outra cidade e permanecer lá por 1 ano tinha como propósito encher os bolsos. Os negociantes judeus iriam aos centros comerciais da época (por exemplo: Antioquia, Alexandria, Damasco, Corinto) e em cada uma dessas praças de comércio gastar tempo necessário para acumular riquezas. Os negociantes buscavam lucros cada vez maiores movidos por ganância e ambição materialista.

O contexto imediato da passagem nos dá um grande auxílio na interpretação. Tiago vinha escrevendo sobre os conflitos dos seus leitores nos versos 1 a 4, que eram resultado de cobiça, inveja e desejos mesquinhos. "Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres" (Tg. 4:3). A palavra traduzida como “esbanjar” significa: "gastar de forma desenfreada, desperdiçar, dissipar, consumir rapidamente." E no capítulo 5, Tiago aborda sobre as riquezas obtidas de forma fraudulenta.

Materialismo é a excessiva busca por coisas materiais que sufoca a nossa comunhão com Cristo. O MATERIALISMO PODE NOS DOMINAR A PONTO DE FAZER A NOSSA FÉ NAUFRAGAR. Muitas pessoas abandonaram a fé porque se iludiram com as riquezas deste mundo. Por isso Paulo faz um alerta na sua carta ao jovem Timóteo: “Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (2 Tm. 6: 9-10). O que Paulo queria dizer quando escreveu a Timóteo: “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” em 1 Tm. 6:10? O que ele quer nos ensinar é que não existe nenhum tipo de mal do qual a pessoa que ama o dinheiro não seja capaz para consegui-lo ou não perdê-lo. Toda moderação é eliminada – quem ama o dinheiro fará qualquer coisa por ele: trapaças, sonegação, roubo, jogos de loteria, práticas ilícitas, contrabando, fraudes, corrupção, mentiras.

Talvez você já cantarolou algumas vezes a música de final de ano: “Adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize no ano que vai nascer: muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender.” Há uma forte ênfase nesta música na abundância de dinheiro/saúde, mas para o cristão sábio a ênfase deve ser outra: mais santidade, devoção, arrependimento, mais zelo, graça e abnegação.

John Piper escreveu que “a raiz de todo mal é que nós somos pessoas do tipo que se acomodam ao amor pelo dinheiro em vez de buscar o amor por Deus. Paulo não está advertindo contra o desejo de ganhar dinheiro para suprir nossas necessidades ou as de outros, mas contra o desejo de ter mais e mais dinheiro e contra promover o ego e o luxo material que ele pode proporcionar.”

O dinheiro tem poder – poder espiritual – para conquistar o coração do homem. Segundo a Bíblia, o dinheiro tem caráter de divindade, pois ele inspira devoção. Vários problemas morais surgem por causa desta devoção a Mamom. A devoção ao dinheiro é um grande empecilho para que Ele seja de fato Senhor de nossas vidas (realçar a ilustração do jovem rico em Mateus 19:21). É importante discernir bem quais são as nossas reais necessidades na vida, para evitar extremos que podem arruinar nossa devoção a Deus.

Os seus propósitos resumem-se em negociar muito e ganhar mais dinheiro? Será conquistar mais bens e aumentar suas posses? Não ame ao dinheiro mais do que a Deus: é um sério risco! Trabalhe honestamente sem enganos ou fraudes e cobre o preço justo. A ganância é um poço sem fundo, e quem nele cai terá enormes dificuldades para sair. O dinheiro é incapaz de satisfazer nossa necessidade fundamental (Eclesiastes 5:10), pois somente o relacionamento com Cristo suprirá plenamente nosso ser (João 14:14). “Com efeito, passa o homem como uma sombra; em vão se inquieta; amontoa tesouros e não sabe quem os levará” (Sl. 39.6). Em Cristo Jesus podemos confiar que todas as nossas necessidades serão supridas, sem nos submetermos ao jugo da escravidão ao materialismo.

 
MARCOS AURÉLIO DE MELO
SERMÃO NA EPÍSTOLA DE TIAGO

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Propósitos para o ano novo

Texto-Bíblico: TIAGO 4: 13-17



Mais um ano se passou. O ano de 2011 ficará apenas na nossa memória. Foram 365 dias, o que equivale a 8.760 horas ou a 525.600 minutos O calendário de 2011 vai para o lixo e vamos colocar na parede o calendário de 2012. Para este novo ano com certeza todos nós temos algumas intenções ou propósitos para este novo ano. Você já tem alguns planos e aspirações para este novo ano? Aliás, viver sem propósito nenhum é angustiante. Os dias se passam vagarosamente como a areia que escorre pela ampulheta, e nada de efetivo é experimentado no viver. Além disso, muitos propósitos irrelevantes também são estabelecidos e poucos dias depois são abandonados.

Jeremias apresentou a mensagem divina para o povo de Israel que deliberadamente desobedecia ao Senhor e estabelecia os seus propósitos egoístas. “Mas isto lhes ordenei, dizendo: Dai ouvidos à minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; e andai em todo o caminho que eu vos mandar, para que vos vá bem. Mas não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos, mas andaram nos seus próprios conselhos, no propósito do seu coração rebelde; e andaram para trás, e não para diante" (Jeremias 7:23-24 ACF). O Senhor Deus, por intermédio do salmista, revela a rebeldia do povo de Israel: “O meu povo não me quis escutar a voz, e Israel não me atendeu. Assim, deixei-o andar na teimosia do seu coração; seguindo os seus próprios conselhos. Ah! Se o meu povo me escutasse, se Israel andasse nos meus caminhos!” (Sl. 81: 11-13).

Os nossos propósitos para o ano que se inicia podem estar cheios de sabedoria ou de insensatez. Para isso é necessário aferir o que estamos planejando com a Palavra de Deus, a bússola perfeita que nos orienta em todas as coisas. Como cristãos, o nosso propósito maior deve ser viver de modo agradável diante do Senhor e para isso precisamos estar sensíveis à voz de Deus por meio das Escrituras.

A epístola de Tiago foi escrita para demonstrar que a fé no Senhor Jesus Cristo deve ser aplicada a todas as experiências e relações dos discípulos cristãos. O que Tiago visa é a fé em ação, daí sua ênfase marcante sobre o lugar das obras na vida cristã. A epístola é repleta de ensinos práticos objetivando a edificação da igreja.

A epístola de Tiago está permeada de instruções para um viver sábio. Logo no início da epístola, Tiago recomenda aos leitores que clamem por sabedoria a Deus: “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida” (Tg. 1:5). Tiago também descreve como é a sabedoria que desce do alto, ou seja, a sabedoria que procede de Deus (Tg. 3:13-18): “pura, pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia.”

Neste texto que acabamos de ler, Tiago nos faz refletir sobre os propósitos que traçamos. Ele nos mostra que é necessário submeter cada um dos nossos propósitos à Palavra de Deus. Somente agindo assim, daremos evidências de um viver pautado na sabedoria bíblica. 

Será que os nossos propósitos para 2012 estão submissos à autoridade da Palavra de Deus? Ou será que estamos traçando planos sem a menor evidência de temor a Deus? Se nossas vidas não estão submissas à autoridade da Palavra de Deus é necessária uma séria reflexão sobre o cristianismo que professamos. Uma vida sem o menor compromisso com o que Deus requer de nós confirma que há sérios problemas em nosso cristianismo. Mas o cristão sábio submete seus propósitos à autoridade da Palavra de Deus, e não negocia os princípios bíblicos na sua conduta diária.


MARCOS AURÉLIO DE MELO
SERMÃO NA EPÍSTOLA DE TIAGO

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A excelência do Cristianismo

Abaixo uma citação extraída de uma pastoral escrita por Hernandes Dias Lopes, sobre a excelência do Cristianismo:

"O Cristianismo contraria o materialismo. O homem não é só matéria. Ele é um ser moral e espiritual que tem responsabilidade consigo, com a família, com a sociedade e com Deus. O Cristianismo contraria o humanismo. O homem não é o centro do universo. Deus o é. A antropolatria é uma insanidade espiritual. O Cristianismo contraria o existencialismo. A vida não é só o aqui e o agora. Existe uma eternidade pela frente. A vida não é um poço de desespero. Jesus acabou com a perspectiva de náuseas da vida. O Cristianismo contraria o utilitarismo. A vida não é só uma corrida frenética atrás da riqueza e da autopromoção. O homem não é um objeto descartável para ser usado, explorado e jogado no lixo. O homem é alvo do infinito amor de Deus. O Cristianismo contraria o hedonismo. A finalidade da vida não é o prazer carnal, a satisfação dos desejos imediatos. O supremo propósito da vida é a glória de Deus."




terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A solenidade do genuíno culto a Deus

Texto-Bíblico: Malaquias 1: 7, 8, 10, 12, 13, 14a

Um dos aspectos do culto no AT era o sacrifício de animais para expiar pecados do ofertante. Mas os sacerdotes estavam ofertando animais impuros e defeituosos no templo sem nenhum constrangimento. A denúncia do profeta Malaquias é extensa, pois tem o objetivo de enfatizar a gravidade de tais atitudes. O profeta inspirado por Deus sugere que seria melhor fechar as portas do templo e suspender os sacrifícios, pois o Senhor não estava aceitando nenhum deles. A indiferença dos sacerdotes era tão grande que não levaram em conta o mandamento do Senhor em Dt. 17:1: “Não sacrificarás ao Senhor, teu Deus, novilho ou ovelha em que haja imperfeição ou algum defeito grave; pois é abominação ao Senhor, teu Deus.” Portanto, estes sacrifícios causavam total repugnância da parte de Deus. O veredicto divino é bem claro: "Eu não tenho prazer em vós, diz o Senhor dos Exércitos, nem aceitarei da vossa mão a oferta." Nenhum culto é aceitável a Deus quando o padrão exigido por Ele é abandonado ou desprezado. Deus definitivamente não suporta iniqüidade associada ao ajuntamento solene (Is. 1:13). O Senhor reprova aqueles que fazem a Sua obra relaxadamente (Jr. 48:10).

O profeta Isaías também fez várias denúncias contra Israel sobre o culto que era prestado a Deus: “Este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu” (Is. 29:13). O cristão que chega ao ponto de cultuar a Deus de forma mecânica sem a sinceridade de coração torna-se cada vez mais indiferente à medida que o tempo passa. Precisamos prestar atenção às palavras que entoamos ou às orações de confissão de pecados que fazemos, para que a indiferença não nos domine.

Nossa vida inteira deve ser um culto a Deus. Mas precisamos lembrar que qualquer ato de adoração só será aceito por Deus quando feito sob a orientação de Deus. Quando desconsideramos a necessidade do culto genuíno a Deus, assumimos a atitude de indiferença para com as coisas de Deus e concluímos erroneamente que seremos aceitos por Ele. Precisamos entender que nem tudo que é feito 'em nome de Jesus' possui a aprovação divina. Infelizmente, os cultos em muitas igrejas que carregam o nome de cristãs não exaltam o Nome de Cristo e Sua Palavra. Deus não se agrada de tudo o que fazemos supostamente em seu nome, por isso devemos ser obedientes a Ele e descobrir o que realmente lhe agrada. Nas Institutas, Calvino escreveu que "somente a Deus compete estabelecer o modo como importa ser adorado."

Recentemente a Rede Globo promoveu o Troféu Promessas para premiar os melhores nomes da música gospel brasileira. A mesma rede de televisão que apóia o homossexualismo e a degeneração da família agora deseja engolir a fatia do mercado evangélico. Foi um culto?!

O verdadeiro culto a Deus implica em entrega e renúncia. Mas muitas vezes o que oferecemos a Deus são as sobras: a sobra do nosso tempo, a sobra da nossa energia, a sobra da nossa atenção, a sobra dos nossos bens, a sobra de nossos recursos, a sobra de nossos talentos, a sobra de nós. Isto nunca será aceitável a Deus, pois Ele é digno da excelência em tudo o que ofertamos para Ele. Importa que os verdadeiros adoradores adorem a Deus em espírito e em verdade, pois sabemos que o Senhor conhece as reais intenções do coração.

O que você tem ofertado a Deus? Será que Deus aceita o culto que você presta a Ele? É uma pergunta retórica que exige profunda reflexão. E como toda a nossa vida deve ser vivida como um culto a Deus amplia-se a abrangência da resposta. Malaquias falou para pessoas que transformaram o culto a Deus numa adoração mecânica e desprovida de significado real. Será que nós não estamos inseridos no mesmo contexto do profeta Malaquias? Precisamos acordar da nossa indiferença para com o Senhor e buscar mais e mais viver em comunhão com Ele, sem negligenciar a importância da adoração que Ele requer de nós.


MARCOS AURÉLIO DE MELO
SERMÃO COM BASE EM MALAQUIAS 1

A realidade da supremacia de Deus

Texto-bíblico: Malaquias1: 5, 6, 11, 14b

O texto bíblico apresenta repetidamente a ideia da grandeza de Deus e do zelo que Ele tem por Seu próprio Nome. O profeta Malaquias lembra que Deus é o Senhor e Pai da nação israelita, mas este fato não foi levado em conta pelos sacerdotes que ofereciam sacrifícios imundos no templo. A supremacia do Senhor era notável em toda a terra desde o nascente até o poente. Mas os sacerdotes desconsideravam abertamente a realidade da supremacia do Senhor dos Exércitos, cujo nome é terrível entre as nações. Por meio do seu profeta, Deus denunciou a falta de temor e respeito para com o Seu Nome Excelso. Este fato testifica que a indiferença reinava nos corações de todos os sacerdotes da nação de Israel.

Numa de suas cartas a Erasmo de Roterdã, Lutero escreveu: "As tuas ideias sobre Deus são demasiadamente humanas". O deus de que se fala atualmente, principalmente no Teísmo Aberto, foi diminuído para caber nos argumentos humanistas e se adaptar ao sentimentalismo vazio. Mas o Deus que as Escrituras revelam é o Totalmente Outro. O Deus das Escrituras é grande em força e forte em poder, majestoso e soberano, Rei e Senhor, Criador e Sustentador da vida, magnífico, exaltado, sublime e vitorioso. Ele habita em alto e sublime trono por toda a eternidade e nada foge do Seu domínio. Quando recebeu as ofertas do povo para a construção do templo, Davi orou em alta voz: “Teu, Senhor, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, Senhor, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos. Riquezas e glória vêm de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força” (1 Crônicas 29:11-12).

Deus tem zelo por sua própria glória sem egoísmo, porque nEle não há pecado. Deus diz “a minha glória, não a darei a outrem” (Is. 48:11), porque não há ninguém maior em santidade, honra e poder. "A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual? — diz o Santo" (Is. 40:25). Deus é Supremo criador e benfeitor, que faz todas as coisas para que o Seu nome seja exaltado e glorificado. O Deus que abriu o Mar Vermelho, que fez a terra parar de girar, que destronou reis e levantou nações, que guiou o Seu povo no deserto e fez cair alimento do céu, que derrubou as muralhas de Jericó e conquistou a terra de Canaã.

As percepções inadequadas sobre a pessoa de Deus resultam em indiferença no relacionamento com Ele. Quando Deus não é honrado e glorificado como Supremo Senhor, a indiferença em nossas vidas torna-se visível. Precisamos ter uma visão clara sobre a majestade e supremacia do nosso Deus para que possamos banir qualquer vestígio de indiferença das nossas vidas. J. I. Paker, no seu livro “O conhecimento de Deus” faz um sério alerto aos leitores logo nas primeiras páginas: “Despreze a visão correta sobre Deus e você estará sentenciando a si mesmo a passar a vida aos tropeções, como um cego, sem nenhum senso de direção.”

Muitos naufrágios espirituais iniciaram por uma visão inadequada sobre Deus e sua Majestade. Alguns cristãos que corriam bem já não estão na corrida porque começaram a desconsiderar a grandeza do Senhor em suas vidas. O cristianismo hoje em dia se encontra raquítico porque muitos pastores desprezaram a percepção gloriosa da supremacia de Deus. Por isso é fundamental termos uma teologia correta com base na verdade das Escrituras.

Você há de concordar que não sobra espaço para a indiferença em nossas vidas se considerarmos a insondável grandeza de Deus. O salmista Davi reconheceu a importância disto: “Meditarei no glorioso esplendor da tua majestade e nas tuas maravilhas. Falarei do poder dos teus feitos tremendos e contarei a tua grandeza” (Salmo 145: 6-7). Quando o profeta Isaías contemplou a beleza da Majestade divina ele não ficou indiferente ao chamado divino para a Sua vida, mas prontamente se dispôs: “Eis-me aqui, envia-me a mim.”

O nosso Deus é grande e majestoso, A Ele rendamos sempre honra e louvor!
 
 
MARCOS AURÉLIO DE MELO
SERMÃO COM BASE EM MALAQUIAS 1

A singularidade do amor de Deus

Texto-Bìblico: Malaquias 1: 2-4

O amor de Deus por Seu povo sempre foi singular. Dentre todas as famílias da terra, Deus escolheu a família de Israel para fazer dela uma grande nação. Tudo começou com o chamado de Abraão em Gênesis 12. Dos filhos de Abraão, Deus escolheu soberanamente Isaque, e dos filhos de Isaque, Deus amou singularmente Jacó. O apóstolo Paulo utiliza este mesmo texto no livro de Romanos (Rm. 9:13) para argumentar sobre a escolha soberana de Deus na salvação de pecadores. Em Romanos 9:16, Paulo afirma que a salvação “não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a Sua misericórdia”.

Toda a história do povo de Israel está permeada com o amor singular de Deus, demonstrado de várias maneiras. Os hebreus sempre estiveram cercados de privilégios sem precedentes por causa do amor de Deus. Em Deuteronômio 7:7-8, Moisés afirma que o amor singular de Deus não levou em conta nenhum mérito do povo de Israel na Sua escolha soberana: "Não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o Senhor vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o Senhor vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito." Mesmo com tamanha demonstração de amor, o povo se tornou rebelde à voz do Senhor e indiferente aos Seus mandamentos. Em sua época, o profeta Jeremias também confrontou a indiferença do povo com base no eterno amor de Deus: “Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí” (Jr. 31:7). "Deus escolheu-nos para seu amor e agora nos ama por causa de sua escolha"

A indiferença se instala em nossos corações quando não levamos em consideração a singularidade do amor de Deus. O amor de Deus por nós nasceu na eternidade e atravessou os séculos para nos alcançar. Este amor maravilhoso não viu em nós mérito algum, porque todos somos pecadores: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5:8). É notório que o amor de Deus nos atraiu e nos alcançou graciosamente, através da obra perfeita de Cristo na cruz do Calvário. Além de sermos escolhidos pelo amor eterno de Deus, estamos seguros neste amor por toda a eternidade porque “nada poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm. 8:39). O amor eletivo de Cristo também é demonstrado nos Evangelhos. Dias antes de morrer, ele afirmou aos discípulos: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” (João 15:16).

Muitos cristãos estão mergulhados na indiferença porque passaram a desconsiderar a singularidade do eterno amor de Deus. Às vezes, por causa de alguma tragédia ou grave doença, o primeiro pensamento que surge é questionar o amor de Deus: “Se Deus me ama de fato, porque estou passando por esta situação?” Se este pensamento não for banido pela certeza do amor de Deus por nós deste a eternidade, a indiferença certamente reinará em nossas vidas.

Não é possível que continuemos vivendo em indiferença/apatia quando paramos para pensar no amor gracioso de Deus por nós. Nossos corações podem estar gélidos e apáticos porque não refletimos profundamente na realidade do amor de Deus por miseráveis pecadores. Quando a indiferença estiver rodando nossos corações, eu recomendo a leitura do texto bíblico em Efésios 1: 3-14. Neste texto, Paulo nos ensina que fomos escolhidos antes da fundação do mundo e predestinados em amor, para adoção de filhos, para louvor da graça de Deus. Deus derramou a Sua graça abundantemente sobre nós segundo o Seu plano soberano traçado na eternidade. Meditar na verdade maravilhosa do Evangelho derrete o gelo da indiferença de nossos corações, pois o amor de Cristo nos constrange a viver de modo que agrade ao Pai.
 
 
MARCOS AURÉLIO DE MELO
SERMÃO PREGADO COM BASE EM MALAQUIAS 1

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A alegria do cristão

TEXTO-BÍBLICO: 1 Pe. 1: 3 a 9

A alegria do cristão que está enfrentando provações se baseia em pelo menos três convicções:

1 – A misericórdia de Deus outorga-nos esperança real (vs. 3-4)

A esperança que temos está firmada na ressurreição do Senhor Jesus dentre os mortos. Sua vitória sobre a morte é o selo de aprovação divina, que nos garante que um dia nós também seremos ressuscitados para uma herança incorruptível e eterna. Paulo ensina que “Cristo ressuscitou dentre os mortos, seno ele as primícias dos que dormem” (1 Co. 15:20). Neste mesmo contexto Paulo escreve que “o último inimigo a se destruído é a morte” (1 Co. 15:26). Ou seja, devemos repousar na esperança da ressurreição que transformará nossos corpos corruptíveis em corpos incorruptíveis que habitarão eternamente com o Senhor. Não se trata de uma utopia ou visão ufanista do futuro. A nossa convicção sobre o futuro glorioso tem fundamento na ressurreição de Cristo dentre os mortos. Este convicção enche os nossos corações de alegria em cada momento de sofrimento pelo qual passarmos neste mundo.


2 – O poder de Deus outorga-nos segurança real (vs. 5)

A despeito da gravidade ou intensidade das provações na vida do crente, a salvação é uma garantia que nada ou ninguém pode nos roubar. Deus guardará o Seu povo pelo Seu eterno poder. Ele começou boa obra em nós e Sua fidelidade não deixará a obra incompleta (Fl. 1:6). Sendo assim, precisamos encarar as provações sob a ótica da Palavra de Deus. Nada vai impedir-nos de cruzar a linha de chegada se estivermos seguros no poder de Deus. A convicção de Paulo era bem firme: "nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm. 8: 38-39). Em meio às lutas e provações precisamos lembrar que não há mérito nenhum em nós mesmos; somos preservados exclusivamente pelo poder de Deus.


3 – O propósito de Deus outorga-nos confiança real (vs. 7)

Charles Spurgeon sabiamente escreveu: “A fé não provada talvez até seja fé, mas, com certeza, é uma fé muito pequena, e é provável que continue diminuta enquanto não for testada. A fé nunca se desenvolve tão bem quanto na época em que as coisas estão todas contra ela: as tempestades são seu guia e os relâmpagos sua luz. Nenhuma fé é tão preciosa quanto aquela que vive e triunfa na adversidade.” Precisamos confiar que Deus não erra ao definir Seus propósitos por meio das provações em nosso viver. O que é ruim e pesaroso sob a nossa visão limitada, possui o sublime propósito de nos aperfeiçoar e tornar-nos mais semelhantes a Cristo Jesus. Na galeria dos heróis da fé em Hebreus 11 não percebemos nenhuma história de vida isenta de provações. Mas o propósito de Deus foi cumprido completamente na vida de todos eles, homens dos quais este mundo não era digno.