sábado, 5 de março de 2011

Os prazeres da carne

Por que o homem sempre busca a satisfação de seus prazeres? Neste período de Carnaval podemos observar que muitas pessoas se entregam ainda mais aos vícios e paixões carnais, e dizem que o importante é curtir ao máximo estes dias de folia. As escolas de samba e os trios elétricos levam para a avenida mulheres nuas ou seminuas e os apelos ao sexo são visíveis. Além disso, vários acidentes de carro são causados nesta época porque as pessoas bebem, perdem a noção do perigo e acabam com suas vidas e também a vida de outros. Mas o que será que a Bíblia nos diz sobre este assunto. Por que o homem está sempre interessado em satisfazer os seus prazeres carnais?

A Bíblia diz que todos nós temos uma natureza pecaminosa. O pecado habita em cada pessoa na face da terra. Todos os homens carregam dentro de si o desejo para satisfazer os prazeres do seu corpo de uma forma pecaminosa. Ou seja, o homem é escravo dos seus prazeres e pecados desde o seu nascimento. E esta natureza pecaminosa se manifesta de várias formas e em todo momento, mas na época do Carnaval as pessoas fazem questão de extravasar ainda mais seus desejos pecaminosos. O homem sempre está interessado em satisfazer seus prazeres carnais porque as cobiças do seu coração são despertadas pelo pecado que existe dentro dele.

Paulo escreve aos cristãos de Roma, na carta de Romanos 13:12-14, as seguintes palavras: “Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz. Andemos honestamente, como de dia, não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne em suas concupiscências.” O que Paulo quer nos ensinar é que existe uma solução para o grave problema do pecado que escraviza o homem. Para isto é necessário que haja um novo nascimento espiritual. Somente por meio do novo nascimento é que alguém poderá ser revestido do Senhor Jesus Cristo. Este novo nascimento é a conversão genuína por meio do arrependimento diante de Deus, que traz perdão aos pecados por meio do sangue de Cristo derramado na cruz.

Mas mesmo após a conversão o crente não está livre do pecado, pois o coração pecaminoso sempre vai procurar mostrar a sua força. O desejo de aproveitar ao máximo os prazeres da carne vai continuar existindo. Porém, com o auxílio de Cristo e do Espírito Santo, o crente tem condições de dizer “não” aos apelos do seu coração pecaminoso, e se pecar, tem um perfeito Advogado junto ao Pai. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar (I João 1:9).

Meu amigo, neste período de Carnaval o seu objetivo é curtir ao máximo e aproveitar os prazeres que a carne e o mundo oferecem? Isto acontece porque você é escravo das suas próprias paixões. Mas eu gostaria de dizer que é totalmente possível viver livre desta escravidão por meio da graça de Deus por meio de Cristo Jesus. Ainda hoje você pode confessar que depende inteiramente de Cristo para viver em liberdade, sem as algemas que lhe prendem à festa da carne. Pense nisso nesta tarde e não se iluda com os prazeres do pecado. A verdadeira alegria não se encontra nas orgias ou nas folias, nem é motivada por prazeres carnais, mas em Deus que é a fonte da verdadeira alegria e do prazer.


MEDITAÇÃO PARA PROGRAMA VIVA COM CRISTO
MARCOS AURÉLIO DE MELO

sexta-feira, 4 de março de 2011

Por uma boa hermenêutica

Compartilho nesta postagem um excelente texto do professor e hebraísta brasileiro Luiz Sayão, no qual ele aborda algumas interpretações equivocadas de textos bíblicos. É urgente a necessidade da boa hermenêutica em nossos dias, tendo em vista as inúmeras aberrações que surgem diariamente por conta de uma má interpretação das Escrituras. O título deste texto resume bem a situação: "Bíblia mal compreendida, problema sério na vida."

A maioria dos mais informados vai concordar que atravessamos um cenário complicado no evangelicalismo brasileiro. Todos sabem que a igreja cresceu demais nas últimas décadas, mas ela ainda busca um amadurecimento. Movimentos mais contextualizados e grupos voltados para a evangelização do país coloriram o cenário evangélico brasileiro nos últimos anos. Todavia, tanta euforia e eferverscência também é sinal de atenção. O fato é que a igreja precisa achar um ponto de equilíbrio entre quantidade e qualidade. Sem o estudo sério e fundamentado das Escrituras Sagradas teremos problemas insolúveis a curto prazo em nossa realidade protestante tupiniquim. Infelizmente, ainda há grupos em nosso contexto de fé que desprezam o preparo teológico, há outros que são tão estranhos que vivem na fronteira entre a categoria de seita e denominação. Há muito trabalho a ser feito para a consolidação de uma tradição evangélica autêntica no Brasil.

Ninguém pode negar que essa tarefa de consolidação passa necessariamente pela referência máxima da cristandade e dos evangélicos: as Escrituras Sagradas. A compreensão da Bíblia é absolutamente fundamental para que se tenha uma igreja séria e cristãos espiritualmente saudáveis. Por incrível que pareça, o sinal de que nem tudo vai bem no cristianismo “tropical abençoado por Deus e bonito por natureza” é que há muitos textos lidos e enfatizados em nossa tradição evangélica que são malcompreendidos, gerando inclusive crises e problemas pessoais em muitos cristãos sérios e sinceros. Vejamos alguns exemplos.

Muita gente tem sofrido com seus familiares ao ler o conhecidíssimo texto de Atos 16.31: “Crê no Senhor Jesus, e tu e tua casa sereis salvos” (A21 – Versão Almeida 21). O problema desse texto é que muitas pessoas pensam que estamos diante de uma promessa divina de que todos os nossos parentes próximos serão salvos. A verdade é que o texto não ensina isso! Em primeiro lugar, é importante destacar que como texto narrativo histórico, o versículo não pretende ser normativo. Ou seja, o relato de alguma coisa que acontece não necessariamente é norma para toda a igreja. Aqui vemos uma promessa que foi dada ao carcereiro de Filipos e não para todos! A ele foi dito que ele e “os de sua casa” (NVI) seriam salvos. No caso dele, isso talvez tivesse incluído servos ou empregados, já que a “casa” de alguém nos tempos bíblicos incluía gente que não era da família de sangue. Portanto, a verdade é que ninguém pode assegurar a conversão de seus parentes com base nesse texto. Se esse fosse o caso, ninguém veria um parente próximo morrer sem converter-se a Cristo na história, mas sabemos que isso não se verifica. Além disso, o próprio Jesus deixou claro que muitos cristãos até perderiam suas famílias por causa do evangelho: “E todo o que tiver deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por minha causa, receberá cem vezes mais e herdará a vida eterna.” (Mt 19.29 – A21). Leia também Mateus 10.35,36. Como se vê, se nos fosse prometida a conversão de todos os parentes próximos estes textos de Mateus não fariam sentido.

Quase que na mesma linha de pensamento, muitos evangélicos, principalmente pais e mães, ficam literalmente desesperados diante de Provérbios 22.6 (ARC): “Instrui ao menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele”. O que geralmente se entende desse versículo é que Deus está prometendo que uma criança levada ao conhecimento do evangelho desde pequena nunca se desviará da fé. Como uma mãe entende esse versículo diante do fato de que seu filho afastou-se da fé e da igreja? O problema não está em Deus e na Bíblia, pois o texto não está ensinando isso. Não há aqui uma garantia contra a apostasia! Em primeiro lugar, é importante afirmar que Provérbios não é um livro de promessas. De fato, suas afirmações são “máximas”, ou seja, fatos constatáveis de modo geral na vida. O texto está dizendo que aquilo que uma criança aprende desde pequena não é esquecido. A verdade é que a tônica do texto não é exclusivamente religiosa. É de criança que se aprende a andar de bicicleta, falar outra língua, tocar um instrumento, decorar versículos, etc. Além disso, devemos também ressaltar que o texto hebraico diz: “Instrui a criança no seu caminho ...”. A tradução tradicional “deve andar” interpreta o sufixo pronominal genitivo do hebraico, indo muito além do literal. Todavia, há outras alternativas de interpretação! “Instruir a criança no caminho dela” pode significar “instruí-la segundo os objetivos que os pais têm para ela” (NVI), “instruí-la no caminho devido” (ARA, ARC, A21) ou “instruí-la conforme os dons que ela tem”. As interpretações são legítimas e o texto está aberto a mais de um enfoque distinto. No entanto, é bastante seguro afirmar que o texto não está prometendo segurança de salvação para a criança que vai à escola dominical, tem pais cristãos e ouve a Bíblia desde pequeno. O assunto ali discutido não é salvação!

Outro texto geralmente mal compreendido é Filipenses 4.13. Não faz tanto tempo, trafegando pelas áreas nobres da rica cidade de São Paulo, contemplei um belo carro importado com um adesivo que ostentava orgulhosamente o verso de Filipenses. Geralmente, quando se lê este texto isoladamente, a maioria das pessoas imagina que se trata de uma promessa de fé. Por meio do poder de Cristo, eu posso alcançar tudo o que eu quiser! Assim, posso adquirir bens caros, derrotar inimigos pessoais, subir de posição, etc, por meio de Cristo. Novamente, como nos outros casos, o texto bíblico não está dizendo isso. Aqui, para que se entenda corretamente o texto é preciso entender o contexto. O apóstolo Paulo está escrevendo Filipenses na ocasião de sua prisão, muito provavelmente em Roma (Fp 1.13-14). Portanto, ele está enfatizando que por meio de Cristo podemos suportar toda e qualquer situação adversa. Basta ler o que Paulo diz um pouco antes nos versículos 11 e 12 (NVI): “Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.” Por incrível que possa parecer, o texto bíblico significa exatamente o oposto do que muita gente tem sugerido sem analisá-lo adequadamente.

Numa outra ocasião, em minhas jornadas, encontrei dois cristãos evangélicos num debate acalorado, discutindo se devemos ou não mentir em certas situações. Independentemente da discussão sobre a possível legitimidade de uma inverdade ou omissão da verdade em certas situações (como o caso de mentir ou omitir para salvar uma vida), o que estamos discutindo é o uso de textos bíblicos de maneira indevida. O argumento dos debatentes era o de que Abraão, servo do SENHOR, e amigo de Deus, em uma situação de necessidade, mentiu (Gn 12.18-20), o que legitimaria o procedimento. A questão aqui não é tão difícil: o simples relato de um texto histórico não o define como norma. Muitas vezes o texto bíblico conta-nos os erros e falhas de seus personagens exatamente para enaltecer o poder de Deus na vida de um ser humano frágil. Muita gente, porém, tenta ver méritos e qualidades especiais em cada detalhe de vida do personagem bíblico, sem contrastar o comportamento dos mesmos com as normas divinas. Assim, com base nos fatos de que Moisés ficou irado, Abraão mentiu, Jacó enganou Labão, Raabe mentiu em Jericó, Davi foi polígamo, etc, alguns tentam justificar seus pecados, afirmando que homens e mulheres de Deus do passado fizeram tais coisas e não foram punidos por isso. O equívoco é muito claro. Não podemos fazer isso: um texto narrativo não é necessariamente normativo.

Esses exemplos mencionados neste breve artigo apenas nos mostram a necessidade urgente e gritante de um conhecimento mais aprofundado da arte de interpretação da Bíblia (hermenêutica). Muitas comunidades cristãs são hoje reféns de doenças hermenêuticas prejudiciais e destruidoras para a fé. Há grupos perdendo o equilíbrio teológico e caindo no liberalismo teológico (negação do sobrenatural), numa filosofia específica, no legalismo, no misticismo desenfreado, no tradicionalismo irrefletido, entre outros problemas! É preciso estudar a Bíblia no seu próprio contexto, entendendo elementos históricos, literários e teológicos para que conheçamos ao máximo a intenção original do autor. Depois disso, temos a tarefa de destacar os princípios que estão presentes no texto, para então comparar o que descobrimos com uma análise teológica mais profunda, a partir de outros textos importantes que falam do princípio descoberto no texto inicialmente analisado. Finalmente, devemos fazer a aplicação do princípio descoberto e teologicamente analisado na realidade do cotidiano.

A verdade é que a seriedade e o valor do texto sagrado para sempre ecoará através da história, especialmente quando ouvimos como o próprio Jesus considerava as Escrituras: “Pois em verdade vos digo: antes que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará uma só letra ou um só traço da Lei, até que tudo se cumpra” (Mt 5.18 – A21).


Luiz Sayão

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Cinco razões para andar nos passos de Jesus

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL – JOVENS
IBR JARDIM AMAZONAS

ANDANDO NOS PASSOS DE JESUS

Inúmeras pessoas ao longo dos séculos já professaram que são seguidores de Jesus Cristo. No entanto, é extremamente necessário que os discípulos de Cristo conheçam o caráter do Senhor e Salvador que afirmam seguir. O tipo de caráter que é visto em Jesus deve ser visto em nós também. Será que a nossa vida é um reflexo do caráter de Jesus? E por que é importante que o crente queira parecer mais e mais com Cristo? Veremos que existem pelo menos cinco razões que explicam por que devemos andar nos passos de Jesus e parecer com Ele.

1ª razão – PARECER COM CRISTO É NOSSO CHAMADO
Em Mateus 11:28-30, Jesus faz um chamado que ecoa ainda hoje. O próprio Cristo nos deu a graciosa ordem de ir a Ele a fim de aprender. Neste contexto, a expressão “aprender de Cristo” significa render-se diante da Sua autoridade e imitar o Seu maravilhoso exemplo.
Não somos chamados, em primeiro lugar, a uma instituição ou a uma doutrina em particular, e sim, a uma Pessoa verdadeira. É do caráter dessa Pessoa que o discípulo precisa aprender. O rei Jesus nos chama para que nos aproximemos dele (“vinde a Mim”) porque esta comunhão é essencial no processo de discipulado. O chamado de Cristo não pode ser negligenciado por aqueles que colocam a mão no arado! Quando respondemos a este chamado, nossos primeiros passos com Cristo devem ser caracterizados pela atitude de imitá-Lo.

2ª razão – PARECER COM CRISTO É NOSSA OBRIGAÇÃO
Em 1 João 2:5b-6 lemos que “andar assim como Cristo andou” é um dever para o verdadeiro cristão. Neste versículo encontra-se mais um imperativo bíblico. Já que é um dever, obviamente não temos outra opção confirmada pelas Escrituras. A nossa profissão de fé verbal necessariamente precisa ser acompanhada de mudanças efetivas que nos assemelham a Jesus. “Fé em Jesus como Salvador e conformidade com seu caráter são inseparáveis.”
A Bíblia não faz uma sugestão para seguirmos o exemplo de Cristo, pois o Seu exemplo não é opcional para o cristão (Jo.13:15; Fl. 2:5; 1 Pe. 2:21). Ser como Cristo é um padrão obrigatório para o cristão de todas as épocas.

3ª razão – PARECER COM CRISTO É NOSSA MOTIVAÇÃO
Quanto mais conhecemos a Cristo, mais desejamos conhecê-Lo. E quanto mais o conhecemos, passamos a ser mais parecidos com nosso Salvador em nosso dia-a-dia. O crescimento em conformidade com o caráter de Jesus é um santo anseio que impulsiona o cristão. Com isto em mente, se o seu viver encontra-se estagnado, reavalie com urgência os seus anseios espirituais. Você anseia ser mais parecido com Cristo a cada dia? Seus planos e metas incluem assemelhar-se com Cristo?

4ª razão – PARECER COM CRISTO É NOSSO TESTEMUNHO
Muito do que o mundo conhece a respeito de Jesus Cristo resulta da observação da vida daqueles que alegam estar unidos a Cristo. Os cristãos do primeiro século tinham plena convicção da importância de imitarem o caráter de Jesus. Naquela época, o que os descrentes sabiam a respeito de Cristo era comunicado de duas formas: testemunho verbal e a vida transformada dos cristãos. Era essencial que cada crente pregasse com sua vida, embelezando assim a doutrina e recomendado-a a outros. Nada dificulta mais o testemunho da igreja cristã do que a distância entre nossas afirmações e o nosso agir, entre o Cristo que proclamamos verbalmente e o que apresentamos em nossas ações.

5ª razão – PARECER COM CRISTO É NOSSO DESTINO
Paulo escreveu a respeito do destino que Deus planejou para os Seus filhos em Romanos 8:28-29. O “bem” sobre o qual Paulo escreve é a conformidade com a imagem de Cristo. Deus já tinha o plano de redenção e restauração traçado deste a eternidade. Tendo em vista o grande alvo da nossa redenção, Deus faz tudo em nossa vida para o “bem” de nos tornar parecidos com Cristo. (1 Jo. 3:2).
Se o propósito eterno de Deus é nos conformar à imagem de Cristo, precisamos estar interessados em aprender tudo que pudermos sobre o exemplo que Cristo nos deixou, para que possamos imitá-Lo em nosso viver.

PERGUNTAS:
1 – Do ponto de vista bíblico, o que é maturidade cristã?
2 – “Deus tem a intenção de nos tornar parecidos com Cristo.” Quais as implicações desta verdade?

Adaptação do Capítulo 1
Livro: Andando nos passos de Jesus
Autor: Larry McCall

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

ANDANDO NOS PASSOS DE JESUS

Escola Bíblica Dominical de Jovens - IBR Jd. Amazonas
Livro-texto: ANDANDO NOS PASSOS DE JESUS
Autor: Larry McCall – Editora Fiel (2009) – 1ª Edição

Versículos-chave: 1 João 2:3-6

O objetivo final de Deus para todos os crentes é que se assemelhem a Jesus Cristo (Rm. 8:29). Já que Deus tem este objetivo, Ele começa a transformar-nos nesta imagem por meio do Seu Espírito, que opera em nós (2 Co. 3:18). Este processo de conformação à imagem de Cristo é chamado em geral de “santificação”: um processo continuado pelo Espírito Santo, que, entretanto, envolve a resposta intencional e a cooperação do crente (Fl. 2:12-13).
Uma dimensão do ensino bíblico sobre santificação está ligada ao exemplo de Jesus, enquanto viveu neste mundo. O exemplo da caminhada de Jesus tem sido freqüentemente ignorado ou até rejeitado mesmo no meio evangélico. Muitas vezes a ênfase sobre a obra objetiva de Cristo e seu sacrifício expiatório coloca a vida exemplar de Cristo em segundo plano. A missão redentora de Jesus foi cumprida na cruz do Calvário, mas o seu procedimento em cada situação ensina ricas lições aos cristãos de todas as épocas. Não podemos ignorar que Jesus mostrou um padrão de vida que deve ser o alvo de todo crente. Deus se agradou do procedimento do Seu Filho unigênito e requer dos Seus filhos adotivos que procedam de igual forma.
Em várias ocasiões Jesus deixou o seu exemplo e espera que seus seguidores andem de acordo com Ele. Quando Jesus lavou os pés dos seus discípulos, Ele afirmou que o Seu exemplo deveria ser imitado (João 13:15). O apóstolo Pedro escreveu a respeito do sofrimento de Cristo por nós, como um exemplo claro (1 Pe. 2:21). Paulo também convoca os crentes a imitarem o exemplo de Cristo (1 Co. 11:1). Com base nestes e em outros textos bíblicos, não resta dúvida que nós, crentes remidos pela graça, devemos prestar atenção à vida de Jesus e seguirmos o seu exemplo.
De acordo com 1 João 2:3-6, um verdadeiro seguidor de Jesus Cristo pode ser reconhecido por meio da resposta a duas perguntas cruciais:
1) Esta pessoa obedece a Palavra de Deus (3-5a)?
2) Esta pessoa segue os passos da vida de Jesus (5b-6)?

Para atestar a veracidade da nossa fé, o nosso dizer (“eu sou cristão”) deve estar de acordo com nossa conduta (“andando nos passos de Jesus”). A prova verdadeira consiste em avaliar o quanto nossa vida diária é um reflexo claro do caráter de Jesus Cristo, Aquele a quem dizemos estar seguindo. O padrão normal da vida do cristão deve ser refletir o caráter de Cristo, enquanto interage com outras pessoas no trabalho, escola ou em sua família. Afinal, todos os princípios e preceitos bíblicos para o cristão têm como objetivo a semelhança com Cristo Jesus.
O autor do livro responde à questão “O que Jesus fez?”, para nos mostrar que existe um padrão de conduta para aqueles que são verdadeiros discípulos do Senhor. Com exemplos concretos partindo das atitudes de Jesus relatadas nos Evangelhos, seremos confrontados a cada capítulo se realmente estamos “andando nos passos de Jesus”. Seremos desafiados a prestar mais atenção às ações de Jesus registradas nos Evangelhos, e aprender com tais ações a andar mais e mais como Ele andou.

PERGUNTAS:

1) Quais são alguns dos atributos do caráter de Jesus que você especialmente gostaria de ver refletidos em sua própria vida como resultado do estudo deste livro?
2) Quais são os perigos de alguém testemunhar sobre a salvação, se o único critério desta pessoa for a proclamação verbal?

“Se não estamos refletindo nitidamente o caráter de Jesus, não podemos afirmar que estamos vivendo para a glória de Deus.”

ESTUDO BÍBLICO INTRODUTÓRIO PARA E.B.D. - JOVENS
MARCOS AURÉLIO DE MELO

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O VERDADEIRO DISCÍPULO

TEXTO-BÍBLICO: JOÃO 6: 60-65

INTRODUÇÃO
Eu já trabalhei numa agência bancária durante três anos de minha vida. Durante este tempo eu tive a oportunidade de receber alguns clientes que, intencionalmente ou não, traziam algumas cédulas falsas para depositar junto com outras cédulas verdadeiras. A atenção deveria ser redobrada em dias de muito movimento, pois a circulação de dinheiro era muito grande. Para se ter uma ideia, somente no Brasil de janeiro até setembro do ano passado 270 mil cédulas falsas foram apreendidas, que somavam o valor de 14 milhões de reais. É muito dinheiro falso circulando no comércio.
Uma das dicas para perceber se uma cédula é falsa consiste em observar a marca d’água. A maioria das cédulas falsas não possui marca d'água. Mas mesmo observando a marca d’água, ainda existe o risco de a cédula ser falsa, pois algumas falsificações do Real são obtidas a partir da lavagem de cédulas de menor valor. Outra dica importante é utilizar o tato para perceber a textura e o alto-relevo de alguns desenhos da cédula. Se o papel da cédula for muito liso é um indicativo de que seja falsa.
Mas deixando de lado as cédulas falsas, é importante que entendamos que no reino de Deus há discípulos genuínos e pretensos discípulos. Ninguém melhor do que o próprio Jesus para identificar quem são seus discípulos verdadeiros. Diante de Cristo nenhuma falsificação se sustenta, pois Ele conhece as intenções do coração humano. Por isso, precisamos observar quais as diretrizes que Jesus utilizou para delimitar os verdadeiros discípulos: “Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair” (Jo. 6:64). Os falsos discípulos são o joio no meio do trigo que no tempo da colheita serão arrancados e queimados, conforme a parábola contada por Jesus. A mera semelhança exterior não significava que era o trigo verdadeiro plantado por Deus – como diz o ditado: nem tudo que reluz é ouro.
Neste texto em epígrafe, Jesus confronta os seus ouvintes com perguntas e afirmações contundentes. Todo o capítulo 6 de João apresenta o discurso de Cristo aos seus pretensos seguidores que começaram a segui-lo após a multiplicação dos pães. Na multidão que passou a seguir Jesus havia pessoas sem o menor compromisso com o custo do discipulado, que foram atraídas por fatores menores.
Diante destes fatos contextualizados no capítulo 6 do Evangelho de João, eu afirmo que:

“CERTAS CONVICÇÕES SÃO FUNDAMENTAIS PARA DISTINGUIR O VERDADEIRO DISCÍPULO DE CRISTO”

Este assunto requer nossa maior atenção, tendo em vista que são muitos os que irão chegar diante de Deus alegando que fizeram maravilhas e milagres em nome de Cristo, mas não herdarão a vida eterna. Os pretensos discípulos de Cristo um dia serão desmascarados diante do Senhor, e não ficará nada encoberto (Hb. 4:13). “A fé salvadora comunica uma convicção bem arraigada e inabalável de que as reivindicações do Cristianismo são absolutamente verdadeiras” (Jonathan Edwards, em Afeições Religiosas). Não podemos nos basear em critérios meramente exteriores, pois muitas pessoas no atual contexto evangélico se passam por discípulos de Cristo, quando na verdade são lobos em pele de ovelha ou hipócritas. Os critérios corretos para distinguir o verdadeiro discípulo de Cristo se baseiam em convicções íntimas que surgem através de uma obra divina. Somente o Espírito de Deus pode trazer ao coração de uma pessoa tais convicções. Veremos quatro convicções fundamentais que distinguem o verdadeiro discípulo de Cristo:

1 – A CONVICÇÃO DE QUE O SACRIFÍCIO DE CRISTO É SUFICIENTE (vs. 60, 61)

Precisamos recorrer ao contexto imediato desta passagem, para averiguarmos que discurso os pretensos seguidores de Jesus consideraram duro de engolir. A carne e o sangue denotam o sacrifício de Cristo e a redenção operada por Ele, com todos os benefícios preciosos da redenção: o perdão do pecado, a aceitação de Deus, o caminho ao trono de graça, as promessas da aliança, e a vida eterna. “Comer a carne e beber o sangue significa crer que o sacrifício de Cristo é totalmente suficiente.” (Matthew Henry). Assim como o alimento físico satisfaz o nosso corpo, assim também somente o sacrifício de Cristo é completamente satisfatório para a alma (Jo. 6: 35, 51, 53, 55, 58). A linguagem figurada que Jesus utilizou causou espanto aos seus ouvintes, por isso muitos concluíram que tal discurso era duro de aceitar (eles entenderam o recado, mas não queriam submeter-se).
É de fundamental importância que o verdadeiro discípulo entenda plenamente o significado do sacrifício expiatório de Cristo. Ao morrer no Calvário, Jesus entregou o seu corpo e derramou o seu sangue para ser o sacrifício aceitável a Deus, como pagamento pelo pecado do homem. Desta forma, o débito que constava de ordenanças não-cumpridas foi totalmente pago por Cristo que o encravou na cruz (Cl. 2:14). A boa nova do Evangelho é que não há mais nenhuma dívida em aberto, por conta da morte sacrificial de Cristo em favor de pecadores (Hb. 10:12).
Logo no início do seu ministério João Batista se referiu a Jesus Cristo como o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29). Jesus verdadeiramente é o cordeiro providencial e sem mácula que foi oferecido para assegurar a salvação de muitos. O sangue de Cristo vertido na cruz do Calvário é suficiente para salvar o pecador e torná-lo uma nova criatura para a glória de Deus. O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele. Não há nada mais a acrescentar, pois o preço do resgate foi pago totalmente. Em Isaías 53:11, lemos que “Deus verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito.” O que isso significa? Significa que o sacrifício do Cordeiro de Deus no madeiro foi aceito como pagamento suficiente por nossos pecados. E é importante destacar que o Cordeiro de Deus já estava preparado desde a eternidade, a crucificação de Cristo não foi um acidente nos planos soberanos de Deus.
A verdade bíblica da suficiência do sacrifício de Cristo é um escândalo para o homem, isto é, ofende o orgulho humano. O homem quer de alguma forma acrescentar alguma coisa que seja útil para assegurar ainda mais a sua salvação. Porém, Jesus pagou o preço e não há nada mais que o homem possa fazer para garantir a sua salvação. Por isso, o ensino que defende a manutenção da salvação por meio de boas obras é antibíblico e joga fora toda a essência do Evangelho. Não podemos confiar em Cristo e em nossas boas obras para garantir a aceitação ao lado de Deus. É como alguém que usa cinto e suspensório para segurar a calça. Afinal, em que ele confia realmente? Paulo confrontou os gálatas, pois eles estavam deturpando o evangelho de Cristo com acréscimos inúteis (Gl. 1: 6-7).
Que implicações práticas esta convicção traz para as nossas vidas? Esta convicção nos liberta do jugo de escravidão ao cristianismo que tenta barganhar com Deus em busca de pontos. A pregação que tem ganhado espaço atualmente é estranha e perigosa: “Quanto maior a sua performance, mais abençoado você será.” “Fazer prova com Deus” é um tipo de evangelho egocêntrico que está em alta. Mas a nossa aceitação diante de Deus não está baseada em méritos pessoais; nós somos aceitos e abençoados por Ele por causa do sacrifício perfeito oferecido por Cristo Jesus.

2 – A CONVICÇÃO DE QUE A PESSOA DE CRISTO É PREEMINENTE (vs. 62)

Quando Jesus usou a expressão anthropou huios, que é a expressão grega para “Filho do Homem”, mostra que “o Filho do Homem” é um título divino, tirado de Daniel 7:13-14. Esta passagem descreve uma visão de alguém, “como um filho do homem”, que “vem com as nuvens” para a presença do “Ancião dos Dias”, que lhe dá o reino universal e eterno de Deus.
Jesus iria subir ao céu porque sua origem é celestial. Jesus é o Filho glorioso de Deus que habita em esplendor desde a eternidade. Ele está entronizado à destra do Pai, ocupando a posição de autoridade que lhe é devida e intercedendo por seus servos como Sumo-sacerdote. Na sua morte, o discípulo Estevão contemplou Cristo investido de autoridade e majestade: “Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus” (Atos 7:56).
A pessoa bendita de Jesus Cristo deve despertar a nossa adoração, pois Ele é Deus entre os homens. Em determinada ocasião, Jesus foi transfigurado diante dos seus discípulos mais próximos (Pedro, Tiago e João). Aqueles homens tiveram um claro vislumbre da glória de Cristo, o Rei poderoso que é honrado pelos anjos por toda a eternidade (Mt. 17:1-9). Apesar de ter sido humilhado, Jesus é o Rei exaltado, entronizado acima dos querubins e serafins (Fp 2: 9 –11).
Muitos ensinos falsos defendem que Cristo foi apenas um ser criado. Mas o ensino bíblico é totalmente diferente: Cristo é o filho Unigênito de Deus – único do gênero, não existe outro tal como Jesus Cristo. Para combater heresias que deturpavam a pessoa de Cristo, Paulo escreve à igreja em Colossos (Cl.1:15-19), defendendo a primazia de Cristo e abordando a singularidade da pessoa bendita do Senhor.
Jesus Cristo é o Rei supremo revestido de todo poder. Um dia Ele virá para julgar com seu cetro de justiça: "Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras" (Mt. 17:27). A visão correta sobre quem é Jesus Cristo nos capacita a viver de modo submisso diante de Sua autoridade. Por isso o nosso procedimento deve ser coerente com a fé que professamos no Filho de Deus, o Juiz supremo de todas as nações, raças, tribos e povos.
A supremacia de Cristo é uma verdade que deve ocupar nossas mentes diariamente. Talvez você não tenha nenhuma dúvida a respeito da preeminência do Senhor Jesus Cristo. É um ensino muito claro nas Escrituras. Mas a pergunta é a seguinte: Até que ponto esta convicção sobre a preeminência de Cristo tem influenciado mudanças efetivas em seu viver? É importante lembrar que um dia todo crente estará diante de um tribunal: "Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo" (2 Coríntios 5:10). A música “Frente a frente”, do grupo Logos expressa que muitas vezes “esquecemos que um dia estaremos frente a frente com o Senhor”.
Os pretensos discípulos não levam a sério a preeminência do Senhor sobre suas vidas. Mas o discípulo genuíno é alguém convicto da majestade de Cristo e que efetua mudanças em seu viver diante desta convicção. Sabemos que Jesus é o único digno de todo louvor e adoração, mas até que ponto a adoração que prestamos ao Rei dos reis se estende em nosso viver diário? Se realmente somos servos convictos da Majestade de Cristo, então devemos viver de modo coerente com esta verdade. Se existe todo um protocolo a ser seguido diante de uma autoridade (presidente, senador, juiz), quanto mais diante do Rei soberano de todo o universo? Você teme e treme ao pensar na preeminência de Cristo Jesus?

3 – A CONVICÇÃO DE QUE A PALAVRA DE CRISTO É EFICIENTE (vs. 63)

Somente a palavra de Cristo transforma o coração do homem. Ela é eficaz e eficiente para trazer vida a alguém que está morto em seus delitos e pecados. A palavra de Cristo engloba todas as suas instruções que moldam o caráter de homens e mulheres ao longo dos séculos. Cristo mostrou aos seus discípulos que a sua palavra era verdadeira e digna de total confiança, e por conta disso podemos nos apegar sem temor ao que “está escrito”, para que tenhamos vidas transformadas.
Cristo nos ensinou que a santificação na vida do discípulo se dá por intermédio da aplicação da verdade bíblica no viver diário: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:17). Na sua oração sacerdotal Cristo orou pela santificação dos discípulos verdadeiros, exclusivamente com base nas Escrituras. Não há alternativa para a maturidade espiritual. Por isso, o cristão que negligencia o alimento sólido da Palavra do Senhor está fadado à estagnação e ao retrocesso em sua vida.
Paulo é um exemplo marcante da firme convicção da eficiência da Palavra de Cristo. Ele foi ricamente usado por Deus na propagação do Evangelho porque sabia que a sua fé não estava alicerçada em terreno inseguro. Paulo sabia que a fé genuína e vivificadora só é possível mediante a pregação da Palavra de Cristo, sem a qual o homem permanece morto em seus delitos e pecados (Rm. 10:17, Ef. 2:1).
Muitos crentes se tornaram raquíticos e sem apresentar nenhum crescimento porque não se apropriaram do rico “maná” que está ao seu alcance. A palavra de Deus é negligenciada ao extremo em nossa geração, e é por isso que não há vigor ou ânimo para a vida cristã. Ninguém pode crescer em santidade com base em filosofias humanas – pois o máximo que se consegue é uma boa índole. Mas o cristão genuíno está sempre convicto da necessidade de se apegar à Palavra do Senhor e fazê-la parte de sua vida, tal como o profeta Ezequiel que comeu o livro e na sua boca era doce como o mel (Ez. 3:3). O salmista Davi no Salmo 1 expressa a importância de uma meditação efetiva na “lei do Senhor” e o prazer que esta atitude faz nascer. O ensino por trás deste Salmo é que, assim como uma árvore dá os seus frutos na estação apropriada, assim também o homem que se interessa verdadeiramente pela palavra do Senhor produzirá frutos para a glória de Deus.
Os verdadeiros frutos na vida do crente só procedem de um coração que está convicto sobre a eficiência da palavra de Cristo. Nenhuma pessoa pode produzir nada por si mesmo, sem que a semente santa da palavra do Senhor brote em seu coração. A Palavra de Cristo plantada em nossos corações é a garantia de que haverá bons frutos para a glória de Deus em nossas vidas. A linguagem utilizada pelo profeta Isaías expressa exatamente isto: “Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei” (Isaías 55: 10-11).
A Palavra de Cristo tem sido eficiente em sua vida para mudar atitudes e práticas que desonram a Deus? Se nada tem mudado em seu viver mediante a Palavra de Cristo, com certeza o problema não está na Palavra, pois ela é totalmente eficiente (Hb. 4:12). O problema é que nós somos negligentes em empreender as verdades bíblicas no viver diário. Uma das provas confiáveis de que a Palavra de Cristo habita ricamente em nossos corações (Cl. 3:16) é a mudança (processo de despojar e revestir) e a prática contínua e progressiva dos princípios bíblicos em nossas frentes de batalha.

4 – A CONVICÇÃO DE QUE A COMUNHÃO COM CRISTO É UM PRESENTE (vs. 65)

Se não for uma concessão da livre iniciativa divina, ninguém teria comunhão com Cristo. O ensino neste texto é que ninguém pode achegar-se a Cristo sem a atuação soberana de Deus. Em outras palavras, não é o homem quem busca a Deus; é Deus quem busca e resgata o homem.
Ser um genuíno seguidor de Cristo não é fruto da capacidade inata do homem. Muito pelo contrário, o discípulo verdadeiro tem plena convicção de que esta comunhão com Cristo é fruto de um ato generoso da parte do Deus soberano. Ninguém pode vir a Cristo por seus próprios méritos, tendo em vista que o pecador não possui mérito nenhum. Então, é tão somente pela graça e bondade do nosso Deus, que um morto em delitos e pecados é feito nova criatura (Ef. 2:1), que um cego espiritual começa a enxergar as maravilhas divinas, que um condenado é declarado livre, que um pecador é declarado justo. Esta dádiva do Pai celeste é outorgada livremente a quem Ele quer.
Paulo escreve a Timóteo relembrando-lhe a respeito da iniciativa divina em resgatar os pecadores: “[Deus] que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos” (1 Tm. 1:9). É bom que fique bem claro que não há nenhum mérito no homem que poderia ser interpretado como sendo uma condição que induziu Deus a realizar SUA escolha. A condição da escolha primária não foi do homem, mas Deus escolheu o homem “para a si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef. 1:5,9,11). Os salvos são pessoalmente e individualmente conhecidos por Deus, em uma maneira especial de todos que foram criados por Ele, antes da fundação do mundo (Ef. 1:4; Tito 1:2). Sendo assim, a comunhão com Cristo já tinha sido planejada desde a eternidade para os eleitos de Deus.
Não podemos esquecer por um minuto sequer que a comunhão que desfrutamos com Cristo hoje é fruto do agir soberano de Deus. Sem a Sua Graça providencial que nos chamou para a santa vocação, eu e você não teríamos a menor condição de buscar a comunhão com Deus através de nossos próprios esforços. O apóstolo Paulo escreveu o resumo deste ensinamento: “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm. 6:23).
De que forma esta verdade bíblica influencia o viver do discípulo verdadeiro? Ao invés de ostentar qualquer resquício de orgulho, o discípulo verdadeiro reconhece sua pequenez diante da insondável graça de Deus. O cristão deve cultivar em seu dia-a-dia um coração humilde diante da salvação gratuitamente ofertada por Deus. Esta verdade coloca o discípulo no seu devido lugar porque o faz enxergar a grave enfermidade do coração e o remédio gracioso providenciado por Deus. O ensino bíblico sobre o presente que Deus concede a quem Ele quer, é um poderoso remédio para tirar o orgulho de nossos corações. Com corações gratos e alegres, devemos servir ao Senhor que nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor (Cl. 1:13). Com ânimo e disposição, devemos viver o Evangelho na íntegra para mostrar ao mundo a suprema riqueza da graça de Deus.
A convicção a respeito do precioso presente de Deus outorgado aos remidos é um bálsamo para a alma. Somente o discípulo genuíno glorifica a Deus diariamente por esta decisão soberana e eterna. Além disso, nós não podemos negligenciar que fomos chamados para ser povo de Deus com o propósito de “proclamarmos as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe. 2:9). Você tem vivido de modo digno desta santa vocação para a qual foi chamado?

MARCOS AURÉLIO DE MELO
MENSAGEM NO EVANGELHO DE JOÃO

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Insensibilidade para discernir

TEXTO: AGEU 1:1-11

PARA ALINHAR-SE COM A VONTADE DE DEUS O CRISTÃO PRECISA REMOVER ALGUNS OBSTÁCULOS


3º OBSTÁCULO: INSENSIBILIDADE PARA DISCERNIR A DESAPROVAÇÃO DIVINA (vs. 5 e 7)
"Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Considerai o vosso passado." A palavra “considerar” significa refletir seriamente sobre a situação, ponderar com atenção, avaliar os fatos, analisar com cuidado. A NVI traduziu assim: "Vejam aonde os seus caminhos os levaram" e outra versão: "Pensem bem no que tem acontecido com vocês."
A história recente testemunhava contra o procedimento do povo de Israel. Havia claros indicativos que Deus não estava aprovando esta negligência da construção do templo: o dinheiro não dava para nada, o alimento não saciava, as vestimentas não tinham qualidade, a produção agrícola estava em crise, os recurso eram escassos. Enfim, a bênção de Deus não repousava sobre os que retornaram do exílio por conta da desobediência. Os fatos apontavam claramente que tinha algo errado. Todos estes acontecimentos deveriam ter chamado a atenção do povo para a desaprovação do Senhor. O grande problema é que o povo estava insensível e não teve o discernimento espiritual diante dos fatos. O profeta Ageu foi enviado pelo Senhor para mostrar que o povo não estava alinhado com a vontade de Deus, por conta desta insensibilidade espiritual.
O exemplo do rei Davi ilustra este tópico. Após cometer os pecados de adultério, mentira e assassinato, seu coração se tornou insensível. Mas o texto bíblico relata que aquele procedimento de Davi não passou despercebido aos olhos do Senhor: “Passado o luto [pela morte de Urias], Davi mandou buscá-la [Batseba] e a trouxe para o palácio; tornou-se ela sua mulher e lhe deu à luz um filho. Porém isto que Davi fizera foi mal aos olhos do SENHOR” (II Sm. 11:27). A NVI traduz assim: “o que Davi fez desagradou ao Senhor.” Mas o rei Davi não estava sensível para perceber a desaprovação divina. Apesar de toda a angústia pessoal (descrita no Salmo 32:3: “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia”), somente após a repreensão do profeta Natã é que a ficha realmente caiu e Davi admitiu a sua culpa diante de Deus suplicando por misericórdia e graça (Salmo 51).
Quando o Espírito Santo nos convence de pecado, geralmente este convencimento é acompanhado de um profundo pesar no coração por termos desagradado ao Senhor. Somos incomodados por saber que ferimos ao nosso Deus que é santo, e, muitas vezes perdemos até o sono. A partir deste ponto temos duas alternativas: ou nos rendemos imediatamente e nos alinhamos com a vontade do Senhor, ou permanecemos insensíveis e continuamos desalinhados em relação à vontade divina. É como um motorista que percebe a luz do óleo acesa no painel do seu carro e tem duas alternativas: parar o carro e providenciar o conserto, ou quebrar a luz do painel e continuar sua viagem. Com certeza ele não irá muito longe!
Há muitos crentes que não percebem que estão enfrentando um período disciplinar por causa de sua desobediência. Em vários momentos os fatos indicam que Deus não está aprovando suas atitudes, mas ainda continuam cegos e com corações endurecidos. Às vezes a reprovação divina vem através de um irmão (um Natã) que nos traz um alerta com base em princípios bíblicos claros. Na maioria dos casos, a resistência diante da repreensão de um irmão se torna ainda maior e assim a consciência se torna mais insensível. O pecado ocasiona sérias lesões na consciência espiritual e tem um poder cauterizador, tornando a pessoa insensível às repreensões divinas. Mas a verdade é que não se ganha nada fazendo vista grossa diante da reprovação do Senhor. Enquanto o crente permanece mergulhado nesta insensibilidade para discernir a reprovação de Deus, é certo que ele não vai conseguir alinhar-se com a vontade do Senhor. Este obstáculo na vida do cristão é o resultado direto de um abandono da comunhão íntima e pessoal com Deus.
O crente precisa desenvolver a sensibilidade espiritual para perceber que está andando fora dos trilhos. Esta sensibilidade não nasce da noite para o dia. É um processo contínuo e crescente que se aperfeiçoa através da comunhão com Cristo e da meditação nas Escrituras. O crente que negligencia estes recursos nunca se tornará sensível diante da desaprovação divina. Deus pode utilizar situações da vida para mostrar que não está de acordo com o nosso procedimento, mas Ele nos comunica a Sua vontade principalmente por meio da Sua Palavra. É urgente a necessidade de um alinhamento com a vontade Deus conforme revelada na Bíblia.
Meu irmão, você tem percebido evidências em sua vida que mostram a reprovação de Deus por alguma atitude sua? Ultimamente, você tem sido incomodado pelo Espírito Santo de Deus para mudar de postura com relação a algum procedimento pecaminoso? Não permaneça insensível diante destas evidências e recorra a Cristo em oração o quanto antes para que o seu coração não endureça ainda mais. O crente que se mantém rebelde e insensível mesmo sendo repreendido não terminará bem (Provérbios 29:1).

MARCOS AURÉLIO DE MELO
SERMÃO EM AGEU 1

Incoerência para definir as prioridades

TEXTO: AGEU 1:1-11

PARA ALINHAR-SE COM A VONTADE DE DEUS O CRISTÃO PRECISA REMOVER ALGUNS OBSTÁCULOS

2º OBSTÁCULO: A INCOERÊNCIA PARA DEFINIR AS PRIORIDADES (Vs. 3, 4 e 9c)
"É tempo de habitardes vós em casas apaineladas (casas de fino acabamento), enquanto esta casa permanece em ruínas?" (vs. 4) e "cada um de vós corre por causa de sua própria casa” (vs. 9c). A NVI traduziu da seguinte forma: “cada um de vocês se ocupa com a sua própria casa.”

Para o povo de Israel pós-exílico, que não estava alinhado com a vontade do Senhor, o luxo deveria vir primeiro. Eles estavam construindo casas “apaineladas” – isto é, de fino acabamento. A ideia original do versículo aponta para forros feitos de cedro, um tipo de madeira nobre e requintada. As casas construídas com perfeição eram uma prova cabal de que o povo tinha outras prioridades, por exemplo, conforto e segurança. Os judeus resolveram investir em mansões belíssimas e deixaram de lado o projeto de reconstrução do templo do Senhor. O povo foi incoerente ao evitar os investimentos na casa do Senhor e priorizar investimentos astronômicos em suas próprias casas.
A incoerência para definir prioridades é claramente perceptível neste texto. O judeu sem um templo fica sem fundamentos, porque toda a lei mosaica estava alicerçada em sacrifícios no templo e festas anuais. Nesta época, todas as cerimônias e comemorações judaicas estavam em plena vigência mesmo após o cativeiro na Babilônia. Assim, seria imprescindível que o povo judeu reconstruísse primeiro o templo, onde poderiam oferecer holocaustos e ofertas pacíficas pelo pecado da nação e por pecados individuais. Mas a prioridade ao retornar do exílio não foi essa, tendo em vista que o povo se ocupou em erguer palácios onde dormiriam confortavelmente. Após 70 anos de cativeiro, a prioridade deveria ser reconstruir com diligência o lugar onde poderiam adorar ao Deus Eterno.
A escolha feita pelo sobrinho de Abraão, Ló, serve para ilustrar como as prioridades equivocadas atrapalham a nossa vida. Em Gênesis 13: 10-13, lemos o seguinte: “Levantou Ló os olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada (antes de haver o SENHOR destruído Sodoma e Gomorra), como o jardim do SENHOR, como a terra do Egito, como quem vai para Zoar.” Ele foi armando suas tendas mais e mais perto da cidade de Sodoma, onde os homens eram maus e grandes pecadores contra o SENHOR. Ló fez sua escolha com base em prioridades estritamente vantajosas sob o ponto de vista humano. Mas o homem espiritual guia-se pelo que é importante sob o ponto de vista de Deus. A prioridade do crente deve ser viver como cidadão do reino de Deus, em justiça e santidade, sem iludir-se com o “canto da sereia” deste mundo (1 Jo. 2:15).
Quem deseja seguir a Jesus Cristo deve fazê-lo prioritariamente, sem ocupar-se com assuntos periféricos. Muitas pessoas estão atreladas aos encantos deste mundo e por isso nunca priorizam um relacionamento vivo e autêntico com Cristo. Nesta sociedade competitiva em que impera “a lei da selva” (vence o mais forte), as prioridades estão relacionadas com simplesmente “ganhar a vida.” Mas Jesus faz uma pergunta que vai direto ao xis da questão: “Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mt. 16:26). Em outra ocasião alguém se apresentou e recebeu o chamado de Jesus para segui-Lo: "A outro disse Jesus: Segue-me! Ele, porém, respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Mas Jesus lhe respondeu: Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos" (Lc. 9: 59,60). Jesus não estava pedindo ao homem que desrespeitasse seu pai (que ainda estava vivo), mas sim que colocasse em ordem suas prioridades. A prioridade daquele homem não era seguir resolutamente a Cristo, mas sim, receber a sua parte da herança após a morte do seu pai. Para provar se alguma coisa é a nossa prioridade máxima devemos observar o que estamos dispostos a sacrificar para realizá-la ou tê-la.
Em que aplicamos nossos recursos e talentos prioritariamente? O fato é que nossos valores e prioridades são refletidos na maneira como usamos nossos recursos - tempo, dinheiro, força e talentos. Com certeza, recursos e talentos devem estar a serviço de nosso Salvador, pois fomos comprados com alto preço. O comprometimento integral só será possível à medida que Deus e seu Reino se tornarem os valores mais importantes para nós. Por isso, devemos examinar as nossas prioridades diariamente a fim de constatarmos onde está o peso maior: nos nossos prazeres imediatos ou na vontade de Deus? Será se o bezerro do Senhor não é o primeiro a ser sacrificado?
Quando afirmamos verbalmente que amar a Deus sobre todas as coisas é o primeiro e maior mandamento, devemos viver de modo coerente com esta afirmação. Se Deus é o nosso dono e Cristo é o nosso exemplo, precisamos ser coerentes ao definir nossas prioridades. Para estabelecer nossas prioridades, é importante lembrar que as mesmas coisas que eram importantes para Jesus devem ser importantes para nós. Se alguma coisa tinha grande prioridade para Ele, isso também tem que ter prioridade para nós. Você está com falta de apetite pelo que é celestial? Como está o seu apetite pelas coisas que são do alto? As prioridades que envolvem valores espirituais estão incluídas nos seus planos para este ano? Quais são as suas prioridades para este ano de 2011?

OBS.: ESTE SERMÃO FINALIZA NA PRÓXIMA POSTAGEM.

Indisposição para agir prontamente

TEXTO: AGEU 1:1-11

PARA ALINHAR-SE COM A VONTADE DE DEUS O CRISTÃO PRECISA REMOVER ALGUNS OBSTÁCULOS

1º OBSTÁCULO: A INDISPOSIÇÃO PARA AGIR PRONTAMENTE
"Não veio ainda o tempo, o tempo em que a Casa do SENHOR deve ser edificada." (vs. 2)

A alegação do povo era de que o tempo para edificar a Casa do Senhor não tinha chegado ainda. Apesar de a obra ter ficado parada por 20 anos, o povo não tinha pressa em reconstruir o templo. A inércia do povo demonstrava o seu total desinteresse em ver a obra recomeçar, e por isso davam tempo ao tempo. Este comportamento indolente mostra claramente que seus corações não estavam inflamados pela necessidade de adorar ao Senhor novamente no seu Santo Templo. “Não veio ainda o tempo”, era um modo de expressar a completa indisposição deles em recomeçar a obra que estava abandonada. O decreto expedido pelo rei persa Dario exigia que a obra de reconstrução do templo fosse feita com pontualidade (Ed. 6:12), mas mesmo com este decreto não houve maiores avanços na obra até a exortação do profeta Ageu.
Quando Cristo convocou os seus discípulos, observamos uma palavra que expressa prontidão: “imediatamente” ou “no mesmo instante” (Mt. 4:22, 22). Os discípulos que eram pescadores deixaram imediatamente suas redes e seguiram a Jesus. Da mesma forma quando Deus requisitou que o filho de Abraão fosse oferecido como sacrifício no monte Moriá, não houve nenhuma morosidade da parte de Abraão em atender à ordem do Senhor. Ele prontamente obedeceu (Gn. 22). Outro exemplo é encontrado no livro de Atos. Filipe recebeu uma ordem: “Um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Dispõe-te e vai para o lado do Sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza; este se acha deserto. Ele se levantou e foi” (Atos 8:26). Não houve nenhuma relutância da parte de Filipe, pois ele estava interessado em fazer a vontade de Deus em qualquer lugar que fosse. O chamado de Deus exige prontidão e disposição, pois a falta de diligência é um atestado de nosso desalinhamento com a vontade do Senhor.
Outro nome para este obstáculo na vida do crente é “procrastinação” – a palavra vem do latim procrastinatus: pro (à frente) e crastinus (de amanhã). A procrastinação na vida cristã é um grande empecilho para o crente alinhar-se com a vontade do Senhor. O ditado que se tornou prática para muitos cristãos é “nunca deixa para fazer amanhã, o que você pode fazer depois de amanhã.” E enquanto houver amanhã, a morosidade persiste. Quando o crente se torna dominado por esta apatia e sem disposição para agir com a urgência devida, é sinal de um grave descompasso com a agenda divina. O sábio Salomão nos deixou a seguinte advertência: “Quem somente observa o vento nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará” (Eclesiastes 11:4).
O crente não pode ser um prisioneiro da procrastinação, sempre arrumando desculpas para a sua letargia. O cristão que deseja alinhar-se com a vontade do Senhor, precisa ter prontidão para agir no tempo que se chama HOJE. No livro aos Hebreus 3:7-8, o autor desafia os leitores a uma postura diferente do povo de Israel que não entrou na terra prometida: “Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração como foi na provocação, no dia da tentação no deserto.” Não podemos protelar as mudanças que Deus requer que façamos em nossas vidas hoje. Não podemos ser tão morosos em realizar a obra do Senhor. A procrastinação é um pecado que nos afasta de exercer as responsabilidades que Deus nos dá hoje.
A morosidade espiritual contamina toda a nossa vida. As mudanças que Deus requer de nós muitas vezes são adiadas e os ajustes que precisam ser feitos, são deixados para “depois”. Como já sabemos, existem crentes que são eternas promessas – nunca resolvem tomar uma atitude para alinhar-se com a vontade de Deus e sempre estão afundados numa letargia espiritual. Assim, resolvem procrastinar decisões que são urgentíssimas em suas vidas e, por isso, sofrem as conseqüências desta negligência. Entra ano e sai ano e nada de efetivo é observado em suas vidas. As orientações divinas para o crente devem ser implantadas imediatamente, isto é, sem delongas. Muitos crentes estão com suas vidas estagnadas porque nunca se dispõem a agir com diligência.
Existe alguma decisão, posicionamento ou atitude que está sendo protelada e adiada? Deus nos apresenta por meio da Bíblia algumas mudanças que precisamos empreender com urgência em nossas vidas. Será que você está negociando condições para perdoar alguém enquanto observa o tempo passar? Ou será que existe alguma ajuda que você pode prestar a alguém e ainda não deu o primeiro passo? Lembre-se de Provérbios 3:27-28: “Quanto lhe for possível, não deixe de fazer o bem a quem precisa. Não diga ao seu próximo: ‘Volte amanhã e eu lhe darei algo’, se pode ajudá-lo hoje.” Quais são os ajustes em sua vida que estão sendo adiados há muito tempo? Hoje é o tempo para realizar tais ajustes, para a glória de Deus. Enquanto não removermos o obstáculo da indisposição para agir prontamente, não estaremos aptos para experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus em nosso viver.

OBS.: ESTE SERMÃO CONTINUA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Um alinhamento indispensável

TEXTO-BÍBLICO: AGEU 1:1-11

INTRODUÇÃO

O alinhamento e o balanceamento veicular são fundamentais, uma vez que o sistema de suspensão e os pneus estão expostos a um processo normal de desgaste em função das condições de uso do veículo. O uso indevido do veículo e a má conservação de estradas (buracos, pedras, ausência de asfalto) contribuem para acelerar o processo de desgaste dos componentes do sistema de suspensão e direção, o que além de comprometer a dirigibilidade do veículo, aumenta o consumo de combustível.
Por esses motivos recomenda-se uma análise periódica no sistema de suspensão do veículo através de equipamentos apropriados para realizar ajustes corretivos, seguindo tolerâncias específicas de cada veículo determinadas pelos próprios fabricantes. Para evitar acidente ou maiores prejuízos, é importante fazer o alinhamento a cada 5.000km rodados ou a cada troca de pneus, ou antes de realizar uma viagem. O alinhamento dos faróis também é um importante item de segurança que necessita periodicamente ser verificado, para evitar o ofuscamento dos outros motoristas.
Mas hoje eu gostaria de abordar sobre outro tipo de alinhamento. Muito mais importante do que ter os pneus do carro devidamente alinhados, é indispensável que a vida do crente esteja devidamente alinhada com a vontade de Deus. Este alinhamento com a vontade de Deus precisa ser contínuo para que graves problemas não aconteçam. Não podemos esperar a data de uma “revisão espiritual”, é importante diagnosticar se estamos alinhados com a vontade de Deus diariamente. Sabemos que é perigoso fazer uma viagem com o veículo desalinhado, mas é extremamente mais perigoso estar com a vida desalinhada com a vontade do Senhor.

O texto bíblico em Ageu 1: 1-11 nos apresenta a exortação do profeta Ageu a um povo que estava totalmente desalinhado com a vontade do Senhor. Lembremos que a vontade de Deus era bem clara: o seu templo deveria ser reerguido para que o povo se ajuntasse em adoração novamente. O verso 8 não deixa dúvidas: "Subi ao monte, trazei madeira e edificai a casa; dela me agradarei e serei glorificado, diz o SENHOR." O que é agradável a Deus deve ser agradável também ao cristão.
Deus despertou até reis ímpios para cumprir os Seus desígnios – todo o processo de retorno do exílio prova que a boa mão do Senhor estava governando a história. Ciro, o rei da Pérsia, emitiu um decreto autorizando o retorno dos exilados para reconstruir o templo em Jerusalém (Ed. 1:1-4). Não há duvida de que sob a vontade soberana de Deus, o reinado de Ciro foi usado para levar os israelitas de volta à sua terra natal, depois de permanecerem setenta anos no exílio. Desta forma, muitas pessoas começaram a voltar para Jerusalém. A reconstrução do templo foi iniciada, mas logo foi abandonada. Depois de aproximadamente 20 anos, no ano 520 a.C, o profeta Ageu entra em cena para despertar o povo. As palavras de Ageu neste contexto serviram para alinhar o povo com a vontade de Deus. Então, tendo como base as advertências feitas por intermédio do profeta Ageu, eu gostaria de afirmar o seguinte:

“PARA ALINHAR-SE COM A VONTADE DE DEUS O CRISTÃO PRECISA REMOVER ALGUNS OBSTÁCULOS”

O desejo de todo crente deve ser alinhar-se com a vontade de Deus, para que o seu viver seja agradável ao Senhor. Se não é este o nosso sincero desejo, estamos perdendo o nosso tempo. O cristão genuíno almeja sempre estar no rumo certo, desfrutando cada dia da boa, perfeita e agradável vontade de Deus.
Deus requer dos seus filhos um comportamento condizente com a Sua Vontade revelada nas Escrituras. Quando a vida do crente está desalinhada em relação à vontade de Deus é porque existem certos obstáculos que não foram removidos. Qualquer obstáculo que nos impede de realizar a vontade de Deus não pode ser tolerado. Se estivermos rendidos diante destes obstáculos, é um claro sinal de não estamos vivendo para a glória de Deus. É por isso que é relevante identificar e remover estes obstáculos, para que possamos prosseguir na caminhada com Cristo, sempre mantendo o alinhamento com a vontade d’Ele para as nossas vidas. O rumo certo na vida cristã só é possível quando estamos alinhados com a vontade do Pai.

Que obstáculos o cristão precisa remover para alinhar-se com a vontade de Deus? De acordo com este texto o cristão precisa remover três obstáculos para alinhar-se com a vontade de Deus, que serão abordados neste sermão.

OBS.: ESTE SERMÃO CONTINUA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Esboço de sermão em Ageu 1

Em breve postarei o sermão em Ageu 1: 1-11 na íntegra para edificação dos visitantes deste blog. Neste sermão, a abordagem parte do pressuposto de que alguns obstáculos nos impedem de vivermos alinhados com a vontade de Deus. Tais obstáculos devem ser removidos de nossas vidas, se desejamos agradar ao Senhor que nos comprou com alto preço. Então, aguardem as próximas postagens.
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sábado, 22 de janeiro de 2011

O prazer da comunhão com Deus

3) Desprezar o prazer da comunhão com Deus resulta inevitalmente numa vida desperdiçada (Jr. 13:11)

A palavra “apegar” ou “apegar-se” utilizada neste versículo tem um sentido bastante instrutivo. Significa grudar, colar, permanecer junto, permanecer com, permanecer unido, aderir com firmeza. Ou seja, a ideia é de um vínculo muito forte ou uma união bem firme. A ilustração do cinto que o profeta Jeremias usou por um tempo junto ao seu corpo serviu para exemplificar o vínculo que o Senhor quis ter com o seu povo. Deus escolheu para si um povo com o qual desejava ter comunhão, mas este povo O desprezou e não quis apegar-se ao SENHOR. Desde os tempos patriarcais, Deus tinha um plano de manter um vínculo muito forte com a descendência de Abraão. Após um período de 400 anos de escravidão, Deus resgatou com mão poderosa os filhos de Israel e os conduziu em triunfo através do Mar Vermelho. Ao ler a história do êxodo e da conquista de Canaã, podemos perceber claramente que Deus sempre quis estar ao lado do Seu povo. Mas este povo sempre permanecia de dura cerviz e desprezava inúmeras vezes o prazer de comungar com o Senhor.

Por intermédio da cruz, Cristo derrubou a parede de inimizade que nos impedia de nos aproximar do Pai (Ef. 2: 11-16). “Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo” (Ef. 2:13). Temos livre acesso a Deus porque Cristo pagou o preço que nós nunca poderíamos pagar. A nossa vida de comunhão com Deus é totalmente possível, mas porque somos tão letárgicos em comungar com Ele? A resposta não é difícil: é porque estamos enfatuados com o nosso ego, empenhados em expandir o nosso reino, por isso a doce presença do Mestre não nos faz falta.

O Hino 288 do Cantor Cristão expressa com exatidão qual deve ser o anseio de todo crente genuíno: Perto de Ti almejo estar, perto, sim bem perto / Tua presença desfrutar, perto, sim bem perto / Em comunhão contigo estar, perto, sim bem perto / Sempre contigo conversar, perto, sim bem perto. Será que quando cantamos este Hino estamos cantando com sinceridade? Nunca iremos desperdiçar nossas vidas se estivermos bem perto do nosso Deus, em comunhão verdadeira e constante. O crente que negligencia o prazer de estar em comunhão com Deus precisa repensar urgentemente que tipo de cristianismo está seguindo. O maior desejo do cristão deve ser estar próximo do Senhor desfrutando da Sua maravilhosa graça como disse o salmista Davi: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?” (Salmo 42:1). No Salmo 63:8, lemos: “a minha alma apega-se a Ti”.

Você tem anelado por comunhão com Deus no seu viver diário? Qual a importância que a esta proximidade com o Senhor tem para você? Se você não tem prazer em comungar com Deus há um sério problema em aberto. Se você é salvo seu coração deve anelar pela comunhão com Cristo a cada instante. John Piper escreveu que “a salvação não significa apenas perdão de pecados, mas, acima de tudo, comunhão com Jesus” (baseado em I Co 1:9).

Quando não damos importância à comunhão com Deus passamos a desperdiçar nossas vidas com coisas banais. Muitos crentes estão raquíticos espiritualmente e trôpegos na fé porque não se importam em cultivar uma intimidade com o Senhor. Quando negligenciamos a comunhão com Deus, o desperdício é enorme: não há progresso espiritual, não há vitória sobre pecados, não há amor para com nossos irmãos, não há alegria em nosso viver, não há vontade de compartilhar o Evangelho com outras pessoas e não há produção dos frutos do Espírito. Por outro lado, aquele que reconhece que não pode viver sem estar ligado à Videira verdadeira, produz frutos que glorificam a Cristo. A comunhão com Cristo (permanecer n’Ele) nutre o crente para que ele seja um ramo frutífero e cheio de vigor (João 15).

Se você não quer desperdiçar a sua vida, lembre-se do que escreveu um antigo pastor: “Nenhum homem que vive perto de Deus vive em vão” (Horatius Bonar). A essência de um viver produtivo e feliz é a comunhão cultivada com Deus. Sem esta comunhão íntima e constante com Deus, somos como palha ao vento. O coração do crente deve estar satisfeito em Deus e não nas coisas deste mundo passageiro. Com certeza nossas vidas serão desperdiçadas se trocarmos o prazer da comunhão com o Senhor pelos prazeres transitórios do pecado.

MARCOS AURÉLIO DE MELO
SERMÃO EM JEREMIAS 13:1-11

Exclusividade na adoração a Deus

2) Rejeitar a adoração exclusiva ao verdadeiro Deus resulta inevitavelmente numa vida desperdiçada (Jr. 13: 10)

Os profetas foram usados por Deus para alertar o povo, mas ainda assim Israel preferiu endurecer o coração e seguir após outros deuses. A recusa em ouvir as palavras do Senhor era acompanhada de uma entrega total à idolatria, pois suas consciências estavam cauterizadas (“corações endurecidos”, conforme o versículo). A idolatria era praticada por todas as classes sociais em Israel naquela época, mas Deus mostrou que estas atitudes inevitavelmente resultariam em vidas desperdiçadas, tal como aquele cinto de linho da parábola. A palavra traduzida aqui como “adorar” no hebraico também poderia ser traduzida como “se inclinar” ou “se prostrar.” Seguir outros deuses é se inclinar diante deles.

A Bíblia nos diz que os ídolos nada são. Na verdade estes deuses nunca existiram porque só há um único e verdadeiro Deus, o Criador de todas as coisas. Mas o grande problema da idolatria é que o foco da adoração passa a ser algo criado e não o Criador. Sendo assim, um ídolo é tudo aquilo que obtém a primazia em nosso viver e faz com que não nos inclinemos mais diante de Deus. Quando Deus não é o centro de nossas vidas, alguma outra coisa o é. O ídolo rouba a atenção e faz com que o nosso coração rejeite adorar com exclusividade o único Deus verdadeiro. Um escritor resumiu bem quando disse: "Idolatria é qualquer coisa que esfrie nosso desejo por Cristo" (Oliver Cromwell). Com certeza, render-se aos ídolos é um passo certo em direção a uma vida desperdiçada.

O profeta Ezequiel confrontou os anciãos de Israel sobre os ídolos. E é interessante perceber que a linguagem que o profeta utiliza nos mostra que os ídolos não estavam num altar, mas sim dentro do coração destes anciãos. Ezequiel 14:3: “Filho do homem, estes homens levantaram os seus ídolos dentro do seu coração, tropeço para a iniqüidade que sempre têm eles diante de si; acaso, permitirei que eles me interroguem?” O que colocamos no lugar de Deus captura o nosso coração, e então nos tornamos servos do nosso objeto de adoração. NÓS SOMOS GOVERNADOS POR AQUILO QUE ADORAMOS – e quando não é Deus quem nos governa estamos desperdiçando nossas vidas.

Os vícios são expressões de idolatria. Quando um vício se estabelece em nosso viver é porque este ídolo passou a nos governar. E não há como negar que qualquer vício é uma estrada larga que nos conduz a uma vida desperdiçada. Muita energia, tempo e recursos são gastos para alimentar os vícios. Apesar do prazer temporário que o vício oferece, cedo ou tarde as conseqüências serão terríveis. É por isso que devemos voltar os nossos corações para adorar somente a Deus, inclinando diariamente nossas vidas em Seu altar como sacrifício santo e agradável ao Senhor.

Quantos vícios muitos crentes acalentam em seus corações? Na verdade os vícios são ídolos que tomaram conta do coração e levam a uma vida miserável. Quais são os ídolos que estão em seu coração? Muitas vidas são desperdiçadas pela escravidão a algum vício sexual diante da Internet e outras vidas são desperdiçadas pela idolatria ao deus “dinheiro” ou ao deus “sucesso”. Será se nós não estamos acalentando um ídolo secretamente em nosso coração que nos impede de adorar exclusivamente ao Senhor? Se não queremos desperdiçar nossas vidas, precisamos destronar urgentemente estes ídolos e voltar os nossos olhos para o Senhor que nos resgatou com o alto preço do sangue de Cristo.

Um coração dividido nunca será agradável a Deus. Jesus nos alertou que ninguém pode servir a dois senhores, e o profeta Elias questionou os seguidores de Baal porque ficavam em cima do muro, coxeando entre dois pensamentos. Se o seu coração está dividido entre Deus e alguns ídolos, deve existir uma ruptura imediata com estes ídolos, pois somente Deus é digno de receber total adoração. O nosso Deus é Deus zeloso e não aceitará um povo que o adore sem exclusividade. É necessário que o coração esteja devotado somente a um único Senhor, assim como Davi orou: “dispõe-me o coração para só temer o teu nome” (Sl. 86:11).

Você adora ao Senhor com exclusividade? Ou existem ídolos que estão sendo acalentados em seu coração? Se estes ídolos estão governando suas prioridades e sonhos, o resultado inevitavelmente será uma vida desperdiçada e frustrações acumuladas ao longo do caminho.


ENCERRA NA PRÓXIMA POSTAGEM

Independência em relação a Deus

1) Proclamar independência em relação a Deus resulta inevitavelmente numa vida desperdiçada (Jr. 13:9)

O orgulho é a raiz de toda e qualquer rebelião diante de Deus. Na verdade, o orgulho é a proclamação aberta de que queremos ser independentes e não devemos submissão a Deus. Neste versículo, por meio do profeta Jeremias, o Senhor está reprovando as atitudes arrogantes de Judá e Jerusalém, que representam todo o povo de Israel. Deus julgaria estas atitudes carregadas de altivez. O resultado certo seria vidas desperdiçadas (vidas podres e sem utilidade). A ilustração do cinto de linho apodrecido serve para nos mostrar que a conseqüência natural de olhos altivos e arrogantes é uma vida abominável diante de Deus.

A Bíblia está repleta de exortações contra a soberba ou arrogância: “Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça” (1 Pe. 5:5) e “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus” (Mq. 6:8). Muitos textos afirmam que a soberba do homem o abaterá e que o orgulho será sucedido por desonra. Estes versículos bíblicos servem para nos alertar sobre o perigo que o homem corre quando proclama sua independência em relação a Deus.

No livro de Gênesis observamos que a proposta de Satanás a Eva estava recheada com esta ideia da independência: “Vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal” (Gn. 3:5). O orgulho encheu o coração de Eva que comeu e deu ao seu marido. Alguns capítulos adiante, a história da torre de Babel comprova ainda mais que o orgulho permeou o coração dos homens: “Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo topo chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra” (Gn. 11:4). Deus enviou o seu julgamento sobre aqueles homens e os dispersou por toda a terra. Outro exemplo bíblico é o caso de Nabucodonosor que é narrado no livro de Daniel 4. Não podemos afirmar que ele foi convertido, mas suas palavras mostram que ele reconheceu que a soberba é uma afronta a Deus: “Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e glorifico ao Rei do céu, porque todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos, justos, e pode humilhar aos que andam na soberba” (Dn. 4:37).

Mas como esta independência em relação a Deus se apresenta em nossas vidas? Ela pode estar mascarada de várias formas. Podemos proclamar nossa independência em relação a Deus com claras demonstrações de orgulho: a) quando não admitimos nossos pecados por meio de uma confissão genuína (corações orgulhosos não querem admitir suas culpas diante de Deus); b) quando não oferecemos o perdão a alguém que se arrepende do mal cometido contra nós (corações orgulhosos não compreenderam a profundidade do perdão divino); c) quando nos angustiamos diante das dificuldades querendo resolver tudo com nossa própria força e habilidade (corações orgulhosos não buscam depender de Deus para suprir necessidades). Sempre que agimos impulsionados por nosso orgulho, o resultado final certamente será uma vida desperdiçada porque tais atitudes não glorificam o nome de Deus e não trazem nenhum progresso espiritual.

Você tem alimentado o orgulho no seu coração? Você tem proclamado esta independência em relação a Deus? Saiba que esta atitude certamente acabará mal: você vai desperdiçar sua vida. O Senhor requer dos seus servos um coração humilde e disposto a morrer diariamente para esta atitude de independência. Se você quer matar a raiz do orgulho comece ainda hoje: não permita que pecados sejam colocados embaixo do tapete sem a devida confissão e abandono; não pisoteie alguém que lhe pede perdão demonstrando arrependimento; e não queira resolver suas dificuldades sem depender de Deus.

O nosso coração é enganoso e por isso precisamos permanecer vigilantes com relação ao orgulho. Para não continuarmos nesta espiral descendente em direção a uma vida desperdiçada, o primeiro passo é extirpar o orgulho do coração, que é o desejo de reinar sobre tudo e todos. Tendo em vista que o orgulho é totalmente incompatível com a graça divina e com o cristianismo bíblico, o antídoto para o orgulho é seguir a orientação em 1 Pe. 5:6: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que Ele em tempo oportuno vos exalte.”

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Uma vida desperdiçada

TEXTO-BÍBLICO: JEREMIAS 13:1-11 (OBS.: a leitura do texto é indispensável para a compreensão adequada)

A água potável é um bem precioso e segundo os especialistas no assunto está se tornando um bem raro no planeta Terra. As duas causas principais apontadas para a diminuição de reservas de água potável são a poluição e o desperdício. E boa parte deste desperdício é diagnosticada dentro das casas. Se algumas medidas simples fossem adotadas, estima-se que seria possível economizar o volume de água equivalente a uma piscina semi-olímpica em um ano. Por exemplo, na hora de escovar os dentes. Se a torneira ficar aberta durante toda a escovação por pelo menos 5 minutos, serão gastos 80 litros de água. Mas se abrirmos a torneira apenas duas vezes quando é necessário, um litro é suficiente. Na hora do banho, quanto menos tempo debaixo chuveiro, mais economia. Em 15 minutos de banho são gastos 144 litros de água. Com cinco minutos de banho, são gastos 48 litros. Algumas atitudes simples no dia-a-dia vão reduzir o consumo, e, consequentemente, a sua conta mensal de água.

Deixando de lado a preocupação com o meio ambiente, o texto em epígrafe nos apresenta outra cena de desperdício. Deus quis ilustrar por meio de uma lição objetiva como vidas podem ser desperdiçadas. O profeta Jeremias usou por um tempo um cinto de linho e depois o escondeu num local próximo ao rio Eufrates. A umidade e o calor da região deterioraram aquele cinto, que não serviu para mais nada.

O linho era um material especial que tinha caráter nobre. O linho era um bem precioso naquela época e as vestimentas feitas de linho eram muito valiosas. Os sacerdotes de Israel utilizavam um cinto de linho por baixo de suas vestes. Embora feito de um material requintado, aquele cinto de linho se tornou completamente inútil. A lição que Deus quer ensinar refere-se ao desperdício de vidas, o bem mais precioso outorgado pelo Criador ao homem. Este texto nos mostra que uma vida longe dos padrões de Deus é um completo desperdício. Assim como aquele cinto de linho caríssimo foi desperdiçado ao ficar exposto ao sol e chuva, assim também vidas podem ser desperdiçadas.

Tendo como base todo este contexto, eu gostaria de afirmar que:
"Certas atitudes resultam inevitavelmente numa vida desperdiçada”

Quando um crente passa a viver entregue aos seus próprios desejos e pecados, sem nenhum arrependimento, inevitavelmente as conseqüências serão danosas. As atitudes denunciadas neste texto são tão prejudiciais que o resultado certo é um desperdício de vida. Embora muitas pessoas pensem que estão desfrutando ao máximo tudo que o mundo pode lhes oferecer, o diagnóstico bíblico é outro: suas vidas estão sendo desperdiçadas.

A Bíblia nos adverte em Gálatas 6:7 e 8: "Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito, do Espírito colherá vida eterna.” As conseqüências de atitudes semeadas hoje serão colhidas daqui a algum tempo. Portanto, faz-se necessário fazer um diagnóstico preciso sobre tais atitudes.

O nosso grave problema é a letargia em identificar e romper com tais atitudes. Somos morosos em abandonar práticas destrutivas porque estamos satisfeitos com elas e não percebemos os estragos que estão nos causando. O cristão precisa lutar diariamente contra estas atitudes se não quiser perder o seu vigor espiritual, e conseqüentemente, desperdiçar a sua vida. Deus nos convoca a adotarmos medidas urgentes com relação a estas atitudes que trazem como resultado uma vida desperdiçada, a fim de que sejamos “vasos” úteis ao nosso possuidor e “cintos de linho” que servem ao seu propósito.

Então, de acordo com o texto em Jr. 13:1-11, que atitudes resultam inevitavelmente numa vida desperdiçada? Vamos analisar três atitudes que resultam inevitavelmente numa vida desperdiçada, tal como aquele cinto de linho que ficou num local quente e úmido a ponto de apodrecer totalmente e ficar imprestável.


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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Condicionamento Espiritual

Texto-Bíblico: Josué 6: 1-21

Introdução:
Em muitos concursos públicos é realizado um teste de resistência ou aptidão física, para avaliar o condicionamento físico dos candidatos. Esta avaliação engloba alguns testes específicos tais como: teste de flexão abdominal, teste de resistência aeróbica (por exemplo, uma corrida de 2400m em 13 min), teste em barra fixa, teste de natação. Estes testes possuem caráter eliminatório e visam estabelecer um padrão mínimo de condicionamento físico para ingressar no cargo.
O texto bíblico em epígrafe nos apresenta um quadro que antecede uma grande vitória. Mas nesta situação, observamos que Deus não estava interessado em saber qual era o condicionamento físico do povo de Israel. O Senhor estava interessado em avaliar o condicionamento espiritual do povo, mediante a utilização de alguns testes específicos. Não quero dizer que Deus não conhecia o povo, mas estes testes seriam utilizados para que o próprio povo soubesse em que patamar se encontrava o seu condicionamento espiritual.

Diante destes esclarecimentos iniciais, eu gostaria de afirmar que o condicionamento espiritual do crente é avaliado por meio de testes específicos. Mas que testes específicos servem para avaliar o condicionamento espiritual do crente?

Muitas pessoas estão interessadas em manter o condicionamento físico, mas não se importam com o seu condicionamento espiritual. É importante que cada crente se exercite pessoalmente na piedade. A Bíblia nos adverte em 1 Tm. 4:8 que: “o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa.” O nosso condicionamento espiritual é diariamente avaliado por meio de alguns testes específicos, que passaremos a analisar a partir de agora.

1º - O teste da obediência (vs. 3 - 7)
As instruções específicas de Deus para a vitória sobre Jericó deveriam ser seguidas à risca. Nenhuma ordem do Senhor deveria ser desconsiderada pelo povo de Israel. Deus estabeleceu aquela estratégia militar incomum para aquela época para ser obedecida em todos os aspectos. O povo deveria rodear a cidade por seis dias (uma vez por dia) e no sétimo dia deveria rodear a cidade de Jericó sete vezes. Nos seis dias o povo marcharia silenciosamente, mas no sétimo dia os 7 sacerdotes deveriam tocar as 7 trombetas, e o povo deveria gritar em alta voz. O versículo 8 resume bem a obediência completa de todo o povo: “Assim foi como Josué dissera ao povo...”
O condicionamento espiritual de um crente realmente é medido pela obediência. Quando observamos o condicionamento espiritual de Saul, percebemos que ele foi reprovado justamente no teste da obediência. Em I Samuel 15, a ordem de Deus para Saul foi clara: destruir totalmente o povo amalequita. Mas Saul resolveu obedecer do seu próprio jeito, poupando o melhor das ovelhas e dos bois, bem como o rei Agague. O rei Saul não executou integralmente às ordens do Senhor e por isso foi rejeitado. Suas boas intenções de oferecer sacrifício não foram aceitas como desculpa para a desobediência: “o obedecer é melhor do que o sacrificar” (I Sm. 15:22).
A verdade é que aos olhos de Deus, uma obediência parcial é sempre uma desobediência total. Quando o Senhor oferece instruções específicas elas devem ser seguidas na íntegra. O crente que está sendo desobediente e rebelde diante das instruções de Deus, oferece provas suficientes de um péssimo condicionamento espiritual. E a obediência que agrada a Deus não é apenas aparente, pelo contrário, nasce e flui do coração. Os últimos discursos de Moisés estão repletos de exortações à obediência de coração (Dt. 26:16 e Dt. 32:46),
O condicionamento espiritual do crente não é avaliado pelo conhecimento teológico ou acadêmico que ele conquistou ao longo dos anos. Também não é avaliado pelo conhecimento das línguas originais do texto bíblico. Ouvir as instruções do Senhor e não obedecer é um auto-engano (Tiago 1:22). Jesus também ilustra que alguém que conhece a Palavra de Deus e não a pratica é como um homem que construiu sua casa sobre a areia. A resistência de uma casa sem fundamentos diante das tempestades não é a mesma de uma casa com sólidos alicerces e bem estruturada.
Se de fato amamos a Cristo seremos aprovados no teste da obediência. O próprio Jesus afirmou: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.” Será que temos obedecido a Deus de todo o coração como prova do nosso amor para com Ele? Este é um teste decisivo que vai apontar como está o nosso condicionamento espiritual.

2º - O teste da paciência
O povo de Israel também foi testado com relação à paciência. Não poderia haver nenhuma precipitação se quisessem ser vitoriosos contra Jericó. Deus estabeleceu prazos que deveriam ser atendidos. Todo o povo deveria entender que o cronograma divino não segue o cronograma humano. Em nenhuma hipótese Israel poderia se apressar para vencer a poderosa cidade de Jericó. O cronograma divino não poderia ser burlado em hipótese alguma, para satisfazer a vont
Deus tem um tempo certo para todas coisas debaixo do céu, conforme Eclesiastes 3:1-8, porque “Ele fez tudo formoso no seu devido tempo” (Ec. 3:11a). Em alguns salmos o salmista questiona enfaticamente: “Até quando, Senhor?” diante de situações desconfortáveis ou se sentia abalado. O profeta Habacuque também questionou o cronograma divino diante dos ataques que o povo de Israel estava sofrendo: “Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás?” (Hb. 1:2)
Esta tendência de questionar o cronograma divino é típica de um coração que ainda não depositou total confiança na providência divina. Por natureza o homem é movido pelas circunstâncias. O grande teste para avaliar o nosso condicionamento espiritual é a paciência diante de condições adversas. O exercício da paciência desenvolve no crente várias habilidades espirituais que serão úteis para suportar com perseverança as provações do viver. É por isso que a paciência deve ser exercitada diariamente para evitar pecados como a ansiedade e a preocupação.
O rei Saul realmente não tinha um condicionamento espiritual adequado, pois ele também falhou no teste da paciência. No texto bíblico em I Samuel 13:8-12, observamos a precipitação do rei Saul que ofereceu holocausto e ofertas pacíficas no lugar do profeta Samuel, coisa abominável aos olhos do Senhor. Esta atitude de Saul mostrou que ele não estava preparado para assumir o trono de rei. Quando agimos precipitadamente, perdemos a chance de discernir que o tempo de Deus não é o nosso tempo e que o Seu modo de agir é incomparavelmente melhor.
Na palavra de Deus a virtude da paciência está associada com a sabedoria: “O longânimo é grande em entendimento, mas o de ânimo precipitado exalta a loucura” (Pv. 14:29) e “Melhor é o longânimo do que o herói da guerra, e o que domina o seu espírito, do que o que toma uma cidade” (Pv. 16:32). Esta capacidade de esperar o tempo certo de agir nos livra de inúmeros problemas. Saber o momento certo de recuar é uma grande prova de que estamos aprendendo o que é longanimidade, por que “não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado” (Pv. 19:2).

3º - O teste da dependência
Deus já tinha prometido a Josué que a cidade Jericó estava vencida (vs. 2). O povo tinha apenas que depender do Senhor e confiar nesta promessa para ser vitorioso. As grandes muralhas de Jericó não seriam obstáculo para o Deus Todo-Poderoso, mas o coração do povo tinha que descansar confiantemente na ação miraculosa do Senhor. O povo de Israel não era versado em guerras. Era formado por ex-escravos no Egito e ex-peregrinos no deserto. Não havia nenhuma habilidade bélica que pudesse ser levada em consideração diante de uma fortaleza inexpugnável como a cidade de Jericó. Somente na dependência exclusiva do Senhor o povo poderia provar a vitória.
Não é ridículo admitir a nossa incapacidade e fragilidade diante do Senhor. Ridículo é tentar lutar com as próprias forças e acumular várias contusões ao longo do caminho. Em Jeremias 9:23-24, o profeta nos apresenta um desafio para o nosso orgulho: “Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR.” Nunca iremos apresentar um bom condicionamento espiritual se negligenciamos a dependência constante do Senhor.
Precisamos admitir que, sem Deus, os nossos melhores esforços nada são. O Salmo 127: 1-2 nos ensina que Deus é o doador e que nós precisamos depender d’Ele em cada dia, confiando em Sua mão providencial. O povo de Israel recebia o maná diariamente e todos deveriam pegar apenas o suficiente para aquele dia. Isto era para humilhá-los e prová-los, pois Deus queria que eles aprendessem que eram dependentes d’Ele. A oração que Cristo ensinou aos seus discípulos faz referência ao “pão nosso de cada dia”, para demonstrar que o crente depende exclusivamente de Deus em cada novo amanhecer.
A Bíblia nos ensina que depender de Deus não é indolência e nem apatia; é uma virtude forjada no coração do crente pelo poder do Espírito Santo. É óbvio que Deus não vai realizar o que é de nossa responsabilidade, mas precisamos confiar que o Senhor é quem supre cada uma de nossas necessidades conforme Lhe apraz. Que possamos admitir nossa fragilidade o quanto antes para evitar novas frustrações.


MARCOS AURÉLIO DE MELO
ESTUDOS NO LIVRO DE JOSUÉ