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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

DECADÊNCIA ESPIRITUAL

TEXTO BÍBLICO: II SAMUEL 15: 1-23

“A crise financeira um dia chega” – é o que dizem os especialistas em economia. Em 2008, quando a crise econômica afetou os EUA, muitos analistas de mercado disseram que os efeitos seriam catastróficos em muitos países. No Brasil, a crise financeira não foi apenas uma “marolinha”. É necessário que os economistas acompanhem constantemente os dados da bolsa de valores e a cotação do dólar para averiguar possíveis sinais de declínio da economia.
No texto bíblico em epígrafe, a crise não era financeira, pois o poderio econômico do reino de Davi era fantástico. Esta crise tinha um caráter político e familiar. Absalão, o terceiro filho de Davi, moveu uma conspiração para tomar o trono do seu pai. Os sinais de decadência espiritual na vida de Davi se mostraram evidentes diante da crise que se instalou. Vamos analisar alguns sinais que demonstram o declínio espiritual do rei Davi, e checar se alguns destes sinais se mostram também em nosso viver.

Em meio à crise, Davi demonstrou alguns sinais de decadência espiritual

Com base neste texto, que sinais demonstram decadência espiritual na vida de Davi em meio à crise?

1º sinal) O TEMOR DIANTE DA PRESSÃO HUMANA (Vv. 13,14)
Davi se mostrou temeroso e inseguro diante do golpe de Estado que sofreu do próprio filho Absalão. O rei Davi, que já tinha vencido inúmeras batalhas, agora mostra o seu lado “covarde” diante da multidão que vinha contra Jerusalém. Uma leitura superficial do texto aponta para certa prudência do rei que não desejava sangue derramado dentro da cidade. Mas não é isso que prevalece no texto. Davi está totalmente vencido pelo medo. O rei que guerreou várias vezes contra os filisteus e liderou pelejas memoráveis passou a “pensar com as pernas”, porque se deixou atemorizar pela pressão dos opositores.
A situação do apóstolo Paulo serve como uma ilustração adequada. Na igreja de Corinto ele sofreu forte oposição e foi muitas vezes desprezado. Se Paulo tivesse escolhido a “neutralidade” diante das pressões que sofreu, ele não teria confrontado o pecado como fez em I Cor. 5: 1-5. Ele exortou aqueles irmãos no poder do Espírito e sem nenhuma vanglória pessoal. Diante de muitos que questionaram sua autoridade apostólica, o apóstolo Paulo mostrou-se firme na segunda carta que escreveu aos crentes de Corinto (II Cor. 10 e 11). Também podemos observar outros exemplos bíblicos que são verdadeiras demonstrações de coragem, como Daniel e Estevão.
O crente não deve ser governado pelo temor dos homens (Pv. 29:25). Nossas atitudes devem ser movidas pela coragem que as promessas bíblicas nos outorgam. Os homens muitas vezes exercem papel determinante em nosso comportamento porque ficamos fragilizados diante da pressão sofrida. As pessoas podem nos expor e humilhar, ou podem nos rejeitar, ridicularizar ou desprezar. Mas nenhuma delas pode nos fazer nenhum mal que esteja fora do propósito de Deus, e que seja para o nosso fortalecimento espiritual. O salmista Davi escreveu grandes declarações de confiança em Deus, por exemplo: "Em me vindo o temor, hei de confiar em ti. Em Deus, cuja palavra eu exalto, neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei. Que me pode fazer um mortal?" (Sl. 56: 4-5).
Muitos cristãos estão em completa decadência porque ainda não se valeram dos recursos da Palavra de Deus para vencer a pressão humana. Alguns jovens crentes se deixam levar pela “opinião da turma”, e se envolvem em atividades reprováveis pela Palavra de Deus, somente para não sofrer nenhum tipo de rejeição. Ademais, novas leis estão sendo discutidas no Congresso Nacional. Qual a será a nossa reação diante da possível legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo? Os legisladores querem colocar uma mordaça para que não haja nenhum tipo de discriminação quanto à opção sexual. Mas não podemos ficar calados diante de tal afronta ao Evangelho. “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).

2º sinal) A INCERTEZA DIANTE DA CONDIÇÃO FUTURA (Vv. 19,20)
Davi demonstra que estava inseguro quanto ao seu destino. Seu lema naquele momento era: “Não me siga: estou perdido!” Ele não se mostrou resoluto porque seu coração passou a duvidar da direção que Deus tinha para sua vida a partir dali.
Nenhum de nós pode conhecer o que o futuro nos reserva. Mas é imprescindível que o crente tenha plena convicção de que seu futuro está sob o controle soberano de Deus. “Não conhecemos o que o futuro nos reserva, mas conhecemos quem dirige o futuro” (Willis J. Ray). Não há nada mais angustiante do que viver temeroso quanto ao dia de amanhã, mas para o cristão a confiança na provisão de Deus assegura paz perfeita e completa. Momentos de dúvida podem surgir, mas não devem dominar o crente a ponto de desviar o seu olhar de Cristo (Hb 12:2 – “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus”).
É necessário tomar decisões e realizar planejamento, mas é fundamental depositar esperança no Soberano Senhor. O crente que vive angustiado quanto ao dia de amanhã com certeza está em decadência espiritual. Esta angústia indica que a sua esperança não está firmada em Deus. Além disso, tal incerteza vai gerar a ansiedade que foi duramente reprovada por Jesus em Mateus 6: 25-34. É melhor confiar na vontade soberana de Deus e descansar em Seu poder. A letra de um hino antigo expressa de forma singular qual deve ser a expectavia do cristão:

As tuas mãos dirigem meu destino
Acasos para mim não haverá
O grande Pai vigia o meu caminho
E sem motivo não me afligirá
(HINO C.C. 350 – Direção Divina)

A vida sem metas é um verdadeiro caos. Muitos crentes vivem sem expectativa nenhuma e isto demonstra uma profunda decadência espiritual. Devemos agir como o apóstolo Paulo: “mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fl. 3: 13-14). A essência do viver cristão se baseia nas promessas de Deus que são orientadas para o futuro.

3º sinal) A APATIA DIANTE DO PAPEL DE LIDERANÇA (Vv. 15)
O povo até o respeitava como líder, mas Davi estava tão apático diante daquela circunstância que não exerceu como deveria seu papel de liderança. Suas energias foram minadas pela insegurança em seu coração e por isso não conseguiu liderar efetivamente. Absalão já estava aprontando sua conspiração no mínimo há quatro anos (2 Sm. 15: 7), porém Davi não deu a devida importância aos fatos. Sua liderança como pai e como rei não foi competente e eficaz e por causa disso o jovem rebelde Absalão foi ganhando terreno dentro do reino.
Aqui surge um alerta para os homens cristãos. Deus deu a homem o papel de líder dentro do lar (1 Co 11:3). Mas esta liderança não se traduz em autoritarismo ou em um regime de ditadura. O homem deve exercer esta liderança em relação à esposa com o mesmo amor que Cristo demonstrou para com a igreja. O princípio para que o homem seja o cabeça da mulher é endossado pela ilustração permanente da ordem da criação (primeiro o homem; depois a mulher). Sendo assim, os homens crentes que não exercem seu papel de liderança efetiva dentro de seus lares estão em decadência espiritual. Somos responsáveis diante de Deus pelas pessoas que ele nos confiou e Deus vai cobrar de cada um de nós se exercemos fielmente a liderança em nossas famílias. Note que um dos requisitos para o desempenho de liderança na igreja é “governar bem a própria casa”, de acordo com 2Tm. 3:4-5.
Outro rei famoso que não assumiu o seu papel de líder foi Acabe. Sua mulher Jezabel tomou as rédeas e deu as cartas no reino. Acabe se tornou um fantoche nas mãos de sua esposa e o seu reinado foi um dos mais ímpios que se tem notícia. Todas as vezes que o homem não exerce efetivamente o seu papel de liderança, os prejuízos são contabilizados. A bênção de Deus não repousa sobre um lar onde os papéis estão invertidos ou não estão sendo exercidos devidamente. Este ambiente é propício para a rebeldia dos filhos que não reconhecem a autoridade dos pais. Por isso é de fundamental importância que haja disciplina desde a infância para que os filhos aprendam o valor da liderança paterna. Foi o que não aconteceu na vida familiar do sacerdote Eli. Seus filhos (Ofni e Finéias) faziam o que era mau aos olhos do Senhor, mas a fraca repreensão de Eli não surtiu nenhum efeito (1 Sm. 2:22-25; 29). A decadência espiritual sobreveio sobre a casa do sacerdote Eli, e ao final de tudo seus filhos foram mortos pelos filisteus, como consequência de uma liderança mal empreendida.


MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS NO LIVRO DE II SAMUEL

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Convicções Marcantes

Texto bíblico: 2 Samuel 12: 15-25

No famoso livro de John Bunyan, O Peregrino, observamos a jornada de Cristão desde a sua conversão a Cristo até chegar à cidade celestial. Em vários momentos da narrativa, podemos notar que a convicção sobre as verdades da Palavra de Deus foram fundamentais na jornada do peregrino. Na ocasião em que ele teve que atravessar o Vale da Sombra da Morte, vários outros homens desistiram afirmando que a travessia era perigosa demais, por isso aconselharam Cristão a não prosseguir. Mas a convicção deste peregrino era firmada na Palavra de Deus: “Pelo que dizeis, cada vez me persuado mais de que é este caminho que devo seguir, para chegar ao porto desejado” (Salmos 44:18).
Em meio às lutas e dores alguém pode desistir facilmente da caminhada com Deus porque não cultivou convicções fortes o suficiente para manter-se de pé. O cristão não irá crescer e amadurecer se não tiver convicções espirituais firmes. Não existem atalhos na vida cristã que nos levem à maturidade espiritual. Observando a história descrita neste texto bíblico e percebendo as atitudes de Davi ao passar por aquela disciplina do Senhor, passei a refletir sobre a importância de termos convicções sólidas. Nossas convicções devem se transformar em atitudes que honram e glorificam a Deus, como fez Davi neste texto. Diante dos fatos relatados nos versículos lidos, eu gostaria de afirmar o seguinte:

O comportamento de Davi diante da disciplina do Senhor evidencia algumas convicções marcantes

Que convicções marcantes são evidenciadas no comportamento de Davi diante da disciplina do Senhor? Creio que estas convicções também devem fazer parte do nosso viver. Sem estas convicções arraigadas no coração não conseguiremos alcançar maturidade espiritual ao passarmos por um processo disciplinar. Convicções devem ser transformadas em ações. E uma vez que nossas atitudes se originam nas convicções internas, estas devem estar baseadas na verdade da Palavra de Deus para sermos agradáveis a Ele. Na vida do crente, estas convicções precisam ser evidenciadas mesmo em meio à disciplina do Senhor. Veremos neste estudo bíblico três convicções que nós também devemos evidenciar com o nosso comportamento.

1ª convicção: Deus continua sendo misericordioso (vs. 22)
Apesar de estar no início de um processo de disciplina que ainda traria trágicas consequências, Davi reconhece que Deus ainda usa de misericórdia. As orações em favor da criança foram dirigidas a Deus porque Davi confiava na compaixão do Senhor. Ele tinha esta convicção bem arraigada em seu coração – a convicção de que as misericórdias do Senhor são imensuráveis. O profeta Natã deixou bem claro que a criança iria morrer (vs. 14), mas Davi não negligenciou a oportunidade de clamar pela misericórdia do Senhor. Ele se humilhou, jejuou e se derramou diante do Senhor porque sabia que Deus é um Deus clemente. A palavra “compadecer” utilizada no versículo 22 denota o “favor gracioso e misericordioso” do Senhor, no qual Davi confiou profundamente.
Em outra ocasião, quando Davi pecou ao ter feito um recenseamento em Israel, a punição do Senhor foi colocada em três alternativas. Davi poderia escolher entre sete anos de fome, três meses de perseguição dos inimigos de Israel ou três dias de peste. As palavras de Davi em II Samuel 24:14 mostram que ele confiava na misericórdia do Senhor: “Estou em grande angústia; porém caiamos nas mãos do Senhor, porque muitas são as suas misericórdias; mas nas mãos dos homens não caia eu.” Naqueles três dias morreram setenta mil homens pela peste, mas Davi mostrou-se dependente da grande compaixão de Deus.
O cativeiro babilônico foi uma dura disciplina do Senhor sobre o seu povo. A calamidade se instaurou em Judá conforme a advertência dos profetas. Jeremias escreveu vários lamentos nos quais destaca a grande desolação sofrida pelo povo. Porém, diante de toda aquela disciplina ele não podia deixar de confiar na misericórdia do Senhor, por isso ele escreveu: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não tem fim, renovam-se cada manhã” (Lm. 3: 22). Mais adiante o profeta deixa claro que “o Senhor não rejeitará para sempre; pois ainda que entristeça alguém usará de compaixão, segundo a grandeza das suas misericórdias” (Lm. 3: 31 e 32).
Quando nós estamos sob a vara da disciplina do Senhor nossa primeira reação é achar que Deus mudou. Pensamos que Ele retirou de nós a sua misericórdia amorosa e tiramos conclusões baseadas unicamente na dor que estamos enfrentando. A disciplina que vem de Deus nos leva a duvidar de sua misericórdia e bondade sobre as nossas vidas. Começamos a racionalizar e concluímos que Deus não é mais compassivo por causa de tamanha angústia em nosso coração. Este é pensamento da grande maioria dos crentes que estão sendo disciplinados.
Como você avalia a sua convicção a respeito da misericórdia de Deus quando está sob disciplina? Como crentes, devemos ter convicções bem fundamentadas quanto à misericórdia do Senhor, para que não sejamos enganados em meio à dor. Precisamos confiar plenamente que Deus não retirou de nós a sua compaixão. Se Ele assim o fizesse estaríamos totalmente perdidos e destruídos. Mas esta convicção não aparece de repente na vida do cristão. É necessário aprender a enxergar a misericórdia do Senhor em cada circunstância da vida, seja ela boa ou ruim. Já fomos alvos da misericórdia do Senhor ao nos resgatar por meio de Cristo Jesus e nunca é demais lembrar que Deus continuará sendo misericordioso mesmo quanto tiver que disciplinar os seus filhos.

2ª convicção: Deus continua sendo digno de adoração (vs. 20)
Davi nos mostra com sua atitude que Deus continuava merecedor de total adoração, por isso ele se levantou, lavou-se, ungiu-se, mudou de roupa e entrou na casa do Senhor. Ele estava disposto a render adoração a Deus mesmo enfrentando a dor da disciplina. Todos que estavam ao redor ficaram admirados com esta atitude do Rei e o reprovaram. Porém Davi sabia que o tempo de clamar pelo filho tinha chegado ao fim e que a morte da criança não era motivo para deixar de adorar ao Senhor. Em meio à dor e ao luto ele ergue-se e adora ao Senhor, porque a sua convicção sobre a excelência do Senhor Deus não diminuiu por conta da dura disciplina. Ele foi ao lugar de culto público apresentar sua adoração ao Senhor com o coração contrito e desejoso de admirar a beleza do Senhor. A palavra que foi traduzida como “adorou” reflete uma profunda reverência e temor por parte do rei Davi: é a ação de prostrar-se ante a majestade do Senhor. Ele estava plenamente convicto da importância de engrandecer a Deus.
O povo que habitava em Jerusalém na época do profeta Sofonias recusava-se fortemente a aproximar-se de Deus em adoração genuína. O profeta alertou aquele povo que estava passando pela dura disciplina: “Ai da cidade opressora, da rebelde e manchada! Não atende a ninguém, não aceita disciplina, não confia no Senhor, nem se aproxima do seu Deus” (Sf. 3:1-2). Esta é a atitude de pessoas não-convictas da necessidade de adoração que preferem resistir ao processo corretivo do Senhor sem a menor reverência e temor. Pessoas assim não fazem o menor esforço para buscar a Deus em adoração e ainda se acham no direito de reclamar do tratamento recebido.
Será que nós evidenciamos que Deus continua sendo digno de adoração mesmo em meio à disciplina que estamos enfrentando? Será que levantamos nossa voz em louvor e adoração ao Senhor enquanto estamos sob a vara de correção? É muito fácil e até comum ver o cristão louvando ao Senhor quando tudo vai bem em sua vida. Mas não é tão comum ver cristão apresentar uma adoração sincera a Deus quando está sendo disciplinado. Geralmente o que se ouve são murmurações e reclamações de todo tipo. E muitas destas murmurações são direcionadas diretamente a Deus, provenientes de pessoas que estão “decepcionadas” com Ele. Ao passar pela dura disciplina, muitos crentes não se reúnem mais com a igreja local porque deduzem que estão sendo maltratados por Deus.
Precisamos levar o nosso coração a adorar ao Senhor em meio à disciplina porque Ele continua sendo digno. Deus não perde sua excelência ou poder, porque n’Ele não há variação ou sombra de mudança (Tg. 1:17). Deus sempre será o mesmo em glória, honra e majestade, e nós precisamos apreciar esta glória de Deus mesmo debaixo da Sua disciplina. Um bom motivo de louvor a Deus é justamente o fato de estar passando pela disciplina, pois isto prova que é um filho legítimo e não um bastardo. Deus é digno de ser adorado e exaltado porque Ele é o único Deus que disciplina os filhos a quem ama. E também devemos confiar integralmente no Senhor, pois a confiança em Deus é a base para uma adoração autêntica.
Qual é a profundidade da nossa adoração ao Senhor quando passamos por um processo corretivo? Será que a nossa rebeldia quer prevalecer? Um escritor puritano disse que “a adoração é a submissão de todo o nosso ser a Deus.” É importante que o desejo maior do nosso coração seja de fato adorar ao Senhor na beleza da Sua santidade, com o propósito único de glorificar o Seu Nome mesmo passando por uma disciplina corretiva. Podemos pensar no que João Calvino escreveu, para solidificar este pensamento: “O homem nunca é suficientemente tocado e afetado pela consciência do seu estado até que ele contemple a majestade de Deus”.

3ª convicção: Deus continua sendo justo em seus propósitos (vs. 23)
No verso 23 Davi reconhece as suas limitações e que nos propósitos de Deus o melhor que aconteceu foi a criança ter morrido. Ele não era dotado de superpoderes para reverter aquela situação, uma vez que o Doador da vida já tinha estabelecido o seu propósito. Para Davi não havia nenhuma injustiça da parte de Deus em discipliná-lo desta forma, o que nos mostra o quão arrependido ele estava do seu pecado.
O rei Davi escreveu o maior poema que exalta a Palavra de Deus. No Salmo 119, ele faz referência às transformações efetuadas em sua vida depois de ter passado por disciplina. “Antes de ser afligido andava errado, mas agora guardo a tua palavra” (Sl. 119:67), e também: “Foi-me bom ter passado pela aflição para que aprendesse os teus decretos” (Sl. 119:71). Estes versos nos mostram que o propósito corretivo foi cumprido na vida de Davi justamente por causa da disciplina que veio do Senhor.
Um dos propósitos de Deus ao disciplinar os seus filhos é conformá-los à perfeita imagem do Seu Filho Unigênito, Jesus Cristo. Deus quer que sejamos amadurecidos na fé. Ele não vai deixar de trabalhar em nosso viver para que este objetivo seja plenamente alcançado. Sua disciplina não chega em hora errada e nem está baseada nos motivos errados porque Ele é totalmente justo em todos os seus propósitos quando disciplina o crente. Se tivermos esta convicção bem fundamentada em nosso coração, veremos que há muito a ganhar atravessando a disciplina do Senhor. Deus não erra ao tratar conosco porque Ele enxerga muito mais além e sabe o que deve ser mudado em nosso viver para que haja verdadeiro amadurecimento. Precisamos crer nesta verdade que a Palavra de Deus nos assegura e submeter-nos ao tratamento justo do Senhor sobre nós. Deus não nos trata injustamente, pois n’Ele não há injustiça nenhuma.
O escritor aos Hebreus nos ensina que a disciplina sempre é acompanhada dos justos propósitos do Senhor (“não há dor que seja sem divino fim”). Em Hb. 12: 10-11 está escrito: “Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes em sua santidade. Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que tem sido por ela exercitados, fruto de justiça.” Deus não é um carrasco celestial que trata o crente com uma correção desproporcional.Quando Deus nos corrige, Ele o faz sem excessos; Ele o faz na medida exata da nossa necessidade e com um alvo muito claro: a nossa santificação. O cristão não deve menosprezar a disciplina, porque ao menosprezar a disciplina, estará contribuindo para atrair sobre si uma disciplina ainda mais severa, como aconteceu várias vezes com o povo de Israel. Portanto, é fundamental que confiemos plenamente que Deus está trabalhando para nos aperfeiçoar, pois Ele começou uma boa obra em nós e é fiel para completá-la (Fl. 1:6). Somos uma obra de arte que ainda não chegou ao estágio final, pois Deus está lapidando as arestas

Concluindo, é verdade que a disciplina traz dor e que não é nada confortável passar pela dura correção do Senhor. É por isso que convicções firmes são fundamentais para o cristão atravessar a disciplina de modo agradável a Deus. Somente assim um aperfeiçoamento real será visível na vida do crente. Precisamos ter convicções a respeito da misericórdia de Deus, da Sua excelência que nos leva a adorá-Lo e dos seus justos propósitos que se cumprirão em nossas vidas. Você tem estas convicções em seu coração? A Palavra de Deus nos assegura a importância de todas elas para que sejamos servos fiéis em qualquer circunstância, especialmente quando estivermos passando por um processo de disciplina.


MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS BÍBLICOS EM II SAMUEL

segunda-feira, 12 de abril de 2010

As três estratégias de Davi

Continuação da postagem anterior...

No texto bíblico em I Samuel 21 observamos que Davi implementou algumas estratégias pecaminosas quando tornou-se fugitivo por causa da ira do rei Saul. Isto aconteceu porque Davi tirou o foco do Senhor - ele começou a tentar caminhos alternartivos que não agradavam a Deus. Vejamos então que estratégias Davi utilizou, para que possamos aprender com tais lições e não seguir o mesmo caminho.

1) DETURPAR A VERDADE DOS FATOS PARA CONSEGUIR O QUE SE DESEJA (Vs. 2, 5, 8)
Davi mentiu várias vezes para o sacerdote Aimeleque neste encontro. Esta estratégia de utilizar mentiras tinha alguns objetivos bem claros na mente de Davi: 1º) Adquirir a confiança do sacerdote; 2º) Assegurar que o sacerdote entregaria os pães da proposição; e 3º) Assegurar que o sacerdote que o sacerdote lhe entregaria a espada. Davi almejava todos estes objetivos e por isso mentiu para Aimeleque descaradamente.
Davi não pecou ao comer os pães cerimoniais. Jesus não condenou esta atitude, quando confrontado pelos fariseus porque os discípulos colhiam espigas em dia de sábado (Mc. 2: 25, 26). Jesus relatou esta história para provar aos fariseus que não há erro em satisfazer uma necessidade legítima, mesmo que uma regra cerimonial seja violada. O erro de Davi foi ter conseguido os pães deturpando a verdade dos fatos a seu favor. Davi enganou o sacerdote Aimeleque em cada frase do diálogo – as suas afirmações falsas demonstram que Davi tirou o foco do Senhor seu Deus.
A triste realidade em que muitos cristãos estão mergulhados é um oceano de fatos deturpados. A mentira e o engano são utilizados para conseguir vantagens, mesmo em prejuízo de valores eternos que a Bíblia tão claramente nos aponta. A estratégia da mentira traz um certo alívio imediato, mas em longo prazo só acarretará malefícios. Esta estratégia foi usada por Satanás no jardim do Éden, que deturpou verdades para iludir Eva. Desde aquele dia, o homem passou a viver criando “jeitinhos” para conseguir o que deseja. Muitos textos na Bíblia nos advertem contra a mentira. Em Ef. 4:25 lemos: “Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.” A verdade deve prevalecer em todas as circunstâncias na vida do piedoso, como está escrito em Pv. 13:5: “O justo aborrece a palavra de mentira, mas o perverso faz vergonha e se desonra.”
Ananias e Safira também utilizaram esta estratégia para conseguir a admiração dos apóstolos. Eles deturparam a verdade dos fatos e foram imediatamente (Atos 5). O fato é que cedo ou tarde a verdade vai aparecer e as conseqüências serão destrutivas. Os profetas na época de Jeremias também profetizavam mentiras (paz, paz!), mas foram julgados por isso.

2) UTILIZAR RECURSOS HUMANISTAS PARA PRODUZIR UMA SENSAÇÃO DE PODER (Vs. 8-9)
Quando Davi aceitou levar a espada com a qual matou Golias, A NVI traduz assim as suas palavras: “Não há outra melhor; dê-me essa espada.” Vamos analisar esta atitude de Davi, do ponto de vista de Deus. Por que seria necessário Davi usar aquela espada? Tomar a espada de Golias para si demonstra uma busca por auto-afirmação diante das pessoas. Davi precisava daquela espada para diminuir sua sensação de insegurança, e também elevar a sua “auto-estima” que andava meio abalada nos últimos dias. No pensamento de Davi, ostentar aquela relíquia traria o respeito dos seus opositores, porque ele foi o único que teve a coragem necessária para enfrentar o gigante Golias.
Nestes dias em que vivemos, os recursos para estimular a busca por auto-afirmação não faltam no mercado. Há muitos produtos nas prateleiras que exaltam o poder interior do homem – recursos humanistas que se tornaram uma febre. Infelizmente, o crente que tira o seu foco do Senhor Deus passa a enxergar algum valor nos recursos humanistas e se torna escravo da auto-estima positiva.
O cristão que tira o seu olhar das promessas de Deus contidas na Bíblia se torna inseguro. Ele resolve então utilizar estratégias alternativas para preencher esta lacuna e nesta busca insaciável por segurança a qualquer preço adota valores mundanos. As igrejas que lotam são aquelas que defendem o potencial humano, o sucesso e a prosperidade como marcas de uma vida vitoriosa. Os crentes hoje em dia são exortados a confiar em suas habilidades e ostentar suas vitórias orgulhosamente.
O caminho de quem deseja agradar a Deus é diferente: a dependência do Senhor deve ser buscada constantemente. Esta era a confiança de Paulo ao afirmar que a excelência do poder procede somente de Deus (II Co. 4: 7-9), e não de recursos próprios. Precisamos voltar a mirar fixamente a vontade de Deus e abandonar qualquer recurso humanista que cega a nossa visão. Salmo 141:8: “Pois em ti, SENHOR Deus, estão fitos os meus olhos: em ti confio; não desampares a minha alma.”

3) FAZER ALIANÇAS INSENSATAS PARA GARANTIR ALGUNS PRIVILÉGIOS (Vs. 10-15)
Davi buscou refúgio junto aos filisteus que eram inimigos ferrenhos do povo de Israel. Ele foi abrigar-se no palácio do rei Aquis, fazendo-se passar por louco para não ser visto como um inimigo infiltrado. Davi demonstrou completa falta de bom-senso porque tirou o foco do seu Deus e passou a confiar nos privilégios que teria próximo ao rei de Gate. Notemos que o gigante Golias era desta cidade (I Sm. 17:4) e que esta não foi a única vez que Davi buscou abrigo perto dos filisteus (27:3,4).
Davi fez um papelão diante de Aquis para garantir sua própria segurança. Ele vendeu seus valores e seu bom senso naquela ocasião, porque deixou de fixar o olhar no Deus eterno. Sua estratégia foi fruto de um coração não-dependente do Senhor – ele resolveu agir seguindo a intuição e isto acabou mal.
Quando nós passamos a depender desta estratégia nos submeteremos a verdadeiras loucuras para assegurar os privilégios que temos em mente. Temos uma tendência pecaminosa que nos rouba a sensatez se for deixada sem uma vigilância adequada. Quantas famílias e lares destruídos por conta de alianças insensatas! Quantos relacionamentos arruinados por causa do pecado! Considere por um momento a aliança insensata de Sansão com Dalila, que acarretou sérias conseqüências para ele (Juízes cap. 16). As amizades precisam ser bem escolhidas a fim de evitarmos graves prejuízos. Considere também o mau conselho dado por Jonadabe (homem mui sagaz) a Amnon (filho de Davi), para se aproximar da jovem Tamar (filha de Davi também) em II Sm. 13.

MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS NO LIVRO DE I SAMUEL

segunda-feira, 29 de março de 2010

ESTRATÉGIAS PECAMINOSAS

TEXTO BÍBLICO: I SAMUEL 21 (leitura indispensável)

Alguns jogos de estratégia fazem bastante sucesso. Por exemplo, o famoso WAR - um jogo de estratégia militar, ainda hoje é bastante conhecido. Este jogo é baseado em guerras entre países e o vencedor é quem consegue concluir primeiro a sua missão de conquistar territórios. É necessário ter uma estratégia montada na cabeça no início e saber alterá-la no decorrer do jogo. É verdade que os jogos de estratégia fascinam mais as pessoas porque exigem não apenas sorte mas também o raciocínio do jogador. O xadrex é um dos jogos de estratégia mais praticados no mundo, e em muitas escolas os alunos são incentivados a praticar xadrex, como forma de acelerar o aprendizado através do raciocínio estratégico.

Nos dias de julgamento do casal Nardoni, o que mais se escutou na televisão foi sobre a estratégia da defesa. O advogado quis utilizar a seguinte estratégia: desqualificar o trabalho dos peritos e das provas apresentadas pela investigação policial.

Observando este texto bíblico, notamos um Davi totalmente distante dos padrões de Deus. Ele não é um homem ideal ou um herói sem pecados. Muito pelo contrário. Davi demonstra claramente neste texto que seus olhos deixaram de mirar exclusivamente o seu Deus. Ele vai até Nobe e encontra-se com o sacerdote Aimeleque. Neste encontro muitos fatos aconteceram que denunciam a fragilidade de Davi. Ele tirou o foco do Senhor, e passou a agir baseado em suas próprias estratégias. Neste contexto Davi passou a ser um fugitivo, depois que ele se despediu do seu grande amigo Jônatas (I Sm. 20:42-43). Davi era um homem procurado, vivo ou morto, pelo rei Saul - a quem deixou de servir no palácio real.

Por causa de nossa natureza carnal, nós também temos a tendência de desviar o foco espiritual do nosso Senhor. Por isso, o escritor aos Hebreus admoesta os crentes: "Olhando firmemente para o Autor e Consumador da nossa fé, Jesus." (Hb. 12:2a) Quando desviamos ou tiramos o nosso foco de Deus, passamos a adotar algumas estratégias pecaminosas para tentar manter o nosso "status". É aí onde mora o perigo! Todas as estratégias possuem um fim específico, mas na vida de um crente os fins não justificam os meios. A tônica neste mundo caído é utilizar as mais variadas estratégias para se obter êxito em alguma empreitada, mesmo à custa de valores morais e éticos. E é verdade que este mundo atrai o olhar de muitos cristãos, que passam a implementar estratégias espúrias para atingir fins específicos.

Neste texto podemos observar que:
"QUANDO TIRAMOS O NOSSO FOCO DE DEUS, ALGUMAS ESTRATÉGIAS PECAMINOSAS SÃO IMPLEMENTADAS IMEDIATAMENTE."



Na próxima postagem iremos ver as três estratégias pecaminosas que Davi utilizou no contexto em I Samuel 21. Ele fez uso destes artifícios porque desviou o seu olhar de Deus, e assim desonrou o nome do Senhor em todos estes acontecimentos. Aguarde a próxima postagem!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Aprendendo lições preciosas com Davi

Aprenda de Davi o que fazer nos momentos angustiantes e aterrorizantes. Ele orou. Todo o Salmo 63 é dirigido a Deus. Davi não pede proteção, nem vitória; pede somente uma coisa — Deus mesmo, para satisfazer sua alma, como as águas satisfazem a sede em uma terra árida e exausta. “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água” (v. 1). Há ocasiões de dor, perda, tristeza e escuridão, quando nada é digno de ser pedido, exceto Deus mesmo. Todas as outras coisas são triviais, inclusive a própria vida.

Essa é razão por que Davi afirmou: “Porque a tua graça é melhor do que a vida; os meus lábios te louvam” (v. 3). Davi poderia ser morto durante a noite, por algum traidor astuto que se vendera a Absalão. Como você dorme? Você relembra a si mesmo que o amor de Deus, na presença de Deus, é melhor do que ser vítima da morte, durante a noite. Porém, não sentimos com facilidade este descanso no constante amor de Deus. Dizemos as palavras, mas sentimos a realidade? Davi não o sentiu como desejava. Por isso, ele clamou: “Eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti”. Davi precisava desesperadamente que Deus respondesse ao seu clamor de vir e ajudá-lo a provar — não apenas saber, mas também sentir — que a graça dEle é melhor do que a vida.

Oh! que conheçamos desta maneira a Deus! Isso não seria tudo para nós? Não seria mais do que riquezas, fama, sucesso e saúde — na realidade, mais do que tudo que o mundo pode oferecer? Deus mesmo se aproximando e fazendo nossa alma beber de sua graça, até que todas as coisas desapareçam de nossa visão e o temor seja tragado pela inabalável segurança de gozo eterno à direita de Deus! Oh! que cheguemos a este lugar em nosso andar com Deus! Quando a salvação da própria vida e o livramento de seu filho deixam de ser os ídolos de Davi, e somente Deus o envolve no firme gozo de seu amor inabalável, Davi cantará de alegria nas tristezas da noite e, talvez, se Deus o quiser, ganhará de volta o seu filho.


Texto devocional de John Piper baseado no Salmo 63
Extraído do livro: Penetrado pela Palavra