sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Um namoro excelente

A chave para qualquer relacionamento e para qualquer decisão correta na vida é a INTEGRIDADE. No relacionamento com Deus, Ele requer de nós integridade, o que envolve devotar-Lhe todo o nosso ser (coração, alma e entendimento) em amor e obediência. Deus não se agrada que sejamos pessoas divididas entre duas ou mais afeições, pois Ele se relaciona com a inteireza do nosso ser. A integridade também deve ser a marca de nossas amizades. Não podemos criar vínculos fortes com nossos semelhantes sem que a inteireza de propósitos e expectativas sejam colocadas à mesa. É triste ver relacionamentos que se rompem com facilidade porque não há integridade por parte das pessoas envolvidas. Da mesma forma, quando pensamos em namoro cristão com excelência é fundamental que haja integridade entre o casal, até porque o propósito maior dos laços estabelecidos no namoro é o estreitamento de vínculos para o casamento. Se não for este o propósito, perde-se totalmente a direção e não haverá avanço efetivo no relacionamento a dois.

O namoro cristão não deve ser uma espécie de passatempo ou apenas enrolação. Quando não há uma visão orientada para o futuro, apenas com ênfase em viver a intensidade do momento "aqui e agora", o casal de namorados corre um sério risco de contrair a paixonite aguda. Por isso que o casal cristão de namorados deve rejeitar de pronto a mentalidade mundana que é vendida nas propagandas e filmes do cinema. O homem e mulher que desejam honrar a Deus não devem se submeter ao padrão vigente nesta sociedade que jaz no maligno, pois o padrão de Cristo para os remidos é mais elevado e mais excelente.

Concentrar na intimidade física é claramente pecaminoso. Deus exige pureza sexual do Seus filhos. E Ele faz isso para o nosso próprio bem. O envolvimento físico na maioria das vezes distorce a perspectiva de cada um dos namorados e os leva a tomar decisões erradas. Muita energia desnecessária é gasta no processo de aumentar a intimidade física de um casal, mas os resultados não serão proveitosos. O envolvimento físico faz com que duas pessoas se sintam próximas, quando na realidade seus corações estão totalmente distantes um do outro. Assim, o relacionamento é nada mais do que uma ilusão.

Com base no que o pastor Hernandes Dias Lopes postou no início deste ano, quero comentar alguns pontos que se referem ao namoro entre cristãos. O namoro pode ser a antessala de um bom casamento ou o prelúdio de um grande desastre. Para se ter um bom namoro, alguns princípios devem ser observados:

1) Ouvir os conselhos dos pais (honrar e submissão os pais é fundamental, em qualquer estágio de nossas vidas, pois os nossos pais são autoridades constituídas por Deus para nos orientar);

2) Namorar uma pessoa de caráter (busque ser alguém que se submeta aos valores e princípios cristãos, e procure uma pessoa assim também);

3) O namoro precisa ser respeitoso (nada de querer se aproveitar da outra pessoa, fazendo dela um objeto para satisfação de desejos carnais e egoístas);

4) O namoro precisa objetivar o casamento (se não há este objetivo, é melhor que não dar prosseguimento ao relacionamento, evitando maiores frustrações e pecados ao longo do tempo);

5) O namoro precisa ser regado de afeto e não de atitudes egoístas, possessivas, ciumentas e agressivas (os frutos do Espírito devem estar presentes em qualquer relacionamento: amor, alegria, paz, longanimidade, fidelidade, mansidão, domínio próprio);

6) O namoro precisa ser com uma pessoa que conheça a Deus (namorar com ímpios é uma afronta ao Senhor que nos remiu por meio de um alto preço, um jugo desigual não vai acabar bem);

7) O namoro precisa tornar os namorados mais felizes (quando o namoro aprisiona os dois num relacionamento centralizador, até com agressões verbais ou físicas, é um claro sinal de que o trem não está nos trilhos).

O homem que pretende namorar deve ser homem o suficiente para tratar uma mulher corretamente, sabendo que está submisso ao que Deus diz em Sua Palavra, esforçando-se para ser verdadeiro e íntegro em todas as suas ações. As mulheres devem lembrar sempre que o seu namoro precisa apresentar um padrão elevado, exigindo tudo que é real e honesto para o bem do relacionamento. Os bons namoros exigem trabalho, paciência, autodisciplina, sacrifício e submissão. Nesta trilha haverá choro e dor, mas os resultados produzidos serão excelentes, sem os quais o casamento não resistirá às tempestades e dificuldades da vida a dois.

Como servos e filhos de Deus, o homem e mulher cristãos precisam rejeitar com vigor as noções egoístas de que o namoro tem a ver com o que pode ser obtido ao invés do que pode ser dado. O apóstolo Paulo escreveu: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (Filipenses 2:4). Além disso, cada relacionamento é uma oportunidade para dar forma e expressão ao amor de Cristo. O mundo saberá que seguimos a Cristo pela maneira como amamos uns aos outros. É nosso privilégio como cristãos mostrar a este mundo em trevas um padrão excelente de um namoro que visa a glória de Deus, sem artíficios carnais, mediocridade ou chantagens emocionais.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Contracultura cristã

Comentando sobre o discurso mais conhecido de Jesus, o Sermão do Monte, John Macarthur nos apresenta um resumo bem claro das palavras do Mestre. Observe que Jesus deixou evidente que a mensagem do cristianismo que Ele mesmo inaugurou é diametralmente oposta a tudo que este mundo defende e valoriza.

Os “pobres em espírito” (v. 3) são os que sabem que não têm recursos espirituais próprios. Os que choram” são pessoas contritas, que realmente sofrem por causa de seus próprios pecados. Os humildes” (v. 5) são os que realmente temem a Deus e sabem que não são dignos à luz da santidade de Deus. Os que têm fome e sede de justiça” (v. 6) são os que, tendo se desviado do pecado, anseiam o que Deus ama. Essas quatro bem-aventuranças são qualidades internas da fé autêntica. Descrevem o estado do coração do cristão. Mais especificamente, descrevem como o cristão se vê diante de Deus: pobre, triste, humilde e com fome.

As últimas quatro bem-aventuranças descrevem as manifestações externas dessas qualidades. Concentram-se principalmente no caráter moral do cristão e descrevem como deveria ser o cristão autêntico para um observador objetivo. “Os misericordiosos” (v. 7) são os que, como beneficiários da graça de Deus, estendem essa graça aos outros. “Os puros de coração” (v. 8) descrevem pessoas cujos pensamentos e ações são caracterizados pela santidade. “Os pacificadores” (v. 9) referem-se principalmente àqueles que espalham a mensagem da “paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5:1) — que é a única paz verdadeira e duradoura. E, obviamente, “os perseguidos por causa da justiça” (Mateus 5:10) são cidadãos do reino de Cristo que sofrem por causa de sua associação e de sua fidelidade a Ele. O mundo os odeia porque odeia Cristo (João 15:18; 1 João 3:1,13).

A ordem é significativa. Quanto mais à risca a pessoa viver de acordo com as sete primeiras bem-aventuranças, mais sofrerá a perseguição mencionada na oitava. Todas essas qualidades divergem radicalmente dos valores do mundo. O mundo valoriza mais o orgulho do que a humildade, ama a alegria ao pranto, acredita que a agressividade obstinada é superior à verdadeira mansidão e prefere a satisfação dos prazeres da carne a uma sede da verdadeira justiça. O mundo considera com total desprezo a santidade e a pureza de coração, desdenha todo pedido de paz com Deus e constantemente persegue quem é, de fato, justo. Jesus não poderia ter inventado uma lista de virtudes que estivesse mais em desacordo com sua cultura.

 

JOHN MACARTHUR
LIVRO: A OUTRA FACE DE JESUS

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Sem comparação

Texto: Salmo 30

Comparações são inevitáveis. Estamos sempre fazendo algum tipo de comparação. Há coisas que a nossa mente consegue estabelecer com facilidade um parâmetro de comparação, como por exemplo a distância entre cidades dentro do nosso estado (em km) ou o tamanho das pessoas da nossa família (em metros). Mas quando analisamos distâncias dentro do universo ou tamanho de planetas e estrelas, os parâmetros de comparação fogem da nossa realidade. Por isso os cientistas criaram uma unidade astronômica para medir a distância no Universo, o ano-luz, que é a distância que a luz percorre no período de um ano (aproximadamente 10 trilhões de quilômetros). O Sol é uma estrela de diâmetro 100 vezes maior que o diâmetro do planeta Terra. A distância aproximada da terra ao Sol é de 150 milhões de km. Uma comparação aproximada, se o Sol fosse representado como uma bola de futebol, a Terra teria o tamanho de uma ervilha distante 30m. Depois do Sol, a estrela mais próxima da Terra é Alfa-Centauro, distante cerca de 40 trilhões de km.

Se já ficamos admirados com a imensidão do universo com suas dimensões incomparáveis, o que diremos diante da grandeza do Criador do universo? Ele é incomparável em Sua natureza e poder. A pena do profeta Isaías em vários textos coloca forte ênfase na singularidade do Senhor, pois não há nada que possa ser comparado com o nosso Deus. “Com quem comparareis a Deus? Ou que coisa semelhante confrontareis com ele?” (Is. 40:18) “A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual? — diz o Santo.” (Is. 40:25) “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim." (Is. 46:9) “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera.” (Is. 64:4).

Não há comparação que lhe faça jus, porque Deus é o totalmente OUTRO, entronizado entre querubins, mas ao mesmo tempo presente e pronto a perdoar o contrito. Os pensamentos do Grande Eu Sou são incomparáveis com qualquer pensamento mais elaborado que possamos ter (Isaías 55:8-9). Ele é tão singular e incomparável que só pode ser conhecido porque tomou a iniciativa de se comunicar conosco.

O salmo 30 é nos apresenta as obras de um Deus incomparável. O salmista, após passar por um forte revés na vida, traça neste salmo uma argumentação muito claro para nos comunicar como Deus o tratou de modo especial. Para Davi não apenas Deus é incomparável em seu Ser, como também o modo como Deus tratou o seu servo está acima de qualquer comparação. Por isso o tom de júbilo domina este pequeno salmo. No verso 4 Davi faz uma convocação solene: “Salmodiai ao Senhor, vós que sois seus santos, e dai graças ao seu santo nome”; assim como o salmista, todos nós devemos reconhecer também o modo especial e incomparável como Deus tem nos tratado como filhos amados. Por isso eu afirmo o seguinte:

“Nada se compara com o tratamento especial do Senhor em prol do Seu povo amado”

S.I. Com base no Salmo 30, quais são os fatores que me levam a afirmar que nada se compara com o tratamento especial do Senhor em favor do Seu povo amado?

E qual a relevância de sabermos disto? É relevante porque a forma como Deus nos trata deve nos constranger a uma mudança efetiva em nosso viver. Somos tão beneficiados por este Deus, que nossa postura certamente será diferente, teremos maior anseio por santidade e almejaremos agradá-Lo cada vez mais. Uma pergunta a ser feita ao final desta mensagem é: Que tipo de cristianismo você vive à luz do tratamento especial do Senhor em sua vida?

1) O controle divino sobre a afronta que nos sobrevém (vs. 1)

O Salmo inicia-se com um tom de louvor exultante. Davi irrompe em louvor porque tinha plena consciência do controle minucioso exercido pelo Senhor sobre a sua vida. O salmista reconhece que foi a boa mão do Senhor que não deixou que houvesse comemoração e algazarra dos inimigos pela derrota de Davi. Os inimigos de Davi não iriam além do que já tinha sido estabelecido pelo próprio Deus. A NVI traduziu assim: “não deixaste que os meus inimigos se divertissem à minha custa.” Não podemos estipular em que momento da vida de Davi este salmo foi escrito, mas é fato que este homem tinha muitos inimigos (tanto domésticos quanto estrangeiros) que o invejavam pela posição que ocupava no plano de Deus. As afrontas dos inimigos de Davi só iriam até o que Deus estipulasse, a hostilidade não passaria um milímetro a mais além do soberano plano do Senhor.

Como ilustração, podemos pensar em três inimigos de Neemias que criaram contendas e inventaram mentiras para trazer desânimo na reconstrução dos muros de Jerusalém. Eles ridicularizavam aquele empreendimento Seus nomes eram Sambalate (horonita) e Tobias (amonita) e Gesém (arábio), e foram pedras no sapato dos judeus liderados por Neemias. Mas o que me chama a atenção é que Neemias não esmoreceu e perseverou naquela grande obra. Este homem conhecia o controle de Deus profundamente sobre tudo e sobre todos (Ne. 4:15).

Este fator de tratamento especial do Senhor em favor do seu servo é um poderoso antídoto contra o desânimo quando somos afrontados por ímpios. Vivemos em mundo mergulhado na mais densa treva espiritual, e portanto, um mundo que jaz no maligno. E por conta disso, o desdém dos ímpios e a afronta que nos sobrevém diariamente, é ultrajante e deplorável. Mas podemos ter a certeza de que nenhuma afronta ou hostilidade sofrida estará fora do controle divino. Por um certo tempo, os ímpios podem ter a falsa sensação que estão sendo vitoriosos ao nos caluniarem ou nos perseguirem, mas eles não fazem ideia de que não lutamos com nossas próprias forças. Lutamos com armas espirituais, não carnais. Estas armas são espirituais são poderosas para nos manter de pé, porque estão alicerçadas na Palavra de Deus que não pode falhar.

Há lições a aprender quando somos hostilizados por conta da verdade. Há muitos ensinos que o cristão piedoso deve absorver quando sofre afrontas por servir a Cristo. Mas o principal é que é um privilégio ser considerado digno de sofrer injustiças por ser identificado como cristão e quando somos afrontados por causa do bom nome de Cristo. Triste é quando somos afrontados porque nossas vidas não condizem com o que pregamos, porque somos uma fraude e não há evidências das mudanças que Cristo faz. Outra lição é que há um limite para as afrontas que iremos sofrer, porque Deus conhece perfeitamente a nossa estrutura. Deus conhece até onde podemos suportar e se Ele não interviu ainda é porque não chegamos no limite de resistência.

Como cristãos, não nos cabe apelar à vingança. Precisamos ter um coração confiante no controle de Deus e na Sua justa retribuição a todos que nos causaram algum mal. Davi teve a oportunidade de acabar com a vida de Saul numa caverna, mas não fez isto porque sabia que a justa retribuição seria dada pelo Senhor mesmo. Paulo escrevendo aos romanos: “não vos vingueis a vós mesmos, amados, ... porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.” (Rm. 12:19), uma citação de Deuteronômio 32:35. Deus nos trata de modo especial não deixando que as afrontas ultrapassem o limite, e Ele mesmo fará justiça ao Seu tempo. Isto nos dá coragem para resistir e força para prosseguir, apesar da forte oposição.

2) O amparo divino diante da angústia que nos assola (vs. 2-3)

Apesar de falar sobre ter sido sarado (curado) e ter ido à beira da morte, não podemos restringir a angústia deste servo de Deus somente a alguma enfermidade mortal. De modo figurativo, o texto ilustra que Davi atravessava um vale muito profundo e Deus o restaurou por Sua graça. As palavras utilizadas, “da cova fizeste subir a minha alma”, em poesia hebraica, denotam que Davi foi completamente restaurado depois de uma angústia severa. Esta forma de comunicar uma grande aflição é comum no hebraico: estar completamente submerso em angústia por todos os lados é como descer a uma cova profunda. Portanto, ser restaurado à vida diz respeito a uma nova e clara percepção dada por Deus em sua graça e favor sem par. “Pois grande é a tua misericórdia para comigo, e me livraste a alma do mais profundo poder da morte” (Sl 86:13) e “Bendize ó minha alma ao Senhor, porque Ele é quem da cova redime a tua vida e te coroa de graça e misericórdia” (Sl. 103:4). As feridas e dores na alma de Davi foram plenamente curadas pelo amparo eficaz proporcionado pelo Senhor. De fato, Deus efetuou uma obra transformadora no coração de Davi, de dentro para fora.

Certa vez pediram para uma criança resumir o Salmo 23 com suas palavras. Ela resumiu com uma pergunta bem simples, porém não simplista: “O Senhor é o meu pastor - o que mais posso querer?” (Wiersbe). Ovelhas são animais extremamente frágeis: entregues a si mesmas definham e podem até morrer de fome/sede, porque precisam do auxílio do pastor. Neste salmo, percebemos que Davi conhecia bem o seu supremo Pastor e por isso afirmou: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam.” Se somos de fato cristãos, nós precisamos experimentar na prática o amparo sempre eficaz proporcionado pelo Senhor quando as aflições deste mundo nos amedrontam e nos causam dor. Tal como uma ovelha frágil, Davi enxergava o amparo proporcionado pelo Senhor em meio aos momentos de angústia que teve que enfrentar.

Todos nós seremos expostos a angústias e aflições neste mundo. Não há como escapar das dores e contusões que a vida nos reserva. Expostos aos efeitos devastadores do pecado tanto nosso como de terceiros, teremos lutas contra a tristeza em alguns momentos desta vida. Mas o que não podemos perder de vista, é que Deus não nos desampara nem por um momento só. O compositor Sérgio Pimenta, de um modo magistral resumiu bem o amparo sempre presente do Senhor: Nem um momento só / Deixou-me o Seu olhar / Nem quando eu dava dó / Negou-me o Seu amar / Nem mesmo quando me omiti / Como se pudesse me esconder / Nem mesmo quando não vi solução/Negou-me Seu perdão / Negou-me Sua mão.

O cristão que vive encharcado em angústia e não encontra alento para viver, na verdade não se supriu do gracioso amparo divino, que está sempre à disposição. Sabemos que somente o Senhor é a fonte de verdadeira paz em meio às guerras e que Ele é a fonte de verdadeira alegria em meio às aflições, então não podemos ficar nos cantos da vida, à margem de uma espiritualidade saudável. Não vamos andar ansiosos e cabisbaixos, porque temos um tratamento especial do Senhor que nos oferece o Seu auxílio amoroso todos os dias. Não vamos ser dominados pela murmuração porque temos um Deus que sabe de fato o que é melhor para nossa vida. Preguemos para nós mesmos a verdade bendita do Salmo 42: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Sl. 42:11). Isto não é um apelo psicológico, é uma certeza teológica que deve nos governar todos os dias, modificando nossos hábitos e atitudes no olho do furacão.

3) A correção divina por conta da presunção que nos domina (vs. 6-7)

Davi entrou num estágio de prosperidade, no qual aparentava estar totalmente seguro. Ele presumiu que nada poderia o abalar. A tranquilidade e a prosperidade de um reino estável trouxe-lhe a presunção da autoconfiança (um inimigo mortal do servo de Deus), que foi imediatamente reprovada pelo Senhor. Deus não tolera arrogantes, que se arvoram na sensação de falsa segurança que o dinheiro, o poder, a capacidade e os talentos podem lhe trazer. Davi sofreu um duro golpe quando deixou-se iludir pela visão altiva que teve a respeito de si mesmo. Quando se refere a Deus, a expressão “voltar a face ou voltar o rosto” geralmente tem o sentido de reprovação divina ou disciplina corretiva iminente. Na literatura profética encontra-se bastante esta expressão: “Voltarei o rosto contra eles; ainda que saiam do fogo, o fogo os consumirá; e sabereis que eu sou o Senhor, quando tiver voltado o rosto contra eles” (Ez. 15:7); “Pois voltei o rosto contra esta cidade, para mal e não para bem, diz o Senhor; ela será entregue nas mãos do rei da Babilônia, e este a queimará” (Jr 21:10). O tratamento especial do Senhor na vida de Davi incluiu a disciplina corretiva para que o seu servo não ficasse preso na armadilha da presunção.

O discípulo Pedro ficou dominado pela presunção ao afirmar que estava pronto a morrer por Cristo, mas não colocou em xeque as motivações daquela afirmação. Seu coração foi tomado pelo impulso das emoções e pela vontade de estar à frente dos demais discípulos: “Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais!” (Mc. 14:28). Jesus rogou por Pedro para que a fé dele não desfalecesse. O canto do galo foi uma medida corretiva para trazer Pedro à realidade de um compromisso efetivo com o Senhor, para que ele não confiasse em si mesmo. Deus não descartou Pedro, mas tratou o seu servo por meio da disciplina. Aquele cantar do galo serviu como um lembrete permanente a Pedro de que a presunção reflete apenas um coração precipitado e cheio de orgulho. “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.” (1 Co. 10:12)

É muito fácil também sermos presunçosos por causa da segurança que o dinheiro ou que as ofertas deste mundo podem nos trazer. Não devemos nos gloriar naquilo que conquistamos ou ainda vamos possuir (Jr. 9:23-24). Porém tudo neste mundo é volátil, por isso precisamos concentrar nossas afeições naquilo que não vai nos frustrar. “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1 Jo. 2:15, 17). Realizar o que Deus requer de nós traz significado e propósito a nossa vida, e certamente nos trará verdadeira segurança. Fora disso há somente frustação e desesperança. O que temos e o que somos é somente fruto da bondade de Deus.

Por causa do amor que o Senhor tem para com o Seu povo, Ele não deixará que sejamos fascinados pela falsa paz deste mundo. O profeta Amós alertou: “Ai dos que andam à vontade em Sião e dos que vivem sem receio no monte de Samaria, homens notáveis da principal das nações, aos quais vem a casa de Israel!” (Am 6:2).

Se você um filho de Deus, amado e remido por Ele, será corrigido pelo Senhor se a presunção dominar o seu coração. Há muita malignidade na presunção, pois a presunção busca destronar Deus, oferendo ao homem meios de viver sem prestar contas ao Senhor. “Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna” (Tg 4:16). Nossas decisões precisam ser marcadas pela dependência constante do Senhor, pois não somos um fim em nós mesmos. O presunçoso é um ateu funcional, que se apoia apenas na sabedoria da razão e na inteligência da própria estratégia.

4) O favor divino em prover satisfação que nos revigora (5, 11-12)

O salmista Davi estabelece em todo o salmo 30 o foco em Deus e no tratamento especial que é direcionado ao servo do Senhor. Por conta disso, Davi reconhece com clareza e objetividade que a alegria da qual ele passou a desfrutar é fruto tão somente do favor divino. Este favor é demonstrado de duas formas: 1º) A ira do Senhor não dura para sempre, mesmo que haja pranto e dor, o Senhor se compraz em prover o seu servo com plena satisfação. A linguagem é figurativa e serve para descrever uma guinada ou uma página virada, fruto da ação do Senhor. Alegria em hebraico tem sentido amplo; é muito mais do que um largo sorriso no rosto. É uma profunda satisfação concentrada e arraigada naquilo que imutável: a graça ou favor de Deus. 2º) De acordo com o verso 11, é Deus quem toma a iniciativa de nos tirar o pano de saco e nos cingir de alegria. Que transformação! O choro vira contentamento; as vestes de luto viram vestes de comemoração. Na antiguidade, vestir panos de saco era um sinal de luto ou indicativo de lamento por algum infortúnio. Ser vestido com a alegria que provém do Senhor é estar plenamente satisfeito n’Ele. Este compromisso do Senhor em satisfazer os seus servos com alegria verdadeira não entra em conflito com a glória que somente a Ele é devida (vs. 12).

Uma história que ilustra bem este fato está relacionada com o hino do Cantor Cristão “Sou feliz”. O autor desta letra passou por uma enorme aflição: ele perdeu suas quatro filhas num naufrágio em 1873. Sua esposa escapou da tragédia e o avisou sobre a morte das filhas. Diante de toda a dor e lágrimas derramadas nesta situação, Horatio Gates Spafford encontrou forças para afirmar a sua satisfação em Deus através deste belo hino. A neta de Spafford guardou a quinta estrofe deste belo hino, que só foi divulgada no ano de 1995: “Pra mim só importa Cristo pra viver / Se o Jordão ameaçar me afogar / Oh! Não temerei, pois na morte e na vida / Tu me darás perfeita satisfação”. Não se trata de negação da realidade (muitas vezes terrivelmente cruel), mas se trata de alguém que desfrutou da satisfação que Deus lhe supriu em Cristo e pôde afirmar com segurança: a minha alma vai bem (It’s well it my soul).

Muitas vezes estamos tão fatigados com a noite da adversidade que não podemos contemplar o amanhecer da alegria. Deus tem nos dado razões de sobra para sermos cristãos satisfeitos como a paz em Cristo, a salvação, o perdão, a Sua presença conosco. Mas para usufruirmos desta satisfação, precisamos diagnosticar como está a nossa fé. John Piper define fé da seguinte maneira: fé é o exercício diário da satisfação em Cristo e em Suas promessas. Sem desfrutarmos desta satisfação impossível agradar a DEUS (Hb. 11:6). De fato, nós só seremos crentes maduros, abundantes e úteis para o reino quando estivermos satisfeitos em Cristo. Não temos como ser um farol que aponta para Cristo, se nós mesmos não temos sido nutridos pela satisfação em Sua pessoa. O salmista em outra ocasião declarou: “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente.” (Sl. 16:11)

Em que fonte você tem saciado a sua sede? Ou em outras palavras: o que ou quem traz satisfação à sua alma? Se você tem buscado esta satisfação em um relacionamento, eu posso afirmar que a frustração se aproxima. Se você tem buscado a verdadeira satisfação numa carreira profissional ou no sucesso material, há um grande problema com o seu cristianismo. Não deixe o manancial de águas vivas para cavar cisternas rotas que não retêm as águas (Jr. 2:13). Jesus disse que veio para termos vida, e vida em abundância. Ou seja, Ele se compraz em nos prover com satisfação completa que traz qualidade e vigor ao nosso viver. Nada se compara com a provisão de Deus em nos suprir com a satisfação em Cristo, como Martinho Lutero disse: “Uma masmorra com Cristo é um trono, e um trono sem Cristo é um inferno.”

sábado, 13 de setembro de 2014

Prestando um culto espiritual

A cidade de Corinto localizava-se numa zona portuária, o que era garantia de prosperidade comercial. Era um ponto de parada natural na rota de Roma para o Oriente, e o lugar onde se encontravam várias rotas do comércio. Havia uma efervescência cultural por conta dos vários povos que por ali transitavam ou fixavam residência. Era a capital da província romana da Acaia.

Leon Morris comenta: “...era um lugar muito cosmopolita. Era uma cidade importante. Era intelectualmente viva. Era materialmente próspera. Era moralmente corrupta. Os seus habitantes eram pronunciadamente propensos a satisfazer os seus desejos.” O verbo corintianizar tomou o sentido de aproveitar desenfreadamente os prazeres da vida.

Paulo iniciou o seu trabalho missionário em Corinto pregando aos judeus e gentios que haviam na cidade (conf. Atos 18). Deus tinha os Seus eleitos naquele lugar conhecido mundialmente como promíscuo e cheio de luxúria. A igreja que nasceu em Corinto ficou sob a liderança de Apolo, mas os irmãos de Corinto significavam muito para Paulo: ele escreve que era pai espiritual deles em Cristo Jesus mediante o evangelho (4:15). A ênfase de Paulo em suas cartas àquela igreja está relacionada principalmente com o uso dos dons espirituais, com a conduta moral do cristão e com o culto que deve ser prestado a Deus.

O CULTO CRISTÃO DEVE SER REGULADO POR PRINCÍPIOS TEOLÓGICOS BASEADOS NAS ESCRITURAS:

1) Decência (o nosso Deus é santo e Sua santidade não deve ser profanada)

A forma como eu e você nos apresentamos para cultuar precisa ser levada em conta. Decência e reverência devem permear todas as nossas atitudes enquanto adoradores. O grande problema é que hoje não há mais a percepção sobre quem é o Deus revelado nas Escrituras, e por conta de uma visão pequena de Deus, o culto se transforma num espetáculo antropocêntrico. Obviamente, a santidade em nossos pensamentos reflete-se imediatamente na forma como adoramos a Deus.

2) Ordem (a bagunça, a bizarrice e as abstrações não devem ter lugar no culto)

Muito do que se vê atualmente na maioria das igrejas evangélicas é uma coleção de cenas que beiram o ridículo. A ordem é fruto do senso de reverência, e portanto, indica claramente como anda a saúde de nossa alma. Esta ordem precisa ser evidente na pregação (proclamação) das verdades bíblicas. Muitos pastores já abandonaram até o texto bíblico e se refugiam apenas em conceitos psicológicos ou mesmo em historietas sem sentido, cujo propósito é somente aliciar ouvintes e não desafiar pecadores a um compromisso efetivo com o Senhor.

3) Edificação (toda prática nociva ao fortalecimento da igreja não deve ser adotada)

A igreja é um corpo, e como corpo, cada membro deve servir de suporte e edificação para o outro. Como membros de uma igreja é fundamental que nossas ações busquem sempre o melhor para o nosso irmão, considerando que o exercício dos dons espirituais deve sempre objetivar o fortalecimento de outros membros. Não podemos viver de modo egoísta querendo apenas ser servidos, uma vez que o nosso Senhor viveu como servo dando-nos o exemplo.

domingo, 7 de setembro de 2014

A parábola do filho mais velho

É comum pensarmos na parábola do filho pródigo e concentrarmos atenção somente na figura do irmão mais novo, que viveu longe de casa e gastou toda a sua herança com os prazeres deste mundo. Esta parábola está registrada em Lucas 15. Mas eu gostaria de concentrar o foco deste texto na figura do irmão mais velho, que não abandonou o seu lar mas estava igualmente perdido mesmo dentro da casa do seu pai.

O irmão mais velho representa na parábola os escribas e fariseus, que eram pessoas consideradas obedientes a Deus e zelosas no seu procedimento. Jesus, conhecendo a realidade dos corações daqueles homens, propôs a parábola justamente para confrontar o orgulho que havia em suas vidas e que eles não queria admitir. É evidente que Jesus mostra o amor gracioso do Pai em receber com grande júbilo o filho mais novo que saiu de casa, mas o Seu principal objetivo é revelar a cegueira, mesquinhez e todo a hipocrisia de homens e mulheres que buscam servir religiosamente a Deus, mas que estão destruindo tanto suas almas quanto a vida das pessoas ao seu redor. Há muitas igrejas cheias de pessoas parecidas com o irmão mais velho, que busca obedecer a Deus com objetivos equivocados.

Nós não devemos obedecer a Deus para conseguirmos a aceitação d'Ele. O crente já é aceito por Deus, através dos méritos de Cristo Jesus, e nada que façamos pode constranger Deus a atender os nossos caprichos pessoais. O irmão mais velho pensava que pela sua obediência ao Pai deveria ser merecedor de glória e honra, e até uma festa deveria ser feita em sua homenagem. Mas na relação com Deus não existe barganha ou troca. Somos o que somos somente pela graça de Deus. O Deus que não poupou o Seu único Filho nos aceita com base no sacrifício perfeito na Cruz do Calvário. Obedecemos a Deus porque já fomos aceitos e somos novas criaturas. É mentira que devemos obedecer a Deus para sermos aceitos ou para ganharmos uma quantia de pontos.

O filho mais velho não conseguia entender a graça demonstrada com o filho mais novo. É como se ele dissesse: “Eu me matei de trabalhar para merecer o que tenho, mas meu irmão nunca fez nada para merecer coisa alguma; em verdade, ele mereceu apenas sua expulsão e, agora está sendo abençoado. Onde está a justiça em tudo isso?” O nosso senso de justiça deve ser redefinido conforme a Bíblia. Precisamos entender que Deus não pensa como nós pensamos, e que os Seus caminhos são totalmente diferentes dos nossos. Aquele filho mais velho se sentia o mais justo dos homens, por isso ficou enfurecido com o tratamento que o mais novo recebeu. Mas Deus redefine o que é justiça apresentando aos dois filhos a oportunidade de um relacionamento restaurado dentro da família. Deus é o padrão perfeito de justiça, que apresenta a situação de total falência espiritual do homem, tanto do filho mais novo quanto do filho mais velho, e nos outorga de graça as Suas preciosas bênçãos.

Constrangidos pelo imenso amor de Deus precisamos desistir de usar o nosso falso senso de justiça para medir as pessoas. Com base nos critérios que as Escrituras nos ensinam, precisamos deixar de lado o orgulho que tanto nos impulsiona a olhar os outros com arrogância, e vivermos em obediência a Deus porque fomos aceitos em Sua presença pelos méritos de Cristo Jesus. E assim seremos livres para desfrutarmos do amor do Pai sem reservas, com temor e bendita comunhão.

sábado, 6 de setembro de 2014

A IGREJA TRIUNFANTE

É preciso fazer uma clara diferenciação entre igreja triunfante e igreja triunfalista. Vivemos numa época de muito triunfalismo e de muita algazarra espiritual fantasiada com rótulo evangélico. A igreja não aprendeu os princípios que devem reger um viver triunfante, que em muito se distancia do que tem sido visto e ouvido na maioria dos púlpitos evangélicos mundo afora.

A igreja triunfante é aquela formada por remidos que, a despeito das adversidades e provações que atravessam, conseguem confiar em Deus resolutamente e admitem que a glória da vida cristã está na vitória diária sobre o pecado com o auxílio dos meios de graça disponibilizados pelo Senhor. A igreja triunfante triunfa somente pelos méritos de Cristo, nunca deve ser enfatizada a ênfase em mérito pessoal nas vitórias conseguidas.

A igreja triunfalista é aquela formada por pessoas interesseiras que, em meio às dificuldades que atravessam, querem determinar que Deus atenda seus desejos humanistas e nunca estão dispostas a reconhecer o perigo de um viver centrado nos prazeres deste mundo (riquezas, prosperidade, saúde e afeições terreais). A igreja triunfalista aprecia o poder exercido pela fé, a ênfase está sempre nos méritos de quem exercita a fé. Se não há cura, é falta de fé; se não há prosperidade é falta de fé. Nas grande maioria das letras de músicas triunfalistas, há um exagero egocentralizado na fé exercida por alguém que busca ser abençoado por Deus.

O tom de vitória em toda a Bíblia é bem claro. Deus comprou um povo para Si mediante o sacrifício do Seu Filho unigênito, e por meio da redenção garantiu a vitória sobre a morte e sobre o domínio do pecado. Portanto, enquanto estamos neste mundo precisamos dar evidências de um viver triunfante e de um cristianismo abundante que reflete a glória de Cristo.

1) UM PROGRESSO EFETIVO NA BATALHA CONTRA O PECADO
Orgulho, ira, maledicência, murmuração: já lidamos com estes pecados adequadamente? Se colocarmos para debaixo do tapete o que deve ser tratado em nosso viver, a nossa vida se parecerá muito mais com um círculo vicioso do que com uma subida progressiva. O pecado sempre nos assediará neste mundo, mas precisamos triunfar diariamente sobre o que nos impede de avançar em direção a um compromisso maior com o Senhor.

2) UM PROGRESSO EFETIVO NO INTERESSE POR VALORES CELESTES
Todos nós temos planos, metas e sonhos. Alguns já sabem que profissão seguir, que rumo tomar na vida, e usam o cristianismo apenas como um apêndice, como se fosse um acessório que se coloca geralmente nos fins de semana. Quando os nossos interesses são consumidos por valores terrenos, toda a nossa saúde espiritual fica seriamente comprometida, e não há nenhum triunfo a ser comemorado. Se almejamos de fato a um compromisso maior com Cristo, precisamos desistir de construir impérios que colocam em evidência o nosso orgulho e ambição pessoais.

3) UM PROGRESSO EFETIVO NO FORTALECIMENTO DAS CONVICÇÕES
Um cristão sem convicções é um difamador do Senhor. Alguém que é levado para todo lado, sem estabilidade nenhuma diante dos fatos tristes e difíceis desta vida, atesta sua fragilidade como discípulo do Mestre. Precisamos ser conduzidos e mantidos de pé pelas convicções bíblicas. Somente as convicções que encontram base nas Escrituras podem nos sustentar quando as tempestades vierem sobre nós. Não podemos falar em triunfo na vida cristã se não estamos dispostos a fortalecer nossas convicções diariamente, quebrando uma série de obstáculos que nós mesmos construímos.

O valor dos bons conselhos

O livro de provérbios por si mesmo é um livro de conselhos. Através de provérbios e ditos, o sábio Salomão traz à tona vários ensinos verdadeiros e úteis para o nosso viver diário. Conselhos são sempre bons, mas somente os bons conselhos. Por isso é importante que você procure se aconselhar com pessoas que podem oferecer palavras verdadeiras e sábias. Mas de antemão já posso garantir que não existe um bom conselho que esteja fora do padrão de ensino das Escrituras.

  • “O caminho do insensato aos seus próprios olhos parece reto, mas o sábio dá ouvidos aos conselhos.” (Pv. 12:15)
  • “Não havendo sábia direção, cai o povo, mas na multidão de conselheiros há segurança.” (Pv. 11:14)

Na Bíblia existe uma história que relata o péssimo conselho dado por um homem chamado Jonadabe. Ele orientou o jovem Amnon a extravasar sua paixão sexual e dormir com a própria meia-irmã. Esta história terrível está registrada no livro 2 Samuel 13.1-22. A Bíblia diz que Jonadabe era homem muito sagaz. A palavra “sagacidade” significa: uma astúcia enganosa ou fraudulenta; esperteza movida por interesses mesquinhos. Amnon foi tomar conselhos com alguém que “não era flor que se cheire.” Jonadabe não era uma pessoa piedosa ou temente a Deus. Seu conselho foi mais um incentivo ao pecado e não tinha nada de proveitoso. Ele sugeriu que Amnom usasse artifícios pecaminosos (mentiras, fingimento, engano) para conseguir o que tanto desejava.

Nem sempre uma pessoa que se interessa em nos ajudar tem o conselho correto. Na luta contra o pecado, boas intenções não são suficientes. Muitas filosofias e pensamentos humanistas invadiram as igrejas como uma enxurrada. Por isso é fundamental buscar o conselho de pessoas piedosas que podem oferecer soluções bíblicas. A Bíblia considera uma enorme insensatez não buscar conselhos, mas é fundamental que os conselheiros sejam homens ou mulheres tementes a Deus. A. W. Tozer nos adverte: “Nunca ouça um homem que não ouve a Deus.” Se seguirmos tal advertência evitaremos muitas dores de cabeça.

Deus utiliza os seus servos para aconselhar sabiamente. Aqueles que possuem o dom de exortação são os mais capacitados para esta tarefa, porém todo crente piedoso pode ser um instrumento na edificação de alguém que precisa de conselhos. É um ministério que exige profunda submissão “ao que Deus diz” e não “ao que eu acho”, por isso somente pessoas submissas à autoridade bíblica podem oferecer a ajuda correta através do aconselhamento.

De quem você tem buscado conselhos? Não busque o conselho de pessoas que desprezam os princípios bíblicos e se baseiam nas filosofias humanas. É importante ter amigos piedosos nos quais podemos confiar quando necessitamos de conselho. Mas não podemos confiar em pessoas que falam coisas agradáveis apenas para nos agradar. Nunca dê crédito aos conselheiros que concordam com o pecado. Aqueles que verdadeiramente nos amam devem falar a verdade e nos alertar sobre os perigos do pecado que sempre nos assedia.

sábado, 30 de agosto de 2014

A mensagem de arrependimento

Evidentemente, desde o começo até ao fim do livro de Atos, o arrependimento era o apelo central da mensagem dos apóstolos. O arrependimento que eles pregavam não era apenas uma mudança de mente a respeito de quem era Jesus. Era um abandono do pecado (At. 3:26; At. 8:22) e um voltar-se ao Senhor Jesus Cristo (At. 20:21). Era o arrependimento que resulta em mudança de comportamento (At. 26:20). A mensagem apostólica não parecia em nada com o evangelho do não-senhorio que tem alcançado popularidade em nossos dias.

Fico profundamente preocupado quando vejo o que está acontecendo na igreja hoje. O cristianismo bíblico perdeu sua voz. A igreja está pregando um evangelho idealizado para confortar, e não para confrontar pecadores. As igrejas têm recorrido a divertimento e entretenimento para tentar conquistar o mundo. Esses métodos podem atrair multidões por um tempo, mas não são os métodos de Deus e, portanto, estão destinados ao fracasso. Enquanto isso acontece, a igreja está sendo infiltrada e corrompida por crentes professos que nunca se arrependeram, nunca se converteram de seus pecados e, portanto, nunca abraçaram, realmente, a Cristo como Senhor ou Salvador.

Devemos retornar à mensagem que Deus nos chamou a pregar. Precisamos confrontar o pecado e chamar os pecadores ao arrependimento — a uma interrupção radical do amor ao pecado e a buscarem a misericórdia do Senhor. Devemos mostrar Cristo como Salvador e Senhor, como aquele que livra seu povo da punição e do poder do pecado. Afinal, esse é o evangelho que Ele nos chamou a proclamar.

John Macarthur, no livro O Evangelho segundo os apóstolos.

domingo, 24 de agosto de 2014

O valor da misericórdia

O livro de Provérbios nos apresenta lições para um viver sábio. E para termos um viver sábio é necessário que entendamos o valor da misericórdia, em prol dos que padecem e precisam da ajuda que podemos dar. Em Pv. 19:22 lemos o seguinte: "O que torna agradável o homem é a sua misericórdia." A misericórdia é uma virtude ausente da nossa sociedade. Neste mundo o que impera é a força bruta, que não respeita o próximo e traz grande sofrimento ao que já está em situação ruim. Em Pv. 21:10 lemos: "A alma do perverso deseja o mal; nem o seu vizinho recebe dele compaixão." Os telejornais, programas de rádio e revistas trazem sempre matérias sobre a falta de misericórdia com o sofrimento alheio. Não faz muito tempo, um homem que andava de bicicleta foi atropelado e teve o seu braço arrancado. O motorista não prestou nenhum socorro e ainda jogou o braço que poderia ser reimplantado num córrego da região. Este é o cenário deste mundo sem misericórdia.

É óbvio que não podemos esperar de pessoas ímpias que não experimentaram a graça de Deus, o exercício da misericórdia em sua forma pura e sem intenções pecaminosas. A misericórdia não é uma virtude natural do homem. O homem em sua natureza é mau, cruel, egoísta, vingativo e incapaz de exercer uma misericórdia verdadeira. Mas os cristãos precisam acordar do sono em que estão para exercer a misericórdia no seu dia-a-dia. Afinal, todo crente foi alvo da misericórdia de Deus, e portanto, deve espalhar as sementes de graça e bondade, onde quer que ande visando sempre a glória do Senhor.

Com base no valor que ela tem, é impotante tratar sobre três aspectos da misericórdia, sob o ponto de vista bíblico:

1) MISERICÓRDIA NÃO É COMPLACÊNCIA COM O PECADO:

Quando alguém está em pecado, o cristão deve aproximar-se com temor e tremor, para agir com misericórdia. Mas isto não significa que o cristão deve concordar com o caminho errado e nem apoiar aquele que está em rebeldia contra Deus. Jesus exerceu misericórdia em tratar os pecadores, mas em momento algum concordou com práticas que estivessem fora do padrão de Deus. O exercício da misericórdia exige do cristão que ele sonde diariamente o seu coração, para que assim possa ter condições de ajudar outros que estão enlaçados pelo pecado. Isto quer dizer, que é necessário primeiro tirar a trave, tratar o que nos impede de enxergar claramente, e assim teremos condições de confrontar biblicamente alguém que precisa de misericórdia, não de complacência.

Paulo escrevendo aos Efésios diz assim: "E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as" (Ef. 5:11). Não é prova de bondade passar a mão na cabeça do pecador e dar-lhe acolhida enquanto permanece em rebeldia contra o Senhor. Isto é cumplicidade com o erro, que trará sérios prejuízos para o reino de Deus. Agir com misericórdia é fazer com que o pecador entenda que está rumando em direção errada, sempre com o objetivo de restaurar o irmão que caiu. Isto sim, é prova de que estamos interessados na vida de alguém.

Deus requer do seu povo que a misericórdia mútua seja sempre cultivada, mas que este prática não se transforme em cumplicidade com o erro, pois isto certamente não resultará em vidas transformadas pela graça de Cristo.

O arrependimento na vida de uma pessoa marca um novo rumo, e devemos sim estender a destra de misericórdia para aqueles que se arrependem e desejam viver agradando a Cristo. Mas sem arrependimento e com a prática contínua do pecado, não devemos pensar que estaremos ajudando sendo cúmplices com o erro. Isto só traz desonra ao nome de Cristo.

2) MISERICÓRDIA NÃO É PRIORIZAR PROGRAMAS DE CARIDADE

Em nome do exercício da misericórdia muitas pessoas fazem obras de caridade, e usam recursos financeiros para ajudar os menos favorecidos. Isto não é de todo errado, mas o problema é quando estas atividades se tornam o foco central. Deus nos agracia com bens para que possamos abençoar a outras pessoas também, mas não podemos esquecer que a mensagem do Evangelho é inegociável. Não devemos atrair pessoas para nossas igrejas com promessas de cestas básicas ou com promessas de ajuda financeira, pois Cristo não está oferecendo estas coisas. O que Cristo requer de nós, seus embaixadores, é que preguemos a mensagem da cruz, que falemos sobre a condenação e sobre a obra graciosa de Cristo para nos libertar da escravidão do pecado. O evangelho de Cristo não pode ser diluídos a favor de obras de caridade. É comum ver muitas pessoas que são atraídas para uma igreja pelos programas sociais, mas não permanecem. Muitos não foram apresentados à mensagem central do Evangelho, ou quando entendem esta mensagem, rejeitam a fé cristã por causa o alto custo de ser um discípulo de Jesus Cristo.

Como cristãos, é fundamental que andemos em novidade de vida, e isto implica em sermos bondosos com aqueles que sofrem necessidades. Devemos prestar ajuda no que está ao nosso alcance, mas isto não significa que o evangelho deve ser diluído em função de caridade e obras sociais. O nosso papel como embaixadores de Cristo é levar ao mundo a redenção providenciada na cruz do Calvário, sem esmorecer e sem enfraquecer a mensagem. Uma igreja que se dedica apenas a obras sociais, sem o foco correto no evangelismo pessoal, pode criar nas pessoas alcançadas um falso senso de segurança. É necessário discipulado em profundidade, para que a misericórdia de Cristo seja vista e entendida por todos que nos ouvem. Isto sim, é o exercício correto da misericórdia: acima de tudo enxergar o ser humano como carente de alma, perdido e que precisa da graça divina. O pão da vida, que é Cristo, traz verdadeira satisfação à alma!

3) MISERICÓRDIA É COLOCAR-SE NO LUGAR DO OUTRO

É fácil sermos indiferentes. É muito fácil sermos apáticos. É só deixar a vida seguir seu rumo, sem nos importarmos com quem está a nossa volta. Mas quando somos alcançados pela graça de Cristo, é impossível olhar este mundo com os olhos secos. Constrangidos pelo imenso amor de Cristo, é impossível vivermos sem enxergar o sofrimento de pessoas ao nosso redor. Isto se torna mais evidente ainda quando nos colocamos no lugar do outro, e deixamos de lado nosso preconceito e arrogância infantil.

Ser misericordioso é estender a mão sem segundas intenções, e sem esperar receber nada em troca. É mostrar com atitudes que se importa com a situação do próximo, sem cumplicidade com o pecado e sem diluir a mensagem do Evangelho. Cristo nos deu vários exemplos de como sermos misericordiosos. Podemos pensar no episódio da morte de Lázaro, um amigo de Jesus. Ele sabia que Lázaro seria ressuscitado, e que o poder de Deus seria manifestado naquela situação de dor e sofrimento. Mas ainda assim Ele se compadeceu de toda a família e chorou junto ao túmulo de Lázaro. Chorar com os que choram é uma demonstração de misericórdia.

Certamente você convive com alguém que sofre, seja por debilidades físicas, emocionais ou espirituais. Eu sugiro que você, meu caro irmão, apresente a mensagem do Evangelho, a única esperança que há em Cristo Jesus, e mostre-se atento às necessidades mais profundas da alma desta pessoa. Coloque-se à disposição para sentir a dor desta pessoa e fazer o que está ao seu alcance para ajudar com os recursos materiais ou espirituais que Deus tem lhe dado. Seja um canal de bênçãos, por onde fluem ricas manifestações da misericórdia que alcançou o seu coração.


Devocional para o Programa Viva com Cristo
Dia 24/08/14

terça-feira, 12 de agosto de 2014

DECADÊNCIA MORAL E ESPIRITUAL

Texto: 1 Sm. 15: 1-31

I. Quando penso em decadência, a ideia que logo vem a minha mente é uma casa ou um prédio em ruínas. Recentemente, vi algumas fotos da casa que meus avós moravam no interior de Araripina. As fotos mostram as ruínas de uma casa grande que abrigou pessoas que hoje lá não vivem mais. Algumas paredes caídas, a ausência do telhado em vários cômodos, blocos espalhados pelo chão, compõem o cenário de um tempo que passou. A decadência de uma casa em ruínas também demonstra que não houve manutenção regular ou uma boa reforma. Ao longo dos anos, o efeito das chuvas, dos ventos e do sol forte contribui diretamente para deteriorar uma casa, e se não houver manutenção, em breve restarão somente ruínas. Porém, muito pior do que uma casa em ruínas, é a decadência da alma, é quando a nossa fé está em ruínas. Quando a alma está deteriorada pelo pecado não-confessado e não-abandonado, ela precisa de uma restauração urgente. A fé em decadência é um testemunho da nossa negligência e apatia para com os valores espirituais.

II. E por falar em decadência, o texto lido nos apresenta mais um episódio trágico na vida do obstinado rei Saul. As atitudes de Saul vão da negligência à rebeldia e comprovam um homem decadente, uma vida que desmorona cada vez mais, tanto do ponto de vista moral quanto espiritual. A história deste homem, escolhido para ser o primeiro rei de Israel, é repleta de contradições que minaram o seu reinado, marcado por inveja, orgulho e declínio.

Ao rei Saul coube a missão de exterminar os amalequitas, uma antiga tribo nômade descendente de Esaú (Gn. 36:12). Os amalequitas não eram um povo inocente. Este povo criou empecilhos para o povo de Israel. Quando os israelitas partiram do Egito rumo à terra prometida, eles foram atacados pelos amalequitas, conforme Dt. 25: 17-19. Foi um ataque covarde, feito pelas costas, aos abatidos e fatigados do povo de Israel. Então havia um justo juízo estabelecido por Deus para os amalequitas. Esta ordem não se tratava de um capricho de um Deus carrasco, mas do exercício da plena justiça do Senhor em prol da vindicação da Sua santidade e Sua glória.

Mas a missão confiada ao rei Saul não foi cumprida na íntegra. As palavras que Saul utiliza para responder a Samuel no texto lido testificam contra ele mesmo e comprovam a obstinação presente em seu coração. Saul era um homem teimoso e resistente à voz de Deus, e esta resistência o levou à decadência moral e espiritual.

“OS SINAIS DE REBELDIA CONTRA O SENHOR DENUNCIAM A NOSSA DECADÊNCIA MORAL E ESPIRITUAL”

· S. I. Com base no texto, que sinais de rebeldia contra o Senhor denunciam a nossa decadência moral e espiritual?

· S. T. Com base no texto, veremos quatro sinais de rebeldia contra o Senhor que denunciam a nossa decadência moral e espiritual.

Se estes sinais estiverem presentes em nosso viver, ficará patente a nossa decadência moral e espiritual. Lembrando que a decadência moral e espiritual não acontece de repente. Vamos checar nossas vidas à luz da Palavra de Deus, e notar se estes sinais também nos denunciam. Não há nada mais importante do que nos submetermos humildemente ao Senhor, para que os sinais de rebeldia não façam parte do nosso viver e nos levem a decadência moral/espiritual.


1) A ênfase na promoção da imagem pessoal (vs. 12, 24, 30)

“Já chegou Saul ao Carmelo, e eis que levantou para si um monumento”

“porque temi o povo e dei ouvidos à sua voz.”

“honra-me, porém, agora, diante dos anciãos do meu povo e diante de Israel”

É interessante notar o quanto Saul estava buscando ressaltar a sua imagem pessoal perante o povo. Ele queria ser admirado, lembrado e ovacionado pela multidão como um rei diferenciado, um rei acima da média.Ele queria que a sua imagem como rei ficasse em evidência, por isso fez tudo o que foi possível para não “sair mal na fita”. Saul poupou Agague, o rei dos amalequitas, para exibi-lo como troféu de guerra, uma forma de exibição da sua proeza e poder. Ao construir um monumento após o triunfo na guerra, Saul queria deixar um memorial para que fosse lembrado pela vitória contra os amalequitas (outros líderes ergueram altares, Saul ergueu um monumento). Poupar o melhor das ovelhas e bois certamente traria mais popularidade a Saul diante da massa, pois o povo não teria que ofertar dos seus próprios rebanhos. Depois de uma aparente confissão de pecado, muita rasa e descuidada, Saul ainda queria que Samuel o honrasse diante dos anciãos, para que ninguém suspeitasse que algum problema tivesse acontecido. Saul era um verdadeiro amante de sua imagem, um verdadeiro narcisista na concepção da palavra.

“O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim. Convém que ele cresça e que eu diminua” (João 3:29-30). Estas palavras foram ditas por João, o batista, um servo de Deus que entendia limpidamente qual o seu verdadeiro lugar. Ele não buscava popularidade e nem queria uma multidão o aplaudindo por onde passasse, pois não estava trabalhando em causa própria. Ele estava interessado somente em cumprir o seu papel dentro do plano de Deus: ser um precursor do Messias, e apontar para o Cordeiro de Deus.

Não é ruim quando a nossa imagem não é prestigiada porque seguimos a verdade bíblica e por termos posturas alinhadas com o que Deus requer de nós. Pelo contrário, isso é louvável. Mas quando valorizamos tanto a nossa imagem, a ponto de sermos desobedientes a Deus para preservá-la diante das pessoas, entramos numa espiral descendente. O amor pela impressão que as pessoas tem de nós e o amor pela popularidade tem sufocado muitos cristãos. Vance Havner disse que “a popularidade tem matado mais profetas do que a perseguição”.

Hoje muito esforço é feito para a promoção da imagem pessoal. Como diz uma propaganda: Imagem é tudo! Mas será que estamos cientes do perigo? Por conta de nossa natureza caída é muito fácil sermos iludidos pelo desejo de popularidade e de aceitação. À custa de princípios e valores espirituais muitos correm freneticamente em busca de aprovação. Você e eu tememos mais a desaprovação das pessoas, do que tememos a desaprovação de Deus? Precisamos dar testemunho da mudança que Cristo operou em nossos corações, independentemente do apoio de pessoas ao redor. Jesus mesmo advertiu os seus discípulos: “Ai de vós, quando todos vos louvarem! Porque assim procederam seus pais com os falsos profetas” (Lc. 6:26). Quando o mundo ímpio nos louva é sinal de que somos uma fraude! Neste mundo torto em que vivemos, as pessoas aprovam o que Deus desaprova e desaprovam o que Deus aprova. Portanto, muito cuidado com as concessões feitas em prol da aprovação e popularidade! Elas são sinais da nossa decadência moral e espiritual, e denunciam a nossa obstinação contra o Senhor.

2) A ênfase na motivação com aparência de piedade (vs. 15, 21)

“para os sacrificar ao Senhor, teu Deus”

“o melhor do designado à destruição para oferecer ao Senhor, teu Deus”

Justificar nossas atitudes com uma motivação “piedosa” é mais uma prova de nossa obstinação contra o Senhor. Saul apresenta a Samuel o motivo de ter poupado o melhor das ovelhas e bois. Ele enfatiza que o propósito era muito nobre: animais da melhor qualidade seriam oferecidos como holocausto ao Senhor. Esta motivação com aparência piedosa mostra que Saul era um homem cheio de estratégias para aliviar a sua barra. A ordem de Deus foi clara: tudo deveria ser destruído, pois os amalequitas tinha se tornado abominação ao Senhor; porém o rei Saul tinha planos para o seu próprio benefício: as reais intenções estavam associadas com a sua imagem e a sua própria glória. Para Saul, não custava nada pintar com um verniz de piedade a sua motivação egoísta. Há um contraste no texto: segundo o raciocínio de Saul o ritual de sacrifícios compensava a sua desobediência. Mas para o profeta Samuel, a obediência a Deus é sempre a forma mais sublime de sacrifício. Para um servo fiel, definitivamente, os fins não justificam os meios.

O relato sobre Ananias e Safira ilustra bem as motivações equivocadas com um verniz de piedade para tentar impressionar a homens e a Deus. Venderam uma propriedade e retiveram uma parte do valor, mas tentaram demonstrar uma generosidade tal como fez Barnabé. Ananias e Safira queriam impressionar os apóstolos, queriam transmitir uma imagem de supergenerosos. As reais motivações eram torpes, mas eles fizeram o possível para aparentar uma espiritualidade acima da média. Por conta disto, o fim deles foi trágico (At. 5: 1-11).

Muitos de nós pensamos que a vida cristã pode ser vivida com base em aparência de piedade. É um engano fatal. É como tapar o sol com a peneira: não traz nada de efetivo. O Senhor conhece o recôndito do nosso coração, e sabe na íntegra o que se passa em nossas mentes. Ele nos enxerga como “ovelhas sem couro”, tudo está claro e patente aos olhos d’Ele a Quem havemos de prestar contas. É verdade que Deus pesa as nossas ações, mas Ele também avalia profundamente as motivações com as quais agimos. A. W. Tozer escreveu: “Atos praticados por motivações vis são duplamente maus - maus em si mesmos e maus porque praticados em nome de Deus.”

Muitos conflitos são iniciados com base em motivações aparentemente piedosas. Há muita carnalidade revestida de piedade, inclusive dentro da igreja. Por exemplo, um irmão que se mostra disposto a cooperar com algum ministério motivado pelo “amor a Cristo” e pela “glória de Deus”, mas que não abre mão de suas preferências egoístas.

A piedade que demonstramos com os atos precisa ser um reflexo cristalino de motivações santificadas pela Palavra de Deus. Precisamos transmitir com clareza que a nossa fé não é uma fraude. Revestir nossas motivações egoístas com um verniz de piedade não contribui em nada para a aceitação destas motivações por parte do Senhor. Mesmo que a motivação seja piedosa, nossas atitudes de desobediência não passam despercebidas por Deus. As nossas boas intenções desonram a Deus quando não estão alicerçadas nas Escrituras. As boas intenções só podem ser consideradas boas se estão afinadas com os parâmetros do Senhor e em harmonia com os Seus mandamentos. Nenhum proveito há numa vida baseada em aparente piedade. Que possamos desistir de qualquer estratégia que objetiva enfatizar motivações com um verniz de piedade. Isto só realça a nossa obstinação contra o Senhor e um coração cheio de pecado.

3) A ênfase na negação de quaisquer pendências (vs. 13, 20)

“Bendito sejas tu do Senhor; executei as palavras do Senhor”

“...pelo contrário, dei ouvidos à voz do Senhor e segui o caminho pelo qual o Senhor me enviou.”

No encontro com Samuel após a batalha contra os amalequitas, o rei Saul se dirige ao profeta com uma linguajar polido de calorosas boas-vindas. Saul apresenta o seu relatório: segundo a sua perspectiva ele havia executado cabalmente a missão que lhe foi confiada. Ele fala como se estivesse no automático, não querendo enxergar a realidade a sua volta. Mas o balido das ovelhas e o mugido dos bois denunciavam que esta versão dos fatos não era verídica. Contra fatos não há argumentos. Mesmo após o profeta declarar claramente “tu não atentaste à voz do Senhor”, o rei Saul rebate de modo categórico: Pelo contrário. É como se dissesse: “não é bem assim, eu fiz o que me foi solicitado, destruí os amalequitas”. Além disso, por duas vezes no texto Saul busca transferir a responsabilidade para os outros: “o povo tomou do despojo ovelhas e bois” (vs. 15 e 21). Em outras palavra: “eu não tenho nada a ver com isso”.

Certa feita perguntou-se a um cristão já idoso, que tinha passado por enormes dificuldades em sua vida, muitas delas como resultado direto de erros cometidos: “Que conselho o senhor daria a um jovem cristão que está começando a perceber as atrações deste mundo?” Aquele senhor de idade avançada refletiu um pouco e falou: “Eu diria: Meu filho, não importa a sua idade, não importa a sua inteligência, e nem o seu currículo. O que mais importa é que você não demore para aprender na Bíblia o que desonra a Deus, e quando errar não se faça de desentendido. Prosseguir adiante como se nada tivesse acontecido é agir como um tolo.”

A resistência em reconhecer prontamente o erro é um sinal muito forte de obstinação contra o Senhor, e nos leva a cometer muitos outros. Na Bíblia a expressão “dura cerviz” é uma ilustração para a rebeldia. Está relacionada com não reconhecer o erro, não dar ouvidos à instrução e não crer com inteireza no Senhor. Homens e mulheres de dura cerviz, quando confrontados mediante a Palavra de Deus, resistem em admitir que estão errados (Pv. 29:1). Preferem criar uma falsa sensação de segurança, sem dar real importância ao que precisa ser tratado.

Nunca, absolutamente nunca, é saudável fugir da realidade! Negar que existam pendências e criar um sistema ilusório de que tudo está bem é um caminho de decadência e fracasso certo. Quanto mais crescemos em santificação, maior a nossa percepção do pecado que tenazmente nos assedia seja em nossas atitudes, motivações ou pensamentos. Uma das evidências de que estamos crescendo em pureza é maior atenção ao que estorva a nossa caminhada com Cristo.

“Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós” (1 Jo. 1: 8 e 10). Precisamos ser honestos e transparentes, assumindo a responsabilidade pelos pecados para que possamos lidar sabiamente com eles. O sábio Salomão escreveu o provérbio: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv. 28:13). O sentido primário da palavra neste contexto é esconder, ocultar, apagar, criar mecanismos para negar a existência. Não há avanço ou crescimento na vida cristã enquanto o pecado não é reconhecido.

Não há paz para os rebeldes! Não há paz para quem ignora o pecado em seu próprio viver e não admite imediatamente as pendências que existem no seu relacionamento com o Senhor. Deus requer que os Seus filhos não transijam com o erro, e quando errar que seja transparente.

4) A ênfase na atenuação displicente da culpa (vs. 25, 30)

“volta comigo, para que adore o Senhor”; “e volta comigo, para que adore o Senhor, teu Deus.”

Samuel surpreende o rei Saul com um veredito: “O Senhor te rejeitou para que não sejas rei” (vs. 23). Somente depois deste veredito é que Saul esboça uma caricatura de arrependimento. Mas o fruto do verdadeiro arrependimento é a pronta obediência. Como passo inicial, Saul deveria concluir a missão aniquilando os rebanhos dos amalequitas e matando o rei Agague. Mas ele nem comenta sobre isso. Ele se mostra disposto a adorar ao Senhor, como uma forma de aliviar sua consciência culpada, pelo veredito que acabou de ouvir. Este foi um ato de adoração “para cumprir tabela”, feito pela pressão da culpa, oferecido de forma displicente/descuidada/negligente (faz-de-conta). A adoração, para Saul, não era um meio de relacionar-se com Deus e alegrar-se nEle. Era um meio egoísta de procurar alívio rápido para a sua consciência. Ele desejava “limpar a sua barra” diante de Deus, atenuando o peso que lhe sobreveio por ter sido desqualificado como rei. Mas com Deus não existem negociatas/barganhas. O Senhor não aceita compensações. Se homem não se dobrar, a adoração que presta a Deus é sem valor.

Uma pesquisa recente indicou que 89% dos brasileiros tomam algum tipo de analgésico, quando sentem dor de cabeça de qualquer intensidade. Segundo especialistas em cefaleia, o uso indiscriminado de analgésicos comuns pode piorar as crises. Parece paradoxal, mas um remédio que deveria aliviar o sintoma, pode agravá-lo. O alívio causado por tais medicamentos, quando usados indiscriminadamente, cobra seu preço levando a um aumento na frequência de crises. O tratamento correto de dores de cabeça frequentes exige um diagnóstico preciso do tipo de dor, para que sejam adotadas medidas preventivas, e não somente paliativas.

A consciência é serva de Deus para nos orientar ao caminho correto, nos levando a discernir o certo e o errado. Ela funciona como um sistema preventivo de alerta. Mas a consciência pode ficar cauterizada pelo uso de artifícios para atenuar o sentimento de culpa por pecados cometidos, principalmente quando as consequências trazem grande incômodo para o nosso ego. Não apenas a prática rotineira do pecado entorpece a consciência, mas também o modo errado que escolhemos para tratar o nosso coração quando pecamos. Certamente, não tratar o que precisa ser tratado à maneira de Deus, só vai piorar a nossa situação.

Sem contrição verdadeira e coração quebrantado do adorador, nenhum ato de adoração é válido e aceitável aos olhos do Senhor (Salmo 51:17). Tiago nos ensina a não sermos superficiais neste processo de restauração: “Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração. Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará” (Tg. 4:8-10). O nosso coração precisa e deve ser tranquilizado pelos meios de graça corretos, quando reconhecemos a feiúra do nosso pecado. Isto não nos isenta da reparação necessária (Saul não se mostrou pronto a aniquilar o rei Agague e nem os rebanhos que foram poupados dos amalequitas).

Vir à igreja, reunir-se com o povo de Deus, entoar louvores a Cristo, meditar e estudar a santa Palavra, orar e manter comunhão com Deus (mediada por Cristo), o compromisso com algum ministério, o exercício dos dons espirituais, são privilégios inegáveis e tudo isso deve se constituir o nosso maior prazer. Mas quando fazemos isso com o objetivo de trazer um paliativo à nossa consciência culpada, sem confrontar seriamente o nosso coração pecaminoso, estamos apenas fazendo uso de “analgésicos”, que por fim vão trazer ainda maior endurecimento. Definitivamente, na relação com o Senhor não há espaço para medidas superficiais e paliativas.

 

Sermão Pregado em 03/08/14 – Igreja Batista Regular Jardim Amazonas

Os partidos na igreja de Corinto

A palavra “divisão” é a palavra grega cisma, cujo significado é rasgar um tecido. O que Paulo está dizendo é que havia na igreja algo como um tecido rasgado. E isso que eles estavam fazendo: rasgando a igreja! O apóstolo ordena à igreja: “[...] antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer” (1.10b). Paulo menciona quatro partidos dentro da igreja de Corinto: “Eu sou de Paulo, e eu, de Apoio, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo” (1.12). Por que quatro partidos dentro da igreja? Quais eram esses partidos?

Existia o Partido Liberal de Paulo, o PLP. O partido liberal de Paulo era certamente o partido dos fundadores da igreja. Paulo foi o fundador da igreja de Corinto. Nós fomos os pioneiros desta igreja e nós estamos ligados ele. Nós somos do partido de Paulo. Talvez os que engrossavam esse partido fossem também aqueles indivíduos que seguiam a linha da pregação de Paulo, por exemplo, da liberdade cristã, não ficando atrelados ao legalismo que os judeus queriam impor.

Existia o Partido Filosófico de Apolo, o PFA. Nós poderíamos chamá-lo de partido filosófico de Apoio. E por que era o partido filosófico de Apoio? Porque Apoio era da cidade de Alexandria, a segunda maior cidade do mundo. Alexandria era o centro da atividade intelectual do mundo. Os alexandrinos eram entusiasmados com as elegâncias literárias. Foram eles que intelectualizaram o cristianismo.

Existia o Partido Conservador de Pedro, o PCP. O partido conservador de Pedro era composto, possivelmente, pelos judeus e pelos prosélitos que se tornaram judeus por meio da circuncisão. Muitos gentios aderiam à fé judia e eram chamados de pessoas tementes a Deus.

Existia o Partido Cristão de Jesus, o PCJ. E bem provável que esse partido, com o nome mais bonito, fosse o mais problemático. Talvez esse fosse o partido exclusivista. Os membros desse grupo evidenciavam um orgulho espiritual sutil, dando a entender que eles eram os únicos cristãos verdadeiros.


Trecho do livro Como Resolver Conflitos na Igreja
Autor: Hernandes Dias Lopes

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A TIRANIA DO TEMPO E A PACIÊNCIA


O exercício da paciência no dia-a-dia está diretamente relacionado com o entendimento adequado da soberania de Deus sobre o tempo e sobre nossas vidas. O impaciente acha que as suas expectativas devem acontecer logo; para ele não há tempo a perder. O impaciente coloca sobre si um jugo extremamente prejudicial, pois as coisas nem sempre acontecem como e quando quer, o que acaba resultando em frustração e decepção. Ou então, para não ter que esperar, prefere agir do seu próprio modo, tomando decisões precipitadas que por fim trazem prejuízos enormes para sua vida.

O tempo é um senhor tirano, e a pressão que ele exerce sobre o homem pode trazer graves consequências. É necessário termos muita sabedoria para vivermos com paciência e sob a dependência do Senhor. Isto só é possível se não ficarmos dominados sob a tirania do tempo. Obviamente, sem nos esquecermos jamais de realizar o que é da nossa competência em cada situação da vida.

O homem paciente sabe que a sua vida está nas mãos do Senhor e que absolutamente nada escapará do Seu controle soberano. Até mesmo o próprio tempo está sob o domínio sempiterno do nosso grandioso Deus. O sábio Salomão fez afirmações preciosas sobre o valor da paciência, pois entendia que o caminho da precipitação traz desonra ao servo do Senhor:

  • “O homem paciente é grande em entendimento, mas o de ânimo precipitado exalta a loucura.” (Pv. 14:29)
  • “Melhor é o homem paciente do que o herói da guerra” (Pv. 16:32)
  • “Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado.” (Pv. 19:2)

Precisamos ter a coragem de depender do Senhor. “Depender de Deus” não é um mecanismo de fuga das nossas responsabilidades, pelo contrário é o exercício da fé verdadeira e o depósito sem reservas de nossas expectativas Naquele que reina sobre o tempo e sobre as circunstâncias da nossa vida. Isto não se aprende de uma hora para outra, é fundamental nos submetermos à Palavra de Deus em cada decisão que vamos tomar para que sejamos moldados diariamente como servos do Senhor. Afinal, uma ótima definição de um servo, é de alguém que está sempre atento às prioridades do seu Senhor e não busca os seus próprios interesses pois o seu maior anseio é satisfazer aquele que o comprou por alto preço. O servo é paciente no exercício das atividades para a glória do Senhor, e faz todas as coisas não como um refém do tempo, mas com plena alegria no coração por tão grande privilégio.

Que o nosso Deus nos transforme cada dia mais em servos pacientes, que entendem na prática que nada é demasiadamente demorado para aquele que é o Senhor do tempo.

Eu busco tempo para tantas coisas
São tantos planos para pouco tempo
E em meio a tudo que exige tempo
Eu já não tenho tempo pra falar com Deus

...

Não tenho tempo para descansar
Rever amigos e conversar
Já não consigo me assentar a mesa
E alimentar o que a alma almeja

Letra da canção SENHOR DO TEMPO, de Paulo Cesar Baruk

sábado, 19 de julho de 2014

Avanço na jornada cristã

Texto: Josué 6: 1-5
Tema: “Valorizando os recursos espirituais para o avanço na jornada cristã”

INT. I ) O desenvolvimento corporal é o que se espera naturalmente de um ser humano, e quando isto não acontece é porque houve algum problema que impediu o crescimento, como a deficiência na produção de hormônios apropriados. Existe um glândula em nosso cérebro chamada hipófise. Esta glândula é responsável pela produção de um hormônio (a somototropina). Uma das principais funções desta hormônio é proporcionar um estímulo para o crescimento dos ossos e dos tecidos, influenciando diretamente na estatura alcançada pela pessoa ao chegar a idade adulta. Quando existe algum déficit na produção deste hormônio do crescimento ao longo da infância provoca sérios problemas no desenvolvimento corporal, inclusive uma doença chamado nanismo. A doença costuma evidenciar-se nos primeiros anos de vida, sobretudo até aos 2 ou 3 anos de idade. As pessoas que sofrem desta doença são popularmente conhecidos como anões. Em geral, esses indivíduos têm uma estatura menor que 1,45 metro no caso de homens e 1,40 metro no caso de mulheres.

INT. II) De forma similar, espera-se de cada cristão um avanço, um desenvolvimento visível e um crescimento em maturidade. É necessário que haja real progresso na vida de alguém que foi salvo por Cristo Jesus e que as evidências reais de santificação seja notórias. Deus quer “que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4:13). A fé que justifica é a mesma fé que santifica. Ela é suficiente para nos trazer crescimento e maturidade espiritual. O texto em epígrafe retrata a primeira investida militar do povo de Israel dentro de Canaã, depois que atravessaram o rio Jordão. Há um certo tom de expectativa neste texto, pois Israel passa a dominar a terra prometida aos patriarcas, é o pontapé inicial de uma jornada de vitórias e derrotas, avanços e retrocessos. Josué liderou o povo nesta conquista contra Jericó, e o texto nos mostra claramente que:

“O exercício contínuo da fé é indispensável para o avanço efetivo na jornada cristã”

O texto nos mostra que o exercício contínuo da fé é indispensável para o avanço efetivo na jornada cristã sob três ASPECTOS:

1) A confiança irrestrita no projeto do Senhor (vs. 1)

Por que atacar e invadir inicialmente logo Jericó, uma cidade muito fortalecida e de muros enormes? Lembre-se que o povo de Israel não tinha poderio militar, comparável à cidade de Jericó conhecida no mundo da época. Se fossemos fazer uso da "razão humana", certamente poderíamos pensar que seria melhor treinar o povo numa batalha mais fácil de vencer, talvez contra a minúscula cidade de Ai. Vendo sob uma perspectiva humana Jericó era um território intransponível, mas este era o projeto do Senhor e por isso não deveria ser abandonado.

Deus tem os Seus planos ao nos conduzir por caminhos que naturalmente não escolheríamos. Ele nos guia sabiamente por vales e desertos porque tem um projeto exclusivo na vida de cada cristão. Este projeto visa a glória do Seu nome, não a nossa comodidade ou preferência pessoal.

A letra do hineto nos diz: “Regozija em Deus, que erros não faz, Ele sabe o fim do caminho em que vais; Pois ao te provar, purifica, qual ouro então serás.” Se confiamos na infalível Palavra de Deus, precisamos também confiar sem temor no infalível Deus da Palavra.

Haverá dias negros, haverá dias cinzas e haverá dias claros. Mas em todos os dias precisamos confiar que o Senhor é quem nos guia por vales, montes e campinas. Como ovelhas que são conduzidas por um bom pastor, assim somos nós. Não precisamos temer, pois o Deus que conhece todas as coisas está conosco por toda a jornada.

O projeto que o Senhor tem preparado para nossas vidas é oposto à nossa vontade egoísta. Nós preferimos atalhos, mas o Senhor nos leva por caminhos que nos colocam à prova, para que possamos depender dEle em nossos atos e decisões. O projeto do Senhor para cada um de nós inclui a cruz: sermos confrontados diariamente com desejos egoístas e fazermos morrer esta natureza carnal. O projeto do Senhor inclui sofrimento, para que possamos ser refinados no cadinho. Estamos dispostos a confiar irrestritamente neste projeto do Senhor e abandonarmos nossos caminhos de autossatisfação?

2) A confiança irrestrita na promessa do Senhor (vs. 2)

A promessa "Entreguei na tua mão a Jericó" não poderia ser mais direta. O contexto de medo e pavor diante daquela tarefa seria dissipado se Josué confiasse integralmente nesta promessa. Em outras palavras, o Senhor disse: “Eu já estabeleci isto, Eu já designei isto, Eu já providenciei que Jericó será derrotada.” Não existe no texto nenhuma sombra de dúvida, pois o que Senhor havia prometido aos patriarcas certamente seria cumprido na íntegra. Antes de atravessar o rio Jordão, Josué ouviu do Senhor: “Dentro de três dias passareis o Jordão, para que entreis na terra que o Senhor vos dá a possuir, para a possuirdes”. (Js. 1:11). A certeza da conquista nunca é sempre destacada no livro de Josué.

Por meio do poder de Deus, precisamos fazer calar a nossa velha natureza que teima em colocar em dúvida as promessas de Deus. Martin Lloyd-Jones escreveu o livro Depressão Espiritual, no qual ele trata sobre o abatimento na vida do cristão. Ele afirma que uma das razões de tristeza e abatimento é porque o crente não se apropria das promessas de Deus. Ele dá uma dica: pregue para você mesmo as promessas do Senhor, tal como fazia o salmista Davi: "Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu." (Sl. 42:11)

Nós somos experts em fazer promessas e não cumprir. Que promessas você fez no início do ano e que já foram deixadas para trás? Alguns prometeram perder peso e cuidar melhor da saúde, mas onde estão os frutos desta promessa? Com Deus isto não acontece, o que Ele de fato promete certamente há de ser verdade na vida do Seu povo amado.

É óbvio que precisamos da iluminação do Espírito Santo para discernirmos o que é e o que não é promessa do Senhor. Há muitas pessoas colocando promessas na boca do Senhor, coisas que Ele nunca prometeu, geralmente distorções de versículos bíblicos fora do seu contexto. Precisamos ficar presos não à imaginação, mas à revelação; presos não ao que queremos, mas às verdadeiras promessas de Deus!

Um excelente exercício para a fé é confiar nas promessas de Deus. As promessas de Deus estão em plena vigência, por exemplo: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fl. 4:7) e “Seja forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor teu Deus é contigo por onde quer que andares” (Josué 1:9). A luta contra o pecado é uma luta contra a incredulidade nas promessas de Deus. Contra a cobiça material, podemos apegar-nos à promessa do SENHOR: “Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.” (Hb. 13:5)

3) A confiança irrestrita na instrução do Senhor (vs. 3-5)

Poderíamos classificar que o método adotado pelo Senhor não era muito convencional. Para os padrões militares da época, rodear a cidade marchando por seis dias seguidos e no sétimo dia bradar em gritos, não era uma estratégia conhecida até então. Aparentemente, aquele povo tinha perdido o senso do ridículo ou da infantilidade. O nosso método certamente não seria este; passaríamos outras instruções às pessoas sob a nossa liderança: como fazer trincheiras, como lançar cordas e escalar os muros...

As instruções que são dadas no início de um voo são úteis no caso de pane da aeronave ou em caso de acidentes em que haja sobreviventes. É interessante como a maioria dos passageiros não presta a mínima atenção para aquelas instruções que podem salvar suas vidas. Muitos nem olham para os comissários de bordo que gesticulam as saídas de emergência. As instruções do Senhor para nossas vidas são úteis para a manutenção de nossa saúde espiritual. Se negligenciarmos tais instruções e seguirmos nossa intuição ou nossos sentimentos, certamente amargaremos enormes prejuízos em nosso viver.

O Salmo 119 é um tributo à instrução que procede do Senhor. “Guardo no coração as tuas palavras para não pecar contra ti” (vs. 11). Não se trata de uma simples memorização do texto bíblico. É uma linguagem poética: o salmista não abre mão da instrução do Senhor.

As instruções do Senhor são sempre as melhores não importam as consequências que venham sobre nós. Se Deus ordenou não questione, faça o que Ele requer, mesmo que seja tachado de ridículo ou antiquado. Em nosso país, é comum ouvirmos que: “ordem judicial tem que ser cumprida, sob pena das sanções previstas em lei.” Ele é o Senhor; nós somos apenas escravos, e na melhor das hipóteses, escravos inúteis, porque fazemos apenas o que nos foi ordenado. Não haverá nenhum crescimento ou avanço espiritual se resistirmos às ordens dadas por Deus. Em todas as coisas somos instruídos por meio da Sua Palavra para que possamos agir de modo sábio. Para agirmos de modo agradável ao Senhor é necessário seguirmos à risca as instruções dadas por Ele.


Mensagem para Culto nos lares dia 19/07/14

terça-feira, 15 de julho de 2014

Uma triste realidade

“A doutrina da justificação pela fé — uma verdade bíblica, e uma bênção que nos liberta do legalismo estéril e de um inútil esforço próprio — em nosso tempo tem-se degenerado bastante, e muitos lhe dão uma interpretação que acaba se constituindo um obstáculo para que o homem chegue a um conhecimento verdadeiro de Deus. O milagre do novo nascimento está sendo entendido como um processo mecânico e sem vida. Parece que o exercício da fé já não abala a estrutura moral do homem, nem modifica a sua velha natureza. É como se ele pudesse aceitar a Cristo sem que, em seu coração, surgisse um genuíno amor pelo Salvador. Contudo, o homem que não tem fome nem sede de Deus pode estar salvo? No entanto, é exatamente nesse sentido que ele é orientado: conformar-se com uma transformação apenas superficial.”

A. W. TOZER

segunda-feira, 14 de julho de 2014

TUDO ELE PAGOU

Hinos de Louvor nº 35
Elvina M Hall
John T. Grape


Ouço o Salvador dizer:
"Teu poder é ineficaz,
Vem meu filho interceder,
Tudo em Mim encontrarás"

TUDO ELE PAGOU, DEVEDOR EU SOU
DO PECADO ME LAVOU, TÃO ALVO ME TORNOU

Nem direito tenho eu
De sua graça demandar
Só no sangue de Jesus
Minhas vestes vou lavar


Ante o trono do Senhor
Eu perfeito estarei
"Meu Jesus por mim morreu"
Para sempre cantarei