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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Incoerência no viver

Muitos estudantes reclamam do vestibular, principalmente quando a prova inclui a escrita de uma redação a partir de um tema proposto. Os vestibulandos suam frio e ficam nervosos porque precisam apresentar em 25 ou 30 linhas o seu conhecimento sobre o tema definido. A redação é realmente uma pedra no sapato de muitas estudantes. Na construção de um texto, assim como na fala, mecanismos são utilizados para garantir a clareza. Um texto incoerente é o que carece de sentido ou o apresenta de forma contraditória. Muitas vezes essa incoerência é resultado do mau uso de elementos de coesão textual na estruturação das frases, o que traz prejuízos para o entendimento do texto. Pode também acarretar uma série de interpretações equivocadas sobre o assunto abordado.

Um texto incoerente, sem nexos ou com frases soltas, que se inicia com um tema e termina com outro, é difícil e muitas vezes até impossível de ser entendido completamente. É um grande desafio escrever com coerência. A verdade é que não é fácil escrever, pois esta arte exige uma enorme concentração para dar coerência ao texto, desde a introdução até a conclusão. Seguir uma linha de raciocínio sem perder a coerência é o objetivo de qualquer escritor conceituado.

Os fariseus na época de Jesus eram mestres na arte da incoerência. Em Mateus 23:24, está escrito que eles “coavam um mosquito e engoliam um camelo.” Estas palavras apontam a enorme incoerência em suas vidas. Em várias ocasiões nós observamos duras críticas de Jesus direcionadas aos fariseus, pois o viver deles era incoerente. Jesus utilizou uma palavra da época para defini-los: “hipócrita” é uma transcrição do vocábulo grego "hypochrités" – atores que representavam cenas teatrais utilizando máscaras de acordo com o papel numa peça teatral. É daí que o termo hipócrita designa alguém que oculta a realidade atrás de uma máscara de aparência. As contradições observadas por Jesus na vida dos fariseus evidenciavam uma prática religiosa desprovida de qualquer validade.

Era visível a incoerência costumeira destes homens, que se diziam ser religiosos ortodoxos, mas adotavam práticas reprováveis. Os fariseus se diziam observadores da lei, mas foram chamados por Jesus de sepulcros caiados: por fora eram belos e ornamentados, mas por dentro estavam apodrecendo aos poucos. Os fariseus não aplicavam algumas regras básicas para viver de modo coerente, e por isso foram duramente confrontados por Jesus. Jesus tece uma crítica bem elaborada a fim de tratar com seriedade os problemas que os fariseus não estavam dispostos a resolver. Saber tais princípios não é suficiente – é necessário aplicá-los integralmente para que nossas vidas sejam livres de contradições. O estudante que escreve sua redação no vestibular, buscando dar sentido e coerência ao texto, precisa aplicar alguns princípios de coesão, progressão e relações de sentido.

Um texto bastante ilustrativo é o texto em II Co. 3: 1-3, no qual Paulo afirma que os crentes são cartas, conhecidas e lidas por todos os homens. Será que nesta carta não existem incoerências que precisam ser corrigidas? Que princípios devemos aplicar para evitarmos tais incoerências? Ao escrever um texto devemos observar certas regras ou princípios para dar coesão e coerência textual, para que o resultado final seja satisfatório. Um texto coerente é de fácil entendimento e transmite a mensagem desejada. Valendo-me desta analogia, é importante aplicar alguns princípios basicos para evitarmos incoerências em nosso viver.

Somos muito observados pelos homens, mas é Deus quem conhece perfeitamente os nossos corações e sonda o mais profundo de nosso ser. Ele sabe quais são as incoerências em nosso viver e que todas devem ser urgentemente corrigidas. O nosso Deus perscruta o coração e enxerga nossos propósitos/intenções que moldam nossas ações. E, além disso, nós não conseguiremos manter comunhão genuína com Deus enquanto estas incoerências estiverem presentes. Deus requer dos seus filhos uma vida digna, coerente com o supremo chamado do Evangelho (Cl. 1:10). Devemos priorizar os princípios estabelecidos por Deus para um viver digno e coerente. Viver para a glória de Deus é um enorme desafio neste mundo tão incoerente, mas com certeza vale a pena.

MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS NO EVANGELHO DE MATEUS
OBS.: Continua nas próximas postagens

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Prova de maturidade espiritual

Uma frase me chamou a atenção no livro devocional Pão Diário que leio com certa frequência. A frase dizia assim: “A prova de maturidade espiritual não é a medida da sua “pureza”, mas a percepção da sua impureza. Essa consciência abre a porta para a graça de Deus.” Resolvi escrever sobre isto aqui no blog. Medite sobre estas verdades e extraia lições preciosas para a sua vida também.


É impressionante como somos tendenciosos a medir nossa performance espiritual, principalmente quando nos comparamos com outras pessoas. Temos um fariseu dentro de nós, essa é a verdade. Julgamos que somos muito melhores que outras pessoas porque não somos como os tais publicanos que encontramos diariamente em nossa caminhada cristã. O fato é que de cristã a nossa caminhada não tem nada, se estamos procedendo assim. Gostamos de apresentar um atestado de boa conduta diante dos outros, para alcançarmos os aplausos da glória humana que tanto inflam o ego. Esse tipo de comportamento foi duramente criticado por Jesus Cristo, que não alisava os fariseus para ser bem aceito por eles. Cristo disse que eles eram como túmulos caiados: bem ornamentados por fora, mas podres e miseráveis por dentro.

Precisamos enxergar a nossa própria penúria espiritual, e agir de modo que esta impureza latente em nós seja cada vez mais diminuída. Nada na vida cristã é tão prejudicial quanto esta atitude farisaica que busca convencer outras pessoas que já chegamos ao topo da escada espiritual. Esta atitude farisaica que busca medir a maturidade espiritual através de méritos e vantagens perante os demais homens é típica de alguém que não conhece ainda a profundidade da graça de Deus.

Vejamos o exemplo do apóstolo Paulo que escreveu a epístola aos Romanos. Nesta carta ele elucida bem a questão da depravação humana perante o Deus santo. Por isso, Deus teve que ser ao mesmo tempo o Justo e o Justificador do homem pecador. Paulo fala também sobre a luta que é necessário travar diariamente contra as ciladas do “EU”, o velho homem que teima em existir até a nossa morte. O apóstolo da graça não se justifica afirmando a sua boa conduta e nem age como um fariseu reformado. Não, de forma nenhuma! Ele nega a sua própria boa índole e seu grito parece ecoar nas páginas da epístola: “Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo desta morte?” (Rm. 7:24)

O desespero de Paulo é explicável tendo em vista que ele mesmo já tinha sido um fariseu declarado, que amava ostentar seus prêmios de pureza e retidão. A medalha de honra ao mérito que Paulo carregava no peito farisaico foi considerada uma grande derrota, quando ele enxergou a preciosidade de Cristo e Sua graça (Fl. 3:7-9). Esta deve ser a mesma atitude que nós devemos imitar. Deixemos de lado as medidas de maturidade espiritual que achamos mais convenientes (méritos) e vejamos a grande distância que ainda nos falta percorrer para sermos conformados à imagem de Cristo, que é o padrão perfeito.


Marcos Aurélio de Melo