sexta-feira, 26 de junho de 2015

Entretenimento e lazer a todo custo

"Vivemos na época do entretenimento escapista que deliberadamente falsifica, despersonaliza e manipula a realidade." (Eugene Peterson)

Num mundo cada vez mais voltado para o escapismo, o lazer e o entretenimento ocupam um espaço de destaque nas vidas das pessoas. O mercado cinematográfico, musical, teatral e televisivo, nos seus mais variados ramos, objetiva vender um remédio de alívio para as dores e lutas da grande massa. Nestes dias, o tempo que se dedica em prol do bem-estar é um atestado da realidade de um homem cada vez mais alienado de seus propósitos e valores mais básicos de honra e amadurecimento. Em certo sentido, homens que deviam fincar a bandeira dos valores morais mais elevados, estão querendo voltar ao jardim da infância na busca insaciável por recreação e lazer.

Cito a seguir o escritor A. W. Tozer, que destaca de forma enfática esta realidade:

As pessoas não mais pensam no mundo como sendo um campo de batalha, mas como um lugar de lazer. Não estaríamos aqui para lutar; estaríamos aqui para brincar. Não estaríamos num país estrangeiro; estaríamos em casa. Não estaríamos preparando-nos para a vida, mas já estaríamos vivendo a nossa vida, e o melhor que poderíamos fazer é livrarmo-nos de nossas inibições e de nossas frustrações para viver esta vida o máximo que pudéssemos. Isto, cremos, é um correto resumo da filosofia religiosa do homem moderno, abertamente professada por milhões e tacitamente aceita por muito mais pessoas ainda, que vivem de acordo com essa filosofia, mesmo que não a admitam por meio de palavras.

O lazer quando bem equilibrado e ordenado é de grande valia para o bem-estar do homem. Mas como tudo que é bom, se mal utilizado, pode se constituir em uma armadilha para todos nós. Precisamos estar sempre alertas sobre a mordomia do tempo, algo fundamental para a boa administração do bem mais precioso que Deus nos outorgou. Se de fato queremos remir o tempo, é necessário dedicar atenção especial ao que trará efetivo crescimento às nossas vidas, valorizando na medida certa o que Deus criou para o nosso aprazimento. Coloquemos nossa esperança não na instabilidade dos prazeres transitórios desta vida, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamento para nossa mais profunda alegria.

sábado, 13 de junho de 2015

Resistindo à tentação


Diante dos assédios da esposa de Potifar o jovem José manteve-se íntegro e puro porque não queria desagradar ao Seu Deus. Deste episódio podemos extrair lições sobre a importância da santidade e pureza no meio de uma sociedade corrompida e sedutora.

Fica bem claro na história de José, que ele tinha um pensamento alinhado com a glória de Deus. Percebemos que a sua maior alegria era viver de modo agradável ao Senhor. Por isso quando foi assediado sexualmente pela mulher de Potifar, logo ele se lembrou que este ato seria uma afronta direta ao Senhor. Ele entendia que sua vida era um livro aberto diante do seu Deus. Muito embora a mulher de Potifar não se importasse com a integridade do seu casamento, José não via as coisas desta forma. A pureza de José diante das armadilhas sedutoras daquela mulher é um lembrete a todos nós sobre a importância da fidelidade e amor a Deus na luta contra o pecado.

Precisamos entender que a batalha pela pureza começa em nossas mentes (Mt. 5:28). Aquilo que é sensual e lascivo e alimenta as nossas mentes certamente trará prejuízos. Como diz o ditado: “Não podemos evitar que um pássaro voe sobre nossas cabeças, mas podemos evitar que ele faça um ninho”. Portanto, não flerte com o pecado. Não se deixe iludir pelas promessas de prazer fácil. A impureza sexual pode escravizar qualquer um de nós. Precisamos estar atentos a todo indício de imoralidade que esteja por perto, para que não sejamos enganados pela cobiça do nosso coração. Quando focamos a glória do Senhor e buscamos em tudo sermos agradáveis a Ele, lutaremos pela pureza em nosso viver e seremos vigilantes em todo tempo.

A advertência contra a impureza sexual não se restringe aos solteiros. O adultério continua sendo o grande motivador para o fim de muitos casamentos. Por isso o livro de Provérbios está repleto de exortações à pureza: “O que adultera com uma mulher está fora de si; só mesmo quem quer arruinar-se é que pratica tal coisa” (Pv. 6:32). O matrimônio deve ser honrado pelos cônjuges de maneira digna, a fim de que não haja espaço para imoralidades e seduções que destruam a confiabilidade entre o casal. Esta aliança feita perante o Senhor deve resistir aos ataques deste mundo caído, mediante o poder sustentador que provém das Escrituras.

Nesta sociedade corrompida em que vivemos, mais do que nunca precisamos levantar a bandeira da pureza. Estamos rodeados de convites à impureza e a luxúria desenfreada, que dominam os outdoors e propagandas da televisão. O sexo adquiriu status de deus e domina a vida de muitas pessoas. O Senhor nos convoca para sermos defensores da pureza em mundo que trata o sexo de forma banal e casual.

 

Programa Viva com Cristo
Rádio Grande Rio AM 680Khz

sexta-feira, 12 de junho de 2015

O Filho amado do Pai


De vez em quando ouvimos que Cristo é o Amado do Pai porque ele foi sempre um Filho obediente. Isso é verdadeiro e bíblico (Jo 8.29). Entretanto, faz-se necessário frisar que, nesta conexão, o que evocou o amor do Pai foi especialmente a qualidade desse amor.

O Filho, sabendo qual é o prazer do Pai e o que está em sintonia com sua vontade, não espera que o Pai lhe ordene fazer isto ou aquilo, mas espontaneamente se oferece. Ele, voluntariamente, faz a vontade do Pai. Não é passivo, nem mesmo em sua morte; pelo contrário, entrega sua vida. “Por isso o Pai me ama, porque eu dou minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou ...” (Jo 10.17,18; cf. Is 53.10). É esse maravilhoso deleite, por parte do Filho, em fazer a vontade do Pai, e desse modo salvar seu povo, ainda que às custas de sua própria morte, e morte de cruz (Fp 2.8), o que move o Pai a sempre exclamar: “Este é o meu Filho amado.”

Essencialmente, o Pai já pronunciou essa exclamação “antes da fundação do mundo”. Ainda derrama seu infinito amor sobre seu Filho (Jo 17.24), movido, sem dúvida, entre outras coisas, pela gloriosa decisão do próprio Filho: “Eis aqui estou” (Sl 40.7; cf. Hb 10.7). Sem dúvida que esta é a maneira humana de falar sobre essas realidades; porém, de que outra maneira falaríamos sobre elas? A exclamação do Pai foi repetida na ocasião do batismo do Filho (Mt 3.17), quando de forma visível ele tomou sobre si o pecado do mundo (Jo 1.29,33); e uma vez mais por ocasião da transfiguração (Mt 17.5; 2Pe 1.17,18), quando, outra vez, de uma forma ainda mais notável, o Filho voluntariamente escolheu o caminho da cruz.

 

William Hendriksen
Extraído do Comentário sobre Efésios

sábado, 6 de junho de 2015

A inveja no meio do povo de Deus


Alguém já disse que a inveja é um veneno que mata a nossa sensibilidade às boas notícias. De fato, o invejoso é alguém que não tolera saber que outros estão sendo bem-sucedidos em algum empreendimento ou que uma pessoa está progredindo na vida. Os onze irmãos de José notaram que ele tinha a preferência do seu pai (Jacó) e que os sonhos daquele jovem apontavam para o sucesso e a grandeza. Isto despertou neles uma inveja inflamada que se acumulou até se transformar em ódio contra José.

O texto bíblico em Gênesis 37 confirma com clareza este antagonismo sórdido contra José:

"Vendo, pois, seus irmãos que o pai o amava mais que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente." (Gn 37:4)

"Seus irmãos lhe tinham ciúmes; o pai, no entanto, considerava o caso consigo mesmo." (Gn 37:11)

A história é bastante conhecida. Movidos por esses sentimentos destrutivos, os irmãos de José “conspiraram contra ele para o matarem” (v.18). Mas Rúben e Judá não queriam a sua morte. Em acordo, os irmãos decidiram vendê-lo como escravo, sujar sua túnica de sangue de animal e entregá-la a seu pai Jacó para que pensasse que José havia sido devorado por um animal selvagem do deserto. Esta notícia mentirosa trouxe uma profunda tristeza a Jacó, que rasgou as suas vestes, cingiu-se de pano de saco e lamentou o filho por muitos dias.

A inveja nasce porque os homens vivem num constante espírito de competição. Assim também muitas igrejas estão sendo destruídas porque os irmãos vivem disputando prestígio ou posição. Infelizmente, a inveja e o partidarismo são claramente percebidos no meio da igreja, o povo que foi chamado para espelhar unidade e compromisso efetivo com a mutualidade cristã. É uma triste realidade que abala os alicerces da comunhão e emperra o amadurecimento de todos.

Para que a inveja seja eficazmente combatida, é necessário entendermos que não existe ninguém grande na igreja. Somente uma pessoa deve ocupar o lugar de destaque, e esta pessoa é o nosso Deus. Todos os irmãos são servos na mesma obra, trabalhando juntos para a edificação do corpo e crescimento da igreja. A igreja não é lugar para competições, caprichos ou estrelismo. A igreja não lugar para espetáculo de egos e nem palco para exibicionismos diversos. Somos todos cooperadores da mesma seara, com o objetivo singular de produzir frutos para a glória somente do Senhor.

O coração precisa sempre passar por um check-up. Para isso você procura um cardiologista. Da mesma forma, a nossa alma precisa sempre passar por um check-up espiritual, e para isso existem as Escrituras, que indicam o real problema e o tratamento adequado. A inveja e o ódio são pecados enraizados numa imagem errada que a pessoa tem dos outros e de si mesma. É necessário utilizar imediatamente o tratamento contra o orgulho, através da mortificação do velho homem que deseja sobressair e macular as conquistas das outras pessoas. Para isso, Deus requer que sejamos vigilantes e atuantes no combate ao menor indício de inveja. O antídoto é firmar a nossa alegria e contentamento em Deus somente e não nas glórias passageiras tão ambicionadas neste mundo.

terça-feira, 2 de junho de 2015

A consciência e o relógio

C. H. Mackintosh, escritor profícuo de comentários bíblicos, fez uma analogia interessante sobre o papel e funcionamento da consciência em nossas vidas. Ele utiliza-se do exemplo do relógio mecânico da época em que viveu, que funcionava através de um ajustador de molas. Dando corda no relógio com o regulador, a mola se enrola ainda mais, gerando uma tensão cuja liberação é exatamente a energia motriz do relógio.

A consciência pode ser comparada ao regulador de um relógio. Pode acontecer que os ponteiros do relógio estejam errados, mas enquanto o regulador tiver poder sobre a mola, haverá sempre meio de corrigir os ponteiros. Se esse poder deixa de existir, todo o relógio se torna inútil. Assim é com a consciência. Enquanto permanece fiel ao contato da Escritura Sagrada, aplicado pelo Espírito Santo, há sempre um poder regulador, seguro e certo; porém se ela se torna apática, dura ou viciada, se recusa a uma resposta verdadeira às palavras “Assim diz o Senhor”, há pouca ou nenhuma esperança.

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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Relacionamentos são difíceis

A dificuldade dos relacionamentos não se encontra apenas no fato de serem difíceis. A dificuldade inclui aquilo que Deus nos chama a faze em meio à dificuldade. Deus chama cada um de nós a ser humilde, paciente, gentil, perseverante e clemente. Deus nos chama a falar com graça e a agir com amor, mesmo quando o relacionamento carece da graça e quando não somos tratados com amor.

Por isso, seus relacionamentos o levarão além dos limites da sua força normal. Eles o levarão além do alcance de suas habilidades naturais e além das fronteiras da sua sabedoria natural e adquirida. Os relacionamentos o forçarão a ir além dos limites da sua capacidade de amar, servir e perdoar. Eles o levarão além de você mesmo. De vez em quando, eles o levarão ao limite da sua fé. Às vezes, eles o levarão ao ponto da exaustão. Em certas situações, seus relacionamentos o deixarão decepcionado e desanimado. Eles exigirão de você o que você parece não possuir, mas é exatamente isso que Deus pretende. É precisamente essa a razão de Ele ter colocado esses relacionamentos exigentes no meio do processo de santificação, onde Deus, progressivamente, nos molda à semelhança de Jesus. Quando você desiste de si mesmo, você começa a depender d’Ele. Quando você está disposto a abrir mão dos seus próprios pequenos sonhos, você começa a depender d’Ele. Quando o seu jeito de fazer as coisas, mais uma vez, deixá-lo na pior, você está pronto para reconhecer a sabedoria do jeito de Deus fazer as coisas.

Os nossos relacionamentos não foram simplesmente criados para tornar-nos dependentes uns dos outros. Foram criados para guiar-nos até Ele em humilde dependência pessoal. Em algum momento, cada relacionamento nos leva ao nosso limite e, com Deus, não há lugar mais saudável do que esse. Quando estou disposto a confessar o quão fraco sou, estou pronto para receber a graça que pode ser encontrada apenas em Cristo. Ele esteve disposto a seguir o plano do Pai e tornar-se fraco para que pudéssemos receber a Sua força em nossos momentos de fraqueza. Essa dinâmica de dificuldade-fraqueza-força é a razão pela qual precisamos de tanto encorajamento em nossos relacionamentos. Tornamo-nos cegos pela dificuldade, desencorajados pela nossa fraqueza e acabamos perdendo de vista aquilo que nos foi dado em Cristo.

 

Timothy Lane e Paul Tripp

Extraído do livro: RELACIONAMENTOS – Uma confusão que vale a pena

sábado, 25 de abril de 2015

O bezerro de ouro e a nossa rebeldia


O povo de Israel sempre teve problemas com relação a idolatria. Na trajetória em direção a Canaã, o povo não quis esperar Moisés que estava no monte para receber as instruções que vinham da parte do verdadeiro Deus. Então, liderados por Arão, resolveram confeccionar um bezerro de ouro para representar os deuses que lhes tiraram do Egito. Então, o povo passou a festejar e comemorar, participando de uma verdadeira farra diante daquela estátua, cheios de uma falsa alegria e de um fervor passageiro. Na verdade, eles desviaram seus corações do propósito mais importante que é amar a Deus sobre todas as coisas.

A adoração é um item que está intimamente ligado a quem nós somos como seres humanos. Mas a adoração não está restrita somente a atividades religiosas, geralmente acompanhada de cultos ou oferendas. Muito mais que isso, a adoração é uma questão de identidade. Isto é, você e eu somos adoradores e nesta vida vamos nos curvar diante de algo. Nossos corações estão sempre sendo controlados por algo, e aquilo que controla o nosso coração também controla o nosso comportamento.

Em Mateus 6, Cristo explica que aquilo que nós adoramos é, também, aquilo que nos controla. Jesus disse: “onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração”. Com isto, Ele nos ensinou que se algo for de valor para nós, faremos tudo que for possível para conseguirmos. Ou seja: relacionamentos, trabalho, uma boa reputação ou um carro do ano, podem se tornar um ídolo para nós. Não que estas coisas sejam erradas, mas se tornam obstáculos ao nosso amadurecimento na fé quando assumem o valor de primazia que só Deus pode ter em nossas vidas.

Jesus também nos ensinou que “Deus é espírito, e importa que seus adoradores O adorem em Espírito e em verdade.” Tudo que nos impede de enxergar Deus como supremo e soberano sobre nossas vidas se constitui no nosso bezerro de ouro. Somente ao adorarmos a Deus por quem Ele é, conforme revelado nas Escrituras, é que somos capazes de enxergar a vida sob a perspectiva correta, e, assim, não seremos iludidos pelos falsos deuses que exigem a nossa devoção. Fugir da idolatria é uma ordem para todo cristão, e este imperativo engloba fugir da idolatria inclusive de si próprio. Há muitos que mergulharam de cabeça na autodevoção e até exigem que outras pessoas lhe prestem algum tipo de adoração.

Diante dos perigos iminentes da idolatria, precisamos nos curvar somente diante da autoridade exclusiva do Senhor sobre nossas vidas, que nos governa mediante a instrução sempre oportuna da Sua santa e bendita Palavra. É urgente a necessidade de dedicarmos tempo e esforço para “amar a Deus sobre todas as coisas”, pois da obediência a este mandamento derivam todos os demais atos que visam agradar ao Senhor que nos remiu.


Programa Viva com Cristo

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Olhando pelas lentes corretas

Relembrar quem Deus é e quem nós somos é o antídoto contra a murmuração. Se enxergarmos nosso mundo, nossas vidas e nossas circunstâncias através da lente da cruz de Cristo, tudo entrará no foco correto. E esta clareza de visão despertará a verdadeira alegria em nós. É olhando através destas lentes que nós encontramos profunda percepção do que significa ser amado por um Pai celestial bom e cuidadoso.

Extraído do site Desiring God

 

O mundo é cruel pois o pecado a tudo corrompeu. Até mesmo a criação, obra-prima de um Deus sábio, geme diuturnamente por conta dos efeitos perniciosos do pecado. Ademais, é muito fácil sermos dominados pelos sutis enganos do nosso próprio coração e mergulharmos numa apatia generalizada que rouba a alegria e emperra o nosso progresso espiritual. Em suma, o fato inconteste é que somos pecadores, e a conclusão certeira é que precisamos de um Redentor.

Cristo ofertou-se a Si mesmo como pagamento cabal por nosso pecado. A dívida que constava contra nós foi paga de uma vez por todas na cruz do Calvário. O sofrimento que Cristo carregou sobre Si era necessário para que o pecador não amargasse eterna condenação. Naquele memorável dia, cheio de dor e pranto, o Salvador estabeleceu a paz entre o homem e Deus e assim ofereceu plena liberdade a todos aqueles que confiam na Sua graça. Este é a mensagem pura e simples do Evangelho, sem floreios ou acréscimos humanos.

Precisamos olhar a vida por meio das lentes da cruz de Cristo. Não de uma maneira descuidada ou irrefletida, mas com profundo temor diante da majestade do Senhor e com real constrangimento por nossa rasa maneira de viver. Somente quando entendemos a grandeza do que foi realizado na cruz é que podemos ter alento para deixar de lado o nosso egoísmo que teima em desejar o melhor deste mundo. Somos totalmente dependentes do Senhor por toda a nossa vida, e esta história (nunca é demais lembrar) começou na cruz. Faremos um enorme bem a nossa frágil alma, colocando-nos na perspectiva correta para que possamos contemplar a realidade que nos cerca (dias difíceis) através da lente do amor imenso que o eterno Pai demonstrou no monte do Calvário.

Se continuamos tirando conclusões equivocadas e medíocres sobre as circunstâncias que nos cercam, é porque estamos olhando pelas lentes erradas. Talvez estejamos muito acostumados a usar as lentes do humanismo, modelo muito em evidência no qual nós mesmos ocupamos o centro do palco. Isto certamente não vai nos levar a resultados efetivos de amadurecimento na fé. Ou talvez gostemos muito de usar as lentes da “paz interior”, uma salada de emoções amenas que nos fazem sentir bem diante das situações favoráveis. Estas lentes podem nos fazer tropeçar, pois os sentimentos são por demais voláteis. Talvez tenhamos muito apreço pelas lentes do pragmatismo, em que o critério se resume aos resultados obtidos independente da legitimidade dos meios utilizados. Esta forma de olhar a vida nos torna reféns daquilo que funciona e afasta a relevância dos princípios bíblicos indispensáveis para nos servir de orientação.

No entanto, as lentes da cruz de Cristo humilham a nossa vã maneira de enxergar a realidade. Com a visão clara e límpida podemos perceber que não somos o centro da história, Deus o é. Percebemos também que não temos mérito algum de que nos orgulharmos, somente o Senhor recebe toda a glória. E assim, a realidade e as situações adversas que enfrentamos começam a se encaixar sob o foco correto. Deus nos ama, sim é verdade. Mas Ele nos ama não porque somos dignos deste amor. Ele nos ama porque, segundo o Seu querer e decisão soberana, resolveu compartilhar com pecadores a alegria da qual Ele mesmo já desfruta. Tal certeza deve encher os nossos corações de verdadeira paz e contentamento real, a despeito dos obstáculos que se apresentam diante de nós. Esta mesma convicção encheu a alma do apóstolo Paulo, que soube olhar a vida através das lentes corretas: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes,nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm. 8: 38-39).

Que possamos ter uma visão cada vez menos embaçada pelos enganos do nosso coração, e cada vez mais límpida por conta dos efeitos benéficos da majestade, bondade e justiça divinas que se manifestaram gloriosamente e de uma vez por todas na cruz do Salvador. Que haja sempre em nossas mentes a percepção correta sobre quem Deus é e quem de fato nós somos, pois somente através das lentes da cruz de Cristo é possível enxergar a vida com clareza.


Marcos Aurélio de Melo

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Qual é a vontade de Deus

O livro de Gary E. Gilley é desafiador pela abordagem a que se propõe. O autor, pastor da Igreja Southern View Chapel, Springfield, Illinois, trata do assunto de modo a deixar o leitor estarrecido ao ser confrontado com a visão que não é predominante no meio evangélico sobre a forma como Deus dirige as vidas dos homens. Há muito emocionalismo vazio e impressões pessoais sem qualquer amparo bíblico quanto à questão de "descobrir qual é a vontade específica de Deus para a minha vida". O autor não nega em momento algum que Deus é soberano e age como Lhe apraz para efetuar a Sua vontade, mas lança fortes argumentos contrários à preocupação e angústia dos crentes em descobrir e acertar qual é a vontade de Deus na tomada de decisões. Os princípios bíblicos e ensino das Escrituras são suficientes e eficazes para que vivamos de modo piedoso, inclusive na tomada de decisões que honrem a Deus.

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Deixo aqui algumas citações do livro para despertar também o desejo que você leia o livro na íntegra:

As vítimas espirituais perfeitas dos esquemas mentirosos são aquelas com o coração aquecido e a cabeça vazia (pág. 24).

A Bíblia em lugar nenhum ensina que Deus tem uma vontade específica para a vida de cada crente que que deve ser encontrada através de meio extrabíblicos (pág. 40).

Procuraremos em vão situações nas quais Deus dirigiu Seu povo através de pressentimentos e sugestões (pág. 44).

Um dos problemas com as circunstâncias é que elas têm natureza subjetiva; isto é, podemos entendê-las da maneira que desejarmos. Na melhor das hipóteses, as circunstâncias representam oportunidades (ou ausência de) que podem nos ajudar na tomada de decisões, mas não são ordens de Deus (pág. 53).

A questão é, em vez de tentar penetrar os céus para procurar pelos mistérios ocultos de Deus, nos concentrarmos naquilo que Deus revelou a nós. São as coisas reveladas que nos capacitam a viver em conformidade com os caminhos de Deus (pág. 57).

Não é possível a Deus dar revelação que não seja autoritativa e que não demande obediência (pág. 67).

Todas as vezes que Deus falou na história bíblica, o receptor não teve dúvidas de que estava ouvindo a voz de Deus (pág. 68).

A semelhança com Cristo é a marca do Espírito Santo, não um tipo particular de encontro emocional (pág. 75).

Em Atos, ninguém teve que aprender como ouvir a voz de Deus nem ninguém foi guiado por pressentimentos ou sugestões. A voz de Deus era inconfundível e Sua mensagem era cristalina (pág. 83).

Ele (Deus) não está nos desafiando para descobrir as pistas que vão levar ao Seu plano para nossas vidas. Em vez disso, Sua vontade está claramente impressa nas páginas das Escrituras (pág. 89).

No Novo Testamento não nos é dito para procurar a vontade de Deus, mas para tomarmos decisões baseadas nos mandamentos e princípios bíblicos. A compreensão destes princípios dá ao filho de Deus maravilhosa liberdade e grande confiança para conduzir a vida de maneira que agrade ao Senhor (pág. 95).

terça-feira, 31 de março de 2015

Uma triste constatação

Vivemos numa era de humanismo e individualismo, em que o homem é o centro e fim de todas as coisas, e o indivíduo solitário exige autonomia irrestrita de expressão, sem a mínima censura. Sendo que não há mais um padrão divino a ser conhecido e obedecido, ficam apenas as opiniões das pessoas. Assim, se uma pessoa censura a outra, pode ser descartada como ignorante e arrogante, alguém que simplesmente procura exaltar suas opiniões sobre as de todas as outras pessoas. Já que não acreditamos mais que possamos discernir aquilo que Deus falou e aplicar suas verdades de modo específico, podemos agora justificar o ouvido surdo para a exposição mais acurada das Escrituras, e denunciar como perigoso fanático qualquer que diga: “Assim diz o Senhor!” Deixamos de perceber que estamos nas garras do maligno cada vez que repetimos o seu mantra: “É assim que Deus disse?” (Gênesis 3:1)

Paul Washer

sábado, 28 de março de 2015

A graça demonstrada

A história bíblica de hoje é sobre Mefibosete, filho de Jônatas e neto do rei Saul. O arrogante rei Saul perseguiu duramente o jovem Davi, movido pela inveja e insatisfação porque tinha perdido o trono de Israel. Davi tinha uma amizade muito profunda com Jônatas que era filho de Saul, e fez a ele uma promessa de ser gracioso com a família de Jônatas. Depois que Saul morreu, o rei Davi assumiu o trono de Israel. Depois de um tempo, Davi lembrou da promessa feita a Jônatas e resolveu demonstrar na prática, estendendo bondade e graça na vida de Mefibosete. Esta bela história está registrada na Bíblia no livro de II Samuel capítulo 9. Você pode conferir na sua Bíblia. Farei algumas observações sobre esta narrativa que chamam atenção pela demonstração de graça em favor de Mefibosete.

1ª) A ausência de mérito em Mefibosete para receber o favor do Rei

Mefibosete não tinha nada a oferecer e não merecia nada. Ele por si próprio não era digno de nada a não ser a morte, pois o extermínio de toda a família do rei anterior era um costume comum naquela época. Mefibosete se intitula “um cão morto” (v. 8), reconhecendo que não tinha nenhum valor. O seu nome significava “coisa vergonhosa”. Quando seu pai e avô morreram, ele teve que fugir nos braços de uma criada e, por um descuido, caiu e ficou aleijado dos pés (2 Sm. 4:4), o que lhe conferiu uma deficiência para o resto de sua vida. Não havia mérito algum na vida deste homem – ele se prostrou diante do rei Davi reconhecendo a sua completa insignificância (vs. 6). A graça de Deus alcança homens e mulheres sem mérito e fracassados, sem nada a oferecer senão uma vida vergonhosa. Deus salva justamente porque Ele é bondoso em tirar da lama aqueles que admitem sua total falência moral e espiritual, por meio da fé em Cristo Jesus e no Seu sacrifício no Calvário.

2ª) A livre iniciativa do Rei em benefício de Mefibosete

Mefibosete vivia escondido na distante localidade chamada Lo-Debar, que literalmente significa “sem pasto”, o que pode indicar um lugar árido e muito difícil de viver. Ele estava totalmente distante da “realeza”, e não havia a menor possibilidade de se apresentar ao novo rei Davi. Com certeza, ele reconhecia a sua fragilidade e que nunca teria condições de chegar ao rei, se não fosse pela livre iniciativa de Davi. Foi o rei Davi quem iniciou a busca por Mefibosete. Assim também, a iniciativa divina é indispensável para que a graça nos alcance. É Deus quem age em favor dos que são seus e os salva graciosamente. É Deus quem nos ama e nos busca, mesmo antes de nós sabermos que somos alvos deste amor tão grande. Precisamos compreender que tudo parte de Deus em benefício dos seus filhos amados. O apóstolo João escreveu: “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (I João 4:19)

3ª) A bênção da comunhão estabelecida com o Rei

Depois da iniciativa do rei Davi em buscar Mefibosete, observamos que houve a restauração da comunhão, pois ele passou a morar dentro do palácio do rei. Isto mostra que o rei Davi queria ter um relacionamento com Mefibosete, partilhando do mesmo espaço e de refeições em comum. Um homem antes esquecido no meio do nada agora desfrutava de proximidade com o rei de Israel, pela bondade e generosidade que Davi demonstrou na prática.

Não há nada neste mundo mais valioso do que saber que temos paz com Deus (Rm. 5:1-2) e que podemos desfrutar de plena comunhão com Ele. Este fato deve nos impulsionar a ter uma vida que agrada ao Senhor em todos os aspectos. Devemos direcionar todos os esforços para que esta comunhão com o Senhor não seja morna ou sem vigor. Você tem desfrutado da real intimidade com Deus mesmo passando por vales sombrios? Como cristão, você reconhece que depende diariamente de verdadeira comunhão com o Senhor? O crente almeja sempre viver em comunhão com Deus, como escreveu Davi no Salmo 63:1: “a minha alma tem sede de Ti, numa terra árida, exausta, sem água.” Precisamos depositar total confiança nesta graça maravilhosa, que nos proporciona a intimidade com o nosso Deus.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Casamento: excelente, mas não permanente

Lendo o livro “O que Jesus espera dos seus seguidores?”, do pastor John Piper, deparei-me com o trecho em que ele alerta sobre a necessidade de alicerces firmes com relação ao casamento. A argumentação de John Piper procura estabelecer que a união conjugal é um espelho que reflete a relação de Cristo com Sua igreja. Portanto, o matrimônio não deve ser visto com leviandade e nem deve ser supervalorizado além da sua importância. Abaixo transcrevo o texto, que encerra o capítulo 42 do livro citado.

 

“Não há dúvida de que o mandamento de Jesus acerca da fidelidade no casamento seja radical para a cultura moderna. É um teste para provar Sua soberania em nossa vida. Seus padrões são elevados. Jesus deixa transparecer que este mundo não é nosso lar definitivo. Ele deixa também muito claro que o casamento é apenas uma lei para quem vive neste mundo: "Na ressurreição, as pessoas não se casam nem são dadas em casamento; mas são como os anjos no céu" (Mateus 22:30). Portanto, o casamento é uma bênção efêmera. Uma grande bênção, mas não uma bênção definitiva. Uma bênção preciosa, mas não permanente.

A perspectiva da eternidade explica por que Jesus é tão radical. Permanecer a vida inteira solteiro não é nenhuma tragédia. Caso contrário, a vida de Jesus teria sido uma tragédia. Tragédia é querer um casamento perfeito a ponto de transformá-lo num deus. Os padrões de Jesus são elevados porque o casamento não preenche todas as nossas necessidades, nem deve preenchê-las. O casamento não dever ser um ídolo. Não deve e não pode ocupar o lugar de Jesus. O casamento dura apenas um momento. Jesus é eterno. O modo em que nos comportamos no casamento ou na vida de solteiro mostrará se Jesus é nosso tesouro supremo.”

John Piper

sábado, 14 de março de 2015

O adultério e suas terríveis consequências

Qualquer desobediência da palavra de Deus é pecado. Jamais devemos sugerir que há pecadinho e pecadão. Mas, nesta vida, alguns pecados levam a consequências maiores. Alguns pecados machucam outras pessoas mais profundamente do que outros. Alguns causam sequelas desastrosas e muitas vezes irreversíveis. Não é por acaso que o adultério sempre se encontra entre aqueles que trazem maior prejuízo a vida de alguém.

Além de várias advertências bíblicas, há diversos exemplos de como o adultério complicou a vida de pessoas que o praticaram. Um exemplo clássico é Davi, o segundo rei de Israel. Vamos aprender as lições valiosas diante do adultério que ele cometeu junto com Bateseba.

Quando uma pessoa se entrega à tentação, pode se encontrar numa situação praticamente impossível, onde não tem força para resistir. É essencial que aprendamos como evitar essas situações difíceis. O exemplo de Davi sugere alguns deveres importantes a seguirmos:

(1) Devemos nos dedicar ao papel que Deus nos deu. Davi não se ocupou com seus próprios deveres. 2 Samuel 8 e 10 mostram que Davi era um guerreiro bem-sucedido. De fato, como líder do povo, seu papel também era o de comandante do exército de Israel. Várias vezes ele conduziu suas tropas a vitórias. Mas, num determinado ano, Davi resolveu ficar no palácio e mandou Joabe e seus servos à batalha (2 Samuel 11:1). Enquanto muitos dos homens de Israel arriscaram a vida na guerra, ele ficou na casa do rei em Jerusalém. Hoje, um dos fatores que contribui ao pecado é falta de ocupação e dedicação em nosso trabalho. Homens ociosos mostram uma tendência maior de se envolver numa série de pecados, incluindo adultério, vício de álcool e outras drogas, etc. Jovens ociosos tendem a se envolver em coisas erradas, por ter muito tempo livre. Mulheres sem responsabilidade participam mais das coisas do Adversário (1 Timóteo 5:13-15).

(2) Devemos alimentar pensamentos corretos. Uma vez que Davi se colocou no lugar errado, ele foi tentado. Ele viu Bateseba, uma mulher bonita, tomando banho (2 Samuel 11:2). Neste momento, ele deveria ter redirecionado seus pensamentos, procurando não pensar mais na imagem do corpo da mulher de outro. Nós não devemos hospedar pensamentos maus, porque levam às consequências graves (Jeremias 4:14; 6:19). O domínio próprio, uma das características fundamentais do servo de Deus, inclui a disciplina para controlar nossos próprios pensamentos (Gálatas 5:22-23; 2 Pedro 1:6; Filipenses 4:8-9; 2 Coríntios 10:4-6). É bom lembrar que um passarinho pode passar por cima da nossa cabeça, mas não temos que o convidar a fazer ninho em nossos cabelos.

(3) Devemos levar em conta as advertências contra o pecado. Davi ignorou, as advertências e princípios contra o adultério. Ele não levou em consideração as ordens divinas sobre a prática de relações sexuais ilícitas e sobre cobiçar a mulher do próximo. Ele sabia, antes de a convidar para casa, que Bateseba era mulher casada com um soldado do exército de Davi, chamado Urias (2 Samuel 11:3). Nós devemos sempre respeitar as advertências sobre o pecado e suas consequências, antes de cometê-lo.

(4) Devemos evitar circunstâncias que facilitam o pecado. Davi estava no lugar errado e pensou nas coisas erradas. Cada passo o levou mais perto do relacionamento pecaminoso que ia piorar a vida dele e de outras pessoas. Quando ele perguntou sobre Bateseba e a convidou para a casa dele, ele se colocou numa situação onde a tentação seria mais forte ainda. É sempre perigoso quando o homem ou a mulher se colocam em situações de tentação e brincam com o pecado. Outro problema é quando a pornografia escraviza o coração de uma pessoa, que passa a buscar parceiros para realizar seus desejos sexuais. Portanto, não fique se expondo a situações que iludem e atraem para o pecado.


Programa de Rádio Viva com Cristo

Extraído do Site: http://www.estudosdabiblia.net/d69.htm
Com adaptações

segunda-feira, 9 de março de 2015

Casamento à moda divina

Ao estudarmos 1 Coríntios 7, devemos ter em mente que Paulo está respondendo a perguntas específicas, não desenvolvendo uma "teologia do casamento" completa em um só capítulo. Precisamos de todo o arcabouço bíblico para não entrarmos em pressuposições sem fundamento.

Paulo não estabelece o "celibato" compulsório, apenas o recomenda diante do contexto em que os coríntios estavam inseridos. O apóstolo argumenta que é bom quando um homem ou mulher permanecem sozinhos (não normatizando), mas que o estado celibatário não é superior ao casamento, como também não é o ideal para todos. Também não dá nenhuma brecha para uma vida sexualmente ilícita fora do casamento, incentivando a todos que a sexualidade pura e plena deve ser vivenciada somente no contexto do matrimônio. David Prior explica da seguinte forma: “Paulo está reabilitando, assim, tanto o celibato quanto o casamento, como manifestações da graça de Deus que devem ser assumidos e mantidos puramente na força que o Senhor fornece diariamente.”

O texto em 1 Coríntios 7:2 deixa claro que Deus não aprova a poligamia e nem as "uniões" homossexuais tão em moda nos nossos dias. O padrão divino desde o princípio é um homem casado com uma mulher, numa relação consonante com os padrões bíblicos de serviço, honra e submissão. Embora a sociedade mude seus padrões por conveniência e modismos, a Palavra de Deus não abre espaço para as aberrações modernas que têm sido consideradas casamento.

O casamento é a devida provisão para a satisfação sexual de cada parceiro (homem/mulher), porém o casamento é muito maior do que a atividade sexual. Os casais que contraem matrimônio para dar vazão aos seus impulsos imorais, não entenderam a santidade envolvida na união que tem como testemunho o próprio Deus. Em seu comentário, Barclay afirma: “O marido não deve considerar nunca a sua mulher como um meio para gratificação, deve considerar o casamento como uma relação tanto física como espiritual, como algo em que ambos encontram gratificação e a satisfação mais plena em todos os seus aspectos.”

Paulo utiliza-se de expressões para dignificar a relação sexual entre marido e mulher, dando aos dois a prerrogativa de serem canal de satisfação ao cônjuge. Todas estas considerações sobre igualdade e mutualidade do relacionamento conjugal eram completamente revolucionárias no tempo de Paulo. O apóstolo acrescenta que a suspensão da atividade sexual deve ter propósitos definidos e tempo curto, para evitar que haja tentações nesta área. Os casais que estão alicerçados numa relação de doação de amor e afeto, crescem e amadurecem juntos visando sempre o bem estar um do outro. O casamento deve ser um relacionamento marcado pela renúncia de vontades egoístas, para que haja satisfação mútua em todos os aspectos que não se restringem ao ato sexual.

O apóstolo Pedro complementa tal ensino em sua primeira carta: “Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, por isso que sois juntamente herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações” (1 Pedro 3:7).

A sacralidade do matrimônio está fundamentada na figura que este representa: a união entre Cristo e a sua Igreja. Assim como Cristo tem objetivos definidos para com a sua Noiva, purificando e santificando, assim também o marido deve zelar pela pureza de sua esposa, tendo como objetivo apresentá-la melhor ao Senhor. É requerido do povo eleito uma visão muito mais abrangente do casamento, do que simplesmente um canal para alívio das tensões sexuais. Há muito mais envolvido numa relação de tamanha envergadura. É necessário que haja o cultivo contínuo da fidelidade entre os cônjuges, expressão da aliança feita diante de Deus e de testemunhas. Sobre isso, o pastor John Piper escreveu: “Deus é glorificado quando duas pessoas tão diferente e imperfeitas forjam na fornalha da aflição uma vida de fidelidade mediante a confiança em Cristo”.

No casamento, o trabalho permanente é que os cônjuges busquem a humildade e procurem amadurecer em santidade e piedade para ter a aprovação de Deus. Quando o casal prova da graça divina na direção vertical (Deus e Sua vontade revelada), este presente gracioso se reflete no dia a dia na direção horizontal (entre os cônjuges).

Quanto a questão levantada por Paulo no verso 9, David Prior esclarece que “a situação menos desejável é a da pessoa que precisa do casamento como um meio de expressão de sua sexualidade, mas tenta com esforço passar sem ele: é melhor casar do que viver abrasado. A propósito, a expressão ‘viver abrasado’ não pode significar explodir em atos licenciosos, mas ser tão consumido por um desejo íntimo que praticamente nada mais interessa nem pode ser considerado com serenidade.” Deus dá plenas condições aos jovens solteiros de serem maduros na área sexual. Há recursos suficientes para que o jovem solteiro seja feliz enquanto não estabelece uma relação matrimonial. Atos vergonhosos são frutos de um coração não rendido e submisso a Cristo, de modo integral e santo. Lutas e problemas referentes a tentações sexuais podem e devem ser vencidas pelo poder santificador do evangelho e da cruz.

 

EBD JOVENS IBR JARDIM AMAZONAS
ESTUDOS EM 1 CORÍNTIOS

terça-feira, 3 de março de 2015

Deus não pensa como o homem

Muitas vezes nós pensamos que Deus só usa pessoas com um potencial muito elevado de inteligência ou sabedoria. Somos muito ligeiros em julgar as pessoas pela aparência, e pelo desempenho que apresentam diante dos homens. Mas é importante lembrar que Deus sempre utilizou servos que não causavam grande impressão nas pessoas. Foi isto que aconteceu na escolha do jovem Davi para ser o futuro rei de Israel.

Deus já tinha rejeitado a escolha do povo, o rei Saul. Saul era um homem arrogante e cheio de si que desejava a todo custo ter a atenção do povo de Israel, mesmo que para isso tivesse que desobedecer as ordens de Deus. O Senhor não aprovou o reinado de Saul pela sua rebeldia, e por isso Deus levantou outro rei para guiar o seu povo. O profeta Samuel foi enviado para a casa de Jessé (pai de Davi) onde deveria ungir aquele que seria o novo rei de Israel. Ao chegar na casa de Jessé encontrou os filhos dele e pensou logo que ali estava o novo rei do povo. Davi tinha vários irmãos, fortes, altos de boa aparência também.

Samuel pensou que o ungido de Deus fosse Eliabe, o filho primogênito de Jessé, um homem de porte e que causava boa impressão para ser o rei. Mas o Senhor enxerga o coração e disse-lhe: “não atentes para a sua aparência, pois Deus não vê como vê o homem; o homem vê a aparência, mas Deus vê o coração”.

Davi era um humilde pastor de ovelhas que confiava em Deus, deleitava-se nele e refugiava-se nele como seu protetor. Apesar de ser um jovem, Davi era corajoso, ele enfrentava as feras para proteger suas ovelhas de lobos e ursos. Ele foi chamado para comparecer em casa, e ali foi ungido pelo profeta Samuel. Deus escolhe pessoas comuns para realizar os Seus propósitos dentro da Sua vontade.

Eu gostaria de deixar um desafio para você refletir com base neste episódio. Procure cultivar uma essência interior de vida cristã, e não uma capa de vida cristã. É fácil colocarmos capas e algumas máscaras, e até parecemos muito com um crente. Basta apenas vestir a roupa certa, falar palavras bonitas, agir conforme alguns regras morais e está tudo certo. Mas nada disso funciona de modo real. O cristão precisa ter essência, um caráter moldado pelo próprio Deus, pois Deus não se deixa impressionar por boas obras, e nem pelo desempenho de ninguém. Ele requer de nós uma postura humilde que confia inteiramente na Sua graça. Sem dependermos de Deus, viveremos no modo automático. Por isso é fundamental crermos que Deus chama pessoas comuns e faz delas pessoas úteis para o Seu serviço, transformando-as de dentro para fora.

Ainda bem que Deus não pensa como o homem. O ser humano é despertado por esteriótipos que lhe agradem, pelas medidas de desempenho que outras pessoas apresentam. O Senhor utiliza pessoas comuns e faz obras extraordinárias por meio delas. Deus traz para o centro do Seu plano homens e mulheres que aos olhos humanos não teriam contribuição nenhuma a dar. Este é o Deus que a Bíblia revela: o Criador que do barro pode fazer belos vasos úteis para a Sua própria honra.

DEUS NÃO PENSA COMO PENSA O HOMEM
NÃO ENXERGA COMO O HOMEM VÊ
NÃO CAMINHA POR CAMINHO HUMANO
NÃO SE PAUTA PELOS PLANOS MEUS

COMO OS CÉUS SE ELEVAM SOBRE A TERRA
E O SEM-FIM QUEM PODE COMPREENDER?
TÃO MAIS ALTOS SÃO SEUS PENSAMENTOS
TÃO INFINDOS SÃO OS PLANOS SEUS

Letra de Carlos Sider