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sábado, 2 de julho de 2011

Justiça própria

A justiça própria é inimiga do evangelho de Cristo. O homem que deseja buscar a Deus por meio de suas boas obras ou através de atos de justiça pessoal, na verdade está totalmente equivocado. O evangelho de Cristo não busca homens e mulheres de alta qualidade, que se intitulam bons e desfrutam de uma sensação de auto-suficiência. Jesus foi duro com os fariseus que pensavam assim. Os fariseus eram profissionais da religião, que desejavam mostrar uma aparência espiritual para todas as pessoas em redor. Eles eram considerados homens bondosos porque faziam doações aos pobres e davam esmolas. Suas vidas eram exemplares, mas havia um grave problema no coração.

Em Lucas 18: 9-14, Jesus contou a história de um fariseu e um publicano. Os publicanos eram pessoas que cobravam impostos e repassavam o dinheiro para o império Romano. Certa vez um fariseu e um publicano foram a templo para orar. E Jesus contou com detalhes como foram as orações destes dois homens.

O fariseu, baseado em sua justiça própria orara de si para si, dizendo: "Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Faço jejum duas vezes por semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo." A oração deste fariseu estava baseada em si mesmo: ele era o centro de sua oração. Seus lábios não conseguiam expressar outra coisa, a não ser elogios que exaltavam o seu bom comportamento. Ele se achava homem mais bondoso da terra e por isso até desprezou o publicano que estava ali no templo também. Suas palavras mostram que em seu coração só havia espaço para ele mesmo.

Este fariseu representa todas as pessoas que confiam em sua própria justiça diante de Deus. Quando o homem começa a pensar que é alguma coisa diante de Deus já começou a agir como um fariseu. Todos nós agimos como fariseus quando confiamos em nossas boas obras para ganhar a aprovação de Deus. Todos nós agimos como fariseus quando realizamos algo tentando impressionar Deus de alguma forma. Todos nós agimos como fariseus quando fazemos orações exaltando nossa boa conduta. O homem pecador é assim: não consegue pensar em mais nada, a não ser nele mesmo.

Foi por isso que Jesus disse a todos que desejavam segui-lo: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e cada dia tome a sua cruz, e siga-me” (Lc. 9:23). Em outras palavras, Jesus nos desafia a desistirmos de nossa autossuficiência se quisermos ser verdadeiros discípulos de Cristo.

Você tem se comportado como um fariseu ao longo de sua vida? Você tem baseado toda a sua história na tentativa de agradar a Deus da sua própria maneira e pensa que já tem muito crédito diante d’Ele? Eu gostaria de convidá-lo a repensar sua vida por meio do Evangelho de Cristo, que nos ensina a confiar na graça de Deus para desfrutarmos de Sua aprovação.






MARCOS AURÉLIO DE MELO
MEDITAÇÃO PARA PROGRAMA DE RÁDIO




sábado, 8 de janeiro de 2011

O cristão genuíno

No meio evangélico ou gospel é difícil identificar o que é joio e o que é trigo. Mas a Bíblia nos diz que por meio dos frutos é possível conhecer qual é árvore. Você é um crente genuíno? Quais são algumas evidências que um cristão genuíno apresenta? Logo abaixo apresentarei três evidências que podemos encontrar num cristão genuíno (a ordem em que aparecem não define qual é prioritária). Minha oração é que cada leitor examine-se por meio deste breve check-up.

Em primeiro lugar, o crente genuíno é alguém que está sendo transformado diariamente na imagem de Cristo. Ele não fica estacionado na sua vida cristã esperando o tempo passar. Pelo contrário, o crente autêntico percebe que sua vida ainda tem muito a melhorar para agradar a Deus, e então, ele busca depender da graça do Pai para o seu amadurecimento. A Bíblia diz em Provérbios 4:18 que “a vereda do justo é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.” O cristão autêntico está envolvido neste processo de conhecer e prosseguir conhecendo a Deus no seu dia-a-dia.

Em segundo lugar, o crente genuíno é alguém que reconhece suas fragilidades e que precisa continuar lutando contra o pecado em seu viver. Ele sabe que não está imune contra as ciladas da carne e nem do diabo, por isso o crente genuíno busca estar vigilante em cada circunstância. Ele não anda por aí se gabando que não comete mais nenhum pecado, porque está escrito em 1 Coríntios 10:12: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.” O crente genuíno sabe que o seu coração é enganoso e que não pode confiar em sua própria força para vencer as tentações. Por isso, ele confessa seus pecados constantemente para não deixar nenhum lixo debaixo do tapete. Ele faz sempre uma faxina geral em sua mente para checar o que precisa ser purificado.

E finalmente, o crente genuíno também é alguém que ama a Palavra de Deus. Ele não negligencia o estudo cuidadoso da Bíblia para tirar princípios e aplicações. O crente genuíno sempre está interessado em ouvir o que Deus tem a lhe dizer por meio da Bíblia. Ele não fica atrás de revelações e sonhos que outras pessoas tiveram a seu respeito, porque o seu maior tesouro é a Palavra de Deus. O seu interesse é direcionado para as Escrituras, e quando tem alguma dúvida busca a orientação de pessoas que podem lhe explicar melhor. Ele reconhece que “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tm. 3: 16-17).

O cristão genuíno apresenta estas três evidências em sua vida: ele é alguém que está em processo de crescimento contínuo; ele é alguém que reconhece e confessa os seus pecados; e ele é alguém que dedica seus esforços para conhecer a Palavra de Deus. Meu irmão, a pergunta é a seguinte: você tem estas evidências em sua vida? Reflita se já não é hora de evidenciar o verdadeiro cristianismo em seu viver.

MARCOS AURÉLIO DE MELO
MEDITAÇÃO PARA PROGRAMA DE RÁDIO

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O âmago da ética cristã

Na igreja evangélica contemporânea, é comum as pessoas reconhecerem, verbalmente, que a Bíblia, como Palavra de Deus, é a autoridade final no que diz respeito ao que crêem e à maneira como vivem. Contudo, na realidade, uma conexão nítida entre o que elas confessam em público e a sua conduta pessoal é rara.

O fato é que muitos cristãos professos vivem cada dia fundamentados em princípios diferentes dos princípios bíblicos. Como resultado, as suas prioridades refletem as prioridades do mundo, e não as de Deus. Seus padrões de comportamento e seus planos quanto ao futuro diferem muito pouco dos seus amigos e vizinhos não salvos. Os seus gastos revelam que sua perspectiva é temporal e que estão buscando inutilmente o ilusório Sonho Americano. Seus erros, quando os admitem, recebem os mesmos nomes que o mundo lhes atribui (“enganos”, “enfermidades”, “vícios”, e não “pecados”), à medida que buscam respostas na psicologia, na medicina ou na seção de auto-ajuda nas livrarias. Embora sejam adeptos de uma forma exterior de moralismo cristão, não há nada particularmente bíblico ou cristocêntrico na maneira como vivem.

No entanto, é na vida de pecadores que foram transformados pelo evangelho da graça que a ética distintamente cristã tem de ser manifestada. O verdadeiro cristianismo não é definido com base em moralismo externo, tradicionalismo religioso ou partidos políticos, e sim com base no amor pessoal por Cristo e no desejo de segui-Lo, sem importar-se com o custo (cfr. Jo 14.15). É somente pelo fato de que os cristãos foram transformados no interior (por meio da regeneração operada pelo Espírito Santo) que eles são capazes de exibir piedade em seu comportamento. E o mundo não pode fazer nada além de observar. Como Jesus disse aos seus ouvintes, no Sermão do Monte: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16; cf. 1 Pe 2.12).

O âmago da ética cristã é o evangelho. Somente aqueles que foram transformados no interior (Tt 3.5-8) e são habitados pelo Espírito Santo (Rm 8.13-14) podem demonstrar verdadeira santidade (Gl 5.22-23; 1 Pe 1.16). O cristianismo bíblico não se preocupa primariamente com mudança no comportamento exterior (cf. Mt 5-7), e sim com uma mudança de coração que se manifesta posteriormente em uma vida mudada (1 Co 6.9-11).



Autor:
JOHN MACARTHUR
Este artigo é introdução ao livro Right Thinking in a World Gone Wrong (Pensando Certo em um Mundo Errado).


sábado, 13 de junho de 2009

Sobre o retorno de Cristo

A aspiração por ver a Cristo que queimava o peito daqueles primeiros cristãos parece ter-se queimado toda. Tudo que resta são cinzas. É precisamente o "anseio" e o "desvanecimento" pelo retorno de Cristo que distingue entre a esperança pessoal e a teológica. O mero conhecimento da doutrina correta é pobre substituto de Cristo, e a familiaridade com a escatologia do Novo Testamento nunca tomará o lugar do desejo inflamado de amor de fitar Sua face.

Se o ardoroso anelo desapareceu da esperança do advento hoje, deve haver razão para isto; acho que sei qual é, ou quais são, pois há um bom número delas. Uma é simplesmente que a teologia popular tem dado ênfase à utilidade da cruz, e não à beleza dAquele que nela morreu. A relação do salvo com Cristo é apresentada como contratual, em vez de pessoal. Tem-se acentuado tanto a "obra" de Cristo, que esta eclipsou a pessoa de Cristo. Permitiu-se que a substituição tomasse o lugar da identificação. O que Ele fez por mim parece mais importante do que o que Ele é para mim. Vê-se a redenção como uma transação de negócio direto que "aceitamos"; e à coisa toda fica faltando conteúdo emocional. Temos de amar muito a alguém, para ficarmos despertos esperando a sua vinda, e isso talvez explique a ausência de vigor na esperança do advento entre aqueles que ainda crêem nela.

Outra razão da ausência de real anseio pelo retorno de Cristo é que os cristãos se sentem tão bem neste mundo que têm pouco desejo de deixá-lo. Para os líderes que regulam o passo da religião e determinam o seu conteúdo e a sua qualidade, o cristianismo tornou-se afinal notavelmente lucrativo. As ruas de ouro não exercem atração muito grande sobre aqueles que acham fácil amontoar ouro e prata no serviço do Senhor aqui na terra. Todos queremos reservar a esperança do céu como uma espécie de seguro contra o dia da morte, mas enquanto temos saúde e conforto, por que trocar um bem que conhecemos por uma coisa a respeito da qual pouco sabemos? Assim raciocina a mente carnal, e com tal sutileza que dificilmente ficamos cientes disso.

Outra coisa: nestes tempos a religião passou a ser uma brincadeira boa e festiva neste presente mundo, e, por que ter pressa quanto ao céu, seja como for? O cristianismo, contrariamente ao que alguns pensaram, é forma diversa e mais elevada de entretenimento. Cristo padeceu todo o sofrimento. Derramou todas as lágrimas e carregou todas as cruzes; temos apenas que desfrutar os benefícios das suas dores em forma de prazeres religiosos modelados segundo o mundo e levados adiante em nome de Jesus. É o que dizem pessoas que ao mesmo tempo afirmam que crêem na segunda vinda de Cristo.

A história revela que os tempos de sofrimento da igreja têm sido igualmente tempos de alçar os olhos. A tribulação sempre deu sobriedade ao povo de Deus e o encorajou a buscar e a esperar ansiosamente o retorno do seu Salvador. A nossa presente preocupação com este mundo pode ser um aviso de amargos dias por vir. Deus fará com que nos desapeguemos da terra de algum modo — do modo fácil, se possível; do difícil, se necessário. É a nossa vez.



Texto de A. W. Tozer
Extraído do livro: "O Melhor de A. W. Tozer"

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A cristianismo instantâneo, segundo A. W. Tozer

Neste texto, o escritor A. W. Tozer nos apresenta o grave problema do cristianismo instântaneo. É evidente no ensino bíblico que a salvação é instantânea, mas o cristão é amadurecido dia após dia, de "glória em glória", no progresso da vida cristã. A ilustração mais clássica sobre este progresso é o livro de John Bunyan, O Peregrino, no qual ele descreve a longa jornada de cristão para a Cidade Celestial. Portanto, conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor.


"O cristianismo instantâneo acompanhou a idade da máquina. Os homens inventaram as máquinas com duas finalidades. Queriam fazer mais rapidamente o trabalho considerado importante e queriam ao mesmo tempo terminar logo suas tarefas a fim de dedicar-se a coisas mais do seu agrado, tais como o lazer ou gozar dos prazeres mundanos. O cristianismo instantâneo serve agora aos mesmos propósitos na religião. Ele ignora o passado, garante o futuro e libera o cristão para seguir as inclinações da carne com toda boa consciência e um mínimo de restrição.

Com a expressão "cristianismo instantâneo" estou me referindo ao tipo encontrado quase em toda parte nos círculos evangélicos, nascidos da idéia de que podemos livrar-nos de toda obrigação para com nossas almas através de um só ato de fé, ou no máximo dois, ficando tranqüilos daí por diante quanto à nossa condição espiritual, sendo então permitido inferir que não existe razão para termos um caráter santo. Uma qualidade automática, de uma vez por todas, acha-se presente neste conceito, a qual não se adapta de maneira alguma à fé apresentada no Novo Testamento."

A. W. TOZER