sábado, 28 de maio de 2011

O falso evangelho

Nos dias de hoje há muita confusão no meio evangélico. Não podemos negar que são muitos pregadores (nas televisões, no rádio e nas igrejas) que tentam convencer as pessoas com seu estilo e suas convicções. E diante de tantas vozes que falam sobre a Bíblia, alguém já me perguntou: "como posso saber se o evangelho que eu tenho ouvido não é falso?" Há um grande número de pessoas vendendo "gato por lebre", isto é apresentando um evangelho falsificado ou diluído para agradar às multidões. Então, precisamos recorrer às Escrituras para não comprar "gato por lebre".


Como você pode saber se o evangelho que você tem ouvido na televisão, rádio ou mesmo em alguma igreja, não é falso? O caminho correto é comparar o que você tem ouvido com Evangelho que foi pregado por Cristo e explicado pelos apóstolos nas Escrituras. É importante observar o que está registrado na Bíblia, pois somente a Bíblia oferece o autêntico evangelho. Quando as Escrituras são deturpadas, surgem os falsos evangelhos, os ensinos que são contrários ao padrão bíblico. Então eu gostaria de tratar rapidamente sobre três ensinamentos contrários à Palavra de Deus, que geram falsos evangelhos.

1 – Qualquer ensinamento que promete saúde física perfeita nessa vida como resultado da salvação em Cristo é um falso evangelho. Jesus nunca prometeu que os seus seguidores ficariam livres de qualquer problema de saúde e teriam saúde garantida. O crente também sofre de câncer, tem hepatite e pneumonia. E se não for ao médico e tratar corretamente pode morrer destas doenças. Cristo pagou o preço porque o nosso maior problema era o pecado e não doenças físicas. A Sua morte em favor do pecador serviu como livramento da condenação do pecado. Então, se você está ouvindo um evangelho que promete libertar você de seus problemas de saúde, tome cuidado, porque este é um falso evangelho.

2 – Qualquer ensinamento que nega a realidade do céu e do inferno é um falso evangelho. Satanás quer enganar se possível até os crentes. E muitos hoje acreditam nesta ensino errado. Se observarmos o que Jesus ensinava, vamos perceber que ele falou várias vezes sobre o inferno como um lugar real. Não é uma ilusão ou invenção de alguém. O inferno é um lugar de tormento para todos aqueles que rejeitaram a salvação pela fé oferecida por Cristo. Jesus contou a história do rico e de Lázaro para mostrar a situação do homem que morreu confiando em suas riquezas e estava em tormento neste lugar chamado inferno. Então, se você está ouvindo em sua igreja que o inferno é aqui mesmo, tome cuidado, porque este também é um falso evangelho.

3 – Qualquer ensinamento que defende que todas as pessoas serão salvas mesmo sem arrependimento é um falso evangelho. A Bíblia não ensina em lugar nenhum a salvação universal. As pessoas se agarram ao conceito que Deus é amor e não irá condenar ninguém, porque todos são filhos de Deus. Errado! Deus nunca prometeu que todos os homens serão salvos. Então, se você, está ouvindo que não importa como vai viver sua vida aqui e que Deus vai salvá-lo de qualquer jeito, cuidado, porque este também é um falso evangelho.



"Todo ensinamento que você escuta deve ser avaliado à luz da Palavra de Deus, que oferece o padrão absoluto sobre o que é verdadeiro e o que é falso."


MARCOS AURÉLIO DE MELO
MEDITAÇÃO PARA O PROGRAMA DE RÁDIO

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Prestando atenção

TEXTO BÍBLICO: I JOÃO 3:1

O verbo traduzido em I Jo. 3:1 como "Vede". no grego é o verbo "eido" que significa: perceber, discernir, notar, descobrir, ver, prestar atenção, observar atentamente, examinar, inspecionar, saber a respeito, se interessar por algo. Esta palavra carrega um chamado a prestar atenção no que realmente tem valor.
Nós prestamos atenção em muitas coisas sem muito valor no dia-a-dia. É fato que muitos crentes estão vendidos ao mundo, com os olhos voltados para valores passageiros. Por isso Paulo escreveu aos Colossenses: "Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra (Cl. 3:2). Mas o maravilhoso amor de Deus deve despertar a atenção do filho de Deus a todo instante.
Creio que somente um legítimo filho de Deus pode ser despertado pela grandiosidade do amor de Deus. Criaturas ou filhos bastardos não possuem a capacidade espiritual para discernir com precisão quão grande e maravilhoso o amor de Deus é.

POR QUE O MARAVILHOSO AMOR DE DEUS DEVE DESPERTAR A ATENÇÃO DO FILHO DE DEUS?

1 - Porque o amor de Deus alcança pecadores indignos (vede que grande amor nos tem concedido...)
Veja a ligação desta pequena partícula "nos", com o versículo João 1:8, no qual João afirma que o pecado é um mal a ser combatido. A conversão não apaga a nossa natureza pecaminosa, mas o Espírito Santo nos capacita a vencer todo e qualquer pecado. Deus, que é totalmente Santo e exaltado, amou pecadores e derramou amor sobre nós. Em Romanos 5:8 está escrito: "Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores." A indignidade do pecador é destacada de Gênesis a Apocalipse o pecado é uma chaga que devora o homem e faz separação entre nós e Deus (Is. 59:1-2).
A Bíblia declara que nós éramos filhos da ira (Ef. 2:3), e inimigos de Deus (Rm. 5:10), e por isso a reconciliação foi necessária. Este fato é incontestável - Deus amou pecadores, e se não fosse este imenso amor de Deus qual seria a nossa condenação? Resposta: uma eternidade longe da comunhão com Ele. Mas o fato inconteste do imenso amor de Deus por pecadores não deve ser usado como "desculpa esfarrapada" para a permanência no pecado. Pelo contrário, o amor de Deus é tão grande que nos constrange a um viver digno desta maravilhosa dádiva. Obedeceremos a Deus porque Ele nos amou apesar da grave afronta do pecado.

2 - Porque o amor de Deus parte de Sua livre iniciativa (tem nos concedido, sermos chamados)
Os dois verbos aqui estão na voz passiva. Ou seja, os crentes recebem a ação do amor de Deus. Deus não viu méritos em nós e não enxergou qualidades dignas de aprovação. Ele só viu pecaminosidade e incapacidade. Mas Deus livremente agiu no resgate do homem pecador e tomou a iniciativa de nos adotar como filhos. Ele nos amou primeiro.
É importante destacar bem este fato: a salvação não parte do nosso amor por Deus; ela parte exclusivamente do amor de Deus por nós. Deus não nos ama, porque um dia declaramos nosso amor por Ele. Deus nos ama porque Ele resolveu nos amar (Veja I Jo. 4:19) e devemos nos prostrar em verdadeira adoração por isso. É necessário enfatizar a total incapacidade do homem de amar a Deus por iniciativa própria. Jesus diz que não foram os discípulos que o escolheram, mas Ele os escolheu, de forma livre e graciosa (Jo. 15:16). É Deus quem opera no coração do homem, derramando o Seu amor incondicional, a fim de trazer o homem para Si.

3 - Porque o amor de Deus proporciona ricas bênçãos (de fato, somos filhos de Deus)
A Bíblia é clara sobre o ensino da adoção/filiação. Nós fomos adotados na família de Deus, e fazemos parte de uma herança eterna que nos foi outorgada mediante Jesus Cristo (Ef. 1:5). O significado por trás destas palavras é bastante profundo. Muitas bênçãos nascem deste novo relacionamento que é estabelecido entre o homem e Deus (João 1:12) Nós recebemos o espírito adoção que nos proporciona chamar a Deus de Pai (Rm. 8: 14-17) e desfrutar da rica herança com Cristo. São vários os privilégios de pertencer à família de Deus: proteção, amparo constante, segurança, uma nova identidade, provisão, correção (que também é uma grande bênção), inúmeras promessas, auxílio do Santo Espírito, recursos para o crescimento, fortalecimento, alegrias, paz, contentamento, comunhão com outros irmãos, etc.
Muito se tem usado este termo de forma banal hoje em dia. Por se declararem filhos e filhas de Deus, várias pessoas começam a exigir direitos de posse. O grande problema é que não leram na Bíblia que direitos são legítimos, e quais os deveres de um filho de Deus. Os privilégios que nos foram outorgados mediante a filiação estão diretamente relacionados a diversas responsabilidades como filhos de Deus. Se você não tem dado a devida atenção ao imensurável amor de Deus, comece ainda hoje a considerar tais verdades. Toda atenção que prestamos a este assunto ainda é pouca, diante de tal grandeza.



MARCOS AURÉLIO DE MELO

BREVE MEDITAÇÃO BÍBLICA

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sinceridade é suficiente?

É muito comum ouvir pessoas afirmarem que para ter a salvação eterna o que importa é a sinceridade no coração. De acordo com esta ideia, o que vale mesmo é ter um coração sincero, independentemente da religião ou de qual o estilo de vida de alguém. Mas o que a Bíblia tem a nos dizer sobre isso? Será verdade que ter um coração sincero é o fator determinante para a salvação eterna?
A Bíblia nos mostra que não é a doutrina a qual abraçamos, nem o conjunto de práticas religiosas que possamos seguir fielmente, nem uma vida irrepreensível aos olhos dos outros que pode nos salvar. Muitas pessoas fazem caridade e doações para os pobres com o coração sincero. Mas o que a Bíblia ensina? Em Isaías 64:6 aprendemos que, por mais sinceras que sejam estas atitudes, diante de Deus as nossas justiças e boas obras são consideradas como trapos de imundícia, isto é, sem valor nenhum.
Quando Jesus realizava seu ministério ensinando os seus discípulos um jovem rico veio procurá-lo. Este jovem tinha qualidades morais excepcionais e um comportamento irretocável. Ele nunca tinha feito mal a ninguém e guardava os mandamentos de Deus desde a sua juventude, com toda sinceridade no coração. Este jovem perguntou ao Senhor Jesus: “Que farei para herdar a vida eterna?” Apesar de fazer boas obras, e seguir os mandamentos da Lei de Moisés, Ele gostaria de ouvir a resposta de Cristo sobre este assunto. Mas Jesus desafiou aquele rapaz a vender tudo o que tinha para seguir a Cristo. Diz a Bíblia que aquele jovem saiu triste para sua casa, porque era dono de muitas propriedades. Ele não queria abrir mão do seu conforto para seguir a Jesus.
Observem comigo: sua vida exterior era perfeita e suas atitudes eram sinceras, mas escondia um coração ainda escravizado pelas riquezas. O deus que aquele jovem dizia seguir com sinceridade na verdade era uma ilusão. E ainda é assim hoje. Conheço várias pessoas que possuem sinceridade e mostram muita integridade em suas ações, mas suas vidas ainda não pertencem a Cristo e não querem segui-lo de todo coração. Preferem usar a capa da religião e das boas obras para não ter que assumir um compromisso verdadeiro com o Senhor Jesus. Se você, meu caro leitor, pensa e age desta forma, eu quero dizer: sua sinceridade não vai aproximá-lo de Deus. Na verdade, esta sinceridade em ser religioso vai afastá-lo do verdadeiro arrependimento por meio da fé em Cristo, como afastou os fariseus da época de Jesus.
Concluindo, a simples sinceridade de coração não vai salvar ninguém, pois todos pecaram e não podem agradar a Deus. É por isso que todos nós precisamos de um Salvador pessoal que é Cristo Jesus, que “veio ao mundo, para salvar os pecadores” (1 Timóteo 1:15), pois “em nenhum outro nome há salvação, porque debaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4:12).



MARCOS AURELIO DE MELO
MEDITAÇÃO PARA PROGRAMA DE RÁDIO

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Fora da vontade de Deus

O crente que está enfrentando provações está fora da vontade de Deus? O tipo de pregação que ganhou força em anos recentes insiste na ideia de que um crente que está passando por provações está fora da vontade de Deus. Mas será que encontramos algum respaldo na Bíblia para esta ideia? Os líderes de muitos movimentos evangélicos dizem que as ovelhas do bom Pastor não passam por dificuldades, e se estão passando é porque estão fora da vontade de Deus. Vamos discorrer um pouco sobre este assunto segundo a ótica bíblica.
Jesus Cristo mesmo afirmou que neste mundo seus discípulos teriam aflições, que o discipulado não seria fácil e que muitas perseguições iriam surgir. Mas o cristianismo fácil que tem enganado muitas pessoas hoje afirma o justamente o contrário. Não podemos pregar um Evangelho que Cristo não nos ensinou, pois é dever de cada cristão ser zeloso para com as Escrituras.
Com este tipo de ensino é fácil lotar as igrejas, mas com certeza não tem nada de bíblico. Mas de acordo com o ensino da Palavra de Deus, o crente vai passar por provações para que a sua fé seja amadurecida e testada. Ou seja, o ensino das Escrituras é que faz parte da vontade de Deus para o crente o amadurecimento em meio às dificuldades que a vida neste mundo traz. A maturidade na vida do cristão é percebida no modo como ele reage no meio das situações difíceis que ele enfrentar.
Vamos pensar por um pouco na vida de Paulo. Este servo de Deus procurou durante toda a sua vida exercer com fidelidade o ministério que recebeu de Cristo: proclamar o Evangelho aos gentios. Mas o apóstolo Paulo tinha uma dificuldade que o atormentava muito e rogou a Deus por três vezes para ficar livre desta aflição. Ele estava fora da vontade de Deus porque enfrentava esta provação diariamente em sua vida? De jeito nenhum! Ele recebeu a seguinte resposta do Senhor: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” Isto significa que é meio às lutas e dificuldades que surge a oportunidade de sermos aperfeiçoados pelo poder de Deus. Então, meus irmãos, as provações que nos afligem servem para moldar o nosso caráter e mostram que a vontade de Deus está sendo feito em nossa vida.
Lutas e provas são certas na vida. Portanto, não estranhe passar por dificuldades, mesmo sendo um filho de Deus. E não duvide que Deus deseja ensiná-lo em meio às provações. Nós podemos confiar que Deus tem um santo propósito ao nos levar pelo vale onde muitas lágrimas são derramadas.
Então, quando você ouvir alguém dizer que as dificuldades e lutas no seu dia a dia mostram que você está fora da vontade de Deus, mostre justamente o contrário. E tenha um coração grato ao Senhor, porque por meio das provas você pode conhecer mais a Cristo e amadurecer a sua fé, experimentando a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.



MARCOS AURÉLIO DE MELO

MEDITAÇÃO PARA O PROGRAMA DE RÁDIO

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O projeto divino

Texto Bíblico: Josué 12: 1-24


Nestes últimos meses, os noticiários e reportagens mostram que as obras do PAC estão paradas. Vários projetos estão apenas no papel, porque faltam recursos financeiros para prosseguir com os investimentos em infra-estrutura. Nos próximos anos, o Brasil será palco de eventos que atraem muitos turistas como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, mas algumas obras de ampliação e modernização dos aeroportos ainda nem começaram. São projetos que não saem do papel e atrasam ainda mais o desenvolvimento do país. Os jornalistas mais irônicos afirmam que o PAC “empacou”, e não vai sair mais do lugar.
Porém, diferentemente do PAC em nosso país, Deus tinha um projeto para o Seu povo que estava em plena execução no livro de Josué. Ao lermos este livro certamente perceberemos que os projetos divinos não ficam no papel, pois a terra estava sendo conquistada paulatinamente pelo povo liderado por Josué, sob a supervisão e auxílio do Senhor. O texto em Josué 12 aponta um relatório das conquistas e vitórias do povo, sob a liderança de Moisés e de Josué. Ao observamos este contexto, fica evidente que os projetos de Deus não ficam no papel, pois Ele está sempre trabalhando para cumprir os Seus propósitos (Fl. 1:6; Jo. 5:17). Os servos de Deus estão diretamente inseridos neste projeto, e com base nisso eu gostaria de afirmar que:

“Alguns fatos devem ser considerados com relação ao projeto divino para Seus servos”


1º – CADA SERVO DO SENHOR TEM A SUA PRÓPRIA FRENTE DE BATALHA
Estas duas listas de reis e povos conquistados não querem oferecer um pano de fundo de competição entre os líderes (Moisés e Josué). Moisés liderou o povo na conquista de territórios que ficavam antes da travessia do Jordão e Josué liderou o povo na conquista de territórios que ficavam dalém do Jordão. O texto quer nos comunicar que, no projeto divino para Seus servos, as lutas que são travadas por cada crente são diferenciadas. Ou seja, as frentes de batalha que estão diante de cada servo do Senhor são distintas.
As frentes de batalha na vida de José foram duras, mas não podemos esquecer que foram divinamente orquestradas para cumprir o projeto divino na vida do Seu servo. Ele passou por traição dos irmãos (bullying), calúnias, calabouços, também enfrentou maus-tratos e foi esquecido na prisão por um longo tempo. Já as frentes de batalha na vida de Daniel foram outras. Ele esteve diretamente envolvido com o governo do rei Dario e foi constituído um dos 120 sátrapas, porém manteve-se fiel seguindo ao Senhor de todo o coração. E assim, observamos ao longo da Bíblia que as frentes de batalha são diferenciadas para os servos do Senhor. Deus não trabalha com um molde pronto; do barro Ele faz cada vaso como lhe apraz.
As frentes de batalha na minha vida são diferentes das frentes de batalha na vida de outros irmãos. O propósito das frentes de batalha é o mesmo, que é produzir um eterno peso de glória, acima de toda comparação (2 Co. 4:17–18) e nos conformar à imagem de Cristo Jesus (Rm. 8:29). O projeto divino para os Seus servos é o mesmo, e Ele há de cumpri-lo por meio de Sua amorosa providência em nossas vidas.
Não é uma atitude sábia ficar comparando “frentes de batalha”, porque Deus molda o cristão diante das lutas diárias que cada servo tem diante de si. Aprouve a Deus, na Sua soberania, orquestrar as frentes de batalha que todos nós teríamos que enfrentar. Por não entender suas frentes de batalha, muitos crentes reclamam da família na qual nasceram ou das circunstâncias desfavoráveis do seu dia-a-dia. Meu irmão, entenda que Deus tem um propósito em sua vida em meio às lutas e que a sua responsabilidade é florescer onde está plantado.
Além disso, existem frentes de batalha diferentes em relação ao pecado “que nos assedia diariamente”. Certas situações podem não constituir tentação para um crente, mas são muito tentadoras para outro. Isso acontece, porque cada crente possui um velho homem distinto, o qual precisa mortificar sem piedade. Na sua frente de batalha, Paulo esmurrava o seu próprio corpo e o reduzia à escravidão (1 Co. 9:27) para não ser achado desqualificado.


2º – CADA SERVO DO SENHOR FOI SUPRIDO DE RECURSOS PARA SUA FRENTE DE BATALHA
Moisés e Josué foram amplamente supridos dos recursos necessários para empreender suas batalhas. Deus não deixou de fortalecer Moisés na conquista daquém do Jordão, e nem deixou de fortalecer Josué na conquista dalém do Jordão. O Senhor encorajou o seu servo Josué, logo após a morte de Moisés: “Assim como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei, nem te desampararei. Sê forte e corajoso!” (Js. 1: 5-6). É desta forma que Deus dá andamento ao seu projeto na vida dos Seus servos: suprimento abundante de recursos para as frentes de batalha.
O Senhor dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor (Is. 40:29). Os recursos de Deus são abundantes em meio à tentação: Ele não permitirá que sejamos tentados além do que podemos suportar. E mesmo quando formos tentados Ele providenciará um escape, para que possamos suportar (1 Co. 10:13). A graça divina é uma fonte inesgotável de recursos para sermos vitoriosos em nossas frentes de batalha. Paulo experimentou uma frente de batalha e foi somente a graça do Senhor que o sustentou (2 Co. 12: 7-10). O Senhor nos prometeu que estará conosco em nossas frentes de batalha, suprindo-nos com recursos e oferecendo-nos graça em ocasião oportuna.
A própria Palavra de Deus ao nosso dispor é um recurso valioso, pois tudo que foi escrito para o nosso ensino foi escrito. Quando vivemos sobre a Palavra de Deus, ou seja, apoiados nela e confiantes na sua orientação, com certeza seremos vitoriosos em nossas frentes de batalha.
Quando os cristãos estão reclamando de suas frentes de batalha, murmurando a respeito das lutas e dificuldades na vida, o vazamento logo pode ser identificado: não estão utilizando os recursos que Deus disponibilizou. A Bíblia nos ensina que “pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade” (2 Pe. 1: 3-4), ou seja, não nos foi negado nenhum recurso – estamos fartamente supridos.
A letra do Hino 473 nos lembra que temos a ajuda divina em meio às lutas que travamos em nossas frentes de batalha: Sim, a luta do bem é suprema / Quando, sob o comando de Deus / A vitória é completa e segura / Porque temos a ajuda dos céus.


3º – CADA SERVO DO SENHOR DEVE EVIDENCIAR PROGRESSO NA SUA FRENTE DE BATALHA
As listas das conquistas registradas neste capítulo do livro de Josué são lembretes permanentes de que houve um avanço real. Os territórios que antes pertenciam aos povos pagãos, agora pertencem ao povo de Israel. Este registro seria lido pelas gerações posteriores para evidenciar o progresso na conquista de Canaã.
As frentes de batalha na vida cristã tem como objetivo nos aperfeiçoar cada vez mais em santidade e no temor do Senhor. As provações servem para amadurecer-nos e tirar a escória, para que sejamos vasos úteis ao nosso possuidor. De acordo com Rm. 5:3, as tribulações produzem perseverança, a perseverança produz experiência, e a experiência, esperança. Ou seja, o progresso deve ser evidenciado em meio às lutas e dissabores pelos quais passamos.
A afirmação de Jó no final da sua história chama muito a minha atenção. Sua frente de batalha não foi fácil, mas ele evidenciou progresso em seu relacionamento com Deus quando afirmou: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem” (Jó 42:5).
Quem afirma ter sido regenerado por Cristo e ainda vive na meninice espiritual é um estorvo ao Evangelho. O servo do Senhor que não dá evidências de avanço espiritual precisa rever urgentemente a sua fé. Viver andando em círculos é uma triste realidade para muitos cristãos, que cedem às pressões e esmorecem em meio à batalha. A vereda do justo é como luz da aurora, que brilha mais e mais até ser dia perfeito (Pv. 4:18); este é o progresso rumo à perfeita varonilidade em Cristo Jesus (Ef. 4:13).
“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” (2 Co. 3:18). Meu amado irmão, você tem visto transformações efetivas em sua vida diante de suas frentes de batalha? Você está sendo transformado de glória em glória?



Marcos Aurélio de Melo

Estudos no livro de Josué

quarta-feira, 11 de maio de 2011

terça-feira, 3 de maio de 2011

O cristão sadio

Muito se fala em saúde nos dias atuais. Basta ouvir o noticiário ou assistir televisão, que algum apresentador vai tratar sobre saúde bucal, saúde na terceira idade, saúde da mulher, saúde do homem, e por aí vai. Sem querer desmerecer a atenção com a saúde do nosso corpo, percebo que é necessário abordar um pouco sobre a saúde espiritual, que é a nossa real situação aos olhos do Senhor. Mas como podemos afirmar que um cristão está usufruindo de saúde espiritual? Ou seja, quais as características de um crente sadio?

Podemos afirmar que o cristão sadio percebe o "assédio do pecado" em sua vida e busca os recursos espirituais para não sucumbir. Apesar de saber que o pecado ainda habita em seu coração, o cristão sadio procura utilizar os meios de graça para evitar que seja enganado pelo pecado. Ele é alguém que faz exames regulares em sua vida, e, com base nos parâmetros das Escrituras, adota práticas que fortaleçam sua fé ainda mais. O cristão sadio está empenhado em correr com perseverança a carreira que lhe está proposta (Hb. 12:1) e então despoja-se diariamente de tudo aquilo que possa atrapalhar seu avanço. A perfeição não será obtida enquanto estiver neste mundo, mas o cristão saudável busca ser mais e mais parecido com Cristo a cada dia. Ele é disciplinado em sua jornada diária pois vislumbra o grande dia em que será conformado à perfeita imagem do Filho Unigênito de Deus.

Além disso, podemos afirmar também que o cristão sadio está sempre afinado com relacionamentos saudáveis. Seu propósito nos relacionamentos não é subtrair ou tirar vantagens. Ele quer somar na vida de outras pessoas e por isso dedica-se com afinco para não perder oportunidades preciosas de edificação e restauração. O cristão sadio segue o exemplo de Cristo e oferece o ombro amigo diante das dificuldades que alguém está passando. Seu campo de amizades não se restringe a um "gueto", pois Deus não faz acepção de pessoas. Mas por outro lado, é verdade também que a saúde espiritual do crente está em péssimas condições quando ele se assenta na roda dos escarnecedores que zombam de Deus e fica à vontade com isto. O cristão sadio vai cultivar amizades com pessoas com o objetivo de influenciá-las com a marca do Evangelho e não abrirá brechas para ser influenciado a cometer pecados contra o Senhor.

Outro fator característico de um cristão sadio é a necessidade que ele tem de cultivar a comunhão com o Senhor. O fato é que não basta ser um crente exemplar quando não existe nenhuma raiz que esteja nutrindo a vida. É por isso que um cristão sadio reconhece sua carência e busca depender de Deus por meio da oração e devocional pessoal. Ele sabe que o amadurecimente não acontece automaticamente e que é necessário nutrir um profundo amor por Deus, pois somente esta relação de intimidade produz o verdadeiro vigor. Desta forma o cristão sadio não negligencia momentos em que suas afeições por Deus são solidificadas ainda mais. Como bem escreveu C. S. Lewis: "A saúde espiritual de um homem é exatamente proporcional ao seu amor por Deus."


MARCOS AURÉLIO DE MELO