segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Prevenção é sempre o melhor

Texto: 2 Cor. 4: 1-2

Introdução:
Prevenir é melhor que remediar”. “Um homem prevenido, vale por dois”. A prevenção é a tônica dos assuntos de saúde. A medicina preventiva é um dos ramos que mais crescem. A identificação precoce de moléstias por meio de exames preventivos possibilita minimizar os danos causados pela demora no diagnóstico.
- Setembro amarelo (suicídio)
- Outubro rosa (câncer de mama)
- Novembro azul (câncer de próstata)
No contexto da carta aos Coríntios, Paulo estava sofrendo severos ataques por conta do seu ministério. Ele era acusado de falso apóstolo e de embusteiro, uma pessoa sem caráter para o exercício do apostolado. Por isso ele escreveu a 2ª. carta aos Coríntios, para defender o seu ministério, colocando-se à prova de qualquer contestação. Sua abordagem é incisiva e nos mostra um homem precavido contra as estratégias que queriam minar o seu ministério como apóstolo do Senhor.
Na missão confiada a nós, como sal e luz neste mundo corrompido, devemos adotar medidas preventivas contra os ataques que certamente virão dos ímpios, e até mesmo de outros cristãos professos. Este mundo caído é um front de batalha em questões de fé, e não há como manter uma neutralidade. Por isso é necessário que sejamos cristãos prevenidos, sempre atentos as ciladas dos opositores que desejam aniquilar as nossas bases de fé. É certo que o chamado divino é sempre acompanhado da capacitação divina; e Paulo sabia que Deus o sustentaria até o final. Mas é nosso dever adotar medidas preventivas para não sucumbirmos ante à oposição.

PRECISAMOS ADOTAR MEDIDAS PREVENTIVAS CONTRA OS ATAQUES DOS OPOSITORES DA MISSÃO A NÓS CONFIADA”
? Quais medidas preventivas precisamos adotar contra os ataque dos opositores da missão a nós confiada?
 
1. A VALORIZAÇÃO DA TRANSPARÊNCIA 
"rejeitamos as coisas que, por vergonhosas, se ocultam"
Coisas vergonhosas geralmente são feitas às escondidas, para não levantar nenhuma suspeita ou não causar nenhum embaraço em quem as pratica. Aquilo que é desonroso é realizado de modo que não desperte a atenção das pessoas. Paulo condena este tipo de postura de modo claro, pois o cristão deve viver na luz, sem nada a ocultar. Seus atos eram realizados visando a glória de Deus, e portanto não tinham que ser às escondidas, fora da percepção dos homens.
Ilustração: "A luz do sol é o melhor dos desinfetantes", afirmou, quase um século atrás, o juiz americano Louis Brandeis (1856-1941). A frase se referia à necessidade de transparência no sistema financeiro. As ideias de Brandeis influenciaram a criação de leis que tiveram como objetivo tornar o funcionamento dos mercados mais límpido, restringindo o poder dos grandes banqueiros e protegendo poupadores.
  • Efésios 5: 11-13: "E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as. Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha. Mas todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz."
Os Filhos da luz não devem ter nada a esconder. Nossas vidas devem ser marcadas pela total transparência naquilo que fazemos, pois Deus já nos tirou das trevas. Um estilo de vida “às escondidas” é uma forte evidência de que algo está errado com o nosso cristianismo. Deus requer dos Seus filhos que vivam na luz, e para isto é imprescindível que não tenhamos nada a ocultar de nossos irmãos em Cristo Jesus. Nossas redes sociais e conversas podem ser vistas por outros irmãos em Cristo, sem nos causar nenhum constrangimento? Nossa vida é um livro aberto? Ou será que ainda temos muito a esconder, com alguns cômodos que não podem ser visitados por ninguém? Será que temos um quartinho da bagunça?
 
2. A VALORIZAÇÃO DA AUTENTICIDADE 
"não andando com astúcia"

O dicionário eletrônico Houaiss define astúcia como: “habilidade de dissimular e usar artifícios enganadores e, com isso, obter vantagens às custas de outrem; malícia, treta, artimanha.” Paulo era acusado de usar artimanhas para sustentar-se como apóstolo e ministro do Evangelho, mas esta acusação não passava de difamação. Levantaram contra Paulo varias acusações, questionando a sua integridade e honradez.
Ilustração: um exemplo de astúcia, sem o menor sinal de autenticidade, foi o casal Ananias e Safira (Atos 5). Eles queriam ludibriar os apóstolos com sua pretensa generosidade, mas foram desmascarados e punidos. O casal forjou uma aparente piedade, que não condizia com a realidade. Isto foi e é abominável ao Senhor.
A astúcia é um atributo do diabo, não dos verdadeiros servos do Senhor. A palavra grega panourgia (astúcia, esperteza) aparece cinco vezes no Novo Testamento, sempre com conotação exclusivamente negativa (Lc 20.23; 1Co 3.19; 2 Co 4.2; 11.3; Ef 4.14). A astúcia não caracteriza a conduta de Paulo e seus colegas, porque eles se esfor- çam pela honestidade e pela integridade. Os judaizantes podem acusá-lo de esperteza (12.16), mas sua vida demonstrava que essa acusação deles não tinha o menor fundamento.
Andar com astúcia é agir com esperteza em busca de vantagens, forjando as reais intenções com um comportamento calculado para não ser desmascarado. Vivemos uma crise de autenticidade no meio chamado evangélico. Há muitos embusteiros que com suas artimanhas enganam a muitos. Mas de toda sorte de enganos, o pior certamente é o autoengano, aquele que é voltado para transmitir uma imagem irreal de si, para obter a aprovação e os aplausos da plateia. Autenticidade é viver sem intenções maliciosas e sem astúcia, com sinceridade em nossas ações.
 
3. A VALORIZAÇÃO DA SUFICIÊNCIA DAS ESCRITURAS
"nem adulterando a Palavra de Deus"

O verbo "adulterar" faz referência à adição de água ao vinho ou ao leite, para render maior quantidade e proporcionar mais lucros aos comerciantes. A Palavra de Deus quando é corrompida não serve aos seus propósitos, assim como o remédio, que quando é diluído perde a sua eficácia. Paulo também era acusado de propagar inverdades e afrontar o judaísmo até então vigente. Mas sua consciência estava tranquila quanto à necessidade de pregar a Palavra, e somente a Palavra (1 Co. 2:1-5). Para o apóstolo as Escrituras eram suficiente, e não havia necessidade de acrescentar nenhuma pitada de sabedoria humana ou filosofia da época.
Ilustração: Um exímio adulterador, que sabia diluir como ninguém a mensagem pura das Escrituras, foi o profeta Hananias, que se opunha à mensagem de julgamento pregada por Jeremias. Ele era um falso arauto que afirmava a queda de Babilônia e a volta dos exilados e dos tesouros do templo, dentro de dois anos. Sua mensagem não tinha o selo do “Assim diz o Senhor”, pois estava diluída e corrompida com falsas promessas. Este tipo de mensagem ao gosto do freguês sempre goza de bastante popularidade.
Para falar em nome do Senhor dos Exércitos precisamos submeter-nos à suficiência da Sua Palavra. Dizer que a Palavra de Deus é suficiente é uma coisa. Viver conforme esta verdade é outra coisa totalmente diferente. Valorizar a suficiência das Escrituras no dia-a-dia, sem acrescentar nada a sua essência, é o teste de fogo quando nos vemos diante dos dilemas da vida. A âncora do cristão é a pura Palavra de Deus, sem nenhum acréscimo. É dela que provém o nosso sustento e direcionamento neste mar revolto da vida. Não é saudável e nem seguro diluirmos seu conteúdo para nos sentirmos confortáveis.
Devemos marcar posição quanto à questão da suficiência das Escrituras nestes tempos pós-modernos em que vivemos. O povo de Deus deve se apegar ao Livro de Deus, ainda que sofra retaliações por isso. O que não estiver aferido com as Escritures é de procedência maligna.

4. A VALORIZAÇÃO DA RESPONSABILIDADE PESSOAL
"nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus"

Aqui não se trata de presunção ou falta de humildade, algo que Paulo tinha fortemente combatido na igreja de Corinto. Paulo aqui está ressaltando a responsabilidade que ele tinha por seus atos, a ponto de colocar-se sob o exame daquelas consciências submetidas à verdade na presença de Deus. O apóstolo não fugia da responsabilidade por suas ações, pois eram feitas visando somente a glória de Deus. Ele era um servo plenamente convicto da sua missão, e, portanto, não tinha como se furtar desta responsabilidade diante de Deus e diante dos homens.
A consciência humana funciona como um tribunal interno, e quando a nossa consciência está imbuída da verdade bíblica, os julgamentos são acertados. Paulo não tinha medo de passar por tal exame, sabendo que suas ações eram marcadas pela integridade. A consciência humana, quando guiada pela verdade de Deus, registra e avalia o bem e o mal, examina a própria conduta moral e a dos outros, e obedece à autoridade que Deus instituiu.
Ilustração: Recentemente o pastor Argemiro pregou um sermão com base em Mateus 18, cujo tema era: Qual o nosso perfil como crentes? O segundo ponto da mensagem era: O perfil de quem insensatamente serve de estorvo espiritual a outro ou de quem lhe serve de apoio espiritual? Nos tornamos estorvo espiritual quando não vivemos com responsabilidade, quando fazemos tropeçar ou trazemos escândalo à consciência de outros.
Assumimos a responsabilidade por nossas atitudes, ou sempre encontramos respostas evasivas? Será que estamos abertos à confrontação bíblica por alguém se alguma mancha for detectada em nosso cristianismo? Isto é encarar com responsabilidade a vida cristã, sem tergiversar. Viver de modo responsável é estar disposto a passar por um exame à luz da Verdade de Deus, sob a orientação clara e e segura de pessoas maduras na fé.

A prestação de contas honesta a um irmão maduro na fé é uma forma de fortalecer a nossa responsabilidade como cristãos e evitar a falsa impressão de que somos irrepreensíveis. A prestação de contas é uma medida preventiva contra o orgulho presente em nossos corações e se torna um salvaguarda para a solidificação de relacionamentos efetivos e santos.

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