segunda-feira, 29 de março de 2010

ESTRATÉGIAS PECAMINOSAS

TEXTO BÍBLICO: I SAMUEL 21 (leitura indispensável)

Alguns jogos de estratégia fazem bastante sucesso. Por exemplo, o famoso WAR - um jogo de estratégia militar, ainda hoje é bastante conhecido. Este jogo é baseado em guerras entre países e o vencedor é quem consegue concluir primeiro a sua missão de conquistar territórios. É necessário ter uma estratégia montada na cabeça no início e saber alterá-la no decorrer do jogo. É verdade que os jogos de estratégia fascinam mais as pessoas porque exigem não apenas sorte mas também o raciocínio do jogador. O xadrex é um dos jogos de estratégia mais praticados no mundo, e em muitas escolas os alunos são incentivados a praticar xadrex, como forma de acelerar o aprendizado através do raciocínio estratégico.

Nos dias de julgamento do casal Nardoni, o que mais se escutou na televisão foi sobre a estratégia da defesa. O advogado quis utilizar a seguinte estratégia: desqualificar o trabalho dos peritos e das provas apresentadas pela investigação policial.

Observando este texto bíblico, notamos um Davi totalmente distante dos padrões de Deus. Ele não é um homem ideal ou um herói sem pecados. Muito pelo contrário. Davi demonstra claramente neste texto que seus olhos deixaram de mirar exclusivamente o seu Deus. Ele vai até Nobe e encontra-se com o sacerdote Aimeleque. Neste encontro muitos fatos aconteceram que denunciam a fragilidade de Davi. Ele tirou o foco do Senhor, e passou a agir baseado em suas próprias estratégias. Neste contexto Davi passou a ser um fugitivo, depois que ele se despediu do seu grande amigo Jônatas (I Sm. 20:42-43). Davi era um homem procurado, vivo ou morto, pelo rei Saul - a quem deixou de servir no palácio real.

Por causa de nossa natureza carnal, nós também temos a tendência de desviar o foco espiritual do nosso Senhor. Por isso, o escritor aos Hebreus admoesta os crentes: "Olhando firmemente para o Autor e Consumador da nossa fé, Jesus." (Hb. 12:2a) Quando desviamos ou tiramos o nosso foco de Deus, passamos a adotar algumas estratégias pecaminosas para tentar manter o nosso "status". É aí onde mora o perigo! Todas as estratégias possuem um fim específico, mas na vida de um crente os fins não justificam os meios. A tônica neste mundo caído é utilizar as mais variadas estratégias para se obter êxito em alguma empreitada, mesmo à custa de valores morais e éticos. E é verdade que este mundo atrai o olhar de muitos cristãos, que passam a implementar estratégias espúrias para atingir fins específicos.

Neste texto podemos observar que:
"QUANDO TIRAMOS O NOSSO FOCO DE DEUS, ALGUMAS ESTRATÉGIAS PECAMINOSAS SÃO IMPLEMENTADAS IMEDIATAMENTE."



Na próxima postagem iremos ver as três estratégias pecaminosas que Davi utilizou no contexto em I Samuel 21. Ele fez uso destes artifícios porque desviou o seu olhar de Deus, e assim desonrou o nome do Senhor em todos estes acontecimentos. Aguarde a próxima postagem!

terça-feira, 23 de março de 2010

Por força das circunstâncias

Série de postagens
Argumentos Pecaminosos - Parte final
Texto-Bíblico: I Samuel 13:13

A Bíblia diz que Saul ainda utilizou como argumento a força das circunstâncias para justificar a sua desobediência. Segundo ele, diante das pressões que estava sofrendo, não teve como aguardar o profeta chegar para oferecer o holocausto. A NVI traduz assim: “Por isso, senti-me obrigado a oferecer o holocausto.” Na verdade, Saul tentou se apresentar como uma vítima das circunstâncias contrárias ao seu redor. Culpando as circunstâncias, intrinsecamente Saul estava culpando a Deus, pois é Ele quem controla todas as circunstâncias em benefício do seu povo.

Não encontramos respaldo nas Escrituras para defender um pecado baseando nosso argumento nas circunstâncias ou no “calor do momento”. Algumas pessoas até justificam suas ações pecaminosas por causa de um temperamento explosivo que as levam a agir de forma precipitada. Somos convocados a vigiar sempre para que sejamos sábios em toda e qualquer situação, visando exclusivamente glorificar a Deus com o nosso proceder. Nenhuma circunstância pode ser utilizada como justificativa para defender nosso procedimento pecaminoso.

Imagine como Jó sofreu em tudo o que passou. A pressão das circunstâncias contrárias era tremenda, mas ele se manteve fiel ao seu Deus. A mulher de Jó ainda sugeriu que Ele amaldiçoasse a Deus, mas apesar do momento aflitivo ele não ousou pecar com sua boca. Diz a Bíblia que “em tudo isso Jó não pecou nem atribuiu a Deus falta alguma.” (Jó 1:22 e Jó 2:10). Também podemos lembrar de Daniel, que teve que atravessar acusações contra a sua fé (Dn. 6). Daniel foi pressionado por um decreto do rei Dario que proibia qualquer oração dirigida a outros deuses, mas ele não se mostrou receoso para fazer suas orações ao Deus de Israel com as janelas abertas. Ele nunca negou sua fé em Deus, como muitos na mesma situação poderiam negar, afirmando que “não tinha outro jeito, fui obrigado a agir assim”.

John MacArthur, no seu livro "Sociedadade sem pecado", relata que em Nova York, durante um assalto, um ladrão foi baleado pelo proprietário da loja e ficou paralítico. Depois de um tempo, ele processou o proprietário da loja. O argumento do advogado foi que o ladrão era uma vítima da desigualdade social e da insensibilidade do proprietário da loja. O júri concordou com estes argumentos e o dono da loja pagou alta soma de dinheiro.

Não devemos esquecer que o ensino das Escrituras é totalmente contrário a este pensamento. A Bíblia nos mostra que Deus não deixa o seu povo passar por situações que não possa suportar (I Co. 10:13). “Deus sempre providencia o escape, nós é que não queremos escapar.” Que sejamos crentes fiéis ao Senhor apesar das circunstâncias.

Marcos Aurélio de Melo

segunda-feira, 15 de março de 2010

A culpa não é minha

Série de postagens
Argumentos Pecaminosos - Parte II
Texto-Bíblico: I Samuel 13:13


Saul utiliza outro argumento pecaminoso na sua resposta a Samuel. Agora ele afirma que Samuel falhou em não ter cumprido o prazo combinado. Na verdade, Saul tentou transferir a culpa do seu erro para o profeta. Afinal, o combinado foi esperar sete dias; sete dias se passaram, mas o profeta não chegou. Uma justificativa aparentemente lógica, mas que não se sustenta biblicamente.

A transferência de culpa do pecado é uma tentativa que remonta ao jardim do Éden. Adão culpou Eva; Eva culpou a serpente; ninguém assumiu a própria culpa. O vitimismo que tomou conta da mentalidade cristã está em confronto direto com o ensino bíblico. Alguns afirmam que a culpa de pecados cometidos hoje está diretamente relacionada com os erros de seus pais ou parentes mais próximos. A psicologia então é utilizada como uma bengala por muitos cristãos para aliviar suas consciências cauterizadas pelo pecado. E muitos vão mais além: a opinião universal da nossa geração é “não é sua culpa, então por que se condoer tanto?”.

Quantas justificativas você já apresentou para afirmar que suas falhas são resultado dos erros de outras pessoas? É muito fácil apresentar um culpado quando não estamos dispostos a assumir o peso de nossa desobediência. Apresentar um atestado de inocência e anunciar de quem é a verdadeira culpa é a saída de mestre para muitos cristãos.

Mas não é esta a atitude que agrada a Deus e trará refrigério para o coração. Precisamos nos humilhar diante do Senhor, reconhecer o nosso pecado, confessá-lo e abandoná-lo. O sacrifício que agrada a Deus é um espírito quebrantado ou um coração contrito (Sl. 51:17). Às vezes oramos pelo perdão de nossos pecados sem avaliar seriamente que reconhecemos de fato a nossa culpa.


Marcos Aurélio de Melo
OBS.: Encerra com a próxima postagem

quarta-feira, 10 de março de 2010

Popularidade em alta

Série de postagens
Argumentos Pecaminosos - Parte I
Texto-Bíblico: I Samuel 13:13


Saul sempre buscou intensamente obter prestígio popular. Como o primeiro rei da nação, ele queria estar com o Ibope sempre em alta. Sua meta de sucesso consumia todas as suas energias. Ele se importava em ter homens ao seu lado, valentes guerreiros, e que a massa o aplaudisse ao voltar vitorioso das batalhas. Foi ali em Gilgal que Saul foi proclamado rei – as boas lembranças daquele dia estavam frescas em sua memória. Saul queria ter até a aprovação de Samuel, pois esta aprovação contaria muitos pontos para a sua popularidade. Por isso ele foi logo saudar o profeta assim que chegou (versículo 10b).

Em I Sm. 15:21, Saul novamente demonstra buscar aprovação popular em prejuízo dos mandamentos de Deus. E ele ficou muito furioso quando ouviu o cântico das mulheres de todas as cidades de Israel, aclamando o jovem Davi: "Saul feriu os seus milhares, porém Davi os seus dez milhares." Este cântico feriu profundamente o orgulho de Saul, que não se contentou com a sua popularidade em baixa.

Saul gostava de ouvir o grito: "Viva o rei" (I Sm. 10:24). A vitória de Israel contra o exército amonita foi bastante festejada e Saul se alegrou com todos os homens de Israel. (I Sm. 11:15). O problema é que a vontade de buscar fama e prestígio subiu à cabeça de Saul que não poupou esforços para ter o povo ao seu lado.

Muitos crentes caem em pecado e depois querem justificar que a sua popularidade poderia ficar abalada. Alguns advogam que a vergonha diante dos outros seria motivo suficiente para entrar de cabeça no pecado, afinal "o que as pessoas vão ficar pensando” tem muita importância Este argumento é totalmente controverso em relação aos princípios bíblicos de abnegação e devoção ao Senhor.

Nós não devemos buscar o amor das multidões ou a aprovação dos homens, em detrimento de nossa comunhão com Deus. Muitos se vendem por causa do amor à popularidade – e jogam no lixo a mensagem de Cristo: “cuidado quando os homens vos louvarem.”(Lc. 6:26) Cristo nunca buscou popularidade e quando lhe foi sugerida por Satanás, logo desprezou a oferta.. Nós, como servos de Cristo, temos como exemplo sua vida e ministério.

Marcos Aurélio de Melo
OBS.: Continua nas próximas postagens

terça-feira, 9 de março de 2010

Argumentos pecaminosos de Saul

No texto bíblico em I Samuel 13:8-12, observamos a precipitação do rei Saul que ofereceu holocausto e ofertas pacíficas no lugar de Samuel, coisa abominável aos olhos do Senhor. Devemos entender que o pecado de Saul foi aberrante porque afrontava a autoridade de um profeta instituído pelo Senhor, e, consequentemente, afrontava o próprio Deus, que tinha estabelecido as devidas regras a serem obedecidas no momento do sacrifício. A atuação de Saul como rei não devia funcionar independentemente da lei e dos profetas. Embora a monarquia humana tivesse sido estabelecida, o rei deveria reconhecer ao Senhor como verdadeiro Rei. Deus é quem define o modo que aceita adoração, e Saul não era a pessoa designada para tal tarefa.

Samuel chega em Gilgal, local onde o povo estava reunido para guerrear com os filisteus, e pergunta a Saul o que tinha acontecido. O rei apresenta uma resposta furada cheia de argumentos pecaminosos, para tentar convencer o profeta Samuel a respeito de sua atitude.

É interessante perceber como nós também somos mestres em inventar desculpas quando pecamos. Na vã tentativa de aliviarmos nossa consciência, argumentamos em favor de ações pecaminosas cometidas por nós. Então, utilizamos argumentos que distorcem totalmente o ensino bíblico tentando provar que tínhamos alguma razão ao cometer atos de desobediência ao Senhor. Podemos então resumir esta tendência da seguinte forma : "Quando tentamos justificar os nossos pecados sempre utilizamos argumentos pecaminosos."

O homem sem Deus justifica-se de todas as formas o seu pecado. Ele se esconde atrás de folhas de figueira (psicologia, humanismo). Mas o cristão que comete um pecado não deve ficar tentando apresentar justificativas com argumentos ainda mais pecaminosos. Ele deve se dobrar em arrependimento genuíno e ficar de coração contrito por ter ofendido ao Deus que é Santo, Santo, Santo.


Nas próximas três postagens irei abordar que argumentos pecaminosos foram utilizados por Saul para justificar seus pecado. Veremos neste texto pelo menos três argumentos que Saul utilizou de forma implícita. Então acompanhe os próximos posts deste Blog.

quinta-feira, 4 de março de 2010

DEUS DISTINGUE O PIEDOSO

Leitura Bíblica: Salmo 4

Davi não era um homem perfeito. Ele errou em vários momentos e seus pecados ficaram registrados nas Escrituras. Podemos perceber que estes pecados trouxeram-lhe várias conseqüências desastrosas, dentro de sua própria família, conforme anunciado pelo profeta Natã (2 Sm. 12: 10-11). Aflições e angústias de toda sorte foram constantes na vida de Davi, mas ele recorria a Deus que o tinha escolhido como rei de Israel.
Neste Salmo 4, que na verdade é uma continuação do cântico no Salmo 3, Davi derrama o coração perante Deus. O contexto é a fuga de Davi por causa de Absalão, que tinha conspirado contra o rei e tomado o poder em Jerusalém (2 Sm. 15:1-18). Davi resolveu sair às pressas de Jerusalém para evitar um combate de grandes proporções com os aliados de Absalão. Davi estava sendo caçado pelo filho, como antes fora perseguido por Saul. No verso 2, ele interroga os homens que armaram tal cilada contra o rei, pois estavam tornando sua glória (majestade) em vexame.
É importante destacar que o Salmo 3, termina com a expressão entre parênteses (Selá). A expressão “Selá”, empregada mais de 70 vezes, parece referir-se a um interlúdio musical, ou seja, quando alguns salmos eram cantados, havia a necessidade de, entre uma passagem e outra, de uma pausa ou até para aumentar o tom em que estava sendo tocada a música.
No verso 3 do Salmo 4, Davi declara que o Senhor distingue para si o piedoso, ou seja, Deus conhece e tem prazer no homem piedoso. A palavra piedade no Antigo Testamento está relacionada com a fidelidade e retidão da pessoa, que flui de um relacionamento verdadeiro com o Deus de Israel. Sabemos que o homem piedoso ama a Palavra de Deus e nela medita dia e noite, para que o alvo de sua vida seja honrar a Deus. O crente deve ser piedoso, como fruto da conversão operada através do Espírito de Deus. Observando o Salmo 4, podemos afirmar que:

“O HOMEM PIEDOSO POSSUI CARACTERÍSTICAS ADMIRÁVEIS EM MEIO ÀS AFLIÇÕES DA VIDA”

Nenhum de nós está imune às aflições da vida, porque estamos num mundo afetado pelo pecado em todos os aspectos. Portanto, temos que lidar diariamente com aflições variadas. Martinho Lutero indagou certa vez: “A Cristo foi dada uma coroa de espinhos, porque nós esperamos uma coroa de rosas?” No mundo certamente teremos aflições, mas que possamos cultivar as características de um homem/mulher piedoso (a). Lembre-se que Deus tem prazer quando vivemos de modo agradável buscando glorificá-Lo em todas as circunstâncias. Além disso, as aflições na vida têm o forte propósito de moldar o caráter de homens e mulheres piedosos.

1) As aflições da vida não conseguem calar o clamor do homem piedoso (Vs. 1, 3b)
Não somente neste Salmo mas em quase todos observamos Davi em oração. Os salmos são cânticos e muitos deles surgiram de momentos devocionais de Davi. Ele clama a Deus e o busca em oração vigilante em meio às angústias e pressões que sofria. O jovem Davi aprendeu bem cedo que esta era uma necessidade fundamental e por isso mesmo não podia viver sem orar ao Deus dos céus. No salmo 40:1, Davi demonstra sua total dependência do Senhor em oração.
O homem piedoso é alguém que faz do clamor a Deus uma constante em sua vida. Ele entende que esta não é a última coisa a ser feita, mas, pelo contrário, a primordial. Quando em meio às aflições e angústias, o piedoso não negligencia elevar os pensamentos a Deus em oração e entregar a ele os seus temores. Muitas pessoas passam por aflições e abandonam a prática importante do clamor que precisa ser dirigido ao Senhor. Preferem calar-se e centralizam a atenção nos problemas. Assim, lançam-se nas batalhas da vida e procuram vencer os obstáculos sem o menor senso de dependência de Deus. Quando os resultados não são satisfatórios, estas pessoas são as primeiras a levantar suspeitas contra o nome do Senhor.
Precisamos clamar ao Senhor em meio aos problemas e aflições. Este deve ser o nosso maior anelo. É óbvio que após a oração segue-se a ação. Mas o homem piedoso terá plena convicção da importância de clamar ao Senhor, e não calar diante dos dilemas e problemas. Devemos perseverar na oração (Cl. 4:1) e orar sem cessar (1 Ts. 5:17). O nosso Mestre nos deu exemplo de uma vida de oração exemplar. Em meio às angústias naquela noite no Getsemani, Jesus clamou ao Pai para que a Sua vontade fosse cumprida. Se Cristo orou em busca de amparo, porque nós negligenciamos tanto a oração e o clamor? No Salmo 32:6, o salmista refere-se ao Senhor, assim: “Todo homem piedoso te fará súplicas, em tempo de poder encontrar-Te.” Lembre-se: “A oração deve ser fundamental, não suplementar.” William J. C. White

2) As aflições da vida não conseguem anular a sensatez do homem piedoso (Vs. 4)
Davi no verso 4 expressa a necessidade de sensatez. Ele estava sendo perseguido, porque o reino foi tomado à força por seu filho Absalão – um jovem revoltado com seu pai e que se aproveitou da fragilidade do rei. Notamos que a situação era extremamente delicada e exigia equilíbrio e sensatez de Davi. O Senhor distingue para si o piedoso que não perde a sensatez em meio às aflições da vida, e Davi expressa novamente isso no Salmo 37: 7-8.
O Salmo 4:4 é interpretado erroneamente, para justificar o fato da ira não-pecaminosa ser aceitável. Mas o versículo aqui, que é repetido em Ef. 4:26, não enfatiza a ira, mas quer enfatizar o não-pecar. A ira deve estar longe de nós, conforme o ensino de Paul em Ef. 4: 31-32. O segredo para um viver vitorioso contra a ira, é jogar um balde de água fria assim que a ira mostrar sua face. Não podemos dar lugar à ira humana, porque nós somos pecadores e não temos como mensurar até que ponto ela é justificada. Precisamos de sensatez e domínio próprio, para que o nosso procedimento seja agradável e aceitável diante do Senhor. Os recursos abundantes e as promessas de Deus são suficientes para nos capacitar a lidar biblicamente e a vencer o problema da ira.
Nos relacionamentos sempre surgem problemas interpessoais, porque somos pecadores e não perfeitos. A ira muitas vezes é jogada na conta da outra pessoa, quando o problema na maioria das vezes reside em nosso próprio coração. A ira do homem não pode produzir a justiça de Deus, porque são incompatíveis (Tiago 1: 19-20). Explosões de ira são condenadas nas Escrituras porque demonstram as obras da carne que precisam ser despojadas, e com freqüência a ira é um prelúdio para pecados devastadores nos relacionamentos.
O homem piedoso será sensato ao lidar com situações de conflito, porque o Senhor o capacitará para isto. Sabemos que em nós habita o Espírito Santo, o qual não compactua com as explosões de fúria que muitos cristãos já adotaram como prática constante em seu viver. “O tolo da vazão à sua ira, mas o sábio domina-se.” (Pv. 29:11 – versão NVI)

3) As aflições da vida não conseguem tirar o contentamento do homem piedoso (Vs. 6-7)
Davi saiu correndo do palácio real e deixou para trás toda a pompa que lhe pertencia como autoridade maior no reino de Israel. Agora estava fugindo da presença do seu filho Absalão e teria que viver errante por desertos e lugares não aprazíveis. Sua vida de fugitivo com certeza não teria as mesmas regalias que desfrutava no palácio real.
A palavra que foi traduzida como alegria, também pode assumir o significado de satisfação. Davi está dizendo: mesmo que para outras pessoas (ímpios que não se relacionam com Deus) haja fartura de cereal e vinho, a plena satisfação só pode ser encontrada na vida de um homem piedoso (um homem que busca ser fiel ao Senhor). A presença ou a falta de contentamento é o diferencial que marca a vida de muitos cristãos. Quando não há satisfação com as bênçãos que Deus tem nos outorgado, passamos a viver abatidos em meio às aflições da vida. Crentes rendidos diante de problemas da vida, sem alegria ou contentamento, são uma clara denúncia da falta de intimidade com o Senhor. Alguém disse que a insatisfação é filha do orgulho.
Paulo escreveu que aprendeu a viver contente, em toda e qualquer situação (Fl. 4: 11-13). Mesmo passando privações, Paulo sabia buscar forças no Senhor para enfrentar as aflições da vida. Nossa vida está nas mãos do Senhor, ele promete que nunca nos deixará e nem nos abandonará (Hb. 13: 5-6). Paulo escrevendo a Timóteo afirma que a piedade com contentamento é uma verdadeira mina de ouro (1 Tm. 6: 6-8), e o amor ao dinheiro é a raiz de muitos males. A Bíblia está repleta de princípios que nos indicam a necessidade de contentamento e plena satisfação em Deus. Este é segredo para uma vida de piedade, mesmo em meio às aflições e dificuldades deste mundo.

4) As aflições da vida não conseguem destruir a serenidade do homem piedoso (Vs. 8)
Davi aprendeu em sossegar sua alma aflita confiando irrestritamente em Deus. Dormir com um inimigo à espreita e pegar no sono é prova de total serenidade diante dos conflitos iminentes. Davi tinha esta serenidade adquirida na dependência constante do Senhor. Ele soube descansar e aliviar o coração porque sabia que estava seguro com Deus, sua torre forte e rochedo. No salmo 131, o salmista canta que fez calar e sossegar a sua alma, como criança que se aquieta nos braços da mãe (uma ilustração de serenidade).
A inquietação é um mal antigo, que parece tomar proporções cada vez maiores com o passar do tempo. Muitos crentes vão dormir e acordam aflitos, sem o menor sinal de sossego e paz. A palavra “quietude” parece não fazer mais parte dos nossos dicionários.
Estar em paz e encontrar serenidade em meio às aflições da vida é uma característica bastante admirável. Não se trata de ignorar a aflição ou fazer de conta que ela não existe, porém a chave de um viver sereno é saber repousar em Deus mesmo atravessando vales difíceis e sombrios. Muitas dores de cabeça seriam evitadas se a paz de Deus, que excede todo entendimento, estivesse guardando os nossos corações e mentes, como a Bíblia nos orienta (Fl. 4:7). Nossas vidas terão mais brilho e cor, se aprendermos a arte da serenidade, que se apóia exclusivamente na bondade de Deus sobre nós.
Precisamos de corações serenos, que se mostram quietos diante do poder e majestade de Deus. Quando sossegamos o coração e buscamos a tranqüilidade em Deus, começamos a enxergar as provações/aflições/dificuldades sob uma nova ótica. O Salmo 91 é bastante conhecido por suas palavras de introdução: “O que habita no esconderijo do Altíssimo, e descansa à sombra do Onipotente, diz ao Senhor: Meu refúgio e baluarte, Deus meu em quem confio.” A confiança do homem piedoso em Deus o leva a ter um coração tranqüilo e sereno. Como o pintor que desenhou uma plantinha bem próxima de uma cachoeira, assim deve estar também o coração do crente que deposita em Deus toda a sua confiança.

MARCOS AURÉLIO DE MELO
MENSAGEM NO SALMO 4

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Fé versus Obras

A Bíblia não entra em contradição. Mesmo que muitas pessoas afirmem que a Bíblia está cheia de erros, o estudo mais profundo nos mostra que não. Em Efésios 2: 8-9, lemos que a salvação é através da graça, dada ao homem por meio da fé no sacrifício remidor de Cristo na cruz do Calvário. Somente a fé no Senhor Jesus pode dar ao homem a salvação. Mas isto não significa que a partir de agora, o homem pode viver de qualquer maneira, sem se importar com os frutos que irá produzir. Em nenhuma parte da Bíblia nós observamos algum texto que defenda a vida sem compromisso. Não, este não é o ensino das Escrituras. A salvação é exclusivamente por meio da fé, mas a prova de que uma pessoa foi salva é a mudança de vida, um testemunho verdadeiro e cheio de frutos.

Na carta de Tiago, no capítulo 2, nós lemos que a fé sem obras é morta. Ou seja, qualquer pessoa que diz crer em Jesus como Salvador e Senhor, não pode viver da forma que acha melhor e sem se importar com um procedimento adequado. Ninguém será justificado diante de Deus por suas obras, isto é verdade. Mas a salvação mediante a genuína fé em Jesus Cristo com certeza traz novidade de vida para o homem. Seria uma enorme contradição o homem ser salvo e permanecer na vida de pecados. Isto não é o que a Bíblia nos assegura. Os frutos dignos de arrependimento serão visíveis em alguém que depositou sua fé na graça de Cristo, de modo completo e real. Em II Coríntios 5:17, lemos que os que estão em Cristo são novas criaturas, e as coisas antigas já passaram. Então, é necessário que alguém salvo por Cristo, também ande em novidade de vida.

Portanto, concluindo, é verdade que somente a graça de Deus é capaz de salvar o homem, mediante a fé no sacrifício de Jesus, mas esta fé não pode ser inoperante ou morta. Nenhuma pessoa será salva confiando em suas boas obras, na sua religião ou na sua tradição. Mas, por outro lado, ninguém pode afirmar que entendeu plenamente a salvação mediante a fé, se não houve nenhuma mudança efetiva no seu viver.

Então, meu caro ouvinte, de que lado você está? Você está confiando nas suas obras para viver eternamente com Cristo no céu? Ou você está vivendo relaxadamente, sem nenhum ajuste na vida, e continua dizendo que tem fé em Deus? Estas duas formas de entender a salvação são totalmente errôneas e antibíblicas.


MARCOS AURÉLIO DE MELO
BREVE REFLEXÃO
PROGRAMA DE RÁDIO VIVA COM CRISTO

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O auto-engrandecimento é incoerente

LEITURA BÍBLICA: Mateus 23: 5-7

Os filactérios ou tefilins eram pequenos rolos ou caixinhas de couro que os judeus religiosos usavam presos à testa, perto do coração, e no braço esquerdo. Essas pequenas cápsulas continham quatro passagens da Torah: Êx 13.1-10 e 11-16; Dt 6.4-9 e 11.13-21. Com o passar do tempo, os judeus começaram a respeitar e honrar esses pequenos recipientes, tanto quanto as Escrituras, e seu tamanho era considerado um sinal de zelo espiritual de quem os ostentava.

As “franjas” eram as borlas descritas em Nm 15.37-41 que todo judeu deveria usar. Essas borlas eram fios grossos de lã, branca e azul, e tinham a singela função de declarar o amor de quem as usava ao Senhor e a vontade do seu coração de cumprir a Torah da maneira mais fiel possível. As borlas tinham o tamanho médio de até 10 cm; entretanto, os fariseus as alongavam muito mais em sinal de maior espiritualidade. O que Deus intencionava para ser apenas um lembrete de fé e marca de devoção, tornou-se objeto de auto-engradecimento e ostentação – de puro exibicionismo.

Os mestres da Lei e os fariseus gostavam de ocupar os melhores e mais importantes assentos na sinagoga, aqueles que ficam defronte à representação da arca e que continha os rolos das Escrituras Sagradas. Além disso, os que se assentavam ali podiam ser facilmente vistos por toda a congregação. Eles também apreciavam muito ouvir as pessoas os chamarem, insistentemente, aos gritos e em público (nas praças do mercado) de Rabbi (em grego), que significa literalmente em hebraico: “meu professor, meu mestre!” Fazemos bem em perceber a dura reprovação que Jesus fez aos fariseus e os conselhos que ele deixou para os discípulos – Mateus 23:8-12.

O objetivo dos fariseus não era o de glorificar a Deus, mas a si mesmos. Em Lucas 18:9-14, lemos sobre o fariseu e o publicano que foram ao templo para orar. FARISEU: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens.” (vs. 11) A presunção do fariseu estava relacionada com sua suposta vantagem em relação ao publicano, que era a classe social mais odiada dentro do povo judeu. Ele orou de si para si, ou seja, ele mesmo era o alvo de sua oração. Este comportamento revela o coração do homem que é centralizado em si mesmo, amante de si mesmo. A nossa grande dificuldade é que nunca olhamos para nós mesmos, conforme somos vistos por Deus. A nossa natureza adâmica quer se mostrar acima da média – um super-crente aos olhos dos outros. Este tipo de comportamento é bastante antigo (Gn. 11:4: a torre de Babel foi construída para trazer fama e glória ao homem), porém não reflete a essência do evangelho e não traz conseqüências saudáveis. O escritor A. W. Tozer escreveu: “O esforço por parecer grande diante dos homens trará o desfavor de Deus sobre nós.” Este ensino concorda com Pv. “A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra.”

Para o crente, esta atitude de buscar o auto-engrandecimento é incoerente por si mesma, pois o nosso Senhor nos Deus outro exemplo a seguir. Em algumas ocasiões os discípulos discutiram entre si, para saber quem era o maior, mas Jesus os repreendeu (Lucas 22: 26). Jesus nos deu um exemplo muito importante sobre a vida de um verdadeiro servo. Ele não veio para ser servido (embora tivesse todo direito), mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. Antes de morrer Jesus estava reunido com seus discípulos no local escolhido para a última ceia, e passou a lavar os pés dos seus discípulos (Jo. 13: 1-20). Este ato foi muito solene, pois se tratava do Deus eterno se prostrando para lavar pés calejados de homens pecadores. Depois ele explica porque fez aquilo (João 13: 12-17), alertando os discípulos sobre a humildade.

Não existe ninguém grande. Grande só há um – o nosso Senhor e Deus. Ele é quem é digno de toda honra, glória e exaltação. Ele não divide sua glória com ninguém. Precisamos entender que não há espaço no corpo de Cristo para estrelismo. Cristãos que almejam receber os louvores e os louros da fama são ladrões de glória. Meus irmãos, isso é um veneno mortal que com certeza trará prejuízos a igreja do Senhor. Nós devemos nos reunir com o propósito exclusivo de reconhecer a grandeza do nosso Deus e não para buscarmos engrandecimento próprio.

Que sejamos servos humildes unidos no mesmo objetivo – engrandecer a Cristo com nosso serviço para Ele. Você realmente enxerga que esta incoerência é brutal e destrutiva para a igreja? Estamos dispostos a lavar os pés de nossos irmãos, olhando de cima para baixo? Não temos nenhum requisito/ mérito a mais do que o irmão que está ao nosso lado. Cada um deve considerar os outros superiores a si mesmo, conforme lemos em Fl. 2: 1-4.

“Quanto maior o entendimento do homem sobre a graça, menor ele será a seus próprios olhos.” C. H. Spurgeon

Marcos Aurélio de Melo
Estudos no livro de Mateus
Último estudo em Mt. 23:1-7

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O testemunho pessoal

O versículo bíblico em Mateus 23:3 é enfático: “não os imiteis nas suas obras, porque dizem e não fazem”. A NVI diz assim: “Não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam.” Os fariseus tinham adotado a teologia do "faça o que digo, mas não faça o que eu faço". Eles eram bons na ortodoxia, mas péssimos na ortopraxia (Ortodoxia: significa a verdadeira doutrina ou ensino sadio e correto; Ortopraxia: significa a prática correta, o proceder correto). Quando não ficavam além ou aquém das Escrituras, os fariseus até que ensinavam verdades aplicáveis no dia-a-dia, mas eles mesmos não as praticavam. Os fariseus que amavam os discursos homiléticos, mas a doutrina correta e o viver correto devem andar juntos. Apesar da autoridade investida (eram também juízes no tribunal onde a Lei Mosaica era a lei civil), suas atitudes não eram compatíveis com aquilo que proferiam.

LUCAS 6: 46-49 – A parábola que Jesus contou sobre o homem que edificou sua casa na areia, sem fundamento algum, serve para ilustrar que a negligência em praticar a Palavra de Deus corrói as nossas vidas e nos tira a estabilidade. Já o homem que edificou a sua casa sobre a rocha, depois de cavar um profundo alicerce, ilustra o homem que aplica na prática os ensinos das Escrituras. Cristo não se agrada de bons ouvintes; Ele requer de nós a aplicação das verdades bíblicas. Tiago reafirma este ensino: “tornai-vos praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando a vós mesmos.” (Tg. 1:22)

Paulo, que tinha sido um zeloso fariseu, depois de experimentar a transformação mediante o Evangelho de Cristo, fez questão de pregar também com o seu proceder exemplar: “Tornem-se meus imitadores como eu sou de Cristo” (1 Co 11.1). Ele sabia da enorme responsabilidade que pesava sobre os seus ombros: ser um exemplo para os crentes das igrejas que foram fundadas. Paulo nos ensina que o padrão era Cristo, mas o seu viver espelhava a imagem do Salvador.

Para quem exerce liderança (diáconos, pastores) a responsabilidade de ter um testemunho pessoal ainda é mais acentuada. Em I Timóteo 4:12 nós observamos o apóstolo Paulo alertando o jovem pastor a ter um procedimento exemplar: “Torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza.” Ao jovem Tito, que estava na ilha de Creta, Paulo também exortou: “Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras.” (Tito 2: 7-8) A mesma verdade foi explicada por C. H. Spurgeon: “Nossa vida deve ser tal que os homens possam imitá-la com segurança.”

Existe muita gente que conhece a verdade sobre Deus, mas que está vivendo uma vida que não pode agradar a Deus. Esta incoerência precisa ser sanada o quanto antes, com a correta compreensão do valor que o testemunho sadio possui. Afinal, árvores boas devem produzir bons frutos. Uma mente que foi transformada pelo poder da Palavra de Deus produzirá uma vida transformada, ou então, há de se contestar se esta transformação foi realmente genuína. A fé salvadora genuína certamente trará frutos genuínos – é que Tiago escreve na sua carta, alertando sobre a necessidade de obras que atestem claramente a conversão a Cristo por meio da fé.

É um dever do crente viver de modo digno do Evangelho e em conformidade com as instruções da Palavra de Deus. Este é o ensino de Paulo na carta aos Efésios 4:1. Depois de ensinar doutrina da graça e da soberania de Deus na salvação do homem, Paulo exorta os crentes a “andar de modo digno da vocação a que foram chamados.“ Se o crente não se preocupa com o seu testemunho, deve começar a repensar sua salvação, porque o evangelho não apenas é poder de Deus para a salvação, mas também para a conformação do homem à imagem de Jesus Cristo. Taylor escreveu que “a boa influência é o perfume do caráter”, e a Bíblia nos diz que devemos espalhar por todo lugar a boa fragrância do conhecimento de Cristo, que se demonstra em práticas coerentes com a Palavra de Deus. As palavras de Jesus aos discípulos no sermão da montanha evidenciam que é possível sim apresentar ao mundo este bom perfume, a fim de glorificar a Deus.

Esta incoerência entre doutrina X prática existe em seu viver? Você reconhece a necessidade de afinar seu testemunho pessoal com a doutrina e o ensino bíblico? Que influência você tem deixado para a sua geração através do seu proceder? O seu viver diário está coerente com a sua profissão de fé ? Responder a estas perguntas é o primeiro passo para uma profunda revolução. Não deixe que o mundanismo faça morada em seu coração, retirando seu vigor para apresentar uma luz brilhante ao seu redor. Em Pv. 4:18, lemos que: “A vereda do justo é como luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.”

Marcos Aurélio de Melo
Estudos em Mateus 23:1-7
Esta série encerra na próxima postagem

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O PADRÃO DAS ESCRITURAS

Os fariseus constituíam um partido político religioso que defendia a observância literal da Torah (Lei) e mais uma série de ordenanças e preceitos por eles criados para situações não diretamente cobertas pela Torah. Convencidos de que possuíam a correta interpretação da vontade de Deus, afirmavam que a tradição dos anciãos e a lei oral vinham de Moisés. Os fariseus e escribas se assentavam na cadeira de Moisés porque se intitulavam os sucessores autorizados da tradição de Moisés como mestres da Lei, que foi repassada de geração em geração. Eles colocaram a mera tradição humana acima dos mandamentos divinos. Os escribas e fariseus estavam não apenas ignorando, mas também adulterando a Palavra de Deus. Além disso, os fariseus sempre apresentavam aos seus seguidores uma lista de ordenanças que se tornavam um verdadeiro fardo.

A palavra fariseu significa “separado.” Regras e mais regras eram necessárias para manter intacta esta separação. Costumes eram desenvolvidos para manter a identidade cada vez mais inconfundível. Eles se tornaram obsessivos com os pormenores da tradição judaica e não compreenderam a suficiência das Escrituras. Os fariseus haviam criado regras e regulamentos, que, quanto à severidade, ultrapassavam às ordens nas Escrituras do AT.

Quando o padrão da Palavra de Deus é adulterado, começam a surgir regras absurdas para acrescentar ou diminuir a abrangência das Escrituras. É verdade que homens podem colocar nos lábios de Deus o que ele nunca falou, legislar em nome do Senhor e criar um evangelho totalmente estranho. Mas a Bíblia fala que eles serão julgados por isso. Não podemos ficar nem além e nem aquém do padrão das Escrituras. Quando ficamos aquém do padrão bíblico nos tornamos permissivos – o pecado já não passa a incomodar tanto. Quando ficamos além do padrão bíblico nos tornamos legalistas – tudo passa a ser ditado por regras e normas. Os dois extremos são distorções que certamente geram incoerências absurdas no viver diário.

Paulo que foi um fariseu de fariseus (um dos maiorais – Gl. 1:14), escreveu a epístola aos Gálatas para confrontar os crentes. Havia naquela região um grupo que nós conhecemos como judaizantes . Eles eram judeus convertidos que não queriam deixar de lado certos costumes judaicos (festas/circuncisão). Além disso, eles defendiam que a obra de Cristo na cruz deveria ser complementada com a observância destes costumes e cerimoniais. Paulo foi enérgico: “Ó gálatas insensatos! Quem vos fascinou? Quem vos iludiu?” Eles estavam indo além do padrão do Evangelho, e assim anulavam o sacrifício de Cristo (Gl. 5:2-4). Paulo chama os pregadores deste falso evangelho de anátemas, que significa maldito (Gl. 1:9).

Outro exemplo de adulteração do padrão das Escrituras é encontrado na igreja de Corinto. Ali os crentes estavam ficando aquém do padrão, e isto gerou licensiodade e permissividade. Paulo então escreveu sua epístola com o propósito de confrontar tal comportamento da igreja, que estava permitindo imoralidade (I Co. 5:1-13). O homem que estava possuindo a mulher do próprio pai deveria ser disciplinado, para que o fermento não levedasse toda a massa. Paulo entendia que um pecado permitido e tolerado hoje vai gerar mais pecado no futuro – um abismo chama outro abismo (Sl. 42:7).

O padrão correto é o que a Bíblia estipula. A Bíblia não nos outorga o direito de criar “achismos” ou “modismos”. A autoridade de qualquer ministro da Palavra nasce e morre nas Escrituras. O grave problema de permissividade que é vista hoje em dia é fruto de um abandono gradual dos mandamentos bíblicos. Assim também, o problema de legalismo é fruto de um acréscimo gradual de regras e ritos.
Qualquer um que pregue um evangelho centrado em conclusões humanistas irá se distanciar do padrão bíblico. É por isso que devemos ser crentes bereianos (Atos 17:11), que investigam cuidadosamente as Escrituras para ver se há veracidade no discurso. Para isso, dependemos inteiramente da direção do Espírito Santo, que nos guiará a toda verdade (Jo. 16:13). Somente por meio de Sua direção, teremos condições de enxergar as graves incoerências em nosso viver que surgiram por má compreensão dos princípios bíblicos.

Qual tem sido o seu padrão? Se não for a Palavra de Deus quero afirmar que muitas incoerências terão lugar em sua vida. Cristo nos ensinou que as Escrituras mostram o padrão de Deus para o homem. Que possamos sempre nos dedicar ao estudo da Palavra, com o auxílio do Espírito, para não adulterarmos o padrão bíblico – acrescentando ou tirando algo para o nosso benefício. E que o nosso Deus nos faça enxergar as incoerências em nosso viver, por termos adotado padrões alternativos. Certamente Ele quer que estas incoerências sejam corrigidas em nossas vidas.

MARCOS AURÉLIO DE MELO
Estudo em Mateus 23: 1-7
OBS.: Continua nas próximas postagens

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Incoerência no viver

Muitos estudantes reclamam do vestibular, principalmente quando a prova inclui a escrita de uma redação a partir de um tema proposto. Os vestibulandos suam frio e ficam nervosos porque precisam apresentar em 25 ou 30 linhas o seu conhecimento sobre o tema definido. A redação é realmente uma pedra no sapato de muitas estudantes. Na construção de um texto, assim como na fala, mecanismos são utilizados para garantir a clareza. Um texto incoerente é o que carece de sentido ou o apresenta de forma contraditória. Muitas vezes essa incoerência é resultado do mau uso de elementos de coesão textual na estruturação das frases, o que traz prejuízos para o entendimento do texto. Pode também acarretar uma série de interpretações equivocadas sobre o assunto abordado.

Um texto incoerente, sem nexos ou com frases soltas, que se inicia com um tema e termina com outro, é difícil e muitas vezes até impossível de ser entendido completamente. É um grande desafio escrever com coerência. A verdade é que não é fácil escrever, pois esta arte exige uma enorme concentração para dar coerência ao texto, desde a introdução até a conclusão. Seguir uma linha de raciocínio sem perder a coerência é o objetivo de qualquer escritor conceituado.

Os fariseus na época de Jesus eram mestres na arte da incoerência. Em Mateus 23:24, está escrito que eles “coavam um mosquito e engoliam um camelo.” Estas palavras apontam a enorme incoerência em suas vidas. Em várias ocasiões nós observamos duras críticas de Jesus direcionadas aos fariseus, pois o viver deles era incoerente. Jesus utilizou uma palavra da época para defini-los: “hipócrita” é uma transcrição do vocábulo grego "hypochrités" – atores que representavam cenas teatrais utilizando máscaras de acordo com o papel numa peça teatral. É daí que o termo hipócrita designa alguém que oculta a realidade atrás de uma máscara de aparência. As contradições observadas por Jesus na vida dos fariseus evidenciavam uma prática religiosa desprovida de qualquer validade.

Era visível a incoerência costumeira destes homens, que se diziam ser religiosos ortodoxos, mas adotavam práticas reprováveis. Os fariseus se diziam observadores da lei, mas foram chamados por Jesus de sepulcros caiados: por fora eram belos e ornamentados, mas por dentro estavam apodrecendo aos poucos. Os fariseus não aplicavam algumas regras básicas para viver de modo coerente, e por isso foram duramente confrontados por Jesus. Jesus tece uma crítica bem elaborada a fim de tratar com seriedade os problemas que os fariseus não estavam dispostos a resolver. Saber tais princípios não é suficiente – é necessário aplicá-los integralmente para que nossas vidas sejam livres de contradições. O estudante que escreve sua redação no vestibular, buscando dar sentido e coerência ao texto, precisa aplicar alguns princípios de coesão, progressão e relações de sentido.

Um texto bastante ilustrativo é o texto em II Co. 3: 1-3, no qual Paulo afirma que os crentes são cartas, conhecidas e lidas por todos os homens. Será que nesta carta não existem incoerências que precisam ser corrigidas? Que princípios devemos aplicar para evitarmos tais incoerências? Ao escrever um texto devemos observar certas regras ou princípios para dar coesão e coerência textual, para que o resultado final seja satisfatório. Um texto coerente é de fácil entendimento e transmite a mensagem desejada. Valendo-me desta analogia, é importante aplicar alguns princípios basicos para evitarmos incoerências em nosso viver.

Somos muito observados pelos homens, mas é Deus quem conhece perfeitamente os nossos corações e sonda o mais profundo de nosso ser. Ele sabe quais são as incoerências em nosso viver e que todas devem ser urgentemente corrigidas. O nosso Deus perscruta o coração e enxerga nossos propósitos/intenções que moldam nossas ações. E, além disso, nós não conseguiremos manter comunhão genuína com Deus enquanto estas incoerências estiverem presentes. Deus requer dos seus filhos uma vida digna, coerente com o supremo chamado do Evangelho (Cl. 1:10). Devemos priorizar os princípios estabelecidos por Deus para um viver digno e coerente. Viver para a glória de Deus é um enorme desafio neste mundo tão incoerente, mas com certeza vale a pena.

MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS NO EVANGELHO DE MATEUS
OBS.: Continua nas próximas postagens

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Aspectos da graça de Deus

Complementando a postagem anterior, faço referência a quatro aspectos da maravilhosa graça de Deus que são observados à luz da cruz de Cristo. Esta é a 200ª. (ducentésima) postagem deste blog, desde quando foi iniciado. Nada melhor do que comemorar esta marca abordando sobre a graça de Deus que tem me capacitado a manter este blog atualizado. O objetivo deste blog é espalhar e anunciar a glória de Deus através de reflexões de cunho teológico-bíblico-cristão. Então comemore esta marca conosco. Parabéns, blog COMPARTILHANDO!!!!


"o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras."
Tito 2:14


1 – A GRAÇA DE DEUS TEM AÇÃO REDENTORA (a fim de remir-nos de toda iniqüidade)

A palavra que foi traduzida como “remir” ou “redimir”, tem o significado de comprar ou comprar de volta, como em uma transação comercial ou de resgate. Em nosso estado deplorável como pecadores desde o nascimento e presos no cativeiro do pecado, somente a graça de Deus poderia agir em nosso favor. Fomos resgatados por Cristo por meio de sua morte na Cruz, o preço justo exigido por Deus para retirar o peso da condenação dos ombros de pecadores. Lemos em Marcos 10:45, que “o Filho do homem veio dar a sua vida em resgate por muitos.”
Em I Pedro 1:18-19, está bem claro que fomos resgatados por preço de sangue, o sangue do cordeiro de Deus. Como fomos comprados por Cristo, não temos o direito de nos tornarmos escravos de mais ninguém ou de nada mais. Cristo comprou-nos quebrou as algemas que nos prendiam, e não há nada que possa tirar-nos de suas mãos de amor. Em Ef. 1:7, está escrito que, segundo a riqueza da graça de Deus, nós temos a redenção através do sangue de Cristo. Em Hb. 9:12, lemos que Cristo obteve mediante o seu sangue, eterna redenção.
A ação redentora da graça de Deus é totalmente visível através do prisma da cruz de Cristo. Nenhum homem pode chegar até Deus sem ter sido comprado pelo sangue de Cristo. Quando Cristo entregou-se para morrer em nosso lugar, Ele pagou o preço que nenhum ser humano poderia pagar em favor de outro pecador. Por esta graça, hoje podemos cantar confiantemente, depositando a fé na obra completa de Cristo na Cruz, que nos redimiu de uma vez por todas. Como você tem encarado esta verdade bíblica em seu viver? Como você se enxerga à luz deste ensino sobre a redenção?

2 – A GRAÇA DE DEUS TEM AÇÃO SANTIFICADORA (e purificar, para si mesmo)

Mas além de nos comprar com o preço do seu próprio sangue, em Tito 2:14 lemos que Ele está nos purificando para Si mesmo. Esta obra purificadora da graça de Deus na vida do crente é a santificação progressiva. Sem a graça de Deus, é praticamente impossível que o crente cresça em santidade. Dependemos da graça do Senhor a cada dia para lutarmos contra nossa natureza carnal e pecaminosa que desagrada a Deus.
A palavra que foi traduzida como “purificar” é a mesma utilizada para fazer referência ao leproso que ficava curado desta doença. Ele tinha que se apresentar ao sacerdote que tinha a missão de fazer uma perícia e constatar se aquele homem estava de fato purificado. Nós estamos em processo de purificação, para que um dia possamos nos apresentar diante do nosso Sumo-sacerdote, sem rugas e sem máculas (Ef. 5:27). Por isso todos nós estamos neste processo de santificação e necessitamos muito da graça de Deus em nossas vidas.
As obras da carne só podem ser realmente mortificadas no poder da graça de Deus. Através do prisma da cruz de Cristo, o homem passa a enxergar a santidade de Deus e que Ele exige santidade daqueles que o servem. Graciosamente, o nosso Deus nos oferece os recursos necessários para viver de modo digno do Evangelho, agradando-O em todas as coisas. Imagine como servia viver sem a graça de Deus neste processo de santificação. Como você seria perdoado de seus pecados se a graça de Deus não estivesse disponível? Nós temos que olhar para a cruz de Cristo e enxergar que a santificação é o meio que Deus usa para nos aproximar da perfeição de Seu Filho. Mas sem a graça de Deus ao nosso dispor esta caminhada rumo ao projeto de Deus para nós seria impossível.

3 – A GRAÇA DE DEUS TEM AÇÃO PRESERVADORA (um povo exclusivamente seu)

A graça do Senhor age em favor dos Seus filhos, separando-os como um povo especial para cumprir os Seus propósitos. Cristo preserva e protege as ovelhas de seu pastoreio, dando-lhes a provisão necessária. O povo exclusivo que Cristo comprou com o seu sangue será preservado até o fim, pois a Bíblia nos assegura que nada poderá separar-nos do amor de Deus.
O versículo oficial da nossa igreja em 2009 deixa bem claro que somos um povo preservado por Deus: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus.” (I Pe. 2:9) Vale a pena destacar também o versículo 10, que faz uma relação entre a misericórdia divina e o povo escolhido. Mas lembremos que tal privilégio é acompanhado de uma imensa responsabilidade.
A verdade é que o nosso Deus nos preserva com o Seu poder e ninguém poderá nos arrebatar das suas mãos. O povo que ele salvou para a Sua glória não será abandonado à própria sorte. Isto não significa que estamos livres de tempestades e aflições neste mundo, mas podemos contar com a graça de Deus em preservar o seu povo mesmo nas terríveis dificuldades que surgirem.

4 – A GRAÇA DE DEUS TEM AÇÃO CAPACITADORA (zeloso de boas obras)

Vista através do prisma da cruz de Cristo, a graça de Deus tem ação capacitadora na vida do cristão. O sacrifício de Cristo em nosso lugar nos dá plena consciência de nossas responsabilidades como redimidos. Por isso Paulo escreve ao jovem pastor Timóteo: “fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus.” (II Tm. 2:1) Somente a graça do Senhor nos capacita a sermos um povo zeloso de boas obras e atuantes no reino de Deus. Paulo tinha plena convicção disso no seu ministério apostólico. Em I Co. 15:10, ele afirma que a graça de Deus nunca o desamparou em seu trabalho como servo de Deus. “Ninguém pode fazer nada, nem grande nem pequeno, se não for no poder da graça de Deus.”
Nós somos inteiramente dependentes da graça do nosso Deus em todas as coisas que fazemos para o serviço do Senhor. Se a graça de Deus não estiver conosco, não podemos querer medir o sucesso de nossas realizações. Precisamos estar unidos à Videira verdadeira, sendo nutridos pela seiva de Sua graça, para que possamos produzir frutos dignos e preciosos para Deus.
Ao contemplar a cruz do Calvário e ver tamanha demonstração de graça, podemos fazer a pergunta do Hino 99: “Que fazes tu por mim?” É claro que não temos a menor condição de fazer algo para Deus confiando em nossas habilidades. Somente por meio da graça podemos servir ao Senhor da forma que O agrada e assim ouviremos do nosso Salvador: “Muito bem, servo bom e fiel.”

MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS NA CARTA DE PAULO A TITO

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O prisma divino

TEXTO BÍBLICO: Tito 2: 11-14

"o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras."
Tito 2:14

O versículo está inserido num contexto que trata sobre a maravilhosa graça de Deus em benefício do pecador. Se não fosse a graça de Deus não haveria possibilidade nenhuma de salvação. Já ouvimos muitas vezes sobre a "doutrina" acerca da salvação, a soteriologia, que busca descrever nos mínimos detalhes a preciosidade deste ensino bíblico. O grande problema é que o tempo vai passando e nos importamos com inúmeros outros assuntos, começamos a averiguar os ramos e nos esquecemos da raiz. Creio que a base do relacionamento entre o homem e Deus está alicerçada na cruz de Cristo, e sua morte em nosso lugar mostra a sublimidade da graça de Deus. Quando Paulo nos diz que devemos buscar o alimento sólido ele não está nos incentivando a deixar de lado os alicerces que constituem a fé do cristão. Sem estes alicerces nada pode ser construído de forma confiável.

Na Física, existe uma matéria que me empolgava na época de ensino médio. Eu gostava muito de óptica. Era empolgante estudar sobre lentes, luz, refração e outros tópicos. E um dos assuntos que me lembro bem era a composição da luz. Naquela época, fiquei sabendo que a luz branca é composta de várias cores. E havia um experimento que consistia em incidir a luz branca num prisma de vidro (uma pirâmide com ângulos definidos) para decompor a luz em suas cores componentes: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. São as mesmas cores que compõem o arco-íris, que nós enxergamos em dias de chuva.

Fazendo uma analogia, eu percebo que, através do prisma da cruz de Cristo, nós podemos enxergar algumas cores que compõem a luz da Sua maravilhosa graça. A luz que emana da graça de Deus é composta de várias cores, e nós podemos perceber vários aspectos desta graça de Deus em ação. Baseado em todo este contexto da carta de Tito que se apresenta entre os versículos 11-14, eu gostaria de afirmar que:

“ATRAVÉS DA CRUZ DE CRISTO PODEMOS ENXERGAR VÁRIOS ASPECTOS DA GRAÇA DE DEUS EM AÇÃO”

Cristo Jesus se deu a si mesmo por nós, ao morrer na cruz do Calvário, fora de Jerusalém, para ficar evidente a suprema grandeza da graça de Deus. Era esta a única alternativa de fazer propiciação por conta do pecado, de forma a aplacar a ira justa e santa de Deus em relação ao pecador. Sem a morte graciosa de Cristo Jesus o homem estaria condenado eternamente porque não teria condições de se livrar da dívida eterna contraída contra o Deus santo.

Brevemente você ficará sabendo quais os aspectos da graça de Deus que foram revelados a nós, por meio da cruz de Cristo, com base no versículo em Tito 2:4. Então, aguarde e divulgue as próximas postagens.


domingo, 24 de janeiro de 2010

Dependência da justiça divina

"Quanto a mim, eis que estou nas vossas mãos; fazei de mim o que for bom e reto segundo vos parecer. Sabei, porém, com certeza que, se me matardes a mim, trareis sangue inocente sobre vós, sobre esta cidade e sobre os seus moradores; porque, na verdade, o SENHOR me enviou a vós outros, para me ouvirdes dizer-vos estas palavras."
Jeremias 26: 14,15



Jeremias nestes versículos demonstra certeza ao afirmar que Deus traria justiça diante de todas as oposições sofridas. Os opositores do profeta queriam tirar-lhe a vida, mas Jeremias soube colocar-se na dependência do Senhor porque ele tinha convicção que o Juiz de toda a terra faria justiça (Gn. 18:25). A mensagem que foi apresentada não soou de modo agradável ao povo que ouviu o profeta, e por conta disto se dispuseram a atentar contra a vida do profeta. Diante de tamanha oposição Jeremias afirma que Deus efetuaria o seu juízo sobre aqueles homens de uma forma cabal.

Em meio às oposições neste mundo hostil o crente precisa depender constantemente da justiça divina que não tarda e nem falha. A mensagem apresentada vai ferir muitas vezes os ouvidos dos incrédulos, acostumados com o eco do pecado. Como servos do Senhor precisamos depender da justiça divina para não cultivarmos um coração cético. Deus em sua Palavra afirma que julgará o mundo com equidade e em vários textos bíblicos observa-se esta ênfase: “És rei poderoso que ama a justiça; tu firmas a eqüidade, executas o juízo e a justiça em Jacó.” (Sl. 99:4). Às postas do palácio de Judá, Jeremias advertiu sobre a vontade de Deus para aquela nação: “Executai o direito e a justiça e livrai o oprimido das mãos do opressor; não oprimais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar.” (Jr. 22:3).

Quantas injustiças o apóstolo Paulo sofreu por proclamar a verdade bíblica? Várias vezes ele foi apedrejado, preso e açoitado por soldados romanos. Mas mesmo assim, confiava na providência de Deus em seu favor: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Ele estava certo de que nada poderia separá-lo do amor de Deus, e que o importante era depender em cada instante da abundante graça do Senhor. No texto em Romanos 8:33: “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica.” É Deus quem exerce justiça em prol do seu povo para que o nome do Senhor seja glorificado.

Sadraque, Mesaque e Abede-Nego sofreram forte oposição do rei Nabucodonosor, pois teriam que adorar uma imagem que foi erguida em homenagem a ele. Mas aqueles homens dependeram da justiça divina em seu favor e por isso não se curvaram perante a imagem do rei. Nabucodonosor perguntou-lhes: “quem é o deus que vos poderá livrar da minha mão?” (Dn. 3: 16-18). Foi feito até um decreto que não permitia que qualquer blasfêmia fosse dita ao Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego (Dn. 3:29). Esta é justiça de Deus sendo manifestada de forma clara e notória.

No livro de Ester encontramos uma clara demonstração da justiça divina em favor do seu povo. Em toda a história observamos a mão de Deus movendo as peças de um quebra-cabeça para dar a saída ao povo judeu. Hamã, que tramou um esquema para aniquilar o povo, foi morto na própria forca (Ester 7:9-10) que tinha feito para o judeu Mordecai.

Ninguém pode acusar Deus de ser condescendente com o mal e com a injustiça. Todos os erros aparentes um dia serão corrigidos. Deus fará justiça no seu tempo e não podemos esquecer que a justiça do Senhor é perfeita. Portanto, devemos depender do Senhor em meio às oposições neste mundo hostil. Devemos entregar-nos nas mãos daquele que julga retamente. O nosso Deus é Deus de justiça que tem o seu modo de agir. Fazer justiça com as próprias mãos não é uma atitude que demonstra dependência de Deus. Apesar de tantas injustiças e oposições, o servo de Deus será fortalecido se depender exclusivamente da justiça divina em seu favor.


MARCOS AURÉLIO DE MELO
Estudos no livro de Jeremias

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Confiança na mensagem do Evangelho

O profeta Jeremias convoca todo o povo em Judá a uma mudança radical: “emendai os vossos caminhos e as vossas ações” (Jr. 26:13). Para as mentes cauterizadas pelo pecado isto pode soar até como uma afronta, mas Jeremias não se deixa levar por este temor e anuncia que é necessária uma transformação radical na vida daquele povo. Utilizando-se também de uma linguagem antropomórfica, o profeta chama atenção do povo para um novo tempo que Deus irá restaurar caso escutem a voz do Senhor. O Senhor se "arrependeria" e não iria mais castigar a nação com o cativeiro na Babilônia.

Não apenas neste texto específico, mas em vários outros notamos que o profeta delineia suas palavras partindo do ponto de vista de Deus. O “Assim diz o Senhor” está presente em praticamente todas as falas de Jeremias no seu livro. Para anunciar uma mensagem vinda da parte do próprio Deus o próprio profeta deveria estar confiante no discurso que faria. Uma das restrições que Jeremias alegou quando foi convocado para a missão de profeta é que não sabia falar, mas o Senhor o fez entender que as palavras seriam de Deus, não do profeta. “Depois estendeu o Senhor a mão, tocou-me na boca, e me disse: Eis que ponho na tua boca as minhas palavras.” (Jr. 1:9). Isto fez e faz toda a diferença na vida de um servo de Deus.

Se Jeremias fosse confiar na sua própria habilidade e no seu carisma, seu ministério estaria fadado ao fracasso. Ainda que ninguém tenha se arrependido no seu ministério de aproximadamente 40 anos, começando de madrugada, o profeta experimentou o que é confiar na mensagem que procedia da parte do Senhor. Ele enxergou o poder transformador da Palavra de Deus em sua própria vida, inicialmente, e isto ele transmitiu na íntegra para o povo rebelde. O desafio de convocar o povo ao arrependimento e a buscar unicamente ao Deus verdadeiro somente poderia ser exercido confiando na eficácia da Palavra de Deus.

Ao ler o progresso da igreja no livro de Atos, fico impressionado com a ousadia dos apóstolos que levaram a mensagem da cruz a um mundo pagão. O mundo da filosofia teve que ouvir o destemido apóstolo Paulo pregar na capital do conhecimento daquela época (Atos 17:16-31). Em Atenas, Paulo apresentou a mensagem sobre o DEUS DESCONHECIDO, e por fim acrescentou: “não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos em toda parte se arrependam.” (At. 17:30) O apóstolo Pedro também foi ricamente usado por Deus para propagar a mensagem da cruz. Em Atos 4:5-12, ele fala diante das autoridades do Sinédrio e os confronta com a verdade do evangelho: “Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu, não existe nenhum outro nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos.” (At. 4: 11,12). A mensagem da cruz é a única que traz mudanças efetivas na vida do homem. Por isso não devemos nos esquivar de confiar nesta mensagem que apresentamos ao mundo.

Nós também precisamos confiar na mensagem que apresentamos ao mundo. Temos que ter coragem de levantar nossas vozes diante de tanto barulho desta pós-modernidade, que gera incredulidade nas verdades bíblicas. Precisamos confiar no poder transformador do Evangelho, como bem disse o apóstolo Paulo em Rm. 1:16, quando ele afirma que “o Evangelho é poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Neste mundo cético e incrédulo em que vivemos, faz-se urgentemente necessário que a autoridade bíblica seja demonstrada de forma proeminente. A mensagem que anunciamos também tem de impactar o meio em que vivemos de forma a servir como alerta a todos que desprezam a Palavra do Senhor. Não devemos ser iludidos por “achismos” e “modismos” que não condizem com as Escrituras, pois não trazem mudança efetiva na vida dos ouvintes. Temos que fazer penetrar esta verdade na mente dos homens.

Todos nós sabemos que a mensagem do Evangelho é a única garantia para trazer nova vida ao homem. Nós somos frutos da mensagem do Evangelho, porque um dia aceitamos como verdadeiros os fatos que o Evangelho nos apresenta. Lembre-se que o desafio que Deus nos faz na Sua Palavra pode ser fielmente cumprido porque Ele nos disponibiliza os recursos necessários. Que sejamos crentes intrépidos em apresentar ao mundo a mensagem da cruz! Que possamos apresentar aos homens que é preciso um arrependimento verdadeiro e buscar ao Senhor enquanto se pode achá-Lo.

Marcos Aurélio de Melo
Estudos no livro de Jeremias