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quarta-feira, 18 de maio de 2011

O projeto divino

Texto Bíblico: Josué 12: 1-24


Nestes últimos meses, os noticiários e reportagens mostram que as obras do PAC estão paradas. Vários projetos estão apenas no papel, porque faltam recursos financeiros para prosseguir com os investimentos em infra-estrutura. Nos próximos anos, o Brasil será palco de eventos que atraem muitos turistas como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, mas algumas obras de ampliação e modernização dos aeroportos ainda nem começaram. São projetos que não saem do papel e atrasam ainda mais o desenvolvimento do país. Os jornalistas mais irônicos afirmam que o PAC “empacou”, e não vai sair mais do lugar.
Porém, diferentemente do PAC em nosso país, Deus tinha um projeto para o Seu povo que estava em plena execução no livro de Josué. Ao lermos este livro certamente perceberemos que os projetos divinos não ficam no papel, pois a terra estava sendo conquistada paulatinamente pelo povo liderado por Josué, sob a supervisão e auxílio do Senhor. O texto em Josué 12 aponta um relatório das conquistas e vitórias do povo, sob a liderança de Moisés e de Josué. Ao observamos este contexto, fica evidente que os projetos de Deus não ficam no papel, pois Ele está sempre trabalhando para cumprir os Seus propósitos (Fl. 1:6; Jo. 5:17). Os servos de Deus estão diretamente inseridos neste projeto, e com base nisso eu gostaria de afirmar que:

“Alguns fatos devem ser considerados com relação ao projeto divino para Seus servos”


1º – CADA SERVO DO SENHOR TEM A SUA PRÓPRIA FRENTE DE BATALHA
Estas duas listas de reis e povos conquistados não querem oferecer um pano de fundo de competição entre os líderes (Moisés e Josué). Moisés liderou o povo na conquista de territórios que ficavam antes da travessia do Jordão e Josué liderou o povo na conquista de territórios que ficavam dalém do Jordão. O texto quer nos comunicar que, no projeto divino para Seus servos, as lutas que são travadas por cada crente são diferenciadas. Ou seja, as frentes de batalha que estão diante de cada servo do Senhor são distintas.
As frentes de batalha na vida de José foram duras, mas não podemos esquecer que foram divinamente orquestradas para cumprir o projeto divino na vida do Seu servo. Ele passou por traição dos irmãos (bullying), calúnias, calabouços, também enfrentou maus-tratos e foi esquecido na prisão por um longo tempo. Já as frentes de batalha na vida de Daniel foram outras. Ele esteve diretamente envolvido com o governo do rei Dario e foi constituído um dos 120 sátrapas, porém manteve-se fiel seguindo ao Senhor de todo o coração. E assim, observamos ao longo da Bíblia que as frentes de batalha são diferenciadas para os servos do Senhor. Deus não trabalha com um molde pronto; do barro Ele faz cada vaso como lhe apraz.
As frentes de batalha na minha vida são diferentes das frentes de batalha na vida de outros irmãos. O propósito das frentes de batalha é o mesmo, que é produzir um eterno peso de glória, acima de toda comparação (2 Co. 4:17–18) e nos conformar à imagem de Cristo Jesus (Rm. 8:29). O projeto divino para os Seus servos é o mesmo, e Ele há de cumpri-lo por meio de Sua amorosa providência em nossas vidas.
Não é uma atitude sábia ficar comparando “frentes de batalha”, porque Deus molda o cristão diante das lutas diárias que cada servo tem diante de si. Aprouve a Deus, na Sua soberania, orquestrar as frentes de batalha que todos nós teríamos que enfrentar. Por não entender suas frentes de batalha, muitos crentes reclamam da família na qual nasceram ou das circunstâncias desfavoráveis do seu dia-a-dia. Meu irmão, entenda que Deus tem um propósito em sua vida em meio às lutas e que a sua responsabilidade é florescer onde está plantado.
Além disso, existem frentes de batalha diferentes em relação ao pecado “que nos assedia diariamente”. Certas situações podem não constituir tentação para um crente, mas são muito tentadoras para outro. Isso acontece, porque cada crente possui um velho homem distinto, o qual precisa mortificar sem piedade. Na sua frente de batalha, Paulo esmurrava o seu próprio corpo e o reduzia à escravidão (1 Co. 9:27) para não ser achado desqualificado.


2º – CADA SERVO DO SENHOR FOI SUPRIDO DE RECURSOS PARA SUA FRENTE DE BATALHA
Moisés e Josué foram amplamente supridos dos recursos necessários para empreender suas batalhas. Deus não deixou de fortalecer Moisés na conquista daquém do Jordão, e nem deixou de fortalecer Josué na conquista dalém do Jordão. O Senhor encorajou o seu servo Josué, logo após a morte de Moisés: “Assim como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei, nem te desampararei. Sê forte e corajoso!” (Js. 1: 5-6). É desta forma que Deus dá andamento ao seu projeto na vida dos Seus servos: suprimento abundante de recursos para as frentes de batalha.
O Senhor dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor (Is. 40:29). Os recursos de Deus são abundantes em meio à tentação: Ele não permitirá que sejamos tentados além do que podemos suportar. E mesmo quando formos tentados Ele providenciará um escape, para que possamos suportar (1 Co. 10:13). A graça divina é uma fonte inesgotável de recursos para sermos vitoriosos em nossas frentes de batalha. Paulo experimentou uma frente de batalha e foi somente a graça do Senhor que o sustentou (2 Co. 12: 7-10). O Senhor nos prometeu que estará conosco em nossas frentes de batalha, suprindo-nos com recursos e oferecendo-nos graça em ocasião oportuna.
A própria Palavra de Deus ao nosso dispor é um recurso valioso, pois tudo que foi escrito para o nosso ensino foi escrito. Quando vivemos sobre a Palavra de Deus, ou seja, apoiados nela e confiantes na sua orientação, com certeza seremos vitoriosos em nossas frentes de batalha.
Quando os cristãos estão reclamando de suas frentes de batalha, murmurando a respeito das lutas e dificuldades na vida, o vazamento logo pode ser identificado: não estão utilizando os recursos que Deus disponibilizou. A Bíblia nos ensina que “pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade” (2 Pe. 1: 3-4), ou seja, não nos foi negado nenhum recurso – estamos fartamente supridos.
A letra do Hino 473 nos lembra que temos a ajuda divina em meio às lutas que travamos em nossas frentes de batalha: Sim, a luta do bem é suprema / Quando, sob o comando de Deus / A vitória é completa e segura / Porque temos a ajuda dos céus.


3º – CADA SERVO DO SENHOR DEVE EVIDENCIAR PROGRESSO NA SUA FRENTE DE BATALHA
As listas das conquistas registradas neste capítulo do livro de Josué são lembretes permanentes de que houve um avanço real. Os territórios que antes pertenciam aos povos pagãos, agora pertencem ao povo de Israel. Este registro seria lido pelas gerações posteriores para evidenciar o progresso na conquista de Canaã.
As frentes de batalha na vida cristã tem como objetivo nos aperfeiçoar cada vez mais em santidade e no temor do Senhor. As provações servem para amadurecer-nos e tirar a escória, para que sejamos vasos úteis ao nosso possuidor. De acordo com Rm. 5:3, as tribulações produzem perseverança, a perseverança produz experiência, e a experiência, esperança. Ou seja, o progresso deve ser evidenciado em meio às lutas e dissabores pelos quais passamos.
A afirmação de Jó no final da sua história chama muito a minha atenção. Sua frente de batalha não foi fácil, mas ele evidenciou progresso em seu relacionamento com Deus quando afirmou: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem” (Jó 42:5).
Quem afirma ter sido regenerado por Cristo e ainda vive na meninice espiritual é um estorvo ao Evangelho. O servo do Senhor que não dá evidências de avanço espiritual precisa rever urgentemente a sua fé. Viver andando em círculos é uma triste realidade para muitos cristãos, que cedem às pressões e esmorecem em meio à batalha. A vereda do justo é como luz da aurora, que brilha mais e mais até ser dia perfeito (Pv. 4:18); este é o progresso rumo à perfeita varonilidade em Cristo Jesus (Ef. 4:13).
“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” (2 Co. 3:18). Meu amado irmão, você tem visto transformações efetivas em sua vida diante de suas frentes de batalha? Você está sendo transformado de glória em glória?



Marcos Aurélio de Melo

Estudos no livro de Josué

quinta-feira, 17 de março de 2011

Uma vitória necessária

Texto-bíblico: Josué 8: 1-29

Muito se fala em vitória nos nossos dias. As pessoas estão em busca de vitórias profissionais, financeiras e amorosas, e por isso fazem todos os esforços possíveis para obter o que desejam. Um pregador televisivo lançou uma Bíblia de Estudo que trata sobre “Batalha Espiritual e Vitória Financeira”, na qual distorce inúmeros versículos ao seu bel-prazer. Vitórias são “reclamadas” por pessoas que presumem ter o controle sobre Deus e acham que podem determinar a agenda do Senhor. Constantemente, várias aberrações surgem no arraial evangélico para garantir vitórias a qualquer custo diante das intempéries da vida. Mas são poucos os interessados em ser vitoriosos contra o velho homem. Este é o triste retrato da maior parte dos evangélicos em nosso país.
Neste texto bíblico em epígrafe, estamos diante de uma cena de guerra. Mas, observando a estratégia militar utilizada por Josué e o povo de Israel para destruir a cidade cananéia de Ai, devemos perceber que neste contexto há ensinos espirituais muito significativos para nós hoje. Deus quer que aprendamos princípios para vencer batalhas contra o velho homem que habita em cada um de nós. Estas batalhas internas são muito importantes e necessárias, pois vão determinar as vitórias sobre a carne e o pecado. Não adianta alguém se considerar vitorioso profissional ou financeiramente, se dentro dele o velho “eu” ainda está no comando.
Batalhas espirituais são travadas diariamente, quando lutamos contras nossas vontades pecaminosas e quando estamos diante de dilemas que envolvem sérias decisões para mortificar o velho homem. Como disse um escritor, a vida cristã não é um parque de diversões, mas sim um campo de batalhas. Estamos envolvidos numa luta que não é contra carne e sangue (Ef. 6:12), e Paulo também ordenou aos seus leitores: “Fazei, pois, morrer (necroo) a vossa natureza terrena” (Cl. 3:15). A VIDA DO CRENTE É UMA BATALHA CONSTANTE, POR ISSO NÃO EXISTE SANTIDADE SEM SUOR.

Diante deste contexto eu gostaria de afirmar que:
“PARA SERMOS VITORIOSOS NAS BATALHAS CONTRA O VELHO HOMEM NÃO PODEMOS IGNORAR ALGUNS PRINCÍPIOS”

? De acordo com este texto que princípios não podemos ignorar para sermos vitoriosos nas batalhas contra o velho homem?
! De acordo com este texto, para sermos vitoriosos nas batalhas contra o velho homem não podemos ignorar pelo menos três princípios.

OBS.: Deus requer o engajamento de cada um de nós nesta batalha diária contra nossas vontades pecaminosas, pois o velho homem não deve ter o domínio sobre nossa vida. O crente está em paz com Deus, mas em guerra constante contra o pecado. O crente que não está engajado nesta guerra precisa urgentemente reavaliar o tipo de cristianismo que abraçou. Kris Lunggaard escreveu o seguinte: “Aqueles que se recusam a matar a carne estão querendo viver de acordo com a carne.” As estratégias para vencer as batalhas contra o velho homem são inúteis quando ignoramos estes princípios que passaremos a analisar tendo como base este texto bíblico:

1 – TODA PROMESSA QUE PROCEDE DO SENHOR É CONFIÁVEL (vs. 1)
Deus garantiu a vitória ao seu povo. Agora o povo tinha o respaldo do Senhor e não havia pendências em aberto. O Senhor afirmou diretamente a Josué que Ai seria destruída tal como Jericó (Js. 6:2). Crer nesta promessa seria fundamental para a vitória sobre os inimigos. Aliás, esta promessa de possuir a terra já tinha sido garantida há muitos anos atrás (Gn. 12:7-8) ao patriarca Abrão.
A Bíblia está repleta de promessas que nos asseguram inúmeros recursos ao nosso dispor para sermos vitoriosos contra o velho homem. São promessas que devem nos encher de coragem para nos engajarmos na luta contra o “eu” que insiste em nos ameaçar. Em 1 Co. 10:13, lemos que Deus conhece perfeitamente até que ponto podemos suportar e não permitirá que sejamos tentados além das nossas forças, e ainda nos oferece o escape para que sejamos vitoriosos. Quando confiamos plenamente nesta promessa, não vamos ficar inventando desculpas evasivas para não mortificar a natureza humana. Em 1 Pe. 1:3-4, o apóstolo Pedro nos relembra que as promessas de Deus são recursos indispensáveis para sermos livres da corrupção das paixões que há no mundo.
Deus nos garante em Sua Palavra: se estivermos debaixo da graça de Deus, então o pecado não terá domínio sobre nós, isto é, o pecado não reinará absoluto (Rm. 6:14). Muitas pessoas levantam a bandeira branca e desistem de batalhar, porque não entenderam esta verdade.
Você tem se apegado firmemente às promessas de Deus na luta contra seus desejos e vontades carnais? O seu propósito mais urgente deve ser viver baseado nas promessas de Deus, pois todas as Suas promessas são confiáveis. O crente que não confia no que Deus prometeu em Sua Palavra não está pronto para a batalha. As promessas divinas oferecem segurança para avançar no combate contra o velho homem, e faremos bem se não ignorarmos nenhuma.

2 – TODA INSTRUÇÃO QUE PROCEDE DO SENHOR É INEGOCIÁVEL (vs. 2, 8)
Deus instruiu Josué para preparar um ataque surpresa contra a cidade de Ai. Alguns israelitas fugiriam dos guerreiros de Ai, e quando a cidade estivesse vazia, um grupo atacaria e queimaria tudo pela frente. Esta estratégia foi seguida à risca conforme o relato no texto bíblico. O Senhor também ofereceu instruções para a conquista de Jericó (Js. 6); a vitória foi completa porque não houve desvio do plano original traçado por Deus. “O QUE DEUS DIZ NÃO PODE SER IGNORADO EM HIPÓTESE ALGUM.”
Para que este plano fosse executado na íntegra, o povo não deveria buscar soluções “pragmáticas”. O pragmatismo invadiu as igrejas evangélicas. A ideia básica por trás do pragmatismo é a seguinte: se algo funciona então deve ser implementado mesmo que os ensinos bíblicos sejam negligenciados. Mas também invadiu a vida dos cristãos de tal modo que a solução encontrada para resolver problemas geralmente passa longe da Bíblia. Vários crentes procuram a psicoterapia para se livrar de um fardo de culpa, quando na realidade deveriam se voltar para o perdão gracioso ofertado por Jesus Cristo, que restaura a alma completamente. Outros procuram os gurus da psicologia para ajudá-los a conviver pacificamente com o marido ou com a esposa. O melhor caminho é buscar a orientação bíblica sobre os relacionamentos e agir com base nas instruções do Senhor. A Palavra de Deus é útil e eficaz para trazer-nos as instruções necessárias a um viver agradável ao Senhor (2 Tm. 3:16) à ensino, repreensão, correção, instrução.
Como perfeito fabricante, é Deus quem nos conhece perfeitamente bem. Somente Ele é quem sabe quais são as nossas reais fragilidades na luta contra o velho homem. É por isso que o cristão deve recorrer constantemente à Palavra do Senhor para não ser iludido por estratégias superficiais que trazem maiores derrotas. As instruções do Senhor não podem ser negociadas em hipótese nenhuma e Suas ordens não devem ser obedecidas pela metade, pois uma obediência parcial é uma desobediência total. Vários exemplos na Bíblia servem para nos alertar que não estamos autorizados a burlar as instruções divinas e seguir a nossa intuição (Sansão). Lembre-se sempre: seguir as orientações do Senhor nunca faz mal.
“O crente que ignora o princípio da suficiência das Escrituras em seu viver receberá um atestado de óbito espiritual.” Na verdade, o crente não tem como obter vitória contra o pecado enquanto não se submeter completamente às instruções do Senhor para a sua vida. As instruções divinas não são opcionais. Você tem seguido às instruções de Deus para lidar com o pecado em seu coração? Ou tem buscado métodos e técnicas humanas para tratar o que somente a Palavra de Deus está autorizada a oferecer a solução eficaz? Não negocie as instruções do Senhor por nada neste mundo, pois os prejuízos não compensam e as aparentes vitórias não trazem glória ao nome do Senhor.

3 – TODA CAPACITAÇÃO QUE PROCEDE DO SENHOR É INDISPENSÁVEL (21-22; 18-19, 26)
Em todo o contexto do livro de Josué observamos que Deus supre o Seu povo com a capacitação necessária. As vitórias registradas na Bíblia servem para comprovar que o Senhor esteve constantemente engajado nas batalhas ao lado do Seu povo. Se não fosse a capacitação do Senhor este povo pastoril não teria conquistado Jericó, Ai e outras cidades em Canaã.
Seremos facilmente derrotados na batalha contra o “eu” se não entendermos que temos ao nosso dispor os recursos para vencermos. O Senhor nos capacita mediante a habitação do Seu Espírito em nós em nós, conforme: 2 Co. 6:16; 1 Co. 3:16; 1 Co. 6:19. Para experimentar vitórias progressivas contra a natureza pecaminosa, o crente deve reconhecer que sozinho não conseguirá. Ele precisa depender diariamente da graça de Deus que opera em nós tanto o querer como o realizar segundo a Sua boa vontade (Filipenses 2:13).
Deus sempre nos fortalece para cumprirmos os Seus propósitos. E um dos propósitos que Deus deseja executar em nós é o crescimento em santidade, até atingirmos a estatura de varão perfeito (Ef. 4:13). Para isso, o Senhor capacita os Seus filhos em cada momento.
A santificação é uma via de mão-dupla. Podemos exemplificar com uma equação: S = E + D, ou seja, santificação é igual a esforço (da nossa parte) e dependência (da graça divina). Sem o correto entendimento desta equação, vamos ficar remando contra a maré e nunca experimentaremos vitórias efetivas contra o velho homem em nossas vidas. Os frutos do Espírito descritos na carta aos Gálatas só podem ser produzidos em nós por meio da atuação do Espírito Santo de Deus. Assim também, as obras da carne só podem ser aniquiladas por meio da capacitação divina (Rm. 8:13).
Você tem se esforçado em vão para vencer as batalhas contra o velho homem baseando-se apenas em suas estratégias? Se suas estratégias já falharam em várias ocasiões, é prova que você não está dependendo da capacitação que procede de Deus.

ESTUDOS NO LIVRO DE JOSUÉ
MARCOS AURÉLIO DE MELO

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Condicionamento Espiritual

Texto-Bíblico: Josué 6: 1-21

Introdução:
Em muitos concursos públicos é realizado um teste de resistência ou aptidão física, para avaliar o condicionamento físico dos candidatos. Esta avaliação engloba alguns testes específicos tais como: teste de flexão abdominal, teste de resistência aeróbica (por exemplo, uma corrida de 2400m em 13 min), teste em barra fixa, teste de natação. Estes testes possuem caráter eliminatório e visam estabelecer um padrão mínimo de condicionamento físico para ingressar no cargo.
O texto bíblico em epígrafe nos apresenta um quadro que antecede uma grande vitória. Mas nesta situação, observamos que Deus não estava interessado em saber qual era o condicionamento físico do povo de Israel. O Senhor estava interessado em avaliar o condicionamento espiritual do povo, mediante a utilização de alguns testes específicos. Não quero dizer que Deus não conhecia o povo, mas estes testes seriam utilizados para que o próprio povo soubesse em que patamar se encontrava o seu condicionamento espiritual.

Diante destes esclarecimentos iniciais, eu gostaria de afirmar que o condicionamento espiritual do crente é avaliado por meio de testes específicos. Mas que testes específicos servem para avaliar o condicionamento espiritual do crente?

Muitas pessoas estão interessadas em manter o condicionamento físico, mas não se importam com o seu condicionamento espiritual. É importante que cada crente se exercite pessoalmente na piedade. A Bíblia nos adverte em 1 Tm. 4:8 que: “o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa.” O nosso condicionamento espiritual é diariamente avaliado por meio de alguns testes específicos, que passaremos a analisar a partir de agora.

1º - O teste da obediência (vs. 3 - 7)
As instruções específicas de Deus para a vitória sobre Jericó deveriam ser seguidas à risca. Nenhuma ordem do Senhor deveria ser desconsiderada pelo povo de Israel. Deus estabeleceu aquela estratégia militar incomum para aquela época para ser obedecida em todos os aspectos. O povo deveria rodear a cidade por seis dias (uma vez por dia) e no sétimo dia deveria rodear a cidade de Jericó sete vezes. Nos seis dias o povo marcharia silenciosamente, mas no sétimo dia os 7 sacerdotes deveriam tocar as 7 trombetas, e o povo deveria gritar em alta voz. O versículo 8 resume bem a obediência completa de todo o povo: “Assim foi como Josué dissera ao povo...”
O condicionamento espiritual de um crente realmente é medido pela obediência. Quando observamos o condicionamento espiritual de Saul, percebemos que ele foi reprovado justamente no teste da obediência. Em I Samuel 15, a ordem de Deus para Saul foi clara: destruir totalmente o povo amalequita. Mas Saul resolveu obedecer do seu próprio jeito, poupando o melhor das ovelhas e dos bois, bem como o rei Agague. O rei Saul não executou integralmente às ordens do Senhor e por isso foi rejeitado. Suas boas intenções de oferecer sacrifício não foram aceitas como desculpa para a desobediência: “o obedecer é melhor do que o sacrificar” (I Sm. 15:22).
A verdade é que aos olhos de Deus, uma obediência parcial é sempre uma desobediência total. Quando o Senhor oferece instruções específicas elas devem ser seguidas na íntegra. O crente que está sendo desobediente e rebelde diante das instruções de Deus, oferece provas suficientes de um péssimo condicionamento espiritual. E a obediência que agrada a Deus não é apenas aparente, pelo contrário, nasce e flui do coração. Os últimos discursos de Moisés estão repletos de exortações à obediência de coração (Dt. 26:16 e Dt. 32:46),
O condicionamento espiritual do crente não é avaliado pelo conhecimento teológico ou acadêmico que ele conquistou ao longo dos anos. Também não é avaliado pelo conhecimento das línguas originais do texto bíblico. Ouvir as instruções do Senhor e não obedecer é um auto-engano (Tiago 1:22). Jesus também ilustra que alguém que conhece a Palavra de Deus e não a pratica é como um homem que construiu sua casa sobre a areia. A resistência de uma casa sem fundamentos diante das tempestades não é a mesma de uma casa com sólidos alicerces e bem estruturada.
Se de fato amamos a Cristo seremos aprovados no teste da obediência. O próprio Jesus afirmou: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.” Será que temos obedecido a Deus de todo o coração como prova do nosso amor para com Ele? Este é um teste decisivo que vai apontar como está o nosso condicionamento espiritual.

2º - O teste da paciência
O povo de Israel também foi testado com relação à paciência. Não poderia haver nenhuma precipitação se quisessem ser vitoriosos contra Jericó. Deus estabeleceu prazos que deveriam ser atendidos. Todo o povo deveria entender que o cronograma divino não segue o cronograma humano. Em nenhuma hipótese Israel poderia se apressar para vencer a poderosa cidade de Jericó. O cronograma divino não poderia ser burlado em hipótese alguma, para satisfazer a vont
Deus tem um tempo certo para todas coisas debaixo do céu, conforme Eclesiastes 3:1-8, porque “Ele fez tudo formoso no seu devido tempo” (Ec. 3:11a). Em alguns salmos o salmista questiona enfaticamente: “Até quando, Senhor?” diante de situações desconfortáveis ou se sentia abalado. O profeta Habacuque também questionou o cronograma divino diante dos ataques que o povo de Israel estava sofrendo: “Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás?” (Hb. 1:2)
Esta tendência de questionar o cronograma divino é típica de um coração que ainda não depositou total confiança na providência divina. Por natureza o homem é movido pelas circunstâncias. O grande teste para avaliar o nosso condicionamento espiritual é a paciência diante de condições adversas. O exercício da paciência desenvolve no crente várias habilidades espirituais que serão úteis para suportar com perseverança as provações do viver. É por isso que a paciência deve ser exercitada diariamente para evitar pecados como a ansiedade e a preocupação.
O rei Saul realmente não tinha um condicionamento espiritual adequado, pois ele também falhou no teste da paciência. No texto bíblico em I Samuel 13:8-12, observamos a precipitação do rei Saul que ofereceu holocausto e ofertas pacíficas no lugar do profeta Samuel, coisa abominável aos olhos do Senhor. Esta atitude de Saul mostrou que ele não estava preparado para assumir o trono de rei. Quando agimos precipitadamente, perdemos a chance de discernir que o tempo de Deus não é o nosso tempo e que o Seu modo de agir é incomparavelmente melhor.
Na palavra de Deus a virtude da paciência está associada com a sabedoria: “O longânimo é grande em entendimento, mas o de ânimo precipitado exalta a loucura” (Pv. 14:29) e “Melhor é o longânimo do que o herói da guerra, e o que domina o seu espírito, do que o que toma uma cidade” (Pv. 16:32). Esta capacidade de esperar o tempo certo de agir nos livra de inúmeros problemas. Saber o momento certo de recuar é uma grande prova de que estamos aprendendo o que é longanimidade, por que “não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado” (Pv. 19:2).

3º - O teste da dependência
Deus já tinha prometido a Josué que a cidade Jericó estava vencida (vs. 2). O povo tinha apenas que depender do Senhor e confiar nesta promessa para ser vitorioso. As grandes muralhas de Jericó não seriam obstáculo para o Deus Todo-Poderoso, mas o coração do povo tinha que descansar confiantemente na ação miraculosa do Senhor. O povo de Israel não era versado em guerras. Era formado por ex-escravos no Egito e ex-peregrinos no deserto. Não havia nenhuma habilidade bélica que pudesse ser levada em consideração diante de uma fortaleza inexpugnável como a cidade de Jericó. Somente na dependência exclusiva do Senhor o povo poderia provar a vitória.
Não é ridículo admitir a nossa incapacidade e fragilidade diante do Senhor. Ridículo é tentar lutar com as próprias forças e acumular várias contusões ao longo do caminho. Em Jeremias 9:23-24, o profeta nos apresenta um desafio para o nosso orgulho: “Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR.” Nunca iremos apresentar um bom condicionamento espiritual se negligenciamos a dependência constante do Senhor.
Precisamos admitir que, sem Deus, os nossos melhores esforços nada são. O Salmo 127: 1-2 nos ensina que Deus é o doador e que nós precisamos depender d’Ele em cada dia, confiando em Sua mão providencial. O povo de Israel recebia o maná diariamente e todos deveriam pegar apenas o suficiente para aquele dia. Isto era para humilhá-los e prová-los, pois Deus queria que eles aprendessem que eram dependentes d’Ele. A oração que Cristo ensinou aos seus discípulos faz referência ao “pão nosso de cada dia”, para demonstrar que o crente depende exclusivamente de Deus em cada novo amanhecer.
A Bíblia nos ensina que depender de Deus não é indolência e nem apatia; é uma virtude forjada no coração do crente pelo poder do Espírito Santo. É óbvio que Deus não vai realizar o que é de nossa responsabilidade, mas precisamos confiar que o Senhor é quem supre cada uma de nossas necessidades conforme Lhe apraz. Que possamos admitir nossa fragilidade o quanto antes para evitar novas frustrações.


MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS NO LIVRO DE JOSUÉ

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

UM REMÉDIO EFICAZ

TEXTO: JOSUÉ 4: 21-24

Há algumas semanas atrás um programa de televisão exibiu uma série de reportagens sobre remédios fitoterápicos que estavam sob suspeita. O título da série era uma pergunta sobre a eficácia destes remédios: "É bom pra quê?". O objetivo da série foi discutir os usos e abusos dos tratamentos médicos feitos com produtos derivados de plantas que não passaram pela aprovação científica dos estudos clínicos. Uma senhora que estava com câncer de mama ouviu dizer que o chá da folha de graviola seria fundamental na luta contra a doença. Então, ela parou de tomar os remédios convencionais e suspendeu por conta própria a quimioterapia. Alguns testes realizados por uma universidade demonstraram que as substâncias presentes na folha de graviola aumentaram o crescimento de células malignas. Ou seja, células, em vez de ter o crescimento inibido, em vez de parar de multiplicar, se multiplicaram ainda mais. Este remédio fitoterápico não se mostrou eficaz contra o câncer, muito pelo contrário, tornou-se um veneno dentro do organismo daquela senhora da reportagem.
Há uma doença que nos acompanha desde o nascimento. Esta doença é o pecado da incredulidade. Mesmo após uma profissão de fé na pessoa e obra de Cristo, podemos incorrer neste pecado em nosso dia-a-dia. O escritor da carta aos Hebreus faz um alerta para crentes: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo” (Hb. 3:12)A incredulidade pode brotar no coração e encontrar terreno fértil se não for devidamente tratada. Por isso é fundamental sabermos qual o remédio correto a ser aplicado contra a incredulidade, para que não sejamos surpreendidos por falsas propostas.
Neste texto bíblico, a construção de um memorial de doze pedras retiradas do rio Jordão tinha um propósito muito claro. Este memorial seria uma lembrança constante dos grandes feitos do Senhor em favor do seu povo, e seria eficaz contra a incredulidade que poderia surgir nas futuras gerações. Ao olhar para aquele memorial os filhos de Israel deveriam relembrar que o Senhor realizou um grandioso milagre ao abrir passagem no meio do rio.

Proposição:
“Recordar os feitos do Senhor é um remédio eficaz contra a incredulidade”
Por que recordar os feitos do Senhor é um remédio eficaz contra a incredulidade?
De acordo com este texto bíblico, recordar os feitos do Senhor é um remédio eficaz contra a incredulidade por três razões:

1ª. Razão: Porque este remédio restabelece a nossa confiança no cuidado de Deus (vs. 22)

O texto nos fala que o povo de Israel atravessou em seco o rio Jordão. Era uma época de cheia do rio, “o Jordão transbordava sobre todas as suas ribanceiras” (Js. 3:15). Diz a Bíblia que o povo passou a pé enxuto, pois as águas que vinham de cima ficaram paradas. O povo de Israel já tinha visto o cuidado de Deus desde a saída do Egito: o maná que desceu do céu, a água que saiu da rocha, águas amargas que se tornaram doce, as codornizes, a rota no deserto, a coluna de nuvem durante o dia, a coluna de fogo durante a noite, a serpente de bronze que foi levantada no deserto, a grande vitória contra os amalequitas,
O cuidado de Deus deve ser visto nas pequenas coisas também. Deus se importa nos mínimos detalhes com cada filho dele. Somos alvo do Seu cuidado até mesmo quando estamos dormindo. Suas mãos protetoras nos auxiliam em meio às dificuldades inerentes da condição humana. Ao recordar os feitos do Senhor o crente restabelece sua confiança no cuidado amoroso de Deus, pois reconhece que sem o cuidado terno do Senhor não haveria esperança nenhuma. Os atos de Deus em nossa história sempre são recheados com a Sua graça, bondade e misericórdia.
Grande parte da ansiedade que sentimos é fruto de um coração egocêntrico que ainda não aprendeu a descansar no cuidado de Deus. O apóstolo Pedro nos ensina que devemos lançar sobre Deus toda a nossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de nós (I Pe. 5:7). E ansiedade nada mais é do que incredulidade pura disfarçada de um senso de preocupação legítima. Sendo assim, o remédio para combater esta incredulidade é recordar os feitos do Senhor ao longo de nossa vida e perceber o Seu cuidado sempre presente. O pastor de ovelhas Davi reconheceu que sua vida estava nas mãos o Supremo Pastor, e por isso ele devia depender a cada instante de Sua Maravilhosa graça.
Como está a sua percepção do cuidado de Deus em cada circunstância do seu viver? Você consegue se recordar dos feitos maravilhosos do Senhor e perceber o Seu cuidado como pastor de sua vida? Ele nos guarda como a menina dos olhos e nos esconde à sombra das Suas asas" (Salmos 17:8). Como é bom confiar nesta certeza do cuidado de Deus sobre nossas vidas em meio às lutas da nossa peregrinação.

2ª. Razão: Porque este remédio restabelece a nossa confiança na fidelidade de Deus (vs. 23)

O texto bíblico faz questão de trazer à memória um fato notório que aconteceu há 40 anos atrás na história do povo de Israel: “fez secar as águas do Jordão diante de vós, até que passásseis, como o SENHOR, vosso Deus, fez ao mar Vermelho.” Observem que a conjunção “como” estabelece uma comparação e transmite a ideia de: “da mesma forma”, “do mesmo modo”, “tal qual”, “de maneira idêntica”. Na época da travessia do Mar Vermelho o líder era Moisés, e agora diante do rio Jordão o líder é Josué. Mudou-se o líder, mas Deus não mudou. O povo devia entender que a fidelidade do Senhor em realizar os seus propósitos não estava atrelada a pessoas específicas. Deus foi fiel ao conduzir o povo no deserto sob a liderança de Moisés e continuaria sendo fiel na conquista de Canaã, sob a liderança de Josué. Estes grandes homens foram ricamente usados na liderança do povo, mas toda a glória deve ser colocada na conta de um Deus que sempre permaneceu fiel. Nenhuma das promessas divinas falhou e agora, um recomeço estava sendo oferecido a Israel. Uma geração incrédula morreu no deserto porque temeu entrar a terra prometida, mas Deus não mudou os seus planos por que Ele é fiel às suas promessas.
Recordar o que Deus tem feito em nossas vidas é um remédio eficaz que restabelece a nossa confiança da fidelidade de Deus. Olhar para o passado e perceber os memoriais que mostram o quão fiel Deus é, deve trazer refrigério e alegrar o nosso coração. Suas promessas não falham, pois Deus não é homem para mentir e nem filho do homem para se arrepender (Nm. 23:19).
A fidelidade do Senhor se estende em todos os momentos de nossa vida. Até mesmo em meio às lutas e provações, devemos confiar que a fidelidade de Deus está sobre nós: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (1 Co. 10:13). Deus já estabeleceu o limite até onde podemos suportar.
Você reconhece a fidelidade de Deus sobre a sua vida? Assim como o profeta Samuel, quando recordamos os feitos do Senhor precisamos erguer o nosso “Ebenézer”, que nos fala sobre a fidelidade divina em nosso favor. Samuel ergueu o seu Ebenézer em Mispa disse: “Até aqui nos ajudou o Senhor”. Ele contou com a fidelidade do Senhor em todos os momentos de seu ministério como profeta em Israel.

3ª. Razão: Porque este remédio restabelece a nossa confiança no poder de Deus (vs. 24)

O texto nos mostra que um dos objetivos do memorial de doze pedras era testemunhar a todos os povos da terra que “a mão do SENHOR é forte” (ou poderosa). O memorial de pedras foi erguido em Gilgal como prova do poder todo-suficiente do Deus de Israel. Sua mão poderosa foi quem conduziu aquele povo ao longo do deserto e o fez atravessar o rio Jordão até chegar a Canaã. As águas do rio Jordão pararam de escoar por causa do poder de Deus. A ideia de mão poderosa ou braço estendido é uma metáfora para ilustrar que ninguém pode deter o poder de Deus: Sua mão poderosa ultrapassa qualquer poder humano e o seu braço estendido é favorável aos Seus desígnios soberanos. “O teu braço é armado de poder, forte é a tua mão, e elevada, a tua destra” (Salmo 89:13).
Davi também reconheceu o grande poder que procede da mão do Senhor ao afirmar: “Riquezas e glória vêm de Ti, Tu dominas sobre tudo, na Tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força” (1 Crônicas 29:12). O profeta Jeremias levantou o seu clamor confiando exclusivamente no poder de Deus: “Ah! SENHOR Deus, eis que fizeste os céus e a terra com o teu grande poder e com o teu braço estendido; coisa alguma te é demasiadamente maravilhosa. Tiraste o teu povo de Israel da terra do Egito, com sinais e maravilhas, com mão poderosa e braço estendido e com grande espanto” (Jeremias 32: 17 e 21). A mão poderosa do Senhor é digna de total confiança, pois ninguém é superior ao nosso Deus.
Deus é poderoso! Seu poder supremo é infinito e atua segundo o Seu querer soberano. O poder e a soberania de Deus são duas faces da mesma moeda. Quando o crente aprende a descansar e confiar no poder de Deus, a vida se torna muito mais frutífera. E para evitar a incredulidade no poder de Deus o remédio eficaz é recordar os maravilhosos feitos do Senhor. Ao olhar para o passado e enxergar os memoriais que demonstram o grande poder de Deus em sua vida, o crente aprende a depositar sua fé em Deus somente. Um pastor puritano, Samuel Rutherford certa vez disse acertadamente: “Minha fé repousa segura na onipotência divina.”
Será se você consegue enxergar os memoriais que falam do poder de Deus em sua vida? Eu posso afirmar sem medo de errar que não são poucos. Deus continua poderoso, atuando com mão forte e braço estendido para cumprir os seus propósitos. Ele continua fazendo milagres em nossas vidas pela grandeza do Seu poder. Deus tem um modo especial de demonstrar seu poder na vida dos redimidos e não há como negar que Ele verdadeiramente age em favor do seu povo.

MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS NO LIVRO DE JOSUÉ

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Um novo começo

TEXTO BÍBLICO: Josué 3


Nos meus anos de adolescência eu gostava de jogar videogame nas horas livres. Hoje em dia a moda é o PlayStation, mas na minha época a febre era o MasterSystem. O jogo Sonic já vinha na memória do videogame, e meus esforços foram direcionados para tentar “zerar” o jogo (finalizar todas as fases). O problema é que eu não sabia como fazer para “zerar” o jogo, pois sempre que perdia a vida (life) eu tinha que reiniciar tudo de novo da primeira fase. Certa vez eu estava estudando com um amigo de escola e depois fomos para o videogame. Ele era um “expert” no assunto, em pouco tempo conseguiu finalizar todas as fases do Sonic. Como ele conseguiu esta façanha? Simples: ele usou um recurso que o próprio jogo oferece. Em algumas fases do jogo, existem prêmios (bônus) que devem ser acumulados e oferecem ao jogador a possibilidade de não começar do zero se perder todas as “vidas”. Um novo começo era oferecido dentro da fase atual do jogo, conhecido como CONTINUE.

No texto que acabamos de ler, há um novo começo sendo oferecido ao povo de Israel também. Eles tiveram outra oportunidade anos atrás de entrar na terra prometida, mas por causa do medo e rebeldia não entraram e foram disciplinados por Deus. As pessoas que foram rebeldes à voz do Senhor morreram no deserto. Mas agora Josué inaugura um novo começo na liderança do povo de Israel. Após a morte de Moisés, o novo líder tem um papel extremamente importante: a conquista da terra de Canaã. Apesar de nossa fragilidade, por sua graça e bondade Deus nos oferece oportunidades de recomeçar. O exemplo de Pedro é marcante: Jesus ofereceu a Pedro um recomeço fantástico ao dizer-lhe: “apascenta as minhas ovelhas.” Não podemos colocar um ponto final onde Deus colocou uma vírgula.

Diante deste todo este contexto eu gostaria de afirmar o seguinte:
“NA VIDA CRISTÃ, UM NOVO COMEÇO SÓ É POSSÍVEL POR MEIO DA COMPREENSÃO DE ALGUMAS VERDADES.”

QUE VERDADES DEVEMOS COMPREENDER PARA TERMOS UM NOVO COMEÇO EM NOSSAS VIDAS? De acordo com este texto devemos compreender pelo menos três verdades para termos um novo começo em nossas vidas:


1ª VERDADE) A direção divina é sempre a melhor para nossas vidas (Vs. 2-4)

O povo de Israel iria entrar por um caminho pelo qual nunca passara antes. Seria uma etapa totalmente nova a partir daquele rio. O rio estava transbordante nesta época (vs. 15) e o povo precisava da orientação do Senhor para atravessar. Contornar o rio seria a estratégia mais votada, mas Deus tinha outros planos. Era muito importante confiar no Guia para atravessar aquele caminho desconhecido e Deus estava mostrando ao povo que a direção divina, sem dúvida, é a melhor. A rota traçada por Deus é sempre a mais segura. Lembre-se que anos atrás o povo não confiou na direção de Deus e preferiu voltar para o Egito com medo dos gigantes que habitavam em Canaã.
Deus ofereceu um novo começo a Moisés depois de um treinamento intensivo de 40 anos no deserto. Moisés seria o líder, mas ele teria que confiar somente na direção divina para guiar o povo em segurança até Canaã. Milhões de homens e mulheres deveriam ser conduzidos atravessando o deserto, e Deus orientou a direção a seguir. Diante do Mar Vermelho, o povo reclamou com Moisés porque não havia nenhuma saída e o exército de Faraó se aproximava rapidamente. De forma milagrosa, Deus mostrou ao povo que o caminho a seguir seria por dentro do mar.
Não podemos ficar de “pé-atrás” com Deus, pensando que Ele está nos conduzindo pelo caminho errado. Quando desconfiamos de sua sábia providência e direção é um claro sinal de que não estamos interessados em um novo começo para as nossas vidas. Queremos a direção de Deus para um emprego, mas não queremos implementar as orientações de Deus para o nosso viver diário – instruções sábias que nos direcionam também. Temos as instruções do Senhor em Sua Palavra e o que nos falta é disposição para colocá-las em prática. Em algumas decisões que temos diante de nós, decidimos primeiro e depois levamos a situação a Deus em oração, pedindo-lhe que nos abençoe a partir de então. Um crente que está interessado em um novo começo em sua vida não pode agir desta forma. Na verdade, esta atitude prova que o seu coração ainda está voltado para suas próprias vontades e não para a vontade de Deus.
Muitas vezes ficamos resistentes à orientação divina para nossas vidas porque pensamos que os nossos caminhos são alternativas melhores. Por meio da Palavra de Deus somos orientados para viver de modo agradável a Deus. Será que estamos dispostos a vivenciar o caminho de Deus para nossas vidas? Ou será que estamos inquietos de um canto para outro, buscando alternativas que parecem ser melhores? Que possamos cantar e orar da seguinte forma: “As tuas mãos dirigem meu destino, ó Deus de amor, que sempre seja assim!”


2ª VERDADE) A santificação é sempre necessária em nossas vidas (Vs. 1, 5)

Em Josué 3:1, está escrito que a última parada do povo de Israel antes de chegar ao rio Jordão foi Sitim. É importante observar que Sitim (vs. 1) foi um lugar de pecado. A frouxidão moral e a devassidão do povo são observadas em Nm. 25:1-3. Há a descrição de fatos horríveis e vergonhosos para Israel que aconteceram neste local. O povo de Israel caiu em idolatria e prostituição com as mulheres moabitas/midianitas e afrontou a Deus com suas práticas abomináveis. Por conta desta imoralidade 24.000 pessoas morreram. Por conta disso, era necessária uma purificação completa destas práticas corruptas para a travessia do rio Jordão que simbolizava um novo começo na história deste povo. A santificação na Bíblia significa separação para uso exclusivo de Deus. Vidas santas são vidas separadas da corrupção que há no mundo para um propósito maior que é a glória de Deus.
Quando Davi reconheceu o seu pecado e suplicou o perdão de Deus, ele percebeu que estava diante de um novo começo em sua vida. Diante do Senhor, que é santo e sublime, ele não poderia se apresentar de qualquer jeito. Foi por isso que ele orou por purificação: “Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado” (Salmo 51:2). “Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve” (Salmo 51:7). Estas palavras de Davi expressam o quanto ele necessitava de santificação para este novo começo.
Não podemos falar em novo começo em nossas vidas se negligenciarmos a necessidade de santificação diária e progressiva. Qualquer pessoa que não tenha este alvo na vida precisa reavaliar o seu cristianismo. E ninguém pode afirmar que “já chegou lá”, supondo que não precisa de mais santidade em seu viver. Esta é uma falácia absurda! A Bíblia diz que “a vereda do justo é como luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”(Pv. 4:18). As cartas paulinas estão repletas de recomendações aos crentes para que expressem a santidade em seu viver. Santidade nunca foi opcional no cristianismo. É o fruto que se espera de um novo nascimento espiritual genuíno. Sem santificação ninguém verá ao Senhor (Hb. 12:14).
Devemos ser um povo santo ao Senhor, separado para viver de modo agradável a Ele. O crente que anda brincando de cristianismo, sem levar se importar com sua santidade diante de Deus, na verdade é uma fraude. O apóstolo Pedro adverte os cristãos: “Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (I Pedro 1:14-16). Será que entendemos esta recomendação de Pedro? Estamos dispostos a viver a santidade em todo o nosso procedimento? Não há como experimentar um novo começo efetivo em nossas vidas se negligenciarmos a santidade diária, que nos identifica como filhos de um Deus santo. Spurgeon escreveu: “Deus deseja a sua pureza e a sua santificação. Não se oponha aos propósitos de seu Senhor.”


3ª VERDADE) A presença divina é sempre constante em nossas vidas (Vs.10)

Este feito maravilhoso do Senhor ao abrir o rio Jordão serviria para mostrar ao povo que Sua presença era constante e real. Muda-se o líder, mas não muda-se o Deus. Ele continuava presente agindo em favor do Seu povo em favor da Sua glória. Josué seria apenas um instrumento nas mãos do Senhor. O sentimento em relação à presença de Deus em nossas vidas nem sempre é constante, mas nós não devemos deixar que este sentir molde o nosso viver.
O líder Josué sabia desta promessa do Senhor: “Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o SENHOR, teu Deus, é contigo por onde quer que andares” (Josué 1:9). A entrada na terra de Canaã exigiria que o povo confiasse 100% na presença e na atuação de Deus. Eles teriam que guerrear e lutar bravamente, mas não podiam esquecer que a vitória só vem pela mão do Senhor.
No Mar da Galiléia, o barco estava agitado pelo vento e a tempestade ameaçava a segurança de todos. O alvoroço tomou conta de todos que estavam ali e os discípulos ficaram apavorados com as ondas. Mas havia um fator de enorme importância: Jesus estava no barco! Sua presença constante no barco nos encoraja diante de um novo começo em nossas vidas. Uma letra do Grupo Logos expressa bem esta verdade: “Ele está presente é o que nos basta / Não importa a hora e o que acontecer / Pode a tempestade vir me abater / Jesus está comigo, eu vou vencer.”
A convicção da presença de Deus conosco é a força propulsora diante de um novo começo. O alento de que alma necessita é a certeza de que a boa mão do Senhor não está encolhida e que o Consolador está conosco sempre.
O que podemos dizer a uma pessoa que acabou de perder um ente querido e está passando por um revés na vida? Ela está diante de um novo começo e precisamos lembrar-lhe a promessa em Isaías 41:10: “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel.” As promessas da presença de Deus na vida do crente servem de alento diante das circunstâncias dolorosas na vida. Não podemos encarar um novo começo em nossas vidas relutantes quanto à presença do Senhor. Cristo mesmo prometeu que estaria conosco todos os dias até a consumação dos séculos. Somente os crentes que confiam nesta verdade podem ser vitoriosos em meio às lutas e batalhas diárias. Os passos de fé não são dados no escuro. Caminhamos pela fé por meio da convicção em nossos corações de que Deus está sempre presente e agindo em favor dos Seus servos.
A Ele seja o louvor por Sua graciosa presença agora e sempre.


MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS NO LIVRO DE JOSUÉ