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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Um novo começo

TEXTO BÍBLICO: Josué 3


Nos meus anos de adolescência eu gostava de jogar videogame nas horas livres. Hoje em dia a moda é o PlayStation, mas na minha época a febre era o MasterSystem. O jogo Sonic já vinha na memória do videogame, e meus esforços foram direcionados para tentar “zerar” o jogo (finalizar todas as fases). O problema é que eu não sabia como fazer para “zerar” o jogo, pois sempre que perdia a vida (life) eu tinha que reiniciar tudo de novo da primeira fase. Certa vez eu estava estudando com um amigo de escola e depois fomos para o videogame. Ele era um “expert” no assunto, em pouco tempo conseguiu finalizar todas as fases do Sonic. Como ele conseguiu esta façanha? Simples: ele usou um recurso que o próprio jogo oferece. Em algumas fases do jogo, existem prêmios (bônus) que devem ser acumulados e oferecem ao jogador a possibilidade de não começar do zero se perder todas as “vidas”. Um novo começo era oferecido dentro da fase atual do jogo, conhecido como CONTINUE.

No texto que acabamos de ler, há um novo começo sendo oferecido ao povo de Israel também. Eles tiveram outra oportunidade anos atrás de entrar na terra prometida, mas por causa do medo e rebeldia não entraram e foram disciplinados por Deus. As pessoas que foram rebeldes à voz do Senhor morreram no deserto. Mas agora Josué inaugura um novo começo na liderança do povo de Israel. Após a morte de Moisés, o novo líder tem um papel extremamente importante: a conquista da terra de Canaã. Apesar de nossa fragilidade, por sua graça e bondade Deus nos oferece oportunidades de recomeçar. O exemplo de Pedro é marcante: Jesus ofereceu a Pedro um recomeço fantástico ao dizer-lhe: “apascenta as minhas ovelhas.” Não podemos colocar um ponto final onde Deus colocou uma vírgula.

Diante deste todo este contexto eu gostaria de afirmar o seguinte:
“NA VIDA CRISTÃ, UM NOVO COMEÇO SÓ É POSSÍVEL POR MEIO DA COMPREENSÃO DE ALGUMAS VERDADES.”

QUE VERDADES DEVEMOS COMPREENDER PARA TERMOS UM NOVO COMEÇO EM NOSSAS VIDAS? De acordo com este texto devemos compreender pelo menos três verdades para termos um novo começo em nossas vidas:


1ª VERDADE) A direção divina é sempre a melhor para nossas vidas (Vs. 2-4)

O povo de Israel iria entrar por um caminho pelo qual nunca passara antes. Seria uma etapa totalmente nova a partir daquele rio. O rio estava transbordante nesta época (vs. 15) e o povo precisava da orientação do Senhor para atravessar. Contornar o rio seria a estratégia mais votada, mas Deus tinha outros planos. Era muito importante confiar no Guia para atravessar aquele caminho desconhecido e Deus estava mostrando ao povo que a direção divina, sem dúvida, é a melhor. A rota traçada por Deus é sempre a mais segura. Lembre-se que anos atrás o povo não confiou na direção de Deus e preferiu voltar para o Egito com medo dos gigantes que habitavam em Canaã.
Deus ofereceu um novo começo a Moisés depois de um treinamento intensivo de 40 anos no deserto. Moisés seria o líder, mas ele teria que confiar somente na direção divina para guiar o povo em segurança até Canaã. Milhões de homens e mulheres deveriam ser conduzidos atravessando o deserto, e Deus orientou a direção a seguir. Diante do Mar Vermelho, o povo reclamou com Moisés porque não havia nenhuma saída e o exército de Faraó se aproximava rapidamente. De forma milagrosa, Deus mostrou ao povo que o caminho a seguir seria por dentro do mar.
Não podemos ficar de “pé-atrás” com Deus, pensando que Ele está nos conduzindo pelo caminho errado. Quando desconfiamos de sua sábia providência e direção é um claro sinal de que não estamos interessados em um novo começo para as nossas vidas. Queremos a direção de Deus para um emprego, mas não queremos implementar as orientações de Deus para o nosso viver diário – instruções sábias que nos direcionam também. Temos as instruções do Senhor em Sua Palavra e o que nos falta é disposição para colocá-las em prática. Em algumas decisões que temos diante de nós, decidimos primeiro e depois levamos a situação a Deus em oração, pedindo-lhe que nos abençoe a partir de então. Um crente que está interessado em um novo começo em sua vida não pode agir desta forma. Na verdade, esta atitude prova que o seu coração ainda está voltado para suas próprias vontades e não para a vontade de Deus.
Muitas vezes ficamos resistentes à orientação divina para nossas vidas porque pensamos que os nossos caminhos são alternativas melhores. Por meio da Palavra de Deus somos orientados para viver de modo agradável a Deus. Será que estamos dispostos a vivenciar o caminho de Deus para nossas vidas? Ou será que estamos inquietos de um canto para outro, buscando alternativas que parecem ser melhores? Que possamos cantar e orar da seguinte forma: “As tuas mãos dirigem meu destino, ó Deus de amor, que sempre seja assim!”


2ª VERDADE) A santificação é sempre necessária em nossas vidas (Vs. 1, 5)

Em Josué 3:1, está escrito que a última parada do povo de Israel antes de chegar ao rio Jordão foi Sitim. É importante observar que Sitim (vs. 1) foi um lugar de pecado. A frouxidão moral e a devassidão do povo são observadas em Nm. 25:1-3. Há a descrição de fatos horríveis e vergonhosos para Israel que aconteceram neste local. O povo de Israel caiu em idolatria e prostituição com as mulheres moabitas/midianitas e afrontou a Deus com suas práticas abomináveis. Por conta desta imoralidade 24.000 pessoas morreram. Por conta disso, era necessária uma purificação completa destas práticas corruptas para a travessia do rio Jordão que simbolizava um novo começo na história deste povo. A santificação na Bíblia significa separação para uso exclusivo de Deus. Vidas santas são vidas separadas da corrupção que há no mundo para um propósito maior que é a glória de Deus.
Quando Davi reconheceu o seu pecado e suplicou o perdão de Deus, ele percebeu que estava diante de um novo começo em sua vida. Diante do Senhor, que é santo e sublime, ele não poderia se apresentar de qualquer jeito. Foi por isso que ele orou por purificação: “Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado” (Salmo 51:2). “Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve” (Salmo 51:7). Estas palavras de Davi expressam o quanto ele necessitava de santificação para este novo começo.
Não podemos falar em novo começo em nossas vidas se negligenciarmos a necessidade de santificação diária e progressiva. Qualquer pessoa que não tenha este alvo na vida precisa reavaliar o seu cristianismo. E ninguém pode afirmar que “já chegou lá”, supondo que não precisa de mais santidade em seu viver. Esta é uma falácia absurda! A Bíblia diz que “a vereda do justo é como luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”(Pv. 4:18). As cartas paulinas estão repletas de recomendações aos crentes para que expressem a santidade em seu viver. Santidade nunca foi opcional no cristianismo. É o fruto que se espera de um novo nascimento espiritual genuíno. Sem santificação ninguém verá ao Senhor (Hb. 12:14).
Devemos ser um povo santo ao Senhor, separado para viver de modo agradável a Ele. O crente que anda brincando de cristianismo, sem levar se importar com sua santidade diante de Deus, na verdade é uma fraude. O apóstolo Pedro adverte os cristãos: “Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (I Pedro 1:14-16). Será que entendemos esta recomendação de Pedro? Estamos dispostos a viver a santidade em todo o nosso procedimento? Não há como experimentar um novo começo efetivo em nossas vidas se negligenciarmos a santidade diária, que nos identifica como filhos de um Deus santo. Spurgeon escreveu: “Deus deseja a sua pureza e a sua santificação. Não se oponha aos propósitos de seu Senhor.”


3ª VERDADE) A presença divina é sempre constante em nossas vidas (Vs.10)

Este feito maravilhoso do Senhor ao abrir o rio Jordão serviria para mostrar ao povo que Sua presença era constante e real. Muda-se o líder, mas não muda-se o Deus. Ele continuava presente agindo em favor do Seu povo em favor da Sua glória. Josué seria apenas um instrumento nas mãos do Senhor. O sentimento em relação à presença de Deus em nossas vidas nem sempre é constante, mas nós não devemos deixar que este sentir molde o nosso viver.
O líder Josué sabia desta promessa do Senhor: “Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o SENHOR, teu Deus, é contigo por onde quer que andares” (Josué 1:9). A entrada na terra de Canaã exigiria que o povo confiasse 100% na presença e na atuação de Deus. Eles teriam que guerrear e lutar bravamente, mas não podiam esquecer que a vitória só vem pela mão do Senhor.
No Mar da Galiléia, o barco estava agitado pelo vento e a tempestade ameaçava a segurança de todos. O alvoroço tomou conta de todos que estavam ali e os discípulos ficaram apavorados com as ondas. Mas havia um fator de enorme importância: Jesus estava no barco! Sua presença constante no barco nos encoraja diante de um novo começo em nossas vidas. Uma letra do Grupo Logos expressa bem esta verdade: “Ele está presente é o que nos basta / Não importa a hora e o que acontecer / Pode a tempestade vir me abater / Jesus está comigo, eu vou vencer.”
A convicção da presença de Deus conosco é a força propulsora diante de um novo começo. O alento de que alma necessita é a certeza de que a boa mão do Senhor não está encolhida e que o Consolador está conosco sempre.
O que podemos dizer a uma pessoa que acabou de perder um ente querido e está passando por um revés na vida? Ela está diante de um novo começo e precisamos lembrar-lhe a promessa em Isaías 41:10: “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel.” As promessas da presença de Deus na vida do crente servem de alento diante das circunstâncias dolorosas na vida. Não podemos encarar um novo começo em nossas vidas relutantes quanto à presença do Senhor. Cristo mesmo prometeu que estaria conosco todos os dias até a consumação dos séculos. Somente os crentes que confiam nesta verdade podem ser vitoriosos em meio às lutas e batalhas diárias. Os passos de fé não são dados no escuro. Caminhamos pela fé por meio da convicção em nossos corações de que Deus está sempre presente e agindo em favor dos Seus servos.
A Ele seja o louvor por Sua graciosa presença agora e sempre.


MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS NO LIVRO DE JOSUÉ

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Aspectos da graça de Deus

Complementando a postagem anterior, faço referência a quatro aspectos da maravilhosa graça de Deus que são observados à luz da cruz de Cristo. Esta é a 200ª. (ducentésima) postagem deste blog, desde quando foi iniciado. Nada melhor do que comemorar esta marca abordando sobre a graça de Deus que tem me capacitado a manter este blog atualizado. O objetivo deste blog é espalhar e anunciar a glória de Deus através de reflexões de cunho teológico-bíblico-cristão. Então comemore esta marca conosco. Parabéns, blog COMPARTILHANDO!!!!


"o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras."
Tito 2:14


1 – A GRAÇA DE DEUS TEM AÇÃO REDENTORA (a fim de remir-nos de toda iniqüidade)

A palavra que foi traduzida como “remir” ou “redimir”, tem o significado de comprar ou comprar de volta, como em uma transação comercial ou de resgate. Em nosso estado deplorável como pecadores desde o nascimento e presos no cativeiro do pecado, somente a graça de Deus poderia agir em nosso favor. Fomos resgatados por Cristo por meio de sua morte na Cruz, o preço justo exigido por Deus para retirar o peso da condenação dos ombros de pecadores. Lemos em Marcos 10:45, que “o Filho do homem veio dar a sua vida em resgate por muitos.”
Em I Pedro 1:18-19, está bem claro que fomos resgatados por preço de sangue, o sangue do cordeiro de Deus. Como fomos comprados por Cristo, não temos o direito de nos tornarmos escravos de mais ninguém ou de nada mais. Cristo comprou-nos quebrou as algemas que nos prendiam, e não há nada que possa tirar-nos de suas mãos de amor. Em Ef. 1:7, está escrito que, segundo a riqueza da graça de Deus, nós temos a redenção através do sangue de Cristo. Em Hb. 9:12, lemos que Cristo obteve mediante o seu sangue, eterna redenção.
A ação redentora da graça de Deus é totalmente visível através do prisma da cruz de Cristo. Nenhum homem pode chegar até Deus sem ter sido comprado pelo sangue de Cristo. Quando Cristo entregou-se para morrer em nosso lugar, Ele pagou o preço que nenhum ser humano poderia pagar em favor de outro pecador. Por esta graça, hoje podemos cantar confiantemente, depositando a fé na obra completa de Cristo na Cruz, que nos redimiu de uma vez por todas. Como você tem encarado esta verdade bíblica em seu viver? Como você se enxerga à luz deste ensino sobre a redenção?

2 – A GRAÇA DE DEUS TEM AÇÃO SANTIFICADORA (e purificar, para si mesmo)

Mas além de nos comprar com o preço do seu próprio sangue, em Tito 2:14 lemos que Ele está nos purificando para Si mesmo. Esta obra purificadora da graça de Deus na vida do crente é a santificação progressiva. Sem a graça de Deus, é praticamente impossível que o crente cresça em santidade. Dependemos da graça do Senhor a cada dia para lutarmos contra nossa natureza carnal e pecaminosa que desagrada a Deus.
A palavra que foi traduzida como “purificar” é a mesma utilizada para fazer referência ao leproso que ficava curado desta doença. Ele tinha que se apresentar ao sacerdote que tinha a missão de fazer uma perícia e constatar se aquele homem estava de fato purificado. Nós estamos em processo de purificação, para que um dia possamos nos apresentar diante do nosso Sumo-sacerdote, sem rugas e sem máculas (Ef. 5:27). Por isso todos nós estamos neste processo de santificação e necessitamos muito da graça de Deus em nossas vidas.
As obras da carne só podem ser realmente mortificadas no poder da graça de Deus. Através do prisma da cruz de Cristo, o homem passa a enxergar a santidade de Deus e que Ele exige santidade daqueles que o servem. Graciosamente, o nosso Deus nos oferece os recursos necessários para viver de modo digno do Evangelho, agradando-O em todas as coisas. Imagine como servia viver sem a graça de Deus neste processo de santificação. Como você seria perdoado de seus pecados se a graça de Deus não estivesse disponível? Nós temos que olhar para a cruz de Cristo e enxergar que a santificação é o meio que Deus usa para nos aproximar da perfeição de Seu Filho. Mas sem a graça de Deus ao nosso dispor esta caminhada rumo ao projeto de Deus para nós seria impossível.

3 – A GRAÇA DE DEUS TEM AÇÃO PRESERVADORA (um povo exclusivamente seu)

A graça do Senhor age em favor dos Seus filhos, separando-os como um povo especial para cumprir os Seus propósitos. Cristo preserva e protege as ovelhas de seu pastoreio, dando-lhes a provisão necessária. O povo exclusivo que Cristo comprou com o seu sangue será preservado até o fim, pois a Bíblia nos assegura que nada poderá separar-nos do amor de Deus.
O versículo oficial da nossa igreja em 2009 deixa bem claro que somos um povo preservado por Deus: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus.” (I Pe. 2:9) Vale a pena destacar também o versículo 10, que faz uma relação entre a misericórdia divina e o povo escolhido. Mas lembremos que tal privilégio é acompanhado de uma imensa responsabilidade.
A verdade é que o nosso Deus nos preserva com o Seu poder e ninguém poderá nos arrebatar das suas mãos. O povo que ele salvou para a Sua glória não será abandonado à própria sorte. Isto não significa que estamos livres de tempestades e aflições neste mundo, mas podemos contar com a graça de Deus em preservar o seu povo mesmo nas terríveis dificuldades que surgirem.

4 – A GRAÇA DE DEUS TEM AÇÃO CAPACITADORA (zeloso de boas obras)

Vista através do prisma da cruz de Cristo, a graça de Deus tem ação capacitadora na vida do cristão. O sacrifício de Cristo em nosso lugar nos dá plena consciência de nossas responsabilidades como redimidos. Por isso Paulo escreve ao jovem pastor Timóteo: “fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus.” (II Tm. 2:1) Somente a graça do Senhor nos capacita a sermos um povo zeloso de boas obras e atuantes no reino de Deus. Paulo tinha plena convicção disso no seu ministério apostólico. Em I Co. 15:10, ele afirma que a graça de Deus nunca o desamparou em seu trabalho como servo de Deus. “Ninguém pode fazer nada, nem grande nem pequeno, se não for no poder da graça de Deus.”
Nós somos inteiramente dependentes da graça do nosso Deus em todas as coisas que fazemos para o serviço do Senhor. Se a graça de Deus não estiver conosco, não podemos querer medir o sucesso de nossas realizações. Precisamos estar unidos à Videira verdadeira, sendo nutridos pela seiva de Sua graça, para que possamos produzir frutos dignos e preciosos para Deus.
Ao contemplar a cruz do Calvário e ver tamanha demonstração de graça, podemos fazer a pergunta do Hino 99: “Que fazes tu por mim?” É claro que não temos a menor condição de fazer algo para Deus confiando em nossas habilidades. Somente por meio da graça podemos servir ao Senhor da forma que O agrada e assim ouviremos do nosso Salvador: “Muito bem, servo bom e fiel.”

MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS NA CARTA DE PAULO A TITO

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O coração pecaminoso e o chá

Desde a Queda do homem no jardim do Éden, o homem tem tentado culpar alguém ou alguma coisa pelo seu problema. Adão tentou passar a responsabilidade para Eva, e Eva apontou um dedo acusador para a serpente. A Palavra de Deus é clara, no entanto, que os nossos verdadeiros problemas não são o resultado de pressões de alguém ou alguma coisa para além de nós próprios. Nós não pecamos por causa das pressões circunstanciais de ordem financeira, social ou médica. Nós pecamos porque cada um de nós tem um coração pecaminoso.

Podemos ilustrar esta verdade bíblica desta forma. Quando pegamos um saco de chá, colocamos numa xícara e enchemos com água quente, a água ativa o chá no saco, liberando o seu sabor para a água à sua volta. A água quente não criou o sabor; meramente o revelou, ou forçou a saída do que já estava dentro do saco.

Isto ilustra o que acontece no coração humano. As pressões à nossa volta (as circunstâncias desfavoráveis, as tentações e as dificuldades da vida) simplesmente forçam a saída de dentro do nosso coração daquilo que já está lá dentro. Não podemos culpar a água quente pelo sabor dentro da xícara. O conteúdo do saco de chá determina o sabor do chá. Se não gostamos desse sabor em especial, precisamos colocar dentro da água outro saco contendo um diferente tipo de chá.

Da mesma forma, não podemos atribuir a outrem a culpa de qualquer amargura, ira, desespero, decepção, crueldade, e assim sucessivamente, que nós mostramos quando estamos debaixo da pressão. As pressões meramente expõem o quanto nós realmente não nos parecemos com Cristo.


Leitura Bíblica de apoio: Marcos 7:21-23 e Tiago 4:1


Autor: Jim Berg
Extraído do Livro: Transformados na Sua Imagem
Editora Batista Regular

terça-feira, 14 de abril de 2009

A busca da santidade

Muitos dos segredos da santidade nos são revelados nas páginas da Bíblia. De fato, um dos objetivos principais da Escritura é mostrar ao povo de Deus como levar uma vida que lhe seja digna e que lhe agrade. Porém um dos aspectos mais negligenciados na busca da santidade é a parte que compete à mente, conquanto o próprio Jesus tenha posto o assunto fora de qualquer dúvida quando prometeu: “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. É mediante a sua verdade que Cristo nos liberta da escravidão do pecado. De que forma? Onde se encontra o poder libertador da verdade?

Para começarmos, precisamos ter um quadro bem claro do tipo de pessoa que Deus pretende que sejamos. Temos de conhecer a lei moral de Deus e os mandamentos. Como o expressou John Owen: “o bem que a mente não é capaz de descobrir, a vontade não pode escolher, nem as afeições podem se apegar”.. Portanto, “na Escritura o engano da mente comumente se apresenta como o princípio de todo pecado”.

O melhor exemplo disso pode-se encontrar na vida terrena do nosso Salvador. Por três vezes o diabo aproximou-se dele e o tentou no deserto da Judéia. Nas três vezes Ele reconheceu se má a sugestão que lhe fizera Satanás e contrária à vontade de Deus. Três vezes Ele se opôs à tentação com a palavra "gegraptai": “está escrito”. Jesus não deu margem a qualquer discussão ou argumentação. A questão já estava decidida, logo de partida, em sua mente. Pois a Escritura estabelecera o que é certo. Este claro conhecimento bíblico da vontade de Deus é o segredo básico de uma vida reta.

Não basta sabermos o que deveríamos ser, entretanto. Temos de ir mais além, resolvendo, em nossas mentes, a alcançá-la. A batalha é quase sempre ganha na mente. É pela renovação de nossa mente que nosso caráter e comportamento se transformam. Assim é que, seguidamente, a Escritura nos exorta a uma disciplina mental nesse sentido. “Tudo o que é verdadeiro”, diz ela, “tudo o que respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento”.


John Stott
Texto extraído do livro: Crer é também pensar

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Santificação, por J. C. Ryle

Neste blog sempre gosto de postar alguns textos de homens de Deus que souberam expressar em palavras grandes verdades bíblicas. O pastor J. C. Ryle foi um dos maiores representantes da fé genuína do século passado. Neste texto ele nos alerta sobre a santificação pessoal, que deve ser uma busca constante na vida do verdadeiro discípulo de Jesus.


A santificação não consiste na casual realização de ações corretas. Antes, é a operação habitual de um novo princípio celestial que atua no íntimo, influenciando toda a conduta diária de uma pessoa, tanto nas grandes quanto nas pequenas coisas. A sua sede é o coração, e, tal como o coração físico, exerce influência regular sobre cada aspecto do caráter de uma pessoa. Não se assemelha a uma bomba de água que só fornece água quando alguém a aciona; mas parece-se mais com uma fonte perpétua, de onde a torrente jorra perene e espontaneamente, com naturalidade. Herodes ouvia João Batista "de boa mente", ao mesmo tempo em que seu coração era inteiramente mau aos olhos de Deus (Mc 6.20).

Por semelhante modo, há dezenas de pessoas hoje em dia que parecem ter ataques espasmódicos de "atos de bondade", conforme os poderíamos chamar, e que fazem muitas coisas boas sob a influência da enfermidade, da aflição de morte na família, das calamidades públicas ou de alguma súbita agonia da consciência. Contudo, o tempo todo qualquer pessoa inteligente poderá observar claramente que tais pessoas não se converteram e que elas nada conhecem acerca da "santificação". Um verdadeiro santo, tal como Ezequias (2 Cr 31.21), age "de todo o coração" e poderá dizer, juntamente com o salmista: "Por meio dos teus preceitos consigo entendimento; por isso detesto todo caminho de falsidade (Salmos 119:104).

Desafio qualquer pessoa a ler cuidadosamente os escritos do apóstolo Paulo para neles encontrar grande número de claras orientações práticas, atinentes ao dever do cristão, em cada relacionamento da vida, e acerca de nossos hábitos diários, de nosso temperamento e de nossa conduta de uns para com os outros. Essas orientações foram registradas por inspiração divina, para orientação perpétua dos crentes professos. Aquele que não dá atenção a essas normas talvez seja aceito como membro de uma igreja ou denominação evangélica, mas certamente não será aquele que a Bíblia chama de homem "santificado".