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quinta-feira, 13 de maio de 2010

ATITUDES MESQUINHAS

TEXTO-BASE: I SAMUEL 30: 9-20 E 21-25 (Leitura indispensável!)

TEMA: ATITUDES MESQUINHAS

A Bíblia nos mostra que o nosso Deus é muito generoso. Em vários momentos da história, Deus mostrou o quanto é generoso no cuidado para com o Seu povo. No deserto Ele providenciou tudo para conduzir o seu povo em total segurança até Canaã. Ele é o Deus da excelsa Graça (generosidade plena) que não poupou o próprio Filho para resgatar pecadores. No Salmo 116:7, o salmista escreveu: “Volta, minha alma, ao teu sossego, pois o Senhor tem sido generoso para contigo.” A parábola dos trabalhadores na vinha que foram contratados em horas diferentes do dia e receberam o mesmo pagamento, é uma narrativa que esbanja generosidade (Mateus 20: 1-16), e humilha o homem natural.
No texto em destaque, particularmente no versículo 22, observamos o inverso da generosidade prevalecendo. Os homens que voltaram da batalha contra os amalequitas chegaram à conclusão que os homens que ficaram no ribeiro de Besor (‘refrescante’) não receberiam os despojos. Este comportamento expôs claramente a mesquinharia que estava no coração deles. E a mesquinhez é uma atitude que está diretamente relacionada com o egoísmo – o “eu” reinando absoluto no trono do viver. É óbvio que as atitudes mesquinhas não se resumem somente em relação a coisas materiais, recursos, bens ou dinheiro. As atitudes mesquinhas podem estar disfarçadas com inúmeras máscaras bem sutis, seja em pensamentos, palavras ou ações. Sendo assim, eu gostaria de afirmar que:

"O FIEL SERVO DE DEUS PRECISA ABANDONAR POR COMPLETO AS ATITUDES MESQUINHAS."

A nossa vida como servos de Deus não pode ser preenchida com atitudes mesquinhas.
Mas como o fiel servo de Deus conseguirá abandonar por completo as atitudes mesquinhas?
Podemos ver neste texto que o fiel servo de Deus conseguirá abandonar por completo as atitudes mesquinhas pelo menos de três maneiras que estão muito interligadas:

1) RECONHECENDO A PROVIDÊNCIA DIVINA NO FORTALECIMENTO RECEBIDO (vv. 6, 9-10)
A nossa força vem do Senhor. Este é um fato bíblico que esquecemos com facilidade. Davi reconhecia que o fortalecimento necessário vinha exclusivamente de Deus. Ele exalta esta verdade no Salmo 18: 2, 31, 32 e em vários outros textos bíblicos. Deus era o refúgio verdadeiro
para Davi nas circunstâncias mais adversas possíveis. A coragem para enfrentar Golias veio de sua confiança em Deus.
No texto em Ef. 6:10-17, no qual Paulo descreve a armadura de Deus para o crente, ele inicia seu texto assim: “quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do Seu poder.” Ou seja, as batalhas travadas na luta diária só poderão ser vencidas na força que Deus supre.
Nós também devemos entender que a força para conquistar os objetivos e ir sempre adiante não é mérito nosso. Reconhecer a providência de Deus em nosso favor, nos dando forças necessárias para as lutas diárias, é imprescindível para abandonarmos as atitudes mesquinhas. Quando agimos de forma mesquinha demonstramos nossa arrogância em não reconhecer o fortalecimento necessário que procede do Senhor. Deus nos tem fortalecido nas lutas diárias para que produzamos frutos de graça e generosidade onde quer que estejamos. O ânimo para prosseguir é uma bênção graciosa de Deus operando em nós.


2) RECONHECENDO A PROVIDÊNCIA DIVINA NA ORIENTAÇÃO RECEBIDA (vv. 8, 11-16)
O egípcio que estava semimorto no caminho não se encontrava ali por acaso. Tudo tem um propósito definido nos planos soberanos de Deus, e Davi sabia disso muito bem. Aquele egípcio serviu de guia para levar Davi e seus homens até o bando dos amalequitas, mas quem traçou toda a estratégia foi o Senhor. Davi reconheceu que toda a orientação foi dádiva de Deus (Sl. 32:8), e por isso seu coração não se tornou mesquinho quando regressou para repartir os despojos. Ele enxergou além e percebeu que Deus os guiou.
Paulo reconheceu a orientação de Deus para ir até a Macedônia (At.16:9-10), e por isso mesmo não foi mesquinho na apresentação do Evangelho na cidade de Filipos, onde Lídia foi convertida a Cristo. Quando Deus nos dá clara orientação não podemos ser mesquinhos na obediência pessoal e na transmissão a outros.
Se nós entendermos que é Deus quem nos dá a orientação necessária por meio da Sua Palavra e que somente a Sua orientação é confiável, com certeza não sobraria espaço para atitudes mesquinhas em nosso viver. Quem vive na dependência de Deus, recebendo d’Ele todas as instruções para viver, não será mesquinho quando tiver oportunidade de ajudar alguém que também necessita de orientação bíblica.


3) RECONHECENDO A PROVIDÊNCIA DIVINA NA PROTEÇÃO RECEBIDA (vv. 17-20, 23)
Deus preservou e protegeu não apenas os homens que estavam com Davi naquele resgate arriscado, mas também preservou tudo o que os amalequitas tinha levado de Ziclague. “Não lhes faltou cousa alguma, nem pequena nem grande...” (vv. 19). Davi entendeu que a mão poderosa de Deus estava por trás de todas as coisas e que o resgate bem sucedido era uma prova da proteção constante do Senhor.
Jesus orou por nossa proteção contra o mal (Jo. 17:15) neste mundo. Precisamos reconhecer que a providência divina em nosso favor é a causa de sermos protegidos diante de tantas aflições e perigos. Deus nos oferece o seu livramento em tempo oportuno, para que possamos suportar qualquer provação no dia-a-dia. Então a glória deve ser dirigida unicamente a Deus, que proporciona o cuidado sobre as nossas vidas.
Nosso coração será menos mesquinho se enxergarmos a boa mão do Senhor agindo em nosso favor. Seremos crentes mais generosos no cuidado de uns para com os outros se reconhecermos que somos alvo do terno cuidado de Deus. Deus é o nosso auxílio sempre presente (Sl. 33:20).

MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS NO LIVRO DE I SAMUEL

terça-feira, 4 de maio de 2010

Abordagens Necessárias

TEXTO-BÍBLICO: I SM. 12: 20-22

O aconselhamento bíblico tem sido abandonado das igrejas chamadas cristãs. Muitos pastores tem se rendido às falsas ilusões de métodos antibíblicos que se mostram mais atrativos para o público. O fato é que a verdade tem sido distorcida para se encaixar convenientemente em círculos evangélicos. Mas o grande problema por trás destas ilusões modernas é a ineficácia de todas elas para trazer transformação real e mudança permanente na vida de alguém. Ao tratar problemas de modo bíblico estamos confiando no poder que reside na própria Palavra de Deus, que assegura ser eficaz e poderosa para trazer convencimento e transformação ao coração do homem.
O texto bíblico acima destacado é o encerramento do discurso de Samuel na posse do rei Saul. Diante de toda a multidão dos filhos de Israel que pediram um rei, Samuel faz uma abordagem muito equilibrada de toda a situação atual. Ele não apresenta elogios à pessoa de Saul e nem faz homenagens para celebrar aquele momento. Afinal, agora Samuel estava retirando-se da posição de liderança máxima em Israel e passando o bastão adiante. Mas Samuel (e nem Deus) não viu com bons olhos esta decisão do povo. Definitivamente, o profeta não foi dominado pela emoção para fazer um discurso agradável.
Ao estudar o texto em I Sm. 12: 20-22, fiquei com a ligeira impressão de que Samuel tenha feito um curso de Aconselhamento Bíblico. Ao ler estes versículos e observando todo o contexto da passagem bíblica, não pude deixar de perceber alguns aspectos essenciais que devemos abordar quando aconselhamos alguma pessoa ou ajudamos alguém a lidar com os problemas de modo bíblico. Vejamos os aspectos que Samuel aborda no seu discurso, os quais não devemos ignorar quando aconselhamos alguém.


PARA TRATAR PROBLEMAS DE MODO BÍBLICO NÃO DEVEMOS IGNORAR ALGUMAS ABORDAGENS ESSENCIAIS


1) A GRAVIDADE DO PECADO DO HOMEM (vs. 20)
O pecado do povo de Israel não era um mal menor – algo banal e sem implicações. De forma nenhuma! O pecado de inveja das outras nações misturado ao pecado de orgulho (ostentar a figura de um rei) foi apenas a ponta do iceberg de toda a história. Na verdade, eles estavam querendo destronar o Senhor da vida deles, indiretamente (I Sm. 8:7).
Samuel não buscou aliviar a culpa do povo ou tratar o pecado como um deslize sem maiores prejuízos. O pecado deve ser visto como grave afronta a Deus e nós não temos o direito de amenizar sua gravidade. As técnicas modernas de aconselhamento buscam suavizar a culpa e tratar o pecador como vítima de circunstâncias alheias ao seu controle. Mas a ênfase bíblica está no confronto – como Natã agiu ao denunciar o grave mal cometido pelo rei Davi (II Sm. 12:7).
“Todo pecado se não for adequadamente tratado e abandonado é como uma bomba de efeito retardado.” Por isso que o crente deve sempre identificar, confessar e abandonar pecados que se escondem no coração.

2) A NECESSIDADE DE MUDANÇA DO HOMEM (vs. 20)
O homem precisa mudar biblicamente seguindo os princípios de sabedoria revelados nas Escrituras. A exortação de Samuel se resume em dois verbos (seguir e servir ao Senhor), mas traz mudanças permanentes se for atendida. Esta mudança tem um qualificador: deve ser de todo o coração, ou seja, sem reservas. A mudança bíblica deve transformar o homem em sua inteireza, gradualmente, como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito (Pv. 4:18).
Qualquer mudança só será efetiva quando houver o despojar e o respectivo revestir. Somos exortados a abandonar as obras da carne e produzir os frutos do Espírito (Gl. 5:19-22), para que possamos avançar e desenvolver a nossa salvação. E quando nos dispomos a seguir e a servir ao Senhor de todo coração, com certeza muitas mudanças serão bem visíveis em nós.

3) A FUTILIDADE DO CAMINHO DO HOMEM (vs. 21)
Neste versículo, Samuel lembra ao povo que desviar para seguir coisas sem valor não traria resultados satisfatórios. A verdade é que o caminho do homem sempre é oposto ao caminho de Deus (Is. 55:8).
O caminho do homem é vazio e sem sentido porque se baseia no entendimento errado sobre a vontade do Senhor. O caminho do homem traz prejuízos ainda maiores (Pv. 14:12), porque ignora o método de Deus para a resolução eficaz dos problemas. As filosofias, os livros de auto-ajuda, os métodos de autoconhecimento, as terapias psíquicas, são os meios modernos mais utilizados para resolver problemas do homem. Mas o fato é que não resolvem. Alguns funcionam como paliativo, mas logo passa o efeito e mais dificuldades aparecem. O mercado da psicologia cresce exponencialmente a cada ano porque o homem ainda não está convicto sobre a futilidade dos caminhos humanos.
O caminho de Deus para resolver e tratar problemas passa pela negação do “eu”. Foi esta a mensagem que Cristo transmitiu aos discípulos (Lc. 9:23) e a exortação do apóstolo Paulo (Gl.5:24). Este caminho não é agradável à primeira vista e por isso é muito negligenciado por muitos crentes, que preferem crer em coisas fúteis e banais a depositar total confiança na Palavra de Deus.

4) A CONFIABILIDADE DAS PROMESSAS DE DEUS (vs. 22)
Se estivermos vivendo de acordo com a Palavra de Deus, temos a promessa de que Deus agirá em nosso benefício em meio às provações. Ele nos oferece gratuitamente vários recursos para que possamos honrá-Lo com o nosso viver. Então, podemos confiar na promessa de Deus de que Ele nunca nos desamparará por amor do Seu Nome. As promessas de Deus são totalmente confiáveis (II Co. 1:20).
As muitas promessas de Deus e os recursos que Ele nos disponibiliza servem para nos dar esperança bíblica. Esta esperança é uma profunda convicção a respeito da bondade do nosso Deus que se importa conosco em cada situação. Esta esperança se reverte em paz e contentamento ao longo do processo de mudança efetiva e real em nosso viver, pois a Bíblia nos garante que “aquele que começou uma boa obra em nós, é fiel para completá-la” (Fl. 1:6).



MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDO NO LIVRO DE I SAMUEL


quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Justiça de Deus

Ana foi muitas vezes ridicularizada por Penina por causa de sua infertilidade. Mas ela confiou na justiça soberana do Senhor como âncora de sua alma. Ele dependeu exclusivamente da justiça que vem do Senhor, e não agiu precipitadamente. Por isso ela agora tinha motivos de sobra para exaltar a sabedoria de Deus ao fazer justiça. Ana reconheceu que é o Senhor quem julga os atos dos homens (tradução NVI).

É fundamental que o crente tenha uma visão correta sobre a justiça de Deus. Deus nunca falha na aplicação da Sua justiça. Deus não erra quando pesa todos os feitos na balança e emite o Seu juízo. Deus não deixou o mundo desgovernado e aleatório – Ele fará justiça por tudo o que se passa aqui. Muitas vezes nos deixamos levar por pensamentos antibíblicos que tentam reduzir o controle soberano de Deus sobre tudo. Como bons despenseiros do Senhor, devemos entender que Deus não erra quando nos requisita ou nos concede algo. Ele é fiel e justo em todos os seus caminhos para todo o sempre.

Deus não escreve certo por linhas tortas. Poderíamos mudar este dito popular para se tornar coerente: Deus escreve certo e nós enxergamos torto. Nossa visão distorcida pelo pecado sempre desconfia do método de Deus e por isso não distinguimos claramente que a Sua Justiça é perfeita.
Quando perdemos algo de precioso sempre somos tentados a desconfiar da ação de Deus. É por isso que nós, como bons despenseiros e mordomos, precisamos afinar nosso diapasão com a sabedoria de Deus revelada na Sua Palavra. Davi declarou “Justo és Senhor, e retos os teus juízos.” (Sl. 119:137).

O nosso dever como bons despenseiros é administrar com eficácia o que Deus tem nos confiado. Para isso precisamos enxergar com clareza a justiça do Senhor que não falha. Seremos muito mais desprendidos com o que temos entendendo que Deus não erra nem um segundo sequer ao lidar conosco, mesmo que aparentemente estejamos perdendo algo.


Marcos Aurélio de Melo
Despenseiro Fiel - Parte III
Estudo Bíblico em I Samuel

A Singularidade de Deus

Esta afirmação de Ana serve para ilustrar o quanto Deus era singular na sua mente. Deus não pode ser comparado a ninguém porque Ele é o totalmente Outro. Não há nada que possa fazer frente ao Senhor. Ana faz questão de enfatizar estas palavras para não deixar nenhuma dúvida quanto à singularidade do Senhor Deus. Em Isaías 40:25 uma pergunta retórica está registrada: "A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual? -diz o Santo.” “Eu sou o SENHOR, e não há outro; além de mim não há Deus” (Is.45:5).

O despenseiro fiel, que vive a teologia do desprendimento, entende que o seu Deus é singular e que Ele merece todo o louvor. É interessante observar que o primeiro mandamento é o testemunho da exclusividade e singularidade de Deus, ou seja, revela o Senhor em Seu caráter, Seu ser e Sua ação. Êxodo 20:1-3: “Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim.”

Os atributos incomunicáveis de Deus que a Bíblia nos mostra, provam que Deus é singular. São atributos exclusivos de Deus, ou seja, não encontram analogia na criatura. Deus é Onisciente, Onipresente, Onipotente, Eterno, Soberano e Imutável. Ninguém pode carregar tais atributos porque são exclusivos de Deus. Em Isaías 64:4, somos novamente lembrados sobre a forma singular de Deus agir em nossas vidas: "Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera."

Na vida do despenseiro é necessário que esta verdade não seja esquecida de forma nenhuma. Faz uma enorme diferença ter uma mente convicta sobre a singularidade de Deus, que nos outorga livremente algumas bênçãos para que possamos administrá-las para a Sua glória. É Ele quem merece todo o louvor e somente Ele é digno de total adoração. Davi soube expressar esta verdade no Salmo 73:5. Somente alguém que entende a singularidade de Deus é livre para viver sem temores, como despenseiro fiel.

Nós corremos um sério risco de idolatrar o que Deus tem nos dado, e colocá-las como deuses particulares em nossa vida. Por isso somos lembrados constantemente sobre o perigo de colocar nossas esperanças nas coisas desta vida, porque sabemos que um dia tudo terá fim. Que possamos viver como bons despenseiros que reconhecem em todas as coisas que Deus é digno de toda a glória.


Marcos Aurélio de Melo
Despenseiro Fiel - Parte II
Estudo Bíblico em I Samuel

A Suficiência de Deus

Todas as afirmações de Ana no texto em I Samuel 2:1-3, tem sustentação somente em Deus. O Senhor era a fonte de todas as bênçãos de sua vida – ela reconheceu a suficiência de Deus em sua vida. O filho que agora ela estava devolvendo ao Senhor só veio a nascer por causa da graça de Deus, poderosa e suficiente. Crer na suficiência de Deus fez toda a diferença na vida desta serva do Senhor. Ela ainda recebeu a bênção de ser mais de mais 5 filhos (I Sm. 2:21).

Nós precisamos também enxergar com clareza esta verdade sobre Deus. Ele é suficiente em minha vida? Então, necessariamente serei um despenseiro fiel e irei praticar com alegria a Teologia do Desprendimento. O que nos leva a vivermos mergulhados num egoísmo possessivo é justamente a falta de percepção sobre a suficiência do Senhor em nosso viver. O nosso Deus nos abençoa com preciosas dádivas e somente um coração que enxerga a Sua suficiência não vai colocar o coração nestas dádivas. A Bíblia nos assegura que onde estiver o nosso tesouro ali estará também o nosso coração (Mt. 6:21). Nosso reino não é deste mundo, e por isso devemos viver como despenseiros, administrando com sabedoria os recursos que Deus nos disponibiliza, sem esquecer que a suficiência do Senhor está acima de qualquer valor.

Reconhecer a suficiência de Deus foi essencial para levar o profeta Habacuque a orar da seguinte forma: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação.” (Hb. 3: 17-18)

Reconhecer a suficiência de Deus também foi essencial para levar o salmista Davi a escrever o salmo mais conhecido da história: “O SENHOR é o meu pastor; de nada terei falta.” (Sl. 23:1). O salmo completo é uma expressão da suficiência do Supremo Pastor.

Reconhecer a suficiência de Deus foi essencial para levar Martinho Lutero a escrever as palavras do seu hino Castelo Forte: “Se temos de perder / Os filhos, bens, mulher / Embora a vida vá / Por nós Jesus está / E nos dará seu reino”

Então, o que nos falta para enxergar com clareza esta verdade sobre Deus? O que está vedando os nossos olhos espirituais para não enxergarmos que Deus é suficiente? Talvez estamos amando mais as bênçãos do que o abençoador. Estamos no alegando muito nas coisas que temos recebido de Deus e não no próprio Deus. Isto é pecado porque desonra o Dono de todas as coisas, e nos faz ter a falsa impressão de que não precisamos depender de Deus. As palavras de Cristo são conclusivas: “Sem mim nada podeis fazer.” (Jo. 15:5)


Marcos Aurélio de Melo
Despenseiro Fiel - Parte I
Estudo Bíblico em I Samuel

segunda-feira, 15 de março de 2010

A culpa não é minha

Série de postagens
Argumentos Pecaminosos - Parte II
Texto-Bíblico: I Samuel 13:13


Saul utiliza outro argumento pecaminoso na sua resposta a Samuel. Agora ele afirma que Samuel falhou em não ter cumprido o prazo combinado. Na verdade, Saul tentou transferir a culpa do seu erro para o profeta. Afinal, o combinado foi esperar sete dias; sete dias se passaram, mas o profeta não chegou. Uma justificativa aparentemente lógica, mas que não se sustenta biblicamente.

A transferência de culpa do pecado é uma tentativa que remonta ao jardim do Éden. Adão culpou Eva; Eva culpou a serpente; ninguém assumiu a própria culpa. O vitimismo que tomou conta da mentalidade cristã está em confronto direto com o ensino bíblico. Alguns afirmam que a culpa de pecados cometidos hoje está diretamente relacionada com os erros de seus pais ou parentes mais próximos. A psicologia então é utilizada como uma bengala por muitos cristãos para aliviar suas consciências cauterizadas pelo pecado. E muitos vão mais além: a opinião universal da nossa geração é “não é sua culpa, então por que se condoer tanto?”.

Quantas justificativas você já apresentou para afirmar que suas falhas são resultado dos erros de outras pessoas? É muito fácil apresentar um culpado quando não estamos dispostos a assumir o peso de nossa desobediência. Apresentar um atestado de inocência e anunciar de quem é a verdadeira culpa é a saída de mestre para muitos cristãos.

Mas não é esta a atitude que agrada a Deus e trará refrigério para o coração. Precisamos nos humilhar diante do Senhor, reconhecer o nosso pecado, confessá-lo e abandoná-lo. O sacrifício que agrada a Deus é um espírito quebrantado ou um coração contrito (Sl. 51:17). Às vezes oramos pelo perdão de nossos pecados sem avaliar seriamente que reconhecemos de fato a nossa culpa.


Marcos Aurélio de Melo
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