sábado, 19 de julho de 2014

Avanço na jornada cristã

Texto: Josué 6: 1-5
Tema: “Valorizando os recursos espirituais para o avanço na jornada cristã”

INT. I ) O desenvolvimento corporal é o que se espera naturalmente de um ser humano, e quando isto não acontece é porque houve algum problema que impediu o crescimento, como a deficiência na produção de hormônios apropriados. Existe um glândula em nosso cérebro chamada hipófise. Esta glândula é responsável pela produção de um hormônio (a somototropina). Uma das principais funções desta hormônio é proporcionar um estímulo para o crescimento dos ossos e dos tecidos, influenciando diretamente na estatura alcançada pela pessoa ao chegar a idade adulta. Quando existe algum déficit na produção deste hormônio do crescimento ao longo da infância provoca sérios problemas no desenvolvimento corporal, inclusive uma doença chamado nanismo. A doença costuma evidenciar-se nos primeiros anos de vida, sobretudo até aos 2 ou 3 anos de idade. As pessoas que sofrem desta doença são popularmente conhecidos como anões. Em geral, esses indivíduos têm uma estatura menor que 1,45 metro no caso de homens e 1,40 metro no caso de mulheres.

INT. II) De forma similar, espera-se de cada cristão um avanço, um desenvolvimento visível e um crescimento em maturidade. É necessário que haja real progresso na vida de alguém que foi salvo por Cristo Jesus e que as evidências reais de santificação seja notórias. Deus quer “que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4:13). A fé que justifica é a mesma fé que santifica. Ela é suficiente para nos trazer crescimento e maturidade espiritual. O texto em epígrafe retrata a primeira investida militar do povo de Israel dentro de Canaã, depois que atravessaram o rio Jordão. Há um certo tom de expectativa neste texto, pois Israel passa a dominar a terra prometida aos patriarcas, é o pontapé inicial de uma jornada de vitórias e derrotas, avanços e retrocessos. Josué liderou o povo nesta conquista contra Jericó, e o texto nos mostra claramente que:

“O exercício contínuo da fé é indispensável para o avanço efetivo na jornada cristã”

O texto nos mostra que o exercício contínuo da fé é indispensável para o avanço efetivo na jornada cristã sob três ASPECTOS:

1) A confiança irrestrita no projeto do Senhor (vs. 1)

Por que atacar e invadir inicialmente logo Jericó, uma cidade muito fortalecida e de muros enormes? Lembre-se que o povo de Israel não tinha poderio militar, comparável à cidade de Jericó conhecida no mundo da época. Se fossemos fazer uso da "razão humana", certamente poderíamos pensar que seria melhor treinar o povo numa batalha mais fácil de vencer, talvez contra a minúscula cidade de Ai. Vendo sob uma perspectiva humana Jericó era um território intransponível, mas este era o projeto do Senhor e por isso não deveria ser abandonado.

Deus tem os Seus planos ao nos conduzir por caminhos que naturalmente não escolheríamos. Ele nos guia sabiamente por vales e desertos porque tem um projeto exclusivo na vida de cada cristão. Este projeto visa a glória do Seu nome, não a nossa comodidade ou preferência pessoal.

A letra do hineto nos diz: “Regozija em Deus, que erros não faz, Ele sabe o fim do caminho em que vais; Pois ao te provar, purifica, qual ouro então serás.” Se confiamos na infalível Palavra de Deus, precisamos também confiar sem temor no infalível Deus da Palavra.

Haverá dias negros, haverá dias cinzas e haverá dias claros. Mas em todos os dias precisamos confiar que o Senhor é quem nos guia por vales, montes e campinas. Como ovelhas que são conduzidas por um bom pastor, assim somos nós. Não precisamos temer, pois o Deus que conhece todas as coisas está conosco por toda a jornada.

O projeto que o Senhor tem preparado para nossas vidas é oposto à nossa vontade egoísta. Nós preferimos atalhos, mas o Senhor nos leva por caminhos que nos colocam à prova, para que possamos depender dEle em nossos atos e decisões. O projeto do Senhor para cada um de nós inclui a cruz: sermos confrontados diariamente com desejos egoístas e fazermos morrer esta natureza carnal. O projeto do Senhor inclui sofrimento, para que possamos ser refinados no cadinho. Estamos dispostos a confiar irrestritamente neste projeto do Senhor e abandonarmos nossos caminhos de autossatisfação?

2) A confiança irrestrita na promessa do Senhor (vs. 2)

A promessa "Entreguei na tua mão a Jericó" não poderia ser mais direta. O contexto de medo e pavor diante daquela tarefa seria dissipado se Josué confiasse integralmente nesta promessa. Em outras palavras, o Senhor disse: “Eu já estabeleci isto, Eu já designei isto, Eu já providenciei que Jericó será derrotada.” Não existe no texto nenhuma sombra de dúvida, pois o que Senhor havia prometido aos patriarcas certamente seria cumprido na íntegra. Antes de atravessar o rio Jordão, Josué ouviu do Senhor: “Dentro de três dias passareis o Jordão, para que entreis na terra que o Senhor vos dá a possuir, para a possuirdes”. (Js. 1:11). A certeza da conquista nunca é sempre destacada no livro de Josué.

Por meio do poder de Deus, precisamos fazer calar a nossa velha natureza que teima em colocar em dúvida as promessas de Deus. Martin Lloyd-Jones escreveu o livro Depressão Espiritual, no qual ele trata sobre o abatimento na vida do cristão. Ele afirma que uma das razões de tristeza e abatimento é porque o crente não se apropria das promessas de Deus. Ele dá uma dica: pregue para você mesmo as promessas do Senhor, tal como fazia o salmista Davi: "Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu." (Sl. 42:11)

Nós somos experts em fazer promessas e não cumprir. Que promessas você fez no início do ano e que já foram deixadas para trás? Alguns prometeram perder peso e cuidar melhor da saúde, mas onde estão os frutos desta promessa? Com Deus isto não acontece, o que Ele de fato promete certamente há de ser verdade na vida do Seu povo amado.

É óbvio que precisamos da iluminação do Espírito Santo para discernirmos o que é e o que não é promessa do Senhor. Há muitas pessoas colocando promessas na boca do Senhor, coisas que Ele nunca prometeu, geralmente distorções de versículos bíblicos fora do seu contexto. Precisamos ficar presos não à imaginação, mas à revelação; presos não ao que queremos, mas às verdadeiras promessas de Deus!

Um excelente exercício para a fé é confiar nas promessas de Deus. As promessas de Deus estão em plena vigência, por exemplo: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fl. 4:7) e “Seja forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor teu Deus é contigo por onde quer que andares” (Josué 1:9). A luta contra o pecado é uma luta contra a incredulidade nas promessas de Deus. Contra a cobiça material, podemos apegar-nos à promessa do SENHOR: “Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.” (Hb. 13:5)

3) A confiança irrestrita na instrução do Senhor (vs. 3-5)

Poderíamos classificar que o método adotado pelo Senhor não era muito convencional. Para os padrões militares da época, rodear a cidade marchando por seis dias seguidos e no sétimo dia bradar em gritos, não era uma estratégia conhecida até então. Aparentemente, aquele povo tinha perdido o senso do ridículo ou da infantilidade. O nosso método certamente não seria este; passaríamos outras instruções às pessoas sob a nossa liderança: como fazer trincheiras, como lançar cordas e escalar os muros...

As instruções que são dadas no início de um voo são úteis no caso de pane da aeronave ou em caso de acidentes em que haja sobreviventes. É interessante como a maioria dos passageiros não presta a mínima atenção para aquelas instruções que podem salvar suas vidas. Muitos nem olham para os comissários de bordo que gesticulam as saídas de emergência. As instruções do Senhor para nossas vidas são úteis para a manutenção de nossa saúde espiritual. Se negligenciarmos tais instruções e seguirmos nossa intuição ou nossos sentimentos, certamente amargaremos enormes prejuízos em nosso viver.

O Salmo 119 é um tributo à instrução que procede do Senhor. “Guardo no coração as tuas palavras para não pecar contra ti” (vs. 11). Não se trata de uma simples memorização do texto bíblico. É uma linguagem poética: o salmista não abre mão da instrução do Senhor.

As instruções do Senhor são sempre as melhores não importam as consequências que venham sobre nós. Se Deus ordenou não questione, faça o que Ele requer, mesmo que seja tachado de ridículo ou antiquado. Em nosso país, é comum ouvirmos que: “ordem judicial tem que ser cumprida, sob pena das sanções previstas em lei.” Ele é o Senhor; nós somos apenas escravos, e na melhor das hipóteses, escravos inúteis, porque fazemos apenas o que nos foi ordenado. Não haverá nenhum crescimento ou avanço espiritual se resistirmos às ordens dadas por Deus. Em todas as coisas somos instruídos por meio da Sua Palavra para que possamos agir de modo sábio. Para agirmos de modo agradável ao Senhor é necessário seguirmos à risca as instruções dadas por Ele.


Mensagem para Culto nos lares dia 19/07/14

terça-feira, 15 de julho de 2014

Uma triste realidade

“A doutrina da justificação pela fé — uma verdade bíblica, e uma bênção que nos liberta do legalismo estéril e de um inútil esforço próprio — em nosso tempo tem-se degenerado bastante, e muitos lhe dão uma interpretação que acaba se constituindo um obstáculo para que o homem chegue a um conhecimento verdadeiro de Deus. O milagre do novo nascimento está sendo entendido como um processo mecânico e sem vida. Parece que o exercício da fé já não abala a estrutura moral do homem, nem modifica a sua velha natureza. É como se ele pudesse aceitar a Cristo sem que, em seu coração, surgisse um genuíno amor pelo Salvador. Contudo, o homem que não tem fome nem sede de Deus pode estar salvo? No entanto, é exatamente nesse sentido que ele é orientado: conformar-se com uma transformação apenas superficial.”

A. W. TOZER

segunda-feira, 14 de julho de 2014

TUDO ELE PAGOU

Hinos de Louvor nº 35
Elvina M Hall
John T. Grape


Ouço o Salvador dizer:
"Teu poder é ineficaz,
Vem meu filho interceder,
Tudo em Mim encontrarás"

TUDO ELE PAGOU, DEVEDOR EU SOU
DO PECADO ME LAVOU, TÃO ALVO ME TORNOU

Nem direito tenho eu
De sua graça demandar
Só no sangue de Jesus
Minhas vestes vou lavar


Ante o trono do Senhor
Eu perfeito estarei
"Meu Jesus por mim morreu"
Para sempre cantarei

sábado, 12 de julho de 2014

A tarefa de criar filhos

Existem dois extremos perigosos e antibíblicos na tarefa de criar filhos. O primeiro extremo é a passividade extrema. O segundo extremo é agressividade extrema. Vou explicar cada um destes extremos. O pai e a mãe devem evitar estes dois extremos, visando somente o equilíbrio que a Bíblia oferece para esta tarefa de educar e amadurecer os filhos.

1º) Passividade
Ser um pai passivo não é uma virtude cristã e não encontra base nas Escrituras. Passividade é deixar que os filhos pintem o sete e encarar como normal algumas atitudes que são pecaminosas. Muitas crianças já sabem que os seus pais são passivos e que não haverá nenhuma punição pelo mal cometido, por isso não se importam com seus atos e agem sem nenhum limite. Alguns pais até acham engraçado o que as crianças fazem, e por isso não se importam em discipliná-las biblicamente. A Bíblia mostra a passividade do sacerdote Eli em não lidar com a rebeldia dos seus filhos. Este sacerdote sabia que seus filhos não andavam de modo correto, e desprezavam a carne que era sacrificada no templo em honra ao Senhor Deus. Mas Eli não tomou nenhuma atitude, não impôs limites aos seus filhos. A história mostra que o fim desta família foi uma verdadeira catástrofe.

2º) Agressividade
Ser um pai agressivo também não é correto na criação dos filhos. A Bíblia fala da disciplina com vara em alguns textos no livro de Provérbios, mas isto não significa espacamento ou violência com os filhos. Muitas famílias estão mergulhadas num contexto de ódio por conta de uma postura agressiva dos pais em relação aos seus filhos.  Pais agressivos, que usam a força bruta e deixam seus filhos com feridas e cicatrizes, devem ser punidos pela lei pelos crimes praticados de violência e lesão corporal. Isto com toda certeza não agrada a Deus. O uso da vara deve ser moderado pelo amor pelos filhos, pois o que pai deve almejar é o amadurecimento completo daqueles que Deus lhe confiou. O pai deve sim usar a disciplina, mas sempre visando a restauração do filho que errou e oferecendo sempre o caminho do perdão. Dois versículos servem para reforçar bem esta ideia: “A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe” (Pv. 29:15). “A insensatez está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela” (Pv. 22:15).

Nem a passividade e nem tampouco a agressividade são caminhos que os pais devem seguir. Os pais precisam entender que a criação de filhos é uma tarefa que somente Deus pode suprir com as ferramentas necessárias. Os pais devem entender que estão treinando os seus filhos para a vida. E este treinamento só será bem sucedido se estiver sob a orientação que vem do Senhor. Uma família sem a orientação do Senhor está fadada ao fracasso. Um treinamento adequado requer amor e práticas bíblicas no contexto familiar, não o amor barato vendido nas novelas, mas o amor redentivo apresentado pelo próprio Deus. Portanto, ame o seu filho a tal ponto que ele saiba agradecê-lo pelas disciplinas que recebeu e pela orientação das Escrituras que foram repassadas a ele.

Nenhum treinamento físico é feito sem suor. Semelhantemente, a tarefa de educar filhos exigirá esforço e empenho constante dos pais. O filho bem treinado trará alegrias aos seus pais, e, mesmo que não traga, os pais ficarão com a consciência bem tranquila de que fizeram um bom trabalho.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Assim caminha a humanidade…

A espiritualidade contemporânea define Deus como o empregador que dá oportunidades iguais a todos, a fonte universal de energia, que está à espera para ser tocada por todos nós. O que acreditamos não é importante: o desafio é entendermos a nós mesmos à luz desse poder mais elevado que já está em nós. Se precisarmos de perdão, só é preciso concedê-lo a nós mesmos, pois quebramos os mandamentos de um Deus que não é pessoal. Não existe o Deus que se ofende, portanto, não existe o Deus a quem precisamos pedir perdão. A moda é a autossalvação por meio do autoconhecimento.

Erwin Lutzer

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O mal existe

Se Deus não criou os seres humanos, a teoria da evolução informa que surgimos por meio de um processo de seleção natural — o que quer dizer que certas criaturas mais adaptadas a seu ambiente são mais propensas a sobreviver e a se reproduzir. Neste mundo, não há nenhum “bem” e nenhum “mal”. A única coisa que importa é saber se ou quanto você consegue se reproduzir antes de morrer.

Isso significa que, se Deus não nos criou, não podemos logicamente falar do ponto de vista de bem versus mal. Por quê? Pela mesma razão básica pela qual, a menos que a luz exista, não faz sentido falar de escuridão. Não podemos definir o mal sem um bem que se ponha em contraposição a ele. E isso significa que deve haver alguma realidade externa e objetiva pela qual o bem e o mal possam ser mensurados. A Bíblia identifica essa realidade externa e objetiva como Deus. A Bíblia diz que Deus é santo, que Deus é amor, que Deus é misericordioso, paciente e bondoso. Tudo o que é diferente de Deus e se opõe a ele é mau.

Assim, quando uma mulher afoga seus quatro filhos sistematicamente, um após o outro, ficamos horrorizados. As mães não podem fazer uma coisa dessa. Todos sabemos que esse ato é profundamente mau. Por mais confusa ou mentalmente instável que a mulher estivesse, o que ela fez foi mau. Reagimos de maneira semelhante às atrocidades do racismo, da escravidão, da opressão, da separação de classes, do genocídio e do tráfico de crianças. Sabemos que são coisas más.

Mas como sabemos? Por que pessoas de todas as culturas ao longo da história sabem que algumas coisas são boas e outras más? Se simplesmente evoluímos pela seleção natural, essas categorias têm pouco ou nenhum sentido. Mas, se fomos criados por um Deus santo e bom, elas fazem todo o sentido.

A pessoa que vê o mal no mundo e conclui que não há Deus entendeu tudo errado. A existência do mal não nos informa que não há Deus. Antes, nossa capacidade de reconhecer o mal nos informa justamente que há um Deus.

Assim, quando alguém diz que viu males tão chocantes a ponto de precisar concluir que Deus não existe, essa pessoa ainda não lidou com o problema subjacente — a existência do mal. A resposta intelectualmente coerente é admitir, por mais irônico que pareça, que, como o mal existe, Deus precisa também existir.

A soberania de Deus na história

TEXTO-BÍBLICO: “Tua, SENHOR, é a magnificência, e o poder, e a honra, e a vitória, e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, SENHOR, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos.” (1 Crônicas 29:11)

OBJETIVO: Mostrar que a soberania de Deus está diretamente relacionada com a história deste mundo e que nenhum evento histórico está fora do conhecimento e controle do Senhor.

INTRODUÇÃO

Quando pensamos acerca do que está acontecendo no mundo, não deveríamos começar a explicá-lo desde uma perspectiva meramente humana, porque se assim o fazemos, jamais compreenderemos esta vida. Porém, se começarmos com Deus e depois O relacionarmos com o mundo, começaremos a compreender que nenhum evento da história consegue surpreender o plano perfeito do Rei dos reis. Por Deus ser quem Ele é, Soberano e Senhor acima de todos, Seu plano certamente se desenrolará ao longo da história.

O escritor A. W. Pink definiu soberania da seguinte forma:

“Pode-se definir a soberania de Deus como o exercício de Sua supremacia. Sendo infinitamente elevado acima de todas as criaturas, Ele é o Altíssimo, o Senhor dos céus e da terra. Não sujeito a ninguém, não influenciado por nada, absolutamente independente: Deus age como Lhe apraz, somente como Lhe apraz, sempre como Lhe apraz.”

Deus está controlando tudo conforme um plano perfeito ou está continuamente mudando este plano? A história surpreende o plano de Deus? Neste estudo, veremos que Deus está controlando tudo de acordo com a Sua vontade eterna, e que nada foge do Seu controle soberano.

O DEUS QUE CONTROLA A HISTÓRIA

"Porque dEle e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente. Amém." (Romanos 11:36)

Alguns estudiosos da Bíblia já desistiram de crer na Soberania de Deus ao longo da história. Muitos não conseguem conciliar um Deus bondoso e soberano, que poderia retirar da história da humanidade capítulos nefastos como, por exemplo, a tragédia do holocausto de milhões de judeus. As tragédias naturais e as guerras que dizimaram populações em vários países do globo são utilizadas como argumento para não atribuir a Deus o controle soberano sobre a sua criação. Muitos afirmam que Deus não tem poder sobre estes eventos. Mas o que a Bíblia nos afirma?

A Bíblia nos diz em Provérbios 16:4 que Deus fez todas as coisas para Si mesmo. Em Apocalipse 4:11 diz que Deus criou todas as coisas para Seu próprio prazer. Quando criou o mundo e especialmente quando criou o homem, tinha a intenção de manifestar a Sua própria glória. Sendo assim, para que a glória do Senhor seja manifesta em todo o esplendor que lhe é devido, a história não pode seguir um curso errante, como um navio à deriva. A história não é dirigida pelo acaso nem avança para o caos. A história tem um timoneiro: Deus está assentado sobre um alto e sublime trono e Ele tem as rédeas da história em suas mãos.

Deus é quem levanta reis e destrona reis; ele é quem levanta impérios e os abate. O Rei dos reis governa a história para que a glória seja toda Dele. O salmista reconheceu que não há rei senão o Senhor, por isso em muitos salmos existe a exaltação do Rei de toda a terra (por exemplo: Sl. 10:16; Sl. 22:28; Sl. 45:6; Sl. 47:7). Sem eximi-los da responsabilidade por seus atos, até os reis humanos são levados a cumprir os propósitos do Rei Eterno: “Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR, que o inclina a todo o seu querer.” (Provérbios 21:1)

A soberania de Deus se expressa na realização do seu plano para a história, mesmo que imperceptível (Isaías 46.10-11). A maior expressão desta soberania foi o envio do Seu Filho ao mundo, na plenitude dos tempos (Gálatas 4.4), isto é, no tempo em que achou mais apropriado. Seu plano continuará até que todas as coisas e os eleitos encontrem em Cristo seu ponto de convergência (Efésios 1.10), para louvor da glória de Deus. É interessante notar que toda a narrativa bíblica aponta para a pessoa bendita de Cristo Jesus, que é o resplendor do Pai. A história da redenção está se desenvolvendo com a participação ativa do Deus soberano, que consumará o Seu plano por toda a eternidade.

OS PERIGOS DO TEÍSMO ABERTO

O Teísmo Aberto ou Teologia Relacional é um ensino relativamente novo no cenário, dizendo que Deus criou o mundo e perdeu o controle sobre ele. Além disso, afirma que Deus aprende e se surpreende com o que acontece no mundo, pois Ele não sabe o que vai acontecer na história. Esta linha teológica ganhou muitos seguidores, principalmente após o desastre provocado pelas ondas Tsunamis, que devastou a costa de vários países asiáticos no final de 2004.

Tal ensino teológico-filosófico apresenta um “Deus” que, por amor, dotou o homem de completa autonomia e se abriu para novas experiências, dentre elas, a de conhecer progressivamente os acontecimentos históricos, à medida que eles se processam, colocando em cheque atributos divinos essenciais, tais como sua soberania, onisciência, providência e imutabilidade, dentre outros.

Este ensino enganador esconde perigos mortais. Entre os pontos principais da Teologia Relacional, estão os seguintes:

1. O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas.

2. Deus não é soberano. Só pode haver real relacionamento entre Deus e suas criaturas se estas tiverem, de fato, capacidade e liberdade para cooperarem ou contrariarem os desígnios últimos de Deus.

3. Deus ignora o futuro, pois ele vive no tempo, e não fora dele. Ele aprende com o passar do tempo. O futuro é determinado pela combinação do que Deus e suas criaturas decidem fazer.

4. Deus se arrisca. Ao criar seres racionais livres, Deus estava se arriscando, pois não sabia qual seria a decisão dos anjos e de Adão e Eva. E continua a se arriscar diariamente.

5. Deus é vulnerável. Ele é passível de sofrimento e de erros em seus conselhos e orientações. Em seu relacionamento com o homem, seus planos podem ser frustrados.

6. Deus muda. Ele é imutável apenas em sua essência, mas muda de planos e até mesmo se arrepende de decisões tomadas. Ele muda de acordo com as decisões de suas criaturas, ao reagir a elas.

Estes pontos são esclarecidos e refutados com uma análise criteriosa de alguns textos bíblicos dentro do seu contexto, como por exemplo: Is. 14:27; Is. 46: 8-11; Ex. 3: 19-20; Sl. 139; Dn. 11; Jo. 13: 19 e 38; Jo. 18:4. O Teísmo Aberto não oferece nenhuma esperança ao homem, pelo contrário, o coloca numa situação de desespero. Somente o ensino bíblico genuíno traz paz real e alento ao coração, conforme se depreende dos seguintes textos bíblicos: Sl. 62; Rm. 4:18-21 e 1 Pe. 1:3-9.

ILUSTRAÇÃO

A história de José descortina diante de nós a soberania de Deus na história. Seus irmãos o odeiam, colocam-no em um poço seco para que morra, mudam de idéia, o vendem para mercadores que o levam para o Egito. No Egito, acusado injustamente, ele vai parar na prisão – de escravo a encarcerado. Depois disso José é conduzido ao cargo de governador de todo o Egito. Seus irmãos, em busca de comida, voltam a se encontrar com José e são por ele abençoados. Na história de José observamos que não houve “coincidências”, pois a boa mão do Senhor controlou os detalhes para que os Seus soberanos propósitos fossem levados a efeito.

Até reis ímpios foram escolhidos por Deus para cumprirem os Seus eternos propósitos. Foi assim na história do rei Ciro, que o Senhor escolheu para tirar seu povo do cativeiro babilônico: “Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela sua mão direita… Eu o despertei em justiça e todos os seus caminhos endireitarei; ele edificará a minha cidade e soltará os meus cativos não por preço nem por presentes, diz o Senhor dos Exércitos” (Is. 45: 1 e 13). Ciro publicou um decreto no primeiro ano do seu reinado, permitindo que os israelitas retornassem do cativeiro para a sua terra natal.

Outro fato interessante que mostra claramente a soberania de Deus na história está registrado no diálogo entre Jesus e Pilatos em João 19: 10-11: “Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho autoridade para te crucificar e tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus: Nenhuma autoridade terias contra mim, se do alto não te fosse dado.” Em outras palavras, Jesus afirma que a autoridade de Pilatos estava atrelada aos propósitos soberanos de Deus na história. De fato, Pilatos tinha autoridade, assim como Herodes, os sacerdotes e os soldados romanos. Mas esta autoridade sempre esteve subordinada à vontade do Deus soberano. Diante de todos eles, Jesus não ficou intimidado porque o plano de Deus seria cumprido de forma cabal.

ALGUMAS APLICAÇÕES

É bem verdade que muitas vezes nos esquecemos dessa importante implicação acerca do Deus a quem professamos seguir e servir. Os acontecimentos em toda a história dos homens não foram para Deus desconhecidos ou surpresas. O salmista já diz: “não dormita e nem dorme o guarda de Israel”. Deus não cochila, Ele está atento e controlando a história do Seu trono de glória.

Ao contemplarmos tão grande maravilha sobre a soberania de Deus nos eventos da história, devemos dar-lhe honra e louvor (1 Tm. 6:16b), que quer dizer: celebrar a verdade da Sua soberania, uma vez que a Sua honra e o Seu poder já são absolutos. Precisamos nos prostrar ante Sua majestade, adorá-Lo e exaltá-Lo como Rei supremo (Jó 42.1-6).

Além disso, devemos confiar que Ele fará, na história deste mundo e nas nossas histórias, como Lhe apraz (Isaías 46.11), ou seja, como Ele quer. Toda a Bíblia confirma esta verdade: “O nosso Deus está nos céus; ele faz tudo o que lhe apraz” (Salmo 115.3). A certeza do cuidado soberano de Deus sobre nossas vidas deve encher nosso coração de gratidão e louvor. Deus cuida de seu povo para que possamos continuar amando-O e servindo-O, cumprindo assim o Seu plano. A certeza da soberania divina nos outorga plena segurança: nem tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada, nada poderá nos separar do amor infalível de Cristo por nós (Rm. 8:35).

O medo e a ansiedade quanto ao futuro são excluídos do nosso coração quando confiamos inteiramente que nada será uma surpresa para o nosso Deus. Os planos de Deus não serão frustrados pelas circunstâncias adversas que enfrentarmos neste mundo. “O justo não temerá más notícias; o seu coração está firme, confiando no SENHOR.” (Salmo 112:7).

Deus planejou manifestar a sua bondade através da salvação de muitas pessoas pecadoras. E sendo que Deus sempre tem controlado o mundo desde a criação, Ele é perfeitamente capaz de executar seu plano de salvar a muitos pecadores dos seus pecados. Cada história de conversão ao Senhor é fruto da graça de Deus operando nos corações de forma sobrenatural, para que neles resplandeça a glória de Cristo. Ele dá ao Seu povo eleito vida espiritual, poder, direção e proteção, para que a história pessoal de cada convertido seja um testemunho claro da soberana salvação efetuada pelo Senhor.

CONCLUSÃO

A história tem rumo certo. Deus não criou o mundo e abandonou este planeta e suas criaturas ao acaso. Que o Senhor abra os olhos da nossa fé para enxergamos que a Sua mão soberana não está inoperante na história. Quanto mais clara for a visão que temos da soberania e do poder de Deus, menos temeremos os problemas da terra e mais produtivos seremos para o reino do Senhor.

VERSÍCULO PARA DECORAR:

“Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade.” (Isaías 46.9-10)

terça-feira, 24 de junho de 2014

Evidências da salvação

Os homens precisam ser salvos de si mesmos; precisam ser salvos dos hábitos que se transformaram em suas correntes; precisam ser salvos de suas tentações; precisam ser salvos do temor e das ansiedades; precisam ser salvos de seus próprios desatinos e erros.

Barclay, em seu Comentário sobre 1 João.


Salvação implica necessariamente em mudança de vida e de postura. A operação sobrenatural do Santo Espírito que regenera o homem e transforma o seu coração, por meio da graça, traz consigo mudanças cruciais. Não existe um só salvo que não tenha vida diferente. Do contrário, podemos afirmar sem sombra de dúvidas, nunca houve salvação com base no sacrifício expiatório de Cristo Jesus.

A Bíblia como um todo enfatiza o lado prático da salvação, visível por todos que nos rodeiam. Os nossos amigos, familiares, colegas de trabalho ou irmãos da mesma igreja devem enxergar em nós o que Cristo transformou. Não podemos ficar inertes no progresso cristão, escondidos em nossas desculpas medíocres, pensando que a salvação está garantida e carimbada, mesmo que faltem evidências de posturas condizentes com o nome e a glória de Cristo. Um viver de fachada, para "inglês ver", certamente nos levará a um céu de fachada. Mas quando há coerência e virtudes autênticas na vida de alguém que deseja espelhar a imagem de Cristo, o seu testemunho é notório e digno de consideração.

O evangelicalismo moderno, com a ênfase em triunfalismo e prosperidade material, tem deixado de lado o que a Bíblia mais ensina para o viver do cristão, que é a necessidade de santificação contínua e progressiva. Vivemos uma época de falsos pressupostos, que enterram verdades primárias da fé cristã, em prol de um discurso motivacional vazio e sem efeitos duradouros na vida das pessoas. Envolvidos neste turbilhão de emocionalismo e humanismo, muitos tem sido iludidos pela pregação light que não desafia a um combate diário contra o pecado e contra o mundanismo.

Será que Cristo requisitou para Si discípulos que não evidenciam nenhum progresso em sua caminhada diária? Creio firmemente que não, pois aqueles que Ele verdadeiramente chamou serão santificados pelo poder da graça eterna que redimiu um povo para propriedade exclusiva do Senhor. Estes são promotores da verdade onde quer que andem, vivendo em honestidade e honrando a Cristo em todas as suas decisões, pois o seu objetivo é sempre satisfazer a ELE, Autor e Consumador da fé.

terça-feira, 10 de junho de 2014

O anseio mais profundo

O anseio mais profundo do coração humano é conhecer e apre­ciar a glória de Deus. Fomos feitos com essa finalidade. Diz o Senhor Deus: “... De longe tragam os meus filhos, e dos confins da terra as minhas filhas [...] a quem criei para minha glória...” (Is 43.6,7; grifo do autor). Para vê-la, para prová-la e para procla­má-la — é por isso que existimos. As insondáveis e incalculáveis extensões do Universo criado por Deus não passam de uma ale­goria acerca das inesgotáveis "riquezas de sua glória" (Rm 9.23). O olho físico deve dizer ao olho espiritual: ‘Não a este, mas ao Criador deste, é o desejo de tua alma’. Paulo disse: “... e nos gloriamos na esperança da glória de Deus” (Rm 5.2). Ou, mais precisamente, ele disse que Deus nos “preparou de antemão para glória” (Rm 9.23). E por isso que fomos criados — para que Deus pudesse “tornar conhecidas as riquezas de sua glória aos vasos de sua misericórdia” (Rm 9.23).

Cada coração humano anseia por isso. Mas nós reprimimos e desprezamos “o conhecimento de Deus” (Rm 1.28). Por conse­guinte, toda a criação está em desordem. O exemplo mais visível disto na Bíblia é a desordem de nossa vida sexual. Paulo diz que trocar a glória de Deus por outras coisas é a principal causa da desordem homossexual (e heterossexual) de nossos relacionamen­tos. “... Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza. [...] os homens também abando­naram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros” (Rm 1.26,27). Se trocarmos a glória de Deus por coisas banais, ele nos abandonará a uma vida de depra­vação — que espelhará, em nossa miséria, a derradeira traição.

A questão principal é esta: Fomos criados para conhecer e valorizar a glória de Deus acima de todas as coisas; e quando trocamos esse tesouro por imagens, tudo fica em desordem. O sol da glória de Deus foi feito para brilhar no centro do sistema solar de nossa alma. E quando ele brilha, todos os planetas de nossa vida giram corretamente em torno de sua órbita. Mas quando o sol muda de lugar, todas as outras coisas se desorganizam. A cura da alma começa quando a glória de Deus volta a ocupar o seu lugar no centro, cujo resplendor atrai tudo para si.


Autor:
John Piper

sábado, 7 de junho de 2014

Não viva uma mentira

Desde que nascemos temos a tendência a mentir e enganar as pessoas ao nosso redor para obter alguma vantagem. A mentira está presente nas mais diversas situações: desde a criancinha que mente para o pai para não ser punida, até o adulto que engana outros ou a si mesmo para não passar por algum sofrimento. Muitas pessoas já se acostumaram tanto com a mentira que os relacionamentos amorosos e de amizade são totalmente falsos, os passos na vida são tortuosos e cheios de engano. A mentira em vários momentos é contada para não trazer danos ao mentiroso, e por isso ela tem um poder viciante.

O maior mentiroso que existe é o Pai da mentira, o próprio Diabo. Ele sabe construir armadilhas enganosas para desviar o homem do rumo certo. Foi assim lá no jardim do Éden quando ele tentou Eva. Inicialmente, ele distorceu as palavras de Deus e acrescentou a sua própria versão dos fatos. Ou seja, ele mentiu de maneira sutil para Eva, e ela prontamente aceitou aquela proposta de comer do fruto da árvore que Deus claramente tinha proibido.

Os cristãos, entretanto, devem viver na verdade, pois Deus condena com rigor a mentira. No livro de Provérbios há várias advertências sérias contra a mentira. Vamos ver alguns textos:

“A falsa testemunha não ficará impune, e o que profere mentiras não escapará.” (Pv 19:5)

“A testemunha verdadeira não mente, mas a falsa se desboca em mentiras.” (Pv 14:5)

“O justo aborrece a palavra de mentira, mas o perverso faz vergonha e se desonra.” (Pv 13:5)

O crente precisa ser conhecido pela firmeza da sua palavra: O SIM deve ter valor de SIM, e o NÃO deve ter valor de NÃO. A mentira é extremamente perniciosa para os relacionamentos, e provoca inúmeras dificuldades, aflições, desunião e tristeza dentro da igreja.

Sair espalhando mentiras é anticristão e uma atitude totalmente reprovada por Deus. Mas eu gostaria de lembrar que acreditar em mentiras é perigoso da mesma forma. Portanto, devemos julgar todas as coisas que ouvimos à luz da verdade da Palavra de Deus. Ele é o Deus que não pode mentir, que preza pela verdade em toda a Bíblia. Por isso, não creia em falsas promessas que muitos tem feito por aí, prometendo que o crente não vai passar por doença, dificuldades ou provações. Os falsos pregadores, que espalham mentiras e dizem o que Deus nunca disse, certamente sofrerão as consequências de terem enganado tantas pessoas.

Portanto, precisamos evitar então os dois extremos: falar mentiras desonra a Deus tanto quanto acreditar em falsos ensinos que não batem com as Escrituras. Deus requer dos Seus filhos que se comuniquem com base na verdade e que sejam criteriosos com tudo o que lhes chega aos ouvidos.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Um tributo à graça de Deus

A Igreja Batista Regular do Jardim Amazonas comemora em maio/2014 os seus 20 anos de existência. É uma data memorável. E é bom saber que ao longo dos anos esta igreja foi sustentada pela graça de Deus, sem a qual certamente não teríamos chegado até esta data. Precisamos olhar para o passado sem resquícios de um saudosismo melancólico, mas com o coração cheio de alegria por termos visto a poderosa ação de Deus ao longo da trajetória da nossa igreja.

Reconhecemos o papel singular que várias pessoas desempenharam no estabelecimento da igreja no início da década de 90, reconhecemos o empenho missionário para a construção deste templo, reconhecemos o suor despendido em labuta pelas ovelhas por líderes que por aqui passaram, reconhecemos o valor dos irmãos e irmãs que aqui exerceram ou exercem seus dons objetivando a glória de Deus: reconhecemos que tudo isso é fruto somente da boa mão do Senhor. Por isso, o foco deste pequeno texto é trazer-nos à memória um tributo à graça de Deus.

As primeiras reuniões nesta igreja aconteceram em chão batido, não havia piso, não havia bancos. Na minha lembrança ainda ecoam a melodia e letra de um pequeno cântico que era entoado: “Por mim morreu Jesus, cravado numa cruz, no monte do Calvário, por mim morreu Jesus.” De maneira simples, a mensagem do Evangelho de Cristo foi sendo proclamada e, pela graça do Pai, adultos e crianças daquela época entenderam o Evangelho e os frutos não demoraram a aparecer. É muito bom olhar ao redor e ver irmãos que iniciaram sua caminhada cristã nesta igreja e permanecem sendo conduzidos pelo Bom Pastor. Isto também merece ser recordado, e traz ao meu coração a certeza de quão gracioso Deus tem sido.

Com o passar do tempo, muitos daquela época abandonaram a corrida cristã, lembro disso com tristeza. Mas os que perseveraram servindo e seguindo a Cristo não fizeram isto por mérito próprio, foi também pela operação capacitadora da graça de Deus. O caminhar pela fé não é feito sem dependência constante de Cristo Jesus, afinal somente unidos à Videira verdadeira, é que permaneceremos no Seu amor. Por meio da Bíblia, entendemos que a mensagem do Evangelho não nos causa uma mera empolgação; o entendimento correto do Evangelho nos constrange a vivermos em conformidade com o que Deus requer dos Seus filhos, sempre com base na graça que nos salva e nos capacita.

Podemos lembrar-nos de irmãos queridos que já não andam mais conosco, porque partiram para habitar com Cristo, que os promoveu para o reino celestial. No plano eterno do Senhor, eles cumpriram o seu propósito no tempo em que permaneceram entre nós. O testemunho cristão, que resplandecia a verdade do Evangelho em suas vidas, permanece vivo em minha lembrança.

Dificuldades na jornada desta igreja também aconteceram, problemas internos e externos que de alguma forma se tornaram percalços no caminho. Mas o que continua vivo na minha memória, é a constância da graça de Deus em cuidar do Seu povo, mantendo-nos firmes na Palavra apesar das tempestades que vieram. É fato que igrejas perfeitas não existem, e membros perfeitos muito menos. Mas é o Senhor da igreja quem traz à tona o que precisa ser afinado com as Escrituras e confronta o Seu povo para fazer os ajustes necessários por meio da capacitação do Espírito. Com o ensino correto e com instrução bíblica, os membros experimentam crescimento em suas vidas e a igreja amadurece como Corpo. Isto também é evidência da maravilhosa graça de Deus.

O desenvolvimento saudável de um corpo é caracterizado pela adequação de cada membro ao propósito para o qual foi designado. Temos visto irmãos e irmãs ao longo destes anos se empenhando no uso de seus dons, para edificação de outros membros do corpo afim de que o corpo cresça ajustado e consolidado para o Senhor. No reino de Cristo, ninguém é autossuficiente a ponto de isolar-se do corpo, vivendo somente para si. A vida congregacional, mantida sob a verdade do Evangelho de Cristo, também é resultado da graça de Deus sobre o Seu povo.

E como fiéis soldados do Senhor não estamos aqui para combater em causa própria, estamos aqui para satisfazer Aquele que nos alistou e isto só é possível quando obedecemos na íntegra às Suas ordens. Louvamos a Deus por mais um ano que Ele nos concede como igreja, e agradecemos ao Senhor porque Ele nos capacitou por Sua maravilhosa graça a chegarmos até aqui, e certamente nos capacitará a cumprir o propósito para o qual fomos chamados. Alguns desafios se descortinam diante de nós, e por isso precisamos de coragem e firmeza. Portanto, “corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para Ele, o Autor e Consumador da nossa fé” (Hb. 12:2). Que Deus nos abençoe! E que continuemos sempre firmes e firmes e perseverantes como igreja, vivendo com o Senhor, pelo Senhor e para o Senhor.

terça-feira, 20 de maio de 2014

O que é um cristão

O que é um cristão? Um cristão é alguém que, antes e acima de tudo, foi perdoado de seu pecado e reconciliado com Deus, o Pai, por meio de Jesus Cristo. Isso acontece quando a pessoa se arrepende de seus pecados e coloca sua fé na vida perfeita, na morte substitutiva e na ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus.

Em outras palavras, um cristão é alguém que se esgotou a si próprio e todos os seus recursos morais. Reconheceu que, em desafio à lei de Deus, havia dedicado sua vida à adoração e ao amor às coisas e não a Deus — coisas como a profissão, a família, aquilo que o dinheiro pode comprar, a opinião das pessoas, a honra de sua família e da comunidade, o favor dos falsos deuses de outras religiões, os espíritos deste mundo ou mesmo as coisas boas que uma pessoa pode fazer. Também reconheceu que esses ídolos são senhores duplamente condenatórios. Seus apetites nunca são satisfeitos nesta vida. E provocam a ira justa de Deus na vida por vir, uma morte e um julgamento, dos quais o cristão experimenta um pouco nas infelicidades deste mundo.

Portanto, um cristão sabe que, se tivesse de morrer hoje à noite e comparecer diante de Deus, e Ele lhe dissesse: “Por que devo permitir que você entre na minha presença?” O cristão diria: “Senhor, não deves deixar-me entrar. Tenho pecado contra Ti e tenho para contigo uma dívida que sou incapaz de pagar”. No entanto, ele não pararia aí. Continuaria: “Mas, por causa de tuas grandes promessas e misericórdia, confio no sangue de Jesus Cristo que foi derramado como substituto por mim e pagou o meu débito moral, satisfazendo as Tuas exigências santas e justas e removendo a Tua ira contra o meu pecado!”

Com base na garantia de ser declarado justo em Cristo, o cristão é alguém que descobriu o começo da liberdade da escravidão ao pecado. Os ídolos e outros deuses nunca podiam ser satisfeitos, e seus apetites, plenamente atendidos; mas a satisfação de Deus quanto à obra de Cristo implica que a pessoa comprada da condenação por meio da obra de Cristo agora é livre! Pela primeira vez, o cristão é livre para virar suas costas ao pecado, não para substituí-lo servilmente com outro pecado, e sim com o desejo pelo próprio Cristo e pela norma de Cristo para a sua vida; este desejo é outorgado pelo Espírito.

 

Autor: MARK DEVER

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Fraco para com os fracos…

Alguns conceberam uma filosofia pragmática nas palavras do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 9.20-23:

Procedi, para com os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus; para os que vivem sob o regime da lei, como se eu mesmo assim vivesse, para ganhar os que vivem debaixo da lei, embora não esteja eu debaixo da lei. Aos sem lei, como se eu mesmo o fosse, não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo, para ganhar os que vivem fora do regime da lei. Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns. Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele.

Paulo estava falando de sua paixão por conquistar os perdidos a qualquer custo, até mesmo o extremo sacrifício pessoal. O versículo 19, que introduz esta seção, diz: "Sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos". Ele não estava advogando que devemos retalhar a mensagem a fim de remover o escândalo da cruz (Gl 5.11). Paulo não teria endossado a tendência atual de substituir a pregação firme por música, drama ou outros entretenimentos que não envolvem constrangimento ou confronto. Nesta mesma epístola aos coríntios, ele escreveu: "Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação" (1 Co 1.21).

Isso é o oposto da tendência atual, na qual encontramos a sabedoria mundana e os entretenimentos carnais substituindo a proclamação da Palavra de Deus e sendo usados como meios de evangelização.

Paulo lembrou aos coríntios que ele mesmo havia sido exemplo para eles: "Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado" (1 Co 2.1-2). Ele conservou sua mensagem simples, franca e direta, deixando a Palavra de Deus penetrar os corações deles em vez de tentar convencê-los com engenhosidade e exibição.

Paulo não queria que sua maneira de falar, seu comportamento pessoal, suas maneiras sociais ou quaisquer outras coisas externas fossem pedras de tropeço para ninguém a quem ele estivesse ministrando. Paulo evitou, a todo custo, ofender desnecessariamente a quem quer que fosse; isto é, ele se tornou "tudo para com todos" os homens (1 Co 9.22).

Porém, uma coisa que Paulo nunca teria feito, a fim de evitar escândalo, era amenizar ou alterar a mensagem do evangelho. De fato, suas palavras mais severas foram uma maldição pronunciada sobre qualquer um que, por amenizar ou alterar, modificasse a mensagem do evangelho (Gl 1.8). Paulo reconheceu que a mensagem da cruz, em si mesma, é uma enorme pedra de tropeço para os incrédulos (Gl 5.11; Rm 9.32-33; 1 Co 1.23), mas não deixou de proclamá-la com ousadia (At 19.8; Ef 6.19). Condenou categoricamente pregadores que com sua mensagem produzem coceiras nos ouvidos (2 Tm 4.3-5).

Então, é certo que não acolheria, por um momento sequer, a sugestão de que a mensagem do evangelho pudesse ser adaptada com o propósito de satisfazer as inclinações egoístas e carnais das pessoas. Paulo não suportaria os que acham que devem vencer a resistência e a incredulidade das pessoas por meio de uma nova maneira de apresentar o evangelho ou por omitir as exigências mais árduas do evangelho. Ele sabia que tal abordagem produziria muitos falsos convertidos.


John MacArthur
Extraído do Livro: NOSSA SUFICIÊNCIA EM CRISTO

quarta-feira, 7 de maio de 2014

A barbárie no coração

Estamos vivendo uma época de barbáries. Não que em anos passados as barbáries ocorriam em menor escala, mas agora com os meios de comunicação tudo é televisionado e se propaga rapidamente através da Internet e das mídias sociais. O caos na sociedade é visivelmente estarrecedor, visto que algumas ações típicas de bárbaros estão sendo praticadas por pessoas que se intitulam civilizadas.

Recentemente um jovem morreu após levar uma forte pancada na cabeça. O agressor atirou um vaso sanitário de uma altura de 20 metros atingindo em cheio o torcedor que deixava o estádio do Arruda em Recife-PE. O vandalismo misturado à falta de consideração para com o próximo gerou mais esta barbárie. No litoral de São Paulo, no Guarujá, uma senhora foi vítima de linchamento até a morte. Um grupo de pessoas fez justiça com as próprias mãos com a pessoa errada, pois confundiram a mulher com outra que era procurada no estado do Rio de Janeiro por sequestro de crianças. Mais uma barbárie que traz à tona um questionamento sobre a situação do homem e sua relação com os outros a sua volta. As barbáries que são vistas na tela da TV ou do computador apenas refletem que o homem continua se rebelando cada vez mais contra Deus, insistindo em buscar a própria forma de viver.

Não posso abordar este assunto sem me valer dos princípios bíblicos, que atestam a pecaminosidade inerente do homem. Desde o seu nascimento, há no homem a semente de rebelião contra Deus e contra os seus pares. É notório que as crianças já fazem requisições egoístas e entram em conflitos com outras crianças sem o menor constrangimento. Isto é evidência de que não é o ambiente que denigre o homem, é o próprio coração cheio de pecado e egoísmo que aflora toda sorte de malefícios e contendas nas relações interpessoais. Sendo assim, o remédio não será encontrado em posições filosóficas ou sociológicas que busquem entender o homem no seu habitat. Nem tampouco encontrar-se-á uma solução na busca por melhoria nas condições educacionais ou econômicas do povo.

A reforma legítima inicia-se por meio de uma abordagem teológica centrada na cruz de Cristo. O plano redentor de Deus, estabelecido na eternidade, estabelece o norte para que o homem não se afogue em suas barbáries. O retorno à sensatez só é possível quando entendemos com profundidade e clareza a vida sob o ponto de vista de Deus, que nos oferece recursos maravilhosos a fim de que possamos construir relações amenas e baseadas no altruísmo.

O entendimento do pecado e do justo juízo divino decorrente da rebelião do homem contra Deus, deve nos fazer mirar a cruz do Calvário como única solução. O sacrifício remidor do Cordeiro de Deus aplacou a ira divina e nos aproximou de um relacionamento vivo e dinâmico com o Pai. Junto a Deus há refúgio para o dia mau, para a alma abatida e para os contritos de espírito. Precisamos clamar ao Senhor que nos tire da inércia e que sejamos instrumentos de bênção no contexto em que estamos, transmitindo a graça e proclamando o maravilhoso amor de Deus, mesmo diante de cenas de barbárie e selvageria.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Uma ótima avaliação

Texto: Lucas 7: 24-30

É notório em toda a Bíblia o fato de que Deus sempre fez avaliações sobre o Seu povo, tanto no AT como no NT. A mensagem dos profetas tinha como objetivo alertar o povo diante das avaliações feitas pelo Senhor. O profeta Oséias foi um instrumento usado por Deus para trazer à tona a avaliação que o Senhor fazia sobre Israel, quase sempre negativa: “tal como uma vaca rebelde, assim se rebelou Israel” (Os. 4:16).O profeta Jeremias também transmitiu ao povo a avaliação feita pelo Senhor em vários momentos, por exemplo: “O pecado de Judá está escrito com um ponteiro de ferro e com diamante pontiagudo, gravado na tábua do seu coração e nas pontas dos seus altares.” (Jr. 17:1). Não somente sobre o seu povo, mas Deus também avaliou a vida de pessoas ímpias, como por exemplo a vida do rei Belssazar. Este rei ímpio foi avaliado e recebeu o veredito da parte do Senhor: TEQUEL = pesado foste na balança e achado em falta (Dn. 5:27). Imagine receber uma avaliação deste tipo!

No Novo Testamento encontramos Jesus dirigindo-se às sete igrejas da Ásia Menor, e fazendo a Sua avaliação sobre cada uma delas: “Conheço as tuas obras”. A avaliação feita por Jesus traduz perfeitamente a situação de cada igreja. A avaliação sobre a igreja de Laodicéia é bem forte: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca” (Ap. 3: 15-16). Diante deste exemplos, fica claro que são abundantes na Bíblia as avaliações feitas pelo Senhor.

No texto que temos em epígrafe, Jesus apresenta a sua avaliação sobre a pessoa de João, o batista. O texto nos diz que “passou Jesus a dizer ao povo a respeito de João.”João, o batista, com frequência testemunhou de Jesus; agora, Jesus testemunha a respeito de João para o povo ali reunido. Jesus tece elogios a este homem e chega a afirmar de modo categórico: “Entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João.” Através de perguntas retóricas, Jesus realiza uma excelente avaliação sobre João.

Qualserá a avaliação de Cristo a nosso respeito? O que Ele diria sobre nós? Será positiva ou será negativa? Creio que não existe uma avaliação intermediária, até porque Cristo abomina a mornidão (nem quente, nem frio). Ou estamos progredindo, ou estamos regredindo na caminhada cristã.A avaliação que Cristo faz a nosso respeito deve nos constranger a mudanças imediatas. Não se trata apenas de uma informação, o Senhor requer de nós uma resposta adequada à avaliação que Ele realiza.

“A avaliação que Cristo fez sobre João engloba aspectos que não devem ser ignorados por nenhum discípulo”

S. T.: Quais são os aspectos da avaliação de Cristo sobre João quenão devem ser ignorados por nenhum discípulo?

S. T.: Os aspectos da avaliação de Cristo sobre João que não devem ser ignorados por nenhum discípulo (Palavra-chave: Aspecto)

1) O PRIMEIRO ASPECTO É COM RELAÇÃO ÀFIRMEZA DE CARÁTER (vs. 24)

As perguntas retóricas neste texto sugerem uma forma sutil de eliminar respostas claramente falsas a fim de transmitir a verdade sobre João. “Um caniço [provavelmente uma planta da família das gramíneas encontradas em abundância ao longo do Jordão] agitado pelo vento” sugere uma pessoa instável, levada emseu julgamento pelos ventos da opinião pública ou da desventura pessoal. João não era um caniço (pense por exemplo numa vareta de bambu) ao vento, que muda de direção a todo instante, que ilustra alguém inseguro e instável. Antes, era um homem de convicções e de coragem, um homem destemido e firme. Com esta pergunta instigante, Jesus está enfatizando que João não se deixava influenciar pelas circunstâncias e nem pelas pessoas a sua volta. O vento das dificuldades ou da pressão dos políticos e religiosos de sua época não fez João dobrar-se ou abandonar as suas convicções. Essa sua coerência não havia resultado somente em seu encarceramento, mas na sequência também lhe custaria a própria vida (cf. Mt. 14:6-12). João manteve-se firme apesar da oposição de Herodes, quando denunciou o relacionamento adúltero em que ele vivia.

Alguns cristãos até se escoram na velha desculpa que “a carne é fraca”, tirando o versículo do seu contexto, para tentar justificar um cristianismo vacilante. Conta-se a história de um motorista cristão que não tinha firmeza de caráter. Seu procedimento no trânsito era reprovável. Sua atitude dentro da família era de pura negligência. Certa vez ele foi parado por excesso de velocidade por um guarda também cristão. O motorista rapidamente argumentou: “Sr. não aplique, nenhuma multa, foi a minha velha natureza que estava em excesso de velocidade.” O guarda sabiamente respondeu: “Vou multar a sua velha natureza em 50 dólares por excesso de velocidade, e vou multar a sua nova natureza em 50 dólares por ser conivente com a primeira.”

O caráter do cristão precisa ser autoevidente em seus valores, princípios e atitudes. É do caráter firmado na Palavra de Deus que procedem nossos valores e princípios, que nos levam a discernir o que é certo/errado sob o ponto de vista de Deus. Mas quando negligenciamos a firmeza de caráter o resultado é sempre desastroso.O temor dos homens, o medo da rejeição e a politicagem em nossos relacionamentos, atestam que somos pessoas inconstantes e de dúbio proceder. A verdade é que faltam homens e mulheres de Deus firmes em seu caráter, que não abrem mão de um procedimento digno do evangelho de Cristo.

PERGUNTA: Por que não devemos ser pessoas instáveis na caminhada com Cristo? A resposta é simplesmente porque não podemos alegar falta de recursos espirituais para um progresso efetivo em nosso viver. Tudo que nos conduz à vida e a piedade já nos foi dado graciosamente para o progresso na fé. O cristão “tropeça aqui-cai acolá” é um difamador da graça santificadora do Senhor.

Paulo adverte “que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef. 4:14). Tiago vai falar sobre o “homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos.” (Tg. 1:8) Este é aquele que não coloca em execução a verdade bíblica por ter um caráter vacilante, um mente dividida, que não tem um posicionamento firme.

Neste mundo de antagonismo à vontade de Deus, não devemos abaixar padrões ou relativizar valores em prol da conveniência. Será que receberemos o elogio Senhor por termos sido firmes de caráter e atitude?

2) O SEGUNDO ASPECTO É COM RELAÇÃO AO DESAPEGO DO QUE É EFÊMERO (Vs. 25)

Jesus faz mais uma pergunta instigante aos seus ouvintes imediatos: “Que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas?” (Lc. 7:25). Definitivamente João não era uma celebridade que desfrutava de regalias, ou da amizade de gente importante e dos prazeres da riqueza. João era um homem simples e ao mesmo tempo estranho, que não estava seguindo a moda do seu tempo. O termo empregado por Jesus para luxo não engloba somente vestes ou ostentação de bens materiais. O palavra carrega uma conotação de luxúria carnal, ou seja, libertinagem e promiscuidade. Com esta pergunta, Jesus traz uma reprimenda implícita a todos aqueles que ostentam luxo e riqueza material ou se devotam aos prazeres carnais, e que continuam mantendo um coração endurecido diante da vontade de Deus. A história dos Herodes e dos Césares no Império Romano é marcada por ostentação e pecados sexuais. Mas nada daquela ostentação ou dos prazeres da vida regalada roubaram a atenção do profeta João, que não se iludiu e nem se vendeu.

Conta-se a história de uma criança de três anos de idade que ganhou uma linda bicicleta azul do seu pai. A bicicleta era novíssima, completa e com as rodinhas auxiliares, equipamentos de proteção e adesivos. Não poderia haver uma bicicleta melhor, e o pai ficou esperando a reação do seu pequeno filho. Quando o pai tirou a bicicleta da caixa de papelão, a criança observou por um momento e sorriu e depois começou a brincar com a caixa. Demorou alguns dias para que o pai convencesse seu filho que o presente de verdade era a linda bicicleta azul. Muitas vezes nós agimos como esta criança: perdemos o foco do que realmente é importante e dedicamos nossa maior atenção ao que é efêmero, a tudo aquilo que não acrescentará valores eternos ao nosso viver.

O dicionário Houaiss define luxo assim: “maneira de viver caracterizada pelo desejo de ostentação, por despesas excessivas, pela procura de comodidades caras e supérfluas.” À luz da Bíblia, nós precisamos identificar o que é efêmero em nossas vidas, para que as coisas efêmeras não se tornem deuses para nós. Não estou fazendo apologia à teologia da mediocridade, mas precisamos pedir que Deus nos ajude a sondarmos os nossos corações para não sermos iludidos pelas propostas deste século. Vivemos numa época de consumismo desenfreado, e cada vez mais o luxo é assumido como meta na vida de muitas pessoas. O desprendimento deve ser uma marca que nos identifica como cristãos, pois estamos apenas peregrinando neste mundo tão efêmero.

Muitas vezes, o que é acessório e supérfluo assume a primazia em nosso viver, e passamos a cobiçar mais e mais. Este ciclo nunca se fecha!O sábio Salomão, que experimentou bem o luxo e o prazer, escreveu:“Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu voltará, indo-se como veio; e do seu trabalho nada poderá levar consigo.” (Ec. 5:15). Diante da verdade exposta neste verso bíblico, éevidente concluir que os nossos interesses devem ser muito mais celestiais do que materiais.

Só o que é eterno satisfaz a nossa alma. O que é efêmero apenas aumenta a nossa sede. Nada neste mundo pode trazer real satisfação à alma. C. S. Lewis escreveu: “Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência neste mundo pode satisfazer, a explicação mais correta é que eu fui feito para outro mundo.” Que a nossa vida enquanto peregrinos seja marcada por uma afeição genuína ao que é eterno e celeste, não ao que é passageiro e terreal. Será que receberemos o elogio do Senhor por termos sido desapegados dos valores deste mundo corrompido?

3) O TERCEIRO ASPECTO É COM RELAÇÃO AO CUMPRIMENTO DO PROPÓSITO (Vs. 26-27)

O ministério de João era preparar a nação para a chegada de Jesus e apresentá-lo à nação (Lc. 1:17), pregando a mensagem de arrependimento. Seu ministério foi o ponto culminante da Lei e dos Profetas. João Batista foi o último profeta do Antigo Testamento e, como mensageiro de Deus, teve o privilégio de apresentar o Messias a Israel. O ministério de João constituiu um divisor de águas, tanto na história nacional de Israel quanto no plano redentor de Deus (Lc. 16:16). João cumpriu com fidelidade o propósito para o qual foi escolhido por Deus. Ele anunciava em alto e bom som a mensagem de arrependimento que apontava para Cristo: “No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29). Testemunhar a respeito de Cristo era sua obra contínua, e João se manteve fiel a este propósito enquanto esteve vivo.

O apóstolo Paulo entendeu o seu propósito e cumpriu cabalmente o seu ministério: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.” (2 Tm. 4:7)“Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou.” (2 Tm. 2:5). Em outras palavras, nenhum soldado foge do cumprimento do seu dever, pois o seu propósito é satisfazer ao seu comandante.O soldado Demas não cumpriu o seu objetivo: “ele amou o presente século e partiu para Tessalônica...”

Uma das primeiras lições em música é o aprendizado dos compassos. Em Teoria Musical, o compasso está relacionado com as divisõesde sons que se sucedem dentro de um determinado tempo e ritmo. Assim, só é possível cumprir corretamente a execução da música se o compasso for totalmente obedecido.O professor de música e regente da banda filarmônica da qual fiz parte na infância era bastante exigente e buscava de várias maneiras sincronizar o som dos instrumentos.Eu lembro que ele reclamava bastante quando os instrumentistas saíam do compasso da música: “- Vocês estão fora de compasso. Aprendam a ficar dentro do compasso. Sejam fiéis ao compasso”. Será que a nossa vida está dentro do seguinte compasso: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe. 2:9)? Ou estamos fora de compasso, vivendo de maneira indigna deste maravilhoso chamado?

Uma pergunta que todos nós devemos fazer e responder à luz das Escrituras: Para que estou neste mundo? Esta pergunta delineia o cerne do propósito para o qual fomos criados e remidos por Deus.Há um propósito bem claro nas Escrituras: o propósito de Deus não é apenas salvar um povo para Si, mas que este povo se conforme à imagem de Cristo Jesus. Com este intuito em mente, cada cristão precisa assemelhar-se ao padrão perfeito (olhando firmemente para o Autor e Consumador da nossa fé). A forma como tratamos os nossos irmãos deve reluzir este maravilho propósito. Cristo não nos trata com malícia, da mesma maneira não devemos tratar com malícia os nossos irmãos. As escolhas que fazemos precisam visar a glória de Deus e não a nossa própria glória, pois Cristo nos deu o exemplo de submissão à vontade do Senhor em toda a Sua vida.

Todo crente está neste mundo para trilhar o caminho da mortificação do eu, para que o senhorio de Cristo seja evidente em nossas atitudes e relacionamentos.Será que receberemos o elogio do Senhor por termos cumprido o propósito para o qual fomos remidos?