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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Somente os pecadores

Você já parou para pensar por que Jesus falou que não veio chamar justos ao arrependimento? A ideia mais comum é que Deus vai salvar apenas aqueles que foram justos toda a sua vida. Mas será que esta ideia encontra apoio nas Escrituras?

Em Mateus 9:13, está registrado que Jesus Cristo disse assim: “...não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento.” Ao ler um trecho da Bíblia é sempre muito importante observar o contexto. Jesus dirigiu estas palavras aos religiosos daquela época que se achavam pessoas muito boas, que não cometiam pecados e que andavam rigorosamente na linha. Os fariseus eram muito orgulhosos de suas atitudes. Eles demonstravam atitudes de caridade, mas o coração estava sujo pelo pecado. Eles também agiam com a intenção de serem bem vistos por outros e nunca admitiam qualquer repreensão. Na verdade, eles se achavam justos demais e bons o suficiente.
Quando Jesus disse que não veio chamar pessoas “justas” ao arrependimento, ele estava se referindo às pessoas que se acham justas. Na verdade ninguém é justo diante de Deus, como está escrito em Romanos 3:10-12: “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.” Jesus não veio chamar quem se acha “justo” porque estas pessoas não estão interessadas em arrependimento. Jesus veio chamar pecadores ao arrependimento, porque só aqueles que reconhecem que são pecadores estão qualificados para receber a Graça de Deus em suas vidas. Os justos não precisam de arrependimento, porque já se “acham” bons demais diante de Deus. Os que não estão doentes não precisam de médico! Mas são os pecadores que reconhecem a sua doença chamada “pecado” e correm para o Médico dos médicos. Com estas palavras Jesus estava mostrando que o problema do coração humano é o pecado, mas os religiosos não querem reconhecer isto de forma alguma.
Agora eu gostaria de fazer algumas perguntas que são muito importantes. Você reconhece a grave doença que há no seu coração, chamada PECADO? Você entende que diante de Deus é um pecador e que precisa de Cristo como Médico de sua alma ou você acha que é justo e não precisa ser perdoado? A Bíblia afirma que o nosso diagnóstico não é nada bom, e por isso todos nós precisamos do médico. O problema é que muitas pessoas acham que não estão doentes e passam a vida toda pensando que não precisam de médico. A verdade bíblica é que Jesus não veio chamar as pessoas que se acham justas. Jesus veio chamar pecadores ao arrependimento, porque sem arrependimento não há salvação. E somente pela fé você deve reconhecer que está doente espiritualmente e confessar a Cristo como Salvador pessoal, entregando hoje mesmo a sua vida a Ele.
Não faça como os religiosos fariseus que se achavam justos e também não espere melhorar o seu comportamento para depois reconhecer que precisa de Cristo em sua vida. Reconheça que precisa do médico hoje mesmo e que somente Jesus vai ajudá-lo a ser uma nova criatura para a Glória de Deus.

MARCOS AURÉLIO DE MELO
MEDITAÇÃO BÍBLICA
PROGRAMA DE RÁDIO VIVA COM CRISTO

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Oposição à vontade de Deus

LEITURA BÍBLICA: JEREMIAS 42
Em época de política é comum ouvirmos na televisão que o candidato X é da oposição e que o candidato Y é da situação. Isto quer dizer que os candidatos que apóiam o governo atual são da situação, e os candidatos que manifestam discordância são geralmente da oposição. Dentro da democracia, a oposição fiscaliza os atos da situação, para que os exageros políticos não sejam cometidos. Mas é claro que no nosso país esta dicotomia não faz muito sentido, porque muitos candidatos que há poucos meses faziam parte da oposição, recentemente se tornaram situação para tentar garantir sua vaga no cenário político nacional.

No texto bíblico em epígrafe, percebemos que algumas pessoas procuraram o profeta Jeremias, desejosos de saber a vontade de Deus. Eles se mostraram humildes e manifestaram um profundo interesse em ouvir a direção divina para suas vidas (Jr. 42: 1-6). Eles verbalizaram uma profissão de fé bem elaborada e se mostraram dispostos a obedecer totalmente o que Deus lhes dissesse por meio do seu profeta.

Dez dias se passaram e então o profeta Jeremia trouxe a resposta tão esperada. Junto com a resposta veio também uma séria advertência divina, porque Deus já sabia de antemão que aquelas pessoas iriam se opor a Sua vontade. Aqueles homens tinham um coração incrédulo e por isso insistiram em seguir suas próprias ideias em detrimento da vontade de Deus (os capítulos 43 e 44 nos apresentam o desfecho da história). Estes homens eram “da oposição” e não se mostraram nem um pouco tendenciosos a mudar de opinião em relação ao que ouviram do profeta Jeremias. Em pouco tempo eles deixaram “a situação” (demonstrada pela pronta disposição em saber qual era a vontade de Deus) e se tornaram opositores do plano do Senhor.

Em Jeremias 43:2, fica bem clara a discordância destes homens que procuraram saber a vontade de Deus. Eles disseram abertamente ao profeta: “ – Tudo o que você falou é pura mentira!”, ou seja, discordaram abertamente da boa, perfeita e agradável vontade de Deus para as suas vidas. A reação deles demonstrou uma total oposição aos propósitos do Senhor e uma enorme incredulidade em seus corações. Então podemos afirmar, com base neste texto bíblico que a oposição à Vontade de Deus está relacionada com a incredulidade no coração.

A incredulidade não está restrita aos que não professam sua fé na pessoa e obra de Cristo Jesus. Infelizmente a incredulidade pode brotar no nosso coração, mesmo sendo cristão professos. A advertência do escritor aos hebreus deve nos servir de alerta também: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo” (Hebreus 3:12). Uma avalanche de incredulidade pode sufocar o nosso coração, e então teremos dificuldades para viver de modo agradável a Deus. A desconfiança ou a dúvida com relação à Palavra de Deus são fortes indicativos de incredulidade brotando no coração. Um coração incrédulo na verdade é uma afronta ao Senhor pois em Hebreus 11:6 lemos: “Sem fé é impossível agradar a Deus.” Não há possibilidade nenhuma de vivermos de modo agradável a Deus enquanto o nosso coração abriga incredulidade.

OBS.: Nas próximas postagens apresentarei três razões que provam que a oposição à vontade de Deus está diretamente relacionada com a incredulidade no coração. Acompanhem as atualizações deste Blog!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Não está tudo bem

Por que será que o homem sem Cristo insiste em afirmar que está tudo bem com sua vida?

Antes de começar a responder esta pergunta eu gostaria de explicar que o homem sem Cristo é todo aquele que rejeita Jesus como Senhor e Salvador de sua vida. O homem sem Cristo é aquele que prefere viver sem se submeter às Suas ordens e não se preocupa em seguir os princípios estabelecidos na Palavra de Deus.

A Bíblia afirma que a situação do homem sem Cristo não é nada boa. Muito pelo contrário. Em Efésios 2:1, Paulo escreve que todo aquele que está sem Cristo na sua vida, na verdade está morto em seus delitos e pecados. Ou seja, enquanto as pessoas afirmam que está tudo bem com sua vida, a Bíblia afirma que o homem está morto espiritualmente. O homem sem Cristo pode achar que está numa situação muito boa, mas não está. A morte espiritual afetou a todos os homens desde quando o pecado entrou no mundo por meio de Adão. Quem está morto espiritualmente busca satisfazer os seus desejos pecaminosos, e não se importa em viver mergulhado em práticas que desagradam a Deus.

Além disso, em Efésios 2:12, nós lemos que o homem sem Cristo também está completamente sem esperança. Isto significa que a vida de uma pessoa sem Cristo se concentra apenas no dia de hoje e não tem como enxergar além deste mundo. Suas esperanças são totalmente inúteis porque se baseiam em coisas passageiras. Então, nenhuma pessoa pode se orgulhar de que está tudo bem, se esta pessoa está sem Cristo. Na verdade quem está sem Cristo está morto espiritualmente e sem nenhuma esperança real.

Mas o homem sem Cristo insiste em afirmar que está tudo bem com sua vida por causa da rebeldia e o orgulho em seu próprio coração. A Bíblia nos mostra que a rebeldia já nasce no coração do homem, como conseqüência do pecado. O orgulho é uma grave afronta a Deus porque coloca o homem na posição de dono da verdade, quando está totalmente enganado. A rebeldia e o orgulho estão muito relacionados entre si. As pessoas pensam que podem viver muito bem sem ter que estar em submissão à autoridade de Cristo e sua Palavra.

Então, eu gostaria de concluir com mais um questionamento: você acha que sua vida vai muito bem, obrigado? Se acha que está tudo bem, você está sendo dominado pela rebeldia e orgulho do coração. Busque ainda hoje se humilhar diante do Senhor, para que você não viva sem Cristo. Triste coisa é viver sem Cristo e morrer sem Ele.


MARCOS AURELIO DE MELO
BREVE MEDITAÇÃO PARA O PROGRAMA DE RÁDIO

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Fé versus Obras

A Bíblia não entra em contradição. Mesmo que muitas pessoas afirmem que a Bíblia está cheia de erros, o estudo mais profundo nos mostra que não. Em Efésios 2: 8-9, lemos que a salvação é através da graça, dada ao homem por meio da fé no sacrifício remidor de Cristo na cruz do Calvário. Somente a fé no Senhor Jesus pode dar ao homem a salvação. Mas isto não significa que a partir de agora, o homem pode viver de qualquer maneira, sem se importar com os frutos que irá produzir. Em nenhuma parte da Bíblia nós observamos algum texto que defenda a vida sem compromisso. Não, este não é o ensino das Escrituras. A salvação é exclusivamente por meio da fé, mas a prova de que uma pessoa foi salva é a mudança de vida, um testemunho verdadeiro e cheio de frutos.

Na carta de Tiago, no capítulo 2, nós lemos que a fé sem obras é morta. Ou seja, qualquer pessoa que diz crer em Jesus como Salvador e Senhor, não pode viver da forma que acha melhor e sem se importar com um procedimento adequado. Ninguém será justificado diante de Deus por suas obras, isto é verdade. Mas a salvação mediante a genuína fé em Jesus Cristo com certeza traz novidade de vida para o homem. Seria uma enorme contradição o homem ser salvo e permanecer na vida de pecados. Isto não é o que a Bíblia nos assegura. Os frutos dignos de arrependimento serão visíveis em alguém que depositou sua fé na graça de Cristo, de modo completo e real. Em II Coríntios 5:17, lemos que os que estão em Cristo são novas criaturas, e as coisas antigas já passaram. Então, é necessário que alguém salvo por Cristo, também ande em novidade de vida.

Portanto, concluindo, é verdade que somente a graça de Deus é capaz de salvar o homem, mediante a fé no sacrifício de Jesus, mas esta fé não pode ser inoperante ou morta. Nenhuma pessoa será salva confiando em suas boas obras, na sua religião ou na sua tradição. Mas, por outro lado, ninguém pode afirmar que entendeu plenamente a salvação mediante a fé, se não houve nenhuma mudança efetiva no seu viver.

Então, meu caro ouvinte, de que lado você está? Você está confiando nas suas obras para viver eternamente com Cristo no céu? Ou você está vivendo relaxadamente, sem nenhum ajuste na vida, e continua dizendo que tem fé em Deus? Estas duas formas de entender a salvação são totalmente errôneas e antibíblicas.


MARCOS AURÉLIO DE MELO
BREVE REFLEXÃO
PROGRAMA DE RÁDIO VIVA COM CRISTO

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A segurança da fé

A segurança da fé é a convicção de pertencer a Cristo por meio da fé e desfrutar a salvação eterna. Aquele que tem essa segurança não somente crê na justiça de Cristo para a sua salvação, mas também sabe que crê e que é amado graciosamente por Deus.

Essa segurança é ampla em seu escopo. Inclui liberdade da culpa do pecado, alegria no relacionamento com o Deus trino e um senso de pertencer à família de Deus. James W. Alexander disse que a segurança “leva consigo a idéia de plenitude, tal como uma árvore carregada de frutos ou como as velas de um navio enchidas por ventos favoráveis”.

A segurança é conhecida por seus frutos, tais como a comunhão íntima com Deus, a obediência submissa, sede de Deus e anelo por glorificá-lo, cumprindo a Grande Comissão. A segurança prevê, em oração, o avivamento, mantendo-se submissa à esperança escatológica. Os crentes que têm essa segurança vêem o céu como o seu lar, anseiam pela segunda vinda de Cristo e pela trasladação à glória (2 Tm 4.6-8).

A segurança sempre foi um assunto vital. Sua importância é mais crucial agora porque vivemos em dias de segurança mínima. E, o que é pior, muitos não compreendem isso. O desejo de comunhão com Deus, o anseio pela glória de Deus e pelo céu e a intercessão em favor de avivamento parecem lânguidos. Isso acontece quando a ênfase da igreja na felicidade terrena sobrepuja a convicção de que ela está peregrinando neste mundo em direção a Deus e à glória.


JOEL R. BEEKE

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Pensamentos de Lutero sobre a fé

Fé não é a ilusão e o sonho humano que muitos acham que é. E quando vêem que não acontece uma melhoria de vida nem boas obras e ainda assim muito ouvem e falam da fé, caem no erro de dizer que a fé não é suficiente, que seria preciso fazer obras, se é que se quer ficar justo e salvo. A conseqüência disso é que, ao ouvirem o evangelho, agem precipitadamente e, por esforço próprio, criam um pensamento no coração, que diz: “Eu creio”. Isso eles então consideram uma fé como deve ser. Mas assim como isso não passa de inspiração e pensamento humano, que jamais atinge o fundo do coração, também nada ocasiona, tampouco se seque uma melhoria.

Fé verdadeira, entretanto, é uma obra divina em nós, que nos modifica e faz renascer de Deus (Jo 1.13), além de matar o velho Adão, transformando-nos em pessoas bem diferentes de coração, sentimento, mentalidade e todas as forças, trazendo consigo o Espírito Santo. Ah, há algo muito vivo, atuante, efetivo e poderoso na fé, a ponto de não ser possível que ela cesse de praticar o bem. Ela também não pergunta se há boas obras a fazer, e sim, antes que surja a pergunta, ela já as realizou e sempre está a realizar. Quem, porém, não realiza tais obras, é pessoa sem fé, que anda às apalpadelas à procura da fé e de boas obras e nem sabe o que é fé nem boas obras, e ainda fica falando muito e conversando fiado sobre as mesmas.

“Fé” é uma confiança muito viva, inabalável na graça de Deus, tão certa de si que ela não se importaria de morrer mil vezes. E semelhante confiança e reconhecimento de graça divina dá alegria, persistência e agrado ante Deus e todas as criaturas, o que é ocasionado pelo Espírito da fé. Por isso, sem coação, ela se dispõe voluntariamente a fazer o bem a todo mundo, a servir a todo mundo, sofrer tudo, por amor e em louvor a Deus que lhe demonstrou tamanha graça, de sorte que é impossível separar as obras da fé, tão impossível como separar a luz do fogo. Tome cautela, portanto, contra as suas próprias idéias falsas e contra conversadores inúteis, que querem ser sabidos ao julgar sobre a fé e as boas obras e, na verdade, são os maiores ignorantes. Peço a Deus que crie fé em você, senão há de ficar eternamente sem fé.

Martinho Lutero
Prefácio à Epístola de Paulo aos Romanos

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O arrependimento verdadeiro

O quebrantamento santo que faz um homem lamentar o seu pecado surge de uma operação divina. O homem caído não pode renovar seu próprio coração. O diamante pode mudar seu próprio estado para tornar-se maleável, ou o granito amolecer a si mesmo, transformando-se em argila? Somente aquele que estendeu os céus e lançou os fundamentos da terra pode formar e reformar o espírito do homem. O poder de fazer que da rocha de nossa natureza fluam rios de arrependimento não está na própria rocha. O poder jaz no onipotente Espírito de Deus. Quando Deus lida com a mente do homem, por meio de suas operações secretas e misteriosas, Ele a enche com uma nova vida, percepção e emoção. “Deus me fez desmaiar o coração” (Jó 23.16), disse Jó. E, no melhor sentido, isso é verdade. O Espírito Santo nos torna maleáveis e nos tornamos receptíveis às suas impressões sagradas. Agora, quero abordar o âmago e a essência de nosso assunto.

O enternecimento do coração e o lamento pelo pecado são produzidos por olharmos, pela fé, para o Filho de Deus traspassado. A verdadeira tristeza pelo pecado não acontece sem o Espírito de Deus. Mas o Espírito de Deus não realiza essa tristeza sem levar-nos a olhar para Jesus crucificado. Não há verdadeiro lamento pelo pecado enquanto não vemos a Cristo. Ó alma, quando você chega a contemplar Aquele para quem todos deveriam olhar, Aquele que foi traspassado, então seus olhos começam a lamentar aquilo pelo que todos deveriam chorar — o pecado que imolou o seu Salvador!

Não há arrependimento salvífico sem a contemplação da cruz. O arrependimento diante da cruz é o único arrependimento aceitável. E a essência desse arrependimento é olhar para Aquele que foi moído pelos pecados. Observe isto: quando o Espírito Santo realmente opera, Ele leva a alma a olhar para Cristo. Nunca uma pessoa recebeu o Espírito de Deus para a salvação, sem que tenha recebido dEle o olhar para Cristo e o lamentar por seus pecados.


Autor: Charles Haddon Spurgeon

Extraído do sermão matinal de domingo 18 de setembro de 1887, no Tabernáculo Metropolitano de Londres.


domingo, 7 de junho de 2009

A corrida cristã

Todos nós somos convocados a participar de uma corrida. Não é uma competição, mas é um chamado do próprio Deus a partir do momento em que nascemos de novo através de Cristo Jesus. Recentemente tive a oportunidade de pregar sobre este tema, na Escola Bíblica Dominical da minha igreja. Então, estou compartilhando com todos estas lições bíblicas extraídas do texto que se encontra em Hebreus 12:1-3.


PARA VISUALIZAR EM TELA CHEIA, CLIQUE NO BOTÃO À DIREITA TOGGLE FULL SCREEN.

A Corrida Cristã marckmel Um breve estudo devocional sobre a vida cristã tendo como ponto de partida o texto em Hebreus 12:1-3.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Crer é também pensar

De fato é verdade que a mente do homem está afetada pelas devastadoras conseqüências da Queda. A “depravação total” do homem significa que cada parte constituinte da sua humanidade foi, até certo ponto, corrompida, inclusive sua mente, a qual a Escritura descreve como “obscurecida”. Com efeito, quanto mais os homens reprimem a verdade de Deus que reconhecem, mais “fúteis”, ou mesmo “insensatos” se tornam no seu pensar. Podem declarar-se sábios, mas são tolos. A mente deles é a “mente da carne”, a mentalidade de uma criatura decaída, e é basicamente hostil a Deus e à sua lei.

Tudo isso é verdade. Mas o fato de que a mente do homem é decaída não nos pode servir de desculpa para batermos em retirada, passando do pensamento à emoção, já que o lado emocional da natureza humana está igualmente decaído. De fato, o pecado traz mais efeitos perigosos à nossa faculdade de sentir do que à nossa faculdade de pensar, porque nossas opiniões são mais facilmente controladas e reguladas pela verdade revelada do que nossas experiências.

Assim, pois, apesar do estado decaído da mente humana, ainda ao homem lhe é ordenado pensar e usar sua mente, na condição de criatura humana que é. Deus convida o Israel rebelde: “Vinde, pois , e arrazoemos, diz o Senhor”. E Jesus acusou as multidões descrentes, inclusive os fariseus e saduceus, por poderem interpretar as condições meteorológicas e preverem o tempo, mas não poderem interpretar “os sinais dos tempos” nem preverem o julgamento de Deus. “Por que perguntou-lhes. Em outras palavras: por que não usais os vossos cérebros? Por que não aplicais ao campo moral e espiritual o sentido comum que empregais no físico?”

A sociedade secular, por esse mundo a fora, concorda com o ensino da Escritura acerca da racionalidade básica do homem, constituída em sua criação e não de todo destruída na Queda. Os propagandistas podem dirigir os seus apelos promocionais aos nossos apetites mais baixos, mas eles não têm nenhuma dúvida de que temos a capacidade de distinguir entre produtos: de fato, muitas vezes até mesmo chegam a lisonjear o consumidor que discrimina. Quando sai a primeira notícia de um crime, geralmente ela vem com a frase “o motivo ainda não foi descoberto”. Pressupõe-se, como se vê , que mesmo a ação criminosa tem uma motivação, seja ela qual for. E quando nossa conduta é mais emocional do que racional, ainda assim insistimos em “racionalizá-la”. O próprio processo chamado “racionalização” é significativo. Indica que o homem de tal forma se constituiu num ser racional que quando não tem razões para a sua conduta ele tem que inventar alguma para se satisfazer.

Texto extraído do livro: Crer é também pensar
Autor: John Stott

quarta-feira, 25 de março de 2009

A fé e a justificação na luta contra o pecado

"A fé que salva reconhece a Jesus como Salvador e Senhor e faz dele o maior tesouro da vida. Essa fé lutará contra qualquer coisa que se coloque entre o indivíduo salvo e Cristo. Sua marca característica não é a perfeição, nem a ausência de pecados. Quem enxerga na cruz uma licença para continuar pecando não possui a fé que salva. A marca da fé é a luta contra o pecado.

A justificação se relaciona estreitamente com a obra de Deus pregando nossos pecados na cruz. Justificação é o ato pelo qual o Senhor nos declara não apenas perdoados por causa da obra de Cristo, mas também justos mediante ela. Cristo levou nosso castigo e realiza nossa retidão. Quando o recebemos como Salvador e Senhor, todo o castigo que ele sofreu, e toda sua retidão, são computados como nossos. E essa justificação vence o pecado."

JOHN PIPER

quinta-feira, 5 de março de 2009

O que é fé, por A. W. Tozer

Inicialmente, talvez seja útil saber primeiro o que a fé não é, a fim de podermos entender aquilo que ela é. Não é acreditar numa declaração que sabemos ser verdadeira. A mente humana foi feita de tal forma que acredita necessariamente quando a evidencia a ela apresentada é con­vincente. Não pode agir de outro modo. Quando a evidência não conse­gue convencer, a fé é impossível. Nenhuma ameaça ou castigo consegue obrigar a mente a crer quando existe evidência clara em contrário.

A fé baseada na razão é um tipo de fé, mas não se trata do ca­ráter da fé bíblica, pois segue infalivelmente a evidência e não pos­sui uma natureza moral ou espiritual. A ausência de fé baseada na razão também não pode servir para condenar ninguém, pois a evi­dência e não o indivíduo é quem decide o veredicto. Enviar um ho­mem para o inferno pelo único fato de seguir a evidência até a sua conclusão adequada seria demasiada injustiça; justificar um pecador dizendo que ele tomou suas decisões segundo fatos claros seria fazer da salvação o resultado das operações de uma lei comum da mente, aplicável tanto a Judas como a Paulo. Seria tirar a salvação da es­fera da vontade e colocá-la num plano mental, onde, segundo as Es­crituras, ela certamente não se enquadra.

A verdadeira fé se apóia no caráter de Deus e não pede outras provas além das perfeições morais d'Aquele que não pode mentir. Basta que Deus tenha afirmado, e se a declaração for contrária a cada um dos cinco sentidos e a todas as conclusões da lógica, o crente mesmo assim continua crendo. "Seja Deus verdadeiro e mentiroso todo homem" (Rm 3:4), é a linguagem da fé real. O céu aprova tal tipo de fé porque ela se eleva sobre as simples provas e se apóia no seio de Deus.

A fé, como apresentada na Bíblia, é confiança em Deus e em seu Filho Jesus Cristo. É a resposta da alma ao caráter divino, como revelado nas Escrituras, e mesmo esta resposta é impossível sem a operação do Espírito Santo. A fé é um dom de Deus à alma arre­pendida e nada tem a ver com os sentidos ou à informação por eles prestada. A fé é um milagre; é a capacidade dada por Deus para que confiemos em seu Filho, e qualquer coisa que não resulte em ação segundo a vontade de Deus não é fé, mas algo inferior a ela.

A fé e a moral são dois lados da mesma moeda. A moral é de fato a própria essência da fé. Qualquer fé em Cristo como Salvador pessoal que não submeta a vida da pessoa à obediência completa a Cristo é insuficiente e irá trair sua vítima no final.

O homem que crê obedecerá; a falha em obedecer é uma prova convincente de que não existe verdadeira fé. A fim de tentar o im­possível Deus deve conceder fé, caso contrário ela não existirá, e Ele só concede fé ao coração obediente. Há obediência quando há arre­pendimento; pois este não é apenas tristeza pelos erros e pecados do passado, mas também uma decisão de começar a fazer desde agora a vontade de Deus como revelada por Ele a nós.

Aiden Wilson Tozer