sábado, 23 de maio de 2009

Evangelização benéfica

Estou lendo um livro que trata sobre eclesiologia e as práticas que uma igreja fundamentada na Bíblia deve apresentar. Refiro-me ao livro "Deliberadamente Igreja", escrito por Mark Dever e Paul Alexander, e publicado no Brasil pela Editora Fiel. O livro tem um enfoque muito voltado para as Escrituras e, sendo assim, é confiável porque não apresenta idéias de marketing ou entretenimento para a igreja, como muitos livros que se tornaram best-sellers. Recomendo a leitura deste livro e aproveito para compartilhar um trecho que chamou minha atenção.



"Algumas estratégias de evangelização procuram tornar o evangelho mais atraente aos incrédulos por apresentar todos os benefícios e deixar o custo para depois. Eles prometem que você experimentará mais satisfação, menos estresse, um melhor senso de comunidade e um senso crescente de significado na vida – e estará preparado para a eternidade! – se apenas fizer a decisão por Cristo agora mesmo. Todas essas coisas podem estar bem próximas do ouvinte incrédulo. Mas, o que essa “evangelização benéfica” faz com o evangelho bíblico? Faz com que o evangelho bíblico pareça concentrar-se em mim, em melhorar a minha vida e tornar-me mais feliz. É verdade que somos os beneficiários e Deus, o benfeitor. Não somos aqueles que “fazem um favor a Deus”, por tornamo-nos cristãos.

Contudo, o evangelho não se concentra em mim. O evangelho é Deus revelando a Sua santidade e misericórdia soberana. O evangelho é a glória de Deus e sua obra de reunir adoradores para si mesmo, pessoas que O adorarão em espírito e em verdade. O evangelho se focaliza na satisfação da santidade de Deus, por fazer Cristo morrer em favor dos pecados de todos os que se arrependem e crêem. A essência do evangelho é Deus criando um nome para Si, por reunir um povo e separá-lo para Si mesmo, a fim de espalhar sua fama entre as nações.

A “evangelização benéfica” enche nossas igrejas com pessoas que são ensinadas a esperar que tudo ocorrerá como elas querem, tão-somente porque se tornaram cristãs. Mas Jesus prometeu perseguição para aqueles que O seguem; Ele não prometeu privilégios mundanos (Jo. 15:18-16:4; 2 Tm. 3:12). Queremos edificar igrejas e cristãos que perseveram em meio à aflição, que estão dispostos a sofrer, serem perseguidos e morrerem por causa do evangelho de Cristo, porque valorizam a glória de Deus mais do que os benefícios temporais da conversão. Não queremos que as pessoas se tornem cristãs porque isso lhes reduzirá o estresse. Desejamos que se tornem cristãs porque sabem que precisam se arrepender de seus pecados, crer em Jesus Cristo, tomar com alegria a sua cruz e segui-Lo para a glória de Deus.

Há realmente benefícios maravilhosos na vida cristã. No entanto, ser teocêntrico na evangelização, focalizando menos os benefícios temporais e mais o caráter e o plano de Deus, contribui para que mais cristãos estejam dispostos a sofrer e mais igrejas sejam motivadas pela glória de Deus."


Mark Dever & Paul Alexander

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