quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Alívio dos fardos da vida



Texto: SALMO 23: 1-3

Muitas vezes nós carregamos fardos em nosso viver. São fardos difíceis de carregar, porque trazem dor e angústia constante. Mas Jesus, o nosso bom Pastor, oferece um fardo diferente, um fardo leve. Ele traz verdadeiro alívio ao nosso coração angustiado. Foi Ele quem proferiu as seguintes palavras: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mateus 11:28-30).
O Salmo 23 ilustra a relação Pastor-Ovelha e traz ricas lições para todos nós. O salmista faz referência ao modo como o SENHOR conduz as suas ovelhas, proporcionando-lhes o que necessitam. Nas entrelinhas deste salmo nós podemos enxergar alguns fardos, que o Supremo Pastor tira de sobre nossos ombros. Com base nisto, eu gostaria de afirmar que:

Somente o Supremo Pastor nos proporciona alívio dos fardos desta vida
De quais fardos desta vida somente o Supremo Pastor nos proporciona alívio?

1) O fardo do descontentamento – “de nada sentirei falta”
Muitos reclamam da vida e seguem murmurando porque ainda não aprenderam a confiar no Supremo Pastor. Infelizmente, há muito descontentamento no meio do povo de Deus.  Mas o que o salmista quer nos ensinar é o seguinte: “O que eu tenho em Deus é maior de tudo que eu não tenho na vida”.
O povo de Israel sentiu falta das cebolas, dos alhos e das carnes do Egito; de que você sente falta em sua vida? Há pessoas que sentem falta de um namorado/namorada, e vivem descontentes porque não tem um relacionamento. Outros vivem descontentes porque não possuem o carro do ano ou a última roupa da moda, ou o tênis de marca famosa. O apóstolo Paulo aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação porque ele depositava toda a sua confiança no Supremo Pastor (Fp 4: 11,12).
Todo cristão deve nutrir contentamento em seu coração, pelo fato de ter ao Senhor como Pastor de sua vida. Somente o Supremo Pastor nos proporciona alívio do fardo do descontentamento.

2) O fardo da preocupação “Ele me faz repousar em pastos verdejantes, leva-me para junto das águas de descanso” – Desde que a provisão divina é oportuna, posso desfrutar o presente. Basta a cada dia o seu mal.
É Deus quem cuida de nós. Ele nunca deixará de cuidar de nós, porque a Sua bondade é constante.
O apóstolo Pedro aprendeu com o Mestre sobre a questão da ansiedade. Inspirado pelo Espírito Santo, ele escreveu: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pedro 5:6-7). Confiar que Deus proporcionará o que eu necessito, tira de minhas costas o fardo da ansiedade.
Nossas inquietações são vãs. Jesus indagou: “Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?” (Mt 6.27). O fardo da preocupação tira de nós o vigor para uma vida cristã efetiva. Passamos a viver concentrados nos cuidados do amanhã, e deixamos de descansar na provisão de Deus para nossas vidas. Certo escritor acertadamente disse: “A ansiedade reparte a nossa energia entre prioridades de hoje e problemas de amanhã. Parte de nossa mente está no agora; o restante está no ainda não.”

3) O fardo do desespero “refrigera a minha alma”
O verbo no original traz a ideia de uma restauração completa que somente Deus pode operar na vida de alguém, trazendo verdadeiro alívio e vigor. Após longas jornadas, as ovelhas experimentavam o alívio e paz ao lado do pastor. O supremo Pastor traz perfeita paz ao nosso coração, Ele traz refrigério a nossa alma cansada e abatida. Somente Ele nos concede a paz que excede todo o entendimento, somente Ele nos proporciona alento em meio às lutas e dores deste mundo. “Viva alegre, ou em sofrer penoso, dá-me paz e alento o meu Senhor.”
Vivemos num mundo em desespero. Basta ligar o noticiário e rapidamente vamos perceber o desespero das pessoas neste mundo. Não há paz, não há alívio, apenas turbulências. Mas o nosso Pastor é especialista em restaurar a esperança da alma aflita. Não devemos ficar desesperados, porque Jesus está conosco, Ele é o Príncipe da paz.
Se você e eu ainda carregamos estes fardos em nosso viver, é uma evidência de que não confiamos na íntegra no Supremo Pastor. As ovelhas do Supremo Pastor precisam experimentar alívio real dos fardos desta vida. Se você é alguém descontente, preocupado e sem paz, é necessário fazer uma séria avaliação da sua espiritualidade. O Pastor de nossas almas nos proporciona alívio destes fardos em nosso viver.

HOMILIA PARA CULTO MATUTINO  27/01/13
MARCOS AURÉLIO DE MELO

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Invista na eternidade hoje



TEXTO BÍBLICO: 1 Crônicas 29: 1-22
TEMA: Invista na eternidade, Hoje! ...  
Desejando a graça de contribuir. Missões e os recursos.

Inicialmente é necessário entendermos que fazer o nome de Deus conhecido e engrandecido era a motivação por trás da construção do templo. O rei Davi tinha o seu próprio palácio luxuoso, construído com os materiais mais caros da época (como o cedro, por exemplo), mas saber que a arca do Senhor habitava em tendas feitas de couro o incomodava bastante. Por isso, resolveu construir o templo do Senhor (1 Cr. 17:1-17). Mas Deus disse por intermédio do profeta Natã que Davi não iria construir a casa onde habitaria a glória do Senhor. Por isso, Davi fez todos os preparativos, organizou o material que seria necessário, e deixou tudo encaminhado para que Salomão pudesse realizar a obra. Tal obra seria por demais grandiosa, e exigiria a cooperação de todos, unidos neste objetivo comum: fazer o nome do Senhor Deus cada vez mais conhecido e engrandecido, através da construção de um local específico para adoração.
A missão de Deus (a glória do seu próprio nome) é proposta desde o início do livro de Gênesis e não deve ser limitada a alguns textos isolados da Escritura e nem somente ao Novo Testamento. A missão de Deus sempre foi fazer conhecida a Sua glória, e por meio do povo escolhido esta missão deveria ser levada a todos os povos e tribos. A grandiosidade do templo em Jerusalém iria demonstrar de forma visível que o Senhor é grandioso, majestoso e digno de toda adoração. Então, todos os povos poderiam perceber a majestade do Deus de Israel, e por meio do arrependimento voltar-se para Ele.
É importante perceber que estamos tratando de missões neste contexto da construção do templo em Jerusalém. A beleza e a grandiosidade do templo serviriam para apontar, ainda que de forma imperfeita, para a beleza e a grandiosidade do Senhor Deus de toda a terra. O templo seria construído com os materiais de maior requinte daquela época, para que todo o povo de Israel e os povos em redor soubessem que o Senhor Deus era digno de grande honra.
Vejamos o que diz o texto em 2 Crônicas 6:32-33, quando Salomão estava consagrando o templo já construído: “Também ao estrangeiro que não for do teu povo de Israel, porém vier de terras remotas, por amor do teu grande nome e por causa da tua mão poderosa e do teu braço estendido, e orar, voltado para esta casa, ouve tu dos céus, do lugar da tua habitação, e faze tudo o que o estrangeiro te pedir, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome, para te temerem como o teu povo de Israel e para saberem que esta casa, que eu edifiquei, é chamada pelo teu nome.”
Então, conclui-se: estamos tratando de missões quando abordamos este texto. O desafio que Davi encabeçou e transmitiu a responsabilidade para o seu filho Salomão, tinha como objetivo fazer o Senhor cada vez mais engrandecido entre os povos. Esta é a essência de missões, como nós conhecemos: propagar a mensagem redentora e salvadora de Deus, através do Seu filho Jesus Cristo, trazendo glória ao Seu Nome Excelso.
A contribuição voluntária do povo para fazer o nome de Deus conhecido é a ênfase deste texto bíblico. A pergunta no versículo 5b, é uma convocação para que todos se envolvam nesta obra, para que ninguém fique de fora desta missão tão grandiosa: “Quem, pois, está disposto, hoje, a trazer ofertas liberalmente ao Senhor?”
O desafio feito por Davi requer ao menos duas atitudes: disposição e liberalidade. Disposição para sair da zona de conforto, da posição confortável de um mero espectador, e engajar-se participando ativamente. E liberalidade, isto é, sem nenhuma coação, "não-escravizado", uma ação livre e espontânea de quem deseja servir a Deus. Este expressão indica a contribuição feita por devoção, não por imposição ou por promessa. Quem se doa com liberalidade entende que a sua contribuição é uma demonstração de amor ao Senhor. Movido pelo desafio feito por Davi, o povo também fez a sua parte engajando-se na obra.
Este tipo de oferta honra e glorifica a Deus, porque é feita com o coração livre e cheio de amor. Além disso, esta oferta voluntária traz verdadeira alegria ao povo que contribui liberalmente, não traz nenhum peso ao coração (1 Cr. 29:9). O povo contribuiu com coração íntegro, isto é, não-dividido, certos da responsabilidade de cada um. A alegria de contribuir com o coração íntegro demonstra que o nosso interesse pela causa do Evangelho é real e verdadeiro.
Diante desta abordagem e com base na oração em forma de louvor que Davi expressou neste texto, eu gostaria de responder a seguinte pergunta:

QUAIS SÃO AS MOTIVAÇÕES LEGÍTIMAS PARA CONTRIBUIRMOS LIVREMENTE COM MISSÕES?
Veremos que todas as motivações são teocêntricas (isto é, centradas em Deus) e não antropocêntricas (isto é, centradas no homem). O grande perigo de muitos apelos para contribuir com missões é centrar os resultados no homem! Deus deve estar no centro das nossas motivações para orarmos, irmos ou contribuirmos com a missão de espalhar a Sua glória. Uma visão teocêntrica sobre missões é fundamental na contribuição para o avanço do reino de Deus.
Vejamos quais são as motivações legítimas e teocêntricas presentes neste texto bíblico:

I - A SINGULARIDADE DO NOSSO DEUS (vs. 11)
Grandeza, glória, poder, honra, vitória, majestade são palavras que destacam características singulares do nosso Deus. Só o Senhor é sempiterno, grandioso, glorioso, poderoso, vitorioso e majestoso. Esta linguagem usada por Davi claramente aponta para a supremacia do Excelso Rei. O SENHOR Deus é a fonte e centro de todas as coisas. Toda a glória que podemos dar-lhe com os nossos corações, lábios e vidas, está infinitamente aquém do que Lhe é devido. Não há outro Nome digno de tamanha honra, porque o Senhor Deus é singular, único e exaltado por sobre toda a criação. Ele é o “totalmente Outro”, cujo trono está no céu e cujo poder domina sobre toda a terra. Irmãos, nós precisamos compreender a singularidade do nosso Deus, para que possamos contribuir livremente com a missão de fazer Seu nome conhecido entre os povos. Os atributos incomunicáveis do Eterno "Eu Sou" (por exemplo, Sua soberania e onisciência) realçam ainda mais que Ele é excelso e singular. Sua majestade e poder não têm fim, Sua perfeição é imutável e a Sua glória se estende por todo o Universo.
A própria criação é uma singular manifestação da glória do Senhor. Deus resolveu revelar-se através das coisas que foram criadas, e todas elas apontam para a Sua singularidade, majestade e poder. O salmista escreveu maravilhado: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Sl. 19:1).  A perfeição da criação nos aponta para o perfeito Criador, que falou e tudo veio a existir. A criação nos aponta para um Deus Supremo e Singular.
É interessante percebermos na Bíblia que Deus tem um zelo muito forte pelo Seu nome e pela sua Glória. Por isso a fabricação de ídolos e adoração a falsos deuses eram práticas terminantemente proibidas: “Não seguirás outros deuses, nenhum dos deuses dos povos que houver ao teu redor, porque o Senhor, teu Deus, é Deus zeloso no meio de ti” (Dt. 6:15-16).  Deus muitas vezes preservou o povo desobediente para que o Seu não fosse profanado entre as nações: “Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória, não a darei a outrem” (Isaías 48:11). Note então, que o próprio Deus zela por Sua própria honra entre as nações, mantendo a Sua singularidade.
E quando fazemos missões, utilizando os recursos de que dispomos, evidenciamos que de fato entendemos a singularidade do Senhor, a fim de que outras pessoas também conheçam ao Deus que nós conhecemos e que Lhe rendam adoração tanto agora como também na eternidade.
Diante do fato irrefutável sobre a singularidade do Senhor, podemos afirmar também que a missão de fazer o nome de Deus conhecido também é singular. É o maior projeto no qual podemos estar envolvidos, porque estamos proclamando as virtudes e propósitos do Senhor Eterno e Santo. Contribuir para a obra missionária não é jogar dinheiro fora, como muitos dizem por aí. Estar envolvido direta e voluntariamente no serviço do Senhor não é tempo perdido. Esta é a missão mais gloriosa da face da terra. É a missão que declara às pessoas que é o nosso Deus é grandioso e singular. É a missão que mostra ao mundo em trevas a verdadeira luz, que realmente traz clareza e ilumina o homem. É a missão que coloca o homem diante da majestade do Senhor, e faz com que ele reconheça sua total carência.
Muitas vezes somos relutantes na contribuição com missões porque temos uma percepção muito rasa da majestade e da grandeza do Senhor. Ficamos estagnados em nossa vida cristã porque não percebemos de fato quão grande é o nosso Deus. Nos céus continuamente os anjos e querubins exaltam a Deus: “Àquele que está assentado no trono e ao Cordeiro sejam o louvor, a glória e o poder para todo o sempre, amém!” (Ap. 5:13). O pastor A. W. Tozer escreveu: “O Deus do evangélico moderno raramente deixa alguém atônito. Se existe uma enfermidade terrível na igreja de Cristo é a de não vermos Deus tão grande como Ele realmente é.”
            O objetivo de todo homem deve ser glorificar a Deus. John Piper escreveu: “Missões existem porque não há adoração. A adoração é, portanto, o combustível e a meta das missões. Em outras palavras, missões começam e terminam com a adoração.” Meus irmãos, isto se encaixa perfeitamente com o que estamos abordando. Só vamos nos importar em contribuir com missões, quando entendermos que muitas pessoas ainda não reconhecem a singularidade do nosso Deus e não lhe rendem adoração. Outras pessoas precisam reconhecer a grandeza, a glória, o poder, a honra, a vitória e a majestade do Senhor, este deve ser o nosso alvo ao fazer missões.
            Será que não estamos tratando missões com base em uma visão limitada da majestade e singularidade do Senhor? O que lhe vem à mente quando você pensa em Deus determina as atitudes que você terá em relação a missões ou a qualquer circunstância da sua vida. Muitas vezes nossos braços estão cruzados, nossos joelhos não estão dobrados e nossas mãos estão fechadas porque ainda temos uma visão limitada sobre quem é o nosso Deus. Quando contemplarmos a singularidade do Senhor, certamente deixaremos de lado a letargia e apatia que nos dominam. As biografias de missionários nos mostram que os homens e mulheres que empreenderam viagens e se doaram na obra do Senhor tinham uma visão gloriosa do Deus Soberano. O impacto que muitos crentes causaram neste mundo foi resultado de uma percepção real da majestade e singularidade do Senhor Deus, a quem reverenciavam com a vida.

II - A GENEROSIDADE DO NOSSO DEUS (vs. 12, 14b, 16)
O próprio Deus é gracioso e dadivoso. Ele não retém suas bênçãos para com o Seu povo escolhido. O texto nos ensina que riquezas e glórias vêm das mãos do Senhor, ou seja, é dEle de quem procedem os recursos necessários para fazermos a missão. “Senhor, nosso Deus, toda essa riqueza que ofertamos para construir um templo em honra do teu santo nome vem das tuas mãos, e toda ela pertence a ti” (1 Crônicas 29:16). O que Davi afirma neste texto é bem claro: tudo o que temos, nossos recursos e talentos, recebemos graciosamente do Senhor, e por isso temos a responsabilidade de administrar de forma sábia, visando a glória do Seu maravilhoso Nome.
O nosso Deus é generoso ao extremo. O Senhor dá vários exemplos de sua graciosidade nos relatos bíblicos. Afinal, Ele deu o que tinha de mais precioso, o Seu Filho Jesus, para ser o sacrifício perfeito em lugar de pecadores como eu e você. O preço de sangue que nenhum de nós teria condições de pagar foi pago pelo Cordeiro imaculado, que se ofereceu livremente em nosso favor. Ele não foi coagido, Ele livremente se entregou para Ser o remidor de nossas almas. Deus não poupou o Seu próprio Filho! Este maravilhoso amor deve nos constranger diariamente, fazendo-nos entender que a nossa vida não deve estar alicerçada em motivos egoístas, que trazem apenas satisfação momentânea e terrena.
Os recursos que o Senhor nos confiou devem ser empregados na missão de tornar este Supremo amor conhecido e honrado nos mais diversos lugares. Aliás, toda a nossa vida deve ter este supremo propósito. Escrevendo aos crentes em Corinto, o apóstolo Paulo coloca esta verdade de modo magnífico: “Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Cor. 5: 14,15). A letra de uma música diz assim: “Todo o meu ser, que já não chamo meu, quero gastá-lo no serviço Teu.”
O Senhor nos tem dado muito. Ele tem nos agraciado de forma abundante. Só não vê, quem não quer ver. Dizem que o pior cego não é o verdadeiramente cego, é aquele que não quer enxergar. Pior do que o ímpio que tem sua visão bloqueada por conta do pecado, é o crente que foi alcançado pela graça de Deus e não percebe o quanto sua vida tem sido agraciada pelo Senhor. Não me refiro apenas a ganhos materiais, um salário maior, um emprego mais atrativo. A generosidade do Senhor é perceptível em vários aspectos da vida, por exemplo quando entendemos e aplicamos um princípio da Sua Santa Palavra, isto é obra graciosa do Seu Espírito em nos santificar e aperfeiçoar. A saúde e a disposição física que temos também são frutos da graça do Senhor em nossas vidas. Nossas vidas devem ser compreendidas à luz desta verdade: não somos proprietários de nada,  tudo que está ao nosso dispor foi o Senhor quem nos concedeu a autorização para administrarmos temporariamente. Isto se chama MORDOMIA. A grande questão é que tipo de mordomos somos nós? Somente um coração movido pela graça de Deus compreende o tamanho privilégio de contribuir para missões. A generosidade do Senhor é um fator motivador para contribuirmos na obra missionária.
Deus não nos pede nada que Ele mesmo já nos tenha capacitado a doar. É claro que Deus não depende do nosso dinheiro, Ele não precisa das nossas doações e ofertas, mas nos dá a oportunidade de manifestarmos o nosso amor por Ele através da nossa generosidade. E também nos convida a desfrutar da alegria de participar de uma obra de valor eterno. Como o pastor Almir escreveu recentemente, “é como um pai que doa uma caixa de chocolates para seu filho pequeno, e quando o filho abre, pega o primeiro chocolate e dá para o pai. Que pai não se emociona com isso? Este filho manifestou gratidão e amor, e se alegrou quando viu a alegria do pai.”
Tiago escreveu: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, e desce do Pai das luzes” (Tg. 1:17). Esta verdade deve expressar-se em espírito de sacrifício em nosso viver, descansando na convicção de que o que ofertamos para missões  já pertence ao próprio Deus.
Você consegue enxergar que a generosidade de Deus em seu viver é sempre abundante? Você consegue perceber que Deus não é mesquinho e que nos supre diariamente pela sua graça? A pergunta-chave é: O que você tem feito com os recursos que o Senhor coloca a sua disposição? Qual a sua atitude com relação à missão de fazer o nome de Cristo conhecido e honrado por outras pessoas? Seu coração já foi amolecido pela graça de Deus para contribuir livremente com a obra do Senhor.
Dizem que a parte mais sensível do corpo humano é o bolso. O materialismo que governa a nossa época nos faz pensar que acumular bens e riquezas deve ser o nosso principal objetivo neste mundo. Estamos muito apegados ao deus Mamon (Mateus 6:24), pois já não é o dinheiro que nos serve, somos nós que servimos ao dinheiro. O consumismo desenfreado que toda conta da sociedade domina inclusive nós, cristãos. Precisamos retornar ao bom senso, repartindo o que temos e sendo generosos para a única obra de valor eterno.
Enxergando Deus como doador de tudo, todos nós teremos gratidão de sobra em nossos corações, para contribuirmos voluntariamente com a missão mais importante do mundo. Contribuir com recursos para a obra de Deus é uma questão de coração, de boa vontade, de valorizar aquilo que Deus valoriza, não de necessidade ou tristeza (2 Co. 9.7). É um sinal de que fomos alcançados pela graça, de que o coração foi movido por Deus, e não é mais um coração endurecido e mesquinho, preso ao materialismo que rouba-nos a satisfação real em Cristo.


III – A FIDELIDADE DO NOSSO DEUS  (vs. 18,19)
            O Senhor demonstra sua fidelidade para com o Seu povo de geração em geração. A menção ao nome dos patriarcas neste versículo não é casual, o propósito é lembrar ao povo que Deus guarda a Sua aliança e não volta atrás nas Suas promessas. Quando Deus apareceu a Moisés, na sarça ardente no deserto, foi com esta expressão que Ele se identificou: “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus” (Ex 3:6). O Senhor Jesus cita esta mesma expressão nos Evangelhos (Mt. 22:32; Mc. 12:26; Lc. 20:37). Deus iniciou um relacionamento com estes homens, e ao longo das gerações a Sua fidelidade não se perdeu. O rei Davi relembra este fato na sua oração, e pede ao Senhor também a bênção sobre a vida do seu filho Salomão. Ademais, Davi confia totalmente na fidelidade do Senhor em continuar trabalhando no coração do povo e de Salomão, para o andamento da obra de construção do templo. O Senhor mantém a Sua fidelidade porque não pode negar-se a si mesmo. Aliás, o nome hebraico Yaveh traduzido como EU SOU, representa a fidelidade de Deus e a infalibilidade de Suas promessas.
            Não se trata aqui da fidelidade de Deus em abençoar Seu povo como fruto das contribuições. Deus não está obrigado a negociações deste tipo, que enfatizam a prosperidade. Ele nos abençoa livremente por Sua graça, e a Sua fidelidade neste contexto está relacionada com o cumprimento do Seu plano eterno de redenção dos pecadores que atravessa gerações e resulta em glória eterna ao Seu Nome Altíssimo.
As gerações passam (Sl. 119:90), mas a fidelidade do Senhor em cumprir o Seu propósito continua firme e sempre continuará. Devemos contribuir com missões porque este é um projeto que nunca será deixado pela metade. Deus mesmo continuará trabalhando nos corações dos homens, trazendo-os ao arrependimento através da fé em Cristo Jesus. Deus continuará salvando pessoas e trabalhando em suas vidas para que deem testemunho digno como novas criaturas. O apóstolo Paulo apresenta esta verdade na carta ao Filipos: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fl. 1:6). Ou seja, a obra de Deus nunca será frustrada, o Seu plano eterno está caminhando para o pleno cumprimento, para que o louvor de todos os remidos seja eternamente direcionado ao Seu grandioso Nome (Fl. 2:10,11).
Assim como Deus trabalhou na vida de Abraão, Isaque e Jacó, apesar de suas imperfeições e faltas, assim também Ele continua trabalhando em nós. O nosso papel como servos dEle é nos engajarmos nesta missão tão preciosa, confiando que esta obra renderá dividendos eternos. Por causa da Sua eterna fidelidade, o propósito de Deus de glorificar o Seu Nome entre os povos será cumprido. Tudo neste mundo está convergindo para este fim.
Por isso, contribuir com missões não é “queimar dinheiro” como muitos afirmam.  Irmãos, quando contribuímos com missões não estamos investindo numa causa falida ou fracassada, não é um passo em falso. Alguns dizem que a igreja deve investir em coisas mais produtivas, afinal os frutos de missões geralmente são demorados. Outros questionam a importância de manter um missionário no coração da África, onde não as condições de vida são extremamente desgastantes para ele e sua família. Pessoas que pensam assim não entenderam o plano de Deus na sua plenitude. O Senhor da seara não terá os Seus planos frustrados, porque Ele é fiel em cumprir tudo o que coopera para o Seu propósito eterno. As palavras de Jesus em Mateus 16:18 são uma garantia de que o propósito final da missão será cumprido: “Eu edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Nada, absolutamente nada, poderá impedir o Senhor de colher os frutos na Sua seara, porque Ele mesmo oferece os meios para o progresso do Seu reino. Ele é o Maestro, que conhece o andamento e o final da música.
Por ser fiel, Deus cumprirá cabalmente o que Ele tem prometido em Sua Palavra. A promessa de um lar eterno nos céus será cumprida, a promessa de que não haverá choro no lar celestial também será cumprida. A fidelidade de Deus é um fator motivador para continuarmos investindo em tornar o Seu Nome mais conhecido e honrado por outras pessoas.  O projeto de Deus certamente será concluído. Muitos projetos humanos começam e ficam pela metade, ou seguem sem direção definida. Mas o projeto de Deus que é glorificar o Seu nome através da redenção em Cristo, nunca será frustrado. A causa do Senhor será levada a bom termo: “Fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (1 Tes. 5:24). Precisamos crer neste ensino teológico, e vivermos à luz desta verdade bíblica.
Contribuir com missões é um enorme privilégio porque demonstra que a nossa visão não está limitada a resultados imediatos e que estamos focados na fidelidade de Deus em realizar o Seu maravilhoso plano. Ele é o Dono da obra, nós fomos chamados para sermos cooperadores. “Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.” (1 Cor. 3:6).
É a fidelidade de Deus às Suas promessas que garante que o homem pecador seja conduzido a Cristo pela pregação do Evangelho. Esta é outra motivação que nos impulsiona a contribuir, pois a missão está alicerçada no Deus fiel, que cumprirá Sua vontade de forma cabal. Eu e você, que fomos feitos filhos de Deus, precisamos sair do comodismo e confiar plenamente no Dono da Igreja, que nos redimiu para uma viva esperança. Somente assim, teremos um coração que se alegra em contribuir com missões.

MENSAGEM PREGADA NO ACAMPAMENTO ILHA DO TESOURO
RETIRO DE CARNAVAL - ÊNFASE EM MISSÕES - 09/02/13 A 12/02/13

O caminho dos tolos

TEXTO BÍBLICO: PROVÉRBIOS 27: 1-3



Hoje é muito difícil alguém ficar perdido numa grande cidade com a ajuda do GPS (Sistema de Posicionamento Global). Este sistema facilita encontrar o melhor caminho para uma viagem, o melhor trajeto dentro de uma cidade, calculando até mesmo o tempo médio da viagem. Basta indicar ORIGEM e DESTINO que o aparelho busca a melhor rota indicada pelos satélites. Os aparelhos trazem mapas das ruas e rodovias, e até indicador de voz para não ter como errar: “entre à direita a 100 metros, faça uma leve curva a esquerda e dirija 80 km”. Com esta tecnologia não tem como errar.
O GPS nos indica o caminho que devemos seguir, o caminho que certamente nos levará ao local desejado. Seguimos a orientação deste aparelho para não errarmos o caminho. Para quem não possui um GPS, basta entrar no GoogleMaps.
A Palavra de Deus é comparada como lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho. Ela nos dá clareza e orientação segura para não ficarmos perdidos neste mundo de trevas. A Bíblia nos oferece percepção espiritual para tomarmos as melhores decisões, e assim trilharmos o caminho da sabedoria.
O livro de Provérbios é uma coletânea de ditos de sabedoria, que apresenta vários princípios para as nossas vidas. Os princípios contidos neste livro fantástico são fundamentais para que o servo de Deus ande pelo caminho certo. As instruções no livro de Provérbios nos ensinam a trilhar o caminho da sabedoria e a seguir as veredas da retidão. “Em andando por elas, não se embaraçarão os teus passos; se correres, não tropeçarás” (Pv. 4:12). Neste livro, os temos “caminhos” ou “veredas” carregam o sentido de estilo de viver ou modo de proceder que escolhemos seguir. É por isso que Salomão faz a seguinte advertência: “Pondera a vereda dos teus pés e todos os teus caminhos sejam retos.” (Pv. 4:26)
Por várias vezes a insensatez é ilustrada em Provérbios. O caminho do insensato, ou o caminho dos tolos, é sempre descrito como um caminho trágico, um caminho com consequências terríveis, um caminho cheio de tropeços. O tolo ou insensato é antônimo de sábio. O insensato despreza o que as Escrituras apresentam e passa a viver seguindo o seu próprio rumo, totalmente alheio à orientação que vem de Deus. “O caminho do insensato aos seus próprios olhos parece reto, mas o sábio dá ouvidos aos conselhos” (Pv. 12:15). “Há caminho que parece direito ao homem, mas afinal são caminhos de morte” (Pv. 16:25). Jesus também ilustrou sobre os dois caminhos: um caminho estreito que conduz a vida, por este caminho trilham os que desejam agradar a Deus; o caminho largo, pelo qual trafegam os insensatos, que fazem suas próprias escolhas sem temor a Deus.
Neste contexto do livro de provérbios, principalmente nos capítulos 26 a 27 a palavra insensato ocorre 13 vezes. A ênfase destes dois capítulos é fazer um levantamento criterioso do caminho dos insensatos, fazer uma análise acurada do caminho dos tolos. Com base nisto, eu gostaria de afirmar o seguinte:

“À LUZ DA PALAVRA DE DEUS, PRECISAMOS AVERIGUAR SE ESTAMOS TRILHANDO O CAMINHO DOS TOLOS”

Pergunta: Quais são as características do caminho dos tolos? Já que precisamos averiguar se estamos trilhando o caminho dos tolos, é importante sabermos quais são as suas características, para que possamos fazer os ajustes e necessários e trilhar o caminho que agrada a Deus.
Você e eu, como servos do Senhor, precisamos averiguar se estamos no caminho certo. O Senhor nos oferece orientação segura para não errarmos, por isso precisamos conhecer as características do caminho dos tolos.
Neste texto vamos abordar algumas características do caminho dos tolos:
1ª.) O CAMINHO DOS TOLOS É CARACTERIZADO PELA PRESUNÇÃO (vs. 1)
Provérbios 27:1 - “Não te glories do dia de amanhã, porque não sabes o que trará à luz.” Uma paráfrase deste versículo: “Não se vanglorie sobre o amanhã; você nem sabe o que o aguarda no dia seguinte.”

O princípio exposto neste versículo evidencia claramente o caminho dos tolos. A ideia é que não podemos presumir que amanhã tudo sairá conforme o nosso script. A incerteza da vida é enfatizada na segunda metade do versículo. “Tu não sabes o que o dia pode dar à luz.” Nós só podemos ver um passo à frente. Nenhum homem sabe o que o futuro lhe reserva. Não sabemos nem as tristeza, nem as alegrias, as dores, nem os prazeres, após a próxima curva. A nossa visão, na melhor das hipóteses, é breve. Os tolos acham que são “senhores do próprio destino” e vivem alheios a qualquer senso de fragilidade da própria vida.
Etimologicamente, o verbo presumir (do latim praesumare) tem o significado de “concluir antes, pressupor, ter ideia antecipada; suposição de uma coisa como certa.” É pura insensatez presumir que temos alguma garantia que amanhã tudo sairá conforme planejamos. É insensatez vivermos sem a noção de que a vida é imprevisível, pois somente o que estiver sob o plano de Deus realmente será levado a cabo. A nossa vida é como a neblina que por um instante aparece e logo se dissipa.
Tiago faz uma grave denúncia na sua carta: os crentes estavam traçando seus planos com muita presunção, sem levar em conta a vontade de Deus (Tiago 4: 14-16). A própria pergunta “que é a vossa vida?” é uma reprimenda, porém a resposta é dura e inflexível. É como o vapor que sai de nossas bocas num dia frio. A vida é breve e imprevisível, mas as pessoas cheias de presunção não refletem sobre isto. A palavra pretensão no versículo 16 contém a ideia de “uma certeza insolente e vazia, arrogância, que confia em seu próprio poder e recursos, que despreza o governo divino”. O cristão sábio considera atentamente a futilidade de toda e qualquer presunção humana, e por isso mesmo submete todos os seus desejos e planos ao Senhor.
Jesus ilustrou a presunção humana com a parábola do rico, que construiu grandes celeiros para armazenar a sua produção. Aquele homem desconsiderou que sua vida não estava sob seu controle. “Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lucas 12: 19-20).
Ter um planejamento e traçar metas não é em si errado. Somos orientados na Bíblia a sermos prudentes e estabelecer planos. O grande mal está em desconsiderar o governo divino sobre as nossas vidas, agindo com arrogância ou presunção. “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor” (Pv. 16:1).
Humildade e dependência de Deus são essenciais na vida cristã. Não reconhecer isto trará grandes frustrações. A verdadeira piedade considera Deus e Sua vontade em tudo. É saudável reconhecer nossa própria pequenez e a brevidade dos nossos dias. Em um espírito arrogante, começamos a legislar o nosso próprio futuro. Mas nós não temos poder de legislar, já que não podemos comandar o que acontecerá no dia seguinte. Nós temos um Senhor no céu de quem somos totalmente dependentes, por isso cada movimento deve ser planejado e sujeito a Sua vontade. O nosso futuro, com seus sucessos e fracassos, está inteiramente nas mãos de Deus.
Todo dia amanhece como qualquer outro, mas nós não somos senhores do nosso destino, e em um minuto nossa rotina pode ser radicalmente alterada. Deus não faz isto para brincar conosco; Ele deseja nos moldar para que pareçamos mais e mais com seu filho Jesus.
Você tem feito planos sem levar em conta a sua própria fragilidade? Você tem feito planos sem perceber que é fraco e limitado, e que depende exclusivamente de Deus para chegar a bom êxito? Nós somos peritos em autossuficiência, queremos fazer planos e vê-los prosperar. Mas é sábio considerarmos que Deus é quem governa tudo em nosso viver, e somente a Sua vontade deve ser o nosso real desejo.
O caminho dos tolos é caracterizado pela presunção. Este caminho certamente nos levará para longe de Deus.

2ª.) O CAMINHO DOS TOLOS É CARACTERIZADO PELA AUTOPROMOÇÃO (vs. 2)
Provérbios 27:2: “Seja outro o que te louve, e não a tua boca; o estranho, e não os teus lábios.” A NVI traduziu assim: “Que outros façam elogios a você, não a sua própria boca; outras pessoas, não os seus próprios lábios.”

O versículo é muito claro. O princípio que ele nos ensina está diretamente relacionado com a humildade e com a imagem correta sobre si mesmo, para não levantarmos louvores em benefício próprio. A instrução aqui é para não atrair a atenção para nós mesmos e para não vivermos em busca de exibicionismo. Em outro texto lemos: “Comer mel demais não é bom, nem é honroso buscar a própria honra” (Pv. 25:27). Um provérbio chinês afirma: “Quem a si próprio elogia, não merece crédito.”
Procurar a própria honra é uma insensatez que fomentará disputas desnecessárias no meio da igreja. A busca por autopromoção é sempre um perigo mortal. Jesus confrontou esta atitude dos seus discípulos que resolveram discutir entre si quem era o maior, quem era digno de mais honra (Mc. 9: 33-35). Os discípulos começaram a elogiar a si mesmos tentando responder quem deveria ser visto como mais especial entre eles. Jesus enfaticamente respondeu: “Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos.” O conselho de Deus é para nos guardar do orgulho: “E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mateus 23:12).
Um dos princípios que Jesus ensinou no Sermão do Monte é sobre a motivação equivocada para nossas atitudes. Ajudar os pobres esmolas aos pobres, orar e jejuar eram disciplinas importantes na religião dos fariseus. Jesus não condenou essas práticas, mas advertiu que era preciso ter uma atitude interior correta ao realizá-Ias. Os fariseus tinham duas motivações erradas: davam esmolas, oravam e jejuavam como forma de obter o favor de Deus e a atenção dos homens. Além disso, é tolice viver em função do reconhecimento humano, pois a glória do homem não dura muito tempo (1 Pe. 1:24). O que importa é a glória e o louvor de Deus!
Alguém disse que “elogio é como perfume: devemos senti-lo, mas nunca bebê-lo.” Nunca devemos fazer do elogio nossa maior motivação para o serviço a Deus. A ostentação de qualquer feito para arrancar elogios das pessoas ou atrair a atenção certamente aponta para orgulho em nossos corações, como acontecia justamente com os fariseus. Na verdade, passamos a viver sob o “efeito dos elogios”, e somos governados pelos aplausos e gestos de aprovação das pessoas. E quando os elogios não chegam ou são poucos, passamos a divulgar nossas qualidades e feitos memoráveis, tentando convencer todos em redor da nossa singularidade.
O fariseu que subiu ao templo com o propósito de orar, não desceu justificado para casa porque foi tomado pela autoexaltação. Deus não aprova tais atitudes, Deus rejeita os orgulhosos e altivos de coração, mas habita com o contrito de coração que reconhece a sua total indignidade diante do Senhor. O autoelogio diante dos outros é uma enorme tolice. Não devemos tocar trombeta para tudo que fazemos ou pelo que somos. Devemos dar bom testemunho, e viver de modo digno do Evangelho, sabendo que toda glória somente Deus é digno. Se outros elogiam você, prossiga humildemente em submissão a Deus, pois você sabe muito mais sobre suas próprias falhas do que qualquer outro. Pessoas que se exaltam por suas realizações ou habilidades ainda não entenderam que são apenas vasos de barro. João Batista não buscou autopromoção, mas sempre apontou para Cristo. Ele disse: “Convém que Ele cresça e que eu diminua.” Jesus reconheceu em a singularidade de João Batista: entre os nascidos de mulher não havia ninguém maior que João Batista. Irmãos, o verdadeiro reconhecimento que nós precisamos ansiar é o que procede de Cristo. Foi Ele quem nos comprou pelo seu próprio sangue. Nós devemos ansiar ouvir as Suas palavras de aprovação: “Muito bem, servo bom e fiel!”
Às vezes, enfatizamos muito o cuidado com o markentig pessoal, promovendo nossos interesses acima dos interesses do Senhor. Esta ênfase exagerada no que os homens pensam a nosso respeito é pecado – estamos idolatrando a nós mesmos. A nossa reputação precisa estar alinhada com os princípios bíblicos e ponto final. O crente não deve se colocar no “centro das atenções” e esperar que todos em redor se prostrem diante dele. Nós não somos o fim em nós mesmos, precisamos viver para glorificar unicamente ao Senhor (1 Co. 10:31).
Se você tem buscado alguma forma de autopromoção no reino de Deus, quero reafirmar com base na verdade bíblica, que você está afrontando o único que é verdadeiramente grandioso. O apóstolo Paulo fez a seguinte afirmação: “Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor. Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim aquele a quem o Senhor louva” (2 Co. 10: 17-18). Em Romanos 12: 3, no contexto sobre dons espirituais concedidos aos membros do corpo de Cristo, Paulo faz mais uma observação: “Ninguém pense de si mesmo além do que convém.”
Irmãos, precisamos aprender que não existe nem um grande entre nós, no meio do povo de Deus. Somente o Senhor é grande! Ele é digno de ser engrandecido. É a Ele que todo exaltação deve ser dirigida. No reino de Deus não há espaço para estrelismo, é necessário ter convicções e atitudes de servo. Não há espaço para pessoas que “se acham”. Precisamos de uma visão clara sobre a grandeza de Deus, que nos faz enxergar a nossa real fraqueza, e assim sermos usados como instrumentos para a glória do Seu nome. Somos o que somos para a glória de Deus e por meio da graça de Deus.
O caminho dos tolos é marcado pela autopromoção, ou autoexaltação. Este caminho certamente nos levará para longe de Deus.


3ª.) O CAMINHO DOS TOLOS É CARACTERIZADO PELA EXASPERAÇÃO (vs. 3)
Provérbios 27:3 – “Pesada é a pedra, e a areia também; mas a ira do insensato é mais pesada do que elas ambas.” Alguém exasperado é alguém irritado, dominado pela ira, enfurecido, que responde e age com aspereza.

Neste texto, o sentido literal de "pesado", aplicado a assuntos materiais (como pedra e areia), ilustra o seu sentido figurado, "grave", aplicado a aspectos morais. Este versículo nos ensina muito. A ira de um tolo, que não se importa com o que diz ou faz, é mais pesada, i.e., mais grave e insuportável, do que uma grande pedra ou uma carga de areia. Aqueles que não possuem domínio próprio e explodem em ira, tendem a afundar sob o peso de seu próprio pecado. Além disso, a ira de um tolo também está pesadamente colocada sobre aqueles contra quem ele está furioso. O homem iracundo, com seu proceder maligno, deixa muitas cicatrizes nas pessoas ao seu redor.
O homem tolo alimenta a ira em seu viver, e não se dá conta dos enormes malefícios causados. Ele afunda e morre sob o peso da sua ira, como aconteceu no episódio entre Nabal e Davi (1 Sm. 25: 2-17). De fato, o nome próprio "Nabal" significa tolo. Ele agiu com irritação ao ser procurado pelos homens de Davi, e sua atitude desencadeou também a ira de Davi, que teve suas expectativas frustradas. Ambos foram responsáveis pela ira em seu viver. Se não fosse a sabedoria de Abigail aquela situação teria se tornado uma grande tragédia. Curiosamente, podemos observar que orgulho é uma das grandes causas da ira. Um senso elevado de autoimportância leva o homem a se tornar irracional e iracundo em várias situações de sua vida. A ira geralmente anda muito mal acompanhada, e geralmente está associada com outros pecados como orgulho, amargura, inveja, calúnia, maldade e conversa obscena.
Você é uma pessoa de “pavio-curto”? Esta expressão popular descreve a irritabilidade de alguém em curto espaço de tempo. Originária da atividade de causar combustão a partir do uso da pólvora através de um barbante (pavio) que se acendesse. Ou seja, quanto menor o pavio, mais rápida seria a combustão e a explosão. A Bíblia é contrária a tal atitude: “Melhor é o longânimo do que o herói da guerra, e o que domina o seu espírito, do que o que toma uma cidade” (Provérbios 16:32). O sábio Salomão nos adverte: “Não te apresses no teu espírito a irar-te, porque a ira abriga-se no seio dos tolos” (Ec. 7:9). Isto quer dizer que, quanto mais tolo é alguém, mais se ira.
Quem se ira com facilidade age tolamente, atiça a contenda e transborda na transgressão (Provérbios 14:17; 29:22). A ira sempre é sempre descrita com fortes aspectos: “Cruel é o furor, e impetuosa, a ira” (Provérbios 27:4). Nos ataques de raiva, a língua se solta e as coisas são ditas sem que se possa voltar atrás. Muitas feridas são abertas por pessoas dominadas pela ira, que despejam sua fúria e explodem contra as pessoas ao seu redor. Este é o caminho dos tolos. Como servos que desejam honrar a Deus precisamos abandonar este caminho.
Uma das obras da carne descritas em Galátas 5:20 é a ira (thumos: raiva, fúria), que gera discórdias. Precisamos despojar-nos de tudo aquilo que é contrário à santidade de Deus, e revestir-nos do fruto do Espírito, dentre eles o domínio próprio. O salmista faz uma exortação muito clara também: “Deixa a ira e abandona o furor; não de indignes para fazer o mal.” (Salmo 37:8, ver também Ef. 4: 31,32).
Precisamos ser lembrados constantemente de que a ira do homem não pode produzir a justiça de Deus, porque são incompatíveis (Tiago 1: 19-20). Explosões de ira são condenadas nas Escrituras porque demonstram as obras da carne que precisam ser despojadas, e com frequência a ira é um prelúdio para pecados devastadores nos relacionamentos. O homem piedoso buscará exercer o fruto do espírito chamado “domínio próprio” ao lidar com situações de conflito, porque o Senhor o capacitará para isto. Sabemos que em nós habita o Espírito Santo, o qual não compactua com as explosões de fúria que muitos cristãos já adotaram como prática constante em seu viver. “O tolo da vazão à sua ira, mas o sábio procura dominar-se.” (Pv. 29:11 – versão NVI)
Como estamos lidando com a ira em nosso coração? Você se dirige aos seus irmãos, ou aos membros de sua família, furioso e irritado? O volume de sua voz é ouvido pelos vizinhos quando discute um assunto com sua esposa? Muito cuidado com o que você fala e como fala, para que sua palavra seja sempre agradável temperada com sal e transmita graça aos que ouvem. Alguém disse que “as pessoas que se inflamam de cólera sempre saem queimadas.”
Temos que reconhecer e confessar nossa ira como pecado aos olhos do Senhor. Os motivos pelos quais nos iramos geralmente são gerados em nosso coração egoísta, quando procuramos acalentar algum ídolo. Não podemos viver o cristianismo na íntegra, se estamos dominados pela exasperação, pois Deus não compactua com nada que seja carnal. O Senhor requer de nós santidade, e com certeza um espírito iracundo e cheio de raiva não condiz com o chamado para sermos santos.
O caminho dos tolos é caracterizado pela exasperação, pela fúria e pela explosão em raiva. Este caminho certamente nos levará para longe de Deus.



MENSAGEM PREGADA NA IBRJA DIA 03/02/13.
MARCOS AURÉLIO DE MELO