quarta-feira, 28 de maio de 2014

Um tributo à graça de Deus

A Igreja Batista Regular do Jardim Amazonas comemora em maio/2014 os seus 20 anos de existência. É uma data memorável. E é bom saber que ao longo dos anos esta igreja foi sustentada pela graça de Deus, sem a qual certamente não teríamos chegado até esta data. Precisamos olhar para o passado sem resquícios de um saudosismo melancólico, mas com o coração cheio de alegria por termos visto a poderosa ação de Deus ao longo da trajetória da nossa igreja.

Reconhecemos o papel singular que várias pessoas desempenharam no estabelecimento da igreja no início da década de 90, reconhecemos o empenho missionário para a construção deste templo, reconhecemos o suor despendido em labuta pelas ovelhas por líderes que por aqui passaram, reconhecemos o valor dos irmãos e irmãs que aqui exerceram ou exercem seus dons objetivando a glória de Deus: reconhecemos que tudo isso é fruto somente da boa mão do Senhor. Por isso, o foco deste pequeno texto é trazer-nos à memória um tributo à graça de Deus.

As primeiras reuniões nesta igreja aconteceram em chão batido, não havia piso, não havia bancos. Na minha lembrança ainda ecoam a melodia e letra de um pequeno cântico que era entoado: “Por mim morreu Jesus, cravado numa cruz, no monte do Calvário, por mim morreu Jesus.” De maneira simples, a mensagem do Evangelho de Cristo foi sendo proclamada e, pela graça do Pai, adultos e crianças daquela época entenderam o Evangelho e os frutos não demoraram a aparecer. É muito bom olhar ao redor e ver irmãos que iniciaram sua caminhada cristã nesta igreja e permanecem sendo conduzidos pelo Bom Pastor. Isto também merece ser recordado, e traz ao meu coração a certeza de quão gracioso Deus tem sido.

Com o passar do tempo, muitos daquela época abandonaram a corrida cristã, lembro disso com tristeza. Mas os que perseveraram servindo e seguindo a Cristo não fizeram isto por mérito próprio, foi também pela operação capacitadora da graça de Deus. O caminhar pela fé não é feito sem dependência constante de Cristo Jesus, afinal somente unidos à Videira verdadeira, é que permaneceremos no Seu amor. Por meio da Bíblia, entendemos que a mensagem do Evangelho não nos causa uma mera empolgação; o entendimento correto do Evangelho nos constrange a vivermos em conformidade com o que Deus requer dos Seus filhos, sempre com base na graça que nos salva e nos capacita.

Podemos lembrar-nos de irmãos queridos que já não andam mais conosco, porque partiram para habitar com Cristo, que os promoveu para o reino celestial. No plano eterno do Senhor, eles cumpriram o seu propósito no tempo em que permaneceram entre nós. O testemunho cristão, que resplandecia a verdade do Evangelho em suas vidas, permanece vivo em minha lembrança.

Dificuldades na jornada desta igreja também aconteceram, problemas internos e externos que de alguma forma se tornaram percalços no caminho. Mas o que continua vivo na minha memória, é a constância da graça de Deus em cuidar do Seu povo, mantendo-nos firmes na Palavra apesar das tempestades que vieram. É fato que igrejas perfeitas não existem, e membros perfeitos muito menos. Mas é o Senhor da igreja quem traz à tona o que precisa ser afinado com as Escrituras e confronta o Seu povo para fazer os ajustes necessários por meio da capacitação do Espírito. Com o ensino correto e com instrução bíblica, os membros experimentam crescimento em suas vidas e a igreja amadurece como Corpo. Isto também é evidência da maravilhosa graça de Deus.

O desenvolvimento saudável de um corpo é caracterizado pela adequação de cada membro ao propósito para o qual foi designado. Temos visto irmãos e irmãs ao longo destes anos se empenhando no uso de seus dons, para edificação de outros membros do corpo afim de que o corpo cresça ajustado e consolidado para o Senhor. No reino de Cristo, ninguém é autossuficiente a ponto de isolar-se do corpo, vivendo somente para si. A vida congregacional, mantida sob a verdade do Evangelho de Cristo, também é resultado da graça de Deus sobre o Seu povo.

E como fiéis soldados do Senhor não estamos aqui para combater em causa própria, estamos aqui para satisfazer Aquele que nos alistou e isto só é possível quando obedecemos na íntegra às Suas ordens. Louvamos a Deus por mais um ano que Ele nos concede como igreja, e agradecemos ao Senhor porque Ele nos capacitou por Sua maravilhosa graça a chegarmos até aqui, e certamente nos capacitará a cumprir o propósito para o qual fomos chamados. Alguns desafios se descortinam diante de nós, e por isso precisamos de coragem e firmeza. Portanto, “corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para Ele, o Autor e Consumador da nossa fé” (Hb. 12:2). Que Deus nos abençoe! E que continuemos sempre firmes e firmes e perseverantes como igreja, vivendo com o Senhor, pelo Senhor e para o Senhor.

terça-feira, 20 de maio de 2014

O que é um cristão

O que é um cristão? Um cristão é alguém que, antes e acima de tudo, foi perdoado de seu pecado e reconciliado com Deus, o Pai, por meio de Jesus Cristo. Isso acontece quando a pessoa se arrepende de seus pecados e coloca sua fé na vida perfeita, na morte substitutiva e na ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus.

Em outras palavras, um cristão é alguém que se esgotou a si próprio e todos os seus recursos morais. Reconheceu que, em desafio à lei de Deus, havia dedicado sua vida à adoração e ao amor às coisas e não a Deus — coisas como a profissão, a família, aquilo que o dinheiro pode comprar, a opinião das pessoas, a honra de sua família e da comunidade, o favor dos falsos deuses de outras religiões, os espíritos deste mundo ou mesmo as coisas boas que uma pessoa pode fazer. Também reconheceu que esses ídolos são senhores duplamente condenatórios. Seus apetites nunca são satisfeitos nesta vida. E provocam a ira justa de Deus na vida por vir, uma morte e um julgamento, dos quais o cristão experimenta um pouco nas infelicidades deste mundo.

Portanto, um cristão sabe que, se tivesse de morrer hoje à noite e comparecer diante de Deus, e Ele lhe dissesse: “Por que devo permitir que você entre na minha presença?” O cristão diria: “Senhor, não deves deixar-me entrar. Tenho pecado contra Ti e tenho para contigo uma dívida que sou incapaz de pagar”. No entanto, ele não pararia aí. Continuaria: “Mas, por causa de tuas grandes promessas e misericórdia, confio no sangue de Jesus Cristo que foi derramado como substituto por mim e pagou o meu débito moral, satisfazendo as Tuas exigências santas e justas e removendo a Tua ira contra o meu pecado!”

Com base na garantia de ser declarado justo em Cristo, o cristão é alguém que descobriu o começo da liberdade da escravidão ao pecado. Os ídolos e outros deuses nunca podiam ser satisfeitos, e seus apetites, plenamente atendidos; mas a satisfação de Deus quanto à obra de Cristo implica que a pessoa comprada da condenação por meio da obra de Cristo agora é livre! Pela primeira vez, o cristão é livre para virar suas costas ao pecado, não para substituí-lo servilmente com outro pecado, e sim com o desejo pelo próprio Cristo e pela norma de Cristo para a sua vida; este desejo é outorgado pelo Espírito.

 

Autor: MARK DEVER

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Fraco para com os fracos…

Alguns conceberam uma filosofia pragmática nas palavras do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 9.20-23:

Procedi, para com os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus; para os que vivem sob o regime da lei, como se eu mesmo assim vivesse, para ganhar os que vivem debaixo da lei, embora não esteja eu debaixo da lei. Aos sem lei, como se eu mesmo o fosse, não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo, para ganhar os que vivem fora do regime da lei. Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns. Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele.

Paulo estava falando de sua paixão por conquistar os perdidos a qualquer custo, até mesmo o extremo sacrifício pessoal. O versículo 19, que introduz esta seção, diz: "Sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos". Ele não estava advogando que devemos retalhar a mensagem a fim de remover o escândalo da cruz (Gl 5.11). Paulo não teria endossado a tendência atual de substituir a pregação firme por música, drama ou outros entretenimentos que não envolvem constrangimento ou confronto. Nesta mesma epístola aos coríntios, ele escreveu: "Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação" (1 Co 1.21).

Isso é o oposto da tendência atual, na qual encontramos a sabedoria mundana e os entretenimentos carnais substituindo a proclamação da Palavra de Deus e sendo usados como meios de evangelização.

Paulo lembrou aos coríntios que ele mesmo havia sido exemplo para eles: "Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado" (1 Co 2.1-2). Ele conservou sua mensagem simples, franca e direta, deixando a Palavra de Deus penetrar os corações deles em vez de tentar convencê-los com engenhosidade e exibição.

Paulo não queria que sua maneira de falar, seu comportamento pessoal, suas maneiras sociais ou quaisquer outras coisas externas fossem pedras de tropeço para ninguém a quem ele estivesse ministrando. Paulo evitou, a todo custo, ofender desnecessariamente a quem quer que fosse; isto é, ele se tornou "tudo para com todos" os homens (1 Co 9.22).

Porém, uma coisa que Paulo nunca teria feito, a fim de evitar escândalo, era amenizar ou alterar a mensagem do evangelho. De fato, suas palavras mais severas foram uma maldição pronunciada sobre qualquer um que, por amenizar ou alterar, modificasse a mensagem do evangelho (Gl 1.8). Paulo reconheceu que a mensagem da cruz, em si mesma, é uma enorme pedra de tropeço para os incrédulos (Gl 5.11; Rm 9.32-33; 1 Co 1.23), mas não deixou de proclamá-la com ousadia (At 19.8; Ef 6.19). Condenou categoricamente pregadores que com sua mensagem produzem coceiras nos ouvidos (2 Tm 4.3-5).

Então, é certo que não acolheria, por um momento sequer, a sugestão de que a mensagem do evangelho pudesse ser adaptada com o propósito de satisfazer as inclinações egoístas e carnais das pessoas. Paulo não suportaria os que acham que devem vencer a resistência e a incredulidade das pessoas por meio de uma nova maneira de apresentar o evangelho ou por omitir as exigências mais árduas do evangelho. Ele sabia que tal abordagem produziria muitos falsos convertidos.


John MacArthur
Extraído do Livro: NOSSA SUFICIÊNCIA EM CRISTO

quarta-feira, 7 de maio de 2014

A barbárie no coração

Estamos vivendo uma época de barbáries. Não que em anos passados as barbáries ocorriam em menor escala, mas agora com os meios de comunicação tudo é televisionado e se propaga rapidamente através da Internet e das mídias sociais. O caos na sociedade é visivelmente estarrecedor, visto que algumas ações típicas de bárbaros estão sendo praticadas por pessoas que se intitulam civilizadas.

Recentemente um jovem morreu após levar uma forte pancada na cabeça. O agressor atirou um vaso sanitário de uma altura de 20 metros atingindo em cheio o torcedor que deixava o estádio do Arruda em Recife-PE. O vandalismo misturado à falta de consideração para com o próximo gerou mais esta barbárie. No litoral de São Paulo, no Guarujá, uma senhora foi vítima de linchamento até a morte. Um grupo de pessoas fez justiça com as próprias mãos com a pessoa errada, pois confundiram a mulher com outra que era procurada no estado do Rio de Janeiro por sequestro de crianças. Mais uma barbárie que traz à tona um questionamento sobre a situação do homem e sua relação com os outros a sua volta. As barbáries que são vistas na tela da TV ou do computador apenas refletem que o homem continua se rebelando cada vez mais contra Deus, insistindo em buscar a própria forma de viver.

Não posso abordar este assunto sem me valer dos princípios bíblicos, que atestam a pecaminosidade inerente do homem. Desde o seu nascimento, há no homem a semente de rebelião contra Deus e contra os seus pares. É notório que as crianças já fazem requisições egoístas e entram em conflitos com outras crianças sem o menor constrangimento. Isto é evidência de que não é o ambiente que denigre o homem, é o próprio coração cheio de pecado e egoísmo que aflora toda sorte de malefícios e contendas nas relações interpessoais. Sendo assim, o remédio não será encontrado em posições filosóficas ou sociológicas que busquem entender o homem no seu habitat. Nem tampouco encontrar-se-á uma solução na busca por melhoria nas condições educacionais ou econômicas do povo.

A reforma legítima inicia-se por meio de uma abordagem teológica centrada na cruz de Cristo. O plano redentor de Deus, estabelecido na eternidade, estabelece o norte para que o homem não se afogue em suas barbáries. O retorno à sensatez só é possível quando entendemos com profundidade e clareza a vida sob o ponto de vista de Deus, que nos oferece recursos maravilhosos a fim de que possamos construir relações amenas e baseadas no altruísmo.

O entendimento do pecado e do justo juízo divino decorrente da rebelião do homem contra Deus, deve nos fazer mirar a cruz do Calvário como única solução. O sacrifício remidor do Cordeiro de Deus aplacou a ira divina e nos aproximou de um relacionamento vivo e dinâmico com o Pai. Junto a Deus há refúgio para o dia mau, para a alma abatida e para os contritos de espírito. Precisamos clamar ao Senhor que nos tire da inércia e que sejamos instrumentos de bênção no contexto em que estamos, transmitindo a graça e proclamando o maravilhoso amor de Deus, mesmo diante de cenas de barbárie e selvageria.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Uma ótima avaliação

Texto: Lucas 7: 24-30

É notório em toda a Bíblia o fato de que Deus sempre fez avaliações sobre o Seu povo, tanto no AT como no NT. A mensagem dos profetas tinha como objetivo alertar o povo diante das avaliações feitas pelo Senhor. O profeta Oséias foi um instrumento usado por Deus para trazer à tona a avaliação que o Senhor fazia sobre Israel, quase sempre negativa: “tal como uma vaca rebelde, assim se rebelou Israel” (Os. 4:16).O profeta Jeremias também transmitiu ao povo a avaliação feita pelo Senhor em vários momentos, por exemplo: “O pecado de Judá está escrito com um ponteiro de ferro e com diamante pontiagudo, gravado na tábua do seu coração e nas pontas dos seus altares.” (Jr. 17:1). Não somente sobre o seu povo, mas Deus também avaliou a vida de pessoas ímpias, como por exemplo a vida do rei Belssazar. Este rei ímpio foi avaliado e recebeu o veredito da parte do Senhor: TEQUEL = pesado foste na balança e achado em falta (Dn. 5:27). Imagine receber uma avaliação deste tipo!

No Novo Testamento encontramos Jesus dirigindo-se às sete igrejas da Ásia Menor, e fazendo a Sua avaliação sobre cada uma delas: “Conheço as tuas obras”. A avaliação feita por Jesus traduz perfeitamente a situação de cada igreja. A avaliação sobre a igreja de Laodicéia é bem forte: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca” (Ap. 3: 15-16). Diante deste exemplos, fica claro que são abundantes na Bíblia as avaliações feitas pelo Senhor.

No texto que temos em epígrafe, Jesus apresenta a sua avaliação sobre a pessoa de João, o batista. O texto nos diz que “passou Jesus a dizer ao povo a respeito de João.”João, o batista, com frequência testemunhou de Jesus; agora, Jesus testemunha a respeito de João para o povo ali reunido. Jesus tece elogios a este homem e chega a afirmar de modo categórico: “Entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João.” Através de perguntas retóricas, Jesus realiza uma excelente avaliação sobre João.

Qualserá a avaliação de Cristo a nosso respeito? O que Ele diria sobre nós? Será positiva ou será negativa? Creio que não existe uma avaliação intermediária, até porque Cristo abomina a mornidão (nem quente, nem frio). Ou estamos progredindo, ou estamos regredindo na caminhada cristã.A avaliação que Cristo faz a nosso respeito deve nos constranger a mudanças imediatas. Não se trata apenas de uma informação, o Senhor requer de nós uma resposta adequada à avaliação que Ele realiza.

“A avaliação que Cristo fez sobre João engloba aspectos que não devem ser ignorados por nenhum discípulo”

S. T.: Quais são os aspectos da avaliação de Cristo sobre João quenão devem ser ignorados por nenhum discípulo?

S. T.: Os aspectos da avaliação de Cristo sobre João que não devem ser ignorados por nenhum discípulo (Palavra-chave: Aspecto)

1) O PRIMEIRO ASPECTO É COM RELAÇÃO ÀFIRMEZA DE CARÁTER (vs. 24)

As perguntas retóricas neste texto sugerem uma forma sutil de eliminar respostas claramente falsas a fim de transmitir a verdade sobre João. “Um caniço [provavelmente uma planta da família das gramíneas encontradas em abundância ao longo do Jordão] agitado pelo vento” sugere uma pessoa instável, levada emseu julgamento pelos ventos da opinião pública ou da desventura pessoal. João não era um caniço (pense por exemplo numa vareta de bambu) ao vento, que muda de direção a todo instante, que ilustra alguém inseguro e instável. Antes, era um homem de convicções e de coragem, um homem destemido e firme. Com esta pergunta instigante, Jesus está enfatizando que João não se deixava influenciar pelas circunstâncias e nem pelas pessoas a sua volta. O vento das dificuldades ou da pressão dos políticos e religiosos de sua época não fez João dobrar-se ou abandonar as suas convicções. Essa sua coerência não havia resultado somente em seu encarceramento, mas na sequência também lhe custaria a própria vida (cf. Mt. 14:6-12). João manteve-se firme apesar da oposição de Herodes, quando denunciou o relacionamento adúltero em que ele vivia.

Alguns cristãos até se escoram na velha desculpa que “a carne é fraca”, tirando o versículo do seu contexto, para tentar justificar um cristianismo vacilante. Conta-se a história de um motorista cristão que não tinha firmeza de caráter. Seu procedimento no trânsito era reprovável. Sua atitude dentro da família era de pura negligência. Certa vez ele foi parado por excesso de velocidade por um guarda também cristão. O motorista rapidamente argumentou: “Sr. não aplique, nenhuma multa, foi a minha velha natureza que estava em excesso de velocidade.” O guarda sabiamente respondeu: “Vou multar a sua velha natureza em 50 dólares por excesso de velocidade, e vou multar a sua nova natureza em 50 dólares por ser conivente com a primeira.”

O caráter do cristão precisa ser autoevidente em seus valores, princípios e atitudes. É do caráter firmado na Palavra de Deus que procedem nossos valores e princípios, que nos levam a discernir o que é certo/errado sob o ponto de vista de Deus. Mas quando negligenciamos a firmeza de caráter o resultado é sempre desastroso.O temor dos homens, o medo da rejeição e a politicagem em nossos relacionamentos, atestam que somos pessoas inconstantes e de dúbio proceder. A verdade é que faltam homens e mulheres de Deus firmes em seu caráter, que não abrem mão de um procedimento digno do evangelho de Cristo.

PERGUNTA: Por que não devemos ser pessoas instáveis na caminhada com Cristo? A resposta é simplesmente porque não podemos alegar falta de recursos espirituais para um progresso efetivo em nosso viver. Tudo que nos conduz à vida e a piedade já nos foi dado graciosamente para o progresso na fé. O cristão “tropeça aqui-cai acolá” é um difamador da graça santificadora do Senhor.

Paulo adverte “que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef. 4:14). Tiago vai falar sobre o “homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos.” (Tg. 1:8) Este é aquele que não coloca em execução a verdade bíblica por ter um caráter vacilante, um mente dividida, que não tem um posicionamento firme.

Neste mundo de antagonismo à vontade de Deus, não devemos abaixar padrões ou relativizar valores em prol da conveniência. Será que receberemos o elogio Senhor por termos sido firmes de caráter e atitude?

2) O SEGUNDO ASPECTO É COM RELAÇÃO AO DESAPEGO DO QUE É EFÊMERO (Vs. 25)

Jesus faz mais uma pergunta instigante aos seus ouvintes imediatos: “Que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas?” (Lc. 7:25). Definitivamente João não era uma celebridade que desfrutava de regalias, ou da amizade de gente importante e dos prazeres da riqueza. João era um homem simples e ao mesmo tempo estranho, que não estava seguindo a moda do seu tempo. O termo empregado por Jesus para luxo não engloba somente vestes ou ostentação de bens materiais. O palavra carrega uma conotação de luxúria carnal, ou seja, libertinagem e promiscuidade. Com esta pergunta, Jesus traz uma reprimenda implícita a todos aqueles que ostentam luxo e riqueza material ou se devotam aos prazeres carnais, e que continuam mantendo um coração endurecido diante da vontade de Deus. A história dos Herodes e dos Césares no Império Romano é marcada por ostentação e pecados sexuais. Mas nada daquela ostentação ou dos prazeres da vida regalada roubaram a atenção do profeta João, que não se iludiu e nem se vendeu.

Conta-se a história de uma criança de três anos de idade que ganhou uma linda bicicleta azul do seu pai. A bicicleta era novíssima, completa e com as rodinhas auxiliares, equipamentos de proteção e adesivos. Não poderia haver uma bicicleta melhor, e o pai ficou esperando a reação do seu pequeno filho. Quando o pai tirou a bicicleta da caixa de papelão, a criança observou por um momento e sorriu e depois começou a brincar com a caixa. Demorou alguns dias para que o pai convencesse seu filho que o presente de verdade era a linda bicicleta azul. Muitas vezes nós agimos como esta criança: perdemos o foco do que realmente é importante e dedicamos nossa maior atenção ao que é efêmero, a tudo aquilo que não acrescentará valores eternos ao nosso viver.

O dicionário Houaiss define luxo assim: “maneira de viver caracterizada pelo desejo de ostentação, por despesas excessivas, pela procura de comodidades caras e supérfluas.” À luz da Bíblia, nós precisamos identificar o que é efêmero em nossas vidas, para que as coisas efêmeras não se tornem deuses para nós. Não estou fazendo apologia à teologia da mediocridade, mas precisamos pedir que Deus nos ajude a sondarmos os nossos corações para não sermos iludidos pelas propostas deste século. Vivemos numa época de consumismo desenfreado, e cada vez mais o luxo é assumido como meta na vida de muitas pessoas. O desprendimento deve ser uma marca que nos identifica como cristãos, pois estamos apenas peregrinando neste mundo tão efêmero.

Muitas vezes, o que é acessório e supérfluo assume a primazia em nosso viver, e passamos a cobiçar mais e mais. Este ciclo nunca se fecha!O sábio Salomão, que experimentou bem o luxo e o prazer, escreveu:“Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu voltará, indo-se como veio; e do seu trabalho nada poderá levar consigo.” (Ec. 5:15). Diante da verdade exposta neste verso bíblico, éevidente concluir que os nossos interesses devem ser muito mais celestiais do que materiais.

Só o que é eterno satisfaz a nossa alma. O que é efêmero apenas aumenta a nossa sede. Nada neste mundo pode trazer real satisfação à alma. C. S. Lewis escreveu: “Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência neste mundo pode satisfazer, a explicação mais correta é que eu fui feito para outro mundo.” Que a nossa vida enquanto peregrinos seja marcada por uma afeição genuína ao que é eterno e celeste, não ao que é passageiro e terreal. Será que receberemos o elogio do Senhor por termos sido desapegados dos valores deste mundo corrompido?

3) O TERCEIRO ASPECTO É COM RELAÇÃO AO CUMPRIMENTO DO PROPÓSITO (Vs. 26-27)

O ministério de João era preparar a nação para a chegada de Jesus e apresentá-lo à nação (Lc. 1:17), pregando a mensagem de arrependimento. Seu ministério foi o ponto culminante da Lei e dos Profetas. João Batista foi o último profeta do Antigo Testamento e, como mensageiro de Deus, teve o privilégio de apresentar o Messias a Israel. O ministério de João constituiu um divisor de águas, tanto na história nacional de Israel quanto no plano redentor de Deus (Lc. 16:16). João cumpriu com fidelidade o propósito para o qual foi escolhido por Deus. Ele anunciava em alto e bom som a mensagem de arrependimento que apontava para Cristo: “No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29). Testemunhar a respeito de Cristo era sua obra contínua, e João se manteve fiel a este propósito enquanto esteve vivo.

O apóstolo Paulo entendeu o seu propósito e cumpriu cabalmente o seu ministério: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.” (2 Tm. 4:7)“Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou.” (2 Tm. 2:5). Em outras palavras, nenhum soldado foge do cumprimento do seu dever, pois o seu propósito é satisfazer ao seu comandante.O soldado Demas não cumpriu o seu objetivo: “ele amou o presente século e partiu para Tessalônica...”

Uma das primeiras lições em música é o aprendizado dos compassos. Em Teoria Musical, o compasso está relacionado com as divisõesde sons que se sucedem dentro de um determinado tempo e ritmo. Assim, só é possível cumprir corretamente a execução da música se o compasso for totalmente obedecido.O professor de música e regente da banda filarmônica da qual fiz parte na infância era bastante exigente e buscava de várias maneiras sincronizar o som dos instrumentos.Eu lembro que ele reclamava bastante quando os instrumentistas saíam do compasso da música: “- Vocês estão fora de compasso. Aprendam a ficar dentro do compasso. Sejam fiéis ao compasso”. Será que a nossa vida está dentro do seguinte compasso: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe. 2:9)? Ou estamos fora de compasso, vivendo de maneira indigna deste maravilhoso chamado?

Uma pergunta que todos nós devemos fazer e responder à luz das Escrituras: Para que estou neste mundo? Esta pergunta delineia o cerne do propósito para o qual fomos criados e remidos por Deus.Há um propósito bem claro nas Escrituras: o propósito de Deus não é apenas salvar um povo para Si, mas que este povo se conforme à imagem de Cristo Jesus. Com este intuito em mente, cada cristão precisa assemelhar-se ao padrão perfeito (olhando firmemente para o Autor e Consumador da nossa fé). A forma como tratamos os nossos irmãos deve reluzir este maravilho propósito. Cristo não nos trata com malícia, da mesma maneira não devemos tratar com malícia os nossos irmãos. As escolhas que fazemos precisam visar a glória de Deus e não a nossa própria glória, pois Cristo nos deu o exemplo de submissão à vontade do Senhor em toda a Sua vida.

Todo crente está neste mundo para trilhar o caminho da mortificação do eu, para que o senhorio de Cristo seja evidente em nossas atitudes e relacionamentos.Será que receberemos o elogio do Senhor por termos cumprido o propósito para o qual fomos remidos?

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Armadilhas

Numa recente série de postagens em seu Blog o pastor e conselheiro bíblico Paul Tripp abordou a questão do sofrimento na vida do cristão. Certamente haverá momentos de dor, angústia e aflição na vida, pois estamos num mundo afetado pela queda. Por conta de uma visão míope, também resultado do pecado em nosso próprio coração, diante do sofrimento todos nós seremos tentados a questionar o caráter de Deus. Precisamos estar firmados nas verdades da Palavra do Senhor que nos assegura quem é o nosso Deus, em quem não há variação ou sombra de mudança.

O autor Paul Tripp destacou três armadilhas que podem nos prender, mesmo que seja de maneira sutil. O coração enganoso nos ilude fazendo-nos crer em mentiras sobre o caráter do Senhor. Destaco a seguir as armadilhas e acrescento alguns comentários:


1) A armadilha da dúvida: somos tentados a questionar a bondade de Deus

Por mais que confiemos na bondade do Senhor, o teste de fogo é o sofrimento. Em meio à dor e ao pranto, precisamos que a fé em Deus nos guie seguramente. Somente quando descansamos em Sua bondade é que o nosso coração encontra verdadeira paz, e somos libertos da tendência de fixar nossos olhos nas circunstâncias ou problemas que enfrentamos.

2) A armadilha da preocupação: somos tentados a questionar a presença de Deus

Preocupação e medo são o resultado direto de um coração ansioso. A ansiedade nos domina quando cremos na mentira que estamos sozinhos, sem a presença orientadora e confortadora do nosso Deus. O próprio Senhor Jesus prometeu que estaria conosco em meio aos vales e tempestades, não estamos sozinhos na jornada e nem no barco. Precisamos lembrar que as turbulências e dificuldades não anulam a promessa bendita do Senhor. O Espírito Santo é o penhor da nossa herança, o Consolador sempre presente que nos guia a toda verdade.

3) A armadilha da inveja: somos tentados a questionar a sabedoria de Deus

Deus é sábio e, portanto, sabe o que faz. As circunstâncias difíceis do viver não pegam Deus de surpresa, pelo contrário, Ele tem sempre um propósito didático para o crescimento dos Seus filhos. Sua sabedoria excede infinitamente o nosso entendimento limitado sobre a vida. Quando não confiamos em Sua sabedoria, a inveja passa a dominar nosso coração e enxergamos a situação de outras pessoas como mais fácil ou mais vantajosa que a nossa. Deus não erra no modo como trata conosco.

Deus nos oferece em Sua Palavra vários recursos preciosos para não sucumbirmos diante do sofrimento. O conselho que procede das Escrituras nos direciona para o conhecimento adequado sobre o caráter de Deus: Ele é sempre bom, presente e sábio. Portanto, não devemos alimentar dúvidas, preocupação ou inveja quando as coisas não se encaixam em nossas expectativas.

Marcos Aurélio Melo

sábado, 12 de abril de 2014

O encontro de Jesus com Nicodemos

O encontro de Jesus com Nicodemos está registrado no evangelho de João, no capítulo 3. A Bíblia diz que este homem veio encontrar-se com Jesus à noite, muito provavelmente porque não queria ser descoberto. Nicodemos era mestre da lei judaica, um estudioso das Escrituras, considerado uma grande autoridade entre os fariseus da sua época. Mas Nicodemos, apesar de ser um mestre na sua religião, estava totalmente perdido. O que este encontro tem a nos ensinar e que lições podemos extrair do encontro de Jesus com Nicodemos? Veremos algumas:

1) Não adianta termos apenas um bom conceito sobre Jesus. Nicodemos aproximou-se de Jesus e lhe direcionou alguns elogios: “Sei que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.” Nicodemos reconheceu que Jesus não era uma pessoa qualquer, ele sabia que Deus estava atuando por meio do ministério de Jesus. Muitas pessoas são assim também. Afirmam acreditar na pessoa e na obra de Cristo, e até se emocionam ao ler algumas histórias no Novo Testamento. É comum ver pessoas se referindo a Jesus como um exemplo de perfeição moral, de abnegação e de amor altruísta. Mas precisamos lembrar o seguinte: Jesus não está atrás de admiradores, Ele quer seguidores que andem nos Seus passos em obediência e submissão. Nicodemos admirava Jesus e O elogiou pelo que Jesus fazia, mas isso não era suficiente.

2) Somente o Espírito Santo traz regeneração ao coração do homem. Nicodemos ouviu uma afirmação de Jesus que o deixou totalmente desconcertado: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus; ...Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus.” Jesus deixou claro que não importava se Nicodemos tinha sido educado nos melhores cursos de teologia da sua época, não importava qual era a graduação de Nicodemos ou seu envolvimento profundo com a religião judaica. Isto tudo não tem absolutamente nenhum valor, se o Espírito Santo não trouxer nova vida ao homem, que está morto por causa do pecado. O homem continuará cego para as coisas de Deus enquanto o Espírito Santo não operar o milagre do novo nascimento. Este nascimento é espiritual, e acontece de acordo com o propósito soberano do próprio Deus, que tudo faz como Lhe agrada.

3) O amor de Deus foi revelado de modo maravilhoso na pessoa de Jesus Cristo. O diálogo com Jesus prosseguiu, e Nicodemos foi confrontado com mais um desafio. Um dos versículos mais conhecidos da Bíblia foi dito por Jesus nesta conversa com o mestre Nicodemos. Jesus disse: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Agora Jesus se refere ao maior amor que já foi demonstrado: Deus enviou ao mundo o Seu precioso Filho, para ser entregue em favor de homens pecadores. Somente pela fé na obra de Cristo, o homem achega-se a Deus e desfruta de comunhão eterna. Não adianta fazer penitências, não adianta seguir uma lista de regras, e não é válido agir como um fariseu na sua igreja. É necessário render-se pela fé diante de Cristo com convicção e compromisso real, constrangidos pelo infinito amor de Deus. Somente assim, pelos méritos de Cristo, o homem passa a relacionar-se com Deus de modo real e verdadeiro.

 

Programa Viva com Cristo
Rádio Grande Rio AM

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O ENCONTRO DE JESUS COM A MULHER SAMARITANA


O texto bíblico em João 4 nos fala sobre o encontro de Jesus com a mulher samaritana. Foi um encontro programado pelo próprio Jesus que passou de propósito pela região habitada pelos samaritanos, que eram pessoas desprezadas pelo povo judeu. Mas Jesus não levou em conta as diferenças de raça e se aproximou desta mulher para travar um diálogo cheio de lições e ensinos.

É importante destacar que a mulher samaritana abrigava vários pecados ocultos. Sua vida era cheia de imoralidade pois já tinha se relacionado com cinco maridos. A busca incessante desta mulher era por sentido e significado para a própria vida e os seus relacionamentos eram um meio de encontrar a felicidade e realização. Mas Jesus derruba todos os conceitos superficiais que esta mulher tinha sobre a verdadeira razão para viver. A pergunta que traz dúvidas e angústia ao coração de muitas pessoas é: “qual a razão do meu viver?” Jesus apresenta que o propósito primordial da vida é render adoração a Deus, somente em espírito e em verdade. Afinal, não há verdadeiro sentido para o viver, se o objetivo não for apenas a glória de Deus em todas as coisas que fizermos.

A mulher samaritana tinha procurado saciar a sua sede de felicidade em várias fontes, mas sua sede permanecia insaciável. Jesus oferece a ela a água que sacia de uma vez por todas, mas esta água não está ligada a sede física. “Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo. 4:14). Com estas palavras, Jesus se refere a um relacionamento com Ele mesmo, através do Espírito Santo, que supre toda as respostas por significado e propósito da existência humana. Não se trata de uma lista de regras para cumprir, nem em qual local se deve adorar, mas de dobrar-se ante a autoridade de Cristo em submissão e gratidão por toda a vida.

Neste encontro Jesus queria deixar claro para a mulher samaritana que não há nada mais importante do que a adoração que enxerga Deus como maior tesouro. Riquezas, prazeres, fama, posição social, conta bancária, religiões humanas, sexo, drogas, nada disso pode suprir o infinito vazio que há no coração do homem. O pecado nos cega para o verdadeiro propósito para o qual fomos criados, mas o fato é que somente Cristo nos liberta para enxergarmos a preciosidade da adoração. Foi Ele mesmo quem afirmou que “vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores” (Jo. 4:23).

 

Programa Viva com Cristo
Rádio Grande Rio AM

quinta-feira, 27 de março de 2014

À maneira de Deus

 

A chamada do cristão é para que creia na doutrina certa, na doutrina verdadeira, na doutrina da Escritura. Mas não é só questão de pronunciar a doutrina certa, embora isso seja tão importante. Nem é questão de ser aquilo que possa ter explicação no talento, ou na moral, ou na energia natural da pessoa. O cristão não é chamado para apresentar apenas mais uma mensagem do mesmo modo que todas as outras mensagens são apresentadas. Devemos entender que não é importante o que fazemos, e sim, como o fazemos. No primeiro capítulo de Atos, entre a ressurreição e a ascensão de Cristo, Ele dá uma ordem para que não só se prego o evangelho, mas que se aguarde o Espírito Santo e então que se pregue o evangelho. Pregar o evangelho sem o Espírito Santo é deixar de perceber o essencial da ordem de Jesus Cristo para nossa época. Na área de “atividades cristãs” ou “serviço cristão”, como nós o estamos fazendo é pelo menos tão importante quanto o que estamos fazendo. Tudo que não estiver demonstrando que Deus existe escapa à finalidade proposta para a vida do cristão agora, aqui na terra.

Franscis A. Schaeffer

segunda-feira, 24 de março de 2014

AUTENTICIDADE

TEXTO BÍBLICO: Tiago 2: 14-19

A genuinidade de algo de valor é comprovada através de um rigoroso processo de exame e testes. Por exemplo: Como identificar se um diamante é verdadeiro? Existem alguns testes usadas pelas pessoas que negociam com joias de diamantes: Diamantes autênticos não são visíveis por meio de Raio-X; e os reflexos de um diamante de verdade têm tons de cinza. Caso você observe reflexos coloridos, é porque o diamante em questão é de baixa qualidade ou, pior ainda, uma falsificação. A Bíblia está cheia de exortações sobre um exame acurado: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo” (1 Co. 11:28). “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos” (2 Co. 13:5)

A carta de Tiago foi escrita com o propósito de chacoalhar os seus leitores imediatos, fazendo-os avaliar a fé que alegavam ter. Será que a minha fé é autêntica, ou é espúria? Sob esta ótica, Tiago desenvolve argumentos em sua carta objetivando traçar o perfil de um cristão genuíno que demonstra evidências de uma fé verdadeira.  Esta carta, e mais especificamente o texto em epígrafe, foi duramente criticada pelo reformador Martinho Lutero. Para ele, a carta de Tiago era uma epístola de palha, isto é sem peso frente a outras epístolas. Lutero não entendeu o principal ARGUMENTO TEOLÓGICO DE TIAGO 2:14-26: “A fé genuína sempre conduz o crente à ação obediente, i.e., as boas obras são o teste confirmatório da fé autêntica.”

OBS.: Tiago não está advogando em favor do ativismo: o fazer por fazer, sem levar em conta as orientações e preceitos bíblicos. Um cristão ativista busca fazer pelas motivações erradas. O ativismo gera pessoas orgulhosas, as boas obras que resultam da fé genuína, gera humildade e gratidão diante de Deus.

“É imprescindível que avaliemos seriamente a autenticidade da nossa fé” SOB TRÊS ASPECTOS (palavra-chave: ASPECTO)


1- A fé autêntica vai além da mera profissão verbal (vs. 14)

"Se alguém disser: TENHO FÉ". Não basta professar, é necessário implementar. Não existe vantagem ou utilidade nesta fé apenas professada. Tiago traz uma forte reprimenda para aqueles que resumem sua fé numa profissão verbal e não traduzem isto na prática. Tiago traz o questionamento: Onde estão as obras que comprovem esta profissão de fé? Esta fé por si só está morta, é a clara conclusão.

“Eu tenho fé, eu sou filho de Deus, eu sou convertido, Cristo é o meu Senhor”: são profissões ou confissões de fé verbalizadas por grande parte da cristandade, mas muitas vezes não resultam em evidências concretas. A oração do pecador, que muitas vezes é colocada para uma pessoa repetir, tem gerado muitos convencidos ao Cristianismo, não verdadeiros convertidos.

Os cristãos não devem vulgarizar a profissão de fé verbal vivendo um cristianismo sem essência. Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando? (Lc. 6:46). É necessário que eu e você nos moldemos aos valores bíblicos e implementemos os princípios da Palavra de Deus em nossa vida, para que a nossa profissão verbal não gere dúvida em quem nos observa diariamente. Deus requer de seus filhos uma postura adequada, não apenas uma profissão verbal.

2- A fé autêntica vai além das declarações piedosas (vs. 15-16)

“Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos”, são declarações revestidas de bons desejos, de anseios ou intenções piedosas. Mas não é o bastante! Para Tiago, a fé genuína leva o cristão a arregaçar as mangas e envolver-se no reino do Senhor, servindo a Deus e ao próximo. Não podemos nos iludir com um cristianismo meramente de palavras, que consiste apenas de clichês ou chavões de piedade.

Para ilustrar, vejamos o que o apóstolo João escreveu em I João 3:17-18. João nos desafia a amarmos de fato e de verdade, ou seja, sem criar artifícios piedosos para fugir da nossa responsabilidade na prática. (Não é autêntica uma “fé” que fica apenas no campo do discurso e não resulta em práticas piedosas concretas). Em tudo o que Deus requer de nós, Ele mesmo já nos supriu dos recursos para obedecermos (2 Ped. 1:3).

“A paz do Senhor, Que Deus o abençoe, Graça e Paz”, podem se tornar chavões ou jargões piedosos, se não estiverem acompanhados de vida autêntica. Como posso ser canal de bênção na vida de uma pessoa? Como posso ser instrumento de graça e paz para edificar um irmão? Neste quesito precisamos investir nossos maiores esforços. “Irmão, estou orando por você”, mas o que posso fazer para ajudá-lo nesta situação que você está enfrentando?

Duas músicas apresentam este assunto de modo bem claro: As palavras não dizem tudo/Mesmo que o tudo seja fácil de dizer/Com certeza fala bem melhor o mudo/Se sua atitude manifesta o que crê (Música: Fonte - Sérgio Pimenta). Falo ao teu coração, de uma direção / Pra uma vida autêntica / Falo de ser um cristão, mas de viver pra Cristo / E não de fé semântica ( Música: Coisa séria - Guilherme Kerr)

3- A fé autêntica vai além das convicções teológicas (vs. 19)

“Deus é um só” – Num mundo politeísta, esta verdade teológica não era muito aceita e nem tolerada. Esta afirmação teológica é básica no judaísmo – “shema” (Dt. 6:4). Os judeus a recitavam pelo menos duas vezes por dia. Crer que Deus é um só implica que há somente um parâmetro de verdade. Deus é a verdade e d’Ele procede toda verdade.

O estudo bíblico sério e diligente é importantíssimo porque fornece a base para as nossas decisões e ações. Crer nas verdades teológicas e confiar na Palavra de Deus é fundamental na vida de todo cristão (Tg. 1:21). Mas não podemos ficar reféns do intelectualismo teológico, que não resulta em práticas cristãs coerentes. Este tipo de postura nos conduz a um autoengano fatal (Tg. 1:22).

Ter conhecimento bíblico adequado e coerente com as Escrituras é fundamental para o crescimento em piedade, mas se o nosso objetivo for apenas acumular informação, acumulamos também maior juízo sobre nós (a quem muito se deu, muito será exigido). Um lembrete sempre relevante: A ORTODOXIA SEMPRE DEVE NOS LEVAR À ORTOPRAXIA. O pregador puritano Thomas Manton escreveu: “Uma aceitação simples e superficial das verdades expostas na Palavra de Deus torna os homens mais cheios de conhecimento porém não melhores, nem mais santos, nem mais espirituais.”

Para Tiago, uma fé meramente intelectual (boa teologia e doutrina) não substitui a prática cristã. Podemos nos tornar meros admiradores das verdades bíblicas: “esta fé por si só é morta, não gera nenhum fruto”. Ao entendermos corretamente sobre a santidade e soberania de Deus, o que isto traz de mudanças práticas para a nossa vida? Qual será a nossa postura frente aos desafios do dia-a-dia, quando compreendermos adequadamente sobre a providência divina?

NA CONTRAMÃO DO VELHO HOMEM

Texto: Tiago 4:1-10

Paul Tripp, no seu livro "Em busca de algo maior", faz a seguinte afirmação: “O DNA do pecado é o egoísmo. Ele reduz a minha motivação, entusiasmo, desejo, cuidado e atenção aos contornos da minha própria vida.” (Cap. 7, página 87). O que o autor quer nos ensinar no seu livro é que somos essencialmente egoístas, porém a vida que Deus objetiva moldar em nós vai na contramão dos nossos próprios interesses. Precisamos trilhar o caminho em busca de algo maior, ou seja, em busca de interesses que não se resumem em nossa autossatisfação.

No texto lido em Tiago, temos uma série de exortações para um viver altaneiro, que nos liberta gradualmente das amarras do velho homem, EGOÍSTA por natureza. A repreensão de Tiago contra a carnalidade e a cobiça egoísta é muito franca e objetiva. Com vivacidade e utilizando imperativos, Tiago convoca os seus leitores a uma execução contínua da natureza pecaminosa. Afinal, uma evidência de que fomos regenerados é o surgimento de novos interesses, que divergem frontalmente do que agrada ao nosso velho homem. “Só uma coisa morta segue a correnteza. Tem que se estar vivo para contrariá-la.” (G.K. Chesterton)

Demonstramos a autenticidade da nossa fé quando seguimos na contramão dos interesses do velho homem

DE QUAIS MANEIRAS? (palavra-chave: Maneira)

1) Não rivalizando com o próximo para atender caprichos pessoais (vs. 1, 2)

Os crentes estavam ferindo uns aos outros com a língua e com um “temperamento” descontrolado. Havia uma hostilidade crescente entre os irmãos, certamente brigas, desavenças e estímulos à violência. Tiago enxerga o problema como fruto de cobiça carnal, o resultado da não-aplicação da sabedoria de Deus (Tg. 3:17). Desentendimentos, desavenças, partidarismo, um espírito belicoso, são fruto de um foco elevado em nossos direitos.

Paulo admoestou os efésios a cultivar a unidade espiritual (Ef. 4: 1-16); e até a igreja em Filipos enfrentava problemas por causa de duas mulheres que não se entendiam (Fp. 4: 1-3). Os nossos direitos e preferências pessoais devem ser deixados ao pé da cruz, para buscarmos a unidade no corpo de Cristo. Afinal, a ênfase para atender nossa vontade egoísta é nociva para qualquer relação humana, pois o foco não está na glória de Deus e nem no Seu reino. João Calvino escreveu: “Onde os homens amam a disputa, estejamos plenamente certos que Deus não está reinando ali.”

A guerra no coração contribui para causar as guerras nos relacionamentos! As causas de todos os conflitos estão arraigadas no nosso “eu”, portanto não devemos evitar uma autoconfrontação honesta. Qual a solução para os conflitos por motivações egocêntricas? Avaliemos o nosso amor a Deus, pois o nosso amor a Deus precisa ser tão real a ponto de estarmos dispostos a abandonar caprichos pessoais em prol da saúde dos nossos relacionamentos.

2) Não realizando súplicas de oração para satisfazer nosso egoísmo (vs. 3)

A palavra usada por Tiago (esbanjar) é a mesma que aparece em Lc 15:14, na história do filho pródigo. O cristão não deve pedir algo a Deus com interesses menores e escusos de viver à parte do Senhor. Deus não atende orações que não têm a glória dEle como principal objetivo. Aliás, Ele nunca atenderá um pedido que nos leve a pecar contra Ele. A oração endossada por Deus sempre tem a mesma ênfase da oração de Jesus no Getsêmani: “Seja feita a Tua vontade!”

É óbvio que oração não se constitui somente de pedidos, mas o que pedimos a Deus revela o que é prioridade em nossas vidas. Muitas vezes encaramos a oração como uma lista de tarefas para Deus realizar. As orações dos apóstolos são impregnadas de anseios santificados e desejos que não se concentram neste mundo. Quantas vezes já oramos para sermos fortalecidos na santificação ou para sermos cristãos perdoadores? Nós precisamos aprender a orar, reorientando nossos anseios mais profundos.

Os prazeres egoístas nos levam a viver em busca dos tesouros desta era hedonista, bem como os nossos anseios são direcionados para “escaparmos de problemas” e “vivermos felizes” neste mundo. Porém, um claro sinal de maturidade espiritual é a oração reverente e centrada em Deus, o clamor do servo que reconhece sua total carência e necessidade ante o trono da graça, fazendo calar todas as motivações carnais.

3) Não abandonando nossa lealdade a Deus para flertar com o mundo (vs. 4)

A palavra infiéis (moichalides) - significa “adúlteras”. No AT (Is. 54:1-6 e Jr. 2:2; 3:20) esta metáfora era usada para descrever a apostasia espiritual, especialmente a idolatria do povo de Israel. Nenhum marido ou esposa se contentaria com menos do que exclusividade total em relacionamento conjugal.

Ser mundano é viver como se Deus não existisse ou como se Sua vontade não fosse relevante para nossas vidas. Não seja um Demas, que amou o presente século, e abandonou o serviço a Cristo (2 Tm. 4:10). Alguns indicativos de afeições com o mundo: seguir a multidão; imitar os pagãos; buscar a aceitação; baixar padrões; relativizar valores; negociar princípios; estabelecer alianças. Soren Kierkegaard advertiu: “No dia em que o cristianismo e o mundo se tornarem amigos, o cristianismo deixará de existir.”

COMO CONSTATAR SE ESTAMOS COM AFEIÇÕES DIRECIONADAS PARA O MUNDO? Se a nossa maior atenção é voltada para o que é temporário (fama, sucesso, riquezas, status), em lugar do que é eterno (amadurecimento na fé, santidade, valores espirituais). Jesus disse que “onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração” (Mt. 6:21). Temos vivido como “propriedade exclusiva do Senhor”, a ponto de Lhe dedicarmos sem reservas nossa lealdade? Temos vivido como peregrinos e forasteiros, que almejam uma pátria superior (Hb. 11:16)? Temos buscado agradar a Cristo em nosso cotidiano, constrangidos pelo Seu imenso amor?

quinta-feira, 13 de março de 2014

Sobre a oração

A oração é, e sempre foi, o lado ativo da doutrina da providência. A  oração é o reconhecimento, não do benefício psicológico de algum exercício  mitológico, mas do fato de que nós cremos que Deus existe, que Deus se  importa conosco, que Deus está no controle e que Deus providencia tudo, e  cremos de tal modo que estamos dispostos a fazer alguma coisa com base nisso,  isto é, a falar com ele. 

A providência nos lembra que não passamos de  criaturas, que somos dependentes de Deus e que, junto com o mundo todo,  estamos sob o senhorio de Deus; a oração é uma atividade pela qual  reconhecemos que não podemos ser nosso próprio senhor. A providência nos  lembra que nem tudo é desesperadamente absurdo ou sem sentido; a oração  é a nossa maneira de dizer "sim" diante da convicção de que Deus está operando os seus propósitos na natureza, nos homens e na história. A providência é um lembrete de que o Senhor é um Deus de graça e  generosidade; a oração é a nossa maneira de responder ao seu convite para  fazermos parte da família da sua aliança, para sermos seu filho ou sua filha,  seus cooperadores neste mundo. A providência nos lembra que o Deus vivo  não é um destino imutável diante do qual só podemos manter silêncio e ficar  passivos; a oração é a nossa reação diante do convite de Deus para que  partilhemos da comunhão com ele, uma expressão da nossa união com ele. 

Portanto, através da oração nós expressamos a nossa confiança na  providência de Deus e descobrimos como a nossa própria vontade deve ser  alinhada com a sua vontade soberana e cheia de amor por nós. A nossa  ação na oração se encontra na sua resposta transformadora.


Autor: DAVID ATKINSON
Extraído do livro: A Mensagem de Rute

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A glória de Deus

Como cristãos, creio que precisamos pensar mais sobre a Glória de Deus, e o impacto dela sobre as nossas vidas aqui na terra. É impossível desenvolvermos maturidade espiritual se não aprofundarmos nossa percepção sobre a grandeza e majestade do Senhor, glorioso Criador e Sutentador de todas as coisas. Há muito raquitismo e pouco desempenho efetivo do serviço para o Reino de Deus porque temos uma visão míope da glória do Senhor. Por isso, compartilho aqui uma breve lista que John Piper apresenta para aclarar a nossa percepção:

  • a glória de sua eternidade, que faz com que a mente queira explodir com o pensamento infinito de que Deus nunca teve um começo, mas simplesmente sempre foi;
  • a glória do seu conhecimento, que faz com a Biblioteca do Congresso parecer uma caixa de fósforos, e um estudioso de física quântica, um leitor de primeira série;
  • a glória da sua sabedoria que nunca foi e nunca poderá ser aconselhadas pelos homens;
  • a glória de sua autoridade sobre o céu, a terra e inferno, sem cuja permissão nenhum homem e nenhum demônio pode se mover um centímetro;
  • a glória da sua providência, sem a qual nem um pássaro cai no chão ou um único fio de cabelo fica cinza;
  • a glória da sua palavra que sustenta o universo e mantém todos os átomos e moléculas juntos;
  • a glória do seu poder para andar sobre as águas, limpar os leprosos, curar o coxo, abrir os olhos dos cegos, fazer com que o surdo ouça, acalmar tempestades com uma palavra, e ressuscitar os mortos;
  • a glória da sua pureza para nunca pecar, ou ter segundos de má atitude ou um mau pensamento;
  • a glória da sua credibilidade de nunca quebrar Sua palavra ou deixar uma promessa cair por terra;
  • a glória de sua justiça para acertar todas as contas morais do universo ou na cruz ou no inferno;
  • a glória da sua paciência para suportar nossa apatia década após década;
  • a glória da sua soberania, com obediência como a de um escravo para abraçar a dor excruciante da cruz voluntariamente;
  • a glória da sua ira que um dia levará pessoas a clamar às rochas e às montanhas que caiam sobre elas;
  • a glória da sua graça que justifica o ímpio; e
  • a glória do seu amor que morre por nós mesmo sendo nós ainda pecadores.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O Autor do ser

Um dos conceitos teológicos mais profundos é que Deus é o Autor do ser. Não poderíamos existir a parte de um Ser supremo, porque não temos o poder de ser em e por nós mesmos. Se qualquer ateísta pensasse séria e logicamente sobre o conceito de ser, por cinco minutos, isso seria o fim do seu ateísmo. Um fato inevitável é que ninguém neste mundo tem, em si mesmo, o poder de ser e que, apesar disso, estamos aqui. Portanto, de fato, deve haver Alguém que tem, em si mesmo, o poder de ser. Se não houvesse tal Ser, seria absoluta e cientificamente impossível que alguma coisa existisse. Se não houvesse nenhum ser supremo, não poderia existir nenhum tipo de ser. Se algo existe, tem de haver algo que tem o poder de ser, do contrário, nada existiria. É simples assim.

Paulo disse aos filósofos de Atenas que tudo o que Deus cria é totalmente dependente do poder de Deus, não somente quanto à sua origem, mas também quanto à continuidade de sua existência: "Pois nEle vivemos, nos movemos e existimos" (At. 17:28).

Portanto, somos dependentes de Deus, não somente quanto à nossa origem, mas também quanto à continuação da nossa existência. Visto que não temos o poder de ser em e por nós mesmos, não podemos subsistir, nem por um segundo, sem o poder sustentador de Deus. Isso é parte da providência de Deus.


Extraído com adaptações do livro: DEUS CONTROLA TUDO?
Autor: R. C. Sproul

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Um checkup espiritual

Texto: Marcos 14:17-21

Questionado por que tantas pessoas em idade jovem tem infarto, o médico que estava sendo entrevistado prontamente respondeu: “Muitos casos de infarto poderiam ser evitados com atividade física e consulta ao cardiologista regularmente”. Esta consulta e os exames de rotina que a acompanham ficou conhecida como check-up. O check-up é um procedimento importante para prevenção de doenças e manutenção da saúde do nosso organismo. Muitas doenças, quando são diagnosticadas no início, podem ser tratadas e possuem maior chance de cura. Por isso a importância de ser avaliado clinicamente por algum médico com certa regularidade.

A Bíblia é um livro que nos faz constantes exortações para realizarmos um check-up da nossa alma, do nosso estado espiritual. Ela é como um espelho que revela em nós o que não está correto e aquilo que precisa de ajustes. O pregador no livro de Provérbios disse: “Pondera a vereda dos teus pés” (Pv. 4:26, literalmente “pese em balança de precisão”), ou seja, avalie criteriosamente em que caminhos e como você tem caminhado. É importante um check-up regular de nossas vidas tendo como padrão a santa Palavra de Deus. Escrevendo à igreja de Corinto o apóstolo Paulo foi direto ao ponto: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” (2 Cor. 13:5). Portanto, o exame criterioso das nossas vidas é sempre enfatizado tanto no AT como no NT das Escrituras.

No ministério de Jesus, doze homens foram escolhidos para andar com Ele e partilhar do Seu ministério terreno. Dentre eles, havia Judas Iscariotes, que no final do ministério traiu Jesus entregando-o aos sacerdotes com um beijo no rosto por 30 moedas de prata. Neste texto em epígrafe, Jesus está celebrando a Páscoa (Pesach judaica) com os seus discípulos e todos os 12 estavam presentes no cenáculo. Neste encontro particular, Jesus reparte o pão com seus discípulos e compartilha o cálice, associando com Seu próprio corpo que seria moído e o Seu sangue que seria vertido para salvar pecadores. Aquele momento foi singularmente importante na vida de todos os presentes, um momento de profunda alegria, tensão e anseios espirituais. Jesus então utiliza-se da sua onisciência como Deus e faz uma revelação perturbadora. O relato bíblico é extremamente conciso, mas rico em ensinamentos para nossas vidas. Com base no que foi dito e lembrando da importância de uma averiguação precisa da condição da nossa alma, eu afirmo que:

“À luz deste texto bíblico, precisamos averiguar seriamente qual o nosso real estado espiritual”

Por meio de algumas perguntas:

· Palavra-Chave: PERGUNTAS (que perguntas?)

· S.I. Que perguntas este texto bíblico nos apresenta para que averiguemos seriamente qual o nosso real estado espiritual?

· S.T. O texto bíblico nos apresenta algumas perguntas para que averiguemos seriamente qual o nosso real estado espiritual.

O médico geralmente faz perguntas numa consulta a fim de dar o diagnóstico. De acordo com as respostas do paciente, o médico pode traçar a melhor forma de tratamento ou recomendar alguns exames para maior investigação. Permitamos que o texto bíblico nos faça algumas perguntas para sermos averiguados quanto ao nosso real estado espiritual.

1) A comunhão que demonstramos ter com Cristo é genuína?

Sentar à mesa e comer na cultura judaica é uma expressão de comunhão íntima, um momento extremamente precioso e que delineia laços de afinidade profunda. Packer e Merril, no livro Vida Cotidiana nos Tempos Bíblicos escrevem: “Partir o pão juntos, significava dizer: Somos amigos; partilhamos de um laço comum. Tais sentimentos são evidentes por toda a Bíblia. É como se o comer fosse mais do que mera ingestão de alimento; é participar em tudo quanto significa pertencer a uma família e partilhar essa mutualidade com os que nos cercam.” Durante a refeição da Páscoa, eram cantados pela família reunida os Salmos do Halel (SI. 113-118). Portanto, aquele era um momento de profunda afeição mútua entre os que estavam naquela celebração íntima na presença do unigênito Filho de Deus, mas o coração de Judas estava cheio de cobiça. Sua mente não estava compenetrada na singularidade daquele momento com Cristo, pois os seus propósitos eram egoístas e maliciosos. Judas conviveu por 3 anos com Jesus, tinha proximidade com aquele que é a Luz do mundo, com aquele que é o caminho, a verdade e a vida.

Para ilustrar este ponto, quero destacar o ensino do apóstolo João: “Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma. Se dissermos que mantemos comunhão com Ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade.” (1 Jo. 1: 5-6). A prova cabal da comunhão com Deus é um viver na luz.

Ter comunhão com Jesus é algo sério. É partilhar dos seus interesses e propósitos para a nossa vida. É ter a Sua Palavra em alta consideração, é dobrar os nossos joelhos ante a Sua majestade, é trilhar o caminho da renúncia do “eu” para que o brilho de Cristo resplandeça cada vez mais. É vivenciar momentos agradáveis de restauração do nosso vigor para lutarmos bravamente contra o pecado que tenazmente nos assedia. É priorizar o reino de Deus e a Sua justiça, voltando os nossos olhos para o que é eterno. A comunhão bendita com o Senhor é um privilégio que necessariamente deve transformar as nossas vidas, nos tirando da zona de conforto em que estamos acostumados a viver. Quem goza desta comunhão produz os frutos do Espírito, como amor, alegria e paz. Ter comunhão com Jesus é desfrutar do alimento espiritual mais precioso que podemos experimentar. Nossas almas sofre de inanição quando não cultivamos a comunhão com Deus por intermédio de Cristo Jesus, sob o poder capacitador do Espírito Santo.

Portanto, não vamos pensar infantilmente que podemos ter uma caricatura de comunhão com Aquele que tudo sabe a nosso respeito. Podemos até passar uma imagem para os outros que somos pessoas de oração e relacionamento autêntico com Cristo, mas Deus conhece se temos sido verdadeiros. Não podemos mentir ao Espírito sobre a condição da nossa alma. A pergunta mais importante a ser respondida neste ponto é: “Eu desfruto de comunhão sincera e livre de embaraços com o meu Senhor e Salvador Cristo Jesus?” Quando me prostro em oração e louvor a Deus, sou de fato movido por sinceridade e inteireza de coração? Ou continuo abrigando interesses mesquinhos e propósitos egoístas?

Um teste eficaz para checar se temos comunhão genuína com Cristo é perceber qual a nossa reação imediata quando as nossas expectativas não são satisfeitas neste mundo. Expectativas não satisfeitas podem gerar frustração, desapontamento e até ira. Quando nossa comunhão com Cristo é autêntica estes sentimentos e pecados não encherão o nosso coração, pois confiamos que na soberana vontade do Senhor estamos na melhor situação que poderíamos estar.

C. H. Spurgeon certa vez afirmou: “Se formos fracos em nossa comunhão com Deus, seremos fracos em tudo.” Com a devida licença do príncipe dos pregadores eu afirmaria o seguinte: “Se formos falsos em nossa comunhão com Deus, seremos falsos em tudo”. De fato, nossa vida será repleta de máscaras quando negligenciamos a sinceridade no relacionamento com o Senhor. Os nossos relacionamentos interpessoais serão afetados com a hipocrisia, os nossos atos de serviço serão manchados pela mentira e os nossos valores se tornarão extremamente terrenos e carnais.

2) O pesar que sentimos quando somos confrontados por Cristo é genuíno?

Quando Jesus proclama “em verdade vos digo”, ele traz um tom solene ao seu anúncio, uma garantia da veracidade com a qual sempre se dirigiu aos discípulos. O texto aponta que após Jesus anunciar que um dentre os doze havia de O trair, os discípulos “começaram a entristecer-se”. O texto paralelo narrado por Mateus diz que eles ficaram “muitíssimos contristados”. A palavra é bem forte, transmite a ideia de um pesar profundo, comparado ao pesar de uma pessoa em luto. O momento era de celebração da Páscoa, um momento de lembrar o grandioso livramento do povo judeu, que saiu do Egito sob a mão poderosa do Senhor. De repente, o Senhor faz um anúncio tão delicado: o assunto da traição é trazido à tona em meio à celebração de um festa entre amigos íntimos. Podemos afirmar que o clima ficou pesado, gerado pela revelação de um fato já conhecido por Cristo. O ar de tranquilidade e aceitação mútua que caracteriza o compartilhar uma refeição foi imediatamente rompido por essas palavras de Jesus. O fato de destaque é que Judas estava entre aqueles que ficaram extremamente tristes no cenáculo, mas esta tristeza foi apenas aparente, não trouxe mudanças reais na vida de Judas.

Você já ouviu falar da expressão “lágrimas de crocodilo”? A origem da expressão é biológica. Quando o crocodilo está engolindo um animal, a passagem deste pode pressionar com força o céu da boca do réptil, o que comprime suas glândulas lacrimais. Assim, enquanto ele devora a vítima, caem lágrimas de seus olhos. São lágrimas naturais mas obviamente não significam que o animal se emocione ou sinta pena da sua presa. Daí vem a expressão “lágrimas de crocodilo”, querendo dizer que, embora a pessoa chore, suas lágrimas não significam que ela esteja sofrendo, e muitas vezes são mesmo apenas um fingimento. Irmãos, muitas vezes, podemos estar dominados pelos sentimentos de pesar quando somos confrontados pela Palavra e até choramos, mas não há avanço em direção ao que deve ser implementado em nossas vidas.

Pesar espiritual, contrição e coração quebrantado são uma parte importante da verdadeira espiritualidade, de acordo com as Escrituras. “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” (Mt. 5:4). “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus” (Sl. 51:17). “Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos”. (Is. 57:15). O abatimento de espírito e a contrição são legítimos quando entendemos a seriedade do nosso pecado diante de Deus. Mas de nada vale uma falsa contrição ou um pesar espiritual sem sinceridade. O pesar que Davi sentiu quando foi confrontado pela Palavra de Deus, por meio do profeta Natã foi profundo e genuíno, pois o levou a sair da zona de conforto e da inércia em que estava.]

Paulo escreveu que somente a tristeza segundo Deus gera arrependimento para a vida e salvação (2 Co. 7:10). O nosso pesar quando somos confrontados pela Palavra de Deus deve nos levar à mudanças efetivas. Ele só tem real valor se nos conduzir a uma nova postura diante do Senhor. Não adianta dizer: “a mensagem foi muito forte”, enquanto não usarmos a força que Deus supre para tratar o que está em desarmonia com as Escrituras. Não adianta dizer que “o sermão mexeu comigo”, enquanto não sairmos de fato do comodismo espiritual. Não adianta dizer: “a Palavra foi tremenda, foi impactante”, ou algo do gênero, se a prática dos ensinos é ignorada ou deixada em segundo plano. É imprescindível, portanto, que o pesar gerado pela confrontação do Senhor mediante a Sua Palavra nos mova em direção à santificação.

Só podemos afirmar que o nosso coração se entristece sinceramente quando confrontado pela Palavra de Deus, quando os resultados são visíveis. Por exemplo, se ficamos entristecidos porque não temos um coração perdoador com a Bíblia nos exorta, a autenticidade deste pesar só será comprovada quando evidenciamos a prática do perdão bíblico com o nosso irmão(ã).

3) O compromisso que assumimos diante de Cristo é genuíno?

Ao perguntar “porventura sou eu?”, cada discípulo queria deixar evidente que estava comprometido em não ser aquele que Jesus anunciou como “o traidor”. O texto diz que os discípulos, um após o outro, começaram a questionar o Senhor. A tônica da pergunta esconde um receio, mas também um desejo por não ser o traidor anunciado: “certamente não sou eu quem tamanho ultraje praticará”. O comentarista Warren Wiersbe escreve: As perguntas dos discípulos deixam implícita uma resposta negativa: “Não sou eu, certo?” No texto paralelo, em Mateus 26:25, lemos que o próprio Judas fez o questionamento: “Acaso sou eu, Senhor?” Jesus respondeu categoricamente: Tu o disseste! Judas não tinha compromisso com Cristo e isto ficou evidente o longo do ministério de Jesus. Ele ficava responsável pela coleta de ofertas, e embolsava sua parte. Judas era frio e calculista, um homem que agia com segundas intenções. Quando expressa interesse pelos pobres, sua motivação real era regida por uma materialista ambição.

E por falar em compromisso assumido diante de Cristo é impossível não lembrarmos do apóstolo Pedro. Ele era um líder nato, e, por assumir muitas vezes esta posição, acabava enfiando os pés pelas mãos. Sua precipitação com as palavras era notória. Quando Jesus afirmou que todos os discípulos se escandalizariam e O abandonariam, Pedro imediatamente falou: “AINDA QUE TODOS TE ABANDONEM, EU, JAMAIS!” (Mc. 14: 27-31). Neste momento Pedro recebeu a famosa advertência que antes que o galo cantasse, ele negaria a Jesus três vezes. Pedro ainda insistiu com veemência: “Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei.”

Muitas vezes o nosso compromisso é como fogo de palha (de pouca duração, passageiro), pois é movido por picos de entusiasmo e pouco discernimento. O compromisso que assumimos com o Senhor deve ser perseverante, um compromisso que autentica a nossa fé é estável e constante. Não perfeito; mas um compromisso assumido com fidelidade. Podemos falar de compromisso em várias áreas: compromisso com o testemunho cristão, com a santificação, com a Palavra, com a alegria, com a família, oração, adoração, evangelismo, missões, etc. Mas em primeiro lugar está o compromisso que assumimos com Cristo, sem este compromisso firmado todos os demais desembocam em ativismo ou legalismo.

Não apenas Judas pode ser apontado como um discípulo sem compromisso genuíno. Os discípulos que ficaram dormindo ao invés de orarem (Mc. 14: 37 e 40); os demais que também desertaram e fugiram apavorados quando Cristo foi preso (Mc. 14:56); e Pedro que negou abertamente a Cristo por três vezes naquela noite. A pergunta é: quanto custa o seu compromisso com Jesus? Usando um pergunta contextualizada do nosso tempo: qual é o seu preço? Quando o que está em jogo é firmar o compromisso com Cristo e amargar as consequências, ou abrir mão deste compromisso e sair bem na fita deste mundo, qual é a nossa decisão? A nossa postura como cristãos deve declarar em alto e bom som que o nosso compromisso com Cristo vai até as últimas consequências.

Deus requer de seus servos autenticidade no compromisso assumido. Não podemos ficar em cima do muro, sem decidir de que lado vamos ficar. Para evidenciarmos este compromisso no contexto em que vivemos é necessário começar com duas virtudes: CORAGEM e RENÚNCIA. Coragem para dizer não, quando todos a nossa volta dizem sim; coragem para defender princípios que são considerados ultrapassados ou fora de moda; coragem para ficar do lado certo, mesmo sendo injuriados e criticados; coragem para ser um perseguido por causa da justiça; coragem para falar ousadamente a verdade do Evangelho num mundo pluralista e relativista. E muita renúncia para destronar o eu, e fazer a vontade de Cristo nas decisões que tomamos; renúncia para priorizarmos o reino de Deus, e não o nosso; renúncia para desistir das ambições egoístas que este mundo quer nos vender; renúncia para dar as costas para o pecado e viver segundo a reta Palavra de Deus.

 

Sermão pregado dia 05/01/14, IBR Jardim Amazonas.
Petrolina-PE