segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Inconformismo

Texto: Miquéias 3


Martin Luther King Jr. (1929-1968) tornou-se um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos e no mundo. Em 14 de outubro de 1964, recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo combate à desigualdade racial através da não violência. O seu inconformismo com a situação de apartheid que os negros sofriam, o levou a levantar a bandeira de contestação deste sistema excludente.  Sua atuação foi fundamental para aprovação da Lei de Direitos Civis dos Estados Unidos, em 1964. São famosos alguns trechos de seus discursos:
·        “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.”
·        “Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados pelo caráter, e não pela cor da pele.”
·        “Se um homem não descobriu nada pelo qual morrer, não está pronto para viver.”
Martin Luther King era odiado por muitos segregacionistas do sul, o que culminou em seu assassinato no dia 4 de abril de 1968, momentos antes de uma passeata, num hotel da cidade de Memphis

O texto em epígrafe trata de uma realidade degradante no meio do povo de Israel. Havia uma série de escândalos em Israel que eram tolerados como se tudo aquilo fosse natural. O ministério de Miquéias foi centrado na época em que os assírios ameaçavam invadir a Samaria, a capital do reino do Norte destruída em 722 a.C., e a Jerusalém, a capital do reino do Sul. O zelo pela santidade do Senhor impeliu o profeta Miquéias a expressar o seu inconformismo diante daquela realidade reprovável (note o versículo Mq. 3:8). Miquéias não tinha como preocupação ganhar um concurso de popularidade na sua época. Não tinha como objetivo projetar o seu nome ou garantir a sua fama diante da classe dominante de Israel. Seu papel como profeta do Senhor foi incisivo, denunciando os males que dominavam o cenário político e religioso em Israel.

“Assim como o profeta Miquéias, devemos expressar o nosso inconformismo diante de situações que merecem contundente reprovação”

? Diante de quais situações que merecem contundente reprovação devemos expressar o nosso inconformismo?

Antes de pensar que estas situações são externas a nós, quero enfatizar que elas podem estar entranhadas em nós muito além do que imaginamos. O inconformismo deve começar em nós mesmos, quando somos confrontados pelas Escrituras. Como diz a letra de um antigo hineto: “A começar em mim, quebra corações”. Que estejamos atentos para perceber situações de pecado que devem causar inconformismo, primeiramente em nós, e assim estaremos aptos para expressar o mesmo inconformismo a nossa volta.
·        Veremos 3 SITUAÇÕES que merecem contundente reprovação, diante das quais devemos expressar o nosso inconformismo:


. Quando o exercício do poder é visto não como recurso moderador da justiça, mas como fonte de opressão (vs. 1-3)
Os termos hebraicos que correspondem a “chefe” e “cabeça” relacionam-se com alguém no exercício de autoridade, e abrangem todos aqueles possuidores de algum poder, responsáveis por executar a justiça, podendo ser os ministros, os nobres, juízes e também os sacerdotes. Era esperado dos líderes civis e religiosos mais proeminentes de Israel que exercessem suas atribuições com equidade e prudência, mas a realidade não era essa nem de longe.  “Mishpat”, traduzido como juízo, é o estabelecimento de relações corretas e justas entre os homens. No âmbito judicial, aborrecer o bem e amar o mal, corresponde a emitir sentenças injustas, favorecendo os culpados e prejudicando os inocentes. No uso mais amplo, “bem” e “mal” são termos genéricos que se referem ao “certo/errado”. Assim o que era certo e justo era desprezado, e o que era errado e injusto era amplamente aceito. As classes superiores e governantes eram tanto açougueiros quanto animais ferozes, e seus subordinados eram as vítimas indefesas de um sistema brutal de exploração e opressão. Os chefes de Israel tinham tal consideração pelos seus compatriotas, assim como os açougueiros e as feras têm pelas carcaças. O povo humilde e subalterno era literalmente esfolado vivo, para dar sustentação aos líderes que exerciam com tirania o poder que detinham nas mãos.
Ø Ilustração:
A exploração sofrida no seio da igreja foi denunciada por Tiago, meio irmão do Senhor.  Na sua carta, famosa pela expressão "a fé sem obras está morta", ele apresenta também o seu inconformismo com a situação fraudulenta que tinha invadido a igreja do Senhor. "Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos e que por vós foi retido com fraude está clamando; e os clamores dos ceifeiros penetraram até aos ouvidos do Senhor dos Exércitos." (Tiago 5:4) (Lv. 19:13). Nada mais anticristão do que um cristão explorar outro cristão.
A justiça social plena é um ideal inatingível neste mundo corrompido pelo pecado. O sonho de igualdade social dos marxistas não passa de sonho. Mas não podemos fechar os olhos para a opressão brutal que as pessoas têm sofrido, em benefício de líderes corruptos da nossa nação que viajam de graça, comem e dormem nos melhores hotéis com dinheiro de impostos cada vez mais altos.
Mas deixando de lado o plano político em nosso país, o que dizer quando a igreja se torna um local de exploração cruel das ovelhas? Suetônio disse: “É função do bom pastor tosquiar as ovelhas, e não arrancar-lhes a pele”. Não somente o pastor, mas também a liderança precisa estar atenta às reais necessidades espirituais do rebanho para não exercer um poder arbitrário, sem base nas Escrituras. Toda autoridade nasce e morre nas Escrituras; portanto, sempre haverá exercício arbitrário do poder quando as Escrituras são deixadas de lado para cumprimento de caprichos pessoais da liderança. Quando Deus fala, o homem cala. E quando um líder levantado e guiado por Deus fala, não pode haver contestação. Mas quando um líder não se curva diante do Senhor, suas atitudes e mensagens terão como objetivo causar intimidação e opressão nos ouvintes (Zc. 11: 15-17).
O púlpito pode ser uma fonte de edificação para o povo, quando a Palavra é corretamente exposta e aplicada; mas também pode ser um local em que caprichos e vontades humanas são impostas de modo opressivo e inconsequente. O fato de toda autoridade vir de Deus não diviniza o detentor do poder. A autoridade que o Senhor delegou aos seus representantes deve ser usada de modo a trazer glória ao nome de Cristo, e não prejuízos à noiva de Cristo.


. Quando a proclamação da mensagem é vista não como recurso promotor da verdade, mas como fonte de ilusão (vs. 5)
Miquéias estava inconformado com o fato de que os profetas e sacerdotes faziam errar o povo de Deus, que significa iludir, desviar e desencaminhar moral e espiritualmente. Estes falsos profetas proclamavam apenas aquilo que o povo e os dirigentes queriam ouvir, ainda que fosse algo ilusório, em troca de manter o seu próprio bem estar de mordomia e de recursos financeiros. Fica bastante claro no texto, que a motivação destes falsos profetas não era pregar com fidelidade a palavra de Deus, mas se locupletarem. O dinheiro era o vetor que governava a vida deles. Se havia dinheiro entrando no bolso, tinham palavras cheias de esperança para o povo. Se o pão lhes era retirado da boca, ameaçavam o povo com guerra santa. Ou seja, a mensagem mudava conforme os benefícios materiais/financeiros (R$) para os profetas. Estes profetas tinham a audácia de falar piedosamente em nome de Deus, como se Ele fizesse parte daquele negócio desonesto.
Ilustração:
No sermão de 27/06/1937, o pastor luterano Niemoller deixou claro para os presentes que ele tinha o dever sagrado de denunciar os males do regime nazista, não importando as consequências: “Não temos nenhuma intenção de usar nossos poderes para escapar do braço das autoridades. Não estamos mais dispostos a ficar em silêncio sob o comando de homens quando Deus nos manda falar. Porque é o caso, e assim deve permanecer, de que devemos obedecer mais a Deus que aos homens”. Alguns dias depois, ele foi preso. Seu crime? “Abuso do púlpito.”
Não é de hoje que os pregadores de ilusão têm arrebanhado muitos seguidores. No tempo do profeta Miquéias imperava a pregação por conveniência e não é diferente nos nossos dias. O conteúdo da mensagem era adaptado de acordo com as ofertas que eram dadas aos falsos profetas. Charles Spurgeon disse que “um ministro infiel (que negocia a verdade) é o maior instrumento de Satanás dentro da igreja”. Atualmente, a tônica dentro dos arraiais evangélicos é oferecer falsas esperanças, conforto ilusório, conselhos convenientes, tudo que não cause nenhum incômodo aos ouvintes, talvez uma espécie de band-aid espiritual. Existem muitos vendedores de ilusões, que cometem estelionato da fé. Devemos expressar o nosso inconformismo quando pessoas se utilizam do púlpito ou da Palavra de Deus para se favorecem de alguma maneira, trazendo vergonha à causa do Evangelho.
“Qual é o seu preço, meu querido irmão?” Você negocia a verdade de Deus por alguma conveniência? Ou você está fechado para qualquer tipo de negociata, já que a verdade do Senhor é inegociável? “Compra a verdade e não a vendas!” (Pv. 23:23), é o imperativo bíblico. Certamente precisamos estar atentos a tudo o que falamos em nome de Deus, pois o que dizemos precisa ser aferido com a verdade das Escrituras. Não adianta querer agradar gregos e troianos com um discurso adaptável às circunstâncias, isso nunca vai glorificar a Deus. Podemos até conquistar a aprovação e aplausos de muitas pessoas, mas não seremos tidos como despenseiros fiéis. O que se requer dos despenseiros é que sejam fiéis na entrega da mensagem que receberam do Senhor, sem diluir, tirar ou acrescentar nada. Não fomos autorizados pelo Senhor a criar falsas ilusões para ninguém.
A saúde espiritual de um crente pode ser medida de várias maneiras, e uma delas é o nível de confrontação bíblica que ele está disposto a travar, quando sua aceitação ou popularidade é colocada em risco. Ou quando, por amor à verdade, suas posições cristãs não oscilam diante daqueles que podem lhe favorecer de alguma maneira.


. Quando a identificação com o Senhor é vista não como recurso santificador da vida, mas como fonte de presunção (vs. 9-11)
A expressão “o Senhor está no meio de nósdenota uma identificação profunda do Senhor com o Seu povo amado. Mesmo sendo transcendente o Senhor resolveu partilhar a Sua presença com o Seu povo, desde o momento do chamado de Abraão culminando na saída milagrosa do Egito. Se não fosse o Senhor no meio do Seu povo, dando sustento e direção,o povo de Israel não existiria. Mas a despeito desta identificação com o Senhor, que deveria ser encarada com responsabilidade, o povo resolveu agir com rebeldia. Observa-se no texto um misto de cinismo e presunção por parte daqueles que despertaram o inconformismo do profeta Miquéias: “Nenhum mal nos sobrevirá”. Algumas traduções do verso 11: “O Senhor está conosco. Nada de ruim nos sucederá” e “Nenhum mal vai acontecer porque o Senhor está do nosso lado.” Os líderes corrompidos alimentavam a falsa pressuposição de que Deus estaria do lado deles sob quaisquer condições. Para eles não haveria juízo da parte do Senhor. Mas o Deus santo e justo não pode contemplar o mal ou aprovar a injustiça, nem ficar indiferente diante da opressão.
Ø Ilustração:
“Porquanto o Senhor, teu Deus, anda no meio do teu acampamento para te livrar e para entregar-te os teus inimigos; portanto, o teu acampamento será santo, para que ele não veja em ti coisa indecente e se aparte de ti.” (Dt. 23:14). O Senhor andaria com o seu povo, mas o acampamento deveria ser mantido limpo e nada impuro poderia ser visto dentro de suas fronteiras. Fica evidente a necessidade de não ser complacente com qualquer coisa que afrontasse a santidade do Senhor. A identificação do Senhor com o Seu povo e a recíproca pressupunha zelo e temor.
Precisamos entender que a identificação do Senhor conosco é a base de nossa identificação com Ele: “O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para salvar-te; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo.” (Sf. 3:17)
De fato é uma promessa bastante segura que o Senhor está conosco todos os dias até a consumação dos séculos. Esse é um lado da moeda. O outro lado é a nossa resposta efetiva diante desta verdade bíblica. Cada vez mais somos convocados a nos identificar com o Senhor. A teologia tem de abrir caminho da cabeça para o coração e depois à prática, ou foi mal utilizada. Toda teologia que não nos impulsiona a uma resposta efetiva não serviu ao seu propósito. Além disso, Qualquer “teologia” que facilite o nosso pecado não é uma teologia bíblica. Presumir que Deus está ratificando a nossa conduta por conta de algum progresso ou sucesso aparente é típico do homem pós-queda. Geralmente, a prosperidade ou a ausência de dificuldades, é entendida erroneamente como o selo de aprovação do Senhor. Nada mais perigoso do que fiar-se na identificação com o Senhor, na aliança firmada por Ele, sem dar importância a uma viver santificado. Viver com base numa presunção equivocada é um passo certo para a queda espiritual. “No tocante a Deus, professam conhecê-lo; entretanto, o negam por suas obras” (Tt 1:16)

Como saber que o Senhor está no meio de nós? Quando há arrependimento verdadeiro e mudanças efetivas, quando há relacionamentos restaurados, quando a igreja avança em temor e piedade, quando os lares são edificados pela graça de Cristo, quando as Escrituras têm preeminência nas decisões que tomamos. A apatia certamente dominará nosso viver se a nossa identificação com o Senhor for meramente teórica e sem resultado prático. Precisamos muito mais do que um discurso teológico e uma boa confissão de fé.

Prevenção é sempre o melhor

Texto: 2 Cor. 4: 1-2

Introdução:
Prevenir é melhor que remediar”. “Um homem prevenido, vale por dois”. A prevenção é a tônica dos assuntos de saúde. A medicina preventiva é um dos ramos que mais crescem. A identificação precoce de moléstias por meio de exames preventivos possibilita minimizar os danos causados pela demora no diagnóstico.
- Setembro amarelo (suicídio)
- Outubro rosa (câncer de mama)
- Novembro azul (câncer de próstata)
No contexto da carta aos Coríntios, Paulo estava sofrendo severos ataques por conta do seu ministério. Ele era acusado de falso apóstolo e de embusteiro, uma pessoa sem caráter para o exercício do apostolado. Por isso ele escreveu a 2ª. carta aos Coríntios, para defender o seu ministério, colocando-se à prova de qualquer contestação. Sua abordagem é incisiva e nos mostra um homem precavido contra as estratégias que queriam minar o seu ministério como apóstolo do Senhor.
Na missão confiada a nós, como sal e luz neste mundo corrompido, devemos adotar medidas preventivas contra os ataques que certamente virão dos ímpios, e até mesmo de outros cristãos professos. Este mundo caído é um front de batalha em questões de fé, e não há como manter uma neutralidade. Por isso é necessário que sejamos cristãos prevenidos, sempre atentos as ciladas dos opositores que desejam aniquilar as nossas bases de fé. É certo que o chamado divino é sempre acompanhado da capacitação divina; e Paulo sabia que Deus o sustentaria até o final. Mas é nosso dever adotar medidas preventivas para não sucumbirmos ante à oposição.

PRECISAMOS ADOTAR MEDIDAS PREVENTIVAS CONTRA OS ATAQUES DOS OPOSITORES DA MISSÃO A NÓS CONFIADA”
? Quais medidas preventivas precisamos adotar contra os ataque dos opositores da missão a nós confiada?
 
1. A VALORIZAÇÃO DA TRANSPARÊNCIA 
"rejeitamos as coisas que, por vergonhosas, se ocultam"
Coisas vergonhosas geralmente são feitas às escondidas, para não levantar nenhuma suspeita ou não causar nenhum embaraço em quem as pratica. Aquilo que é desonroso é realizado de modo que não desperte a atenção das pessoas. Paulo condena este tipo de postura de modo claro, pois o cristão deve viver na luz, sem nada a ocultar. Seus atos eram realizados visando a glória de Deus, e portanto não tinham que ser às escondidas, fora da percepção dos homens.
Ilustração: "A luz do sol é o melhor dos desinfetantes", afirmou, quase um século atrás, o juiz americano Louis Brandeis (1856-1941). A frase se referia à necessidade de transparência no sistema financeiro. As ideias de Brandeis influenciaram a criação de leis que tiveram como objetivo tornar o funcionamento dos mercados mais límpido, restringindo o poder dos grandes banqueiros e protegendo poupadores.
  • Efésios 5: 11-13: "E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as. Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha. Mas todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz."
Os Filhos da luz não devem ter nada a esconder. Nossas vidas devem ser marcadas pela total transparência naquilo que fazemos, pois Deus já nos tirou das trevas. Um estilo de vida “às escondidas” é uma forte evidência de que algo está errado com o nosso cristianismo. Deus requer dos Seus filhos que vivam na luz, e para isto é imprescindível que não tenhamos nada a ocultar de nossos irmãos em Cristo Jesus. Nossas redes sociais e conversas podem ser vistas por outros irmãos em Cristo, sem nos causar nenhum constrangimento? Nossa vida é um livro aberto? Ou será que ainda temos muito a esconder, com alguns cômodos que não podem ser visitados por ninguém? Será que temos um quartinho da bagunça?
 
2. A VALORIZAÇÃO DA AUTENTICIDADE 
"não andando com astúcia"

O dicionário eletrônico Houaiss define astúcia como: “habilidade de dissimular e usar artifícios enganadores e, com isso, obter vantagens às custas de outrem; malícia, treta, artimanha.” Paulo era acusado de usar artimanhas para sustentar-se como apóstolo e ministro do Evangelho, mas esta acusação não passava de difamação. Levantaram contra Paulo varias acusações, questionando a sua integridade e honradez.
Ilustração: um exemplo de astúcia, sem o menor sinal de autenticidade, foi o casal Ananias e Safira (Atos 5). Eles queriam ludibriar os apóstolos com sua pretensa generosidade, mas foram desmascarados e punidos. O casal forjou uma aparente piedade, que não condizia com a realidade. Isto foi e é abominável ao Senhor.
A astúcia é um atributo do diabo, não dos verdadeiros servos do Senhor. A palavra grega panourgia (astúcia, esperteza) aparece cinco vezes no Novo Testamento, sempre com conotação exclusivamente negativa (Lc 20.23; 1Co 3.19; 2 Co 4.2; 11.3; Ef 4.14). A astúcia não caracteriza a conduta de Paulo e seus colegas, porque eles se esfor- çam pela honestidade e pela integridade. Os judaizantes podem acusá-lo de esperteza (12.16), mas sua vida demonstrava que essa acusação deles não tinha o menor fundamento.
Andar com astúcia é agir com esperteza em busca de vantagens, forjando as reais intenções com um comportamento calculado para não ser desmascarado. Vivemos uma crise de autenticidade no meio chamado evangélico. Há muitos embusteiros que com suas artimanhas enganam a muitos. Mas de toda sorte de enganos, o pior certamente é o autoengano, aquele que é voltado para transmitir uma imagem irreal de si, para obter a aprovação e os aplausos da plateia. Autenticidade é viver sem intenções maliciosas e sem astúcia, com sinceridade em nossas ações.
 
3. A VALORIZAÇÃO DA SUFICIÊNCIA DAS ESCRITURAS
"nem adulterando a Palavra de Deus"

O verbo "adulterar" faz referência à adição de água ao vinho ou ao leite, para render maior quantidade e proporcionar mais lucros aos comerciantes. A Palavra de Deus quando é corrompida não serve aos seus propósitos, assim como o remédio, que quando é diluído perde a sua eficácia. Paulo também era acusado de propagar inverdades e afrontar o judaísmo até então vigente. Mas sua consciência estava tranquila quanto à necessidade de pregar a Palavra, e somente a Palavra (1 Co. 2:1-5). Para o apóstolo as Escrituras eram suficiente, e não havia necessidade de acrescentar nenhuma pitada de sabedoria humana ou filosofia da época.
Ilustração: Um exímio adulterador, que sabia diluir como ninguém a mensagem pura das Escrituras, foi o profeta Hananias, que se opunha à mensagem de julgamento pregada por Jeremias. Ele era um falso arauto que afirmava a queda de Babilônia e a volta dos exilados e dos tesouros do templo, dentro de dois anos. Sua mensagem não tinha o selo do “Assim diz o Senhor”, pois estava diluída e corrompida com falsas promessas. Este tipo de mensagem ao gosto do freguês sempre goza de bastante popularidade.
Para falar em nome do Senhor dos Exércitos precisamos submeter-nos à suficiência da Sua Palavra. Dizer que a Palavra de Deus é suficiente é uma coisa. Viver conforme esta verdade é outra coisa totalmente diferente. Valorizar a suficiência das Escrituras no dia-a-dia, sem acrescentar nada a sua essência, é o teste de fogo quando nos vemos diante dos dilemas da vida. A âncora do cristão é a pura Palavra de Deus, sem nenhum acréscimo. É dela que provém o nosso sustento e direcionamento neste mar revolto da vida. Não é saudável e nem seguro diluirmos seu conteúdo para nos sentirmos confortáveis.
Devemos marcar posição quanto à questão da suficiência das Escrituras nestes tempos pós-modernos em que vivemos. O povo de Deus deve se apegar ao Livro de Deus, ainda que sofra retaliações por isso. O que não estiver aferido com as Escritures é de procedência maligna.

4. A VALORIZAÇÃO DA RESPONSABILIDADE PESSOAL
"nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus"

Aqui não se trata de presunção ou falta de humildade, algo que Paulo tinha fortemente combatido na igreja de Corinto. Paulo aqui está ressaltando a responsabilidade que ele tinha por seus atos, a ponto de colocar-se sob o exame daquelas consciências submetidas à verdade na presença de Deus. O apóstolo não fugia da responsabilidade por suas ações, pois eram feitas visando somente a glória de Deus. Ele era um servo plenamente convicto da sua missão, e, portanto, não tinha como se furtar desta responsabilidade diante de Deus e diante dos homens.
A consciência humana funciona como um tribunal interno, e quando a nossa consciência está imbuída da verdade bíblica, os julgamentos são acertados. Paulo não tinha medo de passar por tal exame, sabendo que suas ações eram marcadas pela integridade. A consciência humana, quando guiada pela verdade de Deus, registra e avalia o bem e o mal, examina a própria conduta moral e a dos outros, e obedece à autoridade que Deus instituiu.
Ilustração: Recentemente o pastor Argemiro pregou um sermão com base em Mateus 18, cujo tema era: Qual o nosso perfil como crentes? O segundo ponto da mensagem era: O perfil de quem insensatamente serve de estorvo espiritual a outro ou de quem lhe serve de apoio espiritual? Nos tornamos estorvo espiritual quando não vivemos com responsabilidade, quando fazemos tropeçar ou trazemos escândalo à consciência de outros.
Assumimos a responsabilidade por nossas atitudes, ou sempre encontramos respostas evasivas? Será que estamos abertos à confrontação bíblica por alguém se alguma mancha for detectada em nosso cristianismo? Isto é encarar com responsabilidade a vida cristã, sem tergiversar. Viver de modo responsável é estar disposto a passar por um exame à luz da Verdade de Deus, sob a orientação clara e e segura de pessoas maduras na fé.

A prestação de contas honesta a um irmão maduro na fé é uma forma de fortalecer a nossa responsabilidade como cristãos e evitar a falsa impressão de que somos irrepreensíveis. A prestação de contas é uma medida preventiva contra o orgulho presente em nossos corações e se torna um salvaguarda para a solidificação de relacionamentos efetivos e santos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Não mais escravos

Não se pode dizer a um escravo: “Viva como um homem livre”; mas pode-se dizer isso a alguém que foi liberto da escravatura. Agora que estamos de fato mortos para o pecado —para o seu governo e reino —temos de considerar isso como uma verdade. Temos de manter diante de nós esta realidade de que já não somos escravos. Podemos agora erguer-nos diante do pecado e dizer-lhe não. Antes, não tínhamos hipótese, agora podemos escolher. Quando pecamos como cristãos, não o fazemos como escravos, mas como indivíduos com liberdade de escolha. Pecamos porque escolhemos pecar.

Resumindo, então, fomos libertos do reino e governo do pecado, do reino da injustiça. A nossa libertação resulta da nossa união com Cristo, na sua morte. Quando Cristo entrou neste mundo, entrou voluntariamente no reino do pecado, embora nunca tenha pecado. Quando morreu, morreu para este mundo do pecado (Romanos 6.10) e, através da nossa união com ele, nós morremos igualmente para esse reino. Temos de reconhecer o fato de que estamos mortos para o governo do pecado, de que podemos nos erguer e dizer não ao pecado. Devemos, portanto, guardar o nosso corpo, de modo que o pecado não reine em nós.

Vemos assim, que Deus fez provisão para a nossa santidade. Por meio de Cristo, libertou-nos do reino do pecado, de maneira que agora podemos resistir-lhe. Mas essa responsabilidade de resistir ao pecado é nossa. Deus não vai fazer isso por nós. Confundir o potencial para resistir (que Deus providenciou) com a responsabilidade de resistir (que é nossa) é concorrer para a tragédia da nossa busca de santidade.


Jerry Bridges, no livro: A busca da Santidade (versão Kindle)



Caminho dos homens X Caminho de Deus

Que diferença entre o caminho de Deus e o caminho dos homens. Por exemplo, muitos irmãos gostam tanto de ouvir um sermão bom, entendido como tal aquele que massageia o ego, aquele que eleva a auto-estima, aquele que promove a exaltação do “eu”. Estes mesmos irmãos, certamente não gostam nada de meditar nas bem aventuranças (Mt. 5:3-12). O Sermão do Monte é um golpe mortal desferido pelo próprio Senhor Jesus, contra esse tipo de sermões psicologizados, açucarados, que são exatamente o contrário do que Jesus ensinou. Que caminhos diferentes.

Contrariamente aos caminhos do homem, o caminho de Deus nos leva a nos ajoelhar diante dele, reconhecendo a sua santidade e a nossa miséria espiritual. O caminho do Senhor nos faz chorar por causa dos nossos pecados. O caminho do Senhor nos torna mansos e gentis em nossos relacionamentos. O caminho do Senhor nos leva a considerar a honestidade, de sorte que as nossas atitudes sejam compatíveis com a nossa confissão, concedendo-nos sede de justiça, e o desejo de crescer na graça e na santidade. O caminho do Senhor nos faz ser misericordiosos com os desventurados, porque conhecemos as desventuras causadas pelo pecado. O caminho do Senhor nos transforma em pacificadores, mas também nos traz perseguições, injúrias, insultos, exatamente por causa da justiça e por causa de Cristo com  quem nos identificamos. Que caminhos diferentes. Que Deus nos conceda graça de andar no seu caminho.

Fonte:
Igreja Presbiteriana Jardim Treze de Maio

sábado, 16 de julho de 2016

Satisfação gera ação

Não existe satisfação comparável à da pessoa que tem a mente imbuída da plena certeza de conhecer a Deus, e de que Deus o conhece. Essa era a razão do contentamento e da calma com que Daniel e seus companheiros firmaram sua posição, mesmo diante dos opositores.
A vida é cheia de contusões. Estamos expostos a todo tipo de dificuldade inerente à condição humana. Além disso, a oposição ferrenha que o cristão enfrenta por conta de suas convicções bíblicas gera muitos percalços. Sendo assim, a chave para enfrentarmos corretamente a oposição do mundo ímpio é ter o nosso contentamento centrado em Deus. Quando estamos satisfeitos no Senhor e encontramos verdadeira paz e alegria nEle, os revezes desta vida não podem nos fazer sucumbir. Firmados na Rocha, nossos pés não vacilarão.
O grande problema é que deixamos brechas em nosso coração, e assim somos sufocados por pensamentos equivocados sobre a vida e até mesmo sobre Deus. Precisamos volver os nossos olhos para as Escrituras, a revelação de Deus para nós. Nas Escrituras encontraremos a correta percepção que deve nos guiar nos mares revoltos deste mundo. Não se trata de intuição, mas de convicção.
Uma vez justificados, já temos paz com Deus. Mas esta paz precisa ser evidenciada em meio ao turbilhão de contrariedades que existem neste mundo pervertido e corrupto. Crentes cabisbaixos e sem alento são um atestado do conhecimento inadequado e fraco de quem Deus é e de Suas obras magníficas em prol do Seu povo.
Sejamos coerentes e vivamos conforme a alegria que procede do amor gracioso outorgado na Cruz, por meio de Jesus Cristo, o nosso Redentor amado.



segunda-feira, 6 de junho de 2016

Implicações da Justificação


O que é a justificação? Herman Hoeksema a definiu como um ato da graça de Deus, no qual Ele imputa (credita na conta legal) de quem é culpado e condenado, Sua perfeita justiça em Cristo, absolvendo-o de toda a sua culpa e punição com base no mérito da obra de Cristo, e dando a este pecador o direito à vida eterna. A justificação é uma parte da salvação do pecado através de Cristo, uma vez que Deus aplica a salvação a cada um de Seus eleitos.

A justificação é Deus declarando à consciência de Seus filhos regenerados e chamados, que eles são perdoados e justos. Deus por meio de Seu Espírito fala à consciência do pecador humilhado e quebrantado, sobre o Seu ato de mudar a posição legal dele perante Deus, o Juiz, de um estado de culpa para um estado de perfeita justiça.

A imputação da obra de Cristo é fundamental no entendimento da justificação. O pecador recebe graciosamente os benefícios adquiridos pelos méritos de Cristo. A situação legal-forense do pecador é sobrenaturalmente transformada: antes um pecador condenado, agora um pecador justificado. Portanto, já não há mais nenhuma condenação para aqueles que estão “em Cristo Jesus”. Ou seja, para aqueles sobre quem foi imputada a perfeita justiça de Cristo já não resta nenhuma pendência judicial perante o Deus santo.

Ademais, em termos práticos, isto implica uma profunda percepção da nova criatura que é formada em Cristo Jesus. Uma vez justificado pela fé, o pecador também é regenerado para uma nova e viva esperança. Isto significa que as coisas antigas já passaram e eis que tudo se faz novo. Sendo assim, a evidência cristalina no viver de alguém justificado e regenerado por Deus será manifesta em obras dignas desta nova posição.

Enquanto estivermos neste mundo ainda pecaremos porque somos pecadores. Mas é preciso enfatizar que a nossa nova realidade espiritual diante de Deus foi mudada. Somos quem somos por causa exclusivamente do que Cristo fez na cruz do Gólgota. Esta nova realidade nos faz enxergar com limpidez a penúria de nossa alma enquanto peregrinamos por este mundo. Por isso, a vida do pecador justificado é de contínuo arrependimento e de descanso à sombra da cruz. A essência da vida cristã reside no fato de que somos imerecedores da comunhão com Deus, e que somente através da graça temos acesso ao Pai.

Ainda que caminhemos num mundo caído, isto não nos torna reféns do pecado. Uma fez justificados, fomos libertos de suas amarras e já não podemos servir ao pecado como escravos. Em Cristo, estamos numa nova posição espiritual que nos constrange a viver de modo altaneiro e digno do Evangelho.

Amor abundante e sublime no qual Deus nos dá, sem nenhum mérito nosso, mas apenas por pura graça, a perfeita satisfação, a justiça e a santidade de Cristo!

Um grande abismo

"O abismo entre a teoria e a prática é tão grande que chega a ser aterrador. Pois o Evangelho é com demasiada frequência pregado e aceito sem poder, e nunca se efetua a alteração radical que a verdade exige. Pode haver, é certo, uma mudança de alguma espécie; pode-se fazer um negócio intelectual e emocional com a verdade, mas o que quer que aconteça não basta, não é bastante profundo, não é suficientemente radical. A “criatura” é mudada, mas ele não é “novo”. E justamente aí está a tragédia disso. O Evangelho tem que ver com vida nova, com o nascimento para cima, para um novo nível do ser e, enquanto ele não efetuar essa regeneração, não realizou a obra salvadora na alma."
"Até certo ponto, a doutrina pode definir um caráter, mas o nascimento - e mais especificamente o novo nascimento - produz uma nova natureza. Essa é a diferença entre o que eu chamo de igrejianismo e o verdadeiro cristianismo. Todas as semanas, nós treinamos indivíduos a serem bons frequentadores de igreja. Porém, quando estão à vontade, retornam à verdadeira natureza, agindo como eles mesmos. Essas pessoas foram treinadas a atuar como bons cristãos, enchendo as igrejas aos domingos, mas não passa disso, uma representação. No restante da semana, eles agem naturalmente, ou seja, como realmente são."
 (A. W. Tozer)


O cristianismo contemporâneo padece gravemente com o estabelecimento do divórcio entre a ortodoxia e a ortopraxia. Há um grande abismo que divide aquilo que professamos e aquilo que praticamos. Vivemos dias em que muitas verdades teológicas permanecem somente no campo teórico, portanto, não há profundidade em nosso modo de viver. À luz da Palavra de Deus precisamos sondar nossas motivações reais quando nos aproximamos das verdades eternas. Se elas servem apenas para alimentar o nosso intelecto, não haverá nenhuma transformação efetiva que gere em nós temor e reverência. Não haverá o senso de indignidade necessário para nos fazer enxergar que Deus não depende de nós e que Ele é suficiente em Si mesmo. Não haverá o julgamento preciso feito por nossa consciência, nas diversas escolhas que teremos de tomar. Em suma, viveremos como Israel no deserto, andando em círculos apenas esperando a morte chegar.

É necessário que analisemos criteriosamente nossas escolhas morais sob o prisma das Escrituras. Enquanto envolvermos apenas nosso intelecto na apreensão das verdades teológicas, sem maiores interesses em vivenciar o Evangelho, não haverá genuíno progresso. A verdadeira piedade é evidenciada pela fé que se traduz em obras. Fora disso, não podemos afirmar que existe genuinidade naquilo que professamos ou cantamos em versos lindamente teocêntricos. E é sempre bom lembrarmos que de Deus ninguém zombará e ficará impune.



sexta-feira, 27 de maio de 2016

Uma triste constatação

Neste pequeno trecho, o pastor Jonathan Leeman oferece uma triste constatação da atual situação da igreja. Em vez de refletir o padrão bíblico para ser igreja, temos visto um amoldamento cultural sem precedentes, que objetiva atrair e fidelizar clientes. 

Hoje em dia, não acreditamos que a autoridade pertença à igreja; ela pertence ao consumidor, que afirma o seu governo por meio de sua presença e de seus recursos financeiros. Em vez de chamar os consumidores para se submeterem ao senhorio de Cristo, a igreja faz tudo o que pode para lhes satisfazer as vontades. O pregador puxa um banquinho e representa uma comédia. O ministro de música fecha os olhos, inclina-se para trás e faz um solo de violão. Os “espectadores” se deleitam – por um momento.

Uma das maiores tragédias do evangelicalismo atual é que ele perdeu de vista a força maravilhosa e geradora de vida que é a autoridade. Temos sido levados pela cultura. Muito mais do que imaginamos, vemos a nós mesmos como agentes independentes, encarregados de determinar a melhor forma de crescer, servir e amar na fé. Sim, podemos ouvir os outros, ser condescendentes com os outros e aceitar a orientação dos outros; mas, em última instância, vemos a nós mesmos como os nossos próprios técnicos, administradores de portfolio, guias, juízes e capitães de nossos navios, de uma maneira que é mais cultural do que bíblica. Em resumo, uma teologia subdesenvolvida conspira com os nossos instintos individualistas para nos enganar, fazendo-nos alegar que amamos todos os crentes, em todos os lugares, igualmente, enquanto nos negamos a amar qualquer um desses crentes de modo específico, principalmente de modo submisso. Previsivelmente, as igrejas são superficiais, os crentes são fracos e o povo de Deus se parece com o mundo.

AUTOR: JONATHAN LEEMAN
EXTRAÍDO DO LIVRO:  A IGREJA E A SURPREENDENTE OFENSA DO AMOR DE DEUS



terça-feira, 19 de abril de 2016

No compasso correto

Uma das primeiras lições em música é o aprendizado dos compassos. Em Teoria Musical, o compasso está relacionado com as divisões de sons que se sucedem dentro de um determinado tempo e ritmo. Assim, só é possível cumprir corretamente a execução da música se o compasso for totalmente obedecido.

Mas, observando nossas atitudes, será que a nossa vida está dentro do seguinte compasso: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe. 2:9)? Ou estamos fora de compasso, vivendo de maneira indigna deste maravilhoso chamado e propósito? Que tenhamos plena convicção da necessidade de harmonizar nossas vidas com o som da Palavra de Deus. Dentro do compasso estabelecido, não erraremos o ritmo que o nosso Regente requer de cada um de nós.



sábado, 2 de janeiro de 2016

Com relação à submissão a Deus

Na Matemática e na Física, as grandezas são estudadas em comparação umas com as outras. Em geral, uma grandeza é tudo aquilo que pode ser medido e quantificado. Duas grandezas são diretamente proporcionais quando ao aumentarmos o valor de uma delas um certo número de vezes, o respectivo valor da outra grandeza igualmente aumenta o mesmo número de vezes. Quando diminuímos o valor de uma delas, proporcionalmente o respectivo valor da outra também diminui. Duas grandezas são inversamente proporcionais quando ao aumentarmos o valor de uma delas um certo número de vezes, o respectivo valor da outra grandeza diminui o mesmo número de vezes. Quando diminuímos o valor de uma delas, proporcionalmente o respectivo valor da outra aumenta.

Quanto mais, menos... Há realidades espirituais que são inversamente proporcionais: Quanto mais submissos a Deus, menos arrogantes nós seremos. Quanto mais submissos a Deus, menos apegados a este mundo seremos. Quanto mais submissos a Deus, menos desejosos de voltar para o Egito seremos. Quanto mais submissos a Deus, menos devotados aos desejos de autossatisfação. Quanto mais submissos a Deus, menos insubmissos seremos nos relacionamentos horizontais. Quanto mais submissos a Deus, menos agarrados às promessas vazias de felicidade à parte dEle. Quanto mais submissos a Deus, menos cobiçosos e gananciosos pelo vil metal seremos.

Quanto mais, mais... Há realidades espirituais que são diretamente proporcionais: Quanto mais submissos a Deus, mais dependentes de Sua Palavra seremos. Quanto mais submissos a Deus, mais dedicados ao bem do próximo. Quanto mais submissos a Deus, mais intolerantes com o pecado em nosso viver. Quanto mais submissos a Deus, mais desejosos de agradar ao Rei. Quanto mais submissos a Deus, mais devotados à causa do Evangelho seremos. Quanto mais submissos a Deus, mais sensíveis e prudentes seremos nas decisões a tomar. Quanto mais submissos a Deus, mais empenhados na adoração verdadeira estaremos.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

O fariseu e o publicano

A parábola do fariseu e do publicano, narrada por Jesus em Lucas 18, tem lições preciosas a nos ensinar. É impressionante como o fariseu retrata bem cada pessoa que coloca a justiça própria acima da justiça de Cristo. A parábola é endereçada a “alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros” (Lucas 18:9).


É importante percebermos que o nível de excelência do fariseu era medido em comparação aos que eram considerados escória da sociedade da época (publicanos, adúlteros, roubadores...). Ou seja, para considerar-se um “top crente” o fariseu estabelece comparativos com pecadores inveterados.


Além disso, o propósito de orar (falar com naturalidade e espontaneidade com o Senhor) tinha se desvirtuado na mente do fariseu. Ele merecia uma ode a si mesmo, e por isso usa a oração como um meio de autopromoção, um meio de iludir-se sobre a sua performance espiritual. A autopromoção sempre nos leva a ignorar o padrão correto de justiça, que é Cristo nosso Senhor. Ele é quem deve ser o nosso parâmetro, não outros pecadores que encontramos pelo caminho. Precisamos olhar firmemente para o Autor e Consumador da nossa fé, correndo com perseverança a carreira que nos foi proposta por Ele mesmo.


O publicano reconheceu a sua penúria de alma, via-se como um miserável pedinte diante do trono da graça divina e não apresenta nenhuma exigência ou um discurso de bondade. Suas palavras são diretas, sem embromação: “Sê propício a mim, pecador”. Ele não faz comparações, até porque sua penúria é completa. Ele considerava-se falido espiritualmente, sem nada a que pudesse agarrar-se senão na misericórdia que flui do trono do Senhor. Aqui nós observamos um contraste bastante claro: o fariseu do início ao fim demonstra altivez; o publicano, por sua vez, demonstra rendição completa.


Nós gostamos de estabelecer o nosso desempenho como referência ou padrão de justiça. Assim, o que fazemos em prol do reino de Deus não tem como finalidade agradar ao Senhor, mas satisfazer o nosso senso de justiça própria. Embutido nessa busca por desempenho, há o desejo de menosprezar aqueles que não atingem o nosso padrão de retidão pessoal. Agindo assim, buscamos estar sempre num pedestal de moral que nós mesmos estipulamos como ideal. Os demais que não atingem este patamar são consideramos como crentes de “segunda classe” e colocados numa classificação desprezível.


Que o nosso procedimento seja igual ao do publicano: ele não estabeleceu parâmetros de justiça própria, mas agarrou-se firmemente à propiciação (favor divino) disponível para aqueles que têm o coração quebrantado e espírito abatido pela miséria causada pelo pecado.



"Nada na vida cristã é tão prejudicial quanto esta atitude farisaica que busca convencer outras pessoas que já chegamos ao topo da escada espiritual."



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Onde está a honra da nação?

 

Não é difícil para nenhum brasileiro constatar que os dias atuais têm sido nebulosos e traiçoeiros no nosso país: um partido empenhado em se manter no poder (custe a honra que custar), políticos pegos com a boca na botija, ricos empresários envolvidos em negociatas com o poder público, dirigentes da nação enlameados sem nenhum pudor com a sujeira da corrupção. E não menos ruim é o fato de que não se descortina nenhum horizonte de recuperação da economia já tão combalida pelos desmandos do Estado.

Um cenário desalentador não clama por heróis. Um cenário assim requer de cada um de nós uma manifestação de honradez e vergonha na cara, à altura de tanto desgoverno que tem sido denunciado nos jornais livres e na imprensa não-amordaçada. Ano que vem será mais um ano eleitoral, e nas urnas muitas mudanças podem e devem ser feitas, ao elegermos prefeitos e vereadores que irão comandar os municípios brasileiros. Já não é momento para utopias e devaneios sem sentido; é momento de pés no chão e coragem para efetivamente cobrarmos das autoridades instituídas sobre nós o dever de jogarem limpo, sem falcatruas e ajeitados para os “amigos do rei”.

O juiz Sérgio Moro faz despertar em nós, brasileiros honrados, um ímpeto de mudança. Queremos um Brasil melhor, para nós e para as gerações vindouras. Mas sem o empenho de cada cidadão de bem, não haverá um futuro promissor. Viveremos como cão que corre atrás do rabo, iludido por brincadeiras sem propósito. É urgente a necessidade de postura combativa nas urnas, contra tudo que depõe contra o Estado de Direito e em prol da boa conduta dos governantes desta nação.

Não dá mais para o Brasil ter somente um belo slogan, tal como “Um País de Todos” ou “Pátria Educadora”, sem efetividade na prática e sem honradez nas decisões políticas que deveriam objetivar sempre o bem coletivo. Chegou a hora do gigante despertar da modorra em que se encontra, fazendo valer o chamado do pendão verde e amarelo: Ordem e Progresso. Avante, pois!

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Como morrer bem

Texto base: 1 Cor. 15

Talvez você possa achar que este tema soa um tanto fúnebre, ou intragável, mas o fato é que precisamos pensar naquele instante final em que nossos corpos estarão inertes e sem vida. O sábio Salomão advertiu claramente:“Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração.” (Ec. 7:3)
Na verdade, nós não incluímos a morte em nossas agendas. E isto é grave!O apóstolo Paulo vislumbrava o dia em que partiria deste mundo: "O tempo da minha partida está próxima" (2 Tm. 4:6). As coisas temporais eram como as cordas que o prendiam a este mundo, mas logo seu barco deveria desprender-se da costa, e navegar adiante, para o porto da glória, e ali ser ancorado para sempre.
Em 02 de novembro de 998, o abade Odilo de Cluny instituiu aos membros de sua abadia e a todos aqueles que seguiam a Ordem Beneditina a obrigatoriedade de se rezar pelos mortos. A partir do século XII, essa data popularizou-se em todo o mundo cristão medieval como o Dia de Finados, e não apenas no meio clerical. O dia 02 de novembro ainda é identificado como sendo um dia específico para se meditar e rezar pelos mortos. Milhões de pessoas cumprem o ritual de ir até os cemitérios levar flores para depositar nas lápides em memória dos que se foram; outras levam também velas e cumprem os rituais mais tradicionais, como orações, cânticos etc.
Obviamente, nós sabemos que todo este ritual e cerimonialismo em torno do dia 02 de novembro é mais um engano de Satanás para iludir pessoas e deturpar a mensagem clara do evangelho. Não há mais o que fazer quando a alma de alguém entra no seu estado eterno, pois “aos homens está ordenado morrer uma só vez, e depois disto segue-se o juízo”; a oportunidade de acerto de contas com o Senhor é somente em vida. Após esta curta peregrinação não há mais uma segunda chance.
Sabemos que é preciso viver com convicções. Pautar nossas vidas por convicções é importantíssimo. Mas não somente viver, é necessário morrer com convicções. Alguém disse que o importante não é começar bem, é terminar melhor. Sendo assim, neste capítulo 15 de 1 Coríntios em que Paulo traz à baila a verdade acerca da ressurreição dos mortos, fiquei refletindo sobre a necessidade de chegar ao fim da vida de uma forma agradável ao Senhor. Chegaremos ao fim da vida na velhice, com corpos doloridos e sem vigor, mas como ter uma morte que glorifica a Deus? Não sabemos quando será a data da partida, por isso mesmo é essencial cultivar uma perspectiva correta sobre a morte.

COMO PODEMOS TER UMA MORTE QUE GLORIFICA A DEUS?  Estando alicerçados em pelo menos cinco convicções, com base no texto em 1 Coríntios 15.

"Quer comais, quer bebais, fazei tudo para a glória de Deus." Isto é, tanto a nossa vida, como a nossa morte deve servir para trazer glória ao nome do Senhor. 
"Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor." (Rm. 14:8)

1) Morra convicto de que a história tem um rumo certo (vs. 24-28)
A história não é um barco à deriva. Não estamos rumando sem direção, pois quem governa a história é o próprio Deus. O Senhor não deu corda a este mundo e deixou-o sem rumo, apenas seguindo as leis da física (leis de Newton, e outros cientistas). Para o cristão, o mundo não caminha para o caos, para o desastre e para a ruína. Haverá um tempo em que o Senhor restabelecerá todas as coisas conforme decretou antes da criação, para que o Seu próprio nome seja exaltado sobre tudo e sobre todos.
Este mundo com todas as suas mazelas, sob a influência do príncipe da potestade do ar, não está isento do controle soberano. Deus sabe o fim desde o começo. A história está escrita, Satanás sabe que o fim dele foi decretado na cruz (a cabeça da serpente foi esmagada de uma vez por todas) e com um sopro da boca do Senhor, a Bíblia afirma que Satanás será derrotado. Podemos cantar com segurança: “Que consolação tem meu coração, descansando no poder de Deus”. Ele governa, Ele reina, Ele tem o centro em suas mãos e tudo está sob o Seu controle; o fechamento da história não é uma incógnita para o Senhor.

2) Morra convicto de que lutou contra o pecado (vs. 34a)
Chesterton afirmou: “Somente uma coisa morta segue a correnteza. Tem que se estar vivo para contrariá-la.”Novas criaturas em Cristo, que foram vivificados pelo Espírito de Deus, lutam contra o pecado. Não baixam a guarda, não abrem concessões e não negociam princípios. A essência do viver do crente é combater o pecado que tenazmente nos assedia. Para correr com perseverança a carreira cristã e chegar ao fim da linha com coragem e vigor, faz-se necessário desembaraçarmo-nos de todo peso do pecado. Isto exige suor e esforço, exercício constante de reprovação da nossa natureza caída que herdamos de Adão.
Chegar ao fim da linha sem a convicção de que lutou contra o pecado é um atestado de falência da nossa espiritualidade.Cristo nos deu condições de lutar com as armas corretas, pondo abaixo o orgulho que fornece lenha para tantos outros pecados. Não faz o menor sentido alguém viver em apostasia (abandonar a fé de modo continuado e irreversível sem arrependimento) e ainda assim querer um lugar no céu. O cristão luta contra o pecado e combate esta luta até o último suspiro de sua vida.

3) Morra convicto de que buscou conhecer a Deus (vs. 34b)
Conhecer a Deus é manter um relacionamento com Ele. Tal relacionamento não é possível sem a mediação do Senhor Jesus e sem a instrução das Escrituras. O cristão é alguém que não cansa de meditar nas verdades bíblicas, e se empenha com vigor em aprimorar o seu relacionamento com Deus sabendo mais sobre o Senhor. O salmista expressou este desejo profundo da seguinte forma: “Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais que o mel à minha boca. Por meio dos teus preceitos, consigo entendimento” (Sl. 119: 103,104). Somente alguém que tem prazer na Palavra de Deus pode afirmar que conhece ao Senhor.
A Palavra de Deus não deve ser rejeitada, considerada amarga, ou colocada em plano secundário em nosso viver. O apetite do cristão pelas verdades espirituais é um claro indicativo de seu progresso na fé. Precisamos chegar ao leito de morte com a convicção de que não deixamos de lado as oportunidades para conhecer mais a Deus. “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor” (Os. 6:3):o profeta Oséias destaca que este processo tem efeito de continuidade e não esporádico.

4) Morra convicto da bendita expectativa da ressurreição (vs. 42, 43)
A morte não é um ponto final. Poderia ser apenas reticências... Quando nos despedimos de um ente querido que morreu em Cristo Jesus, não é um adeus; é apenas um até breve. Esta bendita expectativa é um poderoso antídoto contra a apatia e a falta de brilho em nossas vidas. O cristão deve viver com os olhos fitos no céu, sem alienar-se das batalhas que tem nesta terra, mas sempre focado no reino ao qual pertence.
A morte não deve nos alarmar ou trazer algum tipo de pavor. Precisamos estar preparados para quando o momento chegar. E não há nada mais importante do que termos uma mentalidade celestial, que contempla além dos limites deste mundo tão passageiro e ilusório. O poder de Deus trará a existência corpos que morreram há milhares de anos para unirem-se com as almas, isto é uma promessa bíblica. Se chegarmos ao leito de morte sem esta esperança real, podemos ser considerados os mais miseráveis e infelizes da face da terra.
O Senhor Jesus disse a Marta que estava chorosa e angustiada pela morte do seu irmão Lázaro: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.” (Jo. 11:25). Tal promessa não se restringia somente àquele momento na pequena vila de Betânia. Aqueles que morreram crendo em Cristo hão de ressurgir para habitar eternamente com o Senhor, gozando da mais perfeita paz e louvando a Cristo pela obra da cruz.

5) Morra convicto de que prestou serviço ao Senhor (vs. 58)
Servir ao Senhor é o maior privilégio que alguém pode ter. Estamos falando do serviço autêntico, feito conforme as orientações do Senhor e sem a busca de interesses menores (elogios, aplausos, fama). O serviço ao Senhor não deve ser realizado sob coação, sem regozijo e sem corações rendidos. Servir ao Senhor com alegria é o padrão bíblico. Servir ao Senhor por gratidão eterna, constrangidos pelo seu imenso amor, deve ser a nossa maior motivação nesta terra.
O serviço ao Senhor refere-se a nossa mais profunda identidade. Ou seja, quem somos em Cristo (remidos, justificados, comprados, santificados, herdeiros, novas criaturas, peregrinos, povo eleito, sacerdócio real, nação santa), define como agiremos em face de tudo que fomos agraciados.Até mesmo o caminho de Cristo foi um caminho de serviço: “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (Mc 10:45)Cristo é o nosso referencial; portanto, em nossos lares, empresas, igreja e relacionamentos, devemos espelhar o ideal do Senhor para nós.

























sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O fundamento da nossa fé

No capítulo 15 da carta aos Coríntios, Paulo apresenta o ensino sobre a ressureição para fortalecer as bases doutrinárias da igreja de Corinto. Algum grupo herético estava semeando o falso ensino de que não existia ressurreição. Com base na filosofia grega, havia em Corinto uma forte tendência ao ceticismo que assinalava a morte como um ponto final. Do lado gentio, o dualismo ensinava que o corpo é mau em si (prisão da alma) e que não teria mais nenhum propósito após a morte. Do lado judeu, os saduceus encaravam a vida sob um ponto de vista materialista, a ponto de desprezar milagres que rompiam a ordem natural das coisas. Paulo rebate estes ensinamentos errôneos trazendo à tona a veracidade das Escrituras (vs. 3-4) e a confiabilidade das testemunhas que viram o Senhor ressurreto (vs. 6-8). A ressurreição dos mortos é um ensino bíblico no qual devemos perseverar (vs. 1), isto é, não deixando definhar a bendita esperança que nos motiva na peregrinação cristã.

A ressurreição de Cristo é o sólido fundamento da nossa fé

Esta afirmação pode ser comprovada por alguns argumentos com base no texto em 1 Coríntios 15: 1-19:

1. Sem a ressurreição de Cristo, a pregação do Evangelho perderia sua eficácia (vs. 14): “é vã a nossa pregação”. Sem o fundamento da ressurreição, a proclamação das benditas verdades do Evangelho perde totalmente a razão de ser, tendo em vista que não aponta para uma esperança real fora desta vida.

2. Sem a ressureição de Cristo, o cristianismo se tornaria sem sentido (vs. 14): “é vã a nossa fé”. Sem o fundamento da ressurreição, toda a doutrina e prática cristã se torna vazia e destituída de propósito efetivo. O cristianismo passa a ser meramente um conjunto formal de princípios morais para um viver adequado neste mundo.

3. Sem a ressurreição de Cristo, a verdade de Deus seria colocada em xeque (vs. 15): “temos asseverado contra Deus que Ele ressuscitou a Cristo.” As Escrituras apontam para a morte e ressurreição de Cristo de modo a glorificar o plano de salvação estabelecido desde os tempos eternos.

4. Sem a ressureição de Cristo, a penalidade do pecado continuaria sobre nós (vs. 17b): “ainda permaneceis nos vossos pecados”. A ressurreição foi uma prova de que Deus aceitou o sacrifício de Seu filho e que a justificação do pecador foi totalmente eficaz (Rm. 4:25), não restando mais nenhum débito em nome do pecador.

5. Sem a ressureição de Cristo, a morte ainda seria um estorvo para nós (vs. 18): “os que dormiram em Cristo pereceram”. O pecado de Adão trouxe morte a todos os homens (tanto física, quanto espiritual). De outra forma, o sacrifício perfeito de Cristo ratificado pela ressurreição gloriosa, traz vida abundante ao pecador (aqui e na eternidade).

6. Sem a ressurreição de Cristo, a nossa existência se resumiria em grande ilusão e frustração (vs. 19): “somos os mais infelizes de todos os homens”. Se não temos o que enxergar além dos horizontes desta vida tão breve, se nossos olhos não contemplam a realidade espiritual que está no porvir e se não conseguimos ter regozijo ante a esperança eterna, há sérios problemas com a nossa concepção de cristianismo.

 

Estudo EBD Jovens
IBR Jardim Amazonas / Petrolina

terça-feira, 22 de setembro de 2015

A MENTE COMO INSTRUMENTO DE ADORAÇÃO

Paulo argumenta que os cristãos de Corinto não desprezem o recurso da razão no culto prestado ao Senhor. A mente do crente não deve ficar infrutífera no processo de santificação e adoração. Vejamos algumas afirmações de Paulo sobre o assunto em 1 Coríntios 14:

“Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente.” (vs. 15)

“Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com meu entendimento para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua” (vs. 19)

“Irmão, não sejais meninos no juízo, na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos” (vs. 20)

Note a palavra “juízo” neste versículo que significa: a mente, a faculdade de perceber e julgar (phern - de uma raiz arcaica que significa controlar, frear). A ideia por traz do termo é que o uso adequado da razão funciona como um controle ou freio para evitar disparates.

A profecia deveria ser julgada com a mente, tendo como parâmetro a coerência com o ensino de Cristo e dos apóstolos. Para nós hoje, os parâmetros precisam ter como ponto de partida e chegada a Palavra de Deus completa e suficiente em si mesma. Portanto, o uso da mente é imprescindível. Até mesmo nossas emoções devem passar pelo crivo da mente, para que possam ser identificadas como legítimas ou não.

O que observamos em nossos dias é o total desprezo pelo juízo do que é dito ou pregado. Doutrinas nascem aleatoriamente e são aceitas sem critério por pessoas que não se interessam em checar as Escrituras com suas mentes. Há uma supervalorização das experiências individuais e do pragmatismo, em detrimento da necessidade do juízo coerente.

O raciocínio dado pelo Senhor não deve ser relegado a segundo plano, porque é através da mente que prestamos um culto racional e aceitável a Deus. Fomos presenteados com a razão para que não sejamos infrutíferos no nosso relacionamento com o Senhor. Não somos salvos sem que a verdade do Evangelho penetre nossas mentes e também não somos santificados sem que nossas mentes sejam encharcadas com a essência do Evangelho.

A confusão e desordem no meio da igreja é resultado direto do desprezo à instrução bíblica e da falha em exercitar o juízo adequadamente. Que sejamos cristãos cada vez mais influenciados pela verdade bíblica, tendo nossas mentes sempre cheias de verdades e princípios úteis para nos guiar nesta curta peregrinação na terra. Nós fomos chamados a pensar utilizando toda a capacidade dada por Deus para ponderar e compreender sob a supervisão do Espírito Santo. Portanto, adoremos ao Senhor em espírito em verdade, certos de que Ele receberá o culto prestado que está em harmonia com os parâmetros das Escrituras.