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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

UM REMÉDIO EFICAZ

TEXTO: JOSUÉ 4: 21-24

Há algumas semanas atrás um programa de televisão exibiu uma série de reportagens sobre remédios fitoterápicos que estavam sob suspeita. O título da série era uma pergunta sobre a eficácia destes remédios: "É bom pra quê?". O objetivo da série foi discutir os usos e abusos dos tratamentos médicos feitos com produtos derivados de plantas que não passaram pela aprovação científica dos estudos clínicos. Uma senhora que estava com câncer de mama ouviu dizer que o chá da folha de graviola seria fundamental na luta contra a doença. Então, ela parou de tomar os remédios convencionais e suspendeu por conta própria a quimioterapia. Alguns testes realizados por uma universidade demonstraram que as substâncias presentes na folha de graviola aumentaram o crescimento de células malignas. Ou seja, células, em vez de ter o crescimento inibido, em vez de parar de multiplicar, se multiplicaram ainda mais. Este remédio fitoterápico não se mostrou eficaz contra o câncer, muito pelo contrário, tornou-se um veneno dentro do organismo daquela senhora da reportagem.
Há uma doença que nos acompanha desde o nascimento. Esta doença é o pecado da incredulidade. Mesmo após uma profissão de fé na pessoa e obra de Cristo, podemos incorrer neste pecado em nosso dia-a-dia. O escritor da carta aos Hebreus faz um alerta para crentes: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo” (Hb. 3:12)A incredulidade pode brotar no coração e encontrar terreno fértil se não for devidamente tratada. Por isso é fundamental sabermos qual o remédio correto a ser aplicado contra a incredulidade, para que não sejamos surpreendidos por falsas propostas.
Neste texto bíblico, a construção de um memorial de doze pedras retiradas do rio Jordão tinha um propósito muito claro. Este memorial seria uma lembrança constante dos grandes feitos do Senhor em favor do seu povo, e seria eficaz contra a incredulidade que poderia surgir nas futuras gerações. Ao olhar para aquele memorial os filhos de Israel deveriam relembrar que o Senhor realizou um grandioso milagre ao abrir passagem no meio do rio.

Proposição:
“Recordar os feitos do Senhor é um remédio eficaz contra a incredulidade”
Por que recordar os feitos do Senhor é um remédio eficaz contra a incredulidade?
De acordo com este texto bíblico, recordar os feitos do Senhor é um remédio eficaz contra a incredulidade por três razões:

1ª. Razão: Porque este remédio restabelece a nossa confiança no cuidado de Deus (vs. 22)

O texto nos fala que o povo de Israel atravessou em seco o rio Jordão. Era uma época de cheia do rio, “o Jordão transbordava sobre todas as suas ribanceiras” (Js. 3:15). Diz a Bíblia que o povo passou a pé enxuto, pois as águas que vinham de cima ficaram paradas. O povo de Israel já tinha visto o cuidado de Deus desde a saída do Egito: o maná que desceu do céu, a água que saiu da rocha, águas amargas que se tornaram doce, as codornizes, a rota no deserto, a coluna de nuvem durante o dia, a coluna de fogo durante a noite, a serpente de bronze que foi levantada no deserto, a grande vitória contra os amalequitas,
O cuidado de Deus deve ser visto nas pequenas coisas também. Deus se importa nos mínimos detalhes com cada filho dele. Somos alvo do Seu cuidado até mesmo quando estamos dormindo. Suas mãos protetoras nos auxiliam em meio às dificuldades inerentes da condição humana. Ao recordar os feitos do Senhor o crente restabelece sua confiança no cuidado amoroso de Deus, pois reconhece que sem o cuidado terno do Senhor não haveria esperança nenhuma. Os atos de Deus em nossa história sempre são recheados com a Sua graça, bondade e misericórdia.
Grande parte da ansiedade que sentimos é fruto de um coração egocêntrico que ainda não aprendeu a descansar no cuidado de Deus. O apóstolo Pedro nos ensina que devemos lançar sobre Deus toda a nossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de nós (I Pe. 5:7). E ansiedade nada mais é do que incredulidade pura disfarçada de um senso de preocupação legítima. Sendo assim, o remédio para combater esta incredulidade é recordar os feitos do Senhor ao longo de nossa vida e perceber o Seu cuidado sempre presente. O pastor de ovelhas Davi reconheceu que sua vida estava nas mãos o Supremo Pastor, e por isso ele devia depender a cada instante de Sua Maravilhosa graça.
Como está a sua percepção do cuidado de Deus em cada circunstância do seu viver? Você consegue se recordar dos feitos maravilhosos do Senhor e perceber o Seu cuidado como pastor de sua vida? Ele nos guarda como a menina dos olhos e nos esconde à sombra das Suas asas" (Salmos 17:8). Como é bom confiar nesta certeza do cuidado de Deus sobre nossas vidas em meio às lutas da nossa peregrinação.

2ª. Razão: Porque este remédio restabelece a nossa confiança na fidelidade de Deus (vs. 23)

O texto bíblico faz questão de trazer à memória um fato notório que aconteceu há 40 anos atrás na história do povo de Israel: “fez secar as águas do Jordão diante de vós, até que passásseis, como o SENHOR, vosso Deus, fez ao mar Vermelho.” Observem que a conjunção “como” estabelece uma comparação e transmite a ideia de: “da mesma forma”, “do mesmo modo”, “tal qual”, “de maneira idêntica”. Na época da travessia do Mar Vermelho o líder era Moisés, e agora diante do rio Jordão o líder é Josué. Mudou-se o líder, mas Deus não mudou. O povo devia entender que a fidelidade do Senhor em realizar os seus propósitos não estava atrelada a pessoas específicas. Deus foi fiel ao conduzir o povo no deserto sob a liderança de Moisés e continuaria sendo fiel na conquista de Canaã, sob a liderança de Josué. Estes grandes homens foram ricamente usados na liderança do povo, mas toda a glória deve ser colocada na conta de um Deus que sempre permaneceu fiel. Nenhuma das promessas divinas falhou e agora, um recomeço estava sendo oferecido a Israel. Uma geração incrédula morreu no deserto porque temeu entrar a terra prometida, mas Deus não mudou os seus planos por que Ele é fiel às suas promessas.
Recordar o que Deus tem feito em nossas vidas é um remédio eficaz que restabelece a nossa confiança da fidelidade de Deus. Olhar para o passado e perceber os memoriais que mostram o quão fiel Deus é, deve trazer refrigério e alegrar o nosso coração. Suas promessas não falham, pois Deus não é homem para mentir e nem filho do homem para se arrepender (Nm. 23:19).
A fidelidade do Senhor se estende em todos os momentos de nossa vida. Até mesmo em meio às lutas e provações, devemos confiar que a fidelidade de Deus está sobre nós: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (1 Co. 10:13). Deus já estabeleceu o limite até onde podemos suportar.
Você reconhece a fidelidade de Deus sobre a sua vida? Assim como o profeta Samuel, quando recordamos os feitos do Senhor precisamos erguer o nosso “Ebenézer”, que nos fala sobre a fidelidade divina em nosso favor. Samuel ergueu o seu Ebenézer em Mispa disse: “Até aqui nos ajudou o Senhor”. Ele contou com a fidelidade do Senhor em todos os momentos de seu ministério como profeta em Israel.

3ª. Razão: Porque este remédio restabelece a nossa confiança no poder de Deus (vs. 24)

O texto nos mostra que um dos objetivos do memorial de doze pedras era testemunhar a todos os povos da terra que “a mão do SENHOR é forte” (ou poderosa). O memorial de pedras foi erguido em Gilgal como prova do poder todo-suficiente do Deus de Israel. Sua mão poderosa foi quem conduziu aquele povo ao longo do deserto e o fez atravessar o rio Jordão até chegar a Canaã. As águas do rio Jordão pararam de escoar por causa do poder de Deus. A ideia de mão poderosa ou braço estendido é uma metáfora para ilustrar que ninguém pode deter o poder de Deus: Sua mão poderosa ultrapassa qualquer poder humano e o seu braço estendido é favorável aos Seus desígnios soberanos. “O teu braço é armado de poder, forte é a tua mão, e elevada, a tua destra” (Salmo 89:13).
Davi também reconheceu o grande poder que procede da mão do Senhor ao afirmar: “Riquezas e glória vêm de Ti, Tu dominas sobre tudo, na Tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força” (1 Crônicas 29:12). O profeta Jeremias levantou o seu clamor confiando exclusivamente no poder de Deus: “Ah! SENHOR Deus, eis que fizeste os céus e a terra com o teu grande poder e com o teu braço estendido; coisa alguma te é demasiadamente maravilhosa. Tiraste o teu povo de Israel da terra do Egito, com sinais e maravilhas, com mão poderosa e braço estendido e com grande espanto” (Jeremias 32: 17 e 21). A mão poderosa do Senhor é digna de total confiança, pois ninguém é superior ao nosso Deus.
Deus é poderoso! Seu poder supremo é infinito e atua segundo o Seu querer soberano. O poder e a soberania de Deus são duas faces da mesma moeda. Quando o crente aprende a descansar e confiar no poder de Deus, a vida se torna muito mais frutífera. E para evitar a incredulidade no poder de Deus o remédio eficaz é recordar os maravilhosos feitos do Senhor. Ao olhar para o passado e enxergar os memoriais que demonstram o grande poder de Deus em sua vida, o crente aprende a depositar sua fé em Deus somente. Um pastor puritano, Samuel Rutherford certa vez disse acertadamente: “Minha fé repousa segura na onipotência divina.”
Será se você consegue enxergar os memoriais que falam do poder de Deus em sua vida? Eu posso afirmar sem medo de errar que não são poucos. Deus continua poderoso, atuando com mão forte e braço estendido para cumprir os seus propósitos. Ele continua fazendo milagres em nossas vidas pela grandeza do Seu poder. Deus tem um modo especial de demonstrar seu poder na vida dos redimidos e não há como negar que Ele verdadeiramente age em favor do seu povo.

MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS NO LIVRO DE JOSUÉ

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Incredulidade na fidelidade divina

1 - Um coração incrédulo desconsidera a fidelidade divina (Jeremias 42: 10, 11 e 12)

Deus faz várias promessas nestes versículos (vos edificarei, não os destruirei; vos plantarei, não os arrancarei, não temais, Eu sou convosco, vos salvar, vos livrar, vos serei propício). Observem que Ele afirma Seu cuidado, Sua proteção e Sua bondade em favor do povo. Estas palavras deveriam soar como uma sinfonia de graça nos ouvidos do povo, mas foram recebidas com desprezo por causa da incredulidade. Mas apesar de todas as promessas divinas, ainda assim o povo continuou em oposição à vontade de Deus. A incredulidade no coração gerou dúvidas quanto à fidelidade do Senhor – se Ele de fato seria fiel em cumprir todas as Suas promessas. Apesar de Deus ter falado claramente por meio do seu profeta não houve consentimento em obedecer à vontade do Senhor.

A história da saída de Israel do Egito e todos os milagres que foram realizados provam indiscutivelmente a fidelidade de Deus. O maná, a coluna de fogo, a coluna de nuvem, água que brotou da rocha, as sandálias e as vestes não envelheceram (Dt. 29.5), sinais e maravilhas, tudo demonstra a grande fidelidade do Senhor. Mas o povo chegou à entrada de Canaã e depois de ouvir o relatório dos espias a incredulidade tomou conta de todos, porque um coração incrédulo desconsidera totalmente a fidelidade divina. Apenas Josué e Calebe olharam o desafio de conquistar Canaã da perspectiva correta: foi o Deus fiel quem prometeu que aquela terra seria do povo de Israel (Nm. 14:8 e 9). Disse o SENHOR a Moisés: “Até quando me provocará este povo e até quando não crerá em mim, apesar de todos os sinais que fiz no meio dele?” (Nm 14:11). “Todos os sinais” indicavam a fidelidade do Deus eterno.

Quando há incredulidade em nossos corações passamos a duvidar da fidelidade do Senhor. Nossa mente carnal passa a racionalizar e chega à conclusão infame de que Deus pode ser infiel em algum momento. Isto é fruto da auto-suficiência que ao final nos leva a criar forte oposição em cumprir a vontade do Senhor. Corações incrédulos são permeados de incertezas. Se tais incertezas não forem sanadas, em breve levantaremos questionamentos sobre a fidelidade do Senhor, quando a Sua Palavra nos mostra que Ele nunca deixará de ser fiel, nem por um segundo, pois Ele não pode negar a Si mesmo. Em inúmeros textos bíblicos, Deus é chamado fiel em virtude de Ele estar sempre atento à Sua aliança e cumprir todas as promessas que fez ao Seu povo. Seu caráter santo permeia todos os Seus divinos atributos, e por isso a fidelidade de Deus também é justa e santa. Se o Senhor fez promessas, Ele as cumprirá; do Seu jeito, no Seu tempo e para a Sua glória. DEUS NÃO É QUASE FIEL! ELE É TOTALMENTE FIEL!

Você tem dúvidas a respeito da fidelidade do Senhor? Suas orações são dirigidas a Deus confiando na Sua fidelidade (Sl. 69.13)? Se você não está confiante que a Vontade de Deus é a melhor para a sua vida, com certeza você está alimentando incredulidade no coração quanto à fidelidade divina. O Diabo é mestre em lançar dúvidas sobre o caráter fiel de Deus (foi assim desde o princípio), por isso não dê lugar ao Diabo em sua vida. Tenha certeza de que Deus age em fidelidade para com os seus filhos (Salmo 108:4), e nada nos será negado se for para o nosso bem e para a glória do Pai. Um antigo escritor acertou ao afirmar: “A Sua fidelidade imutável cumprirá certamente aquilo que a Sua graça infinita prometeu” (Mackintosh).

Avalie seriamente a sua vida para constatar se a dificuldade que está enfrentando em cumprir a Vontade de Deus não está relacionada com dúvidas no coração em relação à fidelidade do Senhor. É hora abandonar qualquer receio em relação ao nosso Deus, que sempre permanecerá fiel em todas as Suas preciosas promessas. A promessa feita por Jesus antes de subir aos céus deve encher os nossos corações de alegria e paz: “E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” (Mt. 28.20).

MARCOS AURÉLIO DE MELO
MENSAGEM BÍBLICA EM JEREMIAS 42

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Justiça de Deus

Ana foi muitas vezes ridicularizada por Penina por causa de sua infertilidade. Mas ela confiou na justiça soberana do Senhor como âncora de sua alma. Ele dependeu exclusivamente da justiça que vem do Senhor, e não agiu precipitadamente. Por isso ela agora tinha motivos de sobra para exaltar a sabedoria de Deus ao fazer justiça. Ana reconheceu que é o Senhor quem julga os atos dos homens (tradução NVI).

É fundamental que o crente tenha uma visão correta sobre a justiça de Deus. Deus nunca falha na aplicação da Sua justiça. Deus não erra quando pesa todos os feitos na balança e emite o Seu juízo. Deus não deixou o mundo desgovernado e aleatório – Ele fará justiça por tudo o que se passa aqui. Muitas vezes nos deixamos levar por pensamentos antibíblicos que tentam reduzir o controle soberano de Deus sobre tudo. Como bons despenseiros do Senhor, devemos entender que Deus não erra quando nos requisita ou nos concede algo. Ele é fiel e justo em todos os seus caminhos para todo o sempre.

Deus não escreve certo por linhas tortas. Poderíamos mudar este dito popular para se tornar coerente: Deus escreve certo e nós enxergamos torto. Nossa visão distorcida pelo pecado sempre desconfia do método de Deus e por isso não distinguimos claramente que a Sua Justiça é perfeita.
Quando perdemos algo de precioso sempre somos tentados a desconfiar da ação de Deus. É por isso que nós, como bons despenseiros e mordomos, precisamos afinar nosso diapasão com a sabedoria de Deus revelada na Sua Palavra. Davi declarou “Justo és Senhor, e retos os teus juízos.” (Sl. 119:137).

O nosso dever como bons despenseiros é administrar com eficácia o que Deus tem nos confiado. Para isso precisamos enxergar com clareza a justiça do Senhor que não falha. Seremos muito mais desprendidos com o que temos entendendo que Deus não erra nem um segundo sequer ao lidar conosco, mesmo que aparentemente estejamos perdendo algo.


Marcos Aurélio de Melo
Despenseiro Fiel - Parte III
Estudo Bíblico em I Samuel

A Singularidade de Deus

Esta afirmação de Ana serve para ilustrar o quanto Deus era singular na sua mente. Deus não pode ser comparado a ninguém porque Ele é o totalmente Outro. Não há nada que possa fazer frente ao Senhor. Ana faz questão de enfatizar estas palavras para não deixar nenhuma dúvida quanto à singularidade do Senhor Deus. Em Isaías 40:25 uma pergunta retórica está registrada: "A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual? -diz o Santo.” “Eu sou o SENHOR, e não há outro; além de mim não há Deus” (Is.45:5).

O despenseiro fiel, que vive a teologia do desprendimento, entende que o seu Deus é singular e que Ele merece todo o louvor. É interessante observar que o primeiro mandamento é o testemunho da exclusividade e singularidade de Deus, ou seja, revela o Senhor em Seu caráter, Seu ser e Sua ação. Êxodo 20:1-3: “Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim.”

Os atributos incomunicáveis de Deus que a Bíblia nos mostra, provam que Deus é singular. São atributos exclusivos de Deus, ou seja, não encontram analogia na criatura. Deus é Onisciente, Onipresente, Onipotente, Eterno, Soberano e Imutável. Ninguém pode carregar tais atributos porque são exclusivos de Deus. Em Isaías 64:4, somos novamente lembrados sobre a forma singular de Deus agir em nossas vidas: "Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera."

Na vida do despenseiro é necessário que esta verdade não seja esquecida de forma nenhuma. Faz uma enorme diferença ter uma mente convicta sobre a singularidade de Deus, que nos outorga livremente algumas bênçãos para que possamos administrá-las para a Sua glória. É Ele quem merece todo o louvor e somente Ele é digno de total adoração. Davi soube expressar esta verdade no Salmo 73:5. Somente alguém que entende a singularidade de Deus é livre para viver sem temores, como despenseiro fiel.

Nós corremos um sério risco de idolatrar o que Deus tem nos dado, e colocá-las como deuses particulares em nossa vida. Por isso somos lembrados constantemente sobre o perigo de colocar nossas esperanças nas coisas desta vida, porque sabemos que um dia tudo terá fim. Que possamos viver como bons despenseiros que reconhecem em todas as coisas que Deus é digno de toda a glória.


Marcos Aurélio de Melo
Despenseiro Fiel - Parte II
Estudo Bíblico em I Samuel

A Suficiência de Deus

Todas as afirmações de Ana no texto em I Samuel 2:1-3, tem sustentação somente em Deus. O Senhor era a fonte de todas as bênçãos de sua vida – ela reconheceu a suficiência de Deus em sua vida. O filho que agora ela estava devolvendo ao Senhor só veio a nascer por causa da graça de Deus, poderosa e suficiente. Crer na suficiência de Deus fez toda a diferença na vida desta serva do Senhor. Ela ainda recebeu a bênção de ser mais de mais 5 filhos (I Sm. 2:21).

Nós precisamos também enxergar com clareza esta verdade sobre Deus. Ele é suficiente em minha vida? Então, necessariamente serei um despenseiro fiel e irei praticar com alegria a Teologia do Desprendimento. O que nos leva a vivermos mergulhados num egoísmo possessivo é justamente a falta de percepção sobre a suficiência do Senhor em nosso viver. O nosso Deus nos abençoa com preciosas dádivas e somente um coração que enxerga a Sua suficiência não vai colocar o coração nestas dádivas. A Bíblia nos assegura que onde estiver o nosso tesouro ali estará também o nosso coração (Mt. 6:21). Nosso reino não é deste mundo, e por isso devemos viver como despenseiros, administrando com sabedoria os recursos que Deus nos disponibiliza, sem esquecer que a suficiência do Senhor está acima de qualquer valor.

Reconhecer a suficiência de Deus foi essencial para levar o profeta Habacuque a orar da seguinte forma: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação.” (Hb. 3: 17-18)

Reconhecer a suficiência de Deus também foi essencial para levar o salmista Davi a escrever o salmo mais conhecido da história: “O SENHOR é o meu pastor; de nada terei falta.” (Sl. 23:1). O salmo completo é uma expressão da suficiência do Supremo Pastor.

Reconhecer a suficiência de Deus foi essencial para levar Martinho Lutero a escrever as palavras do seu hino Castelo Forte: “Se temos de perder / Os filhos, bens, mulher / Embora a vida vá / Por nós Jesus está / E nos dará seu reino”

Então, o que nos falta para enxergar com clareza esta verdade sobre Deus? O que está vedando os nossos olhos espirituais para não enxergarmos que Deus é suficiente? Talvez estamos amando mais as bênçãos do que o abençoador. Estamos no alegando muito nas coisas que temos recebido de Deus e não no próprio Deus. Isto é pecado porque desonra o Dono de todas as coisas, e nos faz ter a falsa impressão de que não precisamos depender de Deus. As palavras de Cristo são conclusivas: “Sem mim nada podeis fazer.” (Jo. 15:5)


Marcos Aurélio de Melo
Despenseiro Fiel - Parte I
Estudo Bíblico em I Samuel

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Conclusões Insensatas

Os israelitas estavam diante da terra Prometida, em Cades-Barnéia, mas ficaram receosos de ir adiante, sem a mínima confiança na graça de Deus. Diante dos fatos relatados pelos espias, todos os filhos de Israel tiraram a seguinte conclusão: “Oxalá tivéssemos morrido na terra do Egito! Ou mesmo neste deserto!” Eles concluíram que a melhor saída seria a morte no Egito ou no deserto. Chegaram a afirmar que o propósito de Deus era entregar seus filhos como presas nas mãos dos habitantes (gigantes) daquela terra. Estas conclusões são totalmente absurdas diante de tantas demonstrações da graça do Senhor, inclusive em preservar os filhos (presas) dos israelitas (Nm. 14:29 e 31). No raciocínio do povo, Deus os trouxe até aquele lugar para dar fim a todos eles, sem a menor explicação. Mas Deus não estava brincando com o seu povo ao tirá-lo do Egito com o propósito de levá-lo a Canaã. Depois de tantas demonstrações da graça de Deus em conduzir o seu povo, a conclusão do povo é totalmente desprovida de confiança no Senhor.

Em Dt. 1:27, Moisés registrou o que eles disseram: “O Senhor nos odeia”, esta foi a conclusão a qual os israelitas chegaram. Esta conclusão é totalmente insensata e nos mostra o quadro desesperador que se instala no coração humano, quando a graça de Deus é desprezada. Naquele dia os israelitas provaram que o coração do homem é muito enganoso e pode ser facilmente levado por conclusões insensatas que entram em contradição com a Palavra de Deus. O povo devia apenas contar com a graça e fidelidade do SENHOR para avançar em direção à Canaã, mas diante da insatisfação com a graça de Deus foram enganados por conclusões sem o menor sentido.

Em situações de teste na nossa vida somos levados a ter algumas conclusões. A pergunta é: que tipo de conclusão tem sido? Como reagimos diante dos desafios diários que temos em nosso viver? Muitos escolhem o mesmo caminho, e são levados a tirar conclusões erradas sobre a situação que estão enfrentando. Alguns assumem a postura que estão decepcionados com Deus e que a vida não vale mais a pena. Esta nunca foi a vontade de Deus para os filhos que Ele redimiu com graça e glória.

O apóstolo Paulo, depois de descrever várias faces da graça salvadora de Deus, nos leva a seguinte conclusão: “Aquele que não poupou a seu próprio Filho, antes, por todos nós o entre porventura não nos dará graciosamente com ele todas as cousas? Porque eu estou bem certo, de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem cousas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 8:32,38,39).

Que conclusões belíssimas Paulo teve ao provar e ficar satisfeito com a graça de Deus derramada sobre a sua vida! Que possamos também acertar nas nossas conclusões.

Marcos Aurélio de Melo

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Descansando nas promessas de Deus

Com certeza você já deve saber que a Bíblia está repleta de promessas de Deus. Alguns estudiosos afirmam que existem aproximadamente 6.000 promessas nas Escrituras, o que nos dá um número de 17 promessas para cada dia do ano. Já existe no mercado a famosa Bíblia de Promessas, na qual todas as promessas de Deus são destacadas, para que o leitor desatento não deixe de perceber as ricas promessas do texto bíblico.

Mas conhecer as promessas de Deus na Sua Palavra é muito diferente de descansar nestas promessas. Regozijar-se com a abundância de tais promessas é válido, mas quando não descansamos e confiamos em cada uma delas estamos deixando de lado a verdadeira importância que possuem.

As promessas de Deus foram feitas a pessoas comuns, gente de carne e osso, como eu e você. Pense a respeito de Abraão, Isaque e Jacó, os patriarcas bíblicos. Eles foram muito abençoados por Deus e tiveram grandes perdas também, mas o que não podemos deixar de notar é que a confiança na promessa de Deus os guiava sempre. Erraram e pecaram contra Deus, como nós fazemos, mas destaco a singular esperança que tinham nas promessas do Senhor.

E o que dizer do apóstolo Paulo? Ele foi ferido, perseguido, considerado morto após um apedrejamento, mas não levantou a bandeira branca de rendição, porque enxergava bem as promessas de Deus. Ele não possuía a visão míope e distorcida diante das dificuldades que enfrentava, pois usava a lente de aumento mais poderosa que alguém poderia usar: a lente “Promessas de Deus”. Sabemos que ele não terminou seus dias vivendo glamourosamente, mas com certeza soube descansar nas riquezas eternas prometidas por Deus para aqueles que O amam.

E nós? O que podemos aprender destes exemplos bíblicos é bem notório: as promessas de Deus nos oferecem descanso em meio às lutas. O grande problema para nós é empreender esta verdade no contexto em que estamos inseridos, no nosso viver diário. Que fique bem claro o seguinte: confiar e descansar nas promessas de Deus não se traduz em passividade. Devemos ter em mente que Deus irá nos ajudar em cada circunstância, mas não fará o que é da nossa responsabilidade.

Que possamos aprender a descansar nas preciosas promessas de Deus e no Seu imenso poder. Ele nunca deixou de ser fiel e as Suas promessas são a prova evidente da Sua fidelidade, que se estende para além das nuvens.

"A fé verdadeira é aquela que ouve a Palavra de Deus e descansa em Suas promessas."(João Calvino)