sábado, 6 de abril de 2013

Os malefícios da autoconfiança


Na vida do crente, o excesso de autoconfiança é um grande empecilho na batalha contra o pecado. Nas entrelinhas das Escrituras podemos observar um paradoxo: “O homem que vive mais seguro é o que menos confiança tem em si mesmo.” Na luta contra o nosso eu e contra o inimigo de nossas almas, a autoconfiança é um mal que traz prejuízos enormes e mina a nossa vida em vários aspectos.
Pedro era um discípulo cheio de autoconfiança. Jesus sabia de suas limitações e por isso o advertiu claramente. Os 4 evangelhos relatam o fato: Mt. 26.31-35; Mc. 14.27-31; Lc. 22.31-34; Jo. 13.36-38. Mesmo diante dos alertas do Senhor, Pedro confiou em si mesmo. Ele se sentia melhor que os demais. No relato de Mateus, ele disse: “Ainda que todos estes te neguem, eu nunca te negarei” (Mateus 26:33). Ao invés de humilhar-se e depender da graça, ele confiou na sua carne e acabou sendo traído por ela. Nunca devemos confundir fé com autoconfiança.
"A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda." (Pv. 16:18)
"Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia." (1 Co. 10:12)

POR QUE MOTIVOS A AUTOCONFIANÇA É UM EMPECILHO AO PROGRESSO NA VIDA CRISTÃ ?

1) PORQUE A AUTOCONFIANÇA NOS FAZ IGNORAR OS SINAIS DE ADVERTÊNCIA
Muitas vezes o Senhor nos alerta através da Sua Palavra, dos nossos líderes, de pessoas ligadas a nós, que estamos entrando num caminho perigoso ou correndo riscos. Quando não levantamos a guarda e menosprezamos o poder do inimigo ou do pecado, ficamos expostos e vulneráveis.
É como um motorista que se acha um “expert” ao volante, e faz ultrapassagens perigosas em locais onde existem placas de advertência e sinalização proibitiva. Cedo ou tarde isto acabará mal. Observe que nós somos hoje o fruto das decisões que tomamos ontem, e amanhã seremos o fruto das decisões que tomamos hoje.
Por que brincamos com o pecado? Achamos que somos fortes, que estamos no controle da situação, que só vamos até onde queremos; mas, isso não é verdade. Devemos deixar de ser tão soberbos, e aceitar que somos totalmente dependentes de Deus, e que sem Ele, estaremos vulneráveis diante das armadilhas do pecado. A queda de alguém no pecado nunca acontece de repente. Há sempre antecedentes que vão se acumulando, sinais de advertência que vão sendo ignorados ao longo da jornada. Por isso é necessário tomar medidas radicais, para não sermos iludidos pelas propostas tentadoras de agradar a nossa carne.
É impossível flertar com o pecado e não sermos afetados. “Tomará alguém fogo no seio, sem que as suas vestes se incendeiem? Ou andará alguém sobre brasas, sem que se queimem os seus pés?” (Pv. 6:27-28).
Atente para as três verdades sobre a espiral descendente do pecado:
1) O pecado sempre o levará para mais longe do que você pode ir;
2) O pecado sempre o retém por mais tempo do que você gostaria;
3) O pecado sempre custa mais do que você está disposto a pagar.

2) PORQUE A AUTOCONFIANÇA NOS FAZ BUSCAR O ISOLAMENTO
O autoconfiante raciocina da seguinte forma: “Eu posso cuidar de mim mesmo, eu posso sair desta situação sozinho, eu sei me virar muito bem. Não preciso prestar contas a ninguém. Não devo satisfação a nenhuma pessoa.” Uma vida fechada em si mesma facilita o domínio da carne, tendo em vista que há em nós uma tendência natural para aquilo que é errado. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e incorrigível. Quem o conhecerá?” (Jr 17.9).
O isolamento está arraigado no orgulho humano de não querer prestar contas a ninguém. Mas a pessoa que presta contas tende a ser mais prudente e cautelosa. Lembre-se, os momentos em que ninguém está nos observando, são os de maior interesse para o diabo. Observe que as pessoas que prestam contas admitem os próprios erros, estão abertas para o aconselhamento, são acessíveis e aborrecem a mentira.
Quando alguma prática pecaminosa nos escraviza, pensamos que o isolamento é a melhor saída, pois assim não ficaremos expostos. Só que a Bíblia nos ensina que a prestação de contas é importante para o crescimento e edificação espiritual. O isolamento nunca será prova de boa condição espiritual. Quando alguém decide andar sozinho, alguma coisa não vai bem com a sua alma. Alguns exemplos: Davi não quis prestar contas de sua vida, mas o profeta Natã o confrontou; Pedro foi repreendido por Paulo, quando foi necessário; Paulo e Barnabé prestavam contas à igreja de Antioquia.
A Bíblia é enfática: “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante” (Ec. 4:9). O fundamento da disciplina bíblica, exercida visando a restauração do irmão, é que dependemos uns dos outros e estamos ligados em um só corpo através do sacrifício de Cristo Jesus.
O pecado vicia e traz consigo uma séria de tentativas fúteis para esconder-se sob alguma capa. Por exemplo, a capa da hipocrisia, muito utilizada pelos fariseus. Estes homens eram extremamente zelosos da lei, mas não se importavam com a podridão em suas próprias almas. “Por fora bela viola, por dentro pão bolorento...”

2) PORQUE A AUTOCONFIANÇA NOS FAZ UTILIZAR ARMAS CARNAIS
É necessário esforço pessoal na luta contra o pecado, mas este esforço não deve estar concentrado em armas carnais, próprias do homem natural. Quem confia em si mesmo para vencer as tentações nunca terá condições de sair do ciclo vicioso em que encontra. Todo o nosso esforço deve ser exercido com base exclusiva na graça do Pai, sem a qual facilmente cairemos em pecados repetidamente.
Ao tentar combater tentações, muitos apelam para a resistência pessoal e força de vontade. No entanto, por melhor que isso pareça, as chances de sucesso são mínimas porque o foco ainda está na capacidade natural. Quando optamos por confiar em nossa própria força para derrotar a tentação, independente de Deus, Deus enxerga isso como orgulho (Tg. 4:6). Ele tem um plano de libertação, uma maneira de escapar que é encontrada principalmente através de um relacionamento com Ele.
Jesus começou o belo sermão da montanha com as palavras: “Bem-aventurados os pobres de espírito.” “Ptochos” vem de uma raiz grega que significa rastejar. Necessitamos diariamente da rica provisão de Cristo, que graciosamente nos outorga seu amor e perdão. Em João 15 somos alertados que os frutos em nossa vida só são possíveis quando estamos verdadeiramente unidos à Videira.
Quando tratamos com nosso coração enganoso toda vigilância é importante. Até mesmo o nosso progresso na vida cristã deve ser seriamente avaliado. Em que base temos progredido? Estamos dependendo do Senhor na luta contra o nosso velho homem? Ou será que o nosso avanço se concentra em reformas exteriores, sem mudanças em nosso interior efetuadas com o auxílio do Espírito?


AULA EBD JOVENS - IBR JARDIM AMAZONAS

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