sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A excelência do Cristianismo

Abaixo uma citação extraída de uma pastoral escrita por Hernandes Dias Lopes, sobre a excelência do Cristianismo:

"O Cristianismo contraria o materialismo. O homem não é só matéria. Ele é um ser moral e espiritual que tem responsabilidade consigo, com a família, com a sociedade e com Deus. O Cristianismo contraria o humanismo. O homem não é o centro do universo. Deus o é. A antropolatria é uma insanidade espiritual. O Cristianismo contraria o existencialismo. A vida não é só o aqui e o agora. Existe uma eternidade pela frente. A vida não é um poço de desespero. Jesus acabou com a perspectiva de náuseas da vida. O Cristianismo contraria o utilitarismo. A vida não é só uma corrida frenética atrás da riqueza e da autopromoção. O homem não é um objeto descartável para ser usado, explorado e jogado no lixo. O homem é alvo do infinito amor de Deus. O Cristianismo contraria o hedonismo. A finalidade da vida não é o prazer carnal, a satisfação dos desejos imediatos. O supremo propósito da vida é a glória de Deus."




terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A solenidade do genuíno culto a Deus

Texto-Bíblico: Malaquias 1: 7, 8, 10, 12, 13, 14a

Um dos aspectos do culto no AT era o sacrifício de animais para expiar pecados do ofertante. Mas os sacerdotes estavam ofertando animais impuros e defeituosos no templo sem nenhum constrangimento. A denúncia do profeta Malaquias é extensa, pois tem o objetivo de enfatizar a gravidade de tais atitudes. O profeta inspirado por Deus sugere que seria melhor fechar as portas do templo e suspender os sacrifícios, pois o Senhor não estava aceitando nenhum deles. A indiferença dos sacerdotes era tão grande que não levaram em conta o mandamento do Senhor em Dt. 17:1: “Não sacrificarás ao Senhor, teu Deus, novilho ou ovelha em que haja imperfeição ou algum defeito grave; pois é abominação ao Senhor, teu Deus.” Portanto, estes sacrifícios causavam total repugnância da parte de Deus. O veredicto divino é bem claro: "Eu não tenho prazer em vós, diz o Senhor dos Exércitos, nem aceitarei da vossa mão a oferta." Nenhum culto é aceitável a Deus quando o padrão exigido por Ele é abandonado ou desprezado. Deus definitivamente não suporta iniqüidade associada ao ajuntamento solene (Is. 1:13). O Senhor reprova aqueles que fazem a Sua obra relaxadamente (Jr. 48:10).

O profeta Isaías também fez várias denúncias contra Israel sobre o culto que era prestado a Deus: “Este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu” (Is. 29:13). O cristão que chega ao ponto de cultuar a Deus de forma mecânica sem a sinceridade de coração torna-se cada vez mais indiferente à medida que o tempo passa. Precisamos prestar atenção às palavras que entoamos ou às orações de confissão de pecados que fazemos, para que a indiferença não nos domine.

Nossa vida inteira deve ser um culto a Deus. Mas precisamos lembrar que qualquer ato de adoração só será aceito por Deus quando feito sob a orientação de Deus. Quando desconsideramos a necessidade do culto genuíno a Deus, assumimos a atitude de indiferença para com as coisas de Deus e concluímos erroneamente que seremos aceitos por Ele. Precisamos entender que nem tudo que é feito 'em nome de Jesus' possui a aprovação divina. Infelizmente, os cultos em muitas igrejas que carregam o nome de cristãs não exaltam o Nome de Cristo e Sua Palavra. Deus não se agrada de tudo o que fazemos supostamente em seu nome, por isso devemos ser obedientes a Ele e descobrir o que realmente lhe agrada. Nas Institutas, Calvino escreveu que "somente a Deus compete estabelecer o modo como importa ser adorado."

Recentemente a Rede Globo promoveu o Troféu Promessas para premiar os melhores nomes da música gospel brasileira. A mesma rede de televisão que apóia o homossexualismo e a degeneração da família agora deseja engolir a fatia do mercado evangélico. Foi um culto?!

O verdadeiro culto a Deus implica em entrega e renúncia. Mas muitas vezes o que oferecemos a Deus são as sobras: a sobra do nosso tempo, a sobra da nossa energia, a sobra da nossa atenção, a sobra dos nossos bens, a sobra de nossos recursos, a sobra de nossos talentos, a sobra de nós. Isto nunca será aceitável a Deus, pois Ele é digno da excelência em tudo o que ofertamos para Ele. Importa que os verdadeiros adoradores adorem a Deus em espírito e em verdade, pois sabemos que o Senhor conhece as reais intenções do coração.

O que você tem ofertado a Deus? Será que Deus aceita o culto que você presta a Ele? É uma pergunta retórica que exige profunda reflexão. E como toda a nossa vida deve ser vivida como um culto a Deus amplia-se a abrangência da resposta. Malaquias falou para pessoas que transformaram o culto a Deus numa adoração mecânica e desprovida de significado real. Será que nós não estamos inseridos no mesmo contexto do profeta Malaquias? Precisamos acordar da nossa indiferença para com o Senhor e buscar mais e mais viver em comunhão com Ele, sem negligenciar a importância da adoração que Ele requer de nós.


MARCOS AURÉLIO DE MELO
SERMÃO COM BASE EM MALAQUIAS 1

A realidade da supremacia de Deus

Texto-bíblico: Malaquias1: 5, 6, 11, 14b

O texto bíblico apresenta repetidamente a ideia da grandeza de Deus e do zelo que Ele tem por Seu próprio Nome. O profeta Malaquias lembra que Deus é o Senhor e Pai da nação israelita, mas este fato não foi levado em conta pelos sacerdotes que ofereciam sacrifícios imundos no templo. A supremacia do Senhor era notável em toda a terra desde o nascente até o poente. Mas os sacerdotes desconsideravam abertamente a realidade da supremacia do Senhor dos Exércitos, cujo nome é terrível entre as nações. Por meio do seu profeta, Deus denunciou a falta de temor e respeito para com o Seu Nome Excelso. Este fato testifica que a indiferença reinava nos corações de todos os sacerdotes da nação de Israel.

Numa de suas cartas a Erasmo de Roterdã, Lutero escreveu: "As tuas ideias sobre Deus são demasiadamente humanas". O deus de que se fala atualmente, principalmente no Teísmo Aberto, foi diminuído para caber nos argumentos humanistas e se adaptar ao sentimentalismo vazio. Mas o Deus que as Escrituras revelam é o Totalmente Outro. O Deus das Escrituras é grande em força e forte em poder, majestoso e soberano, Rei e Senhor, Criador e Sustentador da vida, magnífico, exaltado, sublime e vitorioso. Ele habita em alto e sublime trono por toda a eternidade e nada foge do Seu domínio. Quando recebeu as ofertas do povo para a construção do templo, Davi orou em alta voz: “Teu, Senhor, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, Senhor, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos. Riquezas e glória vêm de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força” (1 Crônicas 29:11-12).

Deus tem zelo por sua própria glória sem egoísmo, porque nEle não há pecado. Deus diz “a minha glória, não a darei a outrem” (Is. 48:11), porque não há ninguém maior em santidade, honra e poder. "A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual? — diz o Santo" (Is. 40:25). Deus é Supremo criador e benfeitor, que faz todas as coisas para que o Seu nome seja exaltado e glorificado. O Deus que abriu o Mar Vermelho, que fez a terra parar de girar, que destronou reis e levantou nações, que guiou o Seu povo no deserto e fez cair alimento do céu, que derrubou as muralhas de Jericó e conquistou a terra de Canaã.

As percepções inadequadas sobre a pessoa de Deus resultam em indiferença no relacionamento com Ele. Quando Deus não é honrado e glorificado como Supremo Senhor, a indiferença em nossas vidas torna-se visível. Precisamos ter uma visão clara sobre a majestade e supremacia do nosso Deus para que possamos banir qualquer vestígio de indiferença das nossas vidas. J. I. Paker, no seu livro “O conhecimento de Deus” faz um sério alerto aos leitores logo nas primeiras páginas: “Despreze a visão correta sobre Deus e você estará sentenciando a si mesmo a passar a vida aos tropeções, como um cego, sem nenhum senso de direção.”

Muitos naufrágios espirituais iniciaram por uma visão inadequada sobre Deus e sua Majestade. Alguns cristãos que corriam bem já não estão na corrida porque começaram a desconsiderar a grandeza do Senhor em suas vidas. O cristianismo hoje em dia se encontra raquítico porque muitos pastores desprezaram a percepção gloriosa da supremacia de Deus. Por isso é fundamental termos uma teologia correta com base na verdade das Escrituras.

Você há de concordar que não sobra espaço para a indiferença em nossas vidas se considerarmos a insondável grandeza de Deus. O salmista Davi reconheceu a importância disto: “Meditarei no glorioso esplendor da tua majestade e nas tuas maravilhas. Falarei do poder dos teus feitos tremendos e contarei a tua grandeza” (Salmo 145: 6-7). Quando o profeta Isaías contemplou a beleza da Majestade divina ele não ficou indiferente ao chamado divino para a Sua vida, mas prontamente se dispôs: “Eis-me aqui, envia-me a mim.”

O nosso Deus é grande e majestoso, A Ele rendamos sempre honra e louvor!
 
 
MARCOS AURÉLIO DE MELO
SERMÃO COM BASE EM MALAQUIAS 1

A singularidade do amor de Deus

Texto-Bìblico: Malaquias 1: 2-4

O amor de Deus por Seu povo sempre foi singular. Dentre todas as famílias da terra, Deus escolheu a família de Israel para fazer dela uma grande nação. Tudo começou com o chamado de Abraão em Gênesis 12. Dos filhos de Abraão, Deus escolheu soberanamente Isaque, e dos filhos de Isaque, Deus amou singularmente Jacó. O apóstolo Paulo utiliza este mesmo texto no livro de Romanos (Rm. 9:13) para argumentar sobre a escolha soberana de Deus na salvação de pecadores. Em Romanos 9:16, Paulo afirma que a salvação “não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a Sua misericórdia”.

Toda a história do povo de Israel está permeada com o amor singular de Deus, demonstrado de várias maneiras. Os hebreus sempre estiveram cercados de privilégios sem precedentes por causa do amor de Deus. Em Deuteronômio 7:7-8, Moisés afirma que o amor singular de Deus não levou em conta nenhum mérito do povo de Israel na Sua escolha soberana: "Não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o Senhor vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o Senhor vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito." Mesmo com tamanha demonstração de amor, o povo se tornou rebelde à voz do Senhor e indiferente aos Seus mandamentos. Em sua época, o profeta Jeremias também confrontou a indiferença do povo com base no eterno amor de Deus: “Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí” (Jr. 31:7). "Deus escolheu-nos para seu amor e agora nos ama por causa de sua escolha"

A indiferença se instala em nossos corações quando não levamos em consideração a singularidade do amor de Deus. O amor de Deus por nós nasceu na eternidade e atravessou os séculos para nos alcançar. Este amor maravilhoso não viu em nós mérito algum, porque todos somos pecadores: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5:8). É notório que o amor de Deus nos atraiu e nos alcançou graciosamente, através da obra perfeita de Cristo na cruz do Calvário. Além de sermos escolhidos pelo amor eterno de Deus, estamos seguros neste amor por toda a eternidade porque “nada poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm. 8:39). O amor eletivo de Cristo também é demonstrado nos Evangelhos. Dias antes de morrer, ele afirmou aos discípulos: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” (João 15:16).

Muitos cristãos estão mergulhados na indiferença porque passaram a desconsiderar a singularidade do eterno amor de Deus. Às vezes, por causa de alguma tragédia ou grave doença, o primeiro pensamento que surge é questionar o amor de Deus: “Se Deus me ama de fato, porque estou passando por esta situação?” Se este pensamento não for banido pela certeza do amor de Deus por nós deste a eternidade, a indiferença certamente reinará em nossas vidas.

Não é possível que continuemos vivendo em indiferença/apatia quando paramos para pensar no amor gracioso de Deus por nós. Nossos corações podem estar gélidos e apáticos porque não refletimos profundamente na realidade do amor de Deus por miseráveis pecadores. Quando a indiferença estiver rodando nossos corações, eu recomendo a leitura do texto bíblico em Efésios 1: 3-14. Neste texto, Paulo nos ensina que fomos escolhidos antes da fundação do mundo e predestinados em amor, para adoção de filhos, para louvor da graça de Deus. Deus derramou a Sua graça abundantemente sobre nós segundo o Seu plano soberano traçado na eternidade. Meditar na verdade maravilhosa do Evangelho derrete o gelo da indiferença de nossos corações, pois o amor de Cristo nos constrange a viver de modo que agrade ao Pai.
 
 
MARCOS AURÉLIO DE MELO
SERMÃO PREGADO COM BASE EM MALAQUIAS 1

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A alegria do cristão

TEXTO-BÍBLICO: 1 Pe. 1: 3 a 9

A alegria do cristão que está enfrentando provações se baseia em pelo menos três convicções:

1 – A misericórdia de Deus outorga-nos esperança real (vs. 3-4)

A esperança que temos está firmada na ressurreição do Senhor Jesus dentre os mortos. Sua vitória sobre a morte é o selo de aprovação divina, que nos garante que um dia nós também seremos ressuscitados para uma herança incorruptível e eterna. Paulo ensina que “Cristo ressuscitou dentre os mortos, seno ele as primícias dos que dormem” (1 Co. 15:20). Neste mesmo contexto Paulo escreve que “o último inimigo a se destruído é a morte” (1 Co. 15:26). Ou seja, devemos repousar na esperança da ressurreição que transformará nossos corpos corruptíveis em corpos incorruptíveis que habitarão eternamente com o Senhor. Não se trata de uma utopia ou visão ufanista do futuro. A nossa convicção sobre o futuro glorioso tem fundamento na ressurreição de Cristo dentre os mortos. Este convicção enche os nossos corações de alegria em cada momento de sofrimento pelo qual passarmos neste mundo.


2 – O poder de Deus outorga-nos segurança real (vs. 5)

A despeito da gravidade ou intensidade das provações na vida do crente, a salvação é uma garantia que nada ou ninguém pode nos roubar. Deus guardará o Seu povo pelo Seu eterno poder. Ele começou boa obra em nós e Sua fidelidade não deixará a obra incompleta (Fl. 1:6). Sendo assim, precisamos encarar as provações sob a ótica da Palavra de Deus. Nada vai impedir-nos de cruzar a linha de chegada se estivermos seguros no poder de Deus. A convicção de Paulo era bem firme: "nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm. 8: 38-39). Em meio às lutas e provações precisamos lembrar que não há mérito nenhum em nós mesmos; somos preservados exclusivamente pelo poder de Deus.


3 – O propósito de Deus outorga-nos confiança real (vs. 7)

Charles Spurgeon sabiamente escreveu: “A fé não provada talvez até seja fé, mas, com certeza, é uma fé muito pequena, e é provável que continue diminuta enquanto não for testada. A fé nunca se desenvolve tão bem quanto na época em que as coisas estão todas contra ela: as tempestades são seu guia e os relâmpagos sua luz. Nenhuma fé é tão preciosa quanto aquela que vive e triunfa na adversidade.” Precisamos confiar que Deus não erra ao definir Seus propósitos por meio das provações em nosso viver. O que é ruim e pesaroso sob a nossa visão limitada, possui o sublime propósito de nos aperfeiçoar e tornar-nos mais semelhantes a Cristo Jesus. Na galeria dos heróis da fé em Hebreus 11 não percebemos nenhuma história de vida isenta de provações. Mas o propósito de Deus foi cumprido completamente na vida de todos eles, homens dos quais este mundo não era digno.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

ENCORAJAMENTO

TEXTO BÍBLICO: I CORINTIOS 4: 13-18

TEMA: ENCORAJAMENTO

O ex-presidente Lula está passando por um tratamento de quimioterapia contra um câncer que foi diagnosticado na laringe. Ele até já rapou a cabeça antes dos efeitos da quimioterapia. E neste momento de abatimento e temor, muitas pessoas (celebridades e desconhecidos) enviam mensagens de conforto e esperança para o ex-presidente. Algumas mensagens de encorajamento de presidentes, cantores e artistas também foram apresentadas na mídia.

O texto bíblico em epígrafe é uma grandiosa mensagem de encorajamento. Obviamente não se trata de um encorajamento antropocêntrico, ou seja, centrado no homem. Mas se trata de um encorajamento teocêntrico, centrado em Deus e na Sua Palavra. Nesta sociedade humanista em que vivemos a tônica para o sucesso está na motivação pessoal. Muitos livros são produzidos anualmente nesta área de motivação. Mas qualquer tipo de encorajamento ou motivação centrado no homem tende a ser apenas momentâneo. Vamos abordar o encorajamento que possui durabilidade e tem base sólida em Deus. Por isso eu gostaria de afirmar que:

ALGUMAS CERTEZAS TRAZEM ENCORAJAMENTO PARA O CRENTE DIANTE DAS AFLIÇÕES

Quais são as certezas que trazem encorajamento para o crente diante das aflições?
1 – UM TRIUNFO GLORIOSO ESTÁ GARANTIDO APESAR DAS AFLIÇÕES (VS. 14, 17)

Humanamente falando o pior que pode acontecer conosco é a morte. Mas temos a promessa que ressuscitaremos com Cristo, e habitaremos para sempre com o Senhor. Esta promessa nada ou ninguém pode roubar de nós. Paulo inicia sua epístola aos Coríntios, com base na esperança de ressurreição: “De fato, já tínhamos sobre nós a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos” (2 Cor. 1:9). Sendo assim, o cristão precisa cultivar anseios que o levam a pensar no dia em que vai encontrar-se com Cristo. O apóstolo Paulo nos ensina no verso 17 que o peso de todas as aflições temporais era leve em si, enquanto a glória vindoura era uma substância de peso e duração além de qualquer descrição.

Temos a tendência de concentrar-nos apenas nos anos que viveremos neste mundo. Por isso, muitas vezes ignoramos as promessas quanto ao futuro glorioso que nos aguarda. Precisamos desta certeza diariamente: a eternidade ao lado de Cristo será um triunfo glorioso para todos os filhos de Deus. Ficamos perplexos diante das aflições e sem nenhum ânimo para prosseguir, porque a nossa esperança em Cristo está limitada apenas a esta vida (1 Cor. 15:19). A fé é convidada a fazer o seguinte: colocar em uma balança a aflição presente, no outro, a glória eterna. No máximo nossa aflição é para esta vida presente, que é como um vapor que aparece por um pouco de tempo e então desaparece.

Jesus nos ensinou no Sermão do Monte que as perseguições sofridas deveriam encher o coração de alegria: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.” (Mt. 5:11-12). Escrevendo aos Romanos, Paulo nos assegura: "Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós." (Rm. 8:18)


2 – ESTAMOS SENDO APERFEIÇOADOS POR MEIO DAS AFLIÇÕES (VS. 16)

Em meio às provações o nosso homem interior se renova de dia em dia. Deus utiliza o sofrimento na vida dos seus filhos para que eles se assemelhem mais e mais com Jesus Cristo. A Bíblia diz que estamos sendo transformados de glória em glória (2 Cor. 3:18) na perfeita imagem do Senhor Jesus. E o método que Deus escolheu para continuar este processo de santificação não exclui dores e aflições. Ou seja, as aflições não podem ser encaradas com desconfiança, pois o Divino Oleiro está trabalhando em nós para que sejamos um vaso útil ao possuidor.

O salmista Davi conclui sabiamente que o propósito das aflições é aperfeiçoar o servo de Deus: "Antes de ser afligido andava errado; mas agora tenho guardado a tua palavra" e "Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus decretos" (Salmo 119: 67 e 71).

José entendeu que as aflições que teve ao longo de sua vida foram úteis para que ele se tornasse vice-rei do Egito. Deus trabalhou em José de uma forma providencial em meio às dificuldades que ele enfrentou. Aqueles anos de cativeiro no Egito foram essenciais para o aperfeiçoamento do caráter de José, um homem forjado no calor da provação.

Quando o crente age biblicamente diante das aflições em sua vida é uma prova de que ele está sendo transformado. Foi assim que o escritor C. S. Lewis resumiu o assunto:

"Nós somos, não em metáfora, mas verdadeiramente, uma obra-de-arte divina, algo que Deus está fazendo, e portanto, algo com o qual Ele não ficará satisfeito até que possua umas tantas e determinadas características."
Em João 15:2, lemos que o Agricultor está interessado em que os ramos produzam muito fruto, por isso o serviço de poda é essencial. Da mesma forma, Deus trabalha nos crentes que produzem frutos, levando-os a situações de aflição para que produzam mais ainda. Deus trabalha as circunstâncias dolorosas da nossa vida e as canaliza para o nosso bem, QUE É CONFORMAR-NOS À CRISTO (Gn 50:20; Rm 8:28).

Se nós tivermos esta certeza diante das aflições vamos adotar um posicionamento totalmente diferente. Teremos ânimo para continuar a carreira cristã, pois sabemos que Deus tem interesse em nos moldar diariamente por meio das lutas e dissabores que enfrentamos. Por outro lado existem pessoas que se tornaram decepcionadas e amarguradas em meio às aflições, porque ainda não entenderam o real propósito das aflições em suas vidas.

3 – A NOSSA VISÃO ESPIRITUAL É REDIRECIONADA POR MEIO DAS AFLIÇÕES (VS. 18)

Quando encaradas em submissão a Deus mediante obediência a Sua Palavra, as aflições possuem um efeito positivo em nossas vidas. Elas servem para redirecionar o foco de nossas vidas. Temos a tendência de enxergar apenas o que é temporal e o que pertence a este mundo. Mas quando passamos por aflições começamos a atentar para o que realmente tem valor, para o que é eterno.

Muitos servos de Deus tiveram sua visão espiritual redirecionada por meio das aflições. Jó enfrentou duras perdas e experimentou profunda provação em sua vida, mas ao final ele afirmou que sua visão espiritual foi aclarada: "Bem sei que tudo podes e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te veem." (Jó 42: 2 e 5)

Depois que Paulo ouviu que a graça do Senhor já era o bastante para sua vida, ele redirecionou sua visão do espinho da carne e passou a gloriar-se na sua fraqueza, para que o poder de Cristo repousasse sobre ele (2 Cor. 12: 7-10). As aflições na vida de Paulo redirecionaram sua visão para depender ainda mais de Deus e assim ele prosseguiu e completou sua carreira. Paulo nos ensina que depender exclusivamente da graça de Deus é suficiente para que sejamos vitoriosos em meio às lutas.

Você já redirecionou sua visão após ter passado por alguma aflição? Com certeza algumas coisas visíveis perdem o valor e o que é eterno passa a ser muito mais apreciado. John Piper escreveu que “o sofrimento nos desmama do mundo e nos ensina a viver em Deus, que é invisível.”

O crente não pode estranhar o sofrimento como se fosse algo incompatível com a vida cristã. O crente até mesmo tem que esperar as provações, porque vivemos num mundo caído e hostil. John Bunyan, o famoso escritor do livro O Peregrino, escreveu outro livro que descreve o tempo de sofrimento que ele enfrentou na prisão. Neste livro, ele apresenta os frutos da aflição em sua vida: “Em tempos de aflição nós encontramos frequentemente as mais doces experiências do amor de Deus.”

A. W. PINK nos ensina: “Aflição afasta nosso coração do amor pelo mundo; nos faz almejar mais por aquele tempo em que seremos tirados deste mundo de pecado e tristeza; nos permitirá apreciar as coisas que Deus tem preparado para os que O amam.” Pela fé, homens e mulheres de Deus reconheceram a importância das aflições em sua caminhada com Cristo. Que possamos seguir o exemplo destas pessoas, das quais o mundo nunca será digno.


MARCOS AURÉLIO DE MELO
HOMILIA PREGADA NO CULTO DE ORAÇÃO
DATA 24/11/2011

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Anorexia espiritual

Merece uma reflexão como anda a dieta espiritual dos cristãos de nossa geração, qual a quantidade e a qualidade do alimento oriundo da Palavra de Deus que vem sendo consumido. A fraca alimentação espiritual tem produzido alguns tipos de cristãos:

a) Crente “faquir”: Só se alimenta aos domingos, pois pensam que a pregação dominical dará os nutrientes necessários para sua vida espiritual.

b) Crente “Fast food”: Só faz a leitura da Palavra em devocionais prontos e somente ora antes das refeições e ao dormir.

c) Crente “Junk Food”: Consome lixo, porque se alimenta de pregações de auto-ajuda, da teologia da prosperidade, nos programas evangélicos da TV.

d) Crente “bulímico”: Vomita todo alimento espiritual que ingere, não retém nada, põe para fora por meio da crítica e da dureza de coração todas as verdades bíblicas.

Assim, a má qualidade nutricional da dieta espiritual de muitos cristãos vem estabelecendo uma geração de crentes desnutridos e que não se desenvolvem espiritualmente. É impossível que alguém viva um cristianismo bíblico sem a Bíblia, mas, infelizmente é a tarefa que muitos intentam fazer.

De forma geral, há um desinteresse dos cristãos pela Palavra de Deus, pois cada vez mais, a práxis cristã vem se moldando à necessidades e idiossincrasias humanas, e em virtude disso muitos cristãos cortaram de suas vidas as verdades inconvenientes das Escrituras, que confrontam os seus estilos de vidas. Por isso, infelizmente temos que firmar a constatação: vivemos em meio a uma geração de anoréxicos espirituais.


Extraído do Boletim da Igreja Batista Fundamentalista Cristo é Vida
Informissões ANO XXIII - Nº 861 - Fortaleza, 30 de outubro de 2011

domingo, 30 de outubro de 2011

Servindo com base na Graça


Imagine como seria a seguinte situação; você chega para o seu patrão, depois de uma entrevista de emprego e diz assim: “Olha, eu vou trabalhar na sua empresa, vou servi-lo, mas tem uma coisa: tem que ser do meu jeito. E no final do mês o meu salário tem que estar garantido." Com certeza, você seria rapidamente demitido daquela função.

Ninguém pode servir a Deus do próprio jeito, porque o próprio conceito de serviço de acordo com a Bíblia já envolve submissão e total reverência diante de Deus. Ele é digno de ser servido e adorado, mas se alguém quer servir a Deus do seu próprio modo, na verdade não está disposto a servi-lo de maneira nenhuma.

Quem prefere servir a Deus do seu próprio jeito talvez sem perceber esteja servido a um deus imaginário, um deus defeituoso, que não é o Deus da Bíblia. Mas é bom lembrar que esse deus imaginário que muitos servem do seu próprio jeito, não é confiável. Outros vão mais além, e dizem que “o que importa é o que o meu coração está sentido – o importante é que amo a Deus do meu jeito e isto é suficiente.” Na prática, quem insiste em servir a Deus do seu próprio modo, termina servindo a si mesmo, pois Deus não recebe nenhuma glória neste tipo de serviço. E quem confia no seu coração, não aprendeu que o coração é enganoso e cria falsas ilusões de um deus que não é o Deus das Escrituras.

O verdadeiro Deus é um ser pessoal, e Ele possui vontade própria, seus métodos e valores. Quem está interessado em servir a Deus precisa conhecer com precisão a maneira como Ele estabeleceu. A Bíblia nos apresenta que o padrão para o serviço a Deus é com base na graça, e não com base no mérito ou nas boas obras que alguém pratica. Muitas pessoas se esforçam e lutam para mostrar que são caridosas e que cumprem as regras da sua religião, porque pensam que o seu jeito de servir a Deus está certo. Outras pessoas querem servir a Deus do seu jeito porque ainda não entenderam quem é o Deus das Escrituras com seus perfeitos atributos. Mas preste atenção: Se o nosso serviço a Deus não está firmado na verdade da Sua Palavra e na graça demonstrada na cruz de Cristo, todo o nosso serviço é vão.

Somente a graça de Deus demonstrada em Cristo Jesus nos liberta para um serviço verdadeiro. Teremos prazer em servir a Deus quando compreendemos a profundidade da maravilhosa graça que a cruz revela. Concluindo: se você está se esforçando para servir a Deus do seu próprio jeito e já suou a camisa carregando fardos pesados, é hora de ouvir o que Cristo no diz em Mateus 11:28-30: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve."


MARCOS AURÉLIO DE MELO

MEDITAÇÃO PARA PROGRAMA VIVA COM CRISTO


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Das trevas para a luz


"O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz." (Mateus 4:16)

O homem sem Cristo vive em total escuridão. Ele está em trevas e precisa conhecer o Evangelho para que possa habitar na luz. Em 1 Pedro 2:9, lemos que o povo de Deus foi chamado das trevas para a maravilhosa luz por intermédio de Cristo Jesus. Em Atos 26:18, lemos que o apóstolo Paulo foi enviado como ministro do Evangelho aos gentios "para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz."

O problema é que o homem natural não consegue discernir a gravidade de sua triste situação. Ele caminha trôpego nas trevas, mas isto lhe parece normal. Ele não consegue enxergar os perigos que cercam a sua alma porque está voltado para satisfazer os seus desejos imediatos. Então, a vida prossegue em negra escuridão.

Somente a luz do Evangelho de Cristo pode fazer a diferença na vida de alguém. As filosofias de nossa época, o progresso na educação, o cultivo da auto-estima, nada disso é eficaz para tirar o homem das trevas em que vive. A solução é a mensagem transformadora do Evangelho, pois Cristo é a luz do mundo.

Que todos nós, salvos pelo Cordeiro, sejamos impelidos a propagar a verdadeira luz neste mundo. Que sejamos faróis a mostrar às pessoas que vivem nas trevas a beleza do Evangelho puro e simples que resplandeceu em nossos corações.


MARCOS AURÉLIO DE MELO

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Justificação X Santificação


Sobre o efeito que a justificação tem na vida do homem, o Dr. Donald Grey Barnhouse apresenta um esclarecimento muito pertinente no seu comentário sobre a epístola aos Romanos:


"Embora a justificação não seja a santificação, ela deve produzir a santificação. A santidade deve ser o critério da vida cristã. Cristo veio para salvar seu povo de seus pecados (Mt 1.21). Eles não seriam salvos em meio a seus pecados e, depois, submetidos a eles de novo. Embora os homens busquem perverter o evangelho, os cristãos não devem ser colocados em qualquer posição diferente daquela que exige santidade e conduz à santidade...

A justificação e a santificação são tão inseparáveis como a cabeça e o tronco. Não podemos ter um sem o outro. Deus não dá “justiça gratuita” sem novidade de vida. Embora a justificação, em sua ação, não tenha nada a ver com a santificação, não concluímos que a santificação é desnecessária. “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). A santidade começa onde a justificação termina; e, se a santidade não começa, temos o direito de suspeitar que a justificação também nunca começou”.

 
Donald Grey Barnhouse

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Três coisas que aprendemos em Romanos 8:35

"Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?" (Rm. 8:35)


1 - Cristo nos ama agora

Uma mulher pode dizer de seu falecido marido: Nada vai me separar do amor dele. Ela pode querer dizer que a memória do amor dele será doce e fortalecedora por toda a vida. Mas não é isso que Paulo quer dizer aqui. Em Romanos 8:34 está escrito: "É Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós." A razão pela qual Paulo pode dizer que nada vai nos separar do amor de Cristo é porque Cristo está vivo e continua amando-nos agora. Ele está à direita de Deus e, portanto está intercedendo por nós, o que significa que Ele está cuidando para que a Sua obra de redenção nos proteja de hora em hora e nos dê segurança para a alegria eterna. Seu amor não é uma memória. É uma ação de momento a momento do onipotente Filho do Deus vivo para nos trazer a alegria eterna.

2. Este amor de Cristo é eficaz em proteger-nos da separação, e, portanto, não é um amor universal para todos, mas um amor especial pelo seu povo: aqueles que, de acordo com Romanos 8:28, Deus amou e foram chamados segundo o Seu propósito.

Este é o amor de Efésios 5:25: "Maridos amai vossas mulheres como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela". É o amor de Cristo para a igreja, Sua noiva. Cristo tem um amor por todos, mas Ele tem um amor especial, preservador e salvador, para com a Sua noiva. Você sabe que é parte da noiva se você confia em Cristo. Qualquer pessoa - sem exceções - qualquer um que confia em Cristo pode dizer, eu sou parte da Sua noiva, Sua igreja, os chamados e escolhidos, aqueles que o versículo 35 diz que são mantidos e protegidos para sempre não importa o que aconteça.


3. Este amor onipotente, eficaz e protetor não nos poupa das calamidades nesta vida, mas nos traz segurança para a alegria eterna com Deus.

A morte vai acontecer conosco, mas não vai nos separar. Então, quando Paulo diz no versículo 35 que a "espada" não vai nos separar do amor de Cristo, ele quer dizer: mesmo que sejamos mortos não estaremos separados do amor de Cristo.

Assim, o resumo do assunto no versículo 35 é este: Jesus Cristo está poderosamente amando o Seu povo com amor onipotente, momento a momento, que nem sempre nos resgata da calamidade, mas preserva-nos para a alegria eterna na presença dEle, mesmo através do sofrimento e da morte .


PASTOR JOHN PIPER



terça-feira, 6 de setembro de 2011

RESPONSABILIDADES DO SERVO DE DEUS

TEXTO-BÍBLICO: DEUTERONÔMIO 4: 1-8

INTRODUÇÃO

Na maioria das famílias, os filhos passam por etapas de desenvolvimento que se repetem. Chega uma determinada idade no desenvolvimento de uma criança que ela passa a assumir algumas pequenas responsabilidades outorgadas pelos pais, por exemplo, lavar os pratos do almoço. O tempo vai passando e o adolescente passa a assumir novas responsabilidades, por exemplo, ir ao banco depositar um dinheiro no caixa eletrônico. Chega a juventude e as responsabilidades já se tornam mais substanciais, por exemplo: dirigir o carro da família ou viajar sozinho de avião. E chegará o tempo em que este jovem irá casar e então terá que assumir responsabilidades ainda maiores como líder de um lar, provedor e sustentador. A mulher também assumirá responsabilidades que importantes para o equilíbrio dentro do seu lar. É assim que acontece na maioria das famílias e poderíamos resumir esta linha de pensamento da seguinte forma: “quanto maior a liberdade, maior é a responsabilidade envolvida.”

E por falar em responsabilidades, o texto bíblico que foi lido apresenta algumas responsabilidades que Deus delineou para povo de Israel. Eles foram libertos da escravidão do Egito e depois de 40 anos peregrinando no deserto, agora estavam prestes a entrar de fato na terra de Canaã prometida ao patriarca Abraão. Neste contexto há uma nova porta aberta para os filhos de Israel. Dentro em breve eles teriam uma terra fértil onde poderiam plantar e colher para alimentar suas famílias. E é verdade que as bênçãos de Deus sempre são acompanhadas de responsabilidades para os seus filhos.

O texto bíblico inicia com uma frase que se repete muito no Antigo Testamento: “Agora, pois, ouve ó Israel.” A palavra traduzida como “ouvir” significa prestar atenção completa, sem perder nenhuma palavra. Então, o que está em evidência aqui é que Moisés convoca o seu povo para estar 100% atento às responsabilidades que deveriam ser assumidas integralmente deste momento em diante.

“O SERVO DO SENHOR PRECISA ASSUMIR AS RESPONSABILIDADES APRESENTADAS NESTE TEXTO”

Algumas observações são importantes. Primeiro, as responsabilidades presentes neste texto bíblico devem ser assumidas individualmente, isto é, não é possível transferir ou terceirizar estas responsabilidades a outra pessoa. Segundo, as responsabilidades presentes neste texto não podem ser postergadas ou adiadas. É necessário que cada crente assuma imediatamente tais responsabilidades. E por último, as responsabilidades presentes neste texto não podem ser separadas. Ou seja, é necessário que o crente assuma todas estas responsabilidades, não apenas uma ou duas delas.

DE ACORDO COM ESTE TEXTO, O SERVO DO SENHOR PRECISA ASSUMIR PELO MENOS 4 (QUATRO) RESPONSABILIDADES.

I – A RESPONSABILIDADE DE NÃO ADULTERAR A PALAVRA DO SENHOR (VS. 2)

Os estatutos que o Senhor apresentou ao povo de Israel eram bem definidos. Moisés, foi encarregado por Deus para transmitir ao povo a Sua vontade, que deveria ser obedecida na íntegra ("Nada acrescentareis... nem diminuireis"). A responsabilidade do povo é bem clara neste versículo: os mandamentos do Senhor não deveriam ser adulterados para algum tipo de conveniência que o povo julgasse importante. A Palavra de Deus é suficiente e não necessita de acréscimos para sua completa eficácia. E nada que nela está pode ser suprimido sem os prejuízos decorrentes. Em Pv. 30:6 lemos: “Toda palavra de Deus é pura; ele é escudo para os que nele confiam. Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda, e sejas achado mentiroso.”

Paulo, escrevendo à igreja de Corinto defende o seu ministério como apóstolo: "não andando com astúcia, nem adulterando (doloo) a palavra de Deus; antes, nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade" (2 Co. 4:2). Paulo tinha a sua consciência tranqüila, pois nunca se utilizou de manipulação ou astúcia na pregação da Palavra de Deus. Ele sempre priorizou a manifestação da verdade, mesmo que tenha sido desprezado e humilhado por isso. Assim como Paulo, não devemos ludibriar ninguém com ensinos desautorizados pelas Escrituras. Esta é uma grande responsabilidade que pesa sobre cada um de nós.

Os fariseus eram peritos em adulterar a Palavra de Deus. Suas interpretações pessoais das Escrituras valiam ouro. Mas Jesus várias vezes repreendeu severamente estes “homens separados” porque se assentavam na cadeira de Moisés para adulterar a palavra de Deus.

Quando a Palavra de Deus é adulterada, começam a surgir ideias absurdas para acrescentar ou diminuir a abrangência das Escrituras. É verdade que os homens podem colocar nos lábios de Deus o que ele nunca falou, legislar em nome do Senhor e criar um evangelho totalmente estranho. Mas a Bíblia fala que eles serão julgados por isso. Além disso, quando a Palavra do Senhor é adulterada não surte o efeito necessário na vida das pessoas.

Não podemos ficar nem além e nem aquém do padrão das Escrituras. Quando ficamos aquém do padrão bíblico nos tornamos permissivos – o pecado já não passa a incomodar tanto. Quando ficamos além do padrão bíblico nos tornamos legalistas – tudo passa a ser ditado através de regras e normas. Os dois extremos são distorções da Palavra de Deus. O padrão correto é o que a Bíblia estipula. A Bíblia não nos outorga o direito de criar “achismos” ou “modismos”. A autoridade de qualquer ministro da Palavra nasce e morre nas Escrituras.

Muitas vezes teremos a oportunidade de apresentar a Palavra de Deus a alguém. Não devemos diluir a mensagem bíblica para ganhar mais um ouvinte; devemos falar o que ele precisa ouvir e não o que ele quer ouvir. Nos contatos diários com outras pessoas, a nossa responsabilidade primordial é sermos fiéis na transmissão dos ensinos bíblicos, mesmo que custe a nossa rejeição.

Lembre-se: Quando a palavra de Deus é adulterada os prejuízos são enormes. Por isso nós não devemos sair por aí espalhando falsas esperanças nome do Senhor, como os profetas da época de Jeremias. Cristo nunca prometeu o céu na terra ou uma vida sem sofrimentos, e nós, como discípulos d’Ele, devemos manter o mesmo discurso. Não seja um vendedor de ilusões, continue priorizando a verdade da Palavra de Deus.


II – A RESPONSABILIDADE DE NÃO IGNORAR A SANTIDADE DO SENHOR (VS. 3-4)

O fato que é relembrado neste versículo está registrado em Números 25:1-9, quando o povo de Israel começou a se prostituir com as filhas dos moabitas e sacrificar a Baal. Deus acendeu a sua santa ira contra os desobedientes e 24.000 pessoas morreram da praga. Enquanto muitos se lamentavam, um homem de Israel levou para dentro de sua tenda uma mulher midianita à vista de todos. Os dois foram mortos por Finéias com uma lança, e somente assim a praga cessou. Este episódio nos mostra que Finéias foi zeloso pelo Nome e pela santidade do Senhor. E o mesmo Deus que puniu severamente os adoradores em Baal-Peor continua vindicando a santidade do Seu Nome (Ez. 36:23). Ele continua sendo o mesmo Senhor glorificado em santidade.

Os sacerdotes tinham que usar uma mitra na testa onde estava escrito numa lâmina de ouro puro: "Santidade ao Senhor." (Ex. 28:36). Isto era um lembrete constante para o sacerdote sobre a responsabilidade de não ignorar a santidade de Deus quando fosse oferecer os sacrifícios e ofertas. Quando Isaías teve a visão no templo, ele ouviu os serafins que "clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória" (Is. 6:3). A santidade de Deus foi impactante para o profeta Isaías porque ele contemplou a sua própria pecaminosidade.

“Apenas quando atentarmos para santidade de Deus conforme revelada na Bíblia, poderemos enxergar nossa total dependência da graça divina.”

Nesta sociedade moderna em que tudo é relativo, nós precisamos ser relembrados constantemente sobre a santidade de Deus. Vivemos dias de indolência mental, moral e espiritual, portanto um tempo de pensamentos superficiais em relação à pessoa de Deus e aos assuntos eternos. Nós corremos um sério risco de criar uma concepção de Deus que não se enquadra na revelação bíblica. O Deus Santo que a Bíblia nos mostra não é adaptável ao estilo de vida que nós queremos ter. À luz da santidade do Senhor somos nós quem precisamos redirecionar nossos alvos e valores.

O que nos faz pensar que houve alguma mudança no caráter de Deus? Talvez na teoria, a nossa convicção permaneça firme e conhecemos muitos versículos que destacam a santidade do Senhor. Mas na prática podemos estar vivendo de modo reprovável, ignorando o fato que Deus é santo.

Quando ignoramos a santidade do Senhor passamos a abrigar pensamentos pecaminosos em nossas mentes que se em pouco tempo podem se tornar atitudes pecaminosas. É por isso que precisamos ter sensibilidade espiritual para perceber de imediato tudo aquilo que não agrada ao Senhor em nossas vidas. Por exemplo, nos dias de hoje a pornografia tem destruído muitas famílias cristãs. A pornografia transforma pessoas criadas à imagem e semelhança de Deus em objetos de desejo e prazer. Isto é uma afronta à santidade de Deus.

Quando se considera o sofrimento que era necessário a Cristo padecer (Lucas 9:22), as feridas reais que Cristo levou (João 19:1-30) e como Deus moeu o Seu Unigênito (Atos 2:23; 4:27-28), podemos entender um pouco mais a santidade de Deus. Deus nos redimiu por meio de um alto preço, para que também sejamos povo santo do Senhor: “Porquanto está escrito: Sede santos, porque Eu Sou Santo” (Lv. 11:44). Santidade nunca foi opcional no cristianismo. É o fruto que se espera de um novo nascimento espiritual genuíno. “Sem santificação ninguém verá ao Senhor” (Hb. 12:14). A santidade convém ao povo que foi separado para o louvor da glória de Deus.


III – A RESPONSABILIDADE DE SER UMA AUTÊNTICA TESTEMUNHA DO SENHOR (VS. 5-6)

O povo de Deus também tinha uma responsabilidade grandiosa: testemunhar a glória de Deus entre as nações (Gn. 22:18). Deus estabeleceu estatutos e preceitos para o Seu povo: “para que assim façais no meio da terra que passais a possuir.” Os mandamentos do Senhor deveriam ser obedecidos criteriosamente e isto iria despertar a atenção e admiração das nações em redor. A nação de Israel tinha um papel importante pois recebeu os oráculos de Deus, e deveria apresentar ao mundo a

O viver do cristão deve despertar a atenção das pessoas em redor. Por isso é que o cristão precisa ser sal e luz, para que todos percebam claramente a diferença que há em sua vida. No Sermão do Monte, em Mateus 5: 14-16, Jesus falou aos discípulos: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.

Sempre me impressionou o firme testemunho de Daniel. Assim que chegou na Babilônia ainda adolescente, Daniel “resolveu, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia” (Dn. 1:8). Mesmo com toda a pressão de uma sociedade pagã, este jovem temia a Deus e conhecia a sua responsabilidade como testemunha. No capítulo 6 do livro, Daniel é confrontado com a possibilidade de virar comida de leões caso não seguisse a ordem do rei Dario. Mas a sua confiança em Deus o levou a testemunhar sua fé: ele continuou orando a Deus com as janelas abertas três vezes por dia.

O testemunho de alguém que se curva diante da autoridade da Palavra de Deus causa impacto em outras pessoas. Mas quando uma pessoa alega ser cristã e vive sem se importar com a responsabilidade de ser uma autêntica testemunha do Senhor, o nome de Cristo é blasfemado.

É necessário que o cristão viva de modo digno do Evangelho e em conformidade com as instruções da Palavra de Deus. Este é o ensino de Paulo na carta aos Efésios 4:1. Depois de ensinar a doutrina da graça e a soberania de Deus na salvação do homem, Paulo exorta os crentes a “andar de modo digno da vocação a que foram chamados.” Se o crente não se preocupa com o seu testemunho, deve começar a repensar sua salvação, porque o evangelho não apenas é poder de Deus para a salvação, mas também para a conformação do homem à imagem de Jesus Cristo.

As pessoas com quem você se relaciona e convive no seu dia-a-dia notam o bom perfume de Cristo exalando da sua vida? Qual a influência que você tem exercido nas pessoas que se encontram diariamente com você? Você tem buscado andar nos passos de Jesus, imitando-O em seus exemplos? Gosto de dizer que é necessário que o cristão ande na contra-mão dos valores deste mundo, somente assim o seu testemunho causará impacto nas pessoas. O cristianismo autêntico é aquele em que os frutos do Espírito se tornam visíveis na vida dos que professam a Cristo como Senhor. Somos as testemunhas de Cristo a todo momento. Ele nos fez um sério alerta em Lucas 9:26: “Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos.” Que possamos viver testemunhando o que Cristo tem nos ensinado!


IV – A RESPONSABILIDADE DE VALORIZAR A COMUNHÃO COM O SENHOR (VS. 7)

O questionamento deste versículo é bem instrutivo. “Pois que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o Senhor, nosso Deus, todas as vezes que o invocamos?” A palavra traduzida como chegados a si também pode ser traduzida como próximo /perto, como fez a NVI: “Pois, que grande nação tem um Deus tão próximo como o Senhor, o nosso Deus, sempre que o invocamos?” A proximidade com Deus deveria ser vista como um enorme privilégio. De todas as nações que existiam, Deus escolheu o povo de Israel para ter um relacionamento de comunhão.

O salmista Davi valorizava sobremaneira a comunhão com o Senhor e por isso declarou: “Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade” (Salmo 145:18). "Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido” (Salmo 34:18). “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água. Porque a tua graça é melhor do que a vida” (Salmo 63:1, 3).

A comunhão com Deus é uma realidade para nós através do sacrifício de Cristo. Por meio do Seu sangue temos livre acesso, pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou. Por isso o autor da carta aos Hebreus escreveu: "aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé". Fomos abençoados com a liberdade de comungar com o Senhor a qualquer momento porque Jesus rasgou o véu que antes fazia separação. Mas será se temos desfrutado deste privilégio singular? Será que cantamos o Hino 288 do C. C. com sinceridade em nossos corações? “Em comunhão contigo estar/Sempre contigo conversar/Perto sim, bem perto/Tua vontade discernir/Teus bons ensinos quero ouvir/ Para melhor te amar, servir/Perto, sim, bem perto.”

Somente a comunhão com o Senhor pode nos fazer enxergar a vida com outra perspectiva. Horatius Bonar, um grande poeta e escritor de hinos cristãos, não teve uma vida fácil. Sua esposa Jane Bonar também foi uma escritora de hinos e a vida do casal foi marcada por muita tristeza, pois cinco dos seus filhos morreram sucessivamente em seus primeiros anos de vida. O próprio Horatius sofreu muito em sua saúde durante seus dois últimos anos de sua vida. Mas a comunhão com o Senhor lhe deu uma profunda convicção: “Nenhum homem que vive perto de Deus vive em vão”.

Como podemos desvalorizar a comunhão com o Senhor? Por exemplo, quando os afazeres do dia se mostram mais prioritários do que um tempo de meditação na Palavra de Deus e oração. Não podemos pensar que iremos amadurecer e crescer espiritualmente enquanto negligenciarmos a comunhão pessoal com Deus. Se alguém afirma ser cristão e não encontra satisfação na intimidade com o Senhor, eis uma grande incoerência, pois “a intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança” (Salmo 25:14).

Talvez você não esteja valorizando a comunhão com o Senhor como deveria. É hora de refletir sobre os fundamentos de sua vida cristã. Como filhos de Deus, temos o privilégio de sermos aceitos em Cristo. Assim como Deus amou seu único Filho, ele ama seus filhos adotivos. "Pois o próprio Pai os ama" (Jo 16:27). Como o Pai teve comunhão com Jesus, ele tem também conosco: "Nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo" (1 Jo 1:3). Que não desprezemos o livre acesso que nos foi dado: "Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor" (1 Cor. 1:9). “Só a comunhão com Cristo acrescenta vitalidade à nossa fé.”


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Convicção da vontade de Deus


Texto Bíblico: I Reis 1: 32-40

INTRODUÇÃO

Ter convicções é importante em várias situações da vida. Lembro-me de certa ocasião em que era necessário implantar uma nova funcionalidade de um sistema de Folha de Pagamento. Só que nenhum treinamento tinha sido oferecido para operar esta função e o manual era extremamente complexo. Nas primeiras tentativas de utilizar esta nova função do sistema o resultado não foi satisfatório, pois o sistema desligou automaticamente o pagamento de alguns servidores. Então resolvi ligar para o órgão central que controla todo o sistema e a senhora que me atendeu muito simpática disse: “Para mexer no sistema é preciso ter convicção do que está fazendo.” E esta frase ficou por um tempo na minha cabeça até que foi oferecido um treinamento para operar o sistema e então comecei a operá-lo com convicção.

E por falar em convicção temos um exemplo bem claro de Davi neste texto bíblico. Ele sabia que o seu filho Salomão seria o novo rei de Israel, esta convicção foi implantada em seu coração pelo próprio Deus. O impostor Adonias almejou ao trono de Israel, mas logo foi desmascarado pelo rei Davi que não poupou esforços para ungir e entronizar Salomão. Davi era um homem convicto da vontade de Deus e isto foi importante em várias ocasiões (ao lidar com o gigante Golias; ao preservar a vida do rei Saul; na luta contra os filisteus; ao liderar o seu povo nas guerras). Certamente Davi tinha convicção do que estava fazendo ao decidir tomar as rédeas da situação e colocar o seu filho Salomão no trono.

 “Precisamos demonstrar na prática nossa convicção da vontade de Deus”

Com base neste texto bíblico, de que maneiras nós podemos demonstrar na prática nossa convicção da vontade de Deus evidencia em seu viver? Veremos nesta noite três maneiras como nós podemos nossa convicção da vontade de Deus:

1ª. – PROCURANDO A COMPANHIA E O AUXÍLIO DE PESSOAS CONFIÁVEIS (vs. 32)

Zadoque, Natã, Benaia eram pessoas próximas do rei Davi, nos quais ele confiava plenamente. Zadoque era o sacerdote que permaneceu fiel ao rei Davi, pois Abiatar resolveu seguir o impostor Adonias. Natã era o profeta que sempre foi usado por Deus para transmitir Sua Palavra. Foi Natã quem confrontou o rei após o pecado com Bateseba e não recuou ao apresentar o juízo divino sobre a casa de Davi (2 Sm. 12: 1-14). Benaia era o comandante da guarda real e um dos valentes de Davi (1 Cr. 11: 22-24). Curiosamente, logo após Salomão ser coroado rei, ele decreta a morte de Joabe, e Benaia, filho de Joiada, recebeu a incumbência de executá-lo (1 Reis 2:26-46). Ou seja, Davi tinha ao seu redor pessoas com um extenso currículo de lealdade ao rei. Por isso, quando resolveu entronizar o seu filho Salomão o rei mandou chamar estas pessoas seletas.

Um homem convicto da vontade de Deus procura a companhia de pessoas confiáveis para que possam ser um auxílio no dia mau. Todos nós precisamos ter muito cuidado para não sermos enganados por pessoas que se aproximam com intenções malignas. Foi o que aconteceu com Amnon ao ouvir os conselhos do seu primo Jonadabe: “Deita-te na tua cama e finge-te doente; quando teu pai vier visitar-te, dize-lhe: Peço-te que minha irmã Tamar venha e me dê de comer pão” (2 Sm. 13:5). Este conselho foi a gota d’água para o incesto entre Amnon e Tamar.

Precisamos ser sábios para ter ao nosso lado pessoas que possam nos valer. Foi por isso que o salmista declarou: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores” (Salmo 1:1). Hoje em dia há muitos crentes assentados na roda dos escarnecedores, iludidos por falsas amizades que zombam de Cristo e do Evangelho. Mas um homem convicto da vontade de Deus procura amizades verdadeiras que são úteis para o progresso na vida cristã.

Em sua vida você conta com o auxílio de algum Zadoque, Natã ou Benaia? Quem é o seu companheiro de lutas a quem você pode recorrer quando precisa de um auxílio? Paulo tinha um grande amigo chamado Epafrodito, seu “irmão, cooperador e companheiro de lutas.”

2ª. – APRESENTANDO INSTRUÇÕES COM CRITÉRIOS BEM DEFINIDOS (vs. 33-35)

A NVI traduz o início deste versículo assim: “ele os instruiu”. As instruções de Davi são claras e bem estruturadas. Mesmo já idoso e com o corpo enfermo, sua mente estava lúcida. E suas ordens foram enérgicas, para mostrar que sua autoridade real estava em plena vigência. Ele apresentou as diretrizes de como o seu filho Salomão seria entronizado. Os detalhes foram previamente coordenados para que a magnitude deste momento fosse evidente a todos. Davi reafirmou a autoridade sacerdotal quando Zadoque foi escolhido para ungir o novo rei.

Um homem convicto da vontade de Deus não vive dando tiros para todos os lados. Sua consciência está moldada pela Palavra de Deus, e por isso quando tem que instruir alguém, sabe apresentar as diretrizes corretas. Um conselho recebido de alguém convicto da vontade de Deus é extremamente enriquecedor e uma conversa com alguém que ouve a Deus é repleta de princípios sólidos da Palavra.

Paulo era um homem convicto da vontade de Deus. Quando Paulo escreveu sua carta à Igreja de Corinto ele não fez arrodeios para ser agradável e conquistar a maioria. Ele prontamente diagnosticou os sérios problemas daquela igreja (divisões, imoralidade, arrogância de alguns líderes, litígio entre irmãos, confusão no culto e na celebração da ceia) e ofereceu diretrizes para a solução dos problemas em Corinto, sem deixar nada subentendido. Seu propósito era edificar a igreja com critérios bem definidos baseados nas Escrituras.

Josué também foi um líder que não titubeou quando precisou apresentar os critérios para o povo de Israel. Ele foi direto ao ponto: "Agora, pois, temei ao SENHOR, e servi-o com sinceridade e com verdade; e deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais além do rio e no Egito, e servi ao SENHOR" (Js. 24:14). Ele deixou bem claro que é impossível servir a Deus com o coração dividido.

Você tem sido apenas um repositório de informações e princípios bíblicos? Quando surgem oportunidades para orientar biblicamente você prontamente apresenta uma linha de ação coerente? A Bíblia nos diz que devemos estar sempre preparados para responder a todo aquele que nos pedir razão da nossa esperança (1 Pe. 3:15). Precisamos ser hábeis na apresentação de diretrizes bíblicas para os que estão sob nossa orientação; fazendo assim, muitas feridas e cicatrizes serão evitadas. Como discípulos do Senhor, nós precisamos apresentar a instrução correta com base na verdade bíblica, para que sejamos canal de edificação na vida de outras pessoas.

3ª. – RECONHECENDO QUE O PLANO DO SENHOR É DIFERENCIADO PARA CADA SERVO (vs. 36-37)

Davi tinha um grande sonho: edificar o templo em honra ao Senhor. Mas não era este o plano de Deus para ele. O Senhor estabeleceu que Salomão fosse o responsável pela construção do Seu grandioso templo (2 Sm. 7: 12, 13, 16). Davi não se revoltou contra os soberanos propósitos de Deus e fez uma belíssima oração de louvor e gratidão pela bondade do Senhor sobre sua vida: "Portanto, grandíssimo és, ó Senhor Deus, porque não há semelhante a ti, e não há outro Deus além de ti, segundo tudo o que nós mesmos temos ouvido” (2 Sm. 7: 22). E Davi ainda animou o seu filho Salomão para que este edificasse a casa do Senhor: "Que o SENHOR seja contigo; e prospera, e edifica a casa do SENHOR teu Deus, como Ele disse de ti" (1 Cr. 22:11).

Na igreja de Corinto surgiu uma controvérsia sobre quem era o líder mais influente, Paulo ou Apolo. O apóstolo Paulo escreve para advertir a igreja: “Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho” (1 Cor. 3: 6-8). Paulo entendia que cada discípulo tem um papel diferenciado na edificação da igreja de Cristo.

Deus tem um plano diferenciado para cada servo e nós precisamos ser humildes para reconhecer isto. Muitos cristãos sentem-se mal quando observam outros desempenhando atividades que eles gostariam de exercer. Mas Deus estabeleceu dons específicos para cada servo dEle, esta é a beleza da igreja. Todos nós temos um papel a exercer com base na capacitação espiritual recebida de Deus. Então, quando estamos convictos da vontade de Deus para nossas vidas, não levantamos dúvidas mesquinhas quanto ao papel que outros estão exercendo no reino.

Todos nós somos despenseiros a quem Deus confiou dons para a edificação do corpo de Cristo. E “o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel” (1 Cor. 4:2). Você tem sido fiel no desempenho de sua missão? Não busque desempenhar o papel que não é seu, pois certamente não dará certo. A igreja só vai amadurecer e desenvolver quando cada crente estiver exercendo o dom para o qual foi capacitado.


 
MARCOS AURÉLIO DE MELO
SERMÃO NO LIVRO DE I REIS

sábado, 6 de agosto de 2011

Introdução às bem-aventuranças

As bem-aventuranças refletem o caráter do verdadeiro discípulo de Cristo, enfatizando que a felicidade relaciona-se diretamente com o coração. Este breve resumo é o material utilizado na classe de jovens da Escola Bíblica Dominical.

Introdução às bem-aventuranças


Texto-bíblico: Mateus 5: 3-12

O termo “bem-aventurado” (makarios, no grego), significa feliz, abençoado, afortunado, congratulado ou ditoso. Cristo nos ensina que a verdadeira felicidade não é encontrada nas circunstâncias ou nas alegrias deste mundo passageiro. As bem-aventuranças resumem o que é a verdadeira felicidade segundo Jesus. De acordo com as palavras iniciais do Sermão do Monte, o que é motivo de felicidade para o discípulo é totalmente oposto ao que o mundo considera.

O que se espera do verdadeiro discípulo de Cristo é que ele manifeste todas essas qualidades descritas nas bem-aventuranças. Os crentes foram “chamados para ser santos”, ou seja, não há exceção para viver a piedade conforme a Bíblia ensina. Isto significa que as bem-aventuranças descrevem na íntegra o caráter de um seguidor de Cristo que reflete uma profunda compreensão sobre felicidade.

ASPECTOS IMPORTANTES:

1. AS BEM-AVENTURANÇAS SÃO INTERDEPENDENTES
Ninguém pode ser “humilde de espírito” se também não “chorar”. Ninguém pode “ter fome e sede de justiça” se também não for “manso” e “pacificador”. Ou seja, uma bem-aventurança liga-se e funde-se a outras, que se complementam de forma harmoniosa na vida de um verdadeiro discípulo de Cristo.


2. AS BEM-AVENTURANÇAS NÃO SÃO QUALIDADES NATURAIS
Somente a graça de Deus, por meio do Espírito Santo em nós, é capaz de produzir estas qualidades espirituais. Por natureza, nenhum ser humano tem condições de apresentar tais qualidades se não nascer de novo pelo poder de Deus. Mesmo que um incrédulo apresente alguns indicativos morais com base nos ensinos de Cristo, a verdade é que ainda está longe do padrão divino. As bem-aventuranças evidenciam o controle do Espírito Santo e somente os crentes são habitados por Ele.


3. AS BEM-AVENTURANÇAS DISTINGUEM RADICALMENTE O CRENTE E O INCRÉDULO
O crente e o incrédulo são totalmente diferentes quanto àquilo que admiram. O discípulo verdadeiro tem como alvo viver à luz do que é ensinado por Cristo, mesmo que seja considerado “fraco ou sonhador” pelos que estão a sua volta. O homem incrédulo acredita na autoconfiança, em ser dono do próprio nariz. As ambições de um não-regenerado evidenciam apenas o egoísmo em seu coração.
HOMEM NATURAL: - “Bem-aventurados os que têm fome e sede de riquezas, dinheiro, fama e posição social.” - “Bem-aventurados os que impõem a sua vontade a todo custo”
HOMEM ESPIRITUAL: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, os mansos e os pacificadores”

4. AS BEM-AVENTURANÇAS ATESTAM QUE O CRENTE É CIDADÃO DE OUTRO REINO
A primeira e a última bem-aventurança prometem a mesma recompensa: “...porque deles é o reino dos céus”. Cristo começou e encerrou as bem-aventuranças desta forma para nos lembrar que pertencemos a outro reino, que não o deste mundo (Fl. 3:20). Em certo sentido, estamos sob o governo ou reinado de Cristo (Cl. 1:13), portanto precisamos dar evidências disto em nosso dia-a-dia. O cidadão do reino dos céus é um peregrino neste mundo. Um peregrino está de passagem e não se amolda aos costumes dos lugares por onde passa. Portanto, a cartilha que o cidadão da pátria celestial segue é radicalmente contrária a tudo que diz respeito a este século (Rm. 12: 1, 2).


APLICAÇÕES:

Sua compreensão a respeito de “felicidade” alinha-se com a definição de Cristo?
Na sua família ou nos relacionamentos interpessoais que você cultiva, que evidências as pessoas têm visto de que você pertence a outro reino? Se você fosse preso por ser cristão, haveria provas suficientes para condená-lo? Reflita seriamente sobre o seu testemunho diário em comparação com o padrão que Cristo requer dos seus discípulos.
Se você tem encontrado dificuldades em vivenciar as bem-aventuranças em seu cotidiano, será que não está dependendo de sua própria força e capacidade, ao invés de depender do Espírito Santo? Lembre-se que é Deus quem efetua “tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade”.
Você poderia dar testemunho de alguma situação de sua vida em que uma atitude mostrou a grande diferença que existe entre o crente e o incrédulo?

PARA PENSAR:

“Ao contrário dos dons do Espírito, que ele distribui a diferentes membros do corpo de Cristo a fim de equipá-los para diferentes espécies de serviço, o mesmo Espírito está interessado em produzir todas estas bem-aventuranças em todos os cristãos.”


MARCOS AURÉLIO DE MELO

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Algumas advertências

Sermão com base em Amós 4:4-13.

"Para o bem da nossa saúde espiritual não podemos ignorar algumas advertências."

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domingo, 10 de julho de 2011

Justificativas sem valor

TEXTOS BÍBLICOS: Josué 15:63; 16:10 e 17:12

1. No início do mês de Junho deste ano, o ministro-chefe da Casa Civil de nosso país – depois de pressões da sociedade e de vários políticos, inclusive do próprio partido ao qual ele pertence – teve que aparecer no Jornal Nacional em horário nobre da televisão para dar esclarecimentos ao povo brasileiro. Sua empresa de consultoria lucrou muito em pouco tempo e isto fez crescer a suspeita sobre possível tráfico de influência. A entrevista na TV Globo foi considerada uma “farsa com F maiúsculo” e não convenceu nem gregos, nem troianos. O ministro não revelou quais foram as empresas atendidas por sua Consultoria especializada, e ainda pediu a boa-fé do povo. Muitos jornais do dia seguinte estampavam a manchete: “O MINISTRO EXPLICA, MAS NÃO JUSTIFICA.” Ou seja, os argumentos utilizados na entrevista não foram suficientes para conseguir justificar o rápido aumento do patrimônio do Ministro. Foi mais uma conversa pra boi dormir!

2. Mas a vida no reino de Cristo é diferente. Como estamos tratando com um Deus Santo, que tudo conhece ao nosso respeito, não há desculpas que se firmem diante dele. Ou seja, nossas desculpas esfarrapadas nem explicam e nem justificam os atos de desobediência que cometemos como representantes do Senhor aqui na terra. Hebreus 4:13: “E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.” Somos como ovelhas sem couro diante do Senhor!
Os capítulos 13 a 21 do livro de Josué tratam da divisão das terras conquistadas entre as tribos de Israel. Nesta divisão orquestrada pela soberania de Deus, as tribos foram alocadas em todo o território conquistado por meio das batalhas dos últimos anos. Apesar da conquista grandiosa, restaram focos de resistência dos habitantes da terra prometida. Estes povos que não foram exterminados trouxeram enormes dificuldades para o povo eleito de Deus.
JUDÁ NÃO EXPULSOU OS JEBUSEUS – Davi teve que expulsar os Jebuseus quando foi reinar em Jerusalém; EFRAIM E MANASSÉS NÃO EXPULSARAM OS CANANEUS – Os cananeus eram um povo pagão que idolatrava Baal. A história de Israel sempre foi permeada de idolatria a este falso deus.


PROPOSIÇÃO:
“NENHUM ARGUMENTO JUSTIFICA A TOLERÂNCIA AO PECADO EM NOSSAS VIDAS”


Diante de Deus não há argumento que explique ou justifique a tolerância ao pecado. Ele requer que sejamos valentes na luta contra os desejos que fazem guerra contra a alma, para que glorifiquemos ao Seu Nome.
Então, por que nenhum argumento justifica a tolerância ao pecado em nossas vidas? Nesta noite veremos três motivos tendo como base os versículos lidos.

1 – PORQUE POSSUÍMOS TODOS OS RECURSOS NECESSÁRIOS PARA COMBATÊ-LO
Js. 15:63: Os descendentes de Judá não conseguiram expulsar os jebuseus, que viviam em Jerusalém; até hoje os jebuseus vivem ali com o povo de Judá.
“NÃO PUDERAM” é yakowl, que significa: não ser capaz, não ser capaz de vencer ou realizar, não ser capaz de resistir, não ser capaz de alcançar; não prevalecer, não prevalecer sobre ou contra, vencer, não ser vitorioso; não ter habilidade, não ter força.
Muitas vezes alegamos que não podemos abandonar um pecado, quando na verdade é porque não queremos, pois os recursos de Deus sempre estiveram ao nosso dispor. Nós precisamos entender que “a nossa força nada faz”, e somente utilizando os recursos divinos na luta contra o pecado haverá vitória real. (1 Pe. 2)
Eles tinham Deus como o Poderoso Guerreiro que pelejava por Israel. Em Josué 3:10 está escrito: “Nisto conhecereis que o Deus vivo está no meio de vós; e que certamente lançará de diante de vós aos cananeus, e aos heteus, e aos heveus, e aos perizeus, e aos girgaseus, e aos amorreus, e aos jebuseus.”
Deus não vai realizar algo que é de nossa responsabilidade realizar. Deus nos supre para que possamos progredir na comunhão com Cristo e na luta contra o pecado, mas cabe a cada um de nós usarmos o que já temos recebido do Senhor. Precisamos abrir mão das estratégias humanas e buscar verdadeiro refúgio na provisão divina. O grande problema é que deixamos de confiar nos recursos outorgados por Deus e passamos a viver baseados em falsas esperanças.
Quantas vezes você já alegou que não consegue abandonar determinado pecado em sua vida, quando a realidade é que não quer abandoná-lo?

2 – PORQUE O BEM-ESTAR QUE O PECADO OFERECE NÃO COMPENSA TOLERÁ-LO
Js. 16:10: “Os cananeus de Gezer não foram expulsos, e até hoje vivem no meio do povo de Efraim, mas são sujeitos a trabalhos forçados.”
De certa forma, os cananeus estavam poupando os Efraimitas de enfrentar a dureza da vida. Curiosamente, o pecado também possui esta faceta: ele cria uma falsa ilusão de que a vida é bem melhor com ele por perto. O pecado quer nos iludir oferecendo-nos uma sensação prazerosa enquanto é praticado.
Sabemos que o pecado traz sensações de bem-estar porque ele satisfaz ao velho homem com suas concupiscências. Mas as sensações variadas que o pecado oferece não compensam os prejuízos que ele acarreta. É como participar de um banquete ao lado do próprio túmulo. Davi experimentou o prazer pecaminoso cometendo um adultério com Batseba, mas as conseqüências deste pecado foram terríveis.
Muitos crentes estão acostumados com o pecado, aproveitando os momentos de prazer que ele lhes oferece, mas não se apercebem de que o preço é bastante alto. O sábio Salomão faz várias advertências no livro de Provérbios, dentre elas: “Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. Pois ao cabo morderá como a cobra e picará como o basilisco.” (basilisco era a rainha das serpentes) - Pv. 23: 31-32.

3 – PORQUE O PECADO NÃO-ABANDONADO DESENVOLVE RAÍZES EM NOSSO CORAÇÃO
Js. 17:12: “Mas os filhos de Manassés não conseguiram expulsar os habitantes dessas cidades, pois os cananeus estavam decididos a viver naquela região.”
O coração do homem é muito enganoso (Jr. 17:9). E muitos cristãos já se iludiram com a falsa ideia do pecado de estimação. De acordo com esta ideia, o pecado pode permanecer dentro do coração e a qualquer momento ser retirado de forma pacífica. Mas não é bem assim que funciona. O pecado cria raízes profundas no coração de quem o pratica, e fica mais difícil lidar com ele com o passar do tempo. O PECADO SEMPRE PERSISTIRÁ EM NOS ASSEDIAR!
Por isso a Bíblia nos ensina: “...desembaraçando-nos de todo peso, e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos com perseverança a carreira que nos está proposta” (Hebreus 12.1). O pecado nos assedia tenazmente e, quando não é devidamente confessado e abandonado, cria raízes profundas no coração do homem. O velho homem não desiste de plantar suas raízes e por isso o crente não deve permitir brechas em sua vida.
O povo de Israel se tornou idólatra e passou a viver num círculo vicioso. Esta relutância em agir prontamente contra o pecado trouxe ao povo 70 anos de cativeiro na Babilônia.
Extrair um dente é bem mais fácil do que extrair toda a dentadura. Quando o pecado é tolerado ele passa a infectar tudo ao seu redor, e a sua insistência em permanecer apodrece o nosso testemunho. Então, devemos evitar a desculpa tão comum: “No momento que eu achar melhor, vou tratar este pecado e extirpa-lo da minha vida” ou “eu posso parar a qualquer momento.”
Quem somos nós para pensar que o pecado acalentado no coração perde sua força com o passar do tempo? Muito pelo contrário, ele ganha espaço e aprofunda seus tentáculos para garantir ainda mais a sua permanência. Então, a atitude mais adequada é tratar o pecado imediatamente, sem procrastinar a confissão e o abandono de práticas que desonram o nome do Senhor.



MARCOS AURÉLIO DE MELO

ESTUDOS NO LIVRO DE JOSUÉ

sábado, 2 de julho de 2011

Justiça própria

A justiça própria é inimiga do evangelho de Cristo. O homem que deseja buscar a Deus por meio de suas boas obras ou através de atos de justiça pessoal, na verdade está totalmente equivocado. O evangelho de Cristo não busca homens e mulheres de alta qualidade, que se intitulam bons e desfrutam de uma sensação de auto-suficiência. Jesus foi duro com os fariseus que pensavam assim. Os fariseus eram profissionais da religião, que desejavam mostrar uma aparência espiritual para todas as pessoas em redor. Eles eram considerados homens bondosos porque faziam doações aos pobres e davam esmolas. Suas vidas eram exemplares, mas havia um grave problema no coração.

Em Lucas 18: 9-14, Jesus contou a história de um fariseu e um publicano. Os publicanos eram pessoas que cobravam impostos e repassavam o dinheiro para o império Romano. Certa vez um fariseu e um publicano foram a templo para orar. E Jesus contou com detalhes como foram as orações destes dois homens.

O fariseu, baseado em sua justiça própria orara de si para si, dizendo: "Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Faço jejum duas vezes por semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo." A oração deste fariseu estava baseada em si mesmo: ele era o centro de sua oração. Seus lábios não conseguiam expressar outra coisa, a não ser elogios que exaltavam o seu bom comportamento. Ele se achava homem mais bondoso da terra e por isso até desprezou o publicano que estava ali no templo também. Suas palavras mostram que em seu coração só havia espaço para ele mesmo.

Este fariseu representa todas as pessoas que confiam em sua própria justiça diante de Deus. Quando o homem começa a pensar que é alguma coisa diante de Deus já começou a agir como um fariseu. Todos nós agimos como fariseus quando confiamos em nossas boas obras para ganhar a aprovação de Deus. Todos nós agimos como fariseus quando realizamos algo tentando impressionar Deus de alguma forma. Todos nós agimos como fariseus quando fazemos orações exaltando nossa boa conduta. O homem pecador é assim: não consegue pensar em mais nada, a não ser nele mesmo.

Foi por isso que Jesus disse a todos que desejavam segui-lo: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e cada dia tome a sua cruz, e siga-me” (Lc. 9:23). Em outras palavras, Jesus nos desafia a desistirmos de nossa autossuficiência se quisermos ser verdadeiros discípulos de Cristo.

Você tem se comportado como um fariseu ao longo de sua vida? Você tem baseado toda a sua história na tentativa de agradar a Deus da sua própria maneira e pensa que já tem muito crédito diante d’Ele? Eu gostaria de convidá-lo a repensar sua vida por meio do Evangelho de Cristo, que nos ensina a confiar na graça de Deus para desfrutarmos de Sua aprovação.






MARCOS AURÉLIO DE MELO
MEDITAÇÃO PARA PROGRAMA DE RÁDIO




segunda-feira, 13 de junho de 2011

Vigor Espiritual






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MARCOS AURELIO DE MELO

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Zumbis espirituais

“Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto” (Apocalipse 3.1b).

Alguns filmes retratam a figura dos zumbis, aqueles seres mortos-vivos que andam cambaleando pelas ruas apavorando as pessoas e criando confusão de todo tipo. O zumbi é um ser humano dado como morto que foi posteriormente desenterrado e reanimado por meios desconhecidos.

Pensando neste personagen fictício, comecei a refletir sobre o cristianismo que tem se propagado em nossa geração. Não tenho receio em afirmar que a carta dirigida à igreja de Sardes no primeiro século poderia muito bem ser endereçada a muitas igrejas nos dias de hoje. A denúncia de Jesus é muito forte: a igreja de Sardes tinha aparência e nome de que estava viva, mas sob o crivo divino, na verdade estava morta e em processo de putrefação. Então, um paralelo pode ser traçado e por isso eu passarei a descrever os zumbis espirituais dos nossos dias, que apenas aparentam estar vivos.

Os zumbis espirituais se ajuntam domingo após domingo em templos neste mundo afora. Suas reuniões são agitadas, com muito barulho e estardalhaço. A euforia toma conta do lugar, mas não há verdadeira vida neste ambiente. Deus não é entronizado como verdadeiro Senhor e Rei. As manipulações psicológicas dão a tônica da programação e os apelos para buscar e usar o poder interior são repetidos à exaustão. A pregação não se pauta nas Escrituras – é somente uma palestra motivacional para levantar o astral dos zumbis. Embora os indicativos sejam de vida, o odor é de morte. Na verdade, Os zumbis espirituais gostam de aparentar vida, pois assim podem disfarçar o desespero profundo que não se cala em suas almas.

Mas não podemos negar que também existem zumbis espirituais dentro de igrejas que zelam pela sã doutrina. Nestes casos, os zumbis espirituais são bons ouvintes da exposição feita com base na Palavra de Deus. Quando o pastor termina o sermão bíblico, seus corações estão cheios de determinação para fazer ajustes necessários em seus caminhos. Em pouco tempo esta motivação cessa e não há nenhuma mudança efetiva. Os zumbis espirituais se contentam com a mera letra e por isso abarrotam suas mentes com princípios bíblicos. São leitores vorazes de livros best-sellers que ensinam a viver do modo que agrada a Deus. O grave problema é que nenhuma modificação é observada no procedimento diário de um zumbi espiritual, pois ele não é um praticante da Palavra, apenas um ouvinte.

Os zumbis espirituais não demonstram nenhuma profundidade no relacionamento pessoal com Cristo. Eles não consideram a oração como indispensável, e por isso não nutrem a intimidade com Jesus tão necessária e vital. Na verdade, não existe nenhum ardor no coração deles pela presença e comunhão com o Senhor. A letargia espiritual é notória pois o zumbi espiritual apenas se finge de vivo.


Estas são apenas algumas das características dos zumbis espirituais. Se você desejar acrescentar mais uma, fique a vontade e deixa o seu comentário.